Dodói
Gutão tá mesmo dodói. Ainda não descobrimos o motivo. Vem tendo febre há duas noites (durante o dia, a temperatura não sobe...). O termômetro chegou aos 38.7. Tem andado molinho, choroso, carentinho. Pra completar, ontem, correndo pra ver o que o pai estava fazendo no quarto, filhote tropeçou e bateu o rosto na parede. Ralou a bochecha. Na hora, ficou super vermelho. Hoje, amanheceu com o lado direito do rosto arroxeado --embaixo do olho e na bochecha principalmente. Como já estava todo pintadinho de vermelho, por causa dos malditos mosquitos, tá com o rostinho horrível, tadinho. Estamos na base de carinho, banho morno e Tylenol pra baixar a febre. A pediatra dele tá viajando (mas temos o contato de um substituto, claro) e eu não vi necessidade, ainda, de irmos investigar no hospital. Tou suspeitando que é coisa de mais dente mesmo, porque ele tem enfiado muuuuito os dedinhos na boca, lá no fundo...Bom, vou continuar observando. E torcendo pra ser só isso mesmo. Torçam aí, please.
posted by JULIANA DE MARI 3:32 PM
Significados
Eu tou impressionada com o tanto de palavras que meu Gutão sabe falar. Aliás, eu tou impressionada com o tanto que ele fala!!!!! Muito precoce o desenvolvimento dessa habilidade...Não tem comparação com os amiguinhos da mesma idade. Os outros, em geral, arriscam algumas sílabas e usam um vocabulário todo próprio. Filhote, não. Ele fala as palavras certas. E sabe exatamente o-que-é-o-quê.
Agora deu pra conjugar os verbos. Até no passado. É um tal de "caiu", "bateu", "desceu", "botou"...Hoje pela manhã, descobri que ele sabe mais uma. Gutão pegou o copo de água que eu deixo ao lado da minha cabeceira e, claro, fez trela. Eu tava deitada ao lado dele e não percebi. Ele virou pra mim e disse: "molhou". E eu: "hã?". Onde ele aprendeu isso????! Bom, eu achei que ele tinha feito xixi na roupa. E falei isso pra ele: "É xixi, filho?". Ele ficou agoniado e repetiu "molhou, abá (água)". Até que eu vi a poça em cima do lençol!!!! Hoje também, antes de vir trabalhar, desci pra encontrá-lo passeando no jardim do prédio. Pedi um abraço, ele veio no colo, olhou bem pra mim, e começou a descrever a "mãe montada": "bolsa", "colhar", "ócus" (óculos)...
E Gutão aprendeu a dizer:
"Lológio" (relógio)
"Elmo" (DVD do Vila Sésamo)
"Zulio" (Julio, do Cocó)
"Troca" (de DVD, obviamente)
"Dodô" (quando faz dodói)
"Sabão"
"Caiu"
"Xixicha" (o carrinho do Salsicha)
"Petita" (a chupeta)
Ah, o máximo: ele agora avisa quando fez cocô. Ou quando está fazendo. E já aprendeu que o papai e a mamãe fazem "xixi" no banheiro. Toda vez que a gente abre a porta, ele repete, dando risada: "xixi, xixi". Faz trela e ri, esse Pirato!!! Ontem, domingão, tava ele lá, abrindo e fechando a porta do quarto dele, morrendo de rir com o barulho que o trinco fazia na parede toda vez que a porta voltava. Claro que a gente deixou o sapo Tony pendurado no trinco pra porta pra não fechar totalmente e Gutão não se meter num acidente...Abrir e fechar, eis uma atividade que ele adora. Também tem praticado no baú do quarto. Basicamente: um perigo. Ele levanta bem a tampa (pesadíssima), tira as mãozinhas e solta. Pum. E eu ouço aquele barulhão, seguido de gritinhos felizes. Pode? Aprendeu a cobrir a boca pra dar risada. Faz isso quando tá "envergonhado" ou fazendo "arte".
--------------------------------------------------------
Ontem à noite, Gutão não dormiu bem. Acordou depois de uma hora de sono, chorando muito, gritando, se debatendo. Olhos fechados. Até agora não sei se era pesadelo ou alguma dor. Só sei que foi (é) ruim. Ele demorou a dormir de volta. Eu fiquei esgotada. Hoje, acordou cedo, seis da matina. Ficamos juntos. Fiz carinhos, dei beijinhos e leitinho quente. Achei que ele tava meio febril...
Será mais dente? (e ainda tem mais dente pra nascer nessa boca?????!!!!) Será da fase? Será saudade? Putz, tanta coisa passa pela minha cabeça. E eu sigo brigando com essa tendência de achar que a relação dele comigo é o centro de tudo...Sai pra lá culpa maldita!!!!!!!!!!!
------------------------------------------------------
Pra resumir: Gutão tá um barato. E eu tou certa de que não pode haver alegria maior nessa vida do que vê-lo feliz. Sigo brigando com "o tempo", tentando dar significado aos momentos breves tanto quanto aos mais longos. Intensidade. Sei que essa é a chave do nosso amor.
posted by JULIANA DE MARI 3:37 PM
O meu despertador
Todo santo dia é Gutão quem me acorda. Acontece por volta das sete da matina, quando filhote abre os olhos e não me vê. Aí, começa a ladainha. "Mamãeeeeee, mamãeeeeeeeee". Algumas vezes, vou lá, cato o bichinho e levo pra curtir mais uns minutinhos de soneca na nossa cama. Mas, em geral, é o Rô quem faz isso. A questão é que, quando sai do berço, o menino começa a despertar. Ao contrário do que acontece com a gente...Quando o tiramos do berço, continuamos meio sonâmbulos...
Ele vem pra camona, vira prum lado, vira pra outro, coça a orelha, abraça a Pig, começa a falar as primeiras palavras do dia, coisas desconexas, e vai despertando. Até chegar ao ponto que lembra do Cocó e fica doido, literalmente, pra descer da cama. Usando seu vocabulário diz: "desxe, desxe". E vai se arrastando pela queen size, brabo que só, até conseguir colocar os pés no chão. Aí, ele vai, correndo, pro quarto da TV. E fica lá, choroso, apontando pros DVDs e "chamando" o Cocó.
A essa altura da história, não tem jeito. A gente tem que levantar. Tem dias em que estou mais disposta e vou lá cantarolar na madruga com Gutão. Mas tem outros, em geral a maioria!, em que não aguento...O Rô vai, todo sorrisos, cuidar do filhote. Mas quem disse que Gutão se contenta??? Ele quer a "mamãeeeeeee". Dá cinco minutos e ele começa a me chamar. Pára na porta do quarto e vai aumentando o tom de voz. E eu ali, na cama, tentando descansar mais dez minutinhos, pelamordedeus!!!!! Tem dias que ele vem até a beira da cama, me dá um sorriso, faz um carinho, pega minha garrafinha dágua e sai dizendo tchau, contente em perceber que eu tou ali, ao alcance do grito dele. Mas tem outros dias, como hoje, em que ele não se contenta de jeito nenhum.
São dias de carência, tadinho. Hoje ele levantou com o pai, foi ver o Cocó e não parou um minutinho de me chamar. Veio até a beirada da cama umas três vezes, pedindo "colo, colo, colo". De doer o coração. Obviamente, eu levantei. Obviamente, me postei com ele na frente da TV pra cantar as novas músicas do Cocoricó (confesso que gostava mais do primeiro DVD...). Foi a da borboleta, do índio, do dicionário. Gutão bem apertadinho nos meus braços. Aí, veio a agonia. Gutão quis trocar o filme. Agora, ele aponta pra pilha de DVDs e pede "outro, outro". E eu fico tentando adivinhar o que ele quer. "Sopa? (Palavra Cantada)", "Porquinho? (Cocó 1), "Nenê?" (O ataque do Jack-Jack dos Incríveis, ele adora!!) e por aí vai. Quando eu acerto, ele diz "exxe". Um barato.
Sai de casa pra trabalhar com o coração apertadinho. Filhote sequer se despediu direito. Ficou lá, cheio de lamúrias, agoniadinho. Pra distrair, ofereci uma nova brincadeira: tintura com guache. A babá forrou o chão e eu dei tinta e pincel pro meu artista. Claro que ele começou lambuzando a roupa, a orelha, as mãos!!! Enfiou todos os dedos nas tampinhas das tintas!!!!!!!! Espero que a sexta passe logo. Eu também tou carentinha dele.
posted by JULIANA DE MARI 12:18 PM
Mudando pra melhor
Gostaram da nova "cara" do blog? Eu adorei. Renovou nosso canto, marcou nosso aniversário de dois anos (o parabéns oficial é amanhã!). Foi presente da Jucilene. Mais uma vez, obrigada, querida!!
Bom, ontem, terça, fomos visitar a futura escolinha do Gutão. Não sei quem estava mais ansioso, se era eu ou o Rô. O pequeno, lógico, tava na boa, dispostíssimo para o passeio. Fomos muito bem recebidos. Gutão parou assim que viu o tanque de areia azul. Sim, azul. Areia tratada, anti-alérgica, que não faz poeira. Nunca tinha visto disso. Todas as pracinhas do mundo deveriam ser assim! Adorei! Filhote ficou ali, encantado com a areia azul, ao lado de uma monitora, enquanto eu e o Rô conhecemos cada cantinho da escola. Tive uma sensação muito boa do lugar. Limpo, arejado, transpira alegria. É uma escola relativamente pequena. Me fez reviver meus dias na escola que foi crescendo comigo, literalmente, o Madre de Deus, em Recife. Mas isso é assunto pra outro post!!!!!
A escola que escolhemos pro Gutão segue a linha pedagógica rogeriana, baseada nas idéias do educador e psicanalista americano Carl Rogers. Eu não o conhecia, mas, obviamente, já fucei tudo o que podia na internet pra entender o que é exatamente essa proposta. Gostei do que li. Acho que é coerente com o que eu gostaria de proporcionar ao meu filho nos seus primeiros anos de vida. Depois, quando ele sair do pré, lendo e escrevendo, com valores bem sedimentados, é outro papo, outras demandas, não tão liberais...
Mas vamos ao hoje. A proposta da escola é trabalhar na socialização da criança (as turmas vão do mini-maternal ao pré) , no aprender a dividir, a reconhecer suas vontades e seus limites. Eles fazem isso num espaço na linha "quintal de casa". Há um pátio acarpetado, como se fosse grama, tanque de areia ao fundo, carrossel, algumas árvores. Há um viveiro com pássaros e um jabuti simpático, chamado Fifi, que passeia por ali. Detalhe: o telhado do pátio é de vidro, ou seja, as crianças vêem o dia, curtem o sol. E, como essa turminha não fica mais que alguns minutos concentrada no mesmo lugar, a escola trabalha na base do rodízio de atividades. (Gostei dessa idéia. De perceber o ritmo da turma e ir oferecendo atividades conforme o interesse dela -- e não ir impondo um aprendizado que nem sempre faz sentido para os pequenos.) Continuando a descrição, ao redor do pátio, ficam várias salas. Em cada uma, eles desenvolvem um tipo de atividade diferente. Há a sala do conto, cheia de livros e fantoches. Há a sala do encaixa-empilha, fundamental para desenvolver a habilidade manual dos pequenos. Tem a sala dos brinquedos, propriamente dita, com casinha, carrinhos, bonecos, onde as crianças podem exercer diferentes papéis. Perto do pátio, tem também a sala do lanche, com uma mesona pra comilança coletiva. E tem horta (os pequenos plantam, colhem e comem o que produziram!), tem sala pra aula de culinária, pra fazer arte, tem piscina infantil, tem quadra. E tem uma área, antes de chegar ao pátio, onde acontecem as aulas de música e de higiene bucal (uma odontopediatra vai à escola uma vez por semana). Ali, antes de ir embora, a criançada se reúne, faz roda, canta, dança e se despede em alto astral.
Enquanto nós passeávamos pela escola, Gutão explorava o pátio. Nem se incomodou de ficar longe. Só quando me via passar, ensaiava um resmungo. Tão bonitinho ver meu lindo ali, encantado com outras crianças, descobrindo outras possibilidades. Antes de ir embora, encontramos a futura turminha dele na sala de brinquedos. Ele foi logo empurrando um carrinho, todo prosa. Havia um menininho que me tocou. Acho que o nome dele era Pedro. Estava em adaptação. Chorava tanto, chamava a mãe. As "tias" disseram que ele já está lá há algum tempo, mas que ainda não se acostumou ao novo ambiente (tenho a impressão que os pais não podem ficar lá como deveriam, ou como seria o recomendável, nesse momento inicial).
A adaptação é o que mais me aflige, mas a escola tem uma proposta bacana pra lidar com essa separação, minimizando o estresse da criança. O novo aluno começa indo apenas algumas horas, não vai o período inteiro. Por exemplo, Gutão vai estudar pela manhã, das oito ao meio-dia. Então, vamos começar com duas horas todo dia, sempre com a minha presença ou a do Rô, até ele ir se soltando. Quando ele estiver bem, a gente está autorizado a "sumir". Mas continuaremos ali, pertinho, caso ele volte a chamar por nós. E assim vamos indo, até ele sentir confiança nas novas pessoas que estarão cuidando dele dali por diante. Não há um tempo ideal para que esse período termine. O tempo é o da criança. Pode levar uma, duas, três semanas. A idéia é fazer a criança desejar ir pra escola. Não temer. Não se estressar. Eu sei que algum estresse vai existir. Mas é assim em qualquer mudança, certo? Pelo que viu do jeitão do nosso Gutão, a professora arriscou um palpite. Acha que ele vai se entrosar rapidinho. Assim seja.
(pretendemos fazer a matrícula em setembro, depois que cumprirmos o calendário de vacinação. Falta só uma dose da Prevenar, mas estamos atrasados, ui).
posted by JULIANA DE MARI 7:34 PM
Dois anos no ar e muitas coisas pra contar
Descobri que estava grávida no dia 14 de agosto de 2003. No dia 25, inaugurei o blog. A idéia era manter os avós de primeira viagem, instalados em cantos opostos do país, bem informados sobre o andamento do barrigão. Hoje, às vésperas do segundo aniversário desse "diário", eu percebo que o objetivo inicial cresceu junto com as nossas aventuras. Aqui estão registradas as primeiras (e as mais recentes!) dúvidas, as primeiras (e contínuas!) alegrias, as expectativas, as descobertas, os sustos, os tombos (os do Gutão e os nossos!!)...Nosso aprendizado, enfim.
Por meio do blog conheci um monte de gente bacana. Inclusive, pessoalmente. Que delícia que é ir na pracinha e ver o Augusto brincando com o Theo, da Rê, por exemplo. Que curtição participar do primeiro aniversário da Lulu, irmã da Bella, filhotas da Amanda. Que inusitado que é sair de férias e encontrar a Lê e suas gurias num shopping em Porto Alegre!!!! O blog nos dá --a mim, ao Augusto-- a chance de fazer parte de outras histórias, de acompanhar outros barrigões, de ver nascer e crescer um punhado de nenês. Não há dia que eu não arrume uma brecha pra "visitar" a casa alheia.
Hoje, atualizo menos o blog do filhote do que eu gostaria. Mas é aqui que eu mesma venho quando quero resgatar os nossos começos. Apesar de curtir muito todo o carinho virtual, todas as visitas, todas as novas amizades, realmente não escrevo na expectativa de que alguém leia. Não. Escrever pra mim é essencial -- mesmo que não haja leitor. (Esses eu conquisto no trabalho!). Me ajuda a organizar e a entender melhor a (nossa) vida. Sempre foi assim...
Espero que meu Gutão curta o registro (e me perdoe, no futuro, se a exposição lhe parecer maior do que o necessário...). E que ele encontre nas minhas palavras o tanto desse amor que só cresce.
A quem passar por aqui por esses dias, obrigada pela visita.
posted by JULIANA DE MARI 12:00 PM
Quando setembro chegar...
....vou tirar uma semana de férias pra curtir meu Gutão; vou fazer uma nova tatoo; vou tirar do papel todas as consultas médicas necessárias -- minhas e dele; vou receber minha mãe e minha irmã; vou aproveitar que elas estarão aí pra curtir um cineminha com o Rô; vou arrumar meus armários, organizar a casa, renovar a energia...Ai, agenda cheia de vontades.
Esses dois últimos meses foram pauleira no trabalho. Mas fui eu quem demandou um novo desafio profissional. Estou realizada, mas estou cansada. O trabalho cansa. A culpa cansa. Ah, é que eu ainda não aprendi a lidar direito com a ausência. A saudade, essa eu até driblo. Mas tenho dúvidas mil em relação ao tempo que passo com meu Gutão durante a semana. Será que ele sente muito a minha falta? Será que ele entende que eu vou e sempre volto? Será que os momentos ao acordar e ao ir dormir estão sendo suficientes? Será que estou fazendo as melhores compensações quando o nosso tempo é viável? Ai, meu santo. Como diria minha querida Mic, ser mãe e ainda pensar é complicado, viu? Talvez fosse mesmo mais fácil quando as mulheres só pariam, uma, duas, cinco, dez vezes. Não tinham tempo pra elocubrações, pra questionamentos existenciais...Iam vivendo e pronto. Eu penso muito. Sou muito consciente, digamos assim, das minhas escolhas. E penso muito nos efeitos que, a partir delas, vou produzindo pela vida...E viva a terapia!
Gutão tá bem. Acordou com o nariz escorrendo hoje, mas há de ser apenas um resfriadinho. Estamos pensando em antecipar a decisão da escolinha. É que ele tem demandado mais estímulos e eu acho que está vivendo uma janela importante para um certo aprendizado que será fundamental no futuro: aprender a compartilhar, a perdoar, a brincar junto; aprender que existe o outro, que há limite, que há o tempo, que nem tudo pode, que tudo pode ser negociado, enfim. Não é outro o papel da escola nesses primeiros anos, certo? É o de sedimentar valores, é o de promover o (bom) caráter. Eu e o Rô estamos à frente desse processo, claro, e não imaginamos jamais transferir esse tipo de cuidado a um professor. Mas entendemos que uma orientação pedagógica adequada vai ajudar a manter a educação do pequeno nos trilhos que a gente resolveu enveredar. Já pensou nosso filhote de mochila nas costas, dando tchau na porta da escola??? Como passa depressa...É uma fase nova pra nós três, mais uma separação. É a nossa presença se fazendo presente na vida dele. Interferindo pra melhor, se Deus quiser. E, assim, eu vou lidando com o tempo, as ausências, o estar perto sem estar lá...E segue o nosso aprendizado.
posted by JULIANA DE MARI 4:37 PM
Aí vem mais
Eu conheço esses sintomas: mão na boca, sono difícil, falta de apetite, mais cocô, muita irritação...Acho que é mais dente vindo por aí. Gutão já tem 16, faltam 4 pra dentição completa. Ainda não consegui detectar qual desses está a caminho, mas que eles estão chegando, ah, estão, sim, senhora. Gutão é reloginho até nesses momentos. Manifesta as mesmas chatices toda vez que se sente incomodado.
Ficou todo amuadinho na pracinha hoje pela manhã. E olha que estávamos muitíssimo bem acompanhados. De crianças conhecidas (fora as habituées da praça), eram Gutão, Miguel, João Gabriel, Inácio e as pequenas Sofia e Lívia. Ah, o Theo, da Rê Quintella, tava lá também, com a babá. Foi uma manhã divertida, ensolarada, mas meu filhote tava querendo mesmo é colo. Houve um momento em que ele tava todo concentrado, brincando com o baldinho, e eu e o Rô nos afastamos um tantinho pra conversar com os outros pais. Ficamos atrás dele, na verdade. Não sei o que passou pela cabeça do pequenino, mas suspeito que ele tenha ficado assustado na hora em que parou pra conferir e não nos viu ali. Nossa, chorou tão sentido...Fiquei com o maior dó. Ao contrário dos outros dias, Gutão hoje não quis saber dos amiguinhos. Tava carente do papai e da mamãe.
Voltamos pra casa depois da uma da tarde. Pra fazer diferente, dei banho nele no chuveiro. Eu lá dentro também, claro. Gutão ainda não curte a água caindo. Fica assustado, chora. Foi preciso muitos abraços pra ele relaxar. Mesmo assim, tomamos banho de chuveirinho. Um notável avanço! Na hora de comer, Gutão queria dormir. Se saiu com uma hilária: pegou o travesseiro, jogou no chão e ficou dizendo "naná, naná". Foi assim de um cômodo ao outro e parou na porta da cozinha. Eu e o Rô entendemos o recado e ele foi direto capotar no berço. Dormiu até umas quatro da tarde. Pulou o almoço, e não quis mais saber de comer hoje. Ficou na base da salada de fruta com suco e leitinho pra dormir. Nem o almoço que eu ofereci no lanche, nem o jantar, nem o mingau desceram. Tem desses dias. Eu me preocupo, mas tento não fazer disso um bicho-de-sete-cabeças. Afinal, não comer não é a regra por aqui.
Ah, um episódio muito bacana do dia: agora, à noitinha, o Rô foi na padaria com o pequeno. Sabem quem eles encontraram por lá? O Paulo Tatit, do Palavra Cantada!!! Claro que o Rô foi lá falar com ele. Claro que eles trocaram idéias sobre as músicas que o Gutão ouve desde que nasceu. Claro que Gutão ganhou autógrafo. Fiquei tão emocionada!!!!!!!!
Traduzindo: Para o pequeno e sonolento Augusto um beijo do Paulo Tatit!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:27 PM
O tempo passa...
...e meu Gutão cresce. Tá um moleque, meu filhote. Corre, grita, se esconde embaixo da mesa, atrás do sofá, no cantinho da cozinha. Dá susto na gente e diz: "achou". Chuta a bola, fala "gooool", pede "ajuda", come "futa", entra no banheiro pra tomar "banh" ou fazer "xixi". Faz bagunça ou birra e morre de rir. Acha graça da palavra engraçado. E de risada também. Tem me espantado com tamanha capacidade de ligar "lé com cré", sabe? Ele começa a captar a idéia de ação e reação, de causa e consequência. Domingão, ele, digamos, queimou as mãozinhas na porta do forno. Veio correndo, gritando, doidinho, e pumba, as duas mãos no forno quente. Durou uma fração de segundo. Ele tirou as mãos muito rapidamente e chorou, espantadíssimo. Doeu nele e doeu em mim. Toda vez que ele passa pelo fogão agora, eu explico que não pode encostar, que faz dodói. Mas não sei se ele vai captar a mensagem assim, tão rapidamente. Melhor é prevenir. Gutão e fogão não dão rima, não.
Aliás, comprei um livro bacana ontem (Os filhos vêm do céu, John Gray) e lá está dito que só a partir dos nove anos as crianças entendem, de fato, as subjetividades das coisas. Até lá, uma grande confusão que os pais fazem é achar que só porque auqele bebezinho lindo já sabe andar e já emite algumas palavras é também capaz de entender totalmente o significado delas...Foi um sinal de alerta pra gente. Pra continuar respeitando o ritmo do nosso pequeno. Ele aprende rápido, isso é fato. Ele fala mais que a média, isso também é fato. Mas ele ainda tem apenas 1 ano e 5 meses.
--------------------------------------------------------------------
O tempo, ah, o tempo. Ando às voltas com ele. Estou aprendendo, finalmente, que eu também tenho direito ao meu. Ao meu ritmo. Às minhas dificuldades. Ao meu tempo de realizar, ao meu tempo de me recolher. Tenho direito de querer minhas pausas. De precisar de tempo para entender meus processos, para aceitar todas as coisas da vida, para recobrar as energias. Tem gente que se resolve com uma boa noite de sono. Eu precisaria de um mês inteiro dormindo pra me sentir 100% descansada. Eu sei, não vai rolar. E eu estou aprendendo a lidar com o possível. Com a mudança. Com a novidade. Desde que Gutão nasceu, eu também estou diferente. Ao mesmo tempo, nunca fui tão eu. Há de chegar o tempo de ser leve.
posted by JULIANA DE MARI 2:01 PM
Quem vem lá
Tivemos um final de semana muito rico. Agitos do Gutão, carinhos da família, novidades boas dos amigos. Ale e Evelyn, em Brasília, recém se descobriram grávidos. Dani e Duda, dindos do Gutão, também. Sim, o Miguel vai ganhar um(a) irmãozinho(a)!!!! Nem preciso dizer que fiquei hiper-super-mega feliz com a notícia, né? Ah, passou um filminho, daqueles bem coloridos, na minha cabeça: eu e a Dani planejando a gravidez, eu e a Dani curtindo a barriga, eu e a Dani enooormes, eu e a Dani com nossos filhotes nos braços, eu e a Dani na primeira visita ao pediatra, eu e a Dani no primeiro aniversário...Muito emocionante. Aos dois casais, que devem ter seus rebentos em março do ano que vem, na mesma época em que Gutão e Miguel chegaram, muitos, muitos desejos de tudo de bom, muita curtição nos próximos nove meses e muita saúde na chegada dos novos membros da tchurma. Já pensaram nessa criançada toda reunida?? :-)
Sim, porque meu Gutão anda impossível. Não é uma criança nervosa, não é isso. Nem é bagunceiro. Mas anda bem agitado, muito curioso. Resumindo: anda bem "treloso", como diriam na minha terra. Eu vejo isso com bons olhos. Acho que é, em boa parte, demonstração de uma grande alegria de viver. De ver. De saber. De conhecer. Aprendeu a subir no sofá sozinho e, de lá, pular pro pufe e tentar escalar o móvel da sala (nem preciso dizer que estamos desencorajando o rapel caseiro, né?). Deu de querer carregar coisas mais pesadas do que seu próprio corpo (enchemos o balde com seus muitos brinquedinhos e ele insiste em puxar o danado sozinho). Também já sabe manifestar direitinho seus desejos, lançando mão daquelas palavrinhas mágicas: "maix, maix" ou "não, não". Aumentou seu vocabulário e agora diz bochecha (e aperta a nossa!), piscina, pato, tia... Aliás, gamou no nome do vô Zeca e passou o final de semana inteirinho repetindo "Zeca, zeca, zeca". Até na hora de dormir, repetia e repetia. Ah, e lembrou que a vovó Lilica batiza um de seus personagens prediletos. Foi assim: eu perguntei onde estava a vovó Lilica e ele respondeu "cocó"!!! Sim, Lala, Lilica e Zazá, eis o trio de galinhas faceiras do Cocoricó!!!! Mui engraçado.
Gutão continua dormindo tarde. E eu estou desencanando de brigar com o relógio interno dele. Ele tem acordado às oito, uma hora mais tarde, mas tem ido pro berço por volta das dez da noite, horário em que eu gostaria que ele já estivesse curtindo o sono dos justos. De todo modo, estou aprendendo que não adianta forçar a barra. Ele fica feliz quando a gente chega do trabalho, fica excitado, quer brincar, quer estar junto. Toma o leitinho por volta das 21h e aí, sim, começa a relaxar. Mas anda meio carentinho da minha presença e, se eu coloco no berço antes do sono bater pra valer, ele chora horrores e só se acalma se eu vou lá segurar a mãozinha dele...Do domingo pra segunda, só conseguiu dormir perto de uma da matina. Eu dormi no chão do quarto dele, me equilibrando numa cadeira-cama improvisada. Mas acho que esse episódio não teve a ver com carência, não. Vem mais dente por aí, acreditem. Gutão tem babado horrores e tem enfiado a mão na boca avidamente. Logo, logo completa sua primeira dentição.
posted by JULIANA DE MARI 6:29 PM