O tempo voa
Gutão completou um mês de vida hoje. Um mês apenas e o pequeno já aprendeu tanta coisa. Aprendeu a fazer boquinha de peixe pra mamar; aprendeu a choramingar pra nos chamar quando se sente sozinho; aprendeu a dar gritinhos agudos pra reclamar seus direitos; aprendeu que existe a voz da mamãe e a voz dos outros (ah, tem também aquela voz grave, sempre festeira, a voz do papai!); aprendeu que nem sempre o colo que acalma é o meu; aprendeu que conversar, cantar e comer fazem parte das boas coisas da vida -- embora só tenha se aprimorado mesmo na última dessas artes; aprendeu que é preciso pouca coisa, fazer um biquinho basta, pra ganhar todas as atenções da casa...Esperto como ele é, já deve ter percebido também que tudo isso faz parte de um aprendizado maior, uma lição que vai ficar pra sempre: a de que a vida fora da barriga exige um tantinho de esforço e outro tantinho de prazer pra acontecer. E viva o nosso Gutão!!!
(Meu dever de casa, acho que tenho feito com louvor...Espero que, no futuro, o Pirata dê um visto de aprovação em nossas lembranças remotas e compreenda que tudo o que foi feito agora --e que será feito nos dias, meses, anos que estão por vir-- fez-se embuído das melhores intenções. Dou amor em palavras aqui e uso o cuidar diário pra traduzi- las pro lado de cá. O cansaço faz parte, mas o cheirinho bom que só o meu nenê tem é antídoto. Amor tem vez sempre, em primeiro lugar).
Retrato de um amor: viva o nosso Gutão!![]()
Vovó e mamãe babam e o menino reclama: eu quero o meu bolo, pô!!![]()
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Tal pai, tal filho![]()
Relax depois da mamada: a chupeta quase engole o narizinho lindo dele!![]()
posted by JULIANA DE MARI 8:30 PM
Troféu Micão
Foi o que eu deveria ter ganho ontem, dia de estrear a carteirinha de vacinação do Gutão. A comitiva "mamãe, papai e vovó" levou o pequeno pra tomar a BCG e a primeira dose da Hepatite no Posto de Saúde de Pinheiros. Um posto dos mais organizados, com tudo quanto é tipo de ambulatório. Antes das picadas, a enfermeira pediu pra gente pesar o filhote. Eu e o Rô fomos até outra sala, uma enfermeira simpaticíssima nos atendeu e a balança nos deu a melhor das notícias: Gutão passou o peso de nascimento, viva! Tá agora com 2755 gramas!
Voltamos pra salinha de vacinação infantil. O mico começa agora. Primeiro, a "tia" me olhou afirmando que "era meu primeiro filho, certo?" E eu: "sim, certíssimo". Ela devolve: "com essa cara pálida e essas olheiras, logo se vê!". Ninguém merece! Depois, chegou a enfermeira-carrasca, uma negra sorridente, grandona, de mãos enormes. E eu só pensando: "senhor, é ela quem vai espetar o bracinho tão delicado do meu guri???". Ela prepara as injeções. Primeiro, a BCG no braço direito. Diz que dói menos. Hãhã. Hora de segurar o Gutão. Teve jeito não, gente. Eu me descobri um prato de papa -- mole, mole.
O Rô assumiu, posicionou o pequenino (de olhinhos atentos, todo quietinho, coitadinho) e dá-lhe picada. Gutão deu um gritinho -- e eu caí no choro. Pra evitar um micão maior, a mainha delicadamente me empurrou pra fora da sala. Resisti bravamente. "Daqui não saio, daqui ninguém me tira". Ok, não aguentei segurar o filhote, mas fiquei ali, passando a mão na cabecinha dele, explicando o que tava acontecendo... Mas o micão não tinha terminado ainda. A enfermeira pegou a outra injeção, papai segurou a perna do pequeno e dá-lhe novamente. Dessa vez, o menino berrou, sentido. E eu chorei mais ainda. As enfermeiras me olhavam com aquela cara misto de dó e incredulidade, sabe? Pareciam dizer em silêncio: ô, mãe, deixa de ser covarde. Como se não bastasse o vexame, na hora de ir embora, cadê a minha bolsa, pelamordedeus???? Eu tinha esquecido na sala de pesagem, do outro lado do posto. Detalhe: o posto tava lotado, entupido, gente saindo pelo ladrão. Saio correndo, pedindo a todos os santos proteção, a enfermeira atrás de mim. Deus é pai, não é padrasto, e minha bolsa tava lá, em cima da mesa da pediatra. Uma outra santa enfermeira tava cuidando. Achou que alguma médica tinha esquecido ali. Se eu já tava pálida, nem sei dizer de que cor saí do lugar.
Bom, a mamãe aqui pagou o troféu micão, mas o Gutão, por sua vez, deu show de bom comportamento. Mostrou, mais uma vez, a força que tem. Só reclamou das picadas e logo recobrou a carinha tranquila de costume. Voltou dormindo no bebê-conforto. Passou bem a noite. Acordou mais, mas sem escândalo. Era fome, não manha. Hoje é que o bichinho tá meio irritado. A gente fica sem saber se é reação da vacina, se são os malditos gases, se é soninho chegando. Por precaução, já tirei a temperatura (tudo normal, 36 graus) e já dei Luftal (duas gotinhas, preventivamente). Também coloquei o CD do Natirutis pra tocar. Ele adora a música do beija-flor (aquela do "beija-flor, que trouxe meu amor, voou e foi embora...). Embalado ao som do reggae, capotou no colo da vovó. Dorme, anjinho, que logo mais é hora de mamar.
posted by JULIANA DE MARI 1:59 PM
Zumbi cup
Sete e meia da matina. Tou no quarto do Augusto, a postos pra segunda mamanda do dia (a primeira foi na madrugada). Toca o telefone. É a Lu. A mainha atende, espantada com o horário da ligação. A tia coruja se explica: "liguei pra conferir se tinha alguém acordado". Hã-hã. No ritmo em que estamos, seria de se estranhar se alguém ainda estivesse dormindo! Gente, a maratona do mama-troca fralda-põe pra dormir não dá trégua. Tou me sentindo num campeonato de resistência, uma verdadeira Zumbi Cup!!!! O pior é que, em geral, nós três despertamos juntos e vamos chegando por etapas no quarto do menino. Eu entro abrindo a boca; o Rô chega com o cabelo em pé; a mainha aparece franzindo os olhos. Uma cena de dar dó! O Augusto abre os olhinhos aos poucos, estica os braços e invariavelmente choraminga, clamando ou pelo leitinho ou pelo colinho. E olha que ele é um bebê tranquilo, que não dá showzinho à toa e que até já aprendeu a ficar quietinho com seus "pensamentos" esperando o sono chegar no berço. Considerando que nem um mês ele tem, eu diria que é um pequeno nota dez.
Mas, considerando que mesmo os pequenos nota dez têm lá suas exigências, tem sobrado pouco ânimo pra mamãe aqui. Especialmente porque a tal aura de enxaqueca virou enxaqueca de vez. Tou sem conseguir abrir os olhos direito de tanta dor...Dói meu lado esquerdo do rosto inteirinho, dos dentes ao "fundo do olho". Péssimo. Claro que eu faço das tripas coração pro meu filhote não me sentir, assim, tão destruída. A hora da mamada é o momento de pensar coisas boas, de sentir o cheirinho bom dele, de conversar baixinho sobre as coisas da vida e perceber, cheia de orgulho, que ele acompanha cada palavrinha com olhos e ouvidos atentos. Eita exercício eficiente de desprendimento, viu? Diria que é uma espécie de meditação: eu tiro o foco de mim, da minha condição de "sofredora", pra me elevar no bem-estar do outro, no caso, da outra, a barriga cheia do meu Gutão. E não tem nada mais recompensador no mundo do que dar o peito e, depois de satisfeito o suga-suga, ver o Pirata revirar os olhinhos e soltar um sorriso (eu sei que é reflexo, mas é lindo do mesmo jeito!) acompanhado de um longo suspiro. Nessa hora eu me sinto tão feliz, mas tão feliz...Gosto de pensar que o sorriso do menino é meio um código (ou será que ele tá rindo mesmo é das caras acabadas dos pais e da vó coruja???). Tipo assim: ele escancara a boquinha sem dentes antes de entregar os pontos em sinal aos anjinhos de que tá pronto pra ser levado a embarcar num sono gostoso. E começar tudo de novo dali a três horas!
posted by JULIANA DE MARI 2:44 PM
O primeiro ano do resto de nossas vidas
Hoje é 19 de abril, um dia muito especial. Dia do índio. Dia do Exército. Dia do meu Santo Expedito. Dia de comemorar nosso primeiro aniversário "oficial" de casamento!!!! Quem diria que nossa história ia dar em tanta coisa boa???? Eu, pernambucana. Ele, gaúcho. Os dois jornalistas, batalhadores em sucursais. A voz era conhecida; o resto, o acaso tratou de revelar. Nos encontramos em São Paulo. Àquela altura, cada qual com seu cada qual. Mas o destino fez a sua parte e a amizade virou amor sabor milkshake. O namoro engatou. O bem-estar cresceu. O vai-e-vem de malas de um apartamento pro outro saturou. E veio o morar juntos, no topo, bem alto, pertinho das estrelas. Depois, o casamento oficial, beira-mar, brisa gostosa, convidados-turistas, benção sob as vistas de Iemanjá (e a ajudinha providencial de Santo Expedito). Amigos reunidos, família feliz, casa cheia. Sinônimo de tudo o que a gente sempre quis.
Rô é dedo de Deus na minha vida. E o Gutão é o nosso milagre. É a resposta da vida ao tanto de amor que a gente vem cultivando. Te amo, meu lindo. Feliz 19! (Hoje é dia de comemorar. Vamos fugir do Gutão -- de olho no relógio, claro. Três horinhas só pra gente à noite, enquanto a vovó Ju dá uma de babysitter. Pai e mãe, sim, com muito orgulho, mas marido e mulher sempre.)
posted by JULIANA DE MARI 3:46 PM
Meu pintinho amarelinhooo
Acabamos de voltar da consulta na pediatra -- com boas notícias. O Gutão engordou suas 120 gramas devidas em uma semana e chegou à marca das 2540 gramas. Ou seja, deixou pra trás o peso com que saiu da maternidade e está prestes a bater o peso de nascimento. Isso quer dizer que as mamadas estão surtindo efeito, que o pequeno tá crescendo como deveria e que a mamãe aqui, modéstia à parte, tá de parabéns. É que não tá sendo moleza, não, minha gente. Tou muuuuito cansada. A pediatra, aliás, me achou com uma cara terrível. É que um mal estar chatinho tem sido minha companhia constante. Quando cheguei ao consultório, tinha acabado de ser acometida pelo dito cujo. Misto de tontura, náusea, uma dorzinha de cabeça daquelas "fininhas"...Diz ela que isso é "aura de enxaqueca", ui. Que é normal mães que sofrem desse mal apresentarem crises durante a amamentação. Tudo culpa dos hormônios, claro. Eu não havia associado à enxaqueca até ela levantar essa hipótese. Agora que ela falou, tenho quase certeza que é isso mesmo. Maldita aura. Vou ligar pra dra.Claudia em seguida pra saber se posso tomar alguma coisa além do Tylenol pra amenizar os sintomas (embora eu ache que não...).
Bom, o importante é que o meu Gutão tá forte e saudável. Dependendo da posição em que ele fica, aparece até um queixinho duplo, vocês acreditam? Lindo, lindo, meu pequenino. Tá virando gente grande e vai ter que encarar umas agulhadas semana que vem (já falei pro Rô que não tenho coragem de ver essa cena...). É hora da BCG e da primeira dose da vacina contra hepatite. A única coisa que a gente precisa combater ainda é um resquício de icterícia. Ele precisa tomar mais banho de sol, mas São Pedro não tem cooperado...Os dias em Sampa estão amanhecendo borrados de cinza. Aqui em casa, que dizem o ponto mais alto da Vila Madalena, particularmente, venta que é uma beleza. Daí, não tem como botar o menino na rua. Hoje, excepcionalmente, ele desceu. Tomou sol nas bochechas, mas não deu pra deixar só de fraldinha. Melhor não arriscar. Vai que meu pintinho amarelinho pega um vento de jeito e fica gripado? O "aMiguel", tadinho, sucumbiu. Tá gripadinho. Tomara que fique bom logo pra gente fazer uma visitinha. Aliás, não vejo a hora de poder dar umas pernadas com meu filhote a tiracolo!
posted by JULIANA DE MARI 4:18 PM
Salve-se quem puder
Nesta madrugada, eu e o Rodrigo fomos apresentados a uma modalidade de pum das mais surpreendentes: o pum atômico! O relógio marcava 1h da matina. Augusto choramingava querendo mamar. Antes de oferecer o peito, levei o pequeno ao trocador para cumprir o ritual do troca fralda. Tiro o macacão, tiro o body, passo o algodãozinho no bumbum e no pintinho dele. Tudo sob controle. E eis que, quando me viro pra jogar a fralda suja no lixo, vem a rajada. Trooooooooooon. Um baita pum, seguido daquela cagadinha básica -- líquida, amarelinha, uma beleza. Bem que tentei me esquivar, mas a bomba foi mais rápida que eu. Me vi ali, pijama inteirinho borrado, havaianas emporcalhadas, chão do quarto grudado de tanto coco. O mais impressionante é que a potência do pum foi tão grande que o Rodrigo ouviu lá do nosso quarto e veio correndo me socorrer! Eu fiquei suja dos pés à cabeça literalmente. Sem ação. Não sabia se ria, se chorava, se corria pra tomar banho, se aquecia o menino...A sorte é que, além da mamãe, o Gutão propriamente dito só sujou a fralda e o bumbum; seria muita crueldade ter que mudar a roupinha toda naquela hora e naquele friozinho. De todo modo, que fique a lição: nunca, never, jamais troque um bebê sem colocar uma fraldinha em cima das partes pra "aparar" possíveis manifestações fisiológicas fora de hora. O alvo pode ser você!
posted by JULIANA DE MARI 2:25 PM
Ela só pensa naquilo...
Cama virou idéia fixa na minha cabeça -- e sem conotação sexual alguma. Ora penso em fazer o Augusto dormir ora sonho em eu mesma me entregar aos braços de Morfeu. Tenho me sentido muito cansada. Vez por outra, bate uma sensação de fraqueza, uma tontura, um mal estar...Preciso relatar pra dra.Claudia esses episódios...Tou comendo direito e tenho procurado descansar sempre que o Gutão dá folga, mas parece que não tem sido o suficiente pra repor minhas energias. E olha que minha santa mãe tem dado uma baita força nas horas em que o pequeno fica pescando e não consegue encontrar o sono. Hoje de manhã, depois da primeira mamada matutina, Augusto em seu bercinho, corri pra nossa queen size e desabei. Acordei quase ao meio-dia, ouvindo o chorinho bom dele e pressentindo que era hora do banho. Antes de me levantar, no entanto, fiquei ali, chorando um tantinho pra "lavar" as minhocas da cabeça. É que, por um momento, bateu o receio de não estar conseguindo dar conta do recado, digo, do meu pacotinho, como deveria...Sei lá, fico dividida entre a certeza de que essa moleza faz parte e que eu preciso descansar e uma culpa danada de não conseguir suprir o pequeno do que imagino que ele precisa 24 horas por dia...Acho que fui acometida pela síndrome da SuperMãe!! Socorro!!!!!!
Dormir, de fato, virou artigo de luxo pra mim. Não imaginei que ia ser diferente, mas nunca imaginei também que amamentar cansasse tanto...O Gutão se revelou de uma pontualidade britânica em suas solicitações. Uma amostra da nossa agenda de ontem/hoje pra vocês terem idéia da maratona:
16h - mamada da tarde, depois de quase uma hora de espera nos braços da vovó. Eu fugi uma hora antes. Fui dar um jeito nas madeixas. Cortei. Por mero acaso, o cabelo ficou parecidíssimo com o da Meg Ryan, coisa que sempre quis e nunca achei que daria certo. Vejamos o que acontece amanhã, quando eu lavar...
19h - primeira mamada da noite. Gutão meio irriquieto, hora da cólica chegando. O pai chega junto no meio do "serviço". O guri fica alerta. Começa a choradeira.
21h - continuação da primeira mamada da noite. O Pirata quer dormir, mas os gases não deixam. Só o peito pra fazer o bichinho relaxar.
23h - última mamada da noite. Apenas 15 minutinhos e o Gutão capota.
1h45 da matina - Gutão dá sinal de que a fome bateu. Vou lá meio zumbi. Ele mama bonitinho e volta a dormir. Levamos uma hora pra finalizar o ritual.
4h45 da matina - O reloginho soa outra vez. O Rô levanta comigo, dá "oi" pro filhote e volta a dormir. Gutão mama seus 20 minutinhos, troca a fralda e volta pro berço satisfeito.
8h30 da manhã - Hora da primeira mamada da manhã. O menino se comporta direitinho, mama avidamente e logo cai no sono. Engoli o café e corri pra cama novamente.
12h - Reconheço o choro do Augusto. É hora de tomar banho. Quero levantar, mas meu corpo pesa. Choro um tantinho e espanto as minhocas. Ajudo a vovó a fazer o menino nadar. Enquanto ela enrola ele, eu vou almoçar. Ofereço o peito devidamente saciada.
13h - Primeira mamada da tarde. Gutão suga com vigor. Dá gosto de ver.
14h30 - Tento fazer o menino dormir. Ele não se rende. Procura o peito. Ofereço e ele aceita. Mama mais 15 minutos. Parece que agora o sono chegou...Coloco no berço e rezo...Ledo engano! Gutão arregala os olhos e abre o berreiro.
15h00 - Jogo a toalha. Passo o bastão, digo, o Gutão pros braços da vovó. Trocamos a fralda de xixi, fazemos massagem na barriguinha e o pequeno segue, olhinhos vermelhos, lutando contra Morfeu.
15h30 - Agora. Enquanto eu escrevo aqui, a vovó canta ali. Gutão enroladinho na mantinha azul, parece dormir tranquilo. Dou uma espiadinha. A vovó Ju diz: "Se puser ele no berço agora, é choro na certa. Deixa adormecer mais". Ufa! Acho que quem vai dormir sou eu!
posted by JULIANA DE MARI 3:05 PM
Das coisas que eu (já) aprendi
Me vi entabulando uma conversa surreal com o Rô hoje na hora do almoço. Entre um assunto e outro, eis que jogo na mesa a seguinte indagação: "Artur, Antonio, Joaquim ou João? Que nome tu preferes pro segundo filho? Sim, porque se for menina é Clara". O pior é que ele entrou no clima e foi logo dizendo que a gente vai tentar a menininha tantas vezes quantas forem necessárias até ela chegar. Pasmem! E minha mãe, então? Emendou, dizendo que há alguns métodos em que se tenta "produzir" o sexo do bebê, que depende da proximidade da ovulação e tal e coisa. Claro que a ficha caiu no momento seguinte e que morremos de rir com essa demonstração de alegria tamanho família.
É, minha gente, é tão bom ter o Augusto em casa, é um amor tão avassalador, é uma energia de renovação tão grande, que, sem querer ser injusta com o pequenino e nem roubar dele toda a atenção que ele tem direito, dá mesmo vontade de encher a casa de rebentos. Pra falar a verdade, nossos planos de pais de primeira viagem incluem um trio. Mas vamos ver o que a vida vai nos ensinar com a chegada do Gutão.
Eu já aprendi algumas coisas. A primeira é que bebês e muvuca não combinam. O Gutão, ao menos, gosta de muita calma nessa hora. Gosta de meia-luz, de voz suave, de movimentos delicados. Gosta de ouvir histórias, de tomar um solzinho, de dar suas braçadas na aguinha quente. Tudo, assim, numa tranquila curtição. A segunda é que a natureza é mesmo sábia e que o timming da amamentação é impressionante. É só o Pirata dar o alarde no berço e, acreditem, meus peitos começam a vazar leite!!! A terceira é que mãe é mãe e que ter a minha por perto tem sido uma experiência das mais valiosas -- pra mim e pro Gutão. É pro colo da vovó que ele "corre" quando tá irritadinho, quando quer arrotar ou quando a Juju aqui precisa de uma pausa pra descansar. Ah, esqueci do aprendizado mais importante dos últimos dias: dormiu o nenê, que durma a mamãe!! Ficar na função-Gutão, mesmo ele sendo o anjinho que é, dá uma canseira braba. Acho que o corpo trabalha acelerado pra produzir o leitinho de todo dia e acaba sugando nossas energias junto. Além do que, embora não pareça, eu ainda estou em quarentena, né? Eu, confesso, tava relutando em me entregar à cama a cada intervalo que o pequeno dá durante o dia. Sei lá, fico me sentindo meio "inútil", hãhã. Mas não tem jeito e eu preciso respeitar a nova rotina e me permitir essa "preguiça". A casa que fique pra depois, os amigos que perdoem a ausência, as visitas que agendem a espiadela no mocinho pro final de semana. E que Morfeu me receba com carinho, porque, basta ouvir um ganidinho do filhote, pr'eu esbugalhar os olhos e me mobilizar pra pular da cama rapidinho!! Eis o mistério da maternidade: se o baby chora, a gente fica preocupados. Se o baby não chora, fica também. :-)
Papo sério: mamãe tenta convencer Gutão de que a hora é de dormir
posted by JULIANA DE MARI 6:28 PM
Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?
Desta vez, o coelhinho foi generoso na entrega. Trouxe um pacotinho que não é de chocolate, mas tem o recheio mais saboroso do mundo: felicidade. Aliás, trata-se de um pacotinho que veio com recheio extra!! Pois é, gente, a persistência nas mamadas deu seus primeiros frutos. O Augusto engordou 80 gramas em quatro dias (20 gramas por dia), o esperado pela pediatra com a tática das mamadas regulares. O pequeno engrenou a primeira, tem solicitado o peito feito reloginho, a cada três horas, e, de fato, já demonstra uma barriguinha mais "estufada" e saudável. Diz a médica que ele até parece mais comprido! Não deu pra tirar as medidas, pois não fomos ao consultório. A visitinha foi ao hospital onde ela estava de plantão ontem (a moça atende na UTI Pediátrica; não é mole, não). Vamos repetir a pesagem daqui a uma semana, na sexta que vem. O fato é que o pequeno já recuperou o peso de quando saiu da maternidade: 2420 Kg, viva! Enquanto ele engorda, eu me sinto esvaziando. A própria vaca leiteira, que pinga leite abundantemente depois do banho. Deve ser o quentinho da água que estimula a produção. Ou, talvez, o fato de pensar no baby com carinho ate nesses momentos "eu-comigo-mesma". Por falar em banho, vejam como nosso pequeno gosta da nataçâo diária!
posted by JULIANA DE MARI 3:34 PM
Um dia depois do outro, depois do outro...
...e não é que parece que o nosso Gutão já cresceu?? Sei lá, "encheu" um tantinho o rostinho; segundo o pai, tá com a barriguinha mais cheia...Que assim seja e que na próxima pesagem, amanhã, sexta santa, a gente tenha uma boa notícia. A de que o leite do peito tá sendo suficiente pra garantir o sustento desse "pingo de gente". Mas eu acho mesmo que o pequeno tem nos dado sinais de que tá ficando independente. :-) Começou com o umbigo, que caiu segunda passada e tá bonitinho, bonitinho. Seguiu ontem com um episódio que denota o caráter sociável do garotão. Tou lá dormindo tranquila depois da mamada das 9h, achando que ele tá fazendo o mesmo no berço -- e não é que o danadinho tinha descido pra tomar sol e socializar com os outros babies do prédio sem me pedir permissão? Só soube da empreitada quando a Marcia, babá, adentrou meu quarto com o guri fazendo bico e querendo mamar novamente!!! Ontem, mais uma prova de que o tempo é senhor do mundo. Augusto resmungando, a vovó sugeriu colocá-lo de bruços no trocador pra ver se ele soltava uns punzinhos e se acalmava. Assim o fizemos. E o bichinho saiu praticamente engatinhando, de pescoço pra cima, durinho, durinho. Ficamos os três, vó, pai e eu, estarrecidos com o tônus e os reflexos do menino em seus 12 dias de vida. Esse aí vai dar um santo trabalho e não vai demorar muito, não. A gente que se cuide pra não ficar pra trás!
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O Augusto já tem um arsenal de caretas -- e apelidos -- que vocês precisam ver. A mais tenebrosa é uma em que ele franze a testa, revira os olhos e faz bico, abrindo a boquinha em forma de "o". A vovó Ju fica toda assustada e pede pro "velhinho" (sim, com a testa enrugada ele é o próprio!) colaborar e dar um jeitinho de aliviar nas feições. Carinha engraçadinha ele fica mesmo é quando mama. Todo vermelhinho, ganhou a alcunha de "tomatinho". Se larga o peito com um olho aberto e outro "amassado", coisa que acontece também quando acorda, a gente solta um "oi, pirata". Quando coloca o pijama de sapinhos pra dormir (sim, ele já tem seu ritualzinho noturno), eu carinhosamente o trago perto do peito e o chamo de "sapulho". Na hora do banho, bracinhos e perninhas querendo agarrar o vazio, ele vira um "pingo de gente", meu "peixinho" . E a lista segue a cada novo ângulo, a cada novo jeitinho que a gente identifica no pequenino, a cada traço de personalidade que se deixa revelar. Ele já demonstrou que é tranquilo -- enquanto não tem algo ou alguém o incomodando. Tem pulmões fortes, sabe exigir seus direitos e gosta de uma boa conversa (pega no sono rapidinho quando a gente canta ou conta alguma coisa pra ele). Tem um ritmo próprio pra fazer as coisas (mama cinco minutos, pára, contempla o colorido do quarto, me olha nos olhos e segue assim...), gosta de estar junto -- mas detesta muvuca. Também não gosta de passear de braço em braço. Fica irritadinho, o sono foge. É seletivo, esse moleque. Reserva seu calor pras pessoas realmente especiais. Certo ele que, desde cedo, tá se exercitando na arte de fazer escolhas.
posted by JULIANA DE MARI 11:52 AM
Um capítulo à parte
Toda grávida que conheço fica à beira de um ataque de nervos à medida em que o nono mês se avizinha. Entre as muitas inseguranças, a do parto martela sem cessar. Pois eu quero fazer aqui um testemunho: enquanto a gente se preocupa com a temida dor da hora H, perde uma chance valiosa de preparar o corpo e o espírito pruma empreitada muito mais desgastante (e muito mais determinante pro bem estar dos filhotes). Tou falando da amamentação -- essa benção que Deus nos dá de brinde junto com a gravidez. Ninguém nos prepara direito praquele momento em que as enfermeiras trazem o bebê do berçário pela primeira vez e nos incumbem de colocá-los no peito e alimentá-los. Eu recebi o Augusto com alguma tranquilidade e muita vontade, mas confesso que não tinha a menor idéia de como segurá-lo, como encaixar o bico do seio na boquinha minúscula dele, como estimulá-lo a agarrar o mamilo, como ajudá-lo a sugar, como saber se ele estava saciado, enfim...Fora que ninguém avisa também que a tal descida do leite, evento que deve ser comemorado à exaustão, não é, digamos assim, um mar de rosas. Os seios dobram de volume, doem, ficam duros que nem pedra, se enchem de nódulos. Dizem as enfermeiras que compressa de água fria e massagens circulares ajudam. Mas quem tem ânimo de ficar massageando o peito noite adentro depois do esforço do parto e do esforço do entendimento com o bebê????
Segundo dia do Augusto em casa, bichinho batendo cabeça literalmente sem conseguir pegar o peito direito, me vi aos prantos, fazendo massagem num peito, "ordenhando" o outro com as mãos, temendo que o pequenino não tivesse alimento suficiente pra se fazer forte e saudável. Típico de mãe de primeira viagem. Superada a madrugada, recobrei minha serenidade e sintonizei no seguinte pensamento: se tenho leite, faminto ele não vai ficar. Um dia após o outro, muita calma nessa hora (de verdade: nada de agonia, nada de falatório, quarto dele com uma luz suave, eu muito dona da situação, pensamentos bons fluindo, carinho na cabeleira que fica mais clarinha a cada despertar...) e o milagre acontece. Hoje, dez dias de nascido, o Augusto mama seus 20 minutinhos a cada 3/4 horas e já faz revezamento nas tetas sem reclamar. Até anteontem, a gente tinha que enganar o danadinho na hora de oferecer o seio direito. Ele resmungava, não conseguia agarrar o mamilo e, por isso, não formava o "bicão". O jeito era dar o peito com ele sentadinho, enfiado num buraco entre o meu quadril e o braço da cadeira, numa posição que roubava risadas dos pais corujas sonâmbulos. Aliás, diz a pediatra que essa posição é mesmo a ideal pra facilitar a vida dos bebês miúdos, que não têm tanta força pra sugar.
Falando em pediatra, a recomendação dela ao avaliar o Augusto ontem é que está tudo absolutamente dentro da normalidade. Ele perdeu cerca de 300 gramas desde que nasceu, mas a gente precisa levar em consideração que começou a fazer xixi e coco, ou seja, começou a colocar líquido pra fora do corpo. A tática agora é fazê-lo mamar um peito até esvaziar (é engraçado falar assim, mas a gente sente mesmo murchar, como se fosse uma bexiga perdendo ar) e depois oferecer o outro. Se ele não se animar, entra em cena a super bombinha tira-leite e a gente oferece uns 20ml no conta-gotas. Ainda não precisei fazer isso, pois ele, surpreendentemente, tem se mostrado bem animadinho pro segundo tempo. Ver o filhote fazendo boquinha de peixe, agarrando com vontade o mamilo (gente, isso dói!!) e sugando até a boca transbordar leite, faz esquecer o cansaço, as horas, a fome. Parafraseando Caetano, me sinto a própria "vaca das divinas tetas": a pessoa mais importante do mundo, me sinto pertencendo -- a esse pequeno ser que não tem nem tamanho de gente ainda, mas é alvo de sentimentos surpelativos. É um amorzão que transborda a cada sugada.
Moral da história: amamentar é um ato de entrega. É preciso dar muito mais que o peito. É preciso doar tempo, paciência, serenidade, calor. É preciso muuuuuito amor.
posted by JULIANA DE MARI 6:12 PM
É gol!
"Vai dar Grenal". Foi assim que anunciamos pra Dani e pro Duda que quem estava a caminho era o Augusto, companheirinho desde a barriga do querido Miguel. Hoje, nove meses depois, oito dias de vida do nosso Gutão fora da caverninha e doze do amigo bochechudo, eis que finalmente aconteceu o encontro da duplinha. Dia de jogo do tricolor gaúcho contra o colorado (infelizmente, o Grêmio perdeu de 2X1). Pais vestindo a camisa do time e filhotes indo pelo mesmo caminho. Eles botam fé que os garotos vão honrar a vontade paterna e levar adiante a rivalidade no futebol. Eu tenho lá minhas dúvidas se, nascidos e criados em plena Paulicéia, eles não vão se debandar prum time paulista...Enquanto eles não podem se manifestar, os pais corujas vão se esbaldando. Confiram aí o que o Rô e o Duda aprontaram.`
PS: Nem parece que o "aMiguel" tem só quatro dias a mais que o Gutão, né? Pra vocês verem a diferença que umas gramas a mais fazem. No caso, não são poucas gramas. O Miguel nasceu um quilo mais forte que o Augusto e quatro centímetros maior!!!
Miguel e Gutão em dia de Grenal: torcida organizada desde pequenininhos
posted by JULIANA DE MARI 11:20 PM
E fez-se a luz
"Respira fundo, enche os pulmões e segura, como se fosse atravessar uma piscina ida e volta, e força, força cumprida". Quem deu as instruções foi o anestesista, dr.Lobo, colocando as mãos sobre a minha barriga e pedindo que eu, a cada esforço, as empurrasse para cima. Na outra ponta da maca, dr.Gil e dra.Claudia, marido e mulher, devidamente paramentados com aquela roupa azul esterilizada que médico usa em cirurgias, anunciavam que era hora do Augusto nascer. Ao meu lado, o Rô, que havia abandonado a roupa "civil" e já estava preparado para o grande lance vestindo touca, máscara e uniforme azuis (traje que caiu mui bem num gremista em dia de vitória do tricolor gaúcho). Duas máquinas fotográficas a tiracolo, enquanto eu e os médicos "trabalhávamos", o paizão documentava todos os momentos do trabalho de parto. O registro começou na sala do pré-parto, na verdade.
Mas deixa eu organizar melhor esse relato. Chegamos ao hospital Santa Catarina por volta das 9h30 da manhã do sábado passado, dia de sol e céu azul em São Paulo. Como tinha guia da médica pedindo a internação para indução do parto, fui rapidamente encaminhada para o oitavo andar onde fica o centro obstétrico da maternidade. Minha mãe e minha sogra estavam de acompanhantes. As duas visivelmente nervosas, estabelecendo uma bonita cena de ajuda mútua para aplacar a ansiedade e me tranquilizar. Tive que deixá-las, e ao Rô também, ali, na frente da grande porta metálica que separava a salinha de recepção das salas de pré-parto. Quando entrei sozinha pra fazer os preparativos da indução, bateu um medo gigante...A enfermeira pediu que eu tirasse toda a roupa, vestisse aquele avental que deixa o bumbum à vista e me deitasse na maca pra que ela avaliasse minha temperatura e pressão. Ela também verificou a dilatação, que, aquela altura, estava "dois pra três". Eu rezei muito, expliquei novamente pro meu Gutão o que ia acontecer e pedi a Deus serenidade pra dar conta de ajudar o meu filhote a chegar ao mundo de forma tranquila e rápida. Bom, fui encaminhada prum quarto simples e iluminado, onde me puseram no soro com ocitocina e colocaram aquele aparelho de cardiotocografia na minha barriga pra monitorar o bem-estar do Augusto. As contrações começaram meia hora depois disso. Segundo a enfermeira que estava me assistindo, eram "boas". Eu digo que eram intensas. A barriga ficava dura que nem pedra, mas não havia muita dor. Parecia uma cólica meia-boca de menstruação.
A dra.Claudia chegou duas horas depois do início da indução. E já chegou estourando a bolsa. Levei um susto na hora em que vi o tamanho do instrumento que ela ia usar pra fazer isso, uma agulha gigante, mas não doeu nadinha. Aliás, foi engraçado: o líquido amniótico jorrava sem parar, bem quentinho. Ela me mostrou depois o tanto de água que saiu e explicou que tava tudo ótimo. Mostrou os gruminhos boiando também, sinal de maturidade do bebê. Depois dessa, eu tive que manter meu equilíbrio na base de muita respiração, muita reza e muita massagem do Rodrigo nas minhas costas, na altura da minha bacia. As contrações foram aumentando, vinham em intervalos menores e cada vez mais fortes. Dói, dói, dói...e passa. No intervalo entre uma e outra, eu conversava serenamente com a doutora, que nos contava de seus primeiros anos de estágio e da tortura de fazer parto sem anestesia em hospitais públicos. Quando a dor chegava, eu fechava os olhos e me concentrava pra passar logo. Como eu descreveria essa dor? Exatamente como nos contam nos cursos de grávidas por aí: é cólica de menstruação multiplicada por dez. Mas, se a mulher não se render ao desespero, dá pra controlar a sensação dolorosa até a hora da anestesia, sim. Eu tentei não dar bola pra minha agonia. Aliás, o Rô ficou impressionado que o máximo de reclamação que eu soltei, no auge da dor, foi um "caramba"!!! Houve um momento em que achei que ia perder o controle, mas tinha mais a ver com a grávida que tava no quarto ao lado e que berrava a cada contração do que propriamente com a minha sensação dolorosa. A mulher gritava tanto, urrava tanto, que eu comecei a ficar nervosa por tabela.
Foi exatamente aí, quando eu achava que não ia mais dar conta de manter o mínimo de compostura, que a dra.Claudia anunciou a chegada do anestesista. O auge da minha sensação dolorosa coincidiu com o momento apropriado pra anestesia, graças a Deus! Eu já tava com 5 pra 6 centímetros de dilatação. O dr.Lobo, um médico todo prosa, figuraça, um dos pioneiros no Brasil a fazer analgesia de parto, chegou botando o Rodrigo pra fora da sala. Acho que fez isso pra ele não se assustar com o tamanho da seringa e da agulha usadas no procedimento. Eu confesso que foi difícil ficar sentadinha, sem nem piscar, tendo uma contração forte atrás da outra. Uma enfermeira me ajudou, segurando meus ombros, e acho que ficou chocada com meu repertório de caretas quando a dor chegava! Não gritei, não chorei, mas reclamei um monte e fiz muuuuuuuuuuuuita cara feia. Anestesia devidamente aplicada, eu tratei de me concentrar novamente, repetindo pra mim mesma que faltavam apenas duas ou três contrações preu atingir o nirvana. E ele veio como o prometido pelo anestesista. Senti as pernas formigarem e pronto, nem mais uma dorzinha da cintura pra baixo. Continuei tendo a sensação tátil, mas zero, nada, niente, de dor. Nem quero imaginar como teria sido fazer o toque durante as contrações. Diz minha médica que é a pior parte do trabalho de parto sem anestesia.
Com a bendita, minha dilatação evoluiu rapidamente. Logo eu tava com 8 centímetros e a dra. Claudia começou a me pedir pra fazer força. Como eu não sentia nada do quadril pra baixo, ela orientava minha força colocando a mão sobre a minha barriga ou segurando minha cabeça pra frente. A cada contração, eu empurrava, ela sentia a cabecinha do bebê e mexia nas partes baixas ajudando a abrir passagem ou coisa do gênero. Não senti absolutamente nada. E não fiquei cansada como imaginava que ficaria. Aquelas cenas de filme, com mulheres suando e pedindo trégua, não combinaram em nada com meu trabalho de parto. Foi tudo muito tranquilo, como eu sempre desejei. Minha médica teve papel fundamental no cultivo desse clima. O Rô, então, nem se fala. Me ajudou um monte, fazendo carinho, soltando piada, abrindo aquele sorriso generoso que só ele tem.
Depois da anestesia (e mesmo antes), nos intervalos das contrações, a gente conversava sobre tudo. Descobrimos que o anestesista fez o caminho de Santiago recentemente, que a dra. Claudia conheceu o marido ainda quando eram estudantes e por aí vai. Eu ficava de olho na máquina que registrava as contrações em gráfico e só ficava imaginando o tanto de dor que provavelmente estaria sentindo se não fosse a agulhada mágica.
E foi assim, quando percebi, já estavam me colocando numa maca e me levando pra sala de parto propriamente dita. A dra.Claudia pedia minha ajuda pra fazer o Augusto nascer até às 17h. Dizia ela que, na verdade, havia se planejado pras 16h e que queria ir pra casa logo encontrar o pequeno Lucas. A atmosfera na sala de parto estava especialmente bonita. Ver marido e mulher trabalhando juntos pra trazer uma vida ao mundo foi emocionante.
E aí a gente volta pro início desse relato. Fiz força algumas vezes e o dr. Gil anunciou a cabecinha do Gutão cheio de alegria e, finalmente, chamou o pai pra assistir ao acontecimento da tarde. Foi aí que entrou a tal respiração de travessia de piscina e a força comprida. Não senti absolutamente nenhuma dor, mas senti exatamente a hora em que meu filho "escorregou" e chegou ao mundo. Já chegou chorando, o danadinho. Os médicos diziam "nasceu, nasceu". E eu, eufórica: "nasceu? cadê, cadê???". Não vou esquecer jamais desse momento: um pacotinho de bocão vermelho berrando a plenos pulmões, todo sujinho, cabeludo, a cara do pai. Soltei um "seja bem-vindo, meu filho". Minha felicidade era tão grande, tão grande que, pela primeira vez na vida, minha emoção não se traduziu em lágrimas. Eu não consegui parar de sorrir. O olhar embaçado do Rô pro pequenino também vai ficar registrado pra sempre. O meu marido, meu amor, minha maior certeza na vida, assumiu ali, na sala de parto, o papel de melhor pai que o Augusto poderia ter.
Levaram o pequeno pra se limpar e o Rô foi junto. Fiquei ali, maravilhada, vendo luz por todo lado, enquanto os médicos davam conta da placenta e outros quetais que fazem parte. O Augusto nasceu às 17h19 (eu só lembrei de olhar pro relógio um minuto depois) e, em meia hora, eu já tava no quarto, contemplando a luz que emanava dos sorrisos das vovós, do vovô Zeca, do tio Bruno e da Raquel. Foram seis horas de espera, seis horas de trabalho conjunto e o resultado foi um parto lindo, tão lindo quanto o meu Gutão. E sabe que pouquíssimo tempo depois do parto, ainda voltando da anestesia, eu não conseguia lembrar de jeito nenhum de como foi a dor que senti?? Não fica registro, minha gente. Impressionante.
E aqui estamos, uma semana depois, primeira semana do Gutão fora do barrigão, esbanjando alegria. São 19h20 agora, o pequeno dorme tranquilo em seu bercinho e mal sabe que jájá vamos acordá-lo pra mais uma mamada. O maridão tá aqui ao lado, tomando chimarrão, CD de jazz tocando, organizando nossas fotos. A voinha saiu, toda bonitona, pro casamento do meu primo. Eu tou escrevendo há um bom tempo, viajando nas minhas próprias letras, revivendo a benção que o sábado passado significou em nossas vidas. Tou cansadinha, sim, mas longe de reclamar. Contemplar os olhinhos azuis do meu pirata (ele abre um e fecha o outro!) e sentir aquele cheirinho bom que só bebê tem, vale qualquer sacrifício. E viva o meu Gutão!!!!!!!!!!
Ah, uma curiosidade: no sábado, nasceram onze bebês no Santa Catarina. Apenas dois de parto normal. Um deles foi o Augusto. Me senti vitoriosa, mulher-macho, sim, senhora. E recomendo a todas as grávidas que por ventura lerem esse registro que, ao menos, tentem. Trabalhem a cuca antes, peçam apoio dos companheiros e dos médicos, lembrem que a anestesia existe -- e força, força comprida que os babies agradecem.
posted by JULIANA DE MARI 7:10 PM
As aventuras de um bebê
Depois de uma noite tranquilíssima (no caso, a de ontem), hoje parece que o pequenino vai nos brindar com mais uma "sessão canseira". Digo isso porque pressinto que o acordar forçado, a corrida pra não perder o horário na pediatra e o finzinho de tarde preenchido por um chororô contínuo foram demais pro nosso amadinho. Sim, o Augusto foi a sua primeira consulta na pediatra. Até que foi comportadinho, andou de carro confortavelmente instalado em sua cadeirinha e dormiu como um anjinho na sala de espera. Aliás, o consultório foi palco do primeiro encontro com o Miguel, da Dani!! Os destinos desses dois, de fato, foram traçados na maternidade! O Miguel tava lá mamando animadamente depois da consulta quando chegamos. Claro que registramos tudo em fotos que vou postar pra vocês conferirem amanhã (pifaram as pilhas da máquina digital...).
Bom, nossa conversa com a médica foi ótima. Ela recomendou banho de sol duas vezes por dia, pois o filhote ainda tá meio amarelinho, resquício de uma leve icterícia. Também sugeriu que eu ofereça um peito por mamada apenas, até ele se sentir saciado. Ela é contra essa coisa do tira-e-bota de um lado pro outro. Diz que há bebês que ficam tão irritados com essa troca que interrompem a amamentação na hora em que o leite bom deveria ser sugado. Sim, porque ela explicou que o primeiro leite que desce é o responsável pela hidratação do bebê. O do final da mamada é o que engorda, o que é rico em proteínas e nutrientes. Eu confesso que tava meio preocupada com essa coisa dele não estar mamando taaaaanto (tem sugado, em média, 20 minutos), mas ela me tranquilizou. Disse que logo, logo ele vai estar chegar à marca dos 40-50 minutos. O Miguelito já chegou lá. Mama que dá gosto! A médica ficou bem satisfeita com o resultado do Apgar do nosso pequeno (9/10) e com os reflexos que ele demonstrou no exame. Ah, claro que, com tanta manipulação, ele xixou a maca dela inteirinha!!! E quando chegou em casa, todo irritado por causa de outra fralda suja, nos brindou com uma metralhadora de coco que, por pouco, não sujou o tapete do quarto todo e não atingiu em cheio a barriga do pai!! Hilário!
posted by JULIANA DE MARI 11:05 PM
Seria trágico se não fosse cômico
Está dada a largada à maratona do auê. Minha gente, não é que foi só elogiar pra esse pequeno mostrar que tem fôlego suficiente pra berrar uma noite inteirinha sem dar trégua??? Ontem foi assim: bota no peito, chora, tira do peito, berra, volta pro peito, esperneia, tira do peito, grita, e assim sucessivamente. Está previsto nos livros, faz parte da adaptação do bebê à mãe, ao peito, à vida fora da barriga, mas depois de algumas horas com decibéis a mais nos ouvidos não há serenidade de mãe que resista. Não teve jeito: Gutão chorou de um lado e eu chorei do outro. A vó Ju e o paizão, aflitos, tentavam ajudar ora o pequeno ora a marmanja aqui.
E assim seguiu nossa segunda noite em casa. Da meia-noite às 6h da matina o guri não deu trégua. Alternava momentos de profundo cansaço, quando se permitia uma sonequinha rápida no berço, com outros de profunda ira. Nesses aí, ficava vermelho, franzia a testa, procurava avidamente meus mamilos e, claro, de tão irritado, não conseguia mamar. Tivemos que apelar pra colherinha de chá. Tirei o leite bombando com as mãos e a vó ofereceu pro danadinho que tomou tudo e, mesmo assim, continuou reclamando. Como não temos dicionário pra decifrar o choro, levantamos várias hipóteses pra tamanho desconforto. Talvez ele tenha começado a se incomodar com gases, talvez fique realmente puto da vida porque não consegue ainda "pegar" o peito de primeira, talvez estivesse com frio, ou, quem sabe, estava apenas manifestando sua estranheza em relação ao mundo aqui fora. Afinal, são só cinco dias longe do bem bom do barrigão...
Sei lá, só sei que fiquei com tanto dó, tanto dó, que não consegui dormir nem quando ele dormiu. Minhas costas estão trituradas, meus olhos ardem, mas eu não tou nem aí. A única coisa que me importa hoje, do fundo do coração, é o bem estar desse pequeno. Graças a Deus, a minha crise de choro foi breve. Apenas um desabafo, misto de inexperiência e cansaço. Foi bom ter me permitido assumir essa agonia porque, além de saber que isso é absolutamente normal, não deixei a ansiedade tomar conta. Recuperei rapidinho o meu eixo, busquei lá dentro minha serenidade de volta e mantive meu foco ajustado pro entendimento com o meu filhote. Mas a madrugada não foi só agonia, não. Teve lances que valeram boas risadas. O melhor deles foi protagonizado pela vovó Julice. A última acalentada da noite ficou sob responsabilidade dela. O Rô já havia entregue os pontos há tempos e eu realmente precisava deitar um pouquinho. Depois de um baita esforço pra fazer o Gutão dormir e ficar quietinho no berço, a vó também se rendeu a Morfeu. Só que tava tão agitada que acabou tendo pesadelo. Resultado: no auge do sonho ruim, soltou um grito que fez o nenê acordar novamente!!!
Mas nem tudo são lágrimas na nossa maratona de adaptação. Hoje foi dia do primeiro banho do Augusto em casa. Papai, mamãe e vovó devidamente paramentados de algodão, gaze e sabonete glicerinado estrearam a banheira do pequeno com louvor. Houve um lance cômico que, mais uma vez, envolveu a vó Ju. Enquanto a gente lavava a cabecinha do guri, ela ficou incumbida de encher a banheira pro banho de "corpo". Estava crente que a água de uma chaleira seria suficiente, tsc, tsc, tsc. Claro que a cabeleira do Gutão ficou cheirosinha bem antes dela concluir a tarefa. Bom, de início, ele reclamou, mas na maior parte do tempo curtiu a aguinha quente e a sensação de ficar limpinho. Nem reclamou na hora de enxugar e muito menos quando fomos colocar roupinha nova. Ah, vestir o garotão tem sido um capítulo à parte. A cada troca, surge um Gutão ainda mais lindo!!!!
posted by JULIANA DE MARI 6:12 PM