Viva o Barrigão!

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Domingo, Abril 30, 2006


De carinhos e coisas afins


Uma das coisas que eu mais gosto de fazer com meu Gutão, além de brincar, dançar e dar risada, é dormir. Como é gostoso deitar do ladinho dele nos finais-de-semana e curtir a sonequinha do dia sentindo aquele cheirinho bom, aquele pezinho pequenino se enroscando em mim. Gutão é tão carinhoso, viu? Antes de fechar os olhinhos pra dormir, qualquer que seja a hora, abraça a Pig e diz assim, repetindo meu refrão de toda noite: "Boa-noite, Pig. Bons sonhos". E abraça e beija e faz carinho na porquinha. Dá beijo até em figura de revista e em desenho de pijama! Hoje fez um montão de carinhos no cachorrinho que enfeita o meu. Quando pega alguma coisa pra comer, sempre me oferece um pedacinho. Se tá no meu colo, fica fazendo carinho nos meus cabelos. É espontâneo nas demonstrações de afeto. Se a gente pede um beijo ou um abraço forçados, quase nunca dá. Dá é risada, esse danado.
Aprendeu a dar "abraço de três". Eu, ele e o Rô bem juntinhos. Vira e mexe, pede um. E ri, feliz. E gosta de repeteco: "Última vez, mamãe". Também já sabe expressar seu amor à semelhança do meu. Sempre digo: "Te amo do tamanho do...mundooooooooo". E abro os braços pra demonstrar quão grande é o meu amor por ele. Filhote faz igualzinho e repete minhas palavras e meus gestos. Lindo. E como gosta de bichinhos esse menino. Cachorro, então, faz ele cerrar os dentes de tanta emoção. Se deixar, ele sai correndo atrás do bicho, quer fazer carinhos mil, quer até dar beijo nos dito cujos. Foi assim na pracinha hoje. Estavam lá o Theo e a Rê e mais uma amiguinha, a Isadora, dona do Mel, um cachorro de mesma cor, muito alegre. Gutão viu o bicho e soltou: "Ele tem um cinto". Não, filho, não é cinto, não. É coleira. Valeu a conexão! O bicho não entrou no tanque de areia, claro, mas ficou por ali, correndo ao redor, todo animadinho. A certa altura, cadê Gutão? Se foi, correr atrás do Mel. E o Rô atrás. E Gutão de cócoras fazendo carinho no cachorro. Quando vi, tava dando beijo nas "costas" dele, ai, ai. Bem legal que ele não tenha medo e que seja capaz de respeitar e curtir os animais assim, mas sempre fico de olho e digo que não é legal incomodar os bichinhos. Sabe lá quando uma demonstração de amor não vai resvalar num tapão, né? Comigo é assim, entre tapas e beijos. Se eu dou bola, encantos mil. Se eu desvio a atenção, lá vem tapão! De um jeito e de outro, te amo, seu Gutão!
posted by JULIANA DE MARI 8:37 PM


Quarta-feira, Abril 26, 2006


Vamos seguindo


Gutão melhorou. Tá com bastante catarro ainda e um pouco de tosse, mas não tem mais febre e nem está mais prostrado como antes. Recuperou o apetite e o gás. E já voltou pra escola. Nesses dias em que esteve longe, aliás, nos demonstrou que o vínculo está bem estabelecido. Acordava e pedia pra vestir a camiseta da escola, pra usar o tênis da escola, pra ver as tias da escola. Continua fazendo inalação e não dá mais chilique na hora da "tapotagem" (aqueles tapinhas nas costas, com a criança inclinada nos joelhos, pra liberar o catarro, sabe como é?). Até repete nosso cuidado querendo "tapotar" nossas costas a toda hora. Diz assim: "massagem, mamãe.".
Tá falando coisas que até Deus duvida. Inevitavelmente, tenho vontade de rir com as tiradas. É muito lindo ver o florescer da linguagem, as conexões que ele faz, as palavras que escolhe. Outra noite, nós três no quarto da TV, ele olha pra gente, vai se afastando e diz: "Vou embola". E eu pergunto, curiosa, o motivo. E ele diz: "Tô babo". Eu insisto e pergunto por quê. Ele olha, franzindo a testa: "Tá muito chato aqui". Hein?!

Tou mais tranquila com os "ataques" dele. Faz parte, é fase, toda criança passa por isso. É que, quando fico cansada, tendo a enxergar tudo com lente de aumento. Faz parte, é assim mesmo, toda mãe passa por isso! Aliás, que coisa boa ter "conforto" aqui no blog. Esse nosso contato virtual ajuda a relativizar. A perceber que na casa do vizinho acontece o mesmíssimo dramalhão. Obrigada!

posted by JULIANA DE MARI 5:46 PM


Sexta-feira, Abril 21, 2006


Dá-me luz, ó Deus do tempo


Tem dias em que o cansaço não perdoa. Ainda bem que é sexta-feira, feriado. Gutão melhorou um pouco. Não teve mais febre, mas continua muito encatarrado. Estamos fazendo inalação três vezes ao dia, limpando o nariz com Sorine outras tantas vezes e tirando "ranho" com a bombinha inúmeras outras. Durante o dia, ele tem passado bem. Anda um tantinho irritado e com mais sono do que o habitual (talvez efeito dos remédios). Nossas noites, no entanto, têm sido naquela base. Gutão dorme mal, acorda muito, funga muito, chama muito a mamãe. Tenho atendido na medida do possível. O Rô tem se revezado nessa missão. Mas filhote nem sempre aceita a presença do pai e chora, reclama mesmo, a minha presença...Aí, fico dividida, entre jogar a toalha de vez ou respirar fundo e ir lá acalentar meu menino. Resultado: acordo moída, nem descanso, nem desligo, nem coisa nenhuma. Sorte que hoje Gutão pediu pra tirar uma soneca por volta do meio-dia e me requisitou. Fui de bom grado com ele (Pig nos braços!) pra nossa queen size. Deitamos juntinhos, rodeados de carrinhos, e ali ficamos até às 4 da tarde!!!! Não posso dizer que dormi o tempo inteiro, pois ele mexe horrores, fala um bocadinho e me empurra constantemente! Mas que ajudou a descansar, isso ajudou.
Passamos o feriado reclusos. Eu e o Rô demos uma pequena geral na casa. Gutão viu o Cocoricó umas vinte vezes (viciou outra vez) e levou uns cinco castigos. Tá com essa mania horrorosa de jogar as coisas no chão deliberadamente ou de tascar tapões no meu rosto e no rosto do Rô. Ele já sabe que não pode, mas não deixa de fazer. Hoje pela manhã, assim que saí da cama, ele veio atrás de mim no banheiro. Falei qualquer coisa que ele não gostou e, na hora em que abaixei pra dar um abraço, levei um copo no alto do nariz. Foi tão de repente que não tive outra reação: comecei a chorar!!! Gutão ficou todo sentido. Pediu "depuca", disse "não chora, mamãe" e quase foi voluntariamente pro castigo.
Como é difícil lidar com essa agressividade e essa necessidade de limite o tempo todo, todo o tempo, ou seja lá o que for isso, viu? Confesso que tem horas que dá vontade de simplesmente fingir que não é comigo. Mas não dá, né? E aí, lá vamos nós pra ladainha do "isso não é legal". Gutão tá naquela fase afirmativa -- ou seria negativa? Pra tudo que a gente diz, ele devolve um "não". Só coopera quando eu peço ajuda ou quando digo que ele já aprendeu a fazer determinada coisa. Aí, acho que ele se enche de orgulho, não se sente "controlado", e faz o que peço direitinho. Será que o modus operandi dessas figuras, com tão pouca idade, já é assim tão complexo? Ou será que sou eu que tou dando significados complexos pras atitudes dele? Ai, meu pai eterno, acho que tou precisando voltar pra terapia!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:35 PM


Quinta-feira, Abril 20, 2006


Vai embora, dodói!


Dessa vez, filhote realmente ficou maus. Nunca o vi tão entregue, tão abatido. Na terça à tarde, quando o Rô o levou ao hospital, disse que ele estava tão prostrado que nem chorar chorou. Ficou sentadinho na cadeira do carro, chupetando, olhinhos inchados, todo congestionado. Vez por outra, escorria uma lágrima pra denunciar o sofrimento dele. Tadinho. A médica que o atendeu disse que os ouvidos estão vermelhos e as vias aéreas muito cheias de catarro, assim como os brônquios. Gutão tá mesmo com uma tosse e um chiado bem chatos. Também tava com febre, mais de 39. Fez raio-X (não deu pneumonia, graças!) e nebulização lá mesmo. Voltou pra casa com uma receita recheada de remédios, fazer o que? Pra nossa sorte, na hora em que o Rô tava preparando o Clavulin (amoxilina), eu cheguei em casa e vi. Gutão tem alergia à amoxilina, já pensou? Liguei na hora pra dra.Ketty pra conferir as recomendações da outra médica (ah, eu sempre faço essa checagem!) e pedir outro remédio equivalente. Filhote tava tão cansado, tão cansado que deitou por volta das 18h e só acordou no dia seguinte às 8h! Nem jantou, claro. E quem quer saber de comer quando está doente de verdade, né? Suou horrores, trocou o pijama e a fralda sonâmbulo e fez nova nebulização deitadinho, de olhos fechados. Não dormi, obviamente. Fiquei atenta a cada respirada, a cada choramingo dele.
Graças a Deus e aos remédios, Gutão acordou um pouco melhor ontem. E assim está até agora. Sem febre, mais animadinho. Não tem ido à escola, mas tem pedido pra ir, acreditem! O nariz continua escorrendo e ele continua dizendo que "tá muito entupido". Agora, com a experiência da nebulização no hospital, ele não tem mais criado caso nessa hora. Ao contrário. Segura, ele mesmo, a máscara e deixa o "ventinho" fazer o trabalho até o final. Com a máscara que trouxe do hospital, enquanto eu faço nele, ele faz na Pig. Eita que esse amor é coisa séria!!

Quê mais? Hoje pela manhã tive provas de que ele já está bem melhor. Foi preciso dar dois castigos no bichinho em menos de cinco minutos! Ah, não, Gutão tá com uma mania de jogar as coisas no chão, sabem como é? Tem horas que tudo bem, até passa. Mas tem momentos em que essa zona me irrita profundamente. Em especial quando ele escolhe coisas que podem quebrar quando vão ao chão. Aí, não tem jeito. Dou a primeira advertência e, se não obedece, castigo. Gutão é malandro, já senta no pufe pedindo desculpa. Agora, além do "depuca, mamãe", ele diz que quer dar "um beijo na mamãe". Eu aceito de bom grado, mas mantenho o castigo anyway. Uma hora ele vai entender que não pode fazer o que quer na hora que quer. Que há regras, que há o certo e o errado, sim, senhor. É bom que ele conteste. É bom que ele tente, é bom que ele ouse. Só não é nada bom que ele persista fazendo o que não deve. Eu sei que ele ainda não entende a relação causa e efeito em sua totalidade. Mas eu entendo -- e eu acredito que é importante continuar sinalizando e ajudando meu filhote a encontrar as conexões dele.

Falando em conexões, Gutão quer fazer tudo o que a gente faz. Se a gente escova os dentes, ele pede a escova dele. Se a gente pega uma taça de vinho, ele pede o suquinho. Se a gente folheia uma revista, ele chega junto e pega outra pra ver. Ontem, aniversário de três anos de casamento do papai e da mamãe!, acordamos com beijos e abraços. Gutão presenciou a cena. Mamãe explicou que era um dia festivo, que a gente estava comemorando o casamento. Gutão olhou bem sério, meio enciumado, e disse: "quer casar também"! Tem presente melhor do que esse?


posted by JULIANA DE MARI 12:47 PM


Terça-feira, Abril 18, 2006


Chegou o inverno


E Gutão piorou. Continua com febre, nariz entupido, dificuldade pra respirar. Tem tossido bastante. A sorte é que tá botando catarro pra fora. Dormiu super mal essa noite. Choramingou um bocado, tadinho. Tou aqui toda torta de ficar ao lado dele na cama, vigilante. Ah, não lido muito bem com meu bichinho sofrendo, não. Fico arrasada. E cansada. E culpada. Queria estar lá com ele pra dar colo na hora em que ele precisa...Ainda bem que o Rô ficou trabalhando em casa hoje. É ele quem vai levar filhote no hospital agora à tarde. Achamos melhor assim, ir logo ver se é só gripe passageira ou se é preciso intervir de outra maneira. Já passei uma lista de perguntas a fazer pro médico. Já fiz mil e uma recomendações. Tá um frio do cão na rua, um dia horroroso. O frio chegou, ai.
Sei que eles vão estar bem na companhia um do outro. E eu sei que tou ausente, mas tou super presente, sabe assim? Espero ter notícias melhores na sequência.
posted by JULIANA DE MARI 3:51 PM


Domingo, Abril 16, 2006


Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim?


Gutão descobriu o primeiro ovo por acaso. Estava lá, em cima do móvel da TV, aguardando um esconderijo melhor. Filhote, ainda meio sonado, bateu os olhos e não teve dúvidas: "Vamo abri?". Numa linda caixinha transparente, Gutão viu um coelhinho branco abraçado a um ovo de chocolate (arte da querida Fabíola Toschi, www.fabiolatoschi.com.br). Nem bem abri, ele já foi metendo as mãozinhas. Arrancou as pernas do coelho, coitadinho, e começou a fazer rolinhos, daqueles que a gente faz com a massinha da escola, sabe como é? Eu e o Rô dando risada e tentando explicar que, não, não era massinha. "É de comer, filho, é chocolate." A segunda delícia estava aguardando o menino na porta de casa. Do lado de dentro, obviamente. Vai que passa um vizinho desavisado e leva nosso "ninho" embora? Bom, instiguei Gutão a procurar o ninho que o coelhinho da Páscoa havia deixado pra ele. Correu no quarto, no banheiro, andando meio agachado, gritando "Coelhinho, cadê você?". Um barato. Aí, dei as coordenadas e ele, enfim, descobriu o baldinho cheio de ovinhos. De tão excitado que tava, tascou um no bocão sem nem tirar o papel alumínio!! Ah, Páscoa e chocolate fazem rima, né? E Gutão comeu uns três ovinhos pra começar o dia (daqueles pequeninhos que a gente come sem culpa, lembrança das minhas páscoas lá atrás!).

A pedidos, fiquei sem ovo. Preciso me livrar desses quilinhos que insistem em continuar por aqui e, digamos, férias na Bahia não foram a melhor opção no quesito "ficar em paz com a balança"...De todo modo, o Rô me deu uma caixinha linda, com quatro trufinhas de chocolate. Comi uma metade e ele se encarregou da outra. Ele, sim, ganhou ovão. Chocolate Alpino, irresistível. Sim, eu ataquei o dele!!! Mas foi um ataque breve. Só pra não dizer que minha Páscoa não foi doce. É que passamos o feriadão meio de repouso. Eu, pra começar. Peguei uma gripe daquelas e a sexta da Paixão foi à base de cama, chazinho e carinho. Ontem acordei um tantinho melhor, mas, aí, foi Gutão quem baqueou. Depois do aniversário do amiguinho Pedro, veio a febre. Gutão dormiu sem comer nadica. Nem leite aceitou. Continuou assim hoje. Almoçou três colheradas de ovo mexido e aceitou um tantinho de suco de goiaba. E só. Tá alegre, tá brincando, mas tá com o nariz entupido e a testa quente. Agora, dormiu. Soneca que começou a ensaiar às 11h e só concretizou às 14h30!!!! Tá lá na nossa cama, grudado no violão que ganhou da gente ontem. Pequeninho, de madeira, com cordas de verdade. Ele adora música. Deve ser o fã número um do Jack Johnson, viu? E, como o ídolo toca violão, Gutão também tinha que ensaiar seus acordes. Tomara que a gripe seja como a minha: passageira. Filhote tem escola amanhã. E tem semana curta outra vez, oba!

Feliz Páscoa! E que Jesus continue abençoando a família de vocês com muita saúde, muita harmonia e muito mais alegrias. Amém.
posted by JULIANA DE MARI 3:45 PM


Quarta-feira, Abril 12, 2006


Atualizando


O paraíso
Estamos de volta, depois de uma semana maravilhosa no "paraíso". Sim, descobrimos nosso "canto" no mundo. Aquele lugar especial pra renovar energia, sabe? Itacaré, mais precisamente a praia de São José. Praticamente privativa, emoldurada pela exuberante vegetação de Mata Atlântica, com mar de águas mornas, boas ondas pra surf (sim, o Rô se esbaldou!) e um riozinho na esquina, coisa linda de se ver. Voltaremos, com certeza.

Curtimos um bocado. Dessa vez, voltei bronzeada, como eu queria. Fiz rodízio com o Rô nos cuidados com o filhote, de forma que tanto eu quanto ele tivemos direito a nossos pequenos prazeres individuais. Gutão voltou "coradinho". Ia pro sol devidamente coberto com bloqueador solar, chapéu e camiseta. Aproveitou muito. Andou peladão pela praia; fez xixi e coco ao ar livre (e a gente querendo que ele use pinico em casa!!); fez vários amiguinhos, viu vários bichinhos; nadou bastante; tomou muito suco de manga e água de coco; encheu a pança com super PFs na hora do almoço e comeu pouquíssimo na hora do jantar. Pulou horrores na cama -- agora deu de imitar o desenho e morre de rir com o "super-hiper-mega pulo" do Tigrão! Revelou-se um grande leitor: além dos livrinhos de toda noite, "leu e releu" a National Geographic do papai com entusiasmo (ai, meu pai eterno, vem mais um apaixonado pelas letrinhas por aí?). Fez amizade com todos do hotel. Adorava a Lu, uma negra cheia de ginga, nossa guia turística. Perguntava por ela todo santo dia. Ela também adorou o menino. Fazia questão de carregar seus 13 quilos no colo nas piores caminhadas!!! E Gutão participou de todos os (poucos) passeios que conseguimos fazer. Fez uma baita caminhada com o Rô, pra ver o jacaré "Binho" comer pão e banana das mãos da moça que cuida dele. Encarou subir o morro (no colo da mamãe, diga-se) e depois caminhar por entre arrecifes pra desfrutar um delicioso banho na piscina natural. Queria nadar a todo custo. Chegou a mergulhar, enfiando o rosto completamente na água, sem se importar em tapar o nariz ou fechar a boca. Claro que engasgou algumas vezes e ficou com os olhos super vermelhos, mas adorou a experiência. Prova de que precisamos mesmo, urgentemente, pensar em natação pro danado.

A volta pra escola
Depois de uma semana ausente, Gutão voltou pra escola como se nada tivesse acontecido. Amém. No primeiro dia, pediu pra que eu o levasse até a salinha do lanche -- "mamãe, entra com Gutão". Fomos juntos dar um "susto" na tia Carla. Ela recebeu nosso filhote com um baita sorriso, deu um abraço super apertado e foi mesmo lindo ver aqueles cotoquinhos que são os amiguinhos de turma dele falando "oi, Gutão", "Gutão voltou". Bastaram dois minutos pra eles se entrosarem e Gutão me liberar pra trabalhar. Assim tem sido da segunda pra cá. Ontem e hoje, nem precisei entrar com filhote. Dei beijo no portão mesmo (do lado de dentro da escola, vai) e ele seguiu, todo feliz, pelas mãos das "tias".

Terça, aliás, foi dia de entrega do relatório psicopedagógico do bimestre. Fiquei tão orgulhosa do meu menino! Está lá registrado que o Augusto é um menino muito alegre, sempre sorrisos, muito comunicativo, que expõe suas vontades e necessidades com muita clareza, que explora muito bem o ambiente no qual está inserido e os materiais que a tia oferece para as atividades, que é bastante sociável, adora cantar e dançar e prefere brincar com carrinhos do que com qualquer outra coisa! Ela conta que ele costumava ficar com sono no meio da manhã (mas já se adaptou ao novo ritmo), que sempre fala sobre o papai e a mamãe com carinho, principalmente, sobre onde a gente trabalha, e que demonstra muita afinidade com a babá (ufa!).

Depois de ler o relatório, conversei um tantinho com a professora e com a coordenadora pedagógica pra tirar algumas dúvidas. Por exemplo, toda vez que pergunto como foi na escola, Gutão responde "Bateu nos amigos". Eu sabia que ele não é de fazer isso, mas não custava checar. De fato, ele não faz isso. Ao contrário. A tia Carla contou que ele é muito carinhoso e cooperativo. Teorizando, elas acham que ele pode falar em bater pra me causar espanto mesmo, porque sabe que não é uma coisa bem-vinda e que eu vou prestar atenção ao que ele está dizendo. Pode ser. Quando ele diz que bateu nos amigos, eu sempre digo de volta que sei que ele não faz isso, que a tia me contou que ele é muito carinhoso e tal e coisa. Ele sempre dá um sorrisinho maroto depois. Disse a tia também que Gutão tem muita energia, mas não é agressivo. Que não tem lá é muita paciência (isso é verdade). Eu repliquei que ele tem o que chamo de "atenção randômica": para o que o interessa, todo tempo do mundo. Para o que não o interessa, pernas apressadamente ansiosas o conduzem a outra direção. A professora sorriu e confirmou. Quando fazem a rodinha da despedida, na hora de voltar pra casa, todos os amiguinhos ali sentadinhos, cantando com as tias. Cadê Gutão? Senta um minuto, bate palmas, balança as perninhas, e pronto. Já se foi. Rodar ao redor da rodinha! Eu flagrei a cena na minha semana de férias antes da viagem. Dei risada sozinha. É isso aí, filho. Bom saber que você atende às "normas", mas preserva sua espontaneidade.

A tagarelice e a disciplina
Gutão disparou a falar. Até aí, nenhuma novidade. Ele já fala bastante há bastante tempo. Agora, no entanto, ele fala cada vez mais coisas que nos surpreendem. Exemplos? Vamos a eles. Toda noite, Gutão pede a escova de dentes. "Qué escova do elefantinho". E vamos lá no banheiro "dele". E ele diz: "bota pasta, mamãe". E eu boto e digo: "essa é a primeira vez". Sim, porque depois de morder bem muito a escova (na real, ele escova só os dentes de baixo e eu ajudo a escovar os dentões de cima), ele sempre pede: "última vez". E ri. E voltamos ao banheiro pra colocar a pasta mais uma vez. Nunca provei, mas deve ser mesmo gostosa porque Gutão tá viciadão na pasta da Welleda, aquela sem flúor. Fio dental, ele já não dá tanta bola. Acabou o que ele gostava, o de fita sabor menta. Pois bem, ontem coloquei a pasta, ele voltou ao quarto da TV, "escovou" os dentes outra vez e pediu de novo: "última vez agora, mamãe." E eu disse não e expliquei que já tinha colocado a pasta pela última vez. Aí, Gutão olhou pro Rô e mandou: "pega a outra escova agora, papai". Sim, porque, na cabecinha esperta dele, o ciclo acabou com a escova do elefantinho, mas ele ainda podia tentar com a do Leitão!!!! Claro que eu e o Rô morremos de rir -- mas não teve outra última vez coisa nenhuma.

Gutão me chama pra brincar, uma graça. "Vem brincar na sala, mamãe". Pede pro papai parar de incomodar. "Não faz isso, papai". Diz direitinho o que quer comer. "Qué iogurte do solzinho". Inventa mil e uma desculpas quando não quer fazer alguma coisa. Hoje pela manhã, eu toda agoniada, atrasada pra levá-lo na escola, chamando por ele na porta, e ele lá, brincando com os carrinhos, tranquilão, tranquilão. Eu quase berrando já e ele diz, sorriso a meia-boca: "Gutão tá doente (como quem diz, ai, hoje não quero ir pra escola, não!). Eu posso com isso!!!!

Estamos firmes nos castigos (ui, que dó). Até durante as férias foi preciso escolher a "cadeira do castigo" no hotel. Sim, Gutão gosta de desafiar, Gutão pede limite, Gutão quer atenção. Não sabe, ainda, lidar com a raiva, com a frustração. Perde a estribeira, fica nervoso, joga tudo no chão, grita, quer agredir papai e, principalmente, mamãe. Ah, não, não vem, não, violão. Entendo que é demais pedir prum guri de dois anos se comportar à mesa durante um jantar inteirinho. Mas é de menos permitir que ele seja absolutamente livre para ser mal criado quando quiser. Viver em sociedade é saber seguir determinadas regras. Claro que vale contestar uma coisa ou outra, mas educação é uma moeda que não perde valor ao longo do tempo. Pra educar, é preciso ser coerente, ser paciente. Eu e o Rô estamos firmes. Quando Gutão extrapola, vamos lá: olhamos nos olhos, falamos do comportamento que não aceitamos, levamos pro castigo, e o deixamos ali um tantinho. Pra sair do castigo, Gutão pede desculpa e nós pedimos que ele diga porque foi repreendido. Ele não gosta muito de admitir o que fez de errado, não. Mas só é liberado depois de fazer o registro oral da malcriação. Esperto que só ele, agora, deu de pedir desculpas, fazendo um baita bicão, antes mesmo de sentar no pufe, na cadeira, seja lá onde for. Derreto por dentro, aceito o beijinho, mas dou o castigo anyway. Coerência, lembram? Não acredito em bater pra ensinar. Então, tem que ser assim mesmo. Pacientemente, ensinando limite, disciplina, o que é certo, o que não é. Na nossa casa, do nosso jeito, de acordo com os nossos valores. Fácil, não é. Irrita, enche o saco, dá vontade de deixar de lado, mas cadê nosso compromisso? Quando me bate essa rebeldia, eu penso no futuro. Daqui a alguns anos, Gutão mais crescidinho, dando escândalo nos lugares, desrespeitando as pessoas, exagerando na expressão das suas vontades. Respeito, sim, o jeito dele de se auto-afirmar, respeito, sim, as escolhas que ele já faz, mas não é por isso que vou deixar de ajudá-lo, no que me for possível, a ser uma pessoa do bem, de bem com a vida.

E nossa aventura tá tão divertida. Gutão é uma criança que enche a casa de sons e de sorrisos. É tão meigo, meu menino. É tão explosivo, meu menino. É superlativo desde pequenininho. Gutão, lindão. Te amo. Sou tãooooo feliz por ser tua mãe.

posted by JULIANA DE MARI 12:18 PM


Sábado, Abril 01, 2006


Mini-férias


Tirei duas semanas de férias. A primeira passei em Sampa mesmo, curtindo a casa, o filhote, o Rô, os pequenos prazeres de uma rotina sem compromissos profissionais. Fiz massagem; arrumei o armário dos sapatos (taí, uma coisa que adoro: sapatos!); levei e busquei Gutão na escola; até comecei a "malhar" na academia do prédio (tá, fui duas vezes só, andar na esteira e levantar uns pesinhos, mas fui). A segunda semana vai ser de férias com a família. Vamos conhecer o que as praias da Bahia têm de bom, oba!
A previsão do tempo indica pancadas de chuva, mas não é possível que o Senhor do Bonfim vá encharcar a nossa alegria com chuva a semana inteira. Tenho fé que vai sair um solzinho e que nós três vamos aproveitar um bocado a vida boa na beira do mar. O Rô certamente vai surfar; eu e Gutão vamos correr muito na areia (haja fôlego!). Tou levando uma bolsa cheia de brinquedos (se chover, vai ser a nossa salvação), entre eles, claro, um kit praia com baldinho. O melhor de tudo é que esse hotel, segundo a maravilhosa propaganda do site deles, além de mil e uma atrações ao ar livre, tem serviço de baby-sitter, tem noção? Isso significa que eu e o Rô vamos poder dar umas escapulidas sem culpa. Afinal, se mamãe e papai estão felizes, unidos e tranquilos com a relação, Gutão só tem a ganhar. Ganha um modelo bacana pros seus próprios relacionamentos futuros, ganha atenção genuína da gente, ganha valores que gostaríamos de transmitir, enfim. E lá vamos nós, rumo às boas coisas da vida: amor, sombra e água fresca. Até a volta!
posted by JULIANA DE MARI 12:27 PM


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