Viva o Barrigão!

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Terça-feira, Novembro 06, 2007


De mudança


Começou quando Gutão ainda era um feijãozinho na barriga e, cá estamos, quatro anos depois das primeiras linhas, com um arquivo considerável de histórias, uma lista recheada de amigos e uma vontade ainda maior de continuar fazendo desse diário virtual um alegre registro da nossa aventura em família. Só que, a partir de agora, estaremos em novo endereço. Temos "casa própria" (graças à querida Mic, que ajudou minha cabecinha loura a migrar pro WordPress sem maiores traumas!).

Anotem nosso novo endereço: www.vivaobarrigao.blog.br
Espero vocês por lá em breve! (Os comentários funcionam direitinho!!!)

Até já!
Um beijo,
Ju

PS: Esse Barrigão vai continuar ativo até a migração para o novo blog ser concluída, coisa aí pra mais alguns dias.
posted by JULIANA DE MARI 2:49 PM


Quinta-feira, Novembro 01, 2007


Voltamos


Pronto. Está tudo funcionando como deve ser. Inclusive, os comentários.
Ainda bem -- por que eu estava quase recorrendo ao Procon!

Mas vamos falar de coisas boas.
Lá vem o feriadão. E lá vem a chuva junto, óbvio. Até que tou achando bom pra espantar a "poeira" dessa cidade e pra baixar um pouco a temperatura. Sai pra almoçar com meu chefe e uma fonte da revista hoje e quase morri de tanto calor no carro, naqueles cinco minutinhos em que o ar-condiciondado ainda não engatou, sabe? Daí, olhei pro termômetro da rua e vi: 34 graus. Surreal.
E tem gente que ainda não acredita no aquecimento global...

A programação pra amanhã é levar Gutão no cinema. Pra ver o filme do pinguim, não lembro o nome, só sei que é um pinguim surfista. O Theo, da Rê, melhorou da febre e vai com a gente. Vou ver se o Rafa, amiguinho do Gutão na escola, também topa. Aí, vamos de excursão ao cinema!!! No mais, tou juntando coragem pra começar as "faxinas" de final de ano. Hora de olhar os papéis (e como tem papel lá em casa, meu Deus!), o guarda-roupa, os brinquedos que não estão mais em uso, organizar minimanente os espaços da casa, enfim. Começar a abrir caminho pro ano que vai chegar. Já é novembro. Daqui a pouco, dezembro e, num piscar de olhos, vocês vão ver, vai ser carnaval 2008!!!

Aliás, já estou planejando o aniver de quatro anos do Gutão. Pode dizer que é exagero, mas eu prefiro assim. Fazer com calma, pra fazer direito. Curto taaaaaaaanto esse planejamento que vocês nem sabem. Adoro pesquisar as coisas, pensar em como arrumar, no que vai melhor de brincadeiras, de lembrancinhas...Adoro mesmo. Fico vendo a carinha alegre do meu filhote, correndo pra lá e pra cá, recebendo os amiguinhos, curtindo a festa. Ano que vem, vamos fazer no salão do prédio novamente. Até pensei em encarar um bufê, mas a conta não fecha: é o dobro do custo de fazer em casa. E com tudo o que a criançada tem direito: de barraquinha de cachorro-quente a piscina de bolinha. Sendo assim, vou contratar alguns "fornecedores" que já conheço e recorrer ao trabalho de uma decoradora de mesas pra fazer menos ainda. Não tou afins de botar a mão na massa dessa vez (ano passado, eu decorei o salão). Vou planejar e delegar, hahahahaaa.

O tema dos quatro anos também já está escolhido: Backyardigans na praia. Gutão queria Homem-Aranha, mas, vamos combinar, ainda é muito cedo pra fazer algo, assim, digamos, tão "adulto". Rolou negociação básica pra informar o pequeno que os planos mudaram e que do super herói que gruda na parede vamos para os simpáticos bichinhos que rebolam. Eu e o Rô fizemos tanto, mas tanto estardalhaço ao informar da idéia dos Backyardigans que o menino não teve nem opção de dizer "não", hahhhaahhaa.

E eu tou tão engraçadinha hoje, afe, maria. (Canceriana e ciclotímica que sou, tenho até medo da rebarba de humor que pode estar a caminho, hahaahahahaaaa!) Falando sério, deve ser influência do feriadão. Ou daquela leveza que dá toda vez que mais uma revista vai pra gráfica (gente, a próxima edição é "como gerenciar o chefe", imperdível!).

Gutão, a essa hora (12h47 do dia 02 de novembro), deve estar no décimo sono. Vou chegar lá e dar beijinho pra ele acordar bem. E colocar o "João Pedro", um ursinho, pequeninho, que veio de brinde em uma compra na C&A, do ladinho dele. Ele pediu pra mim ao telefone, antes de deitar. Um sinal de que a mamãe chegou e foi lá conferir se ele estava bem. Te amo, meu filho!




posted by JULIANA DE MARI 11:59 PM


Segunda-feira, Outubro 29, 2007


E o problema continua


Comentários -- ainda -- fora do ar.
Estranhíssimo ficar nesse "monólogo".
Mas vamos lá.

Gutão tá um moço. E anda em crise existencial. Pergunta, a toda hora, quando vai fazer quatro anos e diz, chorando até, que queria ser grande. Sábado deu chilique na minha cama, à noite, porque, à luz do abajur, minha sombra cresceu e foi projetada pro teto. E a dele, pequeninho que é, "parou" na janela. Meu bichinho se revoltou: ficou vermelho, chorou, chorou, disse, sentido, que também queria ser grande. Eu tentei explicar que ele cresce a cada dia e que logo, logo a sombra dele vai se agigantar. Mas não teve jeito. E o jeito foi deixar chorar. Bem-vindo, Gutão, ao mundo das frustrações...

Meu filho "sente". É um dínamo pela casa, cheio de energia, é ariano colérico, expressa as vontades, sabe o que quer. E, que bom, fala o que sente.

Sábado, também, filhote enrolando pra dormir, voltei pela enésima vez no meu quarto e ele pediu pra deitar a cabeça na minha barriga. Ficamos ali e eu soltei: "que coisa bem boa, Gutão". Aí, ele sorriu e disse que quando estivesse na cama dele também ia dizer isso. E eu fiquei toda feliz, dizendo que era bem bom a gente ter o nosso quarto, nossas coisas, nosso cantinho. E ele largou: "não, mamãe, eu vou dizer: que coisa bem chata ficar sozinho no meu quarto". hahahahahaa



posted by JULIANA DE MARI 1:16 PM


Quarta-feira, Outubro 24, 2007


Defeitinho


Vocês já perceberam que, há dias, não está dando pra comentar no blog. Um saco.
Mas já relatei o defeito e o pessoal da Globo.com está atrás de solucionar o problema. Espero que não demore demais...Coisa bem chata vir aqui e não encontrar o "oi" de vocês.

Estamos bem.
Gutão retomou as aulas todo animado. Ganhou da tia presente do Dia das Crianças atrasado, ficou todo feliz. E ontem recebeu uma caixa com "encomendas" de Recife pra ele: um livro de dinossauros, os CDs que esqueceu, uma camiseta do McQueen, balinhas, catavento e um cartão assinado pela titia, pela Buruca e pelos avós. Adorou a surpresa. E quem não gosta de receber notícias pelos Correios, né?
E ontem voltou pra natação. Diz a babá, que tá mergulhando com uma desenvoltura impressionante. Lindo! Ganhou carona da Rê na volta, minha "amiga-anja", e ficou todo feliz de rever o Theo. É bem bom esse sentimento de ter amigo pra chamar de seu e eu fico orgulhosa por estar incentivando meu filho a cultivar essa riqueza que são os bons relacionamentos na nossa vida.

Eu gripei. Tou com dor de cabeça, corisa, garganta coçando. Sampa é isso aí, gente!
E a dor nas costas voltou a me lembrar que preciso marcar um ortopedista pra entender o que acontece...Volta e meia, o ciático grita e eu, de tempos em tempos, tenho que cuidar disso com massagem, acupuntura, RPG, qualquer coisa. Eu tenho mesmo é que criar vergonha na cara e mexer esse corpinho, ai, ai. Aquela velha ladainha de mim para mim mesma :)

E amanhã tem evento no trabalho.
E lá vou eu ser "anfitriã". Estou aprendendo a desempenhar mais esse papel. Não é lá muito fácil lidar com "multidões", mas vamos nessa. O negócio é se colocar em movimento. O resto acontece.

Estou lendo um livro legal, falando nisso.
Nas férias, duas semanas, devorei "O carrasco do amor", do Irvim Yalom, autor de Quando Nieztche chorou. Pra quem gosta de terapia e coisas afins, recomendo.
Comecei agora a ler "Eu sou o mensageiro", do mesmo autor do excelente A Menina que Roubava Livros. Estou devorando também.




posted by JULIANA DE MARI 5:21 PM


Domingo, Outubro 21, 2007


Até o Natal


Voltamos de Recife ontem à noite. Estaremos lá novamente no Natal. Vai passar rapidinho dessa vez. Que bom.
Gutão voltou com saudades. Dormiu nas três horas de vôo e, quando acordou em Sampa, chorou de saudades. Dizia que estava com saudades da Adriane (a Adriana, babá da Bruninha, realmente um amor de pessoa) e da vovó Ju. Me deu vontade de chorar junto...Filhote fica tão sentido, vermelho, cheio de lágrimas...Como é que pode, tão pequenino, sentir tanto?

Voltou bronzeadinho, meu picolito. Numas, né? Porque ele usou protetor 30 e hipoglós todos os dias. Mas ficou com a marca da sunga. E tá exibindo bracinhos e pezinhos dourados, além das bochechinhas levemente vermelhas. E a mecha dourada da cabeleireira tá linda, linda. Deu pra aproveitar praia até o último dia. Sabadão de sol e nos encontramos, finalmente, com a Rapha, o Igor e o Gustavo em Boa Viagem. Deu pra fazer buracão na areia, comer algodão doce, compartilhar salgadinho e boas risadas. Em dezembro, tem aniver do Igor e já combinamos uma pizza com bolo pra cantar os parabéns.

Hoje, domingo, fez um calor inacreditável em Sampa. Mais até do que em Recife. Almoçamos na padaria, programa que Gutão adooora. Comeu ovos mexidos, franguinho e muitas frutas. E tomou suco de laranja em copo de vidro. Conquista das férias, que deixou meu filhote todo orgulhoso. Tá tão grandão, esse meu Gutão. Um moleque. Esperto, alegre, cheio de palavras, cheio de idéias, cheio de vontades. Me tira do sério muitas vezes, mas me faz rir muito mais.

Agora à noite, recebemos a alegre visita dos dindos, do Miguel e da Nina. Uma farrinha boa, com os dois meninos pulando dentro do berço que será usado pelo futuro irmão(ã) do Gutão. Uma beleza. E a Nina, toda cabeludinha, pra lá e pra cá com a boneca do Gutão (a Mimadinha que era minha e que resgatei lá em Recife tempos atrás) e que ele batizou de Juju, em homenagem a irmão do Rafinha (viu só, Mic?!).

Amanhã começa tudo de novo no trabalho, na escola. E eu espero começar a semana com calma. E espero manejar a agenda com certa serenidade até o final do ano, quando nossas mini-férias em família acontecerão outra vez. "Cenourinha" boa essa, né?

(O domingo em casa tá acabando um tantinho mais estressante do que eu gostaria. Infelizmente.
Estou tentando não estressar...Não mereço e não quero essa energia no final das férias...)

posted by JULIANA DE MARI 9:12 PM


Quinta-feira, Outubro 11, 2007


Cedíssimo


Tenho um defeito incurável como mãe: detesto acordar cedo. Eu assumo. É um sofrimento despertar com o sol...Desculpa, meu filho. Nasci vespertina. Eu até que me esforço, mas cinco e meia da matina não há humor que resista!!! Vou te contar uma coisa: meu dia ideal seria dormir até às 11h e ir deitar quando a noite estivesse beeem escura. Não tenho problema pra ficar acordada na madrugada. Nenhum. Desde que, no outro dia, eu possa a avançar na minha cama até a hora em a barriga dê sinais de que precisa se alimentar!

Pois bem, Gutão ignora completamente esse meu ritmo. Tem acordado cedíssimo, e não é figura de linguagem!, aqui em Recife. Sim, estamos em férias, mas o reloginho interno do menino não se conscientizou disso. Tem acordado tão cedo que nem meu pai levantou ainda! E olhe que o vovô Beto acorda cedo! Hoje, quando o vô saiu do banho, seis e pouco da manhã, Gutão já tinha feito coco, já tinha tomado leitinho e comido banana com mel. Tava na sala, todo falante, brincando com o Pablo, do Backyardigans, que ganhou da titia Lu ontem. Presente do Dia das Crianças adiantado.

Logicamente, quando meu pai acorda, eu passo o bastão e volto pra cama correndo pra curtir mais meia horinha que seja. Hoje, especialmente, eu tava precisando. É que ontem voltamos da praia caminhando (só tinha um táxi no ponto e o, digamos, FDP do motorista não quis nos trazer de jeito nenhum. Dizia ele que iríamos molhar o carro e não adiantou eu explicar que Gutão estava seco, de cueca até, e que eu não tinha entrado no mar...Que raiva, viu? Quase chamei a polícia pra denunciar o cara. Pra que fazer ponto na beira da praia se não quer levar no carro quem sai de lá?). Bom, a caminhada até a casa dos meus pais seria de uns dez minutos prum adulto, no máximo. Com uma criança de três anos e meio no colo, imagem, durou quase meia hora! Minhas costas ficaram podres. Literalmente. Passei a noite com dor no ciático, sem conseguir posição pra relaxar. Fora os chutes que levei do moleque, que falou, cantou, abriu os olhos e ficou em todas as posições imagináveis durante a madrugada. Realmente, é uma epopéia conseguir dormir com Gutão ao meu lado!

Hoje, oito e meia e estávamos na beira do mar. As piscinhas de Boa Viagem reluzindo e Gutão (reluzindo junto de tão branquelinho!) e a Bruninha tomando banho, delícia. Até eu entrei na água, coisa que, em geral, reluto em fazer. Ah, sinto frio na barriga, besteira pura, ahhaahahaaha. Ficamos até umas dez, pois a Buruca começou a ficar com sono. Gutão chegou em casa faminto, comeu ovinho de codorna, pediu uma maçã e provou suco de graviola feito na hora. Adorou! Tomamos banho e fomos dar uma voltinha na rua. Levei filhote pra conhecer a escola em que estudei até a quarta série, aqui pertinho da casa dos meus pais. Entramos e eu fiz uma volta no tempo, sabe? Vi as salinhas, o pátio onde eu brincava no carrossel, engraçado reviver esses momentos. Gutão conheceu uma escola muito maior, mais bonita, mais cheia de brinquedos e de crianças. E era festinha do Dia das Crianças, tinha pula-pula, palhaço e criança feliz por todo lado. Pena que a tia Marluce, a diretora da escola, já tinha ido embora. Semana que vem, volto lá pra dar oi e apresentar meu filhote.

E hoje descobri sardinhas no rosto do meu branquinho. Estão lá, pintinhas pintadinhas bem de levinho. Logo abaixo dos olhos. Quatro ou cinco. Sinais de que meu filho está crescendo. E que todo cuidado com a pele linda dele vale a pena. Hoje, Gutão foi bezuntado de protetor solar e hipoglós no rosto. Meu palhacinho, meu amor.


posted by JULIANA DE MARI 1:46 PM


Terça-feira, Outubro 09, 2007


Em férias


Gutão melhorou da otite (obrigada pela torcida, meninas!). À base de antibiótico e antihistamínico, é verdade, mas melhorou. E conseguimos voar numa boa. Aliás, filhote capotou no vôo e só acordou aqui em Recife. Ainda bem. Sentamos atrás no avião e o espaço entre a cadeira em que estávamos e a cadeira da frente era minúsculo, pelamordedeus. Fora o lanchinho, ridículo. E o atraso de meia hora, que, a essa altura do campeonato, nem dá pra reclamar...

Fomos à praia hoje. Estava meio nublado, até choveu um pouco, mas achei bom. A estréia dos "branquelos" foi amena, sem sol 40 graus. Mas foi bom. Gutão fez buraco na areia, enterrou os brinquedos, tomou banho nas piscininhas de Boa Viagem e deu canseira na vovó Ju, hahahaa. Eu ensaiei tomar um "quase sol". Na verdade, aproveitei os minutos em que ele estava na água com a vó pra descansar um pouco. Filhote tem acordado cedíssimo, como diz. Seis da matina e o menino já está desperto, já fez coco, já tomou leite e comeu fruta e já tá tagarelando pela casa.

Desde que chegamos, domingo, filhote tem comido cerca de seis frutas ao dia. Ontem eu contei: comeu melancia, banana, pêra, maçã, morango e mamão!!! Comida salgada que é bom é que anda meio complicado. Gutão tem feito uma birra imensa no momento que senta à mesa e eu, confesso, ando perdendo mais a paciência do que gostaria. Hoje perdi de vez e amecei castigo se ele não abrisse logo o bocão. Funcionou. Tem horas que só mesmo na base da "administração pelo terror", hahahaaaa.

E a Bruna??? Prestes a fazer um aninho, tá esperta, alegre, danadinha. Onde Gutão vai, a Buruca vai atrás. Tem horas que ele não gosta muito, não. E reclama que ela quer pegar o brinquedo dele. E ela resmunga e resmunga e aponta pro primo e sai praticamente correndo atrás dele. Sim, ela começou a andar há dois dias. Coisa linda. Diria que Gutão tá treinando, em grande estilo, pra chegada do irmaozinho(a).

E que coisa boa é estar de férias. Dormir depois do almoço. Acordar só pra passear. Comer bolo e bater perna no shopping. E levar filhote pra brincar no bate-bate. Ah, delícia.
posted by JULIANA DE MARI 10:16 PM


Quarta-feira, Outubro 03, 2007


Lá vem ela, de novo


Pois bem, infelizmente, Gutão está com otite de novo. A segunda pós cirurgia nos ouvidos. Meu amadinho acordou da soneca da tarde hoje chorando desesperadamente. Tanto que a babá me ligou, assustada. Contou que ele estava se queixando de dor no ouvido e eu tremi nas bases. Pedi pra dar Tylenol e aguardar. Duas horas depois, Gutão continuava chorando horrores, gritando no telefone, dizendo que estava com muita dor. Corri pra casa no meio da tarde, liguei pro Rô e fomos direto pro hospital. Filhote foi chorando o caminho inteiro, impaciente, reclamando. Tadinho.

O diagnóstico foi o que prevíamos: otite no ouvido esquerdo. Não tem a ver com a natação, não. Porque não é externo. É interno e já está comprometendo o "brilho" do tímpano. Ai, que meu coração fica do tamanho de um grão de areia de ver meu filho sofrendo com isso outra vez. Culpa desse tempo doido e dessa poluição de São Paulo. O jeito é medicar, comprar um umidificador pro quarto (tou há dias pra fazer isso...) e fazer mais inalações do que já estávamos fazendo (de uma a duas por dia). O chato é que filhote vai ter que tomar antibiótico outra vez. Mas, se Deus quiser, vai resolver logo. Temos passagem marcada pra breve e ele não pode viajar se estiver com o ouvido ruim, né?

Amanhã, de todo modo, o Rô vai levá-lo na otorrino, pra quem liguei assim que sai da salinha da médica no hospital. É praxe passar na consulta e ligar pra checar com os pediatras de nossa confiança se está tudo certo, se a medicação está correta, se a dosagem é aquela mesmo. Não custa prevenir. Já vi médico receitar Berotec pro Augusto em plena otite...Ao que parece, teremos que começar um novo tratamento preventivo e monitorar o efeito "piscina" daqui por diante pra ver se virá outra crise e se pode se relacionar com nariz entupido + água parada na face = dor de ouvido. Ai, ai, ai.

Só sei que faltam três dias pras minhas férias.
E que estou fazendo novena pra Santo Expedito.
Confio plenamente que tudo vai melhorar. Minha fé me protege.
posted by JULIANA DE MARI 10:03 PM


Sábado, Setembro 29, 2007


Vida lôca


Tá passando rápido demais esse ano, meu Deus do céu. Tá faltando horas no meu dia pra fazer tudo o que eu gostaria -- e deveria. Tá bom que eu gosto de uma intensidade nas coisas, mas tá duro...Fé, fé e mais fé pra enfrentar o senhor "tempo", né?

Semana passada, vovó Lilica e vovô Zeca alegraram a casa. Gutão, nem preciso dizer, adorou a visita. Tanto que espantou o vovô do quarto e fez questão de dormir, três noites seguidas, do ladinho da vovó. Um sedutor, esse meu filho! Foi um final de semana gostoso, com direito a conhecer e brindar a casa nova dos dindos. E à farra a três: Gutão, Miguel e Nina aprontando todas, na maior civilidade. Nem acredito!!! :)

Essa semana, consegui ver filhote na piscina novamente, por breves cinco minutos. O trânsito complicou e eu só consegui chegar no final da aula na terça, mas valeu assim mesmo. Dei banho no pequeno, conversei com a Rê, e vim pra casa feliz. Quinta, não consegui escapar das reuniões (ô, praga!). Gutão foi e voltou da natação de carona com o amigo Theo. E fez seu primeiro programa noturno sem os pais: jantou na casa do amigo. À convite da Rê, que ofereceu panqueca e me disse que ele devolveu algo como: "Eu nunca comi panqueca, mas me disseram que é bom". Eu posso com essas tiradas!!! Filhote realmente não comeu a panqueca, ficou no arroz com purê. Anwyay, se alimentou de amizade e isso faz taaaaanto bem pra alma. Rê, de novo, obrigada por estar por perto!!!!

Quê mais? Tou contando os dias pras férias. Vou pra Recife no comecinho de outubro. Batizado e aniversário de um aninho da Bruna. Tou dizendo que o ano tá voando: a menina já vai fazer um ano, já tá quase andando, já faz pose, toda faceira, pras fotos, ai, ai, ai.

Outubro vai ser um mês de renovação. Mudanças importantes à vista no trabalho, alguma correria extra prevista. Mas nada que me desespere. Tá tudo tão, mas tão intenso que uma surpresinha aqui, outra acolá não me abala mais. E tou é renovando as minhas resoluções pro mês que se inicia. E estou firme em abrir caminhos pra chegada de um(a) irmãozinho(a) pro Gutão. Venho sonhando com bebê há alguns dias. Um bebezão forte, branquinho, tão lindo. Não sei se é menino ou menina, não me importa. Só sei que é um bebê saudável, que sorri, que parece feliz. Que mama no meu peito com uma vontade doida!!! Diferente do Gutão, meu amadinho, que, de tão pequeninho, teve que aprender na marra a mamar no peito. Coisa bem boa sentir essa energia por perto. Energia de renovação. Novos ciclos chegando. Bem-vindo, senhor "tempo" (será que dá pra me dar mais umas horinhas de sono no dia, hein?!).
posted by JULIANA DE MARI 12:39 PM


Terça-feira, Setembro 18, 2007


Peixinho


Filhote teve a segunda aula de natação hoje. E eu tive a felicidade de estar lá pra ver. Gutão foi com a babá, fez o aquecimento e, quando eu cheguei, já estava na água. Sai mais cedo do trabalho e às 17h30 estava lá, de nariz grudado na janelona de vidro, dando gritinhos de emoção cada vez que Gutão ensaiava um mergulho. Ai, que mãe canceriana é um mico!!!! Passei a meia hora seguinte exultando de alegria ao ver que Gutão simplesmente a-do-ra a piscina. Eu achava que ele ia resistir mais à idéia de mergulhar (ele detesta molhar os olhos quando lava a cabeça...), mas ele me surpreendeu. Não só tenta, como levanta a cabeça com um sorriso no rosto. E nadar de costas, então?? (com ajuda da professora, logicamente) Filhote já tinha feito comigo, repetiu com a professora hoje e adorou. Jájá vai estar boiando, que coisa linda!!

Encontrei a Rê na academia. Minha amiga disciplinada que faz Pilates e cuida do corpitcho tanto quanto da alma (eu PRECISO criar vergonha na cara e me matricular em alguma coisa, qualquer coisa. Antes que perca definitivamente a coragem de colocar um biquini...). O Theo tava na piscina com Gutão. Todo feliz. Dá mergulhos empinando o bumbum!!! Só estavam os dois e uma menininha muito engraçadinha, chamada Thaís. O banho hoje foi mais civilizado e eu não levei chuveirada. Gutão até deixou a Rê (ama essa Rê, meu Deus do céu!!!) secar o cabelo dele antes de virmos embora. Ficou com cabelo a la Ronnie Vonn, como a Rê batizou o modelito dele e do Theo pós-piscina, hahahaaaa.

Chegamos em casa felizes. Gutão tomou a sopinha toda e comeu morangos de sobremesa. Eu ganhei um "amo você" totalmente espontâneo há cinco minutos e tou aqui em estado de graça. Que coisa boa, meu filho!! Que alegria poder viver esses teus primeiros e tão importantes momentos de descobertas na vida. A piscina virou farra e eu, a cada pernada tua, lembro de como me sentia bem quando tinha um pouquinho mais que a tua idade e estava na água. Só que, na minha época, a piscina era olímpica, a professora era uma chata e a aula parecia mais uma competição. Não era essa alegria de se exercitar e brincar ao mesmo tempo que você tem a felicidade de vivenciar agora. Como eu te disse, agora há pouco, um dia, ainda vamos nadar nós três, eu, você e o papai. Os três peixões da casa. Já pensou? :)


posted by JULIANA DE MARI 8:06 PM


Domingo, Setembro 16, 2007


Nós dois


O Rô viajou ontem. Foi pra Londres (a trabalho -- e com uma lista enooorme de "mimos" do freeshop pra me trazer!). Praticamente um bate-e-volta. Volta na quarta. Antes de viajar, ainda deu tempo de irmos almoçar com o Ale e a Evelyn, e o querido Enrico, a Patty e o Julio, e o Pedroca, a Dani e o Duda (sem o Miguel e a Nina, que ficaram em casa dormindo) e a Tita. Foi um almoço gostoso, embora Gutão não tenha se concentrado na comida. Também, com o lindo dia de sol e o adorável jardim do restaurante, ele tinha razão pra ficar perambulando.

O Rô embarcou às 16h, hora em que eu e Gutão capotamos pra soneca do sabadão. Eu levantei às seis, fiz as compras (sou adepta do supermercado virtual) e chamei fihote pra jantar às sete. Ele levantou reclamando de dor de barriga. Desde ontem reclama, aliás. Mas tá com coco Ok, fazendo apenas uma vez por dia. Tá sob observação "materna". Terminamos o sabadão na Fnac. Comprei o CD novo da Vanessa da Mata pra mim e dois livrinhos bacaninhas pra filhote (um deles é da Ruth Costa -- Tenho medo, mas dou um jeito). Gutão pediu pra comer pão de queijo e lá fomos ao lanche. Filhote comeu meia-boca outra vez. Já eu...devorei um sanduba de pão sírio com frango e requeijão -- light, vai.

Dormimos juntinhos (Gutão me chuta a noite inteira, é uma coisa!), com o trato de acordarmos às oito no domingo. Hã-hã. Gutão acordou às seis. Consegui enrolar o menino por mais dez minutos e pronto. Ele pulou da cama, ganhou leitinho e ficou vendo filminho do Backyardigans, enquanto eu tirei mais meia hora de descanso. Ninguém merece acordar tão cedo no domingão, vamos combinar...Bom, quando acordei mesmo, filhote tinha feito um coco fedidão, de aparência um pouco mais pastosa que de costume, mas nada muito alarmante. Quis comer maçã e um pedacinho de bolo de limão. Depois, foi pro banho (ontem escapou -- um horror isso, eu sei, mas tem sábado que Gutão fica sem banho mesmo...). Às onze, depois de um alô londrino do Rô, saímos de casa. Fomos pro shopping, almoçar e comprar ingressos pro cinema. Gutão há tempos pedia pra ver o filme da Turma da Mônica e lá fomos nós. Almoçamos franguinho com arroz branco no japonês. Filhote só quis o frango. E cada vez que eu sugeria mais uma colherada, ele dizia que a barriga tava doendo. Comeu que nem um passarinho. Entramos no cinema às 12h40. Só eu e ele e mais um casal com uma menininha. Deu até dó ver aquela sala vazia.

Gutão adorou o filme. A história é "viajante" e meio difícil pra crianças da idade dele acompanharem porque acontecem várias coisas ao mesmo tempo. Mas ele encarou cada passagem dessas como uma nova aventura e ficava a toda hora perguntando se tinha mais. Mônica, Magali, Cascão e Cebolinha viajam no tempo pra resgatar os quatro elementos (terra, ar, fogo e água) que se perdem em uma experiência do Franjinha. O desenho é perfeito e me deu a maior saudade dos meus tempos de criança. Eu sempre gostei da Turma da Mônica. Foram os primeiros gibis que li e foi a última boneca que ganhei, de escolha própria!, aos 16 anos!

Depois do cinema, pernadinha no shopping, claaaaaro. Eu quis dar um Croc pro Gutão, aquele sapatinho de borracha hiper-mega macio, mas ele não curtiu a idéia. O de número 26 ficou sambando no pé e o de número 25 apertou. Saímos da loja com uma havaianas de "surfista" pra ele (que colocou no pé na hora!) e uma listrada, linda, pra mim. Do shopping, passamos no supermercado. Lembrei que filhote tem aula de culinária na escola amanhã e precisa levar um maço de hortelã. Gutão me ajudou empurrando o carrinho e colocou suas compras: a hortelã, um pacote de ovos de codorna, um de tomate e duas caixinhas de morango. Aprovado! :) Também comprei uma garrafa de água de coco, tirada na hora, pra ver se ajuda na dita dor de barriga.

Filhote não dormiu à tarde. Preferiu ver desenho. Na hora em que o sol estava se pondo, descemos pra tirar fotos e ver o carrinho de controle remoto fazer acrobacias no térreo. O tempo virou, começou a ventar e subimos logo. Na hora da janta, resmungo e "tou com dor de barriga" novamente. Tou começando a achar que isso é truque pra não comer, sabe? Esses dias, aliás, tem sido bem estressante estar à mesa com Gutão. Não sei se é só comigo, parece, mas a hora da comida é uma "guerra". Gutão se distrai, brinca, faz bico, mesmo quando tá com fome, mesmo quando come o prato todo. Acho que é meio culpa nossa também, por não tê-lo estimulado desde bem pequeninho a comer sozinho...Mas sabe como é que é, cada mãe tem suas neuras e eu "tinha" essa coisa de que ele era muito magrelinho, que precisava se alimentar bem e tal e coisa e acabei não incentivando total autonomia na hora da comida. Se bem que sobremesas (frutas, gelatina, bolo, biscoito e etc), Gutão come sozinho. É com comida, comida mesmo que acontece o drama. Vamos ver como é que essa dor de barriga evolui pra amanhã e vamos encarar essa necessidade de ensinar filhote a se alimentar sozinho, nem que pra isso seja preciso deixá-lo passar fome alguns dias, ai!

Falando em encarar, tem também o coco. Que Gutão só faz na fralda. Não tem Cristo, nem apelo, nem tática que o faça fazer na privada ou no pinico. Desencanei e combinei com ele que, no final do ano, quando o verão chegar, ele não usa mais fralda -- nem pra dormir à noite, nem pra fazer coco. Ele tem repetido que vai fazer coco na privada quando fizer quatro anos. É engraçado isso, porque ele domina super o xixi e não usa fralda durante o dia, nem pra tirar soneca. E tem dias que chega a dormir três horas seguidas. Outros, quando dá vontade de fazer xixi, levanta, faz e volta a dormir. Só à noite que faz um montão na fralda, mesmo com o ritual do último xixi antes de deitar e tudo o mais. De novo, cada criança tem seu ritmo e cada uma tem mais dificuldade com uma ou outra coisa, né? É ter paciência, seguir tentando, incentivando, mas sem botar pressão demais.

Aliás, eu não tenho nada o que reclamar desse Gutão. Só tenho motivos do que me orgulhar. É doce, educado, carinhoso, alegre, inteligente, o meu menino. Diz "obrigado" e "por favor" de um jeitinho tão lindo que emociona. Tá com o rostinho roxo, embaixo dos olhos. Parece que levou um soco, tadinho. Trombada com o melhor amigo na escola na segunda-feira. E pra todo mundo que pergunta o que aconteceu, ele diz: "Foi uma trombada no Rafa, o meu melhor amigo".

És feliz, meu filho?? Tomara. Eu só sei que eu sou. Porque sou tua mãe, meu branquelo cheiroso. Meu filhote amado. Meu Picolino. Meu Tantão, lindão. Te amo!

PS: Gutão ontem me acompanhou ao salão. Fiz a mão, enquanto ele brincava na mesinha ao lado com o Caillou. Até que ele avistou o cabelo de uma manicure que usa umas trancinhas daquelas tipo dreadlock, seilá, acho que são de náilon. E soltou: "Mamãe, o cabelo daquela moça é de lã?". Eu não consegui me controlar, ri até. E pra explicar pra ele o que era?? :)


posted by JULIANA DE MARI 7:26 PM


Sexta-feira, Setembro 14, 2007


Filho de peixe...


Hoje tirei o dia de folga. Venho de uma correria pra lá de estressante no trabalho e me dei o direito de ficar em casa. Isso porque já "entreguei" o que devia, logicamente. O Guia das 150 Melhores Empresas para Trabalhar e a revista de setembro já estão nas bancas, hein, pessoal?! Pois bem, hoje dormi até mais tarde, busquei Gutão, lindão na escola, almocei com uma amiga e levei Gutão na natação. Aula-teste, junto o Theo, da Rê, que é habituée da escola e foi acompanhar o amigo iniciante.

O Rô foi comigo. Gutão entrou na salinha de "aquecimento" sem pestanejar. Fez todo circuito terrestre alegre, alegre -- entrou e saiu do túnel, escorregou, deu pulões. Depois de 15 minutos dessa farra, foi pra piscina. Aguinha quente, filhote animado, professora mais ainda. Engraçado é que ela perguntou o nome do pequeno e ele disse que era Augusto. Ela quis chamar de Guto. E o Theo protestou: "É Gutão". Adorei!!! Meia hora de bate perna, fazendo bolhinhas, tentando mergulhar. Gutão aceitou a sugestão da "tia" e tentou três mergulhos. Que coisa linda, meu filho! Que emoção!! Nem preciso dizer que eu e o Rô ficamos super emocionados, tiramos um monte de fotos e babamos no nosso pequeno peixinho. O Theo, então, nem se fala. Já nada praticamente meia piscina sozinho! Que lindo, Rê! Decidimos que Gutão vai, sim, fazer natação na mesma turminha do Theo, duas vezes por semana. Delícia!!

Depois da aula, banho e sapequice: Gutão me molhou inteira. Sai do vestuário completamente molhada. E filhote achando o máximo! Os meninos ganharam balinha Tic-Tac (vício aqui em casa!) e pãozinho de queijo. E demos carona pro Theo e pra babá na volta e combinamos alguma coisa juntos pro final de semana. Vamos ver se vai dar pracinha.

Gutão tá aqui, cansadinho. Efeito piscina mais dor de barriga. Desde cedo ele tá reclamando de uma dorzinha na barriga. Já fez dois cocos (ainda faz na fralda, haja!), mas não percebi nada "anormal". Tá meio quentinho, eu achei. Já tentei dar chá, mas ele realmente não gosta. Desde pequenininho rejeita. Dei também um pouco de Luftal agora. Espero que seja apenas "pum" encalhado. Vamos ver como vai ser a noite.


posted by JULIANA DE MARI 8:20 PM


Sábado, Setembro 08, 2007


Intensivão da Mic!


Mic e sua trupe chegaram a Sampa na quinta à noite, depois de seis (longas, né, Mic?!) horas de viagem de carro. Fomos lá na casa do Chrys, irmão dela, na quinta mesmo, levar o berço desmontável e o carrinho pra Juju, querida. Ai, que menina encantadora! Que pernocas gorduchas, que sorriso banguela tão simpático, que meiguice. Foi paixão à primeira vista! Juju tava agitadinha, mas com sono, sabe aquele momento que o nenê não quer dar o braço a torcer? Pois bem, Juju tava assim, excitada e cansada. Mas não rejeitou meu colo. Ao contrário. Veio comigo, encostou a cabecinha, passeou as mãozinhas no meu rosto e me encheu de sorrisos, tão lindinha. Quase me deu a glória de tomar mamadeira no meu colo. Eu, toda desajeita, já que nunca fiz isso com Gutão (para quem não lembra, Gutão não tomou mamadeira. Foi do peito direto pro copinho e não largou mais). Enquanto isso, Gutão e Rafa faziam a farra na garagem do tio Chrys. E a Mic, na capa do Batman!, dava coordenadas ao telefone pra Bete (a babá, que veio de ônibus) e o Dani (o marido, que chegou de Brasília na sexta na hora do almoço). A criançada comeu Bis, quis encher os balões que a Mic trouxe e deu sinais de vencimento às onze da noite.

Na sexta, tivemos encontro na pracinha com a Rê e o Theo e mais uma amiga de blog da Mic, a Alê com o Mateus. Era pra ser um "encontrão" das blogueiras, mas acho que o feriado não colaborou. Muita gente deve ter aproveitado o tempo bom pra viajar, né? Bom, ficamos nós pra nossa "matraqueada" básica. Rafinha tava cansado e capotou no colo da Mic, que continuava de pára-choque baixo por causa da epopéia viagem de carro + crianças + parada pra trocar fralda e tal e coisa. O Rô foi levá-los pra casa do Chrys pouco depois que nós chegamos. A Alê também foi embora em seguida. Eu e a Rê ficamos lá, tomando chimarrão, dando risada com nossos pequenos e combinando o teste de maquiagem que vamos fazer semana que vem (eu tenho um evento e a Rê vai me maquiar, chiquérrima!). Uma da tarde, nos reunimos novamente pra almoçar. Fomos em um restaurante italiano aqui na Vila mesmo. Comida boa e barata e espaço pra entretimento dos meninos. À mesa, Mic e Dani, eu e o Rô, a irmã da Mic e o marido, o Chrys e a Rê. Theo e Gutão deram três garfadas no espaguete e foram brincar de polícia e sei lá mais o que no fundo do restaurante. Volta e meia eu só ouvia um "mamãe" e uma reclamação do Gutão, mas até que a brincadeira no restaurante rendeu.

À noite, repeteco do encontro aqui em casa. Pra pizzada que já virou tradição! Só faltou a Juju, que dormiu e não ia mesmo aguentar a bagunça. Rafinha, Gutão e Theo se deram bem. Brincaram de skate, assistiram ao DVD do Bob Esponja e comeram salgadinho juntos. Mas...as horas foram passando e os humores foram mudando. No final, Theo e Gutão se desentenderam. E Gutão soltou o tradicional "nunca mais vou ser amigo do Theo" e o Theo chorou também. Alguns minutos depois, estavam lá sorrindo e dando tchauzinho na porta do elevador. Amigo que é amigo ama, odeia, perdoa e começa tudo de novo, né? Nós, as mães da casa, nos revezamos no "atendimento" ao "mamãe, vem aqui". Tomamos lambrusco, fizemos caras e bocas pras fotos e falamos da vida. Papo de marido, sogra, vida dura de mulher multi-função. Sim, porque, vamos combinar, só mulher pra ter mil e uma utilidades. Homem que é homem faz uma coisa de cada vez e olhe lá! :) O Rô e o Dani, graças a Deus, embarcaram nas conversas e nos ajudaram a tornar a polêmica mais divertidas.

Hoje, sabadão de sol, fomos tomar banho de piscina "Regan" na casa do tio Chrys. Quer dizer, as crianças tomaram banho de piscina. E o Rô, que não pode ver água que já vai se jogando, né, meu amor?! Foi uma delícia. Gutão a-do-rou! Entrou na água fria sem pestanejar e não saiu mais até a hora em que viemos almoçar. Aliás, saiu só pra comer pipoca. Inventou de comer com a boca direto do prato, gerou "moda" entre os outros dois moleques e nos ajudou a fazer fotos hilárias do trio!!! Filhote capotou depois do almoço e nem conseguiu acordar pro último encontro com a Mic na pracinha, no final da tarde. Fui lá eu, antes de sair correndo pra fazer a mão e a sobrancelha!, dar tchau pra família e dar beijo na Rê, no Theo, no Emílio e na dinda Dani, no Miguel e na Nina. O tempo meio que virou, tava um ventinho frio e a Juju foi a única que se deu bem, com seu casaquinho cor-de-rosa e sua meia de pé de bailarina (Mic, adorei!). Passei literais cinco minutos na pracinha, infelizmente. E já fiquei com saudades e pensando no próximo encontrão da trupe. Será que, da próxima, a gente consegue ir ao Rio, hein? :)

Mic, boa viagem de volta e vê se descansa aí no domingão!!!!
posted by JULIANA DE MARI 9:03 PM


Quarta-feira, Agosto 22, 2007


Os bons amigos


Correria doida no trabalho. Muito assunto pra registrar, mas total falta de tempo pra teclar. Vou tentar. Senta que lá vem história!

- Gutão e Theo se redescobriram melhores amigos. Eu e a Rê nos reafirmamos melhores amigas.
Passamos um final de semana delicioso na companhia de mãe, filho -- e avó a tiracolo. No sábado, fomos em supermercado de "bicho" e vimos coelhinhos, araras, ratinhos e outros bichinhos que fizeram a alegria dos meninos (eu, na minha versão turista, cheia de bolsas e máquina fotográfica a tiracolo!), almoçamos num natureba (e Gutão comeu lasanha de brócolis e arroz integral com cenoura e nem reclamou!), passeamos numa lojinha linda de artesanato e coisas fofas pra casa (e eu escapuli pra comprar o presente de aniversário da Rê sem ela perceber!). Chegamos em casa, eu e meu Gutão, e capotamos por três horas seguidas, agarradinhos na minha cama (é que o Rô tava em Floripa, no casamento de um amigo). À noite, brincamos um bocadão, vimos filminho juntos e dormimos, novamente, os dois, na cama de casal (coisa bem boa dormir sentindo aquele cheirinho!). No domingo, Gutão acordou "cedíssimo", pra variar (sete da matina o danado já tá de olhos completamente abertos, todo falante, demanando atividade) e eu não tive dúvidas: fomos pro supermercado.

Fazia séculos que eu não entrava em um. É que a gente viciou em fazer super pela internet. É mais rápido, mais fácil e a lista não cresce -- não tem tentação na rede. Quer dizer, ter tem, mas é mais difícil de achar, a tentação não pula da prateleira na sua cara, né? Bom, o caso é que nosso computador travou e o acesso a internet não rolou de jeito nenhum. Pra não ficar sem comida na segunda e pra ter o que fazer com Gutão no domingo, fomos lá, fazer compras. Filhote amou! Pegou um carrinho pequeninho só pra ele e encheu de coisas que escolheu (bolinho Ana Maria, um melão, uma garrafa de suco, um jacaré de plástico, uma caixinha de morangos e um pacote de miojo -- hahaahahahaaa). Foi super companheiro, não deu chilique, me ajudou a pegar as coisas da nossa lista e curtiu mesmo o processo de escolher, ver o preço e tal e coisa. Só não gostou na hora que chegou no caixa e tiveram que embalar as coisas dele. Putz, Gutão odeia colocar as coisas em sacola. E aí, brigou com a moça do caixa pra deixar as coisas dele do lado de fora. Eu tive que usar de muita lábia pra convencer o baixinho que não dava pra gente levar pra casa tudo aquilo sem estar devidamente empacotado (detalhe: eu moro no 16º andar, esqueci o cartão que libera o carrinho de compras da garagem, tive que encher o elevador de sacola sozinha -- eram umas 30, sei lá -- e filhote ficou segurando a porta do dito, todo prosa, todo orgulhoso de ter uma "função" e poder me ajudar).

Antes de voltar pra casa, parei na pracinha da Fnac pra dar uma voltinha na feirinha que acontece ali todo domingo. Tinha um palco montado e um pessoal tocando chorinho. Gutão quis ouvir. Gosta de música, esse menino, coisa boa. Ficamos ali um tempinho até que avistei, coincidentemente, a Rê, o Theo e a vó Vera. E os meninos adoraram se encontrar. E foram correr por cima das raízes das árvores e gritar e transformar plantinhas em espadas. Depois da pracinha, almoço em casa e passeio no shopping pra tomar sorvete com o Theo. Roubada no ano, já que pegamos um puta trânsito no caminho. Mas valeu, como valeu. Os meninos, tão queridos, andaram de carrossel (e eu, que adoro carrossel, quase choro com a cena, lamentando profundamente não estar ali com minha máquina pra registrar aquela alegria, aquela deliciosa sensação de ter um amigo pra compartilhar dos bons momentos da vida). Depois do cavalinho, um estressezinho básico na hora do sorvete. Theo brigou com Gutão que fez bico pro Theo -- e em cinco minutos, tudo se resolveu e eles já estavam correndo e pulando e dando risada novamente. Depois do shopping e de um trânsito mega-monstro por causa do jogo do Palmeiras, Gutão ainda aceitou o convite do amigo pra ir brincar na casa dele. E lá fomos nós, dar overdose na Rê!!!! Filhote ficou encantado com o trenzinho do Theo. Eu e a Rê rimos e matracamos e comemos um balde de pipoca e salgadinho integral que compramos na casa natureba no sábado. Saímos de lá no finzinho da tarde com a certeza de que teremos outras, muitas, tardes tão gostosas quanto essa (e, no sete de setembro, com a Mic e tchurma junto!!!).

posted by JULIANA DE MARI 10:46 PM


Domingo, Agosto 12, 2007


O dia deles


Gutão e o Rô comemoraram o dia dos pais ontem, sabadão de sol em Sampa. Junto com a turminha da escola, fizeram um passeio ciclístico no parque Villa-Lobos. Filhote levou sua bicicleta amarela (a "moto", na versão dele) e o Rô alugou uma bike por lá. Seguiram com a criançada e seus respectivos pais por toda a volta do parque. E Gutão pedalando sem parar. Diz o Rô que o menino "puxou" a corrida, sempre à frente, sempre acelerado. Enquanto eles se divertiam a dois, eu aproveitei pra procurar um presente pro Rô. Foi uma lembrancinha --utilíssima!-- este ano: uma caneca pra tomar café. Acompanhada de um cartãozinho "escrito" pelo Gutão (que escreveu, na língua dele: "a corrida foi demais, papai"). Também aproveitei pra passar na liquidação da Santa Paciência (rua Girassol, Vila Madalena) e renovar as camisetas do Gutão. Saí de lá com várias, lindas, descoladas, tamanho 4 e por 60% do preço original! Minha manhã terminou no salão: pé e mão pra me sentir cuidando minimamente desse corpinho.

Os "meninos" da casa chegaram exautos. O Rô descansou 20 minutinhos depois do almoço e filhote foi se aninhar do lado dele pra soneca da casa. Antes disso, eu avisei que o papai e a mamãe iam sair à tarde e que a Bá ia ficar com ele. Que a gente tava precisando desse tempinho a dois pra namorar um pouquinho. Gutão ficou todo espantado: "namorar? eu não quero que vocês namorem". Essa é boa! Eu expliquei que o papai e a mamãe se amam e gostam de conversar, passear, e que isso é namorar. Filhote pediu pra eu não ir, mas, de tão cansado do passeio de bike, não conseguiu insistir. Tava roncando lá na nossa cama, quando eu e o Rô saímos pro cinema. Pra combinar com o clima "dia dos pais", assistimos ao argentino "As Leis de Família". Um belo filme, que fala da relação pais e filhos e do quanto a comunicação pode acontecer "sem palavras". Depois do cinema, uma voltinha nas Pernambucanas pra renovar o enxoval da babá que vai dormir em casa. Sim, consegui!!! A moça começa dia 20, graças a Deus. Eu e o Rô estamos parecendo criança: fazendo mil e um planos pra quando a dita chegar. Ah, isso eu aprendi e faço questão de repassar adiante: quem pode, deve, sim, ter babá dormindo em casa desde a primeira noite do filho em casa.

Hoje, domingão geladinho, filhote e o Rô começaram o dia jogando bola na quadrinha verde, o mini-mini-campo de futebol aqui do prédio. Eu fiquei na cama até um pouco mais tarde, dor de cabeça lancinante, que só quem tem enxaqueca consegue avaliar...Fomos almoçar num restaurante italiano, escolhido pelo Rô. Tava lotado, obviamente, mas a hostess, muito atenciosa, nos pegou na saída e ofereceu uma mesa na área de espera (se sensibilizou com a cara de fome e sono do Gutão, eu acho!). Foi ótimo porque o sol surgiu e nós ficamos ali, a três, saboreando nosso dia juntos. Gutão devorou o pão italiano e não quis comer nenhuma garfada de sua massa à bolonhesa. Eu pedi uma massa com linguiça, mas acabei comendo o prato do Rô (hahahaaa): massa feita de cacau com molho branco e presunto cru, uma delícia. A boa veio na hora da sobremesa. Eu pedi um tiramissú e o Rô um tipo de sorvete italiano de chocolate. Gutão cresceu os olhos, claaaaro. E o Rô deu uma ralhada básica, perguntando se ele só tinha fome pra comer doce. Ao que ele respondeu: "Eu não tava com fome, mas tou com vontade de comer doce". Figuraça, esse menino!

À tarde, dormimos juntos. O Rô acordou primeiro pra ver o jogo do Grêmio. Filhote levantou em seguida. E eu saí por último pra me deparar com uma cena ótima. Gutão, esparramado no Futon, um pote de pipoca do lado, vendo um filme de "criança maiorzinha", nas palavras dele. Aquele filme dos espiões mirins, filhos do Antonio Banderas, sabe?

Filhote segue fazendo e dizendo cada uma que nos deixa surpresos e nos rouba muito sorrisos. Deu de usar "Que nada, mamãe" quando quer dizer que estou errada em alguma coisa. Também diz assim, pra mostrar alguma coisa; "Olha lá, onde tá, na direção do meu dedo". E agora há pouco, na hora do banho, filhote enrolando pra sair do chuveiro, eu, pedindo pela milionésima vez pra ele sair pra se enxugar, ele manda, todo bicudo: "Eu odeio quando você fala essas coisas" (hahahaaaaaaaaa!).
E semana passada, depois da visita da Nina e do Miguel, eu comento que a Nina tava tentando botar a sandália dele no pé, mas não conseguiu porque o pé dela é metade do dele. E ele: "Então, meu pé é inteiro?". Adoooorei! E, dia desses, o Rô até anotou, o pai pergunta: "Tá chateado com o que, Gutão?". E Gutão responde: "Tô chateado com meu cérebro". O que será que isso quer dizer? :)

Só sei que esse filhote é muito amado e que o pai desse filhote é mais amado ainda. Rô, feliz dia dos pais! Tu é o melhor pai que o Gutão poderia ter no mundo e eu vou ficar muito feliz se o(a) nosso(a) próximo(a) vier com tua marca registrada outra vez: esse sorriso escancarado, essa alegria de viver. Te amo, mi amor!

posted by JULIANA DE MARI 10:10 PM


Sábado, Agosto 04, 2007


Figuraça


Ontem à noite, eu e o Rô jantando na mesa da cozinha e filhote por ali, fazendo das suas pra chamar atenção. Até que o Rô pede pra ele me contar o que tava fazendo na escola quando o papai deu tchau. Dá a dica do Carrossel e pede pra filhote falar disso. E Gutão manda, todo faceiro: "Não era carrossel, papai. Era uma nave com uma roda beeem grande". E solta uma risada. E manda outra: "Entendeu a piada, papai?". E gargalha de olhos fechados! Figuraça!!!

Depois do jantar, dor de cabeça crescendo e um mal estar que me fez acreditar que eu ia desmaiar, o Rô me levou pra repousar na cama e trouxe Gutão pra conversar com a gente. Gutão, como era de se esperar, fez uma zona: se jogou em cima do pai, dizendo que tava nadando; pulou como se estivesse em uma cama elástica; esticou minhas bochechas até quase rasgar as ditas, achando a maior graça!, e por aí vai. Até que o Rô pega no sono (como consegue no meio de uma bagunça dessas?!). E filhote, obviamente, não se conforma. Enfia a cabeça no edredon, pede pra eu fazer o mesmo, e, de repente, levanta e "buuu". Dá um grito de assustar nos ouvidos do pai. Que se assusta, logicamente. E dá uma mini-bronca no menino. Que, faceiro que só ele, deita a cabeça em cima de mim, abre uma risadinha e "rrrrrrrrrrrrrrooooonca", como se estivesse no décimo sono!!! hahhaaaaaaaaa Não aguentamos essa, demos muita risada e muitos beijos nesse Gutão, lindão.

posted by JULIANA DE MARI 12:18 PM


Terça-feira, Julho 31, 2007


Friaca


Esses últimos dias gelaram a alma. Não me lembro de ter vivido um frio tão intenso desde que me mudei pra Sampa oito anos atrás. Os termômetros marcaram oito graus (ou menos!) à noite. Nossa casa, "fresca" por natureza, virou uma geladeira. E Gutão dormiu três noites seguidas entre nós, literalmente. Não tive coragem de deixar meu amadinho dormindo sozinho em seu quarto gelado (o aquecedor, com a porta aberta, é paliativo...). Como sei que ele se mexe pra caramba e não há truque de prender cobertor que dê jeito, preferi dormir torta e esmagada outra vez a senti-lo de orelhinhas geladas no meio da noite. O Rô concordou e nós fizemos nosso "ninho" quentinho com o cobertor de "vaca" (um peludão que o Rô me deu de aniver no ano passado) e a forcinha do novo aquecedor a óleo. Sim, compramos esse depois da roubada de comprar um elétrico pela internet, ou seja, sem testar, e ver o troço parecer um holofote de tanta luz ao ser ligado. Micão!

As aulas de segundo semestre do Gutão recomeçaram ontem, mas filhote ficou em casa. Ficou ontem e hoje, na verdade. Ah, não, mandar criança pra rua com esse frio de doer os ossos é covardia. Aos três anos, se não há motivo nem urgência, não há agenda que seja mais importante do que o aconchego da casa da gente, né? Gutão faltou ao primeiro dia de aula sem culpa, nem minha nem dele. Aliás, ele adorou. Recebeu encomenda da bivó Vandelina ao acordar na segunda: uma caixinha com um ratinho de brinquedo, desses que a gente puxa o rabo e ele sai andando pela casa, e uma escavadeira. Amou, lógico. Tanto que quebrou o rabo do rato meia hora depois! A bivó mandou os brinquedos com uma cartinha lindinha. Dizia estar com saudades e contava que o nome do ratinho era Ulisses. Gutão cismou. Disse que não gosta desse nome. E escolheu outro pra batizar o novo amigo: "Rói". Bem apropriado! Depois dos presentes surpresa, filhote passou a manhã brincando na casa de um amiguinho do prédio, o Lucas, recém-chegado de viagem. E hoje foi o Lucas quem veio brincar aqui.

Fez tanto frio que, domingo, tivemos que ir no shopping de emergência pra comprar blusa de lã pro Gutão. Sorte é que a Chicco tava em promoção, tipo bota-fora de inverno, e eu achei o que procurava por um precinho camarada. Filhote perdeu muita roupa nos últimos meses. Usou bastante coisa tamanho 2, aproveitei até onde deu. Tem marcas, como Tyrol (que compro nas liquidações da vida), que usam modelagem grande e isso é ótimo, pois Gutão é um menino, digamos, "mignon". Mas agora não tá dando. Filhote tá crescendo e o guarda-roupa precisa acompanhar. Amanhã, aliás, preciso passar na fábrica que vende os uniformes da escola pra encomendar TUDO novo: moletom, calça, camisa manga longa, camiseta, short...Tá tudo pequeno, coitado. Tou prevendo a facada, mas não tem o que fazer. Prefiro assim: uma escola com uniforme -- melhor detoná-lo a usar as roupas "de casa" pra lambança.

Gutão já foi dormir. Tá debaixo do cobertor "de nuvem", fofinho e azulzinho, e enroscadinho na Pig. (A velha, que, pra 'não passar frio' tá toda enrolada em uma camisetinha que era dele quando bebê. A nova, filhote renegou. Hahahaha.) Eu tou indo deitar em seguida. O Rô foi jogar bola. O frio, parece, tá amenizando. Continua gelado, mas a alma vai reaquecendo. Semana passada, tive dias péssimos no trabalho. Tudo acontecendo ao mesmo tempo agora. Essa semana começou com mais alguns sustos. Mas hoje retomei minha fé e meu foco. Tenho aprendido, na marra, a ser resiliente e estou tentando entender os recados cifrados que a vida me dá. E a lição número um é: tudo tem seu tempo.

Nesse exato momento, é hora de descansar. Como Gutão gosta de me dizer antes de fechar os olhinhos, "boa noitinha".

posted by JULIANA DE MARI 11:20 PM


Sábado, Julho 28, 2007


O mundo do Gutão


Gutão fala. Muito. E brinca. Muito. E cria histórias com contextos bem reais. É a nave que vai pra "Marte", é a moto que vai ultrapassar o sinal vermelho, é o bombeiro que vai salvar alguém. Não é dado a fantasiar por fantasiar, no sentido de criar histórias sem pé nem cabeça. As histórias dele têm "roteiro" bem construído, sabe? É curioso ver como a cabecinha dele funciona e é curioso também perceber que não há duas crianças (pra não dizer, duas pessoas) iguais no mundo. Tenho filhos de amigas que são o exato oposto do meu: o que curtem é criar histórias de cavaleiros, de castelos, de um mundo "paralelo". Gutão, não. Gutão é real. Reproduz o mundo real em suas brincadeiras. E brinca muuuuuuuito. E gosta de brincar falando. Conta o que vai fazer, quem vai encontrar, reproduz sons, troca de voz pra dar vez a seus bonequinhos, enche a casa com seus sons. Eu fico lá na cama, em meus dez minutinhos diários a mais antes de levantar pela manhã, e só ouço Gutão matraqueando. É meu momentinho de paz diário. Dou risada sozinha e já acordo um tantinho mais feliz.

Gutão fala. E diz cada uma que nos arranca risadas. Deu de usar umas expressões mui engraçadas pra reforçar seus argumentos. Do tipo: "além disso", "eu já disse que blablablá", "escuta uma coisa" e por aí vai. Também tá com fixação pelos números. Já os reconhece e pergunta, a toda hora, quanto é dois mais quatro, ou três mais cinco. Não no sentido de soma. Quer saber qual é o número que dá quando juntamos "três e um" junto, sabe? E aprendeu a contar até 20 agora. Só que, toda vez, enfia um 40 depois do 12, não tem jeito! hahaaaaaaa

Filhote também tem oscilado em relação ao humor. Tem dias que assume que está com a pá virada e diz: "Acordei mal humorado hoje". E aí, sai de perto porque o bichinho fica realmente um limãozinho de tão azedo. É coerente, esse meu filho. Diz o que sente e age de acordo com isso! Tem dias, por sua vez, que sai dizendo aos quatro ventos que acordou feliz. Aí, é aquela alegria. Um termômetro pra saber o quanto ele está bem ou mal humorado no dia é o tanto que ele fala quando ele acorda. Aliás, Gutão assumiu de vez que adora acordar cedo. Diz assim: "Eu adooooooro acordar cedíssimo". Putz, é no superlativo!! Tou ferrada! :) Falando sério, filhote tem uma energia impressionante. Seu novo slogan é: "Mamãe eu sou muito energioso". Acho que herdou do pai, só pode ser. Eu sou preguiçosa (no bom sentido, vejam bem!) assumida. E sou vespertina. Adoro minha cama, adoro dormir, não sinto culpa alguma de passar 10 horas no meu cantinho quentinho e não sinto mesmo necessidade de estar em movimento o tempo inteiro. Minha maior necessidade e minha maior atividade não é física, é mental. Mentalmente, não páro um só minuto. Penso, repenso, reflito, analiso, racionalizo. Mas não sinto necessidade de fazer isso andando, por exemplo! Posso fazer isso tranquilamente esparramada na minha cama! hahahaahaaaa

Estou desenvolvendo uma nova tese a respeito das noites maldormidas do meu filho: Gutão, de tanta energia que tem, não dorme direito. Não desliga. Reproduz no sono o que vivenciou durante o dia. Ou o que não vivenciou. Pode ser prepotência de mãe, mas acho que sente minha falta, sim, durante o dia e que manifesta isso durante a noite...Conversei bastante com a minha querida Rê Quintella (via messenger, porque pessoalmente nossas "agendas" andam complicadas) sobre isso, o caos "noturno". E ela me recomendou algumas ações que resolvi acatar. Anteontem dormi com filhote no quarto dele. Ele na cama dele, eu na bicama. Logicamente, Gutão amou a idéia. Tanto que não quis ficar na cama dele. Quis dormir "bem juntinho de você, mamãe". Amei, claro. Mas isso significou uma noite do cão, porque filhote dorme se esticando todo, chutando o lençol, resmungando, pelamordedeus. Quanta agitação! A certa altura da madrugada, num momento em que ele abriu os olhinhos pra pedir não sei o que, eu avisei que ia pular pra cama dele porque, assim, nós dois iríamos dormir melhor. Ele abraçou a Pig e me deu um "boa noitinha" como quem diz "vai lá, mãe."

Ontem, levei filhote pra trabalhar comigo. Passou umas três horas na Redação e virou o centro das atenções. Jogou bola, ganhou balinhas, desenhou, deu beijo nas meninas e etc etc. Pena que eu mesma não consegui dar tanta atenção pra ele. Essa foi uma semana de cão pra mim no trabalho e a sexta continuou trazendo problemas...Mas Gutão curtiu estar com os jornalistas. Trouxe ele pra casa na hora do almoço, comemos juntos e voltei pra trabalhar mais leve. À noite, foi a vez do Rô sugerir que Gutão dormisse comigo, só que na nossa queen size, hahhaaaaaaa. O Rô dormiu na cama do moleque e nós dois entramos debaixo das cobertas quase onze da noite (tem isso também, filhote não se entrega cedo, ai, ai, ai!). Filhote fez questão de dormir bem grudadinho em mim, dividindo travesseiro, e, mais uma vez, eu dormi tortinha da silva. Acordava a todo instante pra "desentortar" o moleque, tirar um pé que pressionava minha barriga, arrumar o lençol do figura...Mas valeu. Gutão acordou feliz. E vamos nessa, tentando de tudo um pouco pra ver se ele descobre que dormir é bom. O próximo passo é consultar o tal antroposófico ou um homeopata que receite um "equilibrador" das energias. Pra família.
posted by JULIANA DE MARI 1:51 PM


Segunda-feira, Julho 23, 2007


Vem mais por aí?


E segue a chuva em São Paulo. E a TV mostra que um pedaço da cabeceira da pista de Congonhas está prestes a desmoronar. E parece que a água que deveria ser devidamente drenada da pista acaba drenando é o barranco e o muro de contenção que separa o aeroporto da avenida Washington Luís. Alguém ainda tem dúvida de que esse aeroporto TEM que ser interditado?

Gente, vamos aderir ao boicote. Agora, até os pilotos da TAM e da Gol não querem mais descer em Congonhas. Por favor, que nós não percamos o direito à indignação. Nossos filhos MERECEM um país melhor. Nossos filhos MERECEM pais minimamente ativos. Nossos filhos MERECEM um futuro baseado no valor primordial: o valor que a VIDA tem.
posted by JULIANA DE MARI 6:18 PM


Domingo, Julho 22, 2007


Férias corridas


Gutão tá de férias. Passou duas semanas indo pro "curso de férias" da escola durante as manhãs. Agora, nas duas últimas semanas do mês, achamos por bem deixá-lo em casa. Foi legal que minha mãe ficou aqui alguns dias (três semanas com volta pra Recife na terça via Cumbica, graças a Deus!) e pode curtir um bocado o meninão. Aliás, Gutão deu uma canseira boa na vovó Ju! Tinha dias que eu chegava em casa à noite e estavam os dois "treinando" futebol na sala. :)

Quinta passada, Gutão recebeu uma amiguinha de sua turma em casa, a Ana Beatriz. Foi ele que escolheu convidá-la. Nós tentamos ligar pra outra amiga, a Kailani, a predileta, mas ela tava viajando. Aí, Gutão pediu a "Aninha", que veio com a mãe e passou a tarde encantada com os brinquedos do filhote. Sim, porque aqui tem carro e ferramenta pra tudo quanto é lado, né? E ela, a menininha, é dada a fantasias de princesa e bonecas, nunca tinha visto tanto carrinho de uma vez só! Mas uma coisa meu menino e aquela menina têm em comum: o gosto pelas histórias. Diz minha mãe que ela ficou impressionada com o tanto de livrinhos que Gutão tem. E que, juntos, eles olharam vários, que legal. Acho tão bacana essa coisa de receber os amigos do meu filho. Sei que ele é criança ainda, mas acho que é de pequeno que a gente fomenta essa "abertura". É de pequeno que a gente mostra que a nossa casa é território de encontro e que as portas vão estar sempre abertas pros nossos amigos.

Fico é um pouco triste de não estar de férias junto com Gutão (vou tirar duas semanas em outubro pra ir com ele pra Recife: batizado e um aninho da Bruninha!). Queria curtir mais meu filhote...Ele tá crescendo tão rápido e, às vezes, me bate a sensação de que não estou vivendo tudo o que poderia com ele, sabe? Culpa moderna ou culpa clássica? Acho que toda mãe tem dessas, não tem jeito. Tudo bem, tudo bem. O Rô pediu um final de semana na praia de presente de aniversário e, em 15 dias, se o tempo ajudar, estaremos curtindo juntos o barulho do mar e aquela calma que só a beira da praia nos traz.

Essa semana também vou levar Gutão no trabalho pra passar uma manhã comigo. Ele gosta tanto de ver "os jornalistas". Sexta passada, filhote foi no trabalho do Rô. Passou parte da manhã e da tarde por lá. Eles fizeram uma espécie de "team building" só com os filhos do pessoal da equipe, super idéia. Nem preciso dizer que Gutão saiu de casa excitadíssimo e amou estar lá, no trabalho do pai, cheio de amiguinhos, cheio de novidades, né? Filhote tem seus ataques de mau humor (quando diz que não quer ver ninguém, não quer falar com ninguém), mas é coisa de cinco minutos. Na maior parte do tempo, Gutão é um serzinho falante e sociável. E isso facilita um bocado a nossa vida de pais, viu? Porque "carregamos" filhote pra tudo quanto é lugar, e desde que ele era nenezinho, junto com a gente. Não tem essa de território proibido. Gutão sabe se comportar, curte nossos passeios, respeita nossos "combinados" e só começa mesmo a dar trabalho quando tá com sono -- ou quando alguma criança vem mexer nas coisas dele sem permissão -- ou seja, birras absolutamente normais para uma criança da idade dele! Eu vejo algumas amigas que não levam os filhos a restaurantes com medo da bagunça, não levam na casa dos amigos com medo da bagunça...Sei não, acho que aí quem tem mais problema que a criança são os pais. Dá trabalho educar, dar limite, ensinar, ensinar, ensinar...

Tenho pela frente mais uma semana bem corrida, de reuniões e decisões importantes. Mas tem Gutão em perspectiva. E tem essa alegria, essa risada que enche a casa quando vê o Dito, do DVD do Cocoricó (o novo, ótimo!), dizendo que o Feito tem cabeça de abóbora! hahahaaaa É essa imagem que levo comigo todos os dias: o sorrisão grandão do meu Gutão.

PS: Minha indignação em relação ao desastre de Congonhas continua. Cada vez que penso que era uma tragédia evitável, ai, me dá uma raiva desses políticos...Tá, todo mundo tem sua hora, mas aquela não parecia ser a hora daquelas 200 pessoas...Se houvesse recuo na pista, se houvesse o tal do grooving pra escoar água da chuva, se houvesse estrutura, o desastre, provavelmente, não teria acontecido...Bom, recomendo o site do IDEC - Instituto de Defesa do Consumidor. Tem lá um abaixo-assinado, um boicote oficial ao aeroporto mais perigoso do Brasil. Eu e minha família não voamos mais pela TAM nem usamos mais Congonhas. É a nossa parte, é pequena, mas se todo mundo tomar uma atitude assim, o efeito dominó acontece.
posted by JULIANA DE MARI 6:19 PM


Quarta-feira, Julho 18, 2007


IndigNação


A tragédia estava anunciada: só não se sabia a data, a hora e quem seriam as vítimas. Mas era certo que uma desgraça ia acontecer naquela pista horrorosa de Congonhas. Se era certo pra mim, que sou leiga em aviação, será que não era um risco, digamos, "pressentido" pelas autoridades? Que jeito é esse de governar? Que falta de responsabilidade é essa? Por que é mesmo que priorizaram o conforto, o saguão bonito, o estacionamento novo, em detrimento da segurança? Quem foi que aprovou esse absurdo? E cadê o presidente?????????? Cadê as autoridades? O que vão dizer agora, hein? Cachorro na pista? Erro do piloto? Ouvi essa baboseira no rádio hoje pela manhã, são as possíveis causas do acidente na versão do governo...Pelamordedeus!!!! Quando é que os brasileiros vão se indignar de verdade?????????? Parece que estão todos anestesiados, socorro.

Eu estou indignada. Estou chocada. Estou triste por essas famílias que perderam entes queridos dessa forma estúpida. Por que não é que o avião caiu, deu problema no motor, bateu em outro enquanto voava...Tudo isso é uma merda igual, mas é "quase" acaso (em tempos de apagão aéreo, eu não sei mais o que é azar e o que é descuido...). A pista com defeito é fato. Há semanas vemos aviões derrapando, embicando, arremetendo, seja lá qual é o melhor termo pra dizer isso: pilotos tentando se livrar de um acidente fatal. E deu no que deu ontem. Nessa dor que dói na gente só de pensar...

Eu não tenho medo de avião. Nunca tive. Adoro voar. Adoro viajar. Mas detesto aeroporto. Detesto fila de check-in. E tenho medo de morrer...Hoje, eu tenho medo do que pode nos acontecer, assim, por falta de um cuidado que deveria ser premissa das autoridades: segurança, segurança, segurança. Me arrepio de pensar que o Gabriel, um repórter nosso que estava voltando de Belém, era o próximo avião a descer depois do AirBus da TAM. O dele estava com trem de pouso preparado e teve que subir novamente pra não correr o risco de ser mais um na fila da tragédia...

Semana passada, sonhei que via, da janela da casa dos meus pais em Recife, um avião caindo, se partindo em dois, pegando fogo...Lembrei disso ontem, de repente, ao ver as imagens do galpão da TAM em chamas...Não que uma coisa tenha a ver com outra, mas já rezei muuuuuuuuuuito.

Eu acredito que o Brasil tem salvação. Eu acredito que meu filho pode viver um mundo minimamente melhor (Deus permita). Mas é o povo que pode mudar a situação. É cada um. Somos nós. É preciso se indignar, é preciso cobrar, é preciso pensar mil vezes antes de não votar ou de votar por votar nas próximas eleições...Quero só ver como essa tragédia vai ser tratada daqui por diante, inclusive pela imprensa. Há que fazer como o Boechat, no rádio, hoje pela manhã: bradar a indignação, deixar vir a dor por esse descaso com a vida. E se a pista não é interditada por uma decisão responsável das autoridades, vamos, nós, boicotar Congonhas!!!!!!! Vamos, nós, fazer pressão (e essa pressão, a "financeira" eles entendem) nas companhias aéreas, no governo, na Infraero, no diabo a quatro. Lá em casa, de agora em diante, só Cumbica.

Gutão, meu filho, tem horas que as coisas ficam mesmo difíceis...Tem horas em que é a gente lá, sofrendo com aquela mãe, arrasada no saguão do aeroporto, chorando a morte dos dois filhos, de uma vez só...Mas há que se ter fé. Há que se ter esperança. Há que acreditar que uma desgraça dessas acontece pra ensinar alguma coisa (e que pensar nos riscos, de qualquer ação que seja, nunca é demais). Ah, meu filho tão amado, não deixe, jamais, de acreditar que pode ser diferente. Que você pode fazer diferente. E vamos viver.
posted by JULIANA DE MARI 2:48 PM


Sábado, Julho 14, 2007


Pra vida


Foi quarta à noite o nosso "grande encontro": eu, Mic e Rês -- a Quintela e a Azevedo. A Rê, de Sampa, mãe do Theo, foi a primeira a chegar. Tá tão bonita, minha amiga, de cabelo novo e corpitcho esculpido no Pilates! Conversamos um tantinho e logo chegaram as convidadas ilustres. A Mic, falante e alegre, como sempre. Trouxe um livro de presente pro Gutão (que capotou às 8h da noite e, infelizmente, não participou da noitada). A Rê, tão querida, me deu um abraço gostoso e entrou em casa trazendo sorrisos e uma caixa de chocolate. O Junior, uma simpatia de mineiro, veio junto e deu pra ver que eles realmente são grandes companheiros, carinhosos um com o outro, com muita história pra contar. Eu os recebi com uma emoção de criança, sabe assim? De tão emocionada, fiquei ainda mais, digamos, desastrada do que já sou normalmente. Coloquei prato e talher a menos na mesa, deixei o Junior sem copo na hora do brinde e não parei de espirrar, hahahahahaa. Esfriou pra caramba e eu tive um ataque de rinite como há anos não me lembrava. Foram uns 200 espirros no dia, sem brincadeira. O resultado de tanto espirro é que tive uma crise de sinusite aguda ontem (sexta) e fui parar no hospital com uma dor horrível...Hoje, sábado, estou me recuperando. Parei de espirrar, mas sobrou uma dor de cabeça e uma pressão no rosto daquelas, ui.

Bom, conversamos um monte, comemos pizza e torta (de limão e de chocolate, que a Rê Quintela, generosamente, nos trouxe!), demos boas risadas, nos emocionamos, falamos da vida, dos nossos filhos, dos nossos pais...e tiramos váaaarias fotos divertidas!! O Junior foi o fotógrafo oficial do "evento". E foi também um santo: ouviu nossa tagarelice com uma calma impressionante! Tagarelamos tanto que nem vimos o tempo passar. Quase duas da manhã e ainda estávamos fazendo caras e bocas pras fotos! O quarteto tava tão animado que rolou até clique no estilo "as panteras"!!!

Nem preciso dizer que fui dormir feliz, feliz. Plena com essa amizade que só me faz melhor. E parece que a gente já se conhece há tempos, de verdade. A Mic é "minha amiga de infância". Como essa figura consegue nos deixar à vontade, impressionante. Tem uma energia e uma alegria contagiantes. A Rê Quintela me transmite uma paz e uma verdade que eu não sei explicar. É atriz, mas não vive um personagem. Tem lá seus dilemas, sofre, sim, mas vai atrás das respostas que procura. E eu gosto disso. E a Rê Azevedo, ah, essa é feita de amor -- e de uma vasta cabeleira de um preto lindo. Tá vivendo um momento tão, mas tão difícil, mas ainda consegue sorrir aquele sorriso meigo que faz a gente querer sorrir junto, sabe? É intensa e tranquila, ao mesmo tempo. E tem um brilho nos olhos, uma luzinha lá no fundo que me diz que vai buscar o tempo dela e vai ganhar serenidade. Vai, sim.

Se eu contar por aí que, balzaca que sou, fiz amigas assim, tão queridas, via internet, vão duvidar. Mas eu fiz. E eu sei que a Mic e as Rês não apareceram na minha vida por acaso. Cada uma traz uma história junto, uma porçãozinha de superações, uma porçãozona de alegrias. E eu, que estou empenhada em entender os sinais, vou aprendendo mais um pouquinho -- e de tudo um pouco -- com elas.

Mic e Rês: voltem sempre, que a casa é sua!

(Rê Quintela, vamos repetir a dose da tagarelice em dupla, hein? Estamos tão pertinho uma da outra que merecemosnos encontrar mais!!)
posted by JULIANA DE MARI 5:13 PM


Segunda-feira, Julho 09, 2007


O que vem por aí


O Rô não conseguiu embarcar pro Panamá, infelizmente. Por causa da vacina atrasada, perdeu o vôo, entrou em lista de espera e a reserva dele acabou "caindo". Um saco. Ele enfrentou duas madrugadas na beira do check-in, torcendo por uma vaga, mas não rolou. Ficou frustrado, triste mesmo. E nós também. Quando viu o pai em casa mais uma vez, depois de uma despedida muito calorosa na hora de dormir, Gutão não entendeu nada e perguntou: "Quando é que o papai vai conseguir embarcar, mãe?". Tadinhos. Bom, não rolou as férias dos sonhos, mas hoje cedinho o Rô embarcou pra Floripa. Diz que vai ter ondas maiores e melhores que no Panamá. Viva! Foi lá curtir o tio Bru e um friozinho bom. Vai ver era pra ser assim. Sei lá, eu tento respeitar esses sinais que a vida nos dá e tou entendendo que não era mesmo pro Rô fazer essa viagem pra fora agora. Sábado ele volta, certamente mais descansado e mais feliz (nada como boas ondas pra alegrar um coração surfista!).

Nós aqui aproveitamos bem o feriadão. Ontem fomos, eu, Gutão e vovó Ju, ver o Ratatouille. Que filme delicioso!! A história é linda, educativa, cheia de mensagens legais pras crianças. O ratinho Remí é uma simpatia e dá gosto ver como ele curte cozinhar. O problema é que, depois do baldão de pipoca na sessão, a gente ainda sai morrendo de fome de tanto ver temperos, imaginar os sabores, as texturas, huuuuuuuum!!! Gutão curtiu bastante o filme. Pediu pra fazer xixi duas vezes, comeu pipoca com suco e ganhou um ratinho de brinde. Voltamos pra almoçar feijoada em casa (olha aí o efeito do filme!) na companhia de Beta Queiroz e do querido Lucas, de dez meses, filho do meu amigão Teco, de Recife. Figurinha, o moleque. Do alto de seus dez meses, acha que já pode andar e faz de tudo pra se equilibrar sozinho nas coisas. Uma agilidade impressionante. Gutão não passou pela fase de engatinhar. Na verdade, passou, sim, mas era de ré! Uma vez, lembro que entrou embaixo do sofá de ré e quem disse que conseguia ir pra frente pra sair de lá? Tadinho, chorou tanto!!! :)

Dá uma saudadinha boa dessa fase das primeiras tentativas, das primeiras descobertas...Falando nisso, Gutão, toda vez, diz que quer um irmãozinho e uma irmãzinha. E eu fiquei pensando que, se ele estiver pressentindo alguma coisa, vem gêmeos por aí! hahhaaahhaa Que nada, brincadeira!! Dizem que gêmeos são herança de mãe e eu não tenho gêmeos na minha família (embora o Rô tenha na dele). E nem estou torcendo por isso, hein, meu santinho?! Lá pra setembro vamos abrir novamente as "encomendas". No início do ano, (nem contei aqui direito porque ainda estava processando o que aconteceu) eu engravidei. Mas tive uma gravidez anembrionária, "ovo cego", como os médicos chamam. Só tivemos certeza do diagnóstico perto da oitava semana, quando confirmei em ultrasom que o embrião não se desenvolveu. Antes, a suspeita era de gravidez tubária -- e eu sofri um bocado até o diagnóstico definitivo, que veio depois de umas quatro avaliações (porque, se fosse mesmo, implicaria em tirar uma trompa...). Bom, simplificando a situação: eu fiquei grávida porque houve a fecundação, mas não houve a geração de um bebê. Só a formação do saco gestacional. Um acidente. Nada a ver com genética. Acontece e aconteceu com a gente. Chato pra caramba. Até porque tive que esperar pra ver se acontecia uma expulsão natural do saco gestacional, não aconteceu e tive que encarar hospital e tal e coisa. Mas, enfim, passou. E eu já começo a me sentir pronta pra tentar outra vez. E isso é bom!!

Hoje, segunda, feriado em Sampa, Gutão brincou com a vovó pela manhã, enquanto eu dormi um tantinho mais. Depois do almoço, fomos visitar o tio Julinho e a tia Ana, irmãos da minha mãe que moram juntos. A tia Corina, a dos cabelos vermelhos!, se juntou a nós e tivemos uma tarde gostosa, com direito a bolo de limão, brigadeiro e um cafezinho pra lá de bom. Gutão ainda teve a sorte de encontrar um amigo mais velho, de seis anos, vizinho do tio Julinho, e brincou até não poder mais com o menino. Voltamos pra casa de metrô, uma aventura pra filhote! Agora são sete e meia e Gutão, depois de comer melancia e tomar um copão de leite, acaba de "tatuar" a perna inteirinha com caneta. Vai encarar um banho básico e capotar daqui a pouco, imagino. Já anunciou que tá com sono e precisa "acordar cedo pra ir pro Texas" (ouviu isso no DVD do Backyardigans!). Eu acho que, antes de dormir, vou aproveitar pra dar uma arrumada no meu guarda-roupa. Hora estranha pra fazer isso? É, mas é a única em que eu consigo me concentrar sem interrupções de um motoqueiro maluquinho que invade meu quarto, dando cavalinho de pau e dizendo que está correndo a "500 por hora"!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 7:37 PM


Sábado, Julho 07, 2007


Hein?


"O que é que tem dentro do dente?"
"Por que a água do mar é salgada?"

Duas perguntinhas báaaaasicas que Gutão fez ao Rô hoje. E que o levaram a procurar resposta na internet pra explicar direitinho pro menino. Tempos modernos, pais modernos! Eu fico pasma com essa curiosidade das crianças e essa capacidade de querer saber de coisas tão, mas tão específicas. Acompanho Gutão porque é ele quem está aqui do meu lado, mas imagino que quase todos os serzinhos dessa faixa etária façam perguntas igualmente engraçadas e desconcertantes para os adultos que estão por perto. Fico pensando que, à medida em que a gente cresce, vai inibindo essa "competência" de perguntar, que vem no nosso chip e que vai atrofiando por falta de uso, estímulo, ou seja lá o que for. E hoje é tão essencial saber fazer as perguntas certas. Tem até consultores que defendem que, nos primeiros 100 dias em uma nova função, em um novo emprego, você deve perguntar tudo aquilo que passar pela cabeça. Bacana. Mas por que é mesmo que tem que ter prazo pra parar de perguntar? Acho que é por quê perguntar incomoda. Quem recebe a questão tem que pensar na resposta. Se não a tem, tem que fazer como o Rô e correr atrás, pesquisar, se informar. E não é todo mundo que tá disposto a sair da inércia e ampliar seu conhecimento -- e o do outro, né?

Acho que deveria estar entre os deveres dos pais e os direitos dos filhos essa coisas de perguntar. O filho pergunta, os pais respondem. Tem horas que nós, pais, vamos ter que dizer não sei -- e assumir, humanamente, que nem sempre a gente tem resposta pra tudo nessa vida. Não existe super homem, nem super mulher. Nem tudo é perfeito. Vai ter hora em que o filho vai jogar pergunta cabeluda e vai ser preciso delicadeza na resposta. E vai jogar pergunta que a gente não queria jamais ouvir, e o pior, nessas horas, acho eu, é fingir que não ouviu...E vai ter um momento em que as perguntas vão ser da gente, os pais. Onde você andou? Com quem estava? Que horas volta? Esse filme passa em toda e qualquer família, né? E é um exercício aprender a fazer perguntas sem ferir o outro, sem invadir, sem parecer superproteção, controle e por aí vai. Como fazer a pergunta certa no tom certo? Não tenho essa resposta. Só tentando, tentando e tentando, como tenho dito pra Gutão! (aliás, será que os pais desses jovens delinquentes que andam espancando pessoas na rua faziam perguntas pra esses filhos? Será que se interessavam em saber onde estavam, com quem andavam, o que pretendiam fazer? Ah, diálogo faz diferença, sim. Nem tudo é culpa dos pais, mas muita coisa, nesses casos, é, sim. Dizer que o filho que agrediu à toa uma mulher, covardemente, imbuído da falsa coragem que o grupo dá, tem caráter é dar a pior resposta possível nessa situação)

Eu gosto de fazer perguntas. Boto pra fora menos do que deveria -- ainda. Mas tenho feito cada vez mais. E cada vez mais simples, do gênero "por que, pra que e como". Perguntas pra mim mesma (putz, essas são infinitas!) e perguntas pros outros. Tem gente que sai defendendo coisas, especialmente no trabalho, e quanto mais por que e pra que você vai colocando na frente, menos a pessoa consegue concatenar as idéias, já reparou? Funciona em casa também, logicamente. Funciona com Gutão. Mas não muito!!! :)

Hoje fomos na pracinha da "Dinda", a nova pracinha das nossas manhãs de sábado e domingo, perto da casa nova da Dani, e Gutão já chegou dizendo que não queria falar com ninguém, que não ia ser amigo de ninguém e que ia construir o prédio sozinho (ele sobe no trepa-trepa e coloca tijolos e janelas imaginários). Foi só ele chegar lá e uma menininha muito engraçadina, a Carol, da mesma idade dele, vir correndo pra fazer companhia no trepa-trepa. Coitada. Gutão fez um bico tão grande, mas tão grande! E ficou resmungando que não queria saber de falar com ela, que hoje tava com muita vergonha, que tava mal humorado e não sei o que mais e blablablá. Era a menina chegar, e ele sair de perto. E ele ia pro escorrego e ela ia atrás. E ele ia pra roda e ela ia também. E ele ia no balanço e ela corria na frente dele. Sem se alterar! Resiliente, essa mocinha! Até que Gutão voltou pro trepa-trepa, indignado, reclamando horrores da menina, e tal e coisa e eu comecei a dizer que a pracinha era de todos e que, se ele não tava afins, não precisava falar com a amiga, mas ela parecia estar muito afins de falar com ele. E aí, fui quebrando o gelo e perguntando se ele não queria ensinar pra ela como é que colocava as janelas do prédio e ele, enfim, e ainda muito bicudo, deu uma tarefa pra Carol: pintar as janelas! Mas hoje não teve jeito, não rolou interação. A menina tentou bravamente e fingiu sua pintura com muita dedicação, mas esse meu engenheiro preferiu encarnar o chefe carrasco e não reconheceu o trabalho dela. Pior: ficou brabo porque ela tava jogando umas folhinhas pra fingir que era tinta. Dizia que era folha, que era grama e que não era tinta de verdade! hahahaaaa

Bom, minha mãe assistiu tudo impressionada. De ver o quanto Gutão cresceu do aniversário pra cá. Ela chegou quinta-feira pra ficar com a gente duas semanas. Trouxe um DVD dos BackYardigans que Gutão já assistiu umas 50 vezes em três dias!!! O Rô saiu em férias ontem (surf trip pro Panamá) e volta domingo que vem. Quer dizer, ele foi, mas não embarcou ontem. Voltou pra casa, frustradérrimo...Vai tentar novamente na madrugada de hoje. Tudo por causa de uma vacina vencida (febre amarela) que o fez perder o vôo e entrar em fila de espera. Vamos rezar e torcer, muito, pra ele viajar e tirar sua semana do jeito que planejou. Boas ondas, meu amor, vai dar certo!!!
posted by JULIANA DE MARI 7:55 PM


Quarta-feira, Julho 04, 2007


Eu amo o que faço


Eu sempre quis ser jornalista. Na verdade, quando era bem pequena pensava em ser bailarina ou professora. Quando fiquei maiorzinha, no entanto, sempre soube que gostava mesmo era de escrever. Sempre tive diários. Sempre escrevi muito. Eu adoro palavras. Adoro palavras formando frases. Adoro conseguir expressar, por escrito, alguma coisa. Adoro traduzir para alguém o que só eu vi, senti, percebi de uma determinada situação. Acho mesmo fascinante esse tal de "texto".

Claro que pra ser jornalista você precisa de muito mais do que gostar de escrever (poetas também gostam!): precisa de um bom punhado de curiosidade, precisa gostar de conversar com as pessoas, de ouvir suas histórias, de ir atrás de um fiozinho de informação. Tem que gostar de uma certa tensão também. Entrevistar, de alguma forma, é tenso. Você não pode prever a resposta do entrevistado. Tem jornalista que tenta, viu? E formula a pergunta de um jeito que induz a resposta. Não sei o quanto é ético fazer assim...Em algumas situações e, dependendo do assunto, funciona, isso é verdade... E fechamento em jornal ou revista é sempre um momento tenso, por mais bacana que seja a equipe e por melhor que seja o ambiente. O tal deadline, a corda nos pescoço, vixe, como a gente trabalha sobre pressão! E é tenso igualmente manter a antena conectada com o leitor. Afinal, a gente escreve pro outro, né? Pra informar, pra orientar, pra alertar -- sempre um outro.

Tudo isso pra dizer que estou em fechamento nesse exato momento (nesse exato momento, estou naquele hiato entre uma e outra matéria pr'eu aprovar e liberar pra gráfica). E que ontem não peguei Gutão acordado quando cheguei. E nem vou pegar hoje. Vou dar o beijinho de boa-noite com filhote já capotado. E hoje pela manhã, depois que ele saiu pro curso de férias na escola, eu deixei um desenho pra ele. Fiz um foguete, a lua, uma árvore cheia de maçãs e um carro. Tudo que ele mais gosta! E ele me contou, ao telefone agora à noite, que adorou o foguete. Tá numas de que é astronauta, sabe? Vai ser bom sentir o cheirinho dele enchendo a casa de paz quando eu chegar lá depois das onze...

Fato é que tenho trabalhado mais do que o habitual com a promoção. E, às vezes, bate a culpa por não estar lá com Gutão em nosso momento tão precioso de toda noite. Mas eu espanto logo essa culpa por quê eu amo o que faço, eu sou feliz na profissão que escolhi e estou feliz em meu atual momento de carreira -- mesmo com todos os poréns, com todo o cansaço e tal e coisa. E eu quero que ele saiba disso: que tem uma mãe realizada na profissão e que trabalhar cansa, mas não pode ser um fardo. Se é, tem alguma coisa errada.

Filhote vai sempre saber que fui eu que escolhi esse meu caminho. E só eu sei o que já tive que me superar pra ser uma jornalista melhor. Eu espantei a timidez no segundo ano da faculdade e encarei estágio em um grande jornal em Recife. No primeiro dia, fiquei com tanto medo, que tive uma dor de barriga e não fui. E minha mãe teve que ligar pro chefe pra explicar. Surreal!! Eu morria de vergonha de falar no telefone com alguém do meu lado, imagine! Mas encarei, fui indo, aos pouquinhos fui aprendendo, e fui crescendo. E fui atrás de aprender a escrever cada vez melhor -- e de ter cada vez mais boas histórias pra contar. Não tenho muito tesão em ser repórter de rua, mas adoro editar, "arrumar" textos. Tenho muito gosto em ler uma matéria bem apurada, uma história bem contada. E tenho muita confiança de que, na revista que dirijo hoje, nós temos uma missão muito bacana que é ajudar as pessoas a ser melhor no trabalho. Todos queremos, não é mesmo?

Em casa, somos dois jornalistas e há palavras por todos os lados. E há muita curiosidade, e muitos assuntos diferentes, e muita conversa sobre tudo. Espero que Gutão se alimente desse ambiente pra, mais tarde, fazer sua própria escolha profissional. Antes disso, tomara que nossas palavras, de alguma forma, sirvam pra potencializar os dons que ele já demonstra que tem. Eu acho que ele vai ser um gurizinho muito bom com música. Ele gosta de "tocar" violão e gosta muuito de dançar. E cantar também. E acho que ele vai curtir fazer esportes. Filhote joga bola super bem, sério! E gosta de ler, de ouvir palavras, histórias. Isso me encanta. E gosta de ver. É super visual. Gosta de cores, percebe os formatos, guarda os detalhes. O último relatório da escola, aliás, dizia que ele tem uma memória espantosa. Até a professora fica surpresa com o tanto que ele lembra das coisas...E dizia também que ele demonstra características de liderança. Que gosta de brincar com os amiguinhos, mas sempre distribui os papéis! hahahaaaaa

Ai, ai, filhote. Tou aqui pensando em como foi que virei jornalista (e tudo começou por quê eu gosto mesmo de escrever) e já comecei a viajar pensando no que vai ser o mundo pra você. Só sei de uma coisa: eu torço muuuuuuuuuuito pra você ser feliz. Pra sustentar suas escolhas mesmo quando estiver sob pressão.

Aliás, falta meia hora pro prazo de gráfica estourar. Deixa eu ir lá cobrar a última matéria na revisão! :)


posted by JULIANA DE MARI 10:58 PM


Domingo, Julho 01, 2007


"Eu não quero ir pra tão longe"


Gutão melhorou da otite. Deve ser a atuação do antibiótico, aquele de gosto horrível que ofereço com uma colherada de leite-moça. Filhote passou o final de semana cheio de alegria, correndo, brincando, me enchendo de abraços. Anda meio disposto a uma troca de socos e tabefes, coisa das "brincadeiras" que faz com o pai, e sempre que passa do limite, vai pro castigo. Senta no pufe com olhos cheios de lágrimas e já pedindo desculpas. Mas fica lá seus três minutos e só sai depois de pedir as devidas desculpas.

Sexta à noite, o pessoal da Redação veio aqui em casa pra comer um "dogão" e cantar meus parabéns. Foi divertido, um monte de gente enfeitando a casa. Gutão, como eu, ficou feliz. Recebeu as pessoas meio acabrunhado, se enroscando na minha perna e dizendo que tava tímido, mas bastaram cinco minutos pra ele descontrair. Jogou bola na sala com os meninos, viu Nemo com o filho da secretária, comeu bolo de chocolate até se fartar e foi dormir perto da uma da matina. Meu maior presente, sem dúvida alguma.

Ontem o Rô me deu um almoço especial de presente. A babá veio ficar com Gutão e nós passamos muito bem no Eñe, um espanhol maravilhoso, no Itaim. Pedimos o menu degustação, eu tomei uma taça de champagne e o Rô, de vinho. Passamos umas três horas lá e eu sai uns dois quilos mais gorda, com certeza!!! Chegando em casa, descansei um pouco, enquanto Gutão e o pai assistiram ao jogo do Grêmio na TV. Terminamos o dia na livraria. Gutão ganhou um kit-pintura, com um carro de corrida, e um livro do Charlie e Lola que fala da embromação da menina na hora de dormir. Foi deitar cansadinho, cansadinho, mas acordou várias vezes na madrugada, me chamando e pedindo pr'eu cobrir. Ai, que vai ser tão bom quando ele aprender -- ou aceitar -- se cobrir sozinho...

Hoje foi dia de passeio na praça. Fomos na praça "redonda", perto da casa nova dos dindos do Gutão, que já estavam lá nos esperando com o Miguel e a Nina. Tava um dia de sol gostoso, friozinho só na sombra. Filhote brincou um bocado no trepa-trepa. Sobe lá e diz que tá construindo um prédio. E não sobe lá no topo porque, diz, "tem um pouco de medo". Voltamos pra casa perto das duas, almoçamos caseiramente e, enquanto o programa dos dois era futebol outra vez, eu devorei mais algumas páginas do livro que a Mic me deu (tou adorando, Mic!!) e descansei um tantinho. Quando acordei, hora do banho do fiihote e de receber a Alê, minha amiga querida, que tá indo morar na Noruega. Embarca na terça-feira e veio se despedir. Vai para uma temporada de três anos por lá, trabalhar numa ONG e viajar pelo mundo. Corajosa, essa minha amiga. Trouxe de presente pro Gutão uma Pig novinha. Disse que era o "Pigo", o irmão gêmeo da Pig, hahahaaa. Vendo o bichinho novo, todo amarelão, é que a gente percebe o quanto essa Pig já "viveu" com Gutão. Sensação boa essa. De que filhote já tem história pra contar, pra lembrar, pra nos emocionar.

Antes da Alê ir embora, pegamos um mapa-mundi que o Rô deu de presente pra Gutão esses dias e mostramos pra ele onde fica a Noruega. Mostramos que é bem longe do Brasil, um país pequenininho, perto do "país gelado" dos pinguins. Aí, a Alê perguntou se Gutão ia visitar ela por lá. E filhote, emburrado, largou um: "Eu não quero ir tão longe". Eu falei que a gente ia de avião, passeava, e depois voltava pra casa. E ele continuou: "Mas eu não quero ficar tão longe do Brasil". Patriotérrimo, fala sério!!!! :) A Alê saiu com o mapa debaixo do braço. Gutão, por sugestão nossa, deu de presente pra ela. Desenhou um carro, "escreveu" alguma coisa, e me pediu pra escrever "carro do Gutão". A Alê disse que vai pendurar na parede da casa nova e mandar uma foto pra ele ver. Vai ajudar a matar as saudades.

Olhando aquele mapão com Gutão, vi que o mundo é tão grande e tão cheio de possibilidades. E me passou pela cabeça o pensamento clássico: "Por onde será que filhote vai andar quando crescer?". Peço a Deus que nos dê saúde para muitas aventuras juntos ainda. E nem precisa ser lá no Japão, não. O mundo do lado de fora da nossa casa, ali do ladinho, na esquina, oferece o bonito e o feio, o curioso e o chocante, a pobreza e a riqueza. É saber ver e "ler" as diferenças. Eu e o Rô tentamos exercitar nossos olhos da melhor maneira possível pra manter acesa essa chama da curiosidade. Gutão nos acompanha muito bem. E mesmo não querendo ir tão longe, confia e vai. Gosta do que conhece, mas logo se anima com o que está por descobrir. É isso aí, meu filho. É tentar, tentar e tentar outra vez, lembra? Assim que a gente aprende. E assim que a gente vai mais longe do que um avião pode nos levar.
posted by JULIANA DE MARI 10:26 PM


Sexta-feira, Junho 29, 2007


34


Chegou meu aniversário. Mais um ano completo, mais um ciclo de aprendizado, tantas coisas boas na vida. Obrigada, meu Deus.

Obrigada, meninas, pelos recadinhos carinhosos e por toda energia positiva que vocês nos transmitem mesmo à distância.

O 29 de junho começou estranho. Meia-noite e Gutão voltando do hospital outra vez. Filhote teve um ataque de choro à noitinha e, quando o Rô chegou em casa, foi direto com ele no Sabará. Eu estava trabalhando, fechamento da revista, complicado de sair...Bom, o diagnóstico não é nada legal. Gutão tá com otite, abcesso no ouvido direito. Pode ser consequência do quadro gripal forte da semana passada, mas pode não ter nada a ver com ele. O médico trocou o antibiótico e recomendou aquele kit que conhecemos de cor e salteado: inalação, sorine, tampãozinho no ouvido...
Fiquei bem triste com esse retorno da dor do ouvido. Primeiro porque é uma dor que dói muito...Gutão sofre, nós sofremos juntos. Segundo porque, depois da cirurgia, achei que ele estaria livre disso. Conversei com a otorrino agora pela manhã e ela me explicou que, antes, Gutão tinha problemas no ouvido médio, lá dentro, se é que me entendem. Esse abcesso de agora é externo, cobre a membrana do tímpano. Pode ser até que "estoure" e saia um pouco de pus...Ela me pediu pra não me apavorar (hahhaaaa) e só limpar por fora, se isso acontecer. Ok, ok, tudo sob controle!
O chato é que filhote tem que tomar um remédio de gosto péssimo. Horrível mesmo. Ontem, tadinho, tomou meio na marra. Hoje, misturei com leite moça pra ver se amenizava...É um truque me ensinaram uma vez lá no hospital mesmo. O bom é que Gutão tá feliz, brincando, sem febre, e, por agora, sem dor.

No mais, tirei a sexta de folga. Dormi um pouquinho além do habitual e vou no salão logo mais cuidar das mãos. Me sinto tão mais "limpa", e bonita mesmo, quando as mãos estão feitas, sei lá. Vou ficando velha e cheia de teorias, hahaaahhaaaa. Não me dei nenhum presente este ano. O maior é Gutão aqui, ao meu lado, felizinho, fazendo bagunça pela casa. O Rô me surpreendeu agora: atendendo a pedidos, me deu um microfone!!!!!! Adorei! Há anos peço um de presente. Adoro cantar e vai ser uma farra fazer dupla com Gutão no violão! :)

Ah, Mic, brigada pelo livro. Acertou em cheio. É o da vez. Te conto o que achei assim que terminar!






posted by JULIANA DE MARI 1:32 PM


Domingo, Junho 24, 2007


Tempo, tempo, tempo


O Rô teve uma noite difícil, com febre, tosse, mal estar geral. Gutão teve tudo isso também, menos febre. E eu tive pequenos momentos de sono sobressaltado. Acordei hoje no pó da rabiola de tão cansada. E irritada, sem paciência alguma. Ah, não sou de ferro...Gutão parece que sabe quando tou chegando no limite porque a birra dele fica potencializada. É um tal de "não quero, não vou, não é assim" pra qualquer coisa. Quando acontecem esses ataques, eu tenho pergutado se o bichinho da chatice o mordeu. Ele, logicamente, responde, puto da vida, dizendo que "não"! Hoje perguntei se ele era o menino do contra. Ficou tão brabo, meu filhote! Acho que nem entende direito o que eu quero dizer, mas como sabe protestar!

Pra irritação não virar briga, descemos um pouco pra brincar, enquanto o Rô descansava. Gutão andou de motoca e nós jogamos bola. Só que tava sol e filhote ficou muito incomodado com a luz nos olhos. Nossa brincadeira, então, ficou restrita a um pedacinho de sombra. Subimos logo, na hora em que o almoço chegou. De barriguinha cheia, filhote pediu pra dormir um pouco. E dormiu até agora, quase seis da tarde. Eu também aproveitei pra descansar. Só o Rô, coitado, que teve uma tarde movimentada. Foi pro hospital checar esses sintomas e teve que tomar soro porque tava desidratado. Graças a Deus, não deu nada no Raio-X dele. É gripe forte mesmo, agravada por esse tempo seco, horrível.

Liguei agora pra otorrino do Gutão porque essa congestão dele não passa. Ela pediu pra trocar um dos medicamentos e explicou que o tempo seco realmente piora o quadro, fazendo as secreções ficarem mais grossas e, portanto, mais difíceis de serem expelidas. Disse pra ter paciência porque esse vírus tem levado uns bons cinco, seis dias pra começar a ceder. Ainda bem que a febre já foi. Tou olhando pela janela agora e avistando umas nuvens pretas no céu. Tomara que venha uma chuvinha (chuvinha, São Pedro, veja lá!) pra limpar um pouco essa cidade.

Falando nele, meu aniver canceriano é dia 29. Dia de festa de São Pedro no céu. Sempre chove no meu aniversário, aliás.
posted by JULIANA DE MARI 5:25 PM


Sábado, Junho 23, 2007


O que vem depois?


A madrugada foi movimentada por aqui. A febre baixou, é verdade, mas a congestão e a tosse ficaram e Gutão, tadinho, não conseguiu dormir uma hora seguida sem se incomodar com esses sintomas tão chatos. Eu, então, melhor nem comentar. Só sei que foi um tal de inalação, remédio, chororô, irritação, massagem pra acalmar, tudo ao mesmo tempo agora. Quando acordou (melhor dizer, quando resolveu sair da cama, porque ele não dormiu praticamente), filhote tava sem febre, ufa. Mas tava com os olhos um tantinho inchados, como se tivesse passado a noite chorando, sabe? Tomou seu leitinho e comeu uma maçã e deitou no Futon do quarto da TV pra ver desenho. Aí, começou a reclamar que não conseguia ficar com os olhos abertos. Tremi na base pensando em conjuntivite, mas não é, não. Tou achando que esse quadro pode ser, na verdade, outra ite: sinusite...Bom, diante da reclamação, eu sugeri que ele ficasse com os olhos fechados e só ouvisse os desenhos e, pra minha supresa, Gutão aceitou -- e acabou caindo no sono, tadinho. Dormiu das nove às onze. Sorte é que a babá veio me dar uma força pela manhã e essas duas horinhas foram o exato tempo d'eu tomar um banho e descer pra fazer a mão (pequenos prazeres salvam mães à beira de um ataque de nervos...). E Gutão não foi pro arraial...

Na minha volta, filhote já tava mais animadinho. Almoçou um pratão, comeu frutinha outra vez e se animou pra dar uma caminhadinha comigo até o mini-supermercado aqui pertinho de casa (só subir a rua). Tava um dia bonito e eu achei que ia nos fazer bem sair um pouco, ver a "rua", mas nada de encontrar pessoas, passar o vírus adiante ou frequentar ambientes fechados. Fomos no super escolher umas guloseimas. Gutão pediu miojo (essa é boa!), que comeu dia desses e adorou, batom Garoto (que sempre vê na propaganda mas nunca tinha provado) e água de coco. Eu escolhi Amanditas (que o Rô adora), pão de cachorro-quente (hummm!) e iogurte com mel (misturado com Nesfit é meu café da manhã). Quase só besteira. Coisa de quem tem em perspectiva um final de semana "doença em casa", né? Ainda paramos na papelaria e filhote ganhou massinha de modelar e cola colorida. Agoniado que só ele, chegou em casa e já foi querendo fazer um monte de desenho novo pra sua galeria de arte (a parede da área de serviço). Lá pelas cinco, deitamos juntos pra uma sonequinha antes do Rô chegar.

E o Rô chegou. Baqueadíssimo. Olhos vermelhos, tossindo, febrão: quase 40. Tava tomando só Naldecon. Eu dei Novalgina. Ele comeu umas frutas, tomou um banho quente, trocou duas palavrinhas comigo e com o Gutão e foi dormir. Às oito da noite. Tá capotado na cama do Gutão. Achei melhor ficar com o pequeno na nossa cama, pra continuar monitorando na madrugada (até pq tem o remédio da meia-noite, ai, ai). Gutão foi dormir às nove. Já tava com aqueles olhinhos baixos outra vez, mas a temperatura (ainda) não subiu. Só a tosse e a congestão que estão brabas...Se os dois amanhecerem maus amanhã, a família vai ao hospital. Eu, por precaução, tou tomando Pharmaton, complexo vitamínico, pra ver se dá uma força na minha imunidade. Só me faltava pegar essa gripe agora...

Eita semaninha difícil. Eita inferno astral "gostosinho".
Falta pouco agora: contando com amanhã, seis dias pro meu aniversário.
posted by JULIANA DE MARI 10:16 PM


Sexta-feira, Junho 22, 2007


Mais uma


Foi mais uma noite insone. Gutão deitou com febrão e permaneceu assim boa parte da madrugada. Eu deitei do ladinho dele e não preguei o olho até dar meia-noite pr'eu dar os remédios. Pra lá das duas da manhã, a febre começou a ceder. Ufa. Não dormi nada, vigiando a temperatura e a respiração dele, nem preciso dizer, né? Tou aqui com o pescoço duro e os braços doloridos, acho que parte é essa tensão de ter filho doente e parte é o fato do moleque se ocupar de praticamente toda queen size na hora de dormir! Como se mexe e como resmunga, pelarmode!

Filhote acordou melhorzinho hoje, mas, na hora em que sai pro trabalho, mais uma vez perto do almoço, a febre voltou: 39. Dei novalgina direto. E ele passou bem o resto do dia. Agora à noite, tava quentinho, mas não febril. Foi dormir por iniciativa própria (milagre!), lá na minha cama outra vez. Quando deitou no lugar do Rô, disse: "Mamãe, tou com saudade do papai". Coisa linda. (Se o caos nos aeroportos deixar, o Rô volta amanhã, eba).

Tou botando fé que o antibiótico vai agir e amanhã, três noites depois, a febre vai embora. Obrigada pelos recadinhos dando dicas e força! Tou impressionada também com o poder dessa gripe, vírus, seja lá o que for, que tá baixando aqui em Sampa. A filha da babá, de oito meses, tá com pneumonia, tadinha (e tá também com atraso no crescimento; vão começar a investigar agora no Hospital das Clínicas). O dindo do Gutão, pai do Miguel, tá com bronquite braba. O Theo, da Rê Quintela, que me ligou agora à noite, tá com laringite. A Alê, minha colega lá no trabalho, tá sem voz, tossindo, no pó da rabiola. Vixe!

E eu tou cansada, mui cansada. E com pena que amanhã Gutão tinha arraial na escola e, do jeito que tá, tou achando que não vamos lá, não. Ah, ele tá em franca recuperação (Deus é pai!) e eu não acho legal levar filho doente pra passar vírus pros outros, vamo combinar. No domingo, se a febre realmente ceder, temos compromisso bacana: aniver do Antonio, no parque pela manhã, e da Sofia, à tarde. Tomara que filhote esteja melhor. Ele curte tanto essas "baladas"! :)

posted by JULIANA DE MARI 11:14 PM


Quinta-feira, Junho 21, 2007


Seguindo


Pois bem, a madrugada foi daquelas ontem. Gutão não dormiu meia hora seguida. Teve febre altíssima (39.8), chegou perto de delirar, eu acho. Ou eu tava com tanto medo dele passar mal que vi coisas...Só sei que teve um momento que olhei pra ele e ele tava lá, de olhos esbugalhados, bochechas em chamas, tentando falar sem conseguir. Ai, que agonia, que agonia...Não preguei o olho, logicamente. Tirei a temperatura dele de hora em hora e fiquei pasma da Novalgina não ter funcionado. Aliás, a febre subiu, e não desceu, depois que ele tomou o remédio no hospital, vai entender. Só sei que a danada só começou a baixar por volta das seis da matina. Antes disso, filhote tomou três copos de água (eu só conseguia pensar que era importante ele não desidratar), chorou muito, resmungou muito, tremeu muito e não dormiu nada. Tirou um breve cochilo das seis às oito. Mas levantou disposto e sem febrão, graças. Eu tentei descansar mais uma meia hora, enquanto ele foi ver desenho com a babá, mas acabei levantando pra ficar pertinho dele.

Liguei pra dra.Ketty, mas ela tá de férias. Liguei pra médica que ficou no lugar dela e foi ótimo. A médica pediu que eu observasse três dias -- tempo necessário pro antibiótico fazer efeito e a febre passar. Se não acontecer, recomendou que a gente volte, sábado, no hospital pra investigar mais uma vez onde pode estar o foco da infecção. Já avisou, no entanto, que está dando uma gripe fortíssima e baqueando mesmo a criançada. Tomara que seja só isso. Gripe.

Fui trabalhar depois do almoço e ele ficou bem, ao que me contaram a babá e a faxineira. Brincou, comeu, não teve febre e nem quis dormir durante a tarde. Cheguei às oito, esperançosa, mas filhote tava meio caidinho. Eu conheço os olhinhos dele, vejo na hora quando vai baquear...Dito e feito. A febre voltou: 38. Já dei Novalgina pra evitar chegar num patamar tão alto quanto ontem. Primeiro porque não quero ver meu bichinho tão fragilizado se posso intervir de alguma forma e, segundo, hoje estamos sozinhos em casa (o Rô ainda tá em POA e a faxineira, que quebrou o galho dormindo aqui ontem, foi pra casa) e eu espero não precisar correr pro hospital outra vez...Falando em ficar sozinha em casa, engraçado que na terça à noite, véspera do Rô viajar, eu tive um pesadelo muito ruim. Sonhei que estávamos, nós três, na praia e Gutão e o Rô iam pra beira do mar ver as ondas quebrando. Aí, o Rô se distraia e Gutão caia no mar. Era meio raso, mas filhote não conseguia levantar sozinho. Eu via a cena de longe, mas não conseguia nem correr pra ajudar meu filho nem gritar pra alertar o pai. Putz, acordei aflitíssima. E agora me veio o sonho de novo...Gutão doente e o Rô "longe". E eu me sentindo meio "impotente"...Engraçado, né? Será que pressenti a doença chegando? Ou será que tou forçando a barra na interpretação?

Bom, fihote pediu pra dormir agora há pouco. Tava com os olhos vermelhos e irritados, olhos de febre. Fiz compressa de água gelada e ele aceitou meio resmungando, meio dormindo. Aceitou também meio copo de leite, abraçou a Pig e pulou na minha cama. Tá lá agora, suando um pouco, ainda quente e ainda abraçado na amiga de pelúcia.

Eu vou deitar jájá. Tou morta de sono, com uma pontinha de dor de cabeça, mas tenho que ficar alerta pra dar os remédios da meia-noite.

Ah, brigada pelos recadinhos de ontem. A força "virtual" vale tanto quanto a real, viu? E Mic, brigada por ter ligado, querida. Não consegui responder seu email ontem, como você percebeu...Rê, do Theo, brigada pela força e melhoras pra vocês aí também! E me conta onde é esse Pilates. Eu preciso criar vergonha e me cuidar, em vez de ficar me lamentando na frente do espelho...Mas seria bom se existisse uma ginástica "passiva", né? :)

posted by JULIANA DE MARI 10:01 PM


Baqueados


E não é só porquê o Grêmio perdeu, não. Gutão amanheceu com febrão hoje, quarta-feira. Passou a manhã ruinzinho, bochechas vermelhas de tanta febre. Fiquei em casa até a hora do almoço, o Rô viajou em seguida e, à tarde, a babá monitorou o estado do bichinho. Gutão dormiu, suou, acordou melhorzinho, mas voltou a baquear no início da noite. Quando a Isaura, a faxineira, me ligou pra avisar, a febre já estava em 38.8. Febrão que poucas vezes na vida Gutão teve...

Pois bem, quando cheguei em casa do trabalho, encontrei filhote todo empacotado, tremendo de frio, bochechinhas quase roxas de tão vermelhas. Abraçadinho na Pig, olhos esbugalhados e vermelhos, chorandinho. Tomou um pouco do leite, mas não quis comer, obviamente. Quando medi a febre outra vez, tava com 39.2. Não tive dúvidas: pedi pra Isaura dormir aqui hoje (putz, que falta faz ter uma pessoa em casa!) e fomos correndo com ele pro Sabará. Gutão chorou tanto, tadinho. Não queria ir de jeito nenhum...Mas foi. E foi a melhor decisão que tomei.

Ficamos três horas e meia lá. Cheguei em casa agora, mais de meia-noite. No hospital, a febre aumentou pra quase 40: chegou a 39.8. Os olhinhos dele pareciam que iam explodir de tão vermelhos e inchados...Ai, que agonia. A médica que o atendeu disse que os ouvidos estão limpos, que a garganta está vermelha e que há chiadinho no peito. Por precaução, pediu cultura da garganta e raio-x do tórax. Contei uma historinha pra filhote de que, quando eu era pequena, eu tinha um bichinho muito malvado que morava na minha garganta e me deixava dodói. E que eu tinha que fazer o mesmo exame que ele ia fazer pra ver se o bichinho tinha, finalmente, ido embora. Era só abrir o bocão. E que eu tinha certeza que na garganta dele não ia ter bichinho algum. E não tinha, graças a Deus. Eu sofri muito na pré-adolescência por causa do streptococos. Quase tive febre reumática e precisei tomar muita benzetacil...Me veio toda essa lembrança quando vi a enfermeira com aquele palitão pra colher a cultura do pequeno. Mas ele, mesmo chorando, abriu o bocão e ela fez o que tinha que ser feito em um segundo.

Bom, o raio-x foi outra estresse, porque Gutão cismou que ia doer. Eu expliquei que era como tirar um foto do nosso corpo por dentro. Mas ele entrou e saiu chorando da sala e nem acreditou que não doeu. Eu perguntei se doeu e ele insistiu até a hora de ir embora, dizendo que sim, que tinha doído! Tadinho! O raio-x mostrou um pouco de catarro no pulmão, mas não chega a ser foco de pneumonia, segundo a médica. Eu olhei lá e também não achei que era -- opinião totalmente leiga, porque quase não dá pra ver manchinha branca, é pouco mesmo, e Gutão não tá com secreção amarelada nem nada.

Ele tá com tosse, isso tá. Há uns dois dias. E acho que a culpa foi do ventilador que ele pediu pra ligar no meio de uma madrugada dessas...Sei lá. Só sei que meu bichinho tá maus. Tomou novalgina no hospital, mas continua quente, com as mãozinhas geladas. Tá com muito frio. Pediu cobertor e abraçou a Pig bem forte. Capotou agora lá na minha cama, no lugar do Rô -- que tá sofrendo a derrota pro Boca lá em Porto Alegre (que droga, meu amor...). Tomara que a febre passe na madrugada e que ele durma bem. Já mediquei. A médica deu antibiótico e eu não recusei. Também passou um remedinho pra ajudar a fluidificar o catarro. Pediu pra observar ele amanhã e, qualquer coisa, voltar no hospital.

Nunca vi Gutão com uma febre dessas e tão caidinho quanto hoje, nem nas piores crises de otite, que foram muitas...Tive vontade de chorar no hospital quando peguei as mãozinhas geladas dele em contraste com a boca roxa e as bochechas estourando de tão vermelhas...Tenho fé que amanhã ele acorda melhorzinho e que isso é só efeito desse tempo seco, horrível, que deixa as crianças tão fragilizadas aqui em Sampa.

Vou dormir com meu filhote.
posted by JULIANA DE MARI 12:35 AM


Terça-feira, Junho 19, 2007


Fala, filho


Às vezes, tenho a sensação de que Gutão é meu caderno "vivo". É pela boca dele que, muitas vezes, vejo escritas as minhas palavras. É o meu jeito de me expressar reproduzido em algumas situações, a minha entonação, os meus cacoetes (fala qualquer coisa e diz "tá bom" no final, soltando essa perguntinha tímida, do jeito que eu faço com ele pra tratar dos nossos combinados). Tão interessante.

Na hora do jantar, mãozinha rabiscada de caneta, pediu pra lavar a mão na pia da cozinha. Coloquei a cadeira, filhote subiu, fiquei ao lado dele, ele lavou a mão e aí viu a esponja de lavar louça. E pegou um copo que tava ao lado e disse assim pra mim: "Mamãe, posso te ajudar?" (parecia eu fazendo essa perguntinha mágica quando quero ensinar alguma coisa pra ele mas ele não tá muito afins de aprender...). E lá fui eu ensinar meu bichinho como é que se lava louça. E ele ficou todo orgulhoso. Lavou dois copos e uma peneira. E, como esperado, deu um mini piti quando eu quis fechar a torneira e acabar com a brincadeira.

Agora há pouco, dez da noite, filhote abraçado com a Pig, eu tasco um beijinho na bochecha dele, desejo boa noite e ele solta, quase suspirando: "Mamãe, eu tou muito estressado hoje". Ih, meu filho! Teu mal é sono mesmo! Mas será que sou eu que ando estressada demais e largando essa palavrinha, que você nem imagina o que é, ao alcance dos teus ouvidos?

Ainda na cama, antes do momento "tou estressado", sei lá porquê, Gutão lembra da dra. Ketty (e lembra a mim também que preciso marcar consulta pra ele!!!) e diz que não quer ir no consultório dela e que não gosta dela e que isso e aquilo. E aí, bem sério, explica: "É que aquele pauzinho que ela coloca na minha garganta é desconfortável".

Eu fico boquiaberta como ele usa as palavras no contexto certo. Há um tempo atrás disse pra tia da escola que não era "pertinente" uma amiguinha fazer aula de natação sem maiô...Juro que nunca usei essa palavra com ele! Não sou doida de falar com uma criança com um vocábulo que nem adulto entende direito. Mas ele deve ter ouvido eu e o Rô conversando, sei lá, e pescou a palavra e o contexto juntos. Impressionante. Fato é que Gutão sabe se expressar -- com palavras e sem elas. Deu de querer reproduzir agora os "olhos tristes" que o Gato de Botas, amigo do Shrek, faz. Vimos o filme no sábado, matinée, uma delícia. Gutão curtiu, adorou os personagens, embora não tenha entendido muito bem aqueles vilões todos numa história só (achei meio confuso também juntar Capitão Gancho e Mula sem Cabeça com Ogro, Burro e Fiona, mas...). Filhote gostou mesmo é do livrinho que veio acompanhando o sacão de pipocas. Livrinho bacana até, um belo resumo da história. Eu e o Rô já lemos umas 50 vezes de lá pra cá e ele simplesmente decorou a parte do Gato de Botas e de seus "olhos tristes".

E Gutão fala mesmo pelos olhos. Tem cílios tão grandes, parecem vassourinhas em sua pele branquinha. E fala tanto dele nas coisas que gosta de fazer. Adora exercícios. É forte, é veloz, é nosso Macqueen caseiro! E agora deu de fazer "flexões". Diz que foi o tio da capoeira que ensinou. Logicamente que não fica indo e vindo no chão. Mas, se tá de pé, se joga e fica, perninhas esticadas, se apoiando nos braços. Tentei fazer igual e quase dei vexame. Putz, cansa. Mãe sedentária é um problema! E gosta de correr esse moleque. E joga bola bem pros seus três aninhos. Dá chute com efeito, chuta com as duas pernas, morre de rir quando dá um drible no pai. E domingo, pasme, pediu pra ver futebol na TV. Futebol na TV??? Foi exatamente isso que ele pediu pro Rô, que, até ele, me olhou espantado. E eu quase morri do coração, imaginando meus domingos futuros com os dois vidrados na tela da TV, vendo mesa-redonda de jogo que já passou, sabe assim? Como se diz na minha terra, Deus me defenda! :)

Ai, ai. Só sei que tá divertida e linda demais essa fase. E que Gutão é um filho muito amado.

E amanhã tem jogo do Grêmio, final da Libertadores. E, dessa vez, sou eu quem quero vidrar na TV. O Rô vai assistir o jogo lá, in loco, claro. E eu e Gutão vamos ficar aqui, procurando o bocão dele no meio da torcida da Globo! Boa sorte, tricolor!!!


posted by JULIANA DE MARI 11:00 PM


Sexta-feira, Junho 15, 2007


Entre tapas e beijos


Eu e Gutão estendidos na cama dele agora à noite, em um papo sobre nosso dia. Tou lá conversando e fazendo massagem no pé gorducho dele, quando filhote solta essa:

- Mamãe, o Matias me mordeu hoje na hora do lanche.
- Onde, filho?
- Aqui ó (e mostra o bracinho). A Tia Karla teve que passar remedinho. Eu chorei.
- Puxa, filho, que chato isso. Morder não é mesmo legal.
- O Matias é mau...
- Ah, mas ele é teu amigo, ele brinca contigo. O que aconteceu que ele resolveu te morder?
- Eu cheguei primeiro na mesa do lanche e ele disse que foi ele que chegou primeiro.
- E por isso ele te mordeu? Ele ficou com raiva porque você chegou primeiro?
- É, mas eu corri na frente dele.
- Hum...
- Mamãe, da próxima vez que o Matias me morder, eu vou dar um "cofo" (soco) nele. E ele não vai mais poder entrar na escola. E ele não vai mais ser "nosso" amigo.
- Nosso de quem filho?
- Meu e do Rafa. Eu sou amigão do Rafa. E o Matias é amigão do João. E o João é bobo também.
- (abafa o riso) Gutão, da próxima vez que um amiguinho bater em você, que tal você olhar bem dentro dos olhos dele e dizer que não gosta de tapa nem soco nem de mordida e o que amigo fez te machucou.
- Eu prefiro dar um "cofo".
- (abafa ainda mais o riso) Mas se você der um cofo no amigo quando ele te bater, ele vai querer dar outro em você e você vai querer devolver e aí essa briga não vai ter fim. E vocês dois vão ficar machucados e chorando...Não é legal bater, né?
- (Gutão pensativo) Não, mamãe, não é legal...Mas o Matias é mal. E ele não é nunca mais meu amigo.

Puxa, e eu que pensei que briga na escola era coisa de adolescente. Socorro!!!!!


posted by JULIANA DE MARI 10:57 PM


Quinta-feira, Junho 14, 2007


Amizade real


Coisa boa alegrar a semana com a visita de pessoas queridas em nossa casa, né, não? Foi assim ontem, noite de quarta-feira, no "Papo & Pizza" com a Mic (sim, a Mic do Rafinha e da Juju)! Depois de um dia puxado de seminário, ela teve pique pra se mover de um lado a outro da paulicéia e jogar conversa fora comigo até quase uma da matina! Delícia! Tem fotos do encontro lá no blog dela.

Falamos da vida, dos filhos, dos maridos (hahahaaa), da jornada dupla, de alguns perrengues do dia a dia, de planos pro futuro (vamo botar essas viagens juntas de pé, hein?) e blablablá. A Mic é muito alegre e espontânea e parece que já nos conhecemos há um bom par de anos. Muito engraçado como afinidade não tem nada a ver com convivência. Eu sou daquelas pessoas que "sentem" a energia dos outros e posso garantir que a energia da Mic é "limpa", é do bem, é conectada com o positivo da vida. Me fez realmente muito bem ouvir minha amiga, contar da minha vida, abrir minha casa e meu coração pra ela. E o melhor -- e que a Mic nem sabe (depois te explico do que tou falando, Mic!) -- é que essa troca de ontem me fez requalificar certas coisas. E decidir que é hora de parar de brigar com outras: como ela mesma diz, na vida que escolhemos viver há que se "aceitar o pacote completo!!".

Bom, depois de um ataque de vergonha e de esconder entre as almofadas, Gutão curtiu a tia virtual por breves instantes. Sentou ao lado dela no sofá na hora em que me pediu massagem no pé, depois de tropeçar lá embaixo ao buscar nossa pizza com o Rô. Contou pra Mic que o Grêmio ia jogar e, quando ela perguntou, disse que iam ser cinco gols pro tricolor (putz, pro desgosto do Rô, foram três pro Boca...). Tomou dois copões de leite, brincou um tantinho no quarto da TV com o Rô antes de começar o jogo e se rendeu a Morfeu por volta das dez. Meu Lolito tão amado. Tá dormindo um pouquito melhor -- acordando uma vez na madruga em média...E tem acordado tão cedo, pelamordedeus. Antes das sete tá lá no quarto resmungando. E com idéia fixa do "Super Números", aquele desenho do NatGeo, bizarro, bizarro, mas que ele adooooooooora.

No mais, essa semana tá menos tensa. Tou me sentindo mais dispersa, mas não tou me sentindo nem um pouco culpada com isso. Muito bom. E tou devorando "A menina que roubava livros", fantástico. E tou também em véspera de deixar o inferno astral pra trás. Aleluia! Tá ali me espiando, mais um ano de vida. Jajá chegam meus 34.


posted by JULIANA DE MARI 3:13 PM


Domingo, Junho 10, 2007


Feriadão


Tivemos um feriadão gostoso, de agenda cheia.
Na quinta, o primeiro compromisso do dia foi a feira. Encontramos a Tita, o Joaõ Gabriel e a Lívia mais a Dani, o Miguel e a Nina na barraca do pastel. Gutão provou seu primeiro pastel na feira -- acompanhado de caldo de cana, claro. Adorou! E que delícia que é passear entre as barracas de frutas, ver aquele colorido todo, escolher verduras e legumes fresquinhos. Gutão ganhou um taco de manga aqui, um pedaço de melancia ali. Se esbaldou e nós voltamos pra casa com a sacola cheia! Depois da feira, a pedidos, ainda fomos na pracinha e filhote brincou um bocadão com seu caminhão de "construir estrada". Enquanto o Rô deu uma corridinha básica, eu li uma revista e curti um solzinho gostoso.

Na sexta, eu e o Rô aproveitamos a presença da babá e da faxineira em casa pra dar uma escapada e ir ao cinema. Fomos de metrô, passear na Paulista (programaço!!!) e curtir o Reserva Cultural (só fiquei frustrada porque lá, cineminha cult, não servem pipoca!!!). Assistimos ao ótimo "Não por acaso", do amigo de uns amigos nossos, o Phillipe Barcinsky. Um filme que tem São Paulo como cenário e que explora a metrópole como se fosse mais uma personagem (além do que tem o Rodrigo Santoro entre os protagonistas!!!!). Recomendo.

Sabadão me dei a manhã de presente. Marquei cabelo em um novo salão recomendado por uma amiga jornalista que também dá consultoria de estilo (Self, na Pelu, alameda Lorena). Meu cabelo tava grande, porém sem corte algum, pesadão, puxando minha expressão pra baixo. Me deu um bode de só usar preso, sabe? Ok, adoro coque e rabo-de-cavalo, mas quero ter a opção e o prazer de usar solto de vez em quando. Pois bem, arrisquei novo cabelereiro e deu certo (estava com a Cris, do Banzai, na Vila, há oito anos, era hora de renovar). Cortei, fiz um repicado leve, um franjão e luzes bem fininhas pra "iluminar" o rosto. Sei que fiquei lá umas três horas, enquanto meu Gutão e o Rô curtiam a livraria da Vila que inaugurou ali perto. Sai do salão me "achando", hhahahahahaa. Claro que não vou conseguir secar o cabelo como eles fazem lá e que hoje o cabelo já acordou em seu estado semi-natural!, mas tudo bem. Adoro cortar o cabelo. E só o fato de ter arriscado mudar de cara já valeu a pena. Depois do salão, fomos direto pro aniversário da filha de um colega do Rô. Gutão brincou tanto, tanto. De tanta excitação, obviamente, almoçou quase nada -- mas se esbaldou nos brigadeiros! E, de tão cansado, dormiu no carro na volta pra casa.

Hoje foi dia de churrasco na casa do Gusmão e da Martinha, um casal de grandes amigos pernambucanos que não tem filhos (ainda), mas tem dois cachorros que Gutão adora. O Rô, como bom gaúcho, assumiu a churrasqueira. Filhote brincou um bocado, fez carinho na Ceci e no Bob, viu um pedaço da corrida, um pedaço do DVD dos Carros e depois tirou uma bela soneca na rede. Chegamos em casa quase agora, à noitinha, final de feriadão. Já fiz supermercado (pela internet, muito prático), já dei banho e leitinho pro Gutão e agora tou aqui ouvindo a alegria dele lá na sala, jogando futebol com o pai com a bola nova que ganhou de presente da Martinha. De onde é que vem tanta energia, hein?


posted by JULIANA DE MARI 8:06 PM


Quinta-feira, Junho 07, 2007


Os indicados


Atendendo a pedidos, seguem minhas indicações dos livros mais bacanas pra crianças. São livros que Gutão tem e gosta -- e histórias que a gente conta e reconta de tempos em tempos. Vamos a eles:
1) Ana, Guto e o Gato Dançarinode Stephen Michael King, Brinque-Book.
Presente da dinda Dani quando Gutão era pequenininho, esse livro é poesia pura. Tem lindas ilustrações e uma história que conta o valor de ser diferente. Fala também de criatividade, de reciclagem e de amizade. Ah, e também mostra o quanto é bom dançar!!
2) Pedro e Tina, uma amizade muito especial, do mesmo autor acima.
Outro livro lindíssimo que fala de uma menina muito perfeitinha e de seu amigo, digamos, um tanto quanto estabanado e do quanto eles aprendem um com o outro.
3) A Casa Sonolenta, de Audrey Wood, Ática
Esse é bem divertido e tem ilustrações igualmente belas. A história vai num crescendo e termina de um jeito alegre e convidativo a curtir tanto a nossa cama gostosinha quanto todas as possibilidades de um dia ensolarado. Vale praquelas negociações antes de ir pra cama.
4) O Nascimento da Lua, Coby Hol, Brinque-Book
Sem grandes pretensões, essa históira simples fala do valor de um obrigado. É rápida e ótima pra contar antes de dormir porque fala também, com muita delicadez, de um dos maiores medo dos pequeninos: o da escuridão.
Junto a essa listinha os já recomendados Clara, Brinque-Book, e Adivinha quanto Eu te Amo, Martins Fontes.

E aproveito pra recomendar minha lista de favoritos recentes para adultos, lá vai:
1) Não te deixarei morrer, David Cracket, de Miguel Souza Tavares
Comprei esse aqui por acaso na Fnac e amei. No dia em que comecei a ler esse aqui, um sábado de chuva à tardinha, o Rô foi me ver no quarto e eu tava lá aos prantos, emocionada com a delicadeza e a profundidade das histórias. Tem uma passagem que fala do ritual de um pai e filho ao ver as estrelas e nos remete a esse amor tão grande e ao medo que todos temos de que, lá na frente, nossos pequenos esqueçam que um dia já desejaram tanto nosso colo...É um livro de contos, de leitura rápida e muito gostosa -- mas que faz pensar.
2) Bartelby, o escrivão, Hermann Melville
Conto rápido do autor de MobyDick sobre um escrivão que trabalha num escritório de advocacia em Wall Street e, um dia, resolve dizer não a tudo o que não é a sua função principal. O bordão "Acho melhor não" causa rebuliço no escritório, altera os ânimos do chefe e dos colegas e nos põe a pensar sobre os motivos que nos levam a pretensamente ajudar os outros ou jogá-los na "fogueira". Recomendo a edição da Cossac Naif que traz notas dos editores ao final do livro.
3) A menina que roubava livros, Markus Suzak
Um livro que espanta ao primeiro contato: o narrador é a morte! Conta os três encontros que a morte teve com a tal menina que roubava livros. O cenário é a Alemanha nazista. Tem estrutura de texto diferente, interessante, rápida. Vi resenha recomendando na Veja e decidi arriscar a leitura. Esse tou lendo agora.
4) Estabelecer limites, respeitar limites, Anselm Grunn e Ramona Robben
Entrevistamos esse monge beneditino na revista algum tempo atrás e agora ele lançou esse livro sobre a importância de colocar limites e preservar nosso espaço "vital". Fala bastante sobre como isso é importante no trabalho, inclusive. Fiquei curiosa sobre como fazer isso e também tou lendo esse agora.
5) O que é uma vida bem-sucedida?, Luc Ferry.
Livro recente desse filósofo francês que fala do conceito de sucesso ao longo dos tempos, desde os idos dos gregos e romanos até os dias atuais, quando sucesso virou sinônimo de ganhos materiais -- e não mais de evolução "espiritual". Boa e importante leitura, principalmente para quem pretende cultivar nos filhos a importância do "ser". Também não terminei de ler ainda.

Não se espantem, não. Meu processo de leitura é "randômico". Preciso ter vários livros a mão pra escolher aquele que melhor combina com meu "astral" no dia!! Tenho uma pilha de uma de uns seis na mesinha de cabeceira. Entre eles, alguns citados acima que ainda não terminei -- e, por motivos óbvios, não me coloco mais prazo para terminar...O que tenho tentado é ler ao menos um capítulo de qualquer livro antes de dormir. É uma forma de me dar um pequeno prazer, sabe assim?

posted by JULIANA DE MARI 8:38 PM


Domingo, Junho 03, 2007


Domingão cultural


Depois da chuva do sabadão e de uma tarde agradável com os amigos na "rua", curtindo as delícias do nosso bairro na garoa, veio o friozinho no domingão. Gutão acordou cedo, as always, doido pra ver os desenhos do Net Geo (finalmente uma alternativa à altura do Discovery Kids!). O Rô ficou com filhote até meados da manhã, quando, animada pela gritaria geral da casa, resolvi sair da cama quentinha, ai, ai! Depois do café da manhã, seguimos pro nosso passeio cultural de domingão: conhecer a nova mega livraria Cultura do Conjunto Nacional. Pra quem mora em Sampa e ainda não foi, suuuuper recomendo. O lugar é lindo e nos "embriaga" com tantos livros! Tudo bem que chegamos ao meio-dia, exata hora de abertura da loja pra não pegar a muvuca de curiosos que aparece depois do almoço...Bom, mas a parte reservada pras crianças é um show. Tem um "dragão da leitura", uma estrutura em madeira com a barriga, digamos assim, forrada de almofadões coloridos que convida a uma pausa pra conhecer o mundo encantado das palavras. Catei alguns livrinhos com Gutão e entramos, nós dois, dentro da barriga do bicho, cercado de outros amiguinhos e de livros por todos os livros.
Tenho dois critérios pra oferecer livros pro meu Gutão: o primeiro é buscar aqueles que tenham uma mensagem bonita e que deixem um ensinamento pra vida. E há tantos assim, que falam de coisas importantes de um jeito simples e lúdico. O segundo critério é procurar livros que tragam informação sobre as coisas que Gutão gosta. Por exemplo, hoje catei um livrinho simpático, daqueles interativos em que dá pra mexer com as figuras, sobre "construção". Chama Brincando na Construção, de Rebecca Finn. Gutão adorou, claro. Mas gostou igualmente dos que escolhi na "primeira categoria". Peguei dois e, antes de levar pro caixa, contei e recontei a historinha pra filhote pra ver se ele aprovava. Como ele pediu mais e mais e mais, trouxe pra casa. Tem um que chama Adivinha Quanto Te amo, de Sam McBratney, editora Martins Fontes. É a história de um coelhinho que arranja mil e uma maneiras de "medir" o tanto de amor que tem por seu pai. Só que o pai sempre arranja um jeito de dizer que ama ainda mais o filhinho. É uma graça e uma das passagens traz exatamente o que digo pro Gutão toda noite, de braços bem abertos: "Te amo do tamanho do muuuuuuuuundo!".
O segundo eleito chama Clara, dos autores Ilan Brenman e Silvana Rando, editora Brinque-Book. O bacana é que, depois que terminei de ler a historinha, um homem que estava nos observando veio perguntar se tínhamos gostado. Como não gostar de um livro tão lindo e que mostra com tanta delicadeza a importância do exemplo dos adultos na formação das crianças? Eu disse que sim, que eu e Gutão tínhamos curtido muito, que o livro era lindo. Aí, o fulano abriu um sorriso e se apresentou como o autor do livro!! Pena que na hora não me veio a idéia de pedir um autógrafo pro Gutão! O mais legal é que a menininha que inspirou a história, filha dele, chamada Liz, estava lá, do nosso ladinho, igualmente observando nossas reações. E o legal também é que Clara será o nome da nossa futura filha, se assim for numa próxima encomenda à cegonha!!!
Eu e o Rô trouxemos uma sacola de livros pra casa, claro. Eu escolhi um do Ariano Suassuna que procuro há anos, o Romance da Pedra do Reino. E também um do autor de Mobydick, chamado Bartelby, o escrivão, em uma edição curiosíssima da Cosac Naif. O Rô trouxe um livrão de surf e mais alguma coisa que ainda não deu tempo de descobrir o que é. Quero só ver é onde vamos guardar tantos livros -- e em que tempo daremos conta de ler!!! Ainda bem que o Rô já encomendou prateleiras novas pro nosso quarto. Alimento pra mente, ao menos, Gutão terá sempre garantido por aqui!
posted by JULIANA DE MARI 9:33 PM


Quinta-feira, Maio 31, 2007


A palavra encurta as distâncias


Quem está fora desse mundo de blogs, seja por não ter o próprio seja por não ter caído no gostinho de visitar o alheio, não consegue dimensionar o quanto essas relações virtuais acabam rendendo pra vida da gente. Esse preâmbulo é pra dizer que eu fiquei muito surpresa com tantos comentários me dando força naquele sábado tristinho. Obrigada, meninas. Senti o carinho, o interesse, a amizade, mesmo que à distância.
Hoje, finalzinho de mais uma semana intensa de trabalho, estou melhor. O astral voltou, a culpa está se diluindo (ontem me permiti ficar em casa pela manhã descansando, esperei Gutão voltar da escola, almoçamos juntos e eu fui trabalhar à tarde tão feliz!). Digeri mais um tantinho as mudanças --e as notícias tristes-- dos últimos tempos. Semana passada, fiquei sabendo que meu tio mais velho precisava fazer uma cirurgia pra tirar um tumor na garganta. Fez e, graças a Deus, já vai pra casa hoje, mas perdeu as cordas vocais e está respirando por trasqueotomia. É triste, deve ser muito sofrido pra ele, pros meus primos, pro meu pai. Mas está vivo e disposto a ficar bem, e isso conta muito.
No mais, Gutão continua acordando na madrugada. E agora deu de aparecer no nosso quarto, pedindo pra dormir com a gente. Quando ouço aquela vozinha meiga, olho no relógio e vejo que já está pra amanhecer, eu deixo, vai. Filhote deve sentir muito a nossa falta durante o dia e acaba revelando isso à noite, no sono "agitado". Não sei bem como lidar com isso, porque me rouba uma carga de energia considerável (eu sou um ser que também não dorme muito bem e que precisa de oito horas de sono pra funcionar bem, fazer o que!), só sei que temos que dar um jeito de dormir melhor. Ontem conversei bastante com o Rô e estamos pensando em consultar um médico antroposófico. Não que eu vá deixar de consultar a dra.Ketty, que tá conosco desde que Gutão nasceu e em quem eu confio demais. Mas eu gosto da filosofia antroposófica, do jeito de ver o "paciente" como um ser de corpo e alma -- em construção. Gosto do conceito do desenvolvimento por ciclos, os chamados setênios. Enfim, acho que pode funcionar como um "fator equilibrador" pra família, sabe? Tratar as relações, tratar Gutão de uma maneira integral, não só o que ele traz por fora (que é muita alegria, muito movimento), mas o que ele leva por dentro...Se alguém tiver uma boa dica de pediatra antroposófico, agradeço.



posted by JULIANA DE MARI 8:11 PM


Sábado, Maio 26, 2007


Ciclotimia


Deve ser reflexo do inferno astral. Junho está pra começar e, dizem os astros, mês de aniversário é mês de revisão de vida. Ou deve ser reflexo das noites mal dormidas. Há semanas (pra não dizer há três anos!) não me lembro de ter conseguido dormir oito horas inteiras, sem interrupção. Quando não é qualquer outro barulho, é Gutão, que ainda acorda na madruga pelo menos uma vez (quando não duas ou três ou quatro). Deve ser talvez reflexo das enxaquecas que voltaram a me atormentar (talvez reflexo das noites maldormidas e tal e coisa). Pode ser ainda reflexo da ansiedade que a mudança no trabalho acarreta. Estou me adaptando às novas demandas, estou me descobrindo na nova função, estou me orientando no meio de tantas novidades. Por mais estimulante que esteja, estou saindo da zona de conforto e isso sempre incomoda. Sei lá. Deve ser também uma tristeza contida no fundinho do meu coração por coisas que passaram e deixaram cicatrizes e por outras que não estou vendo passar e me angustiam da mesma forma...E no meio disso tudo tem aquela certa culpa. Por não estar tendo tempo pra curtir meu filho além do bom-dia/boa-noite. E tem a culpa (e a cobrança) por não estar dando atenção ao Rô como gostaria...E tem o frio que chegou pra gelar meus ossos e me lembrar ainda mais do quanto minha cama é gostosa e do quanto tenho sentido falta de uma prosaica noite bem dormida.
Só sei que eu não tou muito bem hoje. Tou é bem triste.
Vou rezar um pouquinho pra ver se dá jeito.
posted by JULIANA DE MARI 11:34 AM


Domingo, Maio 20, 2007


História oral


Minha atividade mental é muito intensa; talvez por isso eu sinta tanta necessidade de escrever -- e de falar. De botar pra fora, de verbalizar. Talvez por isso também goste tanto de ouvir Gutão se expressando, colocando seu pequeno mundo em ordem por meio das palavras. E ele tem falado cada coisa que nos deixa realmente de queixo caído. Vejam:

"Papai, o Dick (do filme Carros) é do bem? Por que?"
"As pessoas do bem se preocupam com os outros. As do mal só pensam nelas...", elabora o Rô.
"Eu não me preocupo com as pessoas do mal!", diz Gutão.

"Mamãe, esse prato é escorregadíssimo" (hahaahaaa, queria dizer "escorregadio", talvez?)

"Mamãe, molhou", diz filhote, preocupado com a provável bronca que ia levar por ter derrubado água no Futon e no chão.
"Filho, pega o pano de chão e seca", digo, eu, desencanada (resolvi minimizar os momentos de conflito, sabe?).
"Mamãe, você é muito boazinha" (hahahahaahaha)

"Mamãe, se meu irmãozinho não nascer eu vou ficar muito triste" Gutão, ontem à noite, no meio de uma conversa sobre aumentar a família, nos dando a certeza de que está mesmo na hora de providenciar outro nenê pra essa casa!

E falando em elaborar, ontem, finalmente, comprei um livro infantil que estou "caçando" há meses: Mania de Explicação, de Adriana Falcão. Suuuper recomendo pra quem gosta da beleza das palavras. É a história de uma menina que gostava de encontrar uma explicação pra cada coisa. Entre outras frases lindas, tem uma que é de chorar: "Tristeza é uma mão gigante que aperta o nosso coração". E essa aqui? "Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes". Perfeito, né? :)
posted by JULIANA DE MARI 2:44 PM


Domingo, Maio 13, 2007


Das nossas histórias


"A história do Golfinho e da Aranha"
Por Augusto
"Era uma vez um golfinho e aí uma aranha subiu em cima do olho dele. E aí o golfinho se sacudiu e a aranha caiu -- no lixo! E era o homem-aranha!!! Um homem-aranha de trêeeeees pernas!".

"A história de um menino e da sua menina"
Por Juliana
"Era uma vez um menino muito falante, muito expressivo e muito sensível que, com seu sorriso largo e seus olhos de mel, a cada dia que passa, ensina um tantinho mais sobre a vida pra sua mãe. Ensina a imaginar, ensina a esperar, ensina a escolher.
Era uma vez uma menina muito sensível, quase sempre falante e também expressiva que, a cada dia que passa, confirma que a vida ganhou mais graça depois que seu menino chegou."

Meu filho tão amado, feliz dia das mães pra nós!
posted by JULIANA DE MARI 11:29 PM


Terça-feira, Maio 01, 2007


Pre-ocupações


"Papai, como é que tira o gesso?"
"O médico corta..."
"Corta o braço ou corta o gesso?"

Gutão tem andado preocupadíssimo com questões do gênero: como é que quebra o braço? Pra que serve o gesso? Dá pra colar o pescoço? O médico corta o braço? Não sei bem de onde essas dúvidas vieram. Acho que filhote deve ter ouvido alguma coisa na escola. Ou talvez seja reflexo de um susto que levamos alguns dias atrás. Foi assim: Gutão e o Rô estavam brincando de pular na cama. Aquela algazarra, guerra de travesseiros, um "socando" o outro -- e eu aflita com tanto contato físico :)

Vai daí que o Rô finge dar um golpe de judô no moleque, e filhote cai de mau jeito (em cima da cama, graças!). Ai, que agonia. Achei que ele tinha quebrado o braço...ou quebrado o pescoço. Gutão ficou sem ar, começou a ficar vermelho, chorando lágrimas grossas, tadinho. O Rô o pegou no colo, foi acalmando e ele foi recobrando o ar. Continuou chorando um montão e eu, ali, meio paralisada, só pensava em "tocar" no meu bichinho pra ver se tava tudo no lugar. Bom, consequência do susto ou não, fato é que Gutão tá com idéia fixa em "machucados". Pergunta assim: "Se coçar a picadinha do pernilongo, dói e sai sangue?".

Diz a dinda Dani, psicanalista, que Freud explica e que é da fase. Na verdade, eles estão expressando o receio da "castração". Continuo sem entender muito bem o significado, mas aceito as explicações da Dani!!! E cuido pra não fazer desse tipo de situação, cair-bater-machucar, um bicho-de-sete-cabeças. Tombos e acidentes hão de acontecer a vida inteira...O que procuro ensinar pra meu Gutão é o senso de prevenção: quer andar de skate, beleza, mas que tal usar o capacete e a joelheira também?

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Mais algumas que flagrei do super Gutão agora à noite:
-Gutão escrevendo em um cartão (que fez na escola) pra gente: "Papai, lembre-se que você nunca deve passar no sinal vermelho". :)
Frase finalizada, vem a ordem: "Mamãe, você tem que pendurar esse no seu quarto".

- "Papai, eu ainda não posso mexer no fogão sozinho?"
"Não", diz o Rô. "Adivinha por quê?"
"Por que eu ainda sou criança", devolve Gutão, com a maior cara de sapeca do mundo!

posted by JULIANA DE MARI 9:21 PM


Quinta-feira, Abril 26, 2007


Carinho


Ontem, quase onze da noite, na hora de colocar filhote pra dormir. Primeiro, cumprimos todo ritualzinho: põe pijama e fralda, pega a Pig, reza pro anjinho da guarda, conversa um tantinho, até que deitamos juntinhos. Ele sempre pede pr'eu deitar um pouquinho ao lado dele. Esses dias tem acontecido de pedir pr'eu deitar em um minuto e, no minuto seguinte, dizer: "Pode ir pra sua cama, mamãe. Dorme bem, mamãe querida". Foi assim ontem.

Mas...cinco minutos depois, Gutão saltou da cama e começou a andar pela casa me chamando. Eu fui ver o que era, ele subiu no meu colo e disse: "Eu preciso dormir na sua cama hoje, mamãe". Voltamos pra cama dele, eu engatei a explicar que ele tem a caminha dele e nós temos a nossa, que a cama dele é gostosa, que nós três na mesma cama fica desconfortável e blablablá. Até que filhote vira pra mim e diz: "Quero dormir na sua cama, mamãe, porque você precisa da minha companhia hoje". Ai, achei tão lindo!!! Eu tava mesmo precisando de carinho, de sentir meu filhotinho ao meu lado, sabe? Mas não achei que era o caso de "revelar" essa carência -- muito menos na hora de dormir. Aí, vem essa "proposta" irrecusável. Ouvir dele, saber que ele, na verdade, estava falando era da saudade dele, é gostoso, viu?

Bom, tivemos que negociar com o Rô essa noite a três, coisa que tendemos a evitar pra não gerar o hábito. O Rô tentou argumentar, dizendo assim: "Gutão, que tal se você adormecer na cama do papai e da mamãe e depois voltar pra sua caminha no meu colo?". E Gutão revidou: "Não, papai. Eu quero fazer companhia pra mamãe a noite inteira". hahahahahaaa
Filhote entendeu que era uma exceção e que ele tinha que dormir na caminha dele hoje. Eu não encano muito com essas exceções, não. Porque Gutão é um menino legal, obediente, compreensivo, que testa nossos limites, mas respeita nossa "fala", sabe? Só posso dizer que, apesar de espremida num cantinho, eu dormi feliz.

Meu filho, eu te amo. Muito. Tanto. Do tamanho do muuuuuuuuuuuuuundo.

posted by JULIANA DE MARI 5:29 PM


Terça-feira, Abril 24, 2007


Correndo, vivendo, rezando


Estou numa correria doida. Ainda me adaptando ao novo cargo, às novas demandas que vieram com a promoção. Acelerando também pra dar conta da agenda de novas iniciativas da revista. Quinta, sexta e sábado da semana passada, por exemplo, fiquei em Campos, em um evento que promovemos com executivos de RH. Foi bacanérrimo, mas, hoje, ainda estou de "ressaca".

Gutão foi uma preocupação a menos, graças a Deus. Filhote ficou com meus sogros queridos, que gentilmente vieram de Porto Alegre pra cuidar do netinho no sabadão. Estamos sem babá dormindo em casa...A faxineira quebra o galho quando é realmente urgente, mas não dá pra pedir pra ficar no final de semana, né? Gutão se comportou muito bem, tanto com a Isaura na noite de sexta (quando o Rô viajou pra me encontrar) quanto no sábado com os avós. Eles ficaram orgulhosos do netinho. Tudo bem que usaram da tática do "não contrariar" (hahaahaaa), mas nos disseram que a convivência foi mais do que harmoniosa. Eu fico bem feliz de saber que Gutão sabe se virar sem a gente, sério. Sofro um bocadinho pra largar meu "pintinho", mas fico realmente orgulhosa de vê-lo tão bem com os avós, com as pessoas que cuidam dele, com os amiguinhos. Gutão é um serzinho sociável desde o berço. É alegre, encantador, conversador, mui esperto. Gosta de movimento, é curioso, curte a presença alheia. Acho isso realmente muito importante. De minha parte, procuro mesmo passar pra ele a importância de curtir e respeitar os outros. Filhote fala obrigado, por favor, dá licença, dá beijo e abraço nas pessoas com quem tem intimidade, troca palavras com os vizinhos que encontra no elevador, enfim, socializa.

Acho que a escola super ajuda nesse processo, até porque eles seguem mesmo a linha pedagógica da "socialização" do psicólogo Carl Rogers. Falando nisso, Gutão foi ontem almoçar na casa de uma amiguinha de escola, a Gabi, irmã da Isabela, que também estuda na escola e de quem Gutão é fã. A mãe das meninas convidou, deu carona depois da escola e nós aceitamos. Filhote foi com a babá, comeu um pratão (até cenoura e beterraba aceitou, hahaaha), brincou até às quatro da tarde e voltou pra casa tão exausto que capotou às sete e meia da noite, inacreditável!!!!

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Eu acho fantástico ver meu filho crescendo. Tá grande de verdade, meu moleque. E, se eu já agradecia a Deus todos os dias por essa alegria, agora, depois da "passagem" do Vini e de imaginar a dor da ausência que a Rê sente todos os dias, eu agradeço ainda mais, eu me esforço ainda mais pra ser a melhor mãe que eu puder ser...Talvez a Rê nem dimensione o quanto é importante pra gente, não é mesmo? Mas eu tenho certeza que ela tocou a todas as mães --e pais também-- que acompanham a história dela. Não há como não se colocar no lugar dela, não há como não chorar a dor dela, não há como não pensar o que a gente faria se a vida nos pegasse uma dessas...E não há como não tentar fazer as coisas de um jeito diferente, minimamente que seja.

Eu, particularmente, estou vivendo um "ano" de busca espiritual intensa. Tenho rezado muito, tenho refletido muito sobre o impacto da minha presença na Terra e sobre como --e se-- posso tornar a vida de outras pessoas um tantinho mais bacana. É uma missão com a qual me comprometo, inclusive, no comando da revista com minha equipe e com os nossos leitores (tem coisa mais delicada do que nossa relação com o trabalho?). Mas estou sentindo falta de fazer mais um pouco...Não sei ainda o que, nem como, muito menos quando, mas certamente vou ampliar essa minha "troca" com o mundo de um jeito ou de outro. Estou com muita vontade de ajudar uma creche perto de casa. Não do jeito tradicional, doando coisas ou dinheiro. Isso já fazemos de tempos em tempos. Pensei em criar um jornalzinho pras mães carentes, com orientações sobre como cuidar dos bebês, planejamento familiar e por aí vai. Está germinando na cabeça. Se alguém quiser ajudar, me mande um email (julidemari@yahoo.com.br). Quando a idéia tomar forma, eu mando pra vocês a primeira edição. Quem sabe vocês também distribuem o jornalzinho perto de casa?

posted by JULIANA DE MARI 5:24 PM


Domingo, Abril 15, 2007


Um anjo voltou ao céu


Aos que acompanharam a história da Rê e do pequeno Vini nesse mês e meio, o meu abraço solidário nesse momento de tanta dor. Quando a Mic me ligou, sábado pela manhã pra contar do acontecido, desmoronei. Chorei a dor dessa mãe como se fosse minha...Gente, como dói só de pensar que pode acontecer na casa da gente, não é mesmo? Mas é preciso ter fé, é preciso acreditar que a vida não é em vão e que algo mais existe para justificar nossa existência. Eu, ao menos, faço força para acreditar. Não faz passar a dor, não diminui a ausência que a Rê e o Junior vão sentir, mas dá significado -- e isso ajuda tanto...
A Rê foi uma das primeiras, se não a primeira, amiga virtual que fiz por aqui. Ainda tava grávida do Vini quando começou a frequentar o Barrigão. Sempre tão atenciosa, sempre nos mandou recadinhos lindos, sempre nos acompanhou. Chegou a mandar presentes de aniversário e de Natal pro Gutão algumas vezes. Tão presente e tão querida mesmo à distância. E eu sempre retribui essa amizade não a perdendo de vista, mesmo quando ela deixou de blogar por um tempinho. Lembro da minha alegria quando ela avisou que estava retomando o blog dela...
E é por isso que, agora, diante dessa fatalidade que é a ida do Vini pro céu (sim, ele é um anjo lindo e partiu ontem), eu sofro verdadeiramente, eu penso na Rê, nessa família sem um pedaço, e choro, choro muito...E rezo, rezo muito pra que Deus continue enchendo o coração deles de fé, de força, e de alegria pela mensagem maravilhosa que o ceú manda de volta na hora em que o Vini chega lá: a chegada do Gabriel. É o milagre da vida.
Rezem por eles, pessoal. Rezem para que fiquem em paz.
posted by JULIANA DE MARI 11:00 PM


Sexta-feira, Abril 06, 2007


Isso é amor


"Mamãe, foi você que me fez?". Eu digo que sim.
"E o papai também?". E eu repito que sim, fomos nós dois, foi o nosso amor.
E Gutão devolve: "O papai colocou minha perna? E você colocou o meu cabelo?".
Ai, que eu te amo taaaaaaaaanto seu Gutão, lindão!!!!!!

Eu e Gutão estamos indo pra Floripa logo mais, comemorar a formatura do tio Bruno e curtir um pouquinho o vovô Zeca e a vovó Lilica. O Rô foi ontem, pra festa de colação. Graças a Deus, não houve problema no aeroporto. Espero que hoje não inventem de fazer greve "aérea"...

Uma Feliz Páscoa pra vocês e um pedido: continuem rezando e torcendo pela melhora do Vini, da Rê. Essa, sim, uma mulher de fé, um exemplo de esperança e de evolução, uma boa amiga que a internet me deu de presente.
posted by JULIANA DE MARI 9:47 AM


Domingo, Abril 01, 2007


Tiradinhas


Filhote é um tagarela muito engraçado. Fala coisas que nos desconcertam por motivos diversos. Uma hora é pela inteligência, outra pela sacação, outra ainda pelo bom humor. Gutão é um farrista, eu sempre disse isso aqui. Gosta das boas coisas da vida (movimento, praia, festa, música, dança...). Gosta de dar risada. Tem sorriso farto. Adoooooro!!!!
É crica e tem seus dias de fúria também, o meu pequeno. Detalhista, perfeccionista, daqueles que sabem onde colocou o quê e aí de quem mexer na dita ordem que ele dá. É colérico, fica nervoso mais rápido do que eu gostaria (o aprendizado aqui é pra dupla mãe e filho: é preciso ter paciência!!!!) e sabe provocar um tantinho a mais na hora em que os ânimos começam a se acirrar. Mas sabe também como dizer uma palavrinha pra nos chamar de volta à realidade: ele só tem três aninhos, ele é uma criança linda, ele é um serzinho em processo de aprendizado. Tem horas que vem com um "eu te amo, mamãe" bem depois da bronca. Em outras, olha pra gente, bicudo que só, e manda: "eu não gosto de você".

Diz cada coisa de arrepiar, sério. Outro dia, na hora de dormir, coloquei o CD que ele ouve desde que nasceu (Canções de Ninar, Palavra Cantada) e, em uma determinada música, ele perguntou: "Mamãe, onde fica o além? Eu quero conhecer ele". Aí, eu expliquei que o além é um lugar, lá longe, não é uma pessoa. E ele revidou: "Mamãe, você vai comigo no além um dia?". Ai, ai.
E seguimos no nosso papo-cabeça. "Luz tem bico? E avião tem bico? Avião voa, então, tem bico igual passarinho".
E teve mais uma que me deixou entre a risada e a perplexidade: "Gutão, você gosta mais de qual suco?" "Eu gosto de suco de laranja. De limão, eu não gosto".
E eu pergunto o motivo, e ele solta: "Ah, se eu tomo uma coisa "azeda" dói minha garganta". hahahahahaaaaa

E sexta-feira, antes de ir pra escola, Gutão, bicudão, dizendo que não queria ir e eu argumentando que tinha que ir, que era dia de levar brinquedo, que era divertido encontrar os amiguinhos, e tal e coisa. E ele me vem com essa, muito cara de pau!, mãozinha na testa: "Ai, eu acho que eu tou quentinho. Será que tou com febre, mamãe?". Eu posso??? :)




posted by JULIANA DE MARI 12:58 PM


Domingo, Março 25, 2007


Festa antecipada


Foi ontem, sabadão 24, a comemoração dos três aninhos do Gutão. Três dias de antecipação, bem no aniversário do Miguel. Terça, 27, no grande dia, vai ter mais bolo, brigadeiro e muitos, muitos beijos pra esse menino lindo. O tema da festa era "Carros", a pedido do baixinho. Fiz a decoração do salão com ajuda da minha mãe e da minha sogra. Modéstia a parte, cansaço idem, a mesa ficou lindinha, com os apetrechos que comprei na 25 -- via internet! Gente, esse foi o achado do ano: Magazine 25, uma loja virtual que vende produtos da 25 e entrega tudo via Sedex tranquilinho, tranquilinho. Frete barato, produtos de super qualidade, um monte de temas bacanas e o mesmo precinho "presencial". O mais legal foram umas bandeirolas, tipo aquelas de corrida, que encheram os olhos de quem entrava no salão e que achei numa outra loja, a Rica Festa, quando fui comprar fio de náilon e balinhas pras lembrancinhas (além dos copinhos, daqueles com canudo, cheios de balinha, as crianças levaram pra casa o vasinho decorado da oficina de jardinagem que elas mesmas pintaram e plantaram!).

Bom, São Pedro ajudou e fez uma tarde linda ontem (igualzinho o dia em que Gutão veio ao mundo, um sabadão "iluminado"), com direito a céu azulzinho, um calorzinho bom e um ventinho ameno no início da noite. Deu pra colocar a piscina de bolinha e as gangorrinhas do lado de fora do salão e usar parte do espaço interno pra "oficina de jardinagem". Que foi um sucesso entre a criançada! E eu que tinha dúvidas se eles iam curtir ficar lá sentadinhos, pintando vasinho e enchendo de terra, florzinha e pedrinhas. Praticamente todas as crianças maiorzinhas fizeram seus vasinhos. E os bebês ganharam vasinhos prontos, que os monitores fizeram com muito esmero.

Gutão, no início da festa, estava acabrunhado. Deu de ficar assim agora. Como ele diz: "Tô com vergonha". Até que ganhou um McQueen de presente do Matias, um amiguinho da escola, e não quis saber de outra coisa, claro. Uma das monitoras da Turma do Pererê (que eu suuuuuper recomendo) conseguiu atrair o baixinho pra oficina de jardinagem. E aí, ele não queria mais saber de parar de pintar! Ficou lá, desenhando o vasinho, uma boa meia hora. Depois, se empolgou na piscina de bolinha e convocou vários amiguinhos pra pularem lá dentro. E brincou com os monitores de caça ao tesouro, de piquenique, e de outras tantas brincadeiras, daquelas bem infantis, bem lúdicas, uma delícia.

Cantamos parabéns umas duas horas e meia depois da festa começada, muito a contragosto da criançada que não queria parar de fazer bolinha de sabão pra cortar o bolo. Aliás, que bolo delicioso! Tinha dois andares e um McQueen lindão em cima. Massa de pão de ló e recheio de doce de leite, bem molhadinho. Obra da minha querida Fabiola Toschi (que eu também suuuper recomendo). Gutão, depois do parabéns, se atracou com um prato de brigadeiro e comeu uma batelada, nem sei quantos. Fiquei até com medo que ele tivesse dor de barriga no meio da noite!

Dor de barriga, ele não teve, não. Mas tava tão excitado que falou, chorou, dormiu mal pra caramba. Acabou indo pra minha cama no meio da madruga pra ver se acalmava. E resmungou, falou que queria mais brigadeiro, chorou mais um tantão e me deu dois chutões nas costas que eu até chorei de dor...Ai, ai, ser mãe é padecer no paraíso messsssmo!!!! :)

E terça-feira tem mais comemoração! Viva o Gutão!!!!


posted by JULIANA DE MARI 9:13 PM


Quinta-feira, Março 22, 2007


Que fase chata!


Acho que Gutão está na pré-adolescência. Só pode ser. Pelamordedeus, que fase chata é essa?!! O moleque dá chilique a cada meia hora, por qualquer motivo e mesmo sem motivo algum, só fala choramingando e, pior, tem empacado diante do prato de comida (só salgada, diga-se). Eu tento, bem que tento, mas não tenho paciência pra relevar esse lenga-lenga. Ele provoca, eu converso. Ele insiste, eu converso mais um pouquinho. Ele chora mais alto, eu conto até três e aviso pra ele que não estou gostando do rumo da coisa. Ele esperneia, eu perco a paciência, mando pro castigo e, aí, sim, dou motivo pra chorar mais alto. Tem rolado tapa na mão a milhão aqui em casa. No bumbum, dói mais, acho. Na mão, é só um "alerta". E aí Gutão chora, e chora, e se joga no chão, e me tira do sério. Hoje aconteceu umas três vezes à tarde. Por motivo algum. Eu fiquei nervosa, ele chorou horrores (chegou a dizer que não tava conseguindo respirar, hahahaaa), se jogou no chão, não quis colocar a roupa, chamou a "Isaura", ai, ai, ai.

Eu tou indo bem. De repouso em casa por causa de uns contratempos de saúde. Cuidando pra ficar tudo pronto pro aniver do pequeno nervosinho até sábado, dia da festa. Tomara que não chova como no ano passado. Vai rolar piscina de bolinha e oficina de jardinagem, do lado de fora do salão de festas. Acho que os pequenos vão se esbaldar! Será que quando eles completam os três anos algo muda? Será que essa fase absolutamente pentelha vai melhorando? Será que Gutão vai aceitar fazer coco no pinico? Será?

Deus dê saúde pro meu filho. E serenidade pra mim!! O resto, a gente desabafa e toca em frente.
(E vamos seguir rezando pelo Vini, da Rê. Tenho certeza que essa "corrente positiva" das amigas blogueiras só faz bem.)


posted by JULIANA DE MARI 7:52 PM


Sábado, Março 17, 2007


Em falta...


Eu sei, eu sei, estou em falta aqui no blog. A correria das últimas semanas tem sido grande...Ainda não estou com vontade, honestamente, de detalhar os acontecimentos. Me perdoem...Na vida profissional, fui promovida. Na pessoal, aquelas novidades que eu queria compartilhar mudaram de rumo e já não são tão boas assim. Bom, é muita mudança de uma vez só pra uma cabeça loura e canceriana! Mas estou bem, estamos bem. E isso é o que sempre interessa.

Gutão, na verdade, não passou bem de ontem pra hoje. Foi uma madrugada daquelas. Primeira vez, em três anos, que filhote vomita. Ele comeu raspinhas de pizza, sabe aquelas bem temperadas? Pois bem. O Rô achou que não ia fazer mal e eles dois comeram um pacote quase inteiro. Não sei se foi só isso. Pode ser um pouco de culpa do calor também, ou mesmo uma virose qualquer. Fato é que filhote acordou no meio da madrugada vomitando. Primeiro, foi na cama dele. Ficou tudo sujo. E lá vamos pro banho às 2h da manhã. Gutão ficou tão assustado, tadinho. Dizia que tava com medo e com vergonha. E perguntava se a cama ia ficar limpa outra vez. Eu tentei tranquilizá-lo, dizendo que, quando a gente vomita, é porque precisava colocar pra fora alguma coisa que estava fazendo mal pra nossa barriguinha. Ele chegou a tremer de nervoso.
Depois do primeiro episódio, levei ele pra dormir comigo e o Rô ficou no quarto da TV. Filhote descansou uns 20 minutos e acordou vomitando, outro jato que ensopou o travesseiro. E lá vamos nós pra novo banho e nova troca de lençóis. Depois disso, Gutão quis dormir com o Rô. Eu disse que era o "acampamento" dos meninos e ele ficou mais animadinho. Mas, durante a madrugada, levantou outras tantas vezes, correndo pra vomitar no banheiro. Dessas vezes, foi menos pior, pois filhote colocou só água pra fora. Continuou muito agoniado com o "processo" (vamo combinar que vomitar é ruim demais) e nervoso e preocupado com o pijama, a Pig, a cama...E aí veio a diarréia. Um coco escuro e muito fedido. Umas quatro trocas de fralda na madruga.
Hoje ele acordou um pouco mais animado. Não vomitou mais. Aceitou uma maçã e água de coco. Fiz soro caseiro, mas ele detestou. Continua soltando uns puns que borram a fralda, mas parece um pouquinho mais animado. Vamos monitorar pra ver se é caso de ir no hospital ou não. Torçam aí.

Prometo voltar, em breve, e contar de tudo de bom que nos aconteceu esses dias. Inclusive do encontro com a Mic, querida, e o Rafinha, um fofo!!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:37 AM


Domingo, Fevereiro 25, 2007


Voltando


E cá estamos, de volta à babilônia. E que calor é esse, pelamordedeus? Tá mais quente em Sampa do que em Recife, sério. Lá, ao menos, tem brisa, tem praia, tem cheiro de mar. Aqui, tem vento parado, cheiro do rio Pinheiros e essa sensação de que o calor vai andando atrás da gente, sei lá. Ai, mas nada de reclamar, né?

As férias foram deliciosas. Carnaval que é bom, a gente só viu um tantinho. Não tive coragem de levar Gutão pro meio da folia em Olinda. Quente demais, literalmente. Nem ao Recife Antigo. Mas resolvemos fazer diferente e experimentar o carnaval no interior do Estado. Seguimos pra Bezerros, cidade próxima a Caruaru, a cerca de uma hora e meia de Recife, pra curtir os "papangus". Passou em todos os telejornais, vocês devem ter visto. É o carnaval dos "mascarados". Todo mundo inventa uma fantasia e coloca uma máscara pra esconder o rosto. Parecia Olinda antigamente, um pouco menos lotada, com bloco de frevo descendo ladeira e tudo o mais, mas só deu pra ficar uns 40 minutos ali no meio. Começaram a pisar nos pés do Gutão, tadinho, e ele, de tanto calor, não aguentou mais ficar no chão e veio pro meu colo. Considerando que está super pesado e que eu também já não tenho mais pique pra aguentar o sol e o anda pra cá, anda pra lá, o primeiro carnaval da família foi breve, mas foi muito legal.

Depois de sair do meio da confusão, fomos conhecer um museu do artesanato, recém inaugurado, na estrada que vai pra Caruaru. Gutão viu obras do Alto do Moura, as famosas cerâmicas, viu as rendas de Pesqueira, viu os mamulengos, as máscaras, e toda a riqueza e a criativiade do artesanato pernambucano. Gostou mesmo dos carrinhos feitos de latão e que reproduzem os caminhões que passam na beira da estrada. Queria brincar com eles a todo custo, haja lábia pra convencer o baixinho de que era só pra ver, não pra tocar. No final, na lojinha do museu, filhote ficou encantado com a "Burrinha", uma fantasia tradicional das crianças no carnaval pernambucano. Ganhou uma, claro. E brincou tanto com ela, uma graça!

Que mais? Fomos pra Porto de Galinhas, pra Maracaípe, curtimos um montão a praia de Boa Viagem -- e a deliciosa gorducha, Bruninha. Fez quatro meses quando a gente tava lá e começou a "conversar". Dá gritinhos, da risadinhas, mexe as mãozinhas, linda. Meu pai também fez aniversário, no dia em que embarcou pra Portugal, Ilha da Madeira, pra rever minha vó, depois de 20 anos longe. Já pensou? Não consigo nem imaginar o que é essa saudade...Fiquei muito feliz em vê-lo tão feliz e ansioso ao embarcar. E diz que a vovó o recebeu toda faceira e que levantou a noite pra checar se ele estava coberto direito...Mãe é mãe, cuidado e carinho não tem idade. No dia em que o painho chegou lá, vovó Rosinha fez 96 anos.

Bom, ontem e hoje, além de desarrumar malas, tivemos grandes momentos em casa. Gutão fez coco duas vezes, sim, duas vezes!, no pinico ontem. Com o Rô ao seu lado, lendo historinha e "descontraindo". Na verdade, ontem, ele fez coco quatro vezes. Mas tá bem, acho que é só calor. E dá-lhe água nele! Falando nisso, sabe o que o menino me disse agora à noite? "Mamãe, tem que tomar bastante água pra ficar com a pele linda". Quem disse isso pra ele, hein?! :-)

Gutão segue alegre, tagarela, cheio de energia. Corre pra caramba, faz um monte de "exercícios". Até aprendeu a se "alongar", colocando as pernas pra cima nas portas dos armários, tão bonitinho. Aliás, filhote começou a fazer capoeira na escola e, em breve, vai começar, lá também, aulas de natação. Acho que vai ser muito legal! Gutão adoooooooora o mar, é impressionante. Ganhou uma prancha em Recife, um bodyboard, e delirou. Foi praticamente sozinho "surfar". Na beiradinha, claro, mas tão seguro, tão ágil, tão lindo. Tudo bem que o Rô estimula, mas, sei lá, parece que Gutão já nasceu com o "gen" do esporte na veia. Ainda bem!!!!
E ontem à noite, filhote com um tantinho de insônia, depois de um tempo indo e vindo do quarto, chegou aqui do meu lado, no quarto da TV, e disse assim: "Mamãe, a gente teve um dia tão legal hoje". E me deu um abraço, e eu quase chorei. Que delícia essa troca, que delícia ser mãe!

No mais, tenho novidades -- pessoais e profissionais. Muitas. E boas. Mas elas serão assunto prum post especial. Volto em breve. Aguardem!!!!!!

posted by JULIANA DE MARI 10:11 PM


Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007


Frevança


Gutão não pode perder essa: frevar os 100 anos do Frevo! Estamos indo pra Recife, eu e ele, na próxima quarta. O Rô segue na sexta. Lá ficamos até a outra sexta, curtindo a família, a praia, e a "frevança". Tou mesmo precisando de férias. O início desse ano foi mais intenso do que todos os últimos (afora o do nascimento do Gutão, né?) e resultou em grandes novidades profissionais. Logo, logo eu anuncio por aqui.
Filhote tá animadíssimo com o carnaval. Não sabe direito o que é, mas diz que vai dançar e cantar lá em Recife. Ah, se depender de mim, vai mesmo. Preciso é combinar com a Rapha, mãe do Igor, pra gente levar os pequenos pro "Eu Acho é Pouquinho", versão mirim da troça "Eu Acho é Pouco", que tantas vezes me fez subir e descer ladeira em Olinda. Que delícia!

Gutão é que tá uma delícia! Agora, deu de fazer showzinho pra gente, tocando violão, se remexendo e ensaiando umas palavrinhas em inglês inventado! É nosso Jack Johnson particular, rá-rá-rá! O melhor do show, na verdade, é o microfone: um cachorrinho, sem cabeça, daqueles de cabo comprido que as crianças adoram empurrar, sabe? Foi filhote mesmo quem inventou essa utilidade pro bicho e nós só aplaudimos porque é criativo e engraçado demais!
Fora toda a maravilha, alguns perrengues: coco só na fralda e muitos ataques de "quero isso, não quero aquilo". Como diria a dinda Dani, é a tal "neurose de controle", também chamada de "adolescência dos dois anos" :-)

Sério, tem horas em que perco totalmente a estribeira e até tapinha na mão vem rolando quando toda a verborragia, minha e dele, aflora. E o menino implica do nada, com coisas que eu não tenho a menor condição de adivinhar -- portanto, não tenho como me preparar pro barraco. E não escolhe lugar, veja bem. Domingo, fomos comer uma picanha em um restaurante simpático da Vila. Gutão sempre nos acompanha em restaurantes e raras vezes foi sinônimo de inconveniência. Ao contrário, é uma criança desde cedo curiosa, sociável e que se entretém com seus carrinhos enquanto papai e mamãe tentam conversar um pouquinho. Bom, domingo, não foi assim. Na mesa até que ele foi um "lord". Brincou com os carrinhos, beliscou a entrada, comeu carninha e um pouco de arroz e mandou ver dois copões de suco de uva. O negócio engrossou na hora do xixi. Gutão não se recusou a ir ao banheiro. Fez tudo como manda o figurino, até limpou o "pinto" sozinho. Aí, na minha vez, na hora em que fui lavar as mãos, pronto, o figura encanou que ele que tinha que abrir a torneira, começou a berrar, se debatendo no chão, vermelho que nem um tomate. Caiu o tênis, fui tentar colocar e ele, mais nervoso ainda, começou a gritar e a dizer que era pra eu fechar a torneira (a tal neurose de controle se manifestando!) e que ele ia abrir e que eu só podia lavar as mãos depois disso. Faça-me o favor. Peguei os braços dele, olhei nos olhos, trinquei os dentes e "pedi" pra colocar o tênis, o que fiz com ele aos berros. O estresse foi tanto que o Rô, percebendo nossa demora, veio me socorrer. Ainda bem que ele já tinha pago a conta e que o pequeno rebelde saiu no meu colo vermelho, todo molhado de tanto chorar, mas igualmente envergonhado do vexame. Não é mole, não!

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(E eu não posso deixar de registrar: que horror, que absurdo, que barbaridade o que aconteceu com o menino carioca, mais uma vítima inocente da violência. Até quando? Até quando os brasileiros -- sim, você, eu -- vamos reprimir nossa indignação? Até quando esse país vai viver à mercê desse horror? Ai, gente, é rezar muito, pedir muita proteção...Já chorei tanto pensando nessa mãe, nesse pai, nessa irmã, nas pessoas que presenciaram a cena, impotentes. Na dor desse menino, na vidinha que se acabou, assim, tão estupidamente...Choro por meu filho também. Por esse mundo estranho que ele vai herdar. Choro e peço proteção ao Anjo da Guarda. É muito pouco o que eu posso fazer, além de torcer muito para que cenas grotescas como essas que, volta e meia, temos o desprazer de conhecer virem exceção, e não regra).

posted by JULIANA DE MARI 11:14 PM


Quarta-feira, Janeiro 31, 2007


Volta às aulas


As aulas do Gutão recomeçaram hoje. Obviamente, ele não queria ir pra escola. Não curtiu colocar o uniforme, não curtiu arrumar a mochila nova, não curtiu quando dissemos que ele ia rever os amiguinhos, saber das novidades das férias e tal. Eu entendo esse sentimento dele. Sempre detestei os primeiros dias de aula. Chegava a ter dor de barriga na véspera! Mas a vida segue, a gente tem responsabilidades e tem que aprender a administrar nossos "medinhos", não é mesmo? E lá fomos nós, eu e Gutão, pra escolinha. Juntos. Na hora de descer do carro e ir até lá, dei um abraço bem forte nele e disse que eu também não gostava muito de voltar das férias, mas que, quando encontrava meus amigos e quando via o tanto de coisa legal que ia começar a viver de novo, isso passava.
Filhote tava receoso, mas foi comigo, de mãozinha dada. Não se entrosou logo. Quis empurrar o carrossel com a tia nova (tia Ju, minha xará) e animar os amiguinhos. Pena é que a turminha dele meio que se desfez. Ficaram só uns três ou quatro amiguinhos da primeira turma. Alguns saíram, outros mudaram de turno. Bom, fiquei lá uns 40 minutos, naquela confusão de mães e pais de primeira viagem. Fiquei com o coração apertadinho, vendo aquela angústia do Gutão: ele queria se soltar, mas estava com medo. As tias, muito queridas, falaram das novidades da escola, do tanto de coisa legal que ele tinha pra descobrir, e, aos poucos, ele foi se animando com a algazarra dos amiguinhos. Dei uns três abraços de despedidas até ele, finalmente, me deixar vir trabalhar. Ele seguiu com os amigos pra salinha do lanche e eu comecei meu dia tão feliz. Coisa bem boa acompanhar esses momentos importantes na vida do meu filho.

posted by JULIANA DE MARI 7:47 PM


Quinta-feira, Janeiro 25, 2007


Tiradinhas


Pra não esquecer depois...

- Eu, o Rô e Gutão almoçando num restaurante nordestino delicioso (Feijão de Corda, na Ferreira de Araújo) hoje, feriadão em Sampa, e eu no intervalo do trabalho. Em algum momento, o Rô pergunta "Gutão, quem é a namorado da mamãe?" e filhote responde "É o papai!". E aí, o Rô emenda, todo animado: "E quem é o namorado da mamãe?". E Gutão, sapeca que só ele, responde: "Sou eu". :-)

- Agora há pouco, hora de dormir, filhote de olhinhos vermelhos, morrendo de sono, e eu nos últimos lances do nosso ritual diário. Gutão pede pra eu contar a história do Bob, o Construtor, a eleita da vez. E, depois, pede a da Chapeuzinho Vermelho. Eu começo a contar de cabeça, mas ele "manda": "Pega o livro, mamãe". Ok, ok, livro na mão, chegamos na parte do "Que orelha grande é essa?", sabem qual é? Pois bem, toda vez que eu chego nessa parte, eu faço um teatrinho com Gutão. Vou apontando as partes do rosto e pedindo pra ele fazer as perguntas, até chegar no ápice que é a vez do "que boca grande é essa?". Bom, só que, dessa vez, Gutão cansadinho, cansadinho, na hora em que pedi pra ele continuar a história, fez a primeira pergunta, olhou pra mim e disse: "Xi, travou". Hahahahahaahahaa

É isso, filhote segue muito querido, cheio de opinião, tão engraçado. Um menino curioso, muito atento, espertinho que só. O meu Gutão, lindão. Ai, como é bom esse amor!
posted by JULIANA DE MARI 10:02 PM


Segunda-feira, Janeiro 22, 2007


Correria


É literal: Gutão anda correndo pra caramba esses últimos tempos. É que filhote tá de férias e seus programas prediletos têm sido descer pra jogar bola na "quadrinha" ou dar um "corridão" com o amigo Natan, seis anos mais velho, mas totalmente "submisso" às vontades do camaradinha! Gutão adora se mexer. Em suas brincadeiras, diz que é skatista, motoqueiro, nadador, surfista e por aí vai. Haja pique pra acompanhar tantas aventuras! Sim, porque ele quer que eu chute e corra atrás da bola, ande de skate junto, justo eu, quase sedentária convicta! hahhahaa
Graças a Deus, Gutão herdou do pai o gosto pelos esportes. Eu confesso que sou meio preguiçosa e que prefiro o "trabalho intelectual" ao físico. Fiz aulas de jazz e natação durante anos, quando criança e depois de adulta também, mas nunca tive o esporte como prioridade na agenda. Falha minha, assumo. E procuro não passar essa minha "dificuldade" para o pequeno. Ao contrário! Se ele me pede pra correr, eu vou botando os bofes pra fora, mas vou. Se ele curte se movimentar, eu vou mais é estimular! Esporte é saúde, eu sei. (E ainda tenho fé que vou encontrar um jeito de colocar essa porção de movimento extra na minha agenda também.)

As aulas do Gutão recomeçam no início de fevereiro e, até lá, tenho que resolver uma questão fundamental: arrumar uma babá para dividir o serviço com a Márcia, que volta da licença-maternidade depois do carnaval. É que a babá substituta vai casar e não quer mais dormir no serviço. Até daria pra negociar, considerando o estado de coisas que vivemos atualmente. Mas os planos são de encomendar mais um filhote logo e eu não quero ficar à mercê de ter que refazer os combinados, enfim. Essa parte da "estrutura" caseira, especialmente pra quem não tem família por perto, é complicada...

No mais, Gutão anda nos surpreendendo com suas tiradas.
Dois exemplos:

- Filhote continua sem querer saber de fazer coco no pinico. Durante o dia fica sem fralda e faz xixi bonitinho (uma ou outra escapada) na privada. Sim, de pé, segurando o "pinto"!! Não quer mais saber de fazer sentado. Agora, coco que é bom, só na fralda. E não é que ele se "programou" pra só fazer coco pela manhã, quando acorda, só porque tá com a dita? Eu ainda não tirei a fralda noturna porque ele faz muito xixi à noite. Tem acontecido de acordar com a cama molhada, mesmo com fralda, várias vezes. Não sei como proceder, na verdade. Se alguém tiver uma boa dica, help me! Bom, mas voltando ao coco, já tentei de tudo. Numa dessas, ele no pinico e eu no chão do banheiro, lendo uma historinha qualquer, ele diz que tá com dor na barriga. Eu digo que é um aviso que é hora de fazer coco. E ele devolve: "Mamãe, quem enfia o coco na barriga?". E eu fico com aquela cara de planta e dou uma resposta sobre a comida e tal e coisa, depois que consigo me recuperar do susto! :-)

- A outra boa aconteceu no carro. Eu, o Rô e Gutão voltando de um compromisso importante. Eu começo a dizer que somos muito felizes em família e que, desde que ele nasceu, só coisas boas aconteceram na nossa vida. Aí, ele emenda, sorrindo: "...um saco de balas"!!!! Sim, minha gente, é essa a medida da felicidade do meu pequeno: um saco de balas bem grandão! Que doce, não é?


posted by JULIANA DE MARI 2:42 PM


Sexta-feira, Janeiro 12, 2007


O ano começou


Salve, salve pessoal!
Feliz Ano Novo para quem passa por aqui anonimamente e para os meus queridos que sempre nos deixam uma palavrinha.
Nossas férias foram ótimas. Floripa e Recife nos receberam com dias lindos, muita praia, muita farra e muito carinho da família -- ou seja, tudo o que precisávamos para iniciar um novo ciclo com o astral lá em cima!

De Floripa, trouxemos uma grande novidade: Gutão não usa mais "petita"! Sim, meu filhote amado cumpriu a promessa de entregar a dita ao Papai Noel (a versão vovó Lilica funciona que é uma beleza!). O trato era entregar a chupeta e receber a bicicleta de presente. Quem escolheu a moeda de troca foi ele mesmo, meses atrás. O único porém é que filhote queria uma bike azul. E a loja entregou em Floripa uma preta e amarela, coisa que só descobrimos em cima da hora, ao lembrarmos que não adiantava nada entregar a caixa sem montar a bicicleta, né? Pois bem, e lá fomos nós, trocar a petita pela bike preta e amarela. E não é que foi a primeira coisa que Gutão percebeu? Os olhinhos dele brilharam, ele ficou todo empolgado, mas perguntou, na lata: "Por que não é azul?". E tem perguntado desde então, praticamente todo dia. Claro que eu criei uma história cheia de justificativas: acabou a tinta do Papai Noel, que usou o azul pra pintar outros presentes, e ele resolveu pintar de amarelo porque Gutão gosta muito do sol, e amarelo é a cor do sol, e por aí vai...

Gutão aprendeu a andar na bicicleta (de rodinhas, claro) rapidinho. Faz manobras pra frente, pra trás, tira finos inacreditáveis dos móveis, e morre de alegria! Logicamente, as primeiras noites em Floripa, depois da troca, sem a chupeta, foram difíceis. Gutão pediu a dita cuja antes de dormir em dois ou três momentos. Depois, aceitou e grudou na Pig. Não dormiu muito bem, é verdade. Acordou chorando várias vezes, teve sonhos "intensos", reflexos da adaptação' "à perda" da petita, acredito. E como é difícil a gente se desapegar, né? Por isso, tenho sido bem cuidadosa nesse processo com filhote. Não voltamos atrás na decisão, mas eu e o Rô oferecemos muito carinho, muito apoio e muito "reforço positivo" para Gutão passar por essa sem grandes traumas.

E filhote parece que passou. Em Recife, ele não pediu a petita nenhuma noite sequer. Deitava, abraçava a Pig e dormia. Dormiu um pouco mais facilmente do que em Floripa, e eu credito à correria e à "natação" nas piscininhas de Boa Viagem e ao ar-condicionado! Ai, que delícia esse tal de ar-condicionado! Não temos em casa, pois nunca sentimos necessidade. Nosso apê é bem ventilado, aliás, em geral, é sempre mais fresco que a rua. E como em Sampa os dias de calor intenso não são o usual, vamos levando com os ventiladores de teto. Voltando às férias, o ponto alto em Recife foi apresentar os primos: Gutão e Bruninha se conheceram, enfim!! Tão linda a nossa "Buruca". Uma gorduchinha, de olhos atentos e gritinhos de personalidade. Gutão queria pegar a prima no colo a toda hora. E pegava, e fazia carinho, e dava beijinhos. Nem preciso dizer que voltamos com mais de mil fotos na digital, né? :-)

Eu teria muito a contar das férias, mas, se eu me empolgar, isso aqui vai virar livro! Só posso dizer que, apesar do caos da TAM na tentativa de embarque na véspera do Natal (resumindo: cinco horas depois, pedimos reembolso, inclusive do táxi, compramos passagens da Varig pro dia seguinte e voltamos pra casa), o final de 2006 foi revigorante. Depois eu volto pra contar como estamos em 2007.

posted by JULIANA DE MARI 6:59 PM


Quinta-feira, Dezembro 21, 2006


Quase lá


Nem acredito, mas meu último dia de trabalho do ano foi ontem. Ufa. Que ano corrido e cansativo. No final, o saldo é positivo, ainda bem! Aliás, nem contei por aqui que estreei um blog no site da revista (sou jornalista, pra quem ainda não sabe!). Dessa vez, pra tratar de assuntos de carreira e refletir um pouco como ser e fazer melhor dentro e fora do trabalho. Quem tiver a curiosidade de conhecer, deixe o email nos comentários que eu devolvo o endereço do site.

Estou oficialmente de férias coletivas até o dia 08 de janeiro. Sábado seguimos pra Floripa. Depois, no outro, pra Recife. E vamos rezando pros aeroportos voltarem à mínima normalidade. Acabo de ler no UOL que Congonhas tinha 60 vôos atrasados hoje, que meda! Gutão tá de férias desde a sexta passada. Passou a semana entre jogar futebol na quadra improvisada do prédio, brincar com o filho do porteiro, o Natan, um menino de oito anos que virou ídolo do meu filhote, e dar chiliques em casa. Tá difícil essa fase. Por um lado é bonito de ver a conquista da autonomia e a busca pela auto-afirmação, descobrindo os limites, fazendo valer suas vontades e tal. Mas, por outro, pelamordedeus, tem horas que não aguento tanto choramingo e tanto "não quero isso". Quando sinto que vou perder a paciência, lembro que o apelidamos de "bichinho do não", digo isso pra ele e tento rir da situação.

Fora que a ladainha das noites mal dormidas continua. Já nem sei mais do que se trata. Acho que, agora, o motivo é o nariz entupido e uma tosse chata que insiste em atrapalhar o sono da "casa". Ontem foi tão tenebroso que hoje acordei com uma enxaqueca daquelas. Delícia. Não consegui fazer nada do que tinha me programado pra fazer, tipo arrumar as malas, arrumar a casa, dar ordem nas coisas antes de 2007 chegar. Só fiz mesmo a mão e o pé que eu também sou filha de Deus e também preciso espairecer e me embonecar pra aguentar o tranco mais felizinha!!

Tá lá embaixo agora, o meu moleque. Foi dar "tchau pro sol". Muito querido. Tá com a babá nova, que tem me causado mais problemas do que eu poderia imaginar. O caso é que o namorado também veio da Paraíba e os dois estão cheios de planos de casar, ter filhos e etc (eu já tentei orientar e dizer que fazer planos do gênero agora, recém-chegados a paulicéia, no auge dos 20 anos, é loucura, mas, sabe como é que é...na teoria, a vida é tão fácil...). Fato é que eu não tenho condições de ficar com mais uma pessoa em casa que não pode dormir no trabalho -- ou que fica agoniada pra ir embora cada vez que o telefone toca. Mas deixa essa questão pra 2007.
Com serenidade, tudo há de se ajeitar.

Essa época do ano sempre me dá aquele misto de alegria e tristeza. Não sei de onde vem essa melancolia. Deve ser coisa de quem tem os astros todos em água. Sou a própria "torneirinha": é só ver alguém desejando Feliz Natal e trocando um abraço caloroso que já me dá vontade de chorar. Mas eu choro na boa; chorar me faz bem; eu não sofro, não. É só que os outros acham meio estranho, vêm me consolar. Acho que ficam incomodados com tanta "sensibilidade", sei lá. Tou escrevendo isso aqui e já tá me dando vontade de chorar de novo. Acho que tou é com saudade de casa, dos meus pais, da minha irmã, com saudade da sobrinha que eu nem conheço ainda (Bruninha, a tia chorona tá chegando!!). Esse ano não foi mole, não. Muita correria, muita coisa boa, muitos desafios, muita realização. Ano que vem, se Deus quiser, vai ser melhor ainda. E um pouco mais calmo pra que eu possa "gerar" muita novidade, se é que me entendem! :-)

Se der, ainda passo por aqui pras devidas atualizações em 2006.
Se não der, fica aqui o meu desejo de um Feliz Natal pra todos vocês que nos acompanham e um super 2007. Muita saúde e muita serenidade, que o resto vem de brinde!

posted by JULIANA DE MARI 7:32 PM


Terça-feira, Dezembro 12, 2006


Noites agitadas


Foi-se a dor de ouvido, ficou o medo de ficar sozinho. Pois bem, foi essa a manifestação do meu filhote agora há pouco. "Mamãe, preciso de ajuda." "Mamãe, não me deixa aqui sozinho". Isso porque ele deitou incrivelmente cedo, às 21h30, já com os olhinhos baixos de sono. Finalmente dormiu agora, 22h15. Nesse meio tempo, chorou, pediu minha companhia, disse que não gosta do quarto e só sossegou quando segurou minha mão na mãozinha dele. Ai, a rebarba da cirurgia não foi física, mas, pelo visto, psicologicamente, veio que veio. Eu sei que essa é a fase dos medos, mas Gutão ainda não tinha verbalizado nenhum significativo. Vamos lá, pacientemente, lidar com mais essa.

Eu tenho conversado muito com ele esses tempos. Tentando não dar tanta bronca, mas conversar e principalmente ouvir as razões, as angústias, as vontades dele. Baita exercício. Agora mesmo, no meio da sessão pavor, tentei acalmá-lo contando que o melhor lugar do mundo é a casa da gente. Que é tão bom voltar pra casa, reconhecer as nossas coisas, a nossa história, sentir o cheirinho que só a nossa casa tem. E falei que o segundo melhor lugar do mundo é a cama da gente. Que é tão bom dormir na nossa cama quando a gente tá com sono, cansados, precisando descansar. Que dormir é bom, faz crescer, repõe as energias e prepara a gente prum novo dia, cheinho de aventuras, de alegria. Filhote ouviu tudo quietinho, olhinhos esbugalhados, petita nervosa na boca. Mas não desgrudou da minha mão, bichinho...

Ontem Gutão também teve um sono agitado. Por baixo, levantei umas cinco vezes na madruga pra antedê-lo. Não reclamou de dor, realmente não acho que seja nada físico relacionado à cirurgia. Acho é que tava com calor e com um pouco desse receio descrito acima de ficar sozinho. Só relaxou mesmo quando liguei o ventilador/exaustor. Hoje, por precaução, botei um pijama mais quentinho e já liguei o dito na hora de deitar, aliás, ele ligou -- que agora ele aprendeu qual é o lado certo do exaustor (não ligo o ventilador porque vai muito vento em cima dele).

Tivemos um dia legal hoje. Pela manhã, fomos no cabelereiro pra ele cortar as madeixas. Os cachinhos ficaram, mas a franja não tá mais caindo nos olhos dele. Depois, enquanto ele comeu um brigadeiro de colher, eu tomei um café gostoso. E aí fui dar uma olhada nas lojinhas da Vila, que eu também mereço! Numa loja de roupas, Gutão encantou as vendedoras, nossas conhecidas. Pra eu conseguir provar as calças jeans, lá se foi o garoto passear pela rua com a dona da loja, vê se pode! Aproveitei pra escolher os presentinhos de Natal das professoras dele, sempre tão queridas. Gutão adorou o passeio, voltou todo falante pra casa. À tarde, desceu pra brincar com o filho do porteiro e a babá, que apareceu pra trabalhar e, ufa, não está grávida. É só infecção urinária. Eu fui na manicure e depois dei um pulo na nova ponta de estoque da Green (na rua Homem de Melo, 856, pra quem não conhece). Não tinha muita coisa pra idade dele. Sai com duas bermudinhas e uma calça e mais um vestidinho e um sapato lindo pra nossa gordinha Bruninha!!!!

Ai, que eu não vejo a hora dessa semana passar e da outra chegar. Vamos pra Floripa no sábado, 23, e pra Recife no dia 31, que correria! Nunca pensei que ia curtir tanto fazer as malas! Tou precisando descansar, mudar de ares, renovar o astral. E abrir o espírito pra nova encomenda que, se Deus quiser, janeiro trará!!!!



posted by JULIANA DE MARI 10:18 PM


Segunda-feira, Dezembro 11, 2006


Um dia depois do outro


Nem parece que Gutão fez cirurgia, tomou anestesia geral, passou um dia inteirinho no hospital. Ontem, domingão, filhote acordou animado, dizendo que tava com a barriga roncando e queria almoçar no "restaurante". Pedido atendido e lá fomos nós ver o dragão do America na hora do almoço. Filhote, que está em dieta líquida e gelada, almoçou milkshake e papinha Nestlé. Em temperatura ambiente, diga-se. Achei que ele ia detestar, mas que nada! A fome de "sólido" era grande e ele comeu praticamente todo o vidrinho de espaguetinho à bolonhesa, bem molinho, mas até que gostosinho. Hoje repetiu a dose e comeu super bem. Até arrisquei dar uma pêra, bem molinha, e ele devorou. Ofereci picolé primeiro e ele, pasmem, recusou. Daí, me veio a idéia da pêra e ele aprovou! Melhor que a propaganda do menino do brócolis, fala sério!

Fiquei em casa com ele hoje e ficarei amanhã também. Sorte minha, pois a babá, a Lu, faltou. Diz que teve um mal estar pela manhã, desmaiou e sei lá o quê, e eu preferi que ficasse mesmo em casa descansando. Tomara que não seja o que minha imaginação desenhou (gravidez?) e que amanhã ela chegue disposta e esclarecendo o tal mal súbito. Gutão passou o dia bem, correndo e brincando de dar gosto. Só lembro que fez cirurgia na hora de dormir, pra falar a verdade. Ontem ele acordou várias vezes na madrugada, chorando. E hoje, depois da soneca da tarde, também. Falei com a médica que garantiu não ser dor no ouvido. O que ela suspeita, e eu acabei concordando, é que ele está elaborando tudo o que aconteceu e pode estar projetando algumas coisas em sua imaginação a respeito da "limpeza nos ouvidos". E que é natural sentir medo, ficar angustiado, e expressar isso tudo chorando. Assino embaixo. Dei muito colo pro meu Pirato, dei muitos beijos e conversei um bocadão com ele.

Hoje à tarde, filhote ganhou uma "encomenda" que Papai Noel deixou por aqui. Um carrinho da polícia que faz o barulho da sirene e tudo o mais. Falei que Papai Noel tinha deixado antecipadamente com um recadinho: que é pra ele só usar a petita pra dormir. Filhote entregou a dita na hora! E não usou mais durante o dia. Ah, como essas "mentirinhas" funcionam! Nada como um bom incentivo pra cultivar bons hábitos, hahahhaa. A saga do xixi no pinico continua. Na maior parte das vezes, se a gente incentiva, ele vai lá e faz. Mas, se ninguém avisa que está na hora, ele também não se manifesta e acaba fazendo na calça. Hoje fez só uma vez, contra umas seis no piniquinho. Já fiquei feliz. Coco que é bom, só rola na cueca ou na fralda de dormir, não tem jeito. Mas tudo tem seu tempo, não é assim?

E o desenvolvimento dele tá indo no tempo certo, o dele. Gutão já tira a roupa praticamente sozinho, coloca a sandália, fica tentando colocar os tênis, e ajuda muito a se vestir. Quer fazer as coisas sozinho e é lindo vê-lo pedindo ajuda quando acha que é algo mais complicado. Gutão tá muito figura, essa é a verdade. Ontem na frente do restaurante havia uma loja "japonesa". Entrei pra comprar os presentinhos das "ajudantes da casa" e Gutão logo viu uma tentação: um skate de plástico. Veio, todo contente, com o skate embaixo do braço, dizendo: "Mamãe, a moça vai pagar a conta". Não teve jeito de negar o mimo. E vai daí que agora temos um skatista de verdade em casa. Que sempre anda com o capacete na cabeça (o que o Rô usa pra surfar) e pra quem eu já avisei que vamos comprar joelheira e cotoveleira pra proteger dos tombos. Ele gostou da idéia e eu gostei mais ainda de ver como a gente pode incentivar as boas práticas em casa.

Quê mais? Acabei nem contando da festinha de encerramento da escola. Foi lindaaaa! Aconteceu em uma escola maior, já que a dele é pequenina, não comportaria 700 convidados jamais! Foi num teatro de verdade, com palco e iluminação profissionais. Gutão foi fantasiado de tartaruga. A peça era Branca de Neve e filhote participou da hora em que os bichinhos acordam a Bela. Na turminha dele havia joaninha, passarinho, tartarugas e por aí vai. Os pequenos subiram ao palco cerca de uma hora depois que a festa tinha começado. Todas as turmas dançaram, era uma peça de verdade. Antes disso, a turminha dele ficou sentada nas primeiras fileiras, enquanto nós, os pais, ficamos mais pra trás no auditório. Gutão nem deu bola. Ficou lá dançando sem parar. A professora me perguntou se a gente tinha dado guaraná pra ele, porque ele tava ligadíssimo! Foi a música, as cores, as danças. Filhote adora um agito, tem vocação pra curtir a vida, que bom! A gente ficava vendo ele lá embaixo, pulando que nem um canguru, cutucando os amiguinhos mais parados, sorrindo e prestando atenção em tudo que acontecia no palco. A festa acabou por volta das 21h30, ele tava exausto, mas ainda aguentou ficar na fila pra ganhar presente e dar oi pro Papai Noel. Que orgulho!!!

Falando em Natal, montamos nossa árvore ontem. Gutão ajudou a colocar os enfeites e ficou todo prosa no final. Hoje disse pra faxineira que tinha me ajudado a montar a árvore e que o Papai Noel ia ficar feliz de ver a casa enfeitada. Feliz fico eu, de ver a casa cheia dessa alegria!!

PS: Mic e Rapha, obrigada pelos telefonemas! Mic, ontem não atendi, pois tava colocando Gutão pra dormir e não liguei hoje de volta porque o Rô esqueceu de dar o recado, ai, ai, ai! Te ligo amanhã! Rapha, obrigada pelas orações e pelo carinho de sempre. Tou doida pra ver a farra desses pequenos no final do ano!! Andrea, da Celina, obrigada pela carinho virtual! E um super thanks e um grande beijo pra todos que passaram por aqui, que deixaram recadinhos ou que não quiseram se apresentar, mas fizeram corrente positiva pra Gutão passar por essa na boa!!!!!

posted by JULIANA DE MARI 10:54 PM


Sábado, Dezembro 09, 2006


Juntos, pro que der e vier


Foi o momento mais angustiante das nossas vidas de pais, certamente: ver filhote ali, deitadinho na maca, entrando, sozinho, no centro cirúrgico. Ai, gente, que aperto...Chorei, eu, que nem criança -- depois que a porta fechou, claro. O Rô também se emocionou. Foi doído, mas foi um momento bonito, ao mesmo tempo. Depois do "xaropinho" anestésico, dado ainda no quarto, Gutão foi ficando molinho até chegar naquele ponto da "chapação". Chegou assim na porta do centro cirúrgico: chapadaço, sorrindo pro mundo. Abraçado na Pig, deu um sorridente "até já" pra gente, nossos olhos já marejados, a maior força do mundo pra devolver o sorriso meigo dele. (Naquele instante, fiquei pensando no quanto somos abençoados e na angústia que devem sentir pais e mães ao verem seus filhos nessa mesma situação, só que não por uma escolha, não por um procedimento eletivo, mas por força de uma doença, de uma urgência, ai, ai...).

Chegamos ao hospital às 8h. Gutão estava em jejum há horas, desde a pizza com suco de abacaxi de ontem à noite. Não reclamou um só minuto, aliás, nem lembrou que precisava comer. Chegou sorrindo, correndo, querendo encontrar a dra.Renata, que já havia combinado com ele na consulta da sexta que ia "limpar os ouvidinhos e tirar a areia azul lá de dentro" (sim, tinha um grão de areia azul no ouvido esquerdo, bem lá dentro, a tal areia que faz a festa das crianças na escola!). Nós não mentimos: dissemos pra ele que estávamos num hospital e que íamos passar o dia lá. Só não falamos em cirurgia, operação, anestesia, sangue, essas coisas. Pra quê, né? Ele só iria ficar impressionado ou com medo dos procedimentos. Bom, o anestesista foi no quarto antes da cirurgia. Um figuraça, que gerou empatia com filhote de cara. Perguntou dos carrinhos, ascultou o peito dele e deixou ele ouvir o próprio coração, e combinou de dar o xaropinho em seguida e fazer fumacinha depois que ele já estivesse lá dentro. Engraçado foi que a enfermeira veio dar o sedativo e trouxe a seringa e um copinho junto. Eu perguntei o que era e ela disse que era groselha pra dar depois do anestésico. Eu falei que não precisava, que eu mesma oferecia o líquido na seringa pra ele. E foi assim, filhote abriu o bocão e nem reclamou. Bichinho, já tá acostumado de tanto remédio que tomou por causa dessas otites...

A cirurgia começou por volta das 9h40. Perto das 11h, a enfermeira ligou no quarto, avisando que tinha terminado, que transcorrera tudo bem e que ele estava dormindo tranquilo. Era hora de trocar de roupa e ir lá, ficar com ele até ele acordar, no pós-operatório do centro cirúrgico (achei muito bacana esse cuidado, dos filhos acordarem com as mães por perto). Quando cheguei Gutão ainda dormia, tranquilo. Tava tomando soro e fumacinha de adrenalina, pra ajudar na respiração. Achei que ia encontrá-lo inchado ou coisa que o valha, já que ele também tirou as adenóides, mas nada. Estava lá, deitadinho de lado, ressonando. Até que abriu os olhinhos. E viu um fio com aquele negócio que colocam no dedo pra acompanhar o nivel de oxigênio, esqueci o nome. Pronto. Ficou tentando colocar na boca, como se fosse chupeta. Aí, o anestesista achou por bem tirar o troço do dedo e guardar, já que ele estava bem. Pra que? Gutão cismou que era uma chupeta e que o médico tinha guardado no bolso. Ficou tão brabo que chegou a se levantar na cama, ficou em pé, foi pra cima do dr.Marcelo pedindo a "petita", muito nervoso. E o médico rindo, dizendo que não tinha nada no bolso e pedindo pras enfermeiras correrem pra pegar a dita petita com o Rô! Durou uns cinco minutos o episódio. Eu não estressei, não. Achei até engraçado como, nessa volta da anestesia, qualquer coisa detona a "brabeza". (O menininho da cama ao lado, que operou um olho, estava batendo as pernas, irado, por que queria jogar videogame!). Depois da petita na boca, deitei com filhote na maca e ele, então, recebeu alta para o quarto e nós fomos encontrar o Rô, ansioso que tava em ver o filhote de volta.

Gutão já chegou no quarto mais acordadinho, mas ainda molinho. Ficou deitado vendo desenho na TV, tomou um tantinho de suco e ganhou um helicóptero do papai. Gostou tanto que quis descer da cama. Aí, eu me apavorei. Chamei a enfermeira pra ajudar, mas ele foi mais rápido, e brabo que só, desceu da cama sozinho. Quando ela chegou, deu risada e disse que tudo bem, que eles só fazem o que podem fazer. Recomendou apenas ficar perto dele, caso as perninhas bambeassem. Isso não aconteceu. Gutão brincou um bocado, tomou mais suco, tomou picolé de uva (dois!) e, depois, pediu gelatina. Para minha surpresa (sim, eu tenho trauma de anestesia!), não vomitou nem sequer teve ânsia. Brincou um monte com a cama que sobe e desce, fuçou tudo embaixo dela, dançou Jack Johnson com o papai e fez a festa das enfermeiras. Nem o ouvido nem o nariz sangraram. Ele cuspiu um pouco de sangue, mas ainda lá na recuperação. Não reclamou de dor nem teve febre. Tomou novalgina no meio da tarde, dormiu por volta das 16h30 e às 18h30 teve alta médica.

Estresse mesmo só rolou na hora de tirar o micropore do braço, no lugar onde eles aplicaram o soro. Ele cismou que só a dra.Renata podia tirar. Era um pedaço grande e a médica foi puxando de uma vez, coitada, acho que realmente esqueceu que dói um tantinho...Gutão chorou de ficar vermelho. E depois soltou essa: "Não gostei desse tratamento"!!!! Filhote deixou o quarto correndo, falando que queria voltar pra casa, super bem. Nem parece que tomou anestesia geral doze horas atrás. Chegou em casa e mandou ver três iogurtes e mais uma caixinha de suco gelado. A dieta tem que ser líquida e gelada até segunda-feira. Tomou mais dois copos de leite até dormir. Deitou agora às 22h. Perguntei se tinha dor, ele disse que não. Perguntei se tava bem, ele disse "é". Eu falei que foi muito legal ele ter ajudado hoje, porque, com os ouvidos "limpinhos", ele não vai ter mais aquela dor chata. Fihote deitou tão cansadinho que até pediu pr'eu apagar a luz do quarto. Tá lá, agora, abraçado na Pig, ah, a companheira Pig. Eu acho que ele vai dormir relativamente bem. Já deu umas choradinhas por causa da petita que caiu, mas não chorou de dor, graças. Que Deus e meu Santo Expedito permitam que, daqui pra frente, seja essa a rotina: um sono tranquilo, tranquilizante!

Foi angustiante a espera pra fazer a cirurgia, mas tenho certeza que Gutão só vai ganhar com os ouvidos "limpinhos". Tinha um monte de catarro nos dois ouvidos, segundo a médica. Tanto que ela teve que colocar tubinhos de ventilação nos dois lados. É um tubinho microscópico, que vai sair à medida em que o tímpano for crescendo. Serve pra ventilar mesmo e não deixar o catarro acumular no ouvido médio. As adenóides eram de tamanho normal, mas estavam posicionadas exatamente na frente da ligação com o ouvido, ou seja, obstruindo o caminho também. Gutão teve que ser entubado por causa da anestesia e eu tinha medo que voltasse com dor de garganta, ou reclamando do procedimento (eu senti muito nas vezes em que passei por isso...). Que nada. Nem reclamou, nem comentou, acho que realmente isso não o incomodou.

E foi assim, já passou. E a gente aprendeu, mais uma vez, que, com tranquilidade, transmitindo confiança e segurando muuuuuuuuito a nossa onda, nosso filho vai longe. E que a nossa experiência passada é um sinalizador, um orientador, mas que a vidinha dele acontece hoje, as experiências dele se dão agora, e que ele tem o aparato dele pra lidar com as novidades e as adversidades que encontra pelo caminho. E, olha, até aqui, tem lidado mui melhor que eu -- ao menos no aspecto médico!! :-)
Te amamos, Gutão!!!

posted by JULIANA DE MARI 11:19 PM


Terça-feira, Dezembro 05, 2006


Relatório


A vida anda corrida, como já deu pra perceber pelo tanto de tempo que fiquei ensaiando contar as novidades sem conseguir brecha pra vir até aqui...Fato é que o tempo passa, Gutão cresce, e as alegrias só aumentam.

- Filhote fez os exames pré-operatórios - sangue e raio-X do nariz. Ao contrário do imaginado, não deu trabalho algum. A radiografia foi rapidíssima e tranquilíssima. Tirar o sangue, na minha cabeça um quase monstro de sete cabeças!, também foi relativamente simples. Gutão deixou as enfermeiras darem uma picadinha na orelha (coagulação) e ficou conversando sobre a "tinta" que elas passaram na orelha dele. Depois, foi convidado a deitar na maca e estender o bracinho, coisa que fez sem nenhuma resistência. Eu e o Rô fomos orientados a segurar o bichinho (aquelas técnicas de imobilização, peito e perninhas, sabe?). Fizemos tudo com tranquilidade, sem dar muita bola ao que estava acontecendo, e continuamos a conversar com ele sobre o que iríamos fazer depois que saíssemos do laboratório. Na hora da picadinha, ui, filhote ficou vermelho, os olhos encheram de lágrimas, e ele olhou pra gente como pra saber se era pra chorar ou não. Meu coração ficou apertadinho, mas eu ignorei esses sinais e continuei conversando, bem animada, sobre o tênis novo que ele ia ganhar de presente. Ai, gente, filhote ficou olhando enquanto as enfermeiras tiravam o sangue e não chorou, nem se mexeu, nem coisa nenhuma. Confiou. E o exame foi rápido, as enfermeiras ficaram impressionadas, deram os parabéns, saudaram o pequeno com um esfuziante "valeu" e, ao final, depois que ele tinha deixado a sala em direção aos brinquedos, quem desabou fui eu!!! Chorei e chorei, de orgulho, de alívio. Tenho certeza que a nossa atitude, o fato de termos segurado nossa onda, de termos controlado nossa ansiedade, agiu positivamente sobre o comportamento dele. Confiança faz toda diferença, né? E Gutão segue nos ensinando um monte de coisas sobre nós mesmos...
Ah, a reclamação em relação ao exame de sangue só veio depois, à tardinha, na hora do banho, quando ele percebeu que o "adesivo" de cobra que a enfermeira colocou sobre a picada tinha saído com a água. Aí, sim, ele falou: "Eu não gostei disso". E aí, sim, eu expliquei que eu também não gostava, mas que era importante fazer o exame pra ver se estava tudo bem com a saúde dele. E pronto, assunto encerrado, passamos pro próximo! (Se tem coisa que não nos falta, os dois tagarelas, é assunto!).

- A cirurgia tá marcada pro sábado agora, dia 09. Como Gutão começou com uma tosse chata e com o nariz entupido e cheio de catarro verde, conversei com a otorrino, que já passou um remédio e que vai avaliá-lo na sexta-feira. Se o quadro não melhorar, nada feito. Não dá pra correr o risco de operar com um foco de infecção instalado. Tou naquele misto de sentimentos agora: quero que ele fique bom, obviamente, mas estou angustiada com a cirurgia (na verdade, com a anestesia)...Anyway, o que tiver que ser feito, será. E vamos passar por essa juntos, com a tranquilidade possível, focando na melhora dele.

- No mais, filhote cresce a olhos vistos. Tá enorme, cabeludo, falante, cheio de tiradas engraçadas. Continua adorando cantar e dançar. Recebeu o relatório das aulas de música da escola cheio de "sim" para a atenção aos ritmos, a capacidade de aprender novas melodias, o interesse em novos instrumentos e etc. Temos planos de matriculá-lo em uma escolinha especializada em música para crianças no ano que vem. Há que se estimular os dons que ele deixa vir espontaneamente, né? Filhote também tem se revelado bom de bola. Agora, a toda hora, pede pra descer com o Rô pra "jogar bola na quadrinha", uma quadra minúscula que criaram num espaço, antes inútil, na garagem. E o danado dá cada chute, sério. E corre, como corre! E fica tão feliz em "movimento"!

- Falando em futebol, Gutão se saiu com uma hilária no final de semana. O Rô, gremista roxo!, perguntou: "Quem é o time campeão?". E Gutão respondeu, cantarolando, como faz a torcida: "Corinthiaaas". Eu quase morri de rir!!!!! E lá vai o Rô fazer sua catequese e dizer que o Grêmio é isso e aquilo e aquilo outro, e cantar o hino do time, e pedir pra filhote repetir e coisa e tal. E Gutão, esperto e rapidinho que é, repete o nome do outro time só pra provocar e dar risada da nossa cara depois! Eu já falei pro Rô: a melhor estratégia é eleger um time em São Paulo -- afinal de contas, o lugar onde a gente mora e o lugar onde filhote nasceu -- e torcer pro menino se afeiçoar a ele e não embarcar na influência dos amiguinhos da escola (de onde, suponho, tenha vindo a referência ao timão). A sugestão é ficarmos com o tricolor, o São Paulo, o meu time por aqui (em Recife, sou alvirrubra, torço pro Náutico). E lá vai o Rô dizer que o Grêmio e o São Paulo são tricolores e patati-patatá. Mui engraçado!

- Ah, domingo fomos assistir ao filme do Pinguim, o Happy Feet. No geral, é uma graça. Os pinguins são fofos, a dublagem é super bacana, e a história de não ter vergonha de ser diferente é uma bela mensagem. Mas...algumas cenas são bem violentas, e Gutão ficou um tanto assustado, perguntando "por que a baleia quer comer o pinguim?", com os olhos arregalados e quase gritando de medo. Mas são poucos momentos mais trash, nada que não dê pra conversar durante e depois do filme.
Fomos perto da hora do almoço e filhote começou a ficar com sono faltando uns 20 minutos pro filme acabar. Ele me olhava e dizia assim: "Agora vai acabar". Hhahaahahaha
E quando acabou, quem disse que ele queria ir embora? Falou pra gente: "Peraí, a música ainda não acabou". E ficamos lá, nós três, vendo o letreiro subir e curtindo as canções do filme até terminar.


posted by JULIANA DE MARI 11:05 PM


Sexta-feira, Novembro 24, 2006


So it is...


Um monte de coisas pra contar, mas cadê tempo? Vamos por partes, pra facilitar.

Saímos de férias no domingo, rumo a Juquehy, litoral norte de SP. O Rô havia visto a previsão na internet e era de dias lindos e ensolarados. Chegando lá, só chuva. Tempo feio mesmo, friozinho até. Como segunda não melhorou, resolvemos checar a previsão (o hotel tinha um bacanérrimo seguro contra chuvas e a gente já estava pensando em solicitar!). Vai daí que o Rô descobre que estava consultando errado. Há duas localidades "São Sebastião" no Brasil e ele estava xeretando o tempo na que fica em Alagoas, não aqui no litoral paulista! :-)
Sorte nossa que na terça-feira o sol começou a aparecer. Mas aí veio um susto. Um baita susto. O Rô foi surfar à tarde e sofreu um acidente no mar. Foi jogado contra as pedras, ficou todo arranhado, bateu as costas, o peito. Um perigo. Nem preciso dizer do que senti quando o vi chegando ao hotel, mancando, sangrando, ai, ai, ai. Mais uma vez, sorte nossa que ele não bateu a cabeça, não ficou inconsciente, não ficou preso no fundo, sei lá. Gutão ficou bem impressionado com o papai tão machucado e, desde então, diz que ele também se machucou nas pedras. Aliás, ontem disse que "aqui em casa só a mamãe não tá desmantelada". Ótimo.

Bom, do acidente em diante as férias foram meio frustradas, pois o Rô não pode curtir o planejado, não pode surfar como gostaria, e nós não pudemos curtir a praia na companhia dele como gostaríamos também. O hotel era na beira da areia, literalmente. Eu e Gutão curtimos como deu os dias de sol, e o Rô chegou a nos acompanhar na praia --usando roupa e meias, mui engraçado. Gutão correu que só ele, fez castelinhos, catou conchinhas e viu os caranguejos. Também aproveitou um bocado a piscina de água quente, uma hidromassagem que acabou virando piscina de crianças!! Tá todo empolgado em aprender a nadar e eu dei umas boas lições pro bagualito de como bater as perninhas e os braços. Acho que logo, logo vai ser hora de liberar a natação pra esse menino! Quê mais? Gutão também fez um amigo, o Axel, um lourinho, sueco, que falava inglês e ensaiava as primeiras frases em português. Um figuraça que vinha na nossa mesa toda vez que eu tirava o saco de brinquedos da mochila. Os pequenos brincaram a valer e a língua, definitivamente, não foi uma barreira ao entendimento. Gutão tem se mostrado muito interessado no inglês. Percebe a diferença do som, eu acho. Ouve as músicas e pergunta o que estão dizendo. Quer saber o que dizemos um ao outro quando, por acaso, usamos um termo em inglês e por aí vai. Engraçado mesmo foi ver uma babá explicando para outra criança qual era o nome daquele amigo "estrangeiro": "Ah, eu acho que é Maciel o nome dele". hahahahahahaaa

Bom, sobrevivemos às férias! Gutão não teve nova crise de otite, mas está com cirurgia marcada para o dia 09. Consultamos a otorrino e a pediatra e é isso mesmo: é preciso fazer a drenagem dos dois ouvidos e, provavelmente, tirar a adenóide. O resultado dos exames mostraram que, além do muco que não drena naturalmente, filhote tá com uma perda auditiva importante. O gráfico de reação do tímpano deveria ser uma pirâmide, mas está "flat", uma linha praticamente reta. Ou seja, o tímpano não está reagindo como deveria. E isso ainda não está comprometendo o aprendizado e o desenvolvimento, mas, a médio prazo, pode, sim, virar um problema. Sério mesmo, tou angustiada, mas só de pensar que filhote vai dormir melhor, respirar melhor, comer melhor, fico segura de que estamos fazendo o que é preciso ser feito.

No mais, Gutão fez o primeiro coco de sua vida no pinico essa semana. Por iniciativa própria, aliás. Viva! Tudo bem que foi uma vez só, mas tá valendo. O xixi tá mais regulado. Agora, ele passa horas sem fazer nas calças. Nem sempre avisa que precisa esvaziar a bexiga, é verdade, mas se a gente fica atento e o leva ao banheiro no tempo certo, vai tudo uma beleza. Semana passada, aliás, em visita aos dindos, Gutão fez xixi duas vezes na privada, com auxílio do redutor do Miguel, coisa que, em casa, ele não usa nem que a vaca tussa.





posted by JULIANA DE MARI 9:50 PM


Domingo, Novembro 12, 2006


Mini-férias


Estamos indo pra praia hoje. Cinco dias na beira do mar. Carro abarrotado, Gutão e papai só sorrisos, e eu na expectativa de descansar um tantinho, curtindo nosso "trio". Torçam aí pro ouvido do filhote se comportar direitinho e não rolar nenhuma crise longe de casa...Na volta, dou notícias das férias e da preparação para a cirurgia (deixamos pra fazer mais pro final do mês).
Obrigada pelos recadinhos carinhosos.
Beijos e até!

posted by JULIANA DE MARI 10:47 AM


Quinta-feira, Novembro 09, 2006


Seguindo...


Gutão teve retorno na otorrino hoje. As notícias não foram das melhores. Os ouvidos continuam ruinzinhos e o caminho recomendado agora é mesmo a micro-cirurgia para fazer o dreno. Diz a médica que interna pela manhã e já é liberado à tardinha. Ai, ai. É que ele deveria ter reagido melhor aos últimos ciclos de antibiótico. A infecção regrediu, mas a otite não se foi completamente. Está lá o maldito "brilho", que a gente vê direitinho no exame que mostra a estrutura do ouvido na tela da TV. Essas duas últimas noites já não foram tão legais. Filhote acordou no meio da madrugada, chorando um tantinho. Voltou a dormir logo, mas meu radar já ficou totalmente alerta...

Foi o Rô quem levou filhote na médica. Eu não consegui me liberar do trabalho. Já desconfiava que o diagnóstico ia ser esse aí, da otite persistente. Mesmo sendo comum, judia demais a criança ter quatro longos episódios de otite braba no ano...Confesso que estou chateada pela indicação do procedimento (e sei que ainda vou chorar um bocadinho de agonia sem meu Gutão perceber...), pois vai requerer o estresse da anestesia, hemograma, hospital e tal e tal. Por outro lado, quero ver meu filho bem, quero ter certeza de que estou fazendo o melhor pela saúde e pelo bem estar dele. Confiamos na otorrino e vamos ouvir também a opinião da pediatra dele, uma médica super experiente e sensata que nunca nos deixou na mão e nunca nos apavorou sem necessidade. Aliás, nunca nos apavorou. Sempre nos tranquilizou e nos guiou ao melhor tratamento, abordagem, cuidado...
Enfim.

Semana que vem tínhamos planejado passar inteirinha na praia. Estamos de mini-férias. Com essa indicação da cirurgia, estamos revendo os planos. Vai ser bom dar uma viajada anyway, ficar juntinhos, tomar um solzinho e correr na areia pra então cuidar dessa parte "chata". Mas talvez tenhamos que voltar antes do programado inicialmente pra fazer os exames necessários e marcar uma data pra outra semana. Falando sério, tou estressada desde já de ver meu Gutão tirando sangue...Nada contra esse procedimento. Realmente não sou daquelas que desmaia ou sente dor nessa hora. É só que é invasivo, assusta até adulto, que dirá uma criança do tamanho dele. Mas...Muita calma nessa hora que há de rolar tudo mais facilmente do que eu imagino, né? Vou repetir mil vezes esse mantra!!!!


posted by JULIANA DE MARI 11:07 PM


Sábado, Novembro 04, 2006


Apaixonante 2


Agora, me digam: dá pra resistir?

- Feriadão, ontem, papai, mamãe e filhote em sessão pipoca na hora do almoço. O filme escolhido é "O Bicho Vai Pegar". O cinema, não muito cheio. Gutão traçando suas pipocas e eis que começam os trailers. Entre um e outro, aparece aquela moça segurando a tocha, aquela da Columbia TriStar Pictures. Pois bem, Gutão pára de mastigar e diz: "Olha, o Santo Expedito!" hahahhahhahhaahhahahhhahaha

- Filhote e papai hoje, no elevador, depois de meia hora na garagem, "vendo" os carros. Papai diz assim: "Vamos tomar um banhitcho?". Ao que Gutão responde: "Não gosto dessa "palavria". Cinco segundos depois, emenda, rindo: "É japonês"!!!!!! haahahaaahhahhaahhhahaa


posted by JULIANA DE MARI 11:35 PM


Quinta-feira, Novembro 02, 2006


Apaixonante


É assim que tenho percebido essa fase. Do alto de seus dois anos e oito meses, Gutão está apaixonante. Sociável, tagarela que só ele, cheio de tiradas engraçadas e olhares e sorrisos marotos. Charmosíssimo, esse meu filho, sério mesmo. Cheio de opinião, de gostos e desgostos, um serzinho encantandor até na hora da birra. Mais de uma vez, já me flagrei sorrindo, feliz, só de ouvir esse figurinha falar das coisas que percebe em seu pequeno grande mundo. Vai um breve relato:

- Eu e Gutão na cozinha, hora do almoço. Ele diz que quer o "saco de bolinhas". Eu digo que guardei o tal saco (a barraca de bolinhas, na verdade). Ele pergunta por que. Eu respondo que guardei por quê ele tem muitos brinquedos e não tinha mais espaço pra barraca, mas que, quando ele tiver um irmãozinho, a gente monta outra vez. Aí, ele vira pra mim e diz: "Eu quero o saco de bolinhas -- pra brincar sozinho".

- Gutão mexendo nos botões da televisão, descobrindo suas funções. De repente, some a imagem. Gutão nos olha e diz: "Ih, a telesão tá desmantelada" (hein?? onde ele ouviu essa palavra?)

- Por causa da otite, filhote tá tomando dois remédios. Um deles, pra dar uma desentupida geral, ele toma na boa. Já o outro...Gutão vê a seringa e diz: "Não gosto do gosto desse remédio". Aí, eu explico que foi a dra.Maria Inês (a médica que o atendeu no hospital da última vez) que receitou e que o gosto é ruim, mas esse é o melhor remédio pra fazer o ouvido sarar. Aí, ele faz uma baita cara de nojo e devolve: "Mas eu não gosto do gosto desse remédio". E aí eu tenho que apelar pra fantasia, chamar os bombeiros, fazer barulho de sirene, mudar a voz e perguntar: "Quem precisa salvar um ouvido por aí?". Pronto, Gutão esquece o gosto ruim e abre o bocão. Engole o remédio e insiste: "Eu não gosto desse gosto ruim desse remédio". Tadinho. O jeito é oferecer a escova de dentes pra ver se ajuda...

- O Julio e a Patty vieram almoçar com a gente hoje e trouxeram o querido Pedroca, um fofucho de três meses, que dormiu um bocadinho no ex-berço do Gutão. Filhote quis subir nas grades pra observar o amigo. A Patty aproveitou a singeleza do momento e perguntou se ele queria ganhar um irmãozinho ou uma irmãzinha. Ele respondeu: "Um irmãozinho". Isso foi na hora do almoço. Agora à noite, antes de dormir, o Rô quis saber a mesma coisa -- se Gutão queria um irmãozinho ou uma irmãzinha. E ele, acho que de saco cheio dessas perguntas, não teve dúvidas: "Eu não quelo nenhum irmãozinho". :-)

- Gutão agora diz assim "a minha mamãe", "o meu papai", e dá cada berro -- manhêeeeeeeeee, papaiêeeeeeeeeeeee. Um paulistinha assumido, esse nosso Pirato! E por falar em Pirato, comprei um álbum de colar adesivos e fazer caretas nos Piratas. Eu e Gutão colando nariz, boca, olhos e ele me pergunta: "Quem colou os meus olhos, mamãe?". :-)

- E na hora de dormir, depois de tomar os remédios, colocar o pijama, escovar os dentinhos e ganhar beijinhos, filhote pede pr'eu cantar a música do boa-noite. E eu canto a velha e boa "Tá na hora de dormir, não espere a mamãe mandar. Um bom sono pra você e um alegre despertar". E, toda vez, Gutão pergunta: "Onde mora o alegre?".

Ah, meu filho, mora no meu coração. Essa alegria que não passa desde a tua chegada. Te amo, Gutão!


posted by JULIANA DE MARI 10:46 PM


Terça-feira, Outubro 31, 2006


Vai e volta


A otite, infelizmente, não passou. Gutão continua com os dois ouvidos bem comprometidos. Sábado fomos ao Sabará mais uma vez, pra confirmar o que já sabíamos e, de alguma forma, pra aliviar nossas preocupações. Sério, eu já tinha dito pro Rô que se não fosse problema médico, era caso de irmos, nós três, a um psicólogo! Gutão tem dormido terrivelmente mal. Acorda por volta das 3h/4h da matina, chorando muito, se debatendo. Dor, claro. E dor dói e ele fica irritado, e nós, por mais que tentemos manter a calma e o foco, insones na madrugada, acabamos ficando nervosos também. Tadinho do meu bichinho...

Bom, fato é que retomamos o antibiótico e um descongestionante mais potente. Enquanto o nariz não melhorar de vez, não vai ter jeito de "limpar" os ouvidos. Estamos fazendo todo o possível, inclusive tratamento com uma otorrino, especializada em crianças. Ela não quer fazer o dreno, acha que é um procedimento que não resolve e que não garante que a otite não vai voltar. Nos pediu pra fazer nova audiometria, coisa que Gutão e papai estão fazendo agora, enquanto eu tou aqui trabalhando...Aliás, como é duro trabalhar com um filho doente em casa, né? Ontem cheguei e Gutão tava largado no colo do Rô, com as bochechas vermelhas, ardendo em febre. Teve 38.8 na madrugada e eu levei pra dormir na nossa cama. Hoje amanheceu alegrinho, embora um tanto quentinho. Tou torcendo pra ser um episódio e nada mais...

No mais, estamos bem. Fazendo planos pra arrumar a casa à esperar do novo rebento. Não, ainda não liberamos a "encomenda", mas o desejo está sendo construído --a três!-- e eu realmente acho essa etapa muito importante. Desejar o novo ser, arrumar a casa pra chegada dele, arrumar espaço na agenda pra essa gestação. E aí, sim, logo, logo o barrigão vem. Antes do Natal, eu espero!

Falando em barrigão, nasceu no sábado a Luana, filha da bá do Gutão. Ontem nasceu a Juju, da querida Mic, mãe do Rafinha. Acredito que a Stela, da minha amiga Rachel, mãe da Lara, também já deve ter chegado ao mundo. A última vez que encontrei a Rachel, sexta passada, ela estava linda e faceira passeando no shopping, com 4 dedos de dilatação!!! :-)

É isso aí, os ciclos da vida. Viva!



posted by JULIANA DE MARI 10:57 AM


Domingo, Outubro 22, 2006


Um dia depois do outro


Estamos melhorando. Sim, no plural. Dessa vez, realmente, não foi só Gutão quem sentiu. Eu ainda estou com os nervos à flor da pele. Se olhar mais feio, eu choro, sabe assim? Ai, ai. Bom, o que importa é que, segundo avaliação da otorrino, filhote superou bem a fase aguda da otite. Agora, o ouvido continua vermelhinho, mas não há mais pus. O que precisamos fazer é aquele exame, a tal audiometria, pra ver se a audiação está mais comprometida ou se está estacionada no ponto do exame anterior, um padrão que estamos seguindo para regular o tratamento. Filhote voltou a dormir melhor. Continua com uma tosse chata e o nariz meio entupido, mas isso, em São Paulo, pode ser considerado "default"!

Duro mesmo está sendo lidar com a "carência" antes de dormir. Eu tenho que cantar musiquinha, dar a mãozinha e deitar junto, no travesseiro, ao lado da cabecinha loura dele, até ele relaxar, fechar os olhos, empinar o bumbum e aceitar Morfeu. Sem falar que Gutão tá em crise com o Rô. Durante o dia, a parceria é uma beleza. Eles dançam e cantam juntos, jogam bola, vão na pracinha, fazem a maior bagunça em casa. Já à noite...bem, à noite, Gutão tem expulsado o pai do quarto, literalmente. Ai do Rô se insiste em sentar na cama, em roubar um beijo e tal e coisa. Gutão vira fera, dá "esporro", chora. Eu tento não intervir, no sentido de não monopolizar os cuidados e as atenções do menino. Tento também reforçar a presença paterna, dizendo que somos três, somos uma família, que o papai ama tanto o Gutão quanto a mamãe, mas nem sempre dá resultado. Espero que seja uma fase, que passe logo e que não cause muitas angústias nem para o filho nem para o pai!!!

Quê mais? Gutão tá se confirmando um menino muito sociável. Ontem, foi visitar a vovó Maria, uma vovozinha aqui do prédio, que tem o maior chamengo com ele. A filha dela, que também mora no edifício, encontrou Gutão e o Rô no elevador, fez o convite e lá se foi meu "bagualito" explorar a casa dos avós "postiços". Eu achei o máximo. Primeiro por ele ter tido a vontade de conhecer uma casa diferente. Segundo por ter tido a chance de conviver com a idéia de "avô e avó" (de um lado e de outro, há a distância geográfica que impede esse contato diário), de receber aplauso pras suas gracinhas, de aprender a conviver e respeitar os mais velhos, enfim.
É que ontem passei o dia no curso (estou fazendo uma espécie de mini-MBA) e meus dois amores passaram o dia fazendo coisas legais. Além da visita à casa da vovó Maria, foram na pracinha e no teatro e, depois que me buscaram na escola, fomos encontrar os dindos, a Nina e o Miguel na pizzaria. Vocês precisavam ver que lindos esses dois na mesa, comportados, comendo pizza, brincando com seus carrinhos, conversando -- sem nos dar o menor trabalho. A pizzaria é linda, cheia de artesanato. Usa luz de velas e, claro, Gutão e Miguel ficaram encantados. Na hora de vir embora, cantamos parabéns pros 10 anos de casamento dos dindos (Parabéns, Dani!!!) e os dois se fartaram de soprar as velinhas! E Gutão me pergunta: "Mamãe, cadê o pedaço da velinha que tava aqui?". É que no castiçal dele havia duas velas. À medida que uma queimou, se extingiu, e só ficou uma, grandona, de pé. É muito atento, esse meu filhote. Ficou indignado com os buracos da mesa, uma mesa antiga, de demolição, sabe? E me pergunta "quem foi que fez esse buraco?". Putz, e como é que a gente dá conta de tanta explicação? :-)

Ah, faltava contar a grande novidade aqui: nasceu a Bruna, minha sobrinha querida, uma meninona pernambucana, com 48 cm e mais de três quilos. Tem cabelo preto, um bocão à la Angelina Jolie (não custa projetar, né?), uma fofa. Recebi poucas fotos até agora, tou super ansiosa pra ver a mocinha direito e pra pegar no colo essa "alegria". Parabéns, Lu!! Seja bem-vinda, Bruninha! Nós amamos muito vocês e estamos muito, muito felizes em ver nossa família crescer!!!!!

Gutão já sabe que a Bruninha nasceu. Quer ver a priminha a todo custo e nós estamos considerando a hipótese de passar o próximo feriado por lá. Vamos fazer as contas e torcer pra caber no orçamento!!! É um evento único, especial, merece esse "investimento"!!

posted by JULIANA DE MARI 8:33 PM


Quinta-feira, Outubro 19, 2006


À beira de um ataque de nervos


Gutão continua com otite. Vai na otorrino amanhã. Eu (e acho que falo pelo Rô também) estou no pó da rabiola. Muito cansada. Exausta com essas madrugadas insones e histéricas. Estou muito mais nervosa do que o meu normal, meu limite está muito menos elástico, e sigo com essa culpa maldita por não conseguir manter a paciência mesmo sabendo que filhote está doente, que o choro e a birra têm tudo a ver com a dor de ouvido...

Noite passada, Gutão acordou às 3h, chorando horrores. Chorava e se debatia, nervoso, nas grades da cama. Isso, de se debater de birra, foi me irritando de um tanto...Chegou a um ponto em que segurei, forte mesmo, as perninhas dele pra ele parar. Aí, claro, ele ficou mais nervoso, eu idem, o choro aumentou de volume, uma delícia. Como se não bastasse, o menino cismou que queria dar beijo na babá no meio da madrugada. E quanto mais eu explicava que ela já estava dormindo, mais ele chorava e pedia pra ir no quarto dela dar beijo de boa-noite. Claro que não levei. Mas haja santa paciência. Houve um ponto em que o estresse foi tanto que saímos, eu e o Rô, do quarto e deixamos ele chorar sozinho. Alguns minutos depois, voltei, mais calma, coloquei filhote no colo, expliquei o por quê do nervoso (se ele chora e não me diz como ajudar e fica se batendo e fazendo coisas que não são legais -- batendo em mim, por exemplo!, eu não consigo entender e fico nervosa mesmo), fiz muito carinho, dei muitos beijinhos e deitei ao lado dele pra tentar fazê-lo adormecer outra vez. Que nada. Era ele fechar os olhos e eu levantar da cama, pra ele pedir "fica aqui, mamãe".
Às 4h30 da matina, todos os recursos testados, minha paciência esgotada, joguei a toalha e levei Gutão pra nossa cama. E quando chegou lá, ele tem outro ataque porque não quer deixar o pai ficar junto. Eu posso com isso? Por favor, se alguém tem idéia de como lidar com essa possessividade do menino em relação a minha pessoa (será, já, o tal complexo de Édipo, pelamordedeus?) -- e que só aparece à noite, diga-se de passagem -- me dê uma dica.

Só sei que depois de mais um blablablá nervoso, Gutão aceitou deitar entre nós dois e finalmente voltou a dormir. Nisso, eu já estava totalmente adrenalizada, com o coração apertadinho, morrendo de sono e de dor de cabeça. Filhote acordou às 8h, falante e sorridente, graças a Deus. Eu continuei dormindo, nem fui trabalhar pela manhã, pra tentar descansar um pouco, observar como ele ia passar o dia (não mandei pra escola) e dar um pouco de atenção e carinho pra esse moleque fora dos horários a que nós dois estamos habituados. Foi ótimo fazer isso. Me senti feliz ao ver que ao menos durante o dia, ele fica bem. Brincou, correu com o aspirador, ajudou a faxineira a limpar a casa, comeu fruta, iogurte, e todo o macarrão do almoço. Quando sai pra trabalhar, ficou tirando sua soneca da tarde.

Agora, depois de uma hora de luta contra o sono, tá lá, ressonando, agarrado com a Pig. Deus (e todos os anjos e santos a quem eu possa enviar esse pedido) permita que essa noite ele durma melhor. Que durma uma noite inteira outra vez. Eu sonho com isso há dias...

Na boa, se alguém me perguntar o que é mais difícil do ser mãe, eu digo: é não dormir. Eu fico simplesmente insuportável quando não durmo ao menos minhas oito horinhas. Daí, vem o nervoso, a culpa, a angústia, os olhos ardendo (por falta de sono e muito tempo na frente do computador, ganhei a tal "fadiga visual", acreditam?), e essa cara de quem está prestes a desabar...Se alguém me vê nesse estado hoje, baita cara de cansada, olheiras enfeitando meu rosto, e me pergunta o que eu tenho, eu brinco, dizendo: "Eu tenho um filho!".

Ok, ok, respirando fundo. Passou.
Chega de lamúria!
Amo meu Gutão, entendo que tudo isso faz parte, torço pra ele ficar bom logo e pra nós três recobrarmos o equilíbrio possível em breve...Antes de começar tudo outra vez, que doideira!!!!!! É isso aí, acabo de constatar que a hora certa pro segundo filho é quando a vontade supera a coragem.

Obrigada a todos pelas palavras carinhosas nos últimos comentários! Saber que tem alguém torcendo por nós é tão gostoso!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:07 PM


Domingo, Outubro 15, 2006


De novo?


Gutão tá com otite de novo. Ouvido esquerdo com muita secreção, ouvido direito avermelhado. Eu bem que tava achando estranho esses "despertares" chorosos no meio da noite. Semana passada tivemos madrugadas de cão, com direito a levantar de hora em hora, fazer inalação, ouvir muitos gritos agoniados, dar alguns outros de volta (ai, gente, essa função noturna me deixa à beira de um ataque de nervos), enfim. Ontem, sabadão, levamos filhote no Sabará e o diagnóstico foi esse que eu pressentia e que citei acima. Fiquei triste, mal por perder a paciência enquanto Gutão sofre, por, algumas vezes, não ser capaz de me manter focada nele e não na minha cabeça que dói a falta de sono...Chorei no banheiro do hospital essa culpa toda. Será que alguma mãe vive sem ela?

A noite de ontem já foi um pouco melhor. Gutão voltou pro antibiótico. Chato é, mas não tem muito jeito. Também tomou Tylenol, que aliviou um bocado a dor (justo eu, que detesto sentir dor, só pensei nisso, em oferecer um analgésico pro meu bichinho, na sexta-feira). Ele só chamou duas vezes, ainda assim rapidamente. Uma vez por causa do cobertor enrolado no pé. Na outra, por ter perdido a petita.

Hoje acordou feliz, correndo, animado pra ir pro "basque" (parque). Fomos no Ibirapuera, correr na grama, curtir o sol e tentar ver alguma coisa da Bienal. Gutão se esbaldou no "corridão". Como gosta dessa liberdade! Corre longe, com um jeitinho sincronizado de mexer os bracinhos, uma graça. E vem sorrindo, rápido, rápido, e dá abraço e nos empurra pro chão. Foi lindo vê-lo parar pra descansar, sentadinho embaixo das árvores, depois de um "tiro" mais forte. Os dindos, o Miguel e a Nina nos fizeram companhia.
Tentamos ver alguma coisa da Bienal, mas foi praticamente impossível. Gutão queria "tocar" nas obras, que perigo! Só aceitava ficar pra cá da linha amarela quando eu dizia que o segurança ia nos dar uma bronca porque a gente não tava respeitando as regras. Em uma ocasião, uma segurança veio mesmo conversar com ele e contar que não podia, não ficar tão pertinho das instalações. Vamo combinar que arte moderna, contemporânea, seja lá o que for aquilo, é uma viagem total e absoluta, né? Vi algumas coisas interessantes, algumas fotos bonitas, mas, no geral, pra usar uma palavra do Rô, achei a Bienal "beligerante", com instalações feias, agressivas. Reflexo do mundo atual, diz o maridão. Eu sigo dizendo que não entendo muito bem essa arte "cabeça". E eu mesma me digo de volta que arte é pra ver, sentir, explorar, não é mesmo pra entender.

Depois da corrida na Bienal, Gutão e Miguel passearam mais um pouco no parque, encantados com os carrinhos. Andaram de mãozinha dada, esses dois amigos, batendo altos papos. Flagrei um pedacinho de conversa, mais ou menos assim: Gutão perguntou pro Miguel: "Por que você esqueceu sua meia, Migue"o"?". O amigo respondeu: "Eu tô de sandália, Auguto". Minha afilhadinha Nina também foi passear com a gente. Menina querida, tranquila, de coxas grossas, bochechas rosadas e um sorriso pronto pra aparecer toda vez que eu faço cosquinha no barrigão dela! E como menina é meiguinha, de vestido e calcinha cor-de-rosa, uma gracinha. Cada vez que eu vejo um bebê, tenho mais certeza que a hora da nova encomenda está mesmo chegando. Esses dias dei até de me imaginar grávida outra vez, vocês conhecem essa sensação?

Depois do parque e de almoçar num lugar legal, com bastante pedrinha pra filhote fazer bagunça!, caímos na cama, nós três. Gutão dormiu duas horas e acordou aos prantos. Reclamando da vida, de Deus e de todo mundo. Deve ser mau humor vespertino e muita dor, tadinho. Chorou tanto, tão irritado, com tantas lágrimas, que dei analgésico outra vez. Como dói ver meu pequeno assim...E eu bem sei o quanto irrita e faz sofrer essa maldita dor de ouvido. Há uns tempos tive otite "média", como os médicos chamam, por causa da sinusite, uma sensação de água descendo no ouvido, muito agoniante. Já estava em tempo de marcar um retorno na otorrino que cuida do Gutão. Vamos agilizar essa semana e torcer pra não ser preciso fazer a tal punção (se bem que, ontem, a médica do hospital me explicou que esse procedimento não dói e que dá alívio imediato pra criança...mas, sei lá, é sempre uma "agressão" -- como se remédio não fosse...Já viram que hoje eu tou "falando" com meus próprios botões, né? Altamente reflexiva, essa menina).

Bom, passado o ataque de choro, filhote e papai foram botar gasolina no carro e comprar brigadeiro pra gente fazer um jantar de "dia das crianças" (atrasado, mas bem intencionado!). Vamos ver se, na volta, ele vem mais animadinho.


posted by JULIANA DE MARI 7:56 PM


Sexta-feira, Outubro 13, 2006


Coisa de criança


Mamãe, papai e filhote, mais uma amiga da mamãe, no restaurante, ontem, feriado.
Gutão mandando ver no pratão de macarrão e carne moída que a mamãe levou de casa e beliscando uma ou outra polenta frita dos "adultos".
De repente, ele diz: "Guarda pra de noite, mamãe".
Sim, agora é assim, com essa sutileza, que filhote indica que já está satisfeito!!!!

A semana é das crianças e eu acredito que o melhor de se dar a um pequenino é sempre atenção, carinho e muito respeito. E isso a gente cultiva todos os dias aqui em casa. Ontem, dia das crianças, depois de muitos beijos, filhote recebeu alguns presentes nossos. Um mini-carrinho do Luigi, aquele personagem do filme Carros, um DVD do Bob, o Construtor e um acampamento miniatura, com direito a fogueirinha, barraca e até saco de dormir pra colocar os bonequinhos! Adorou tudo, claro. Principalmente, os carros. Gutão tem fascinação por carros, sério. Ele reconhece as marcas de longe -- difícil errar o nome de um que esteja na nossa frente na rua. Me surpreende quando diz: "É um Toyota preto" ou "Olha, mamãe, o Honda Fit". Caramba, como é que ele guarda essas coisas?

Aproveitei o mote do dia das crianças e fiz um "combinado" com filhote: já que ele ia ganhar alguns presentes, que tal separar uns brinquedos que não usa mais pra dar para uma criança que precisa? Gutão fez algumas perguntas ("ela não tem dinheiro pra comprar?" foi a mais surreal) e algumas imposições ("não quelo dá minha escavadeila") e topou a troca. Amanhã vamos dar uma geral nos brinquedos, fazer pacotes bem bonitos e deixar com uma vizinha, diretora de uma creche que funciona aqui pertinho de casa. Quero que filhote aprenda, e isso só se dará com exemplos nossos, que receber é uma delícia, mas dar pode ser melhor ainda. E que compartilhar faz um bem enorme pra gente -- principalmente compartilhar com quem não tem acesso a coisas que para nós podem parecer "mais do mesmo".

Bom, o ato de presentear faz parte do nosso dia-a-dia. Presentear com um passeio diferente, um desenho, um bombom, um livrinho, ou um brinquedo que a gente sabe que vai fazer Gutão soltar a imaginação. Já percebi que filhote tem preferência por presentes pequenos, aqueles que ele pode carregar sozinho e levar em suas andanças dentro e fora de casa. E sabe que fica ainda mais fácil estimular a brincadeira quando tamanho e formato não é documento? O aspirador virou carro de corrida do moleque e ele passa o dia empurrando o dito pela casa. Às vezes, pára, diz que quebrou a roda, me chama --"Vem, mamãe, você é o mecânico"-- e fica todo faceiro quando eu digo que o carro já pode andar outra vez. A luva de silicone azul, de pegar panelas na cozinha, virou o "Tutubarão", o amigão que fala grosso e acompanha Gutão na hora de fazer xixi, comer, dormir...Mas, em geral, só serve se sou eu quem coloco a mão lá dentro e faço a tal "voz" engraçada. Aliás, eu adoro brincar criando personanges e fazendo vozes pros bonecos, bichinhos, carrinhos, e Gutão aprendeu a fazer o mesmo. Até a Pig tem uma vozinha só dela, que, na versão dele, fica tão engraçadinha!!! Falando nela, coitada, tá podre de suja, de amarela já virou meio acinzentada (e olhe que ela "toma banho" toda semana!), mas Gutão tem um amor tão grande por essa porquinha! Ele cuida dela, conversa, dá comidinha, coloca pra dormir e pede pra puxar o cobertor "se não, ela vai ficar com frio".

Pena que filhote encerrou a semana das crianças com o nariz super entupido e uma tosse chata que só vem à noite. Ontem, a madrugada foi show de horror. Levantei de hora em hora, dei xarope, deitei junto, fiz inalação e nada ajudou meu Gutão a dormir melhor. Quase cinco da matina, o Rô trocou de lugar com ele na nossa cama pra ver se eu conseguia algumas horas de calmaria. Ao meu lado, filhote até ressonou um tantinho, mas bem antes das sete já tava, todo falante, de olhão aberto. Tou moída, parece que um caminhão me atropelou, sabe assim? Mas tou segura que ficar junto é sempre o melhor remédio nessas horas chatas. E vamo que vamo que amanhã é sabadão e a lista de coisas a fazer em casa é grande!


posted by JULIANA DE MARI 3:51 PM


Domingo, Outubro 08, 2006


Haja paciência


A novela do desfralde continua. Gutão só tem colocado a fralda pra dormir (ou para sair, quando vamos passar muito tempo no carro). Na escola, o uso do banheiro tem sido constante. Vez por outra, ainda escapa um xixizinho e ele tem que trocar a roupa por lá, mas tem sido cada vez mais raro. Já em casa...Bem, em casa, filhote usa o pinico, desde que a gente o convença a isso. E haja repertório e paciência pra dar conta desse "convencimento". Tem carrinho que vai fazer xixi junto, tem onça que mora no banheiro, tem privadinha da Pig, tem o "desafio" do xixi colorido (que cor será que tem o xixi de hoje?) e por aí vai.
Gutão ainda não aprendeu a avisar que tem xixi pra fazer. Diz, sim, só que imediatamente depois de ter feito na fralda. E não é por quê não tenha registrado o que a gente ensinou. Ainda agora, xixi na calça pela terceira vez no domingão, eu pergunto, muito na boa, porque ele não me avisou que estava com vontade. Ele muda de assunto. Eu insisto: "O que tem que dizer quando dá vontade de fazer xixi?". E ele responde: "Quero fazer xixi no piniquinho". Hã-hã.

Na teoria, tudo ótimo. Na prática, haja santa paciência. Eu sei, eu sei, há o tempo dele, há o aprendizado de se controlar, há todo o lance de deixar alguma coisa "sair" do corpo e tal e tal, mas como é cansativa essa rotina de põe cueca, molha cueca, limpa bumbum, troca tudo, ensina, explica, faz cara de paisagem pra não dar idéia de que ele está fazendo algo "errado" (ele está aprendendo simplesmente)...putz. Só hoje foram três vezes no pinico contra cinco na calça!!!!! Sem falar que coco não rola de jeito nenhum no pinico. Só na cueca. Quando vou trocá-lo, levo ao banheiro, faço a ceninha de dar tchau pro coco, jogo na privada, e tal e tal, mas filhote segue achando que coco é "nojento". Não sei de onde veio essa idéia, talvez tenha vindo até de algo que a gente mesmo falou em casa, mas estou trabalhando para explicar o contrário: que depois que a gente come, dá vontade de fazer coco, e que coco é fedido, sim, mas não é nojento, não. Todo mundo faz coco. E fazer coco é bom e dá um baita alívio na barriga da gente (fala sério, se não dá?). Gutão concorda com tudo, dá tchau pro dito na privada, até avisa quando dá vontade, mas não deixa levar pro pinico nem sob tortura.

Enfim, é ensinar, ensinar, ensinar. Respirar fundo, ter paciência, fazer muuuuuuita cara de paisagem e seguir torcendo pra esse aprendizado se dar em um tempo razoável.

Eu, confesso, tenho me irritado um pouco mais com Gutão ultimamente, principalmente quando ele insiste em me bater no rosto. É tapa, soco, puxão de cabelo, carrinho na boca. Ah, não. Não aceito isso. Dou bronca mesmo, boto de castigo mesmo, e, às vezes, perco a estribeira e falo alto, fico braba e não consigo esconder essa irritação (tá, eu sei, eu deveria me manter tranquila, dona de minhas emoções, se quero dar o exemplo, mas tem hora que simplesmente não dá!).
Hoje, depois de um momento desses (eu levei um soco com um carrinho na boca e Gutão foi direto pro castigo), conversei com filhote, disse exatamente o motivo da bronca e pedi pra ele colaborar nessas "rotinas": escovar os dentes, trocar o pijama, colocar a fralda ou fazer xixi no piniquinho. Expliquei que tem hora que a mamãe não vai negociar: há certas coisas que precisam ser feitas e pronto. Mas que esses momentos sempre podem ser mais divertidos se ele colaborar comigo e, aos pouquinhos, for aprendendo a se virar sozinho. Sim, Gutão tem só dois anos e oito meses. Ainda precisa de supervisão, ainda precisa de educação, ainda precisa fazer aquilo que "pai e mãe" julgam que é o melhor pra ele.
Pra terminar a história, depois da conversa, Gutão passou a mão no meu "dodói", pediu "depuca" meio a contragosto, e seguiu dizendo: "Não quelo colocá a cueca". Ai, ai, ai.


posted by JULIANA DE MARI 9:08 PM


Terça-feira, Outubro 03, 2006


Vale a reflexão


Eu sou fã da Rosely Sayão, psicóloga e educadora, que mantém um blog no UOL. Para quem não a conhece ou para quem ainda não teve a chance de refletir sobre a verdadeira missão de ser pai e mãe, aí vai um artigo que me tocou profundamente. Difícil é, certamente, mas é tão importante a gente estar consciente do papel de guiar e preparar nossos filhos em direção à melhor vida futura que eles possam escolher, né? Um pedido: compartilhem comigo depois o que acharam do texto. Assim, o blog vai cumprindo a contento seu segundo papel (o primeiro é registrar o dia-a-dia do meu Gutão!): o de ser disseminador das "boas práticas e reflexões" da maternidade/paternidade!!

"Pais e filhos: ligação direta"
Por Rosely Sayão

É, parece que os pais querem mesmo permanecer bem perto dos filhos. Mesmo e quando estes vivem o tempo em que precisariam aprender a viver longe de seus pais. Claro que isso ocorre lentamente: esse é um aprendizado não linear, em que cada passo deve ser ensinado, incentivado e, o filho, para dar tais passos, precisa ser encorajado. Isso é educar e preparar para o futuro: os pais precisam dar um passo para longe dos filhos sempre que estes mostram condições de dar um passo sozinhos. Afinal, se há um relacionamento amoroso que só dá certo se termina em separação, esse é o relacionamento entre pais e filhos.

Nos tempos loucos em que vivemos é muito fácil perder a perspectiva de que educar é compromisso com o futuro e não com o presente. E, com esse esquecimento, temos investido tudo o que podemos e até feito sacrifícios para atender os filhos agora, mas ao agir assim temos comprometido o futuro deles.

O fato é que temos criado uma geração de jovens frágeis, dependente dos pais e de outros adultos, que têm dificuldades em assumir responsabilidades e encarar a maturidade. Já temos inúmeras constatações a esse respeito. Mas, parece que temos os olhos vendados para essas questões. O nosso querer mais intenso é mesmo ficar perto dos filhos.

Dar um celular ao filho e pedir que ele leve à escola para usar em caso de urgência de contato com a família é apenas um indício disso. Pais defendem que os filhos devem poder falar com eles, mesmo no horário escolar. Por quê? Um artigo em uma revista de psicologia dos Estados Unidos já afirmou, há mais de um ano, que o celular é hoje o cordão umbilical que une os filhos a seus pais.

Agora, temos outra moda importante que colabora ainda mais para que os filhos permaneçam profundamente ligados a seus pais: muitas faculdades têm convocado os pais dos alunos calouros para reunião, pode? ¿Pode e deve¿, afirmam os pais que, orgulhosos, comparecem em massa a essas reuniões. Ponto negativo para esses jovens que, assim, perdem mais uma chance de assumirem eles mesmos a responsabilidade com sua vida. Os jovens parecem gostar da novidade porque ela facilita muito a vida deles. Mas eles não sabem que, assim, perdem também a chance de caminhar em direção à liberdade.

Mas, hoje faz muito mais sucesso em nossa cultura atitudes como essa do que as que tentam engajar os jovens e as crianças na vida como ela é, não é verdade? Afinal, todo nosso foco de visão está muito mais voltado para o tempo presente do que para o futuro.

Os filhos nascem para a vida própria quando o cordão umbilical é cortado na hora do parto. Daí em diante, é tarefa dos pais reafirmarem esse corte. E não é que, pelo jeito, temos feito o possível e até tentado o impossível para reconstruir tal cordão?

Um colega disse que ele não gostaria de ser jovem nos tempos atuais porque eles têm pouca liberdade, entre outras coisas. Devo dizer que ele tem boas razões para chegar a essa conclusão. Agora até detetive particular é acionado pelos pais para obter informações dos filhos! Claro que as justificativas são as melhores possíveis: proteger o filho, por exemplo. Mas celular, reunião na faculdade, detetive particular, são estratégias usadas para proteção ou para controle dos filhos? Sou mais pela segunda hipótese.

posted by JULIANA DE MARI 6:24 PM


Sábado, Setembro 30, 2006


Aprendizado


Gutão, finalmente, está aprendendo a aceitar a hora de dormir. Desde que voltamos de Recife, tenho procurado baixar a "adrenalina" da casa por volta das 20h. E vai dando 21h, eu pergunto: "Que horas é hora de dormir, filho?" E Gutão diz: "Nove da noite, mãe". E desliga a TV, e pega a Pig, e aceita trocar o pijama, e toma o remedinho balinha (pra rinite), e põe sorine no nariz e fala, fala, fala, já deitado em sua caminha, ainda resistindo um tantinho a se entregar de vez a Morfeu. Dia desses, ritual finalizado, Gutão me olha e pergunta, em sua última tentativa de continuar acordado: "O que falta agora, mamãe?".

Eu acho tão linda essas perguntas. Adoro essa curiosidade, essa rapidez pra fazer interpretações, conexões. Esse jeitinho só dele de ir construindo sua visão de mundo -- e essa memória espantosa que filhote tem. Agora mesmo, Gutão tá perguntando assim: "Os carros sabem andar?". E eu digo: "Sim, filho". E ele devolve: "A Nina sabe andar?" Ao que eu respondo: "A Nina não sabe andar ainda, mas ela vai aprender". E Gutão diz, orgulhoso: "O Gutão e o Miguel já sabem".
E pergunta pra babá Lu: "Como é o nome da sua mãe? Como é o nome do seu pai? Como é o nome do seu namorado?" Ela responde tudo e diz que o nome do namorado é Junior. E Gutão faz a sinapse: "O namorado da piminha Maiara chama Junior?". Eu digo: "Não é o namorado, filho, é o papai dela que chama Junior". E fico de cara com essas lembranças que ele armazena e "consulta" assim, tão facilmente.




posted by JULIANA DE MARI 11:41 AM


Sábado, Setembro 23, 2006


Esperteza


Gutão segue nos surpreendendo, nos emocionando e nos fazendo rir.

Hoje, depois do almoço, saímos pra comprar um tênis novo pro figura (do número 23 passamos pro 25 -- um pouco grande ainda, mas é o jeito de não perder os sapatos tão rapidamente). Aproveitei e comprei um carrinho pequeno, daqueles de corrida, que ele tanto gosta. Filhote capotou no carro e só viu o dito cujo em casa, algumas horas depois. Qual não foi nossa surpresa na hora em que ele ganhou o carro e disse: "É o Felipe Massa". hahahahaahhahaa

Pela manhã, ele já havia nos brindado com uma ótima. O Rô estava se preparando pra levá-lo na pracinha. Eu preferi ficar em casa, dormindo mais um pouco. Daí, grito do quarto: "Rô, leva um suquinho pro Gutão". E Gutão reforça, em sua versão: "Rô, papai, leva um suquinho pra MIM". Demais, né?

Agora à noite, chuvarada e vento forte lá fora, nosso apê levemente gelado, e eu sugiro que Gutão coloque uma blusa mais quentinha. Ele aceita o moletom, mas, cinco minutos depois, pede pra tirar. "Mamãe, deixa eu tirar o casaco que eu tou tom calor". :-)

E tá uma educação só, esse menino. Pra tudo diz "Obrigada". E a gente ensina: "Meninos dizem obrigado, filho". E ele repete direitinho, todo cheio de si. E manda ver no por favor, dá licença, só um pouquinho. E tá numa fase super-hiper-mega sociável. Gutão sempre foi mais pro "dado" do que pro recatado, mas, depois da escola, essa característica está bem mais marcada. Bastou entrar no elevador pra ele perguntar: "Como é o seu nome?", "Pra onde você vai?", "Onde você trabalha?".

E fala umas muito divertidas. Se eu falo qualquer coisa e pergunto se ele sabe, ele responde: "Eu sabo". E diz que a porta tava "abrida". E é só eu sugerir alguma coisa, que ele devolve na negativa. "Vamos fazer silêncio pra não incomodar o vizinho?". "Não vamos fazer silêncio...", ele diz. "É legal respeitar os outros pra gente ser respeitado igual". "Não, não é legal respeitar os outros". Eu morro de rir, e sigo repetindo meu mantra a respeito dos valores nos quais acreditamos aqui em casa. E Gutão, na prática, vai construindo o modelo dele. E a gente vai tendo muitas provas de que, certos ou errados, estamos num caminho do bem.

E deixa eu me orgulhar: Gutão é unamidade entre os vizinhos! O povo é fã do moleque. Tem vizinha, vovozinha, que compra carrinhos pra ele. Tem outra que pára pra dar beijo sempre que o vê. Outra ainda que cruza com a gente no elevador e sempre, sempre diz: "Esse menino é um doce". Ele é mesmo. Meigo, querido, nosso companheiro de opinião forte e sorriso encantador.

PS: Segue o desfralde. Na escola, Gutão praticamente não tem feito na roupa. Tem usado o banheiro umas 3 vezes por dia. Pra fazer xixi, diga-se, igual o que temos conquistado em casa. Ele não pede, mas a gente leva e ele faz xixi bonitinho no pinico. E dá tchau pro dito, e dá descarga, e pede pra lavar a mãozinha. Agora, coco, bem, essa já é outra história. Só tem saído na cueca. E, esperto que é, Gutão agora pede pra colocar a fralda na hora em que, eu suponho, bate a vontade. E não há cristo que o convença a fazer diferente...Já conversei na escola e as professoras me disseram que é assim mesmo, que coco é mais "complicado". Tou na boa. Sei que o aprendizado se dará no tempo certo, sem imposições, sem cobranças, com muito apoio e muita compreensão. Hoje comprei redutor de privada, pra ver se facilita o fazer coco no banheiro. Gutão viu e disse que é igual a privadinha da escola, que bonitinho. Quis sentar, fez xixi e ficou todo prosa. Já jantou e eu tou aqui, perguntando a cada 10 minutos, se já deu vontade de fazer coco. Filhote me olha, desconfiado, e diz: "Ainda não, mamãe". Vejamos no que isso vai dar!



posted by JULIANA DE MARI 7:13 PM


Quarta-feira, Setembro 20, 2006


Atualizando


Pois bem, voltamos. Férias rápidas, necessárias, deliciosas. Depois dos pitis dos primeiros dias em Recife, Gutão se comportou muito bem. Curtiu os avós, os amiguinhos, as primas. Comeu muitas frutas, correu bastante, andou de bate-bate no parquinho do shopping, experimentou ficar de pé no chão o tempo todo (o chão aqui de casa é geladérrimo, ele só vive de pantufas...). Na hora de voltar Sampa, até ensaiou um "não quero ir embola de Recife". Lindo.

Chegamos terça à noite e, na quarta pela manhã, filhote seguiu pra escola novamente. Tava com saudades, o danadinho. Entrou sem nem olhar pra trás. Fui levar e buscar semana passada, um acontecimento na rotina dele, né? Foi tão bom esse estreitamento de laços, viver o dia no ritmo do meu filhote, curtir com ele as coisas dele. Fora que teve novidade: Gutão começou a tirar as fraldas!! Já tava usando o pinico, mesmo em Recife, antes de dormir. Agora, tiramos a fralda, praticamente de vez, na escola e em casa. A dita entra em cena só à noite, porque ele ainda deixa escapar durante o dia e realmente eu prefiro ir por partes (embora alguns educadores defendam que, se tirar, tem que tirar de uma vez e pronto).

Na segunda, estava lá na agenda: sete xixis, sendo quatro na roupa (e haja roupa pra mandar pra escola!) e três no banheiro. Na terça, ontem, a boa: três idas ao banheiro, nenhuma escapada, viva! Em casa, o pinico também tem sido bastante usado. Mas, por enquanto, só tem rolado xixi. Coco que é bom, Gutão prefere fazer na cueca! Ontem à noite, tadinho, ficou meio envergonhado porque soltou um pum e acabou deixando escapar um cocozão junto...E haja psicologia pra explicar que isso acontece, que todo mundo faz coco, que não tem problema, que a gente resolve lavando a cueca e o bumbum e patati-patatá. Enfim, mais uma conquista do meu filhote, mais uma etapa de crescimento pra nós todos.

Acho que esqueci de comentar, mas estamos com babá nova em casa. É que a "Bá", a Márcia, que cuida do Gutão desde antes dele nascer!, tá grávida e vai ganhar a Luana agora em meados de outubro. Mês passado, importamos a Luciana da Paraíba, dica do zelador do prédio, uma graça de moça. Tem 19 anos e toda disposição (e paciência!) pra correr, brincar e ensinar meu filhote na nossa ausência. Falando nele, num primeiro momento, resistiu um pouco à chegada da Lu. Se ela ia trocar ou dar comida, ele bradava: "Quelo a Bá Mácia!". Passados quase dois meses, deu-se o encantamento. Cheguei em casa ontem à noite e estavam, Lu e Gutão, engatinhando e gritando na sala. Ele, um gatinho, ela, o cachorrão! :-)

E Gutão segue esperto e alegre em sua vidinha. O Rô viajou a trabalho essa semana. Gutão sentiu falta do beijinho de boa noite do papai. Ontem me perguntou: "O Papai tá viajando?". Eu falei que sim e expliquei que o papai também ia dormir, só que não era na nossa casa. E Gutão: "Ele vai dormir em outro lugar?". E eu explico que vai dormir num hotel e tal e coisa. E filhote fala com o Rô ao telefone, e conta um pouquinho do dia, e diz estar com saudades e termina com um "te amo, papai". Lindo.

A hora de dormir, ah, essa, graças aos deuses, parece estar entrando num novo patamar. Desde que voltamos de Recife, e lá inclusive, Gutão começou a dormir melhor e a ir pra cama sem tantos protestos. Estou tentando diminuir o ritmo da casa antes de anunciar que é chegada a hora de "desligar". Também estou tentando voltar pra casa um pouco mais cedo, pra ver se o pequeno fica satisfeito em curtir a mamãe só até às 21h!!!!! Tem funcionado. E a cada noite, Gutão pede um bichinho diferente pra curtir sua "cama confortável", palavras do próprio!

E a vida segue, e esse nosso amor só aumenta.
E eu estou me preparando para um recomeço, mas deixa quieto que isso é assunto para outro post!

posted by JULIANA DE MARI 6:04 PM


Sexta-feira, Setembro 15, 2006


Piadista


Sexta-feira, hora de dormir. Papai, mamãe e filhote cumprindo o ritual de boa noite. Xixi no pinico, pijama novo do ursinho, abraço na Pig e Gutão já capotado no travesseiro. Mamãe, então, pede um beijo e baixa a bochecha pra receber um carinho. Ganha uma mordidinha. Fica braba e recrimina o menino, que muda de assunto e diz que não quer pedir "despuca". Mamãe insiste e diz que não é legal morder. E filhote segue mudando de assunto.

Até que, faceiro, tira a petita da boca e pergunta: "Papai, vaca morde?".
E o Rô responde: "A gente não morde, filho, mas a vaca, às vezes, morde, sim."
E Gutão, prontamente, já dando risada: "Muuuuuuuuuuuuu".

Hilário, esse nosso guri!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:55 PM


Quinta-feira, Setembro 07, 2006


Férias -- alegria e desespero


Estamos em Recife, eu e Gutão, desde sábado. Encontramos a cidade colorida e com uma brisinha boa de "inverno" pra amenizar o solão que nos brinda a cada manhã. A chegada foi uma alegria. Uma comitiva nos esperava no aeroporto! Com direito até a amigo do Gutão, o Igor, da Rapha querida, uma surpresa das boas. A viagem foi ótima. Filhote se comportou super bem. Até me ajudou a trocar a fralda dele no banheiro minúsculo do avião. Detalhe: de pé, segurando a camiseta pra mamãe conseguir segurar a fralda!
Os dias têm sido de céu azul, praia cedinho, castelinho na areia e banho nas águas mornas de Boa Viagem. A maré tá seca, um espetáculo. Mar verdinho, arrecifes pontuando o horizonte. Delícia. Gutão, sempre protegido com protetor solar, já ficou levemente com a marca da sunga, embora continua branquelíssimo. Eu, que sempre uso, tenho caprichado ainda mais no protetor -- estou em guerra às manchas no rosto e acho que vou voltar pra casa coradinha, mas, definitivamente, não com um bronze de fazer inveja.
Filhote tem se esbaldado com a companhia da priminha Mayara, cinco meses e alguns centímetros mais velha. Os dois formam uma dupla do barulho. Correm, gritam, se abraçam, morrem de dar risada juntos. A Mayara, que chama Gutão de "Butão" ou "Robusto" em vez de Augusto, brinca que ele é o neném dela. Ele, todo feliz, deixa que ela embale, faça carinho, uma coisa. Hoje passamos o dia na granja, e Gutão conheceu as primas gêmeas, Juju e Lulu. Não deu lá muita bola pra elas, é verdade. São menores, nem dois anos ainda. Pra não dizer que não rolou interação, ele não tirava o olho delas quando deixava a motoca um minutinho estacionada!
O feriado foi de correr no mato, fazer carinho no cavalo, guerrinha de esguichar água com a Mayara, muita fruta, um pouquinho de sorvete de chocolate, e muita, muita alegria. Gutão voltou no carro exausto. E eu feliz da vida pensando que ia ser brindada com um "ir dormir" tranquilo. Hã-hã.

Ah, gente, não tenho mais paciência pra esse perrengue na hora de dormir. Gutão sempre deu algum trabalho. Ele é forte, não se deixa vencer pelo cansaço, e raras vezes aceita deitar na hora que deveria. Mesmo em casa já estávamos revendo nossa rotina pra tentar fazê-lo adormecer mais cedo e com mais tranquilidade. Agora, aqui, pelamordedeus. O embate tá me tirando a paciência, o humor, o sono...Gutão, mesmo mooooorrendo de sono, não quer dormir. E aí basta eu começar os preparativos, calmamente sugerindo um carinho, trocar a fralda ou coisa parecida, e ele começa a me bater. Hein? Bater? Nem pensar! Não gosto, não permito, não vou admitir. Dou advertência, falo baixo, mas chega uma hora em que é preciso dar um limite firme. Hoje cheguei ao cúmulo de segurar os braços dele. E ele, esperto que só, chorando, me pedindo pra soltar porque "tava doendo". Não tava -- lógico que eu não tava apertando. Aí, eu falei que era assim que doía quando ele me batia, que eu não gosto disso, que é falta de respeito com a mamãe e que na nossa família a gente não bate. E ele nem ligou. Ficou mais um tempão de castigo, chorando, até me pedir desculpas e admitir o que tinha feito de errado. Só que, a essa altura do campeonato, já tava vermelho, irritado, estressado, e eu, idem. A mainha entrou na jogada, levou ele pra rede e tá lá, acalentando o pequeno guerreiro. Eu fiquei totalmente adrenalizada, com raiva mesmo, e meio culpada por não conseguir manter a paciência nesse momento que eu já sei que está sendo difícil pra ele. Mas sou gente, não sou planta, fazer o que, né?

Vamos ver se essa noite ele dorme sem sobressaltos. Porque tem isso, vai dormir nervoso, acorda no meio da noite chorando, nem ele nem eu conseguimos descansar...E vamos ver se amanhã eu consigo respirar mil vezes em vez de dez antes de perder minha serenidade. Preciso urgentemente reverter esse "mau hábito", se é que posso classificar esse momento assim. Certamente deve haver algum componente familiar nessa história que não está liberando filhote pra sonos tranquilos como deveria ser...Em Sampa, já mapeamos o "problema": meu horário de voltar pra casa. A partir do retorno ao trabalho, vou me organizar pra voltar mais cedo e, assim, brincar o tempo que Gutão precisa a tempo de colocá-lo na cama pelas nove da noite. Atualmente, tem dias que ele só deita às dez, um absurdo, eu sei, mas tem sido o possível...

Ai, desculpem aí o desabafo, mas vocês sabem que a maternidade já nos rouba o sono, artigo precioso na minha vida, e roubar o sono de forma estressante, ai, como maltrata...Fora esse "detalhe", que eu sou otimista e acredito que a gente sempre pode fazer diferente e pode aprender um jeito novo de recomeçar, as férias estão sendo ótimas!!!!!!
Volto assim que der. Torçam aí por nossas noites felizes, please!!!
posted by JULIANA DE MARI 9:34 PM


Quarta-feira, Agosto 30, 2006


Quem sou eu?


A Mic me convocou e eu aceito o desafio de contar cinco coisas que ajudem vocês a me conhecer melhor. Não é fácil fazer essa "triagem", mas vamos lá, vou registrar as primeiras que vierem à cabeça:

1) Eu choro muito. Choro vendo televisão, choro de pensar na vida, choro de alegria ao ver Gutão tão grandão, choro de felicidade quando penso em todas as coisas boas que já me aconteceram. Choro ao ver criancinha na rua, choro ao ler um texto bem escrito, choro ao lembrar da minha terra, da minha "casa". Nem sempre é choro de tristeza, não. É choro pra limpar a alma, sabe assim? Dia desses até minhas amigas do trabalho se surpreenderam com esse lado emotivo. Fomos visitar uma amiga na maternidade e, diante do berçário cheio de nenezinhos recém-chegados, eu desatei a chorar. Nem a mãe do moleque acreditou!!

2) Eu sou viciada em coca light . Ok, ok, eu sei que faz mal, que dá celulite, que "derrete" o estômago (hahahahaaa), mas eu gosto. E não vale a coca normal. Tem que ser light (pelo sabor, nem tanto pela nóia das calorias). Tomo praticamente todo dia, bem geladinha. Adoraria contar pra vocês que sou viciada em suco de frutas, mas não rola. De laranja, desde a gravidez, não desce, me dá ânsia de vômito, acreditem se quiser. De melancia, me dá enxaqueca. De limão, nem sempre é fácil encontrar. De uva, esse, sim, eu gosto muito e tomo todo dia um copão no café da manhã. Mas é industrializado, deve fazer meio mal igual...Enfim, mais dia menos dia, eu faço uma dieta de desintoxicação e, quem sabe, reduzo o consumo de coca só ao final de semana. Olha aí, pode entrar na lista de resoluções de Ano Novo pra 2007!

3) Eu a-do-ro revistas . Sou jornalista de profissão, mas minha paixão por revistas é coisa que vem praticamente do berço. Tenho fotos bem pequena, com coisa de dois aninhos, sentada no piniquinho, e uma revista em quadrinhos nas mãos!!! Aliás, tenho várias fotos sentada no piniquinho. Pô, mãe, que invasão de privacidade, hein? :-) Fato é que adoro ver as páginas, a composição das fotos, cores e artimanhas dos editores transformando uma pauta em "movimento". Compro tudo o que me chama atenção na banca. O móvel da nossa sala, na real, parece, ele, a própria banca. Das brasileiras, a Vida Simples é uma das que mais me agrada aos olhos (e ao intelecto também). E a Nova, que particularmente não me toca quanto ao conteúdo, tem uma direção de arte de tirar o chapéu. Você olha e reconhece a revista de bate-pronto. Já a Esquire, americana, é outra que me faz babar. É sofisticada no conteúdo e na forma. Do trabalho em revista o que mais gosto é isso: a possibilidade de pensar no conjunto, de ampliar as fronteiras da edição além-texto.

4) Eu tenho tara por sapatos . Não chega a ser uma coisa, assim, Imelda Marcos, mas meu armário está abarrotado. Sapatilhas e sandalinhas baixas, em sua maioria. Adoro. Acho gracioso e chique. Não gosto muito de salto alto. Dependendo da ocasião faz parte, mas não me sinto "eu" pisando nas "alturas". Se a combinação for terninho e salto alto, então, vixe. Eu fujo disso como o diabo foge da cruz. Bom mesmo são aqueles chinelos tipo Birkenstorken, macios, macios, dedinhos livres ao vento! E já que o assunto é esse mesmo, eu revelo mais uma na carona: adoro moda. Não sou das mais ousadas, não sou fashionista, mas gosto de colocar um ponto contemporâneo, digamos assim, no visu diário. Em geral, tendo a ousar mais nos acessórios do que no guarda-roupa em si. Daí, a tara pelos sapatos.

5) Eu acredito em astrologia Não sei "ler" nem calcular mapa astral, não se trata disso. Mas já fiz vários mapas, em momentos diferentes da vida e por meio de serviços diferentes (virtuais e presenciais), e sempre fiquei impressionada com o tanto que essa leitura do céu na hora do nosso nascimento pode revelar de tendências pra nossa vida. O último mapa que fiz foi via Personare. Desse aí, virei fã de carteirinha. Fiz meu mapa, o do Rô e do Gutão. Fiz também a revolução solar, que é a tendência para o ano a partir do aniversário. Gente, impressionante como indicou coisas que, de fato, estão se apresentando!!!! Estava escrito lá, por exemplo, que este seria um ano de reconhecimento profissional e de confirmação da minha vocação. De fato, estou trabalhando que nem uma camela, mas estou realizada como poucas vezes na vida. O bacana é que o astrólogo, o Alexey, não é fatalista. Sempre ressalta que o céu indica tendências. Se elas vão se concretizar ou não, daí já tem a ver com as escolhas que cada um vai fazer. E como eu acredito no poder das escolhas, acredito que crio a minha sorte, eu super tenho "escutado" esses conselhos.

posted by JULIANA DE MARI 12:08 PM


Domingo, Agosto 27, 2006


Estréia


Confesso que tava sem saber muito bem por onde começar a transição da fralda pro pinico. O dito já habita o banheiro há uns bons meses, mas o incentivo para que seja usado não tem sido constante. Sei lá, eu tendo a achar que é melhor respeitar o tempo da criança, deixando-a dar sinais de que está pronta a assumir os novos aprendizados, do que ficarmos, nós pais, formatando um tempo e um aprendizado pelo qual ela não demonstrou o menor interesse. Enfim.

Hoje pela manhã, eu e filhote em casa, enquanto o papai foi surfar com um amigo, e na hora de trocar a fralda, ele pede pra ficar sem. Ok, no worries. Ficou. Deitado na cama dele, cantando "Capelinha de melão, é de São João...", minutos a fio. E não quis saber de colocar fralda sob hipótese alguma. Brincamos um monte, demos muitas risadas, e eu perguntei várias vezes se ele queria fazer xixi ou colocar a dita. Não, não e não. Passamos um bom tempo vendo a rua da janela do quarto. E filhote me perguntou, lindamente: "Mamãe, a gente voa?". Eu achei tão bonita a questão que não quis reduzir a um "sim, filho, a gente voa de avião". Falei pra ele que "sim, filho, nos sonhos, a gente pode voar. É só fechar os olhos pra ver". Ele ficou pensativo e depois perguntou se a borboleta morde, se a mariposa é braba e se o passarinho canta. Gostei, filho. Todos têm asas, todos sabem voar. Olhando a rua na janela, eu disse pra ele que ele é meu amigão. E ele disse que "gosta muito disso".

Voltando ao assunto do post, Gutão só deixou trocar a fralda na hora que bateu o sono da manhã. Logo depois, eu percebi que, em algum momento, ele tinha feito xixi no chão do quarto da TV. Tudo bem. Filhote dormiu gostoso no futon do quarto da TV e acordou falante e feliz, com a visita da Alê, que veio almoçar com a gente. Comeu relativamente bem, ganhou sorvete de sobremesa, recebeu o papai e o amigo Pirica cheio de sorrisos. Mas passou o dia chamegando comigo. Todo dengoso, agora, além de imitar um gatinho e vir pro meu colo ganhar carinho, deu de imitar um cachorrinho. O nome? Segundo ele, é a Luci!!! Sabe lá de onde tirou isso. E sabe que a Luci tem até voz própria? Igual eu mudo pra fazer a da Pig, Gutão faz a da Luci.

À tarde, Gutão foi levar o amigo do papai no aeroporto e quando voltou pra casa encontrou os amigos seus próprios amigos em casa, Miguel e Nina. Esses três ainda vão dar muito o que falar! Gutão adora fazer carinho na Nina. Até pega a fofucha no colo, e fica todo cuidadoso arrumando as mãozinhas dela, uma graça. Agora também, tudo o que um menino faz, o outro imita. Sentaram, Miguel e Gutão, na mesa da sala, cada um com seu pote de pipoca, e, a cada posição que um escolhia, o outro copiava. A Nina, querida, já começou a dar gargalhadas. É só eu puxar papo que ela se abre num sorriso banguela lindo, lindo. Que alegria!

A noite chegou com filhote zonzo de sono. Até olheiras tinha, tadinho. Nem aguentou ver o filme novo, que escolheu na Fnac: "A era do Gelo". Deu algumas risadas e foi ficando molinho, molinho. E lá vamos nós, pro quarto dele, trocar a fralda. Tirei, limpei o bumbum, passei pomadinha e ele não quis saber de colocar outra de volta. Disse que queria ficar sem. E pediu pra ir no banheiro fazer xixi. A gente foi, ele sentou no pinico uma, duas, três vezes. Sentava, mexia no pinto, fingia que tinha feito xixi, fechava a tampa do pinico, fingia dar descarga e começava tudo de novo. Até que, acho que na quarta simulação, o xixi veio de verdade!

ÊBA, filhote fez, espontaneamente, seu primeiro xixi no piniquinho!!! Que orgulho!!!!!!!! Depois do xixi, ainda pegou papel e limpou o bumbum e o pinto, figuraça. E seguiu pra cama dele, deixou colocar a fralda pra dormir, como se nada demais tivesse acontecido. E eu volto a pensar que é melhor assim, oferecendo as novidades no tempo dele. Daqui por diante, vamos começar a tirar a fralda gradativamente. Já disse que sempre que ele quiser fazer xixi no pinico é só avisar pra mamãe, pro papai ou pra bá que estiver por perto (sim, temos duas agora, coisa pra outro post).

Ah, meu filho, é isso: meu nenê tá crescendo, virando o meu menino grande. Que dia lindo a gente teve hoje. Dorme bem, voa bastante no teu sonho. Te amo.
posted by JULIANA DE MARI 9:51 PM


Sexta-feira, Agosto 25, 2006


Fortes emoções


Gutão ontem foi na otorrino com o Rô. Graças aos santos, o ouvido melhorou e, de maneira geral, ele tem progredido no tratamento. Depois da médica, pausa pra brincar com o Miguel e pegar a Nina no colo, lá na casa dos dindos. Cheguei do trabalho e os moçoilos ainda estavam na rua. Deduzi que, quando chegasse, Gutão ia estar bem cansadinho, pronto pra tomar o leite e capotar. Hã-hã.
Gutão chegou todo feliz. Contou que pegou a Nina no colo, perguntou se ela tem "língua", e foi-se, falante e feliz, brincar com os carrinhos no quarto da televisão. A essa altura, eu tava morta, esgotada. Passei o dia morrendo de sono, cansadíssima, e realmente tudo o que queria era um beijo, um abraço e minha cama. Mas filhote resistiu e não quis saber de botar o pijama nem de se encaminhar pro seu quarto. Por volta das 22h, dei o ultimato: hora de trocar de roupa, tomar o leitinho, colocar o remedinho no nariz e dormir. Pra sorte minha, antes disso, Gutão tinha, voluntariamente, feito inalação. Fica encantado com a "fumacinha". Coloca no nariz, sozinho, liga e desliga, conta até dez antes de tirar a máscara, um figura.
Pois bem, no momento em que decretamos o fim do dia, Gutão surtou. Queria porque queria lavar a petita na pia do banheiro. O Rô explicou que não ia rolar. Que o papai tava com dor nas costas de carregá-lo no colo e que a água da torneira tava muito gelada. Pensa que ele engoliu a explicação? Berrou e berrou e berrou, e chorou lágrimas de crocodilo. E veio pra cama contrariado. E ficou de pé na dita cuja. E eu, calmamente, tentando colocar o pijama e trocar a fralda do meu pequeno guerreiro. Aí, ele cismou que queria ficar sem fralda. E eu explicando que não dava, que tava frio, que ele ia fazer xixi na cama, ia ficar molhado, não ia conseguir dormir direito. E ele chorando, chorando, gritando, se esgoelando, pra falar a verdade. E eu tentando manter a paciência e repetindo não, não vai dar, não vou deixar. Até que ele, possesso, vermelho, cheio de lágrimas, me olha e diz: "Qué matá a mamãe".
Putz, oscilei entre chorar e rir, juro a tu. Forte, né? Mas relativizei e perguntei se ele tava brabo. Disse que "matar a mamãe" não é uma coisa legal de dizer, que a mamãe fica triste, mas que ele tem outras coisas pra nos dizer sempre que se sentir chateado. Aí, ele disse, já quase caindo de sono, tadinho: "Tô irritado". E deixou que eu trocasse o pijama, a fralda, arrumasse a cama e o colocasse, abraçadinho, ao lado da Pig. E dormiu. A noite toda sem chamar.

E eu fui pra cama pensando no tanto de coisas que esses pequenos têm que processar, em como deve ser intensa a vidinha emocional deles, e em como é fundamental a gente estimulá-los a botar pra fora o que estão sentindo de bom -- e de ruim também. Tenho confiança no nosso amor e sei que Gutão "só queria me matar" momentaneamente, assim como tenho certeza que, em muitos outros momentos, ele vai querer que essa mãe aqui se exploda! Foi assim comigo e com a minha mãe muitas vezes e é assim que caminha a humanidade. Tomara Deus que a gente consiga saber se ouvir e se respeitar quando a raiva for mais forte que a vontade de dar ou ganhar um abraço.

Hoje filhote acordou falante e feliz, enchendo a casa de alegria. Pediu iogurte e requisitou minha presença a seu lado. Depois, olhou pra mim e perguntou: "Você me ajuda, mãe?" (a raspar o potinho de iogurte!). Sempre que precisar, meu filho. E com o maior prazer.

posted by JULIANA DE MARI 11:43 AM


Terça-feira, Agosto 22, 2006


A peleja nossa de cada noite


Noite de terça-feira, por volta das 21h30. Mamãe sentada na cama, tentando botar filhote pra dormir:

"Que balulho é esse?"
"A vizinha chegou?"
"Tô tô medo da vizinha"
"Qué leitinho"
"Mamãe, cê qué um pouquinho?"
"Não qué bota o pijama"
"Por baixo, mãe"
"Qué o coelhinho rosa"
"Ele come cenoula?"
"Qué botá o coelhinho pra domi no travesselo"
"Qué domi na cama da mamãe"
"Cadê o Rô?"
"Faz calinho na perna, mãe"
"Mosquito modeu o pé, faz calinho mãe"
"Qué pegá o palhacio"
"Tem medo dele"
"Qué escová o dente"
"Bota mais pasta, mãe"
"Vô escová beeem devagalinho"
"Devagalinho, mãe!"
"Qué domi na cama da mamãe"
"Essa cama não é confotável"
"Domi aí, mãe"
"Cada um não tem a sua cama"
"Deita aí, mãe"
"Que balulho é esse?"
"O elevador faz balulho?"
"Acende a luz, mãe"
"Qué a Pig"
"Cadê o Papai?"
"Domi aí com o eu, mãe"
"Não qué domi!"
"Qué a histolia da Ana"
"Ela uma vez..."
"A Ana tem pé, mãe?"
"Qué vê o livro da Ana"
"Deita aí, mãe"
"O mosquito modeu o pé, tira a meia, mãe"
"Faz calinho na pena, mãe"
"Qué a Pig"
"Papai já chegou?"
"Canta a música do Batman, mãe"
(HEIN??????)

Noite de terça-feira, 22h40. Enfim, Gutão dorme.
posted by JULIANA DE MARI 10:42 PM


Domingo, Agosto 13, 2006


Esperteza


Gutão é um figuraça. Foi dormir todo feliz agora há pouco, depois de um dia animadíssimo. Dia dos Pais teve direito à pracinha com o Rô pela manhã, almoço num lugar bem gostoso a três, visita ao Pedroca, do Julio e da Patty, muita brincadeira em casa, banho de chuveiro -- sozinho!, muita risada e muitos beijinhos. Filhote curte tanto a nossa companhia. Dá gosto brincar com ele. Ele corre, grita, fantasia, cria histórias e personagens, um barato. Teve uma hoje que foi muito engraçada. Gutão pegou um carrinho e disse que o papai da Pig ia trabalhar. Eu perguntei onde. E ele respondeu fazendo referência ao lugar onde o Rô trabalha. E a mamãe da Pig, eu quis saber. Ele respondeu que ela também ia trabalhar -- adivinhem onde? Onde eu trabalho, claro.
Engraçado ver como essas coisas ficam na cabecinha dos pequenos. O que a gente faz, o que a gente fala. Tudo isso vai criando referências sobre a família, o mundo, a dinâmica da vida. À tardinha também, Gutão saiu correndo pra janela. Subiu no Futon do quarto da TV sozinho. Pra quê? Pra dar tchau pro sol, coisa linda (moramos no último andar, em um terreno que não tem prédios na frente, e sempre curtimos esse privilégio em São Paulo: ver o pôr-do-sol da janela de casa). Um pouquinho depois, um vizinho resolveu soltar fogos. Já tava escuro, eram luzes lindas e eu chamei Gutão pra ver comigo. Filhote não só não se assustou com o barulho, como ficou pedindo mais. Aí, eu expliquei que o vizinho já tinha terminado e que não tinha outro "foguete". Ele me olhou, muito sério, e disse: "ah, acabou a pilha". :-)
Antes de dormir, levei Gutão pra lavar os pés no chuveirinho. Ele pediu pra tirar a roupa. Me perguntou se eu tinha pinto. Eu disse que só meninos têm pinto. Ele pediu pra tomar banho. Entrou sozinho no box, ficou em cima do tapete, segurou o chuveirinho e tomou. Molhou o pescoço, a barriga, as costas, bem bonitinho. Só não se ensaboou sozinho, ainda não aprendeu essa parte! Depois do banho, veio pro meu colo, e ficou imitando o choro do Pedroca. Olhou pra mim e perguntou: "O Pedro fala?". Eu disse que não, que ele choraminga porque ainda não sabe falar. Gutão respondeu: "Eu sabe".

posted by JULIANA DE MARI 9:54 PM


Quinta-feira, Agosto 10, 2006


Vivendo e aprendendo a viver


Não tem outro jeito a não ser esse aí de cima, né? A gente aprende a viver, vivendo. A gente aprende a ser pai e mãe, sendo. Gutão tá naquela fase que os americanos apelidam de "terrible twos". A fase do não quero, do não vou, do gritar até doer nossos ouvidos, do jogar todos os brinquedos no chão quando é contrariado ou quando fica irritado, e por aí vai. Totalmente típico de quem está se descobrindo um ser autônomo. Pra lidar com isso, muita paciência, muito jogo de cintura, muito foco no que realmente queremos que ele aprenda nessa vida. Tem horas que a gente perde a estribeira, claro. Quando junta birra de um lado e cansaço do outro, pronto, explode, mas eu tou fazendo um esforço grandissíssimo pra manter o foco, pra respirar dez vezes, pra "mudar de assunto" e oferecer outra possibilidade ao meu filhote.

Li num artigo da revista Vida Simples outro dia, uma frase muito bacana do Jean Piaget: "Valores são investimentos afetivos". Achei uma definição preciosa. Fiquei com isso na cabeça e, agora, toda vez que tou prestes a perder a paciência com Gutão, ela volta. Eu quero ensinar ao meu filho que vale a pena ouvir, que vale a pena respeitar, que vale a pena conversar, que vale a pena aceitar a diferença. Se é assim, preciso me portar de acordo, certo? Com os outros e com ele, principalmente. Preciso estar aberta a respeitar o tempo dele, o jeito dele, a opinião dele. Estar atenta para incentivar o que ele faz de melhor, em vez de ficar com a lente voltada apenas para aquilo que ainda não conseguiu fazer -- como eu gostaria que fizesse.

Em vez de querer controlar o que meu pequeno faz, como faz, por quê faz, eu preciso é estar focada em ajudar meu filho a se controlar. A aprender a lidar com suas emoções, a deixá-las vir à tona, a manejar a frustração e a curtir a realização. Difícil missão, certamente. Mas é tão grandiosa, tão gratificante, tão bonita. E sou eu quem mais aprendo nessa trajetória. E que páro e penso, e reflito, e volto atrás, e quero mudar, e quero ser melhor, e quero investir em ser uma pessoa mais honesta e mais justa na vida. Não é fácil, não. Mas eu me animo em tentar.

Segunda passada, nasceu o Téo, filho da Anne e do Marcelo. Na terça, fui visitar. A mãe passa bem, o pai tá todo bobo, o guri é fofo, todo cabeludo. Eu fiquei ali, vendo aquele toco de gente pelo vidro do berçário, lembrando de como Gutão nasceu, da emoção que eu senti, da importância que a chegada dele teve --e tem-- na minha vida, enfim. E chorei. Chorei mesmo. De felicidade, de agradecimento a Deus por ter uma família, de ver aqueles serzinhos tão prontinhos e, ao mesmo tempo, tão dependentes do amor da gente. Ter um filho é uma benção. Que compensa toda e qualquer mudança, que compensa todas as horas em claro, que vale todo e qualquer esforço.

Gutão, definitivamente, não tem uma mãe superficial. Sou complexa, reflexiva. Intensa. Sensível e emotiva, muito. Sofro as dores do mundo. Sinto as dores dos outros. Meu campo "psíquico", digamos assim, capta o que muita gente nem imagina...E dá-lhe pensar, e repensar, e processar, e mastigar essas energias, pra conseguir me manter no meu eixo. Impressionante que eu sinto que Gutão sente um tantão também. Talvez por ser criança e ter todas as anteninhas ligadas. Fato é que, se a casa está nervosa, se papai e mamãe estão agitados, se algo está mal resolvido, Gutão reage. Com o corpo. Com raiva, com choro, com explosões. Bacana é que deixa vir. Bacana é a gente, eu e o Rô, estar ciente de que, muitas vezes, a irritação é um sinal. De que ele precisa de mais atenção, de mais presença, de mais abraço.

A gente tem tentado. E tem feito correções de rota toda vez que empaca em um "sintoma" que foge à fase que Gutão deve viver para justificar seu crescimento. Aos dois anos, por exemplo, é normal ter chilique, querer impor sua vontade, brigar contra os limites. Saudável que seja assim mesmo. Acho que lá em casa tá dando um samba bom. Sem juízo de valor, vai. Certo ou errado, existe isso no caminho de um pai e de uma mãe? Sei não. Acho que existe uma escolha, um convicção, uma vontade. De fazer o melhor pelo filho, sempre. Se o filho vai entender, vai reconhecer, vai isso ou aquilo, aí já são outros quinhentos. Mas encarar essa missão esperando aplausos de volta é tãooo mesquinho.

Eu vou ficar bem feliz se, daqui a alguns anos, vir meu filho crescendo sorrindo, saudável, pelo caminho do bem, e sabendo ouvir, a ele próprio e aos outros. Isso feito, o resto, que a gente plantou juntos desde pequenininho, há de germinar naturalmente.

(Tou no trabalho ainda. Coração apertadinho. Exceção à regra, hoje não vai dar pra colocar Gutão pra dormir. Fico triste, mas eu sei que ele sabe que, quando eu chegar, vou lá correndo dar um beijo de boa noite, bons sonhos).

posted by JULIANA DE MARI 9:20 PM


Domingo, Agosto 06, 2006


Causos


Ontem, depois da soneca da tarde, da qual filhote sempre acorda mal humorado, veio o queixume. Gutão chorou e chorou e chorou. E disse que tava com dor de garganta. E eu e o Rô nem hesitamos: demos um banho quentinho no guri, leitinho pra encher a pança e fomos pro Sabará, investigar as "dores". Gutão ainda tá fazendo tratamento pra conter a rinite e cuidar das sequelas das otites e, qualquer sinal de congestão e tal e coisa, já nos preocupa. Dessa vez, no entanto, graças a Deus, é só um resfriado mais forte. Eu e ele estamos assim, garganta coçando, tosse seca, nariz escorrendo, um saco. Ele olha pra mim e diz: "tou resfriado". E eu digo de volta: "eu também, filho". Aí, ele devolve: "eu também, mãe".

Conversar com Gutão é uma das coisas que mais me dá prazer na vida. Ele tem um jeitinho meigo de se expressar, tem entonações que acompanham cada expressão. Fala com as mãos, como eu. E conta os detalhes dos acontecidos, sabe? Solta umas frases mui engraçadas. E já coloca suas vontades com muita propriedade. Filhote ontem escolheu a camiseta que queria usar -- "a do JimHendrix". Eu peguei a marrom, de mangas compridas, afinal ainda parecia que o inverno ia vingar. Gutão retrucou: "Quero a outra, a azul". Escolha posta, eu improvisei outra por baixo e a do JimHendrix, como ele diz, por cima. Na hora de escolher o restaurante, já estávamos na porta de um italiano simpático perto de casa, quando ele, desconsolado, disse que queria almoçar "naqueeele" da Vila Madalena. Aliás, adoooora passear na Vila esse guri! E lá fomos nós, pro cantinho de sempre, onde as meninas conhecem Gutão desde a barriga, onde ele passeia de colo em colo, onde ganha beijos e o direito de fazer a bagunça que quiser no jardim. É um dos poucos lugares que eu e o Rô conseguimos ir a três e ter algum momento pra conversar só nós dois! Mas filhote tava com sono e, pra variar, não comeu quase nada do almoço (com a babá, come que é uma beleza...). Passou o almoço enchendo a caçamba dos carrinhos de pedrinhas. A certa altura, veio sentar ao meu lado no banco de madeira e disse: "Tô caindo de sono". Achei o máximo!

Gutão ontem se saiu com uma hilária. Estávamos brincando e eu perguntei como era o nome do papai de um bonequinho. Ele disse que era "papai Rodrigo". E o da mamãe dele, Gutão? E ele: "mamãe Rodriga". :) E no hospital, especializado em crianças, na área da brincadeira, uma enorme pista para os carrinhos. Gutão chega da consulta e os dois carros já estão ocupados. Aí, ele olha pra gente e diz, emburrado: "Qué ficá irritado". E eu explico que quando ele tá andando no carrinho, os amiguinhos esperam. Então, quando os amigos estão andando, ele precisa esperar também. Ele não gosta muito, não, mas fica ali, balançando as perninhas, esperando sua vez. Ah, filhote aprendeu a contar até 10!!!! Conta direitinho do 1 ao 10 e, quando chega lá, recomeça, todo orgulhoso. Só que do 5! haahahaaaaahaha

posted by JULIANA DE MARI 9:13 AM


Quarta-feira, Agosto 02, 2006


Fantasias


Gutão anda numa fase linda. Brinca sozinho, cria suas histórias, imagina um monte de coisas. Transforma qualquer potinho em "comidinha" e oferece pra gente. Também faz "café quentinho", cheira e diz "que delícia". "Constrói" castelos e pontes e exclama: "ficou maravilhoso". Usa as almofadas pra brincar de garagem, abre e fecha, e encaixa os carrinhos de "ré", um do lado do outro, bem direitinho (ascendente em virgem se manifestando, será?!). E diz que o "Guru", aquele amigo do Pooh (que eu ganhei numa promoção do McDonalds antes dele nascer!), tá dentro de um dos carrinhos. E que o Tigrão tá dirigindo o outro. Ai de mim se invento de dizer que os bichinhos não cabem ali, não. Gutão fica brabo, insiste: "Tá aqui dentro, mamãe, bem pequenininho". E o sofá virou pista de corrida -- ou marginal em dia de engarrafamento! É só eu e o Rô sentarmos na hora em que ele está fazendo seu percurso e pronto, filhote pede pra gente sair do sofá: "sai da rua, mamãe". Eu e o Rô ficamos desalojados, assistindo TV no chão gelado, mas felizes, felizes.
Adora aventura, esse meu filhote. Skate, surf e tudo o que parecer beeeeem radical (tipo se jogar de cabeça do sofá pro colo da gente, por exemplo!) está entre suas preferências. Em casa, a fantasia da vez é a de motoqueiro. Gutão sobe em sua "motoca" (o velocípede azul!), põe o capacete (um que o Rô usa pra surfar) e acelera. Daí, desce da motoca, tira o capacete, pendura na "direção" e fica todo orgulhoso. E põe o dito de volta, e sobe na motoca, e olha pra mim e diz: "volto logo, mamãe". E eu me derreto toda, meu filho!!!
posted by JULIANA DE MARI 4:59 PM


Sexta-feira, Julho 28, 2006


E la nave vá


A vida vai indo bem, obrigada. Tanta coisa que eu queria deixar registrada aqui, mas cadê tempo? Tou atolada de trabalho. Essa época do ano é a mais intensa: tem dias que sequer consigo entrar na Internet, acredita? A minha "cenourinha" é que, além de estar me sentindo realizada com o resultado do "esforço concentrado", daqui a pouco, em setembro, vou tirar duas semaninhas de férias. Uma delas vou passar em Recife, visitando meus pais, a Lu e o barrigão da Bruna, êêêê! A outra vou ficar em Sampa mesmo, fazendo nada, curtindo meu Gutão, o Rô, nossa casa. Ai, que é bom ter um cantinho, uma família.

Bom, mas vamos aos últimos acontecimentos:

- Final de semana que passou fomos comemorar o aniver de 30 anos do Rô em Porto Alegre. Fez um dia lindo no sábado, céu azul, calor de verão em pleno inverno. O churrasco foi num clube bacana, na zona sul da cidade. Gutão adorou estar ao ar livre. Correu, correu e correu. Conheceu um monte de gente -- amigos, parentes, agregados. Interagiu um tantico com as priminhas Isadora e Maria Antonia, duas fofas, mui espertas. Monopolizou o "skate" da Dudinha, filha da dinda do Rô, e não quis saber de emprestar nem pra própria dona! Tá um moleque, esse menino. Curtiu um monte a companhia da vovó Lilica, do vô Zeca e do tio Bru. Já acordava perguntando pelos avós. Adorou brincar na varanda (como eu sinto falta de uma aqui em Sampa...), regar as plantinhas e "lavar" o vidro da porta. O divertido é que Gutão agora pede pra gente ensinar determinadas coisas. Foi assim com o borrifador de água. Queria usar o dito, mas não conseguia entender onde devia apertar. Daí, olhou pra mim e disse: "Ensina pro eu, mamãe". Resumindo, a viagem foi rápida, mas foi uma alegria. O mais importante, o Rô curtiu à beça a chegada dos 30. E, se ele fica feliz, nós também ficamos.

- Dois anos e tantas mudanças Não sei se outras mães têm a mesma sensação que eu, mas parece que, do segundo aniversário em diante, o desenvolvimento desses pitocos dá uma acelerada de assustar. É, sério. Eu tenho levado cada susto com Gutão! Ele tá muito esperto, muito falante, muito farrista. Entende tudo, reinvindica seus "direitos", faz birra e faz charme, e faz piadas também. E usa as palavras, e faz conexões, com tanta propriedade que me diverte e me comove. Estávamos no aeroporto de POA, prestes a embarcar, ele olha pra parede e vê um painel de mosaicos. E me pergunta:"Que bicho estranho é aquele, mamãe?". Era um avestruz!
E agora, quando quer me dizer alguma coisa, chega pertinho, pega meu rosto, e delicadamente vira pra ele, dizendo: "Olha pro Eu, mamãe". E sinaliza quando não gosta de alguma coisa também. Ontem, no quarto da TV, ele brincando com os carrinhos, eu vendo a novela, não muito entretida na brincadeira dele, e eu peço um carinho. Aí, ele olha pra mim e diz: "Não quero amar a mamãe". E sai engatinhando, como se fosse um gatinho (essa é uma brincadeira nossa: ele imita um gatinho, vem tomar "leite" na minha mão e deita no colo pra ganhar carinho), e vai contar pro Rô que "não queria amar a mamãe". E manda o Rô voltar no quarto e me "perguntar". "Pergunta pra mamãe, papai". O Rô pergunta, eu respondo, tristonha, e Gutão ri, faceiro, da minha cara!!!! Eu posso!!!!!!
Gutão continua feliz com a escola, o que nos deixa seguros de ter feito uma boa escolha. Tem dias que acorda tão animado que vai, ele mesmo, tentar abrir a porta de casa pra "chamar" o elevador. Dá um certo trabalho na hora de colocar o uniforme, é verdade. Tem dias que super colabora. Tem outros que cisma e aí é preciso muita paciência e alguma negociação. A última boa aconteceu no início da semana. Filhote tinha dormido com uma camiseta do Bob Marley. Tava "por baixo" do pijama, como ele pede. E, claro, ele quis deixar por baixo da camiseta da escola. Só que tava um calorão de quase 30 graus e eu fiquei com receio dele passar mal, né? Tentei argumentar, mas não teve jeito. Gutão insistiu no Bob e ainda lembrou do Hendrix, sim o Jimmie, que também alegra uma de suas camisetas. Só que a do Hendrix era uma opção pior: mangas compridas! Aí, lá se foi ele, Bob Marley por baixo do uniforme, um pequeno "transgressor", hahaahaaaaa.

- Fazendo planos Gutão cresce, enche a casa de alegria, já não cabe mais no nosso colo, e a vontade de dar um(a) irmãozinho(a) pra ele (e voltar a ter cheirinho de nenê em casa) vai aumentando! Até o final do ano, se Deus quiser, darei a boa nova por aqui. Acho que vamos estar, os três, em um bom momento, de união, de curtição e de alguma serenidade -- que sem ela, vamos combinar, a vida com um pequeno "rei" em casa pode ficar bastante tumultuada!!!!

posted by JULIANA DE MARI 11:03 AM


Domingo, Julho 16, 2006


Deu praia


Faz pouco que chegamos da praia. Fomos curtir um solzinho bom de inverno no Guarujá. Foi um domingo perfeito. Gutão acordou, brincou com o papai e deixou a mamãe dormir mais um pouquinho (amém!). Família saiu de casa perto do meio-dia, carro abarrotado de sacolas (e se der fome no caminho? e se esfriar? e se esquentar?). A idéia era almoçar já na beira-mar. Só que o trânsito, sim, havia trânsito na Marginal e na saída da Imigrantes em pleno domingo!, não deixou. A barriga roncou antes e acabamos almoçando na beira da estrada mesmo. Frango assado com polenta, delícia. Gutão comeu tudo, brincou muito, virou atração do restaurante. Depois, já no carro, não conseguiu ficar acordado pra ver os túneis da descida. Dormiu até chegar no Guarujá.
"Um dia lindo", como ele mesmo disse, de céu azul e sol gostoso. Enquanto o papai foi surfar, eu e filhote ficamos na areia fazendo estradas pros caminhõezinhos dele. Tava um ventinho frio, é verdade, e se o sol se escondia, até a areia ficava gelada. Gutão aceitou minhas explicações e, dessa vez, não quis se jogar e virar bife à milanesa na beira do mar, graças. Em compensação, tadinho, fez coco. E não quis me deixar trocar. Aceitei a negativa porque o Rô não ia demorar a sair do mar mesmo e eu imaginei que era o tempo suficiente de manter o coco na fralda sem assar o bumbum dele. Trocar no carro, com ajuda, me parecia uma alternativa bem mais razoável. Só que o dito, meio líquido, a certa altura, começou a escorrer pelas pernas do Gutão, sabe assim? Ainda bem que já era hora de ir embora e o Rô estava com a gente. Trocamos filhote na primeira grama que avistamos no calçadão. Cena linda, fralda cheia, bumbum fedido, pai e mãe sem saber onde jogar os "dejetos"! Ainda bem que tinha chuveiro num quiosque próximo e deu pra lavar o bumbum do figura. E trocar a roupa toda, e colocar moletom e calça comprida, porque, sem sol, veio um friozinho daqueles.
A volta pra Sampa foi de trânsito outra vez. Esquecemos que é férias de julho e todo paulista "desce" pra curtir a baixada. Mas tudo bem, não chegamos a ficar parados, isso é o que importa. Gutão veio conversando do Guarujá até aqui. Comeu biscoito, tomou suco e pediu pra ir na "padaria". "Vamo na padaria, mãe?". Agora é assim, fala qualquer coisa e enfia um pai ou mãe no final, uma graça! Nós atendemos o pedido e jantamos na padaria de sempre. Eu devorei um cheeseburguer, totalmente contra qualquer princípio saudável, eu sei. Gutão comeu carninha e tomou suco de laranja. E ganhou beijinhos e abraços da garçonete. Tá virando o galã das garçonetes, vou te contar. Chegamos em casa, filhote tomou banho ("não quelo lavar a cabeça", protestou!), botou pijama, fez uma certa farra na cama, tomou leitinho, abraçou a Pig e tá lá, ressonando, feliz. Eu também vou tomar meu banho agora. Boa semana pra gente!!

PS: Nasceu o Pedro, filho do Julio e da Patty, mais um moleque pra turma do Gutão! Viva Pedroca!!!
posted by JULIANA DE MARI 9:43 PM


Sábado, Julho 15, 2006


Vou te contar uma coisa


Aos dois anos e quase 4 meses, Gutão anda mais falante que nunca. Elabora frases, dá opiniões, faz conexões -- e piadinhas -- impressionantes.
Hoje, sábado, o Rô foi cortar o cabelo logo cedo e levou filhote. Eu fiquei descansando em casa (este mês, tenho trabalhado demais e o cansaço físico está se sobrepondo a qualquer desejo de fazer qualquer coisa) e eles foram brincar na pracinha. Lá pelas 11h da manhã, chegam meus dois furacões. Fui abrir a porta e Gutão já estava berrando do lado de fora "Abre a porta, mamãe, abre". Chegou todo feliz, contando que tinha guardado areia no bolso, e foi direto pegar o violão pra fazer um "show" pra mim. No final do espetáculo, pediu "bate palma, mamãe". Bati, orgulhosa, claro. Aí, filhote, displicentemente deitado no sofá, olhou pra mim e disse: "Deixa eu te contar uma coisa, mamãe...". E contou que tinha brincando com a Aninha na pracinha e que ela tinha consertado o pneu do caminhão dele e blá e blá e blá. O máximo, meu tagarela. Outra boa é que filhote não nega mesmo sua origem. Pudera, nasceu no coração de São Paulo, na avenida Paulista! Foi assim: deitado no chão, dia desses, falou pro Rô: "Então, papai...". Começar a frase com "então" é muito paulista, meu! Hahhaahhahaa

Hoje foi dia de tomar a segunda dose da Hepatite A, atrasada em três meses. Levamos filhote no Fleury, que tem uma unidade infantil cheia de brinquedos legais pra entreter os pequenos antes dos exames. Gutão ficou encantado com os carrinhos, claro. Entrou em um azul, igual aos que tem na escola, e não queria sair por nada no mundo. Dizia assim pra gente: "Tchau, mamãe, vou trabalhar agora". Pode? Aí, voltava pra perto da gente e dizia que já tinha trabalhado bastante. A hora da vacina foi meio estressante. Mais porque ele não queria ter largado os brinquedos do que pela picada em si. Eu avisei antes que ia doer um pouquinho no bumbum, igual a mordidinha de um mosquito (sempre que alguma coisa dói, ele diz que o mosquito mordeu, é a associação que ele faz), mas que era importante pra afastar o dodói da hepatite. Ele ganhou bichinhos da enfermeira e se comportou direitinho. Deu uma chorada básica, que passou em um segundo, e foi correndo de novo pra sala dos brinquedos. E quem disse que queria ir embora? Rolou um estresse na saída, com filhote vermelho, berrando, no colo do Rô e eu, cansada que estou, estressada com aquela tempestade em copo dágua. Ah, às vezes, eu não tenho paciência mesmo. Mas nem encano com isso. Sou gente e meu filho precisa "conviver" com essa realidade desde cedo!

E tem sido assim nossos dias, cheios de palavras. Gosto tanto dessa troca. Gosto de abraçar, beijar, dar risada e brincar com meu Gutão, mas ouvi-lo "verbalizar" suas descobertas e seus sentimentos realmente é algo que me emociona. É que ele é tão pequeno ainda, e já entende tanta coisa...Ontem à noite, antes de dormir, já sentadinho em sua cama, ele soltou: "A Bá ficou braba com o Eu". Aí, eu perguntei o que tinha acontecido e ele continuou: "Jogou a comida no chão, depois subiu pra pegar a petita e a Bá ficou triste com o Eu". Eu expliquei que não era legal derrubar comida no chão e que subir no móvel pra pegar a petita era perigoso, por isso a Bá ficou triste e falou pra ele que não era pra fazer essas coisas. Aí, ele já mudou de assunto e começou a dizer que queria ouvir a música do aniversário. É que desde que ele é bem pequenininho, o ritual de dormir inclui uma musiquinha suave. Há tempos o predileto era o CD do Palavra Cantada, o de cantigas de dormir. Recentemente, Gutão fez outra escolha e tem preferido as músicas de um CD feito especialmente pra ele, presente da vovó Lilica.

A primeira música, a tal que na cabeça dele, sabe Deus porquê, é a música do aniversário, é bem linda e suave mesmo. Me emociono toda vez que ouço. Diz assim:
"Quando você chegou, o mundo se animou.
Uma estrela acendeu pra ver um sorriso seu.
Abre os olhos, Augusto, e olha ao seu redor.
É o milagre da vida, ter você entre nós.
Feche os olhos, Augusto, nina junta ao meu coração.
Amanhã eu te acordo, meu anjo de pés no chão"


Falando em família, hoje pela manhã, antes da pracinha, o Rô tentando trocar a fralda e Gutão, p...da vida, querendo assistir ao Caillou, rolou estresse entre os dois. Aí, filhote veio no nosso quarto, e disse pra mim, vermelho de raiva: "Qué ir embola pra Floripa". Eu posso com isso!!!!!! E tem lembrado dos avós, e nos emocionado por isso. Final de semana passado disse, mais de uma vez, que queria "visitar o vovô Zeca". E toda vez que está no carro, "dirigindo", diz que "chegou em Recife". E hoje disse que queria "passear no carro do tio Bru". Ah, não vejo a hora do final do ano chegar pra gente curtir essa nova fase dele, todos juntos. Aliás, final de semana que vem, tem churrasco e chimarrão em Porto Alegre pra comemorar o aniversário de 30 anos do Rô. Gutão vai se esbaldar, tenho certeza, e vai voltar ainda mais cheio de histórias pra contar.



posted by JULIANA DE MARI 8:16 PM


Domingo, Julho 09, 2006


É tempo de férias


Julho é mês de férias e Gutão tem todo o direito de se esbaldar na dele. Verdade que tem ido pra escola durante a semana, mas não é pra "estudar", não. É que filhote tá participando do curso de férias. Vai no horário normal, pela manhã, mas nem uniforme usa. Leva brinquedos, bichinhos, e faz arte, muita arte. Cada dia a escola inventa uma coisa diferente pra estimular e divertir a garotada. Segunda é dia de circuito da bicicleta e, enquanto os maiorzinhos exibem suas proezas, os menores são convidados a entender as leis do trânsito e a "trabalhar" como guardas, orientando os bikers sobre o que pode e o que não pode na rua. Há o dia da fantasia, o do cineminha, o da maquiagem (Gutão voltou na quinta todo "pintado". A gente perguntava o que ele tinha feito e ele fechava os olhos e dizia: "maquiage, mamãe"), o da festa de aniversário (eles mesmos fazem o bolo e os brigadeiros, delícia) e por aí vai. Tudo muito lúdico e educativo.

Aliás, essa semana Gutão fez uma engraçadíssima que eu preciso registrar. Chegou da escola com uma mini-pizza de barro na mochila. Chegou na hora do almoço, pediu pra Bá sua comidinha e, enquanto ele brincava com os carrinhos, lá se foi ela pra cozinha arrumar o pratão. Quando deu a primeira colherada, Gutão falou: "Tá ruim, Bá". E ela achou estranho. Foi olhar na boca do figura e o que viu? Um pedação de barro lá dentro, haahhhaahahaa. Filhote tava com fome e não teve dúvida: tascou o mordidão na pizza de barro mesmo!

E férias que se preze têm que ter programa em família. Hoje foi dia de Zôo Safári, o antigo Simba, local mui frequentado por essa que vos escreve quando era criança e vinha de Recife passar as férias em Sampa. Chegamos no meio da manhã e a fila de carros já era longa. Gutão tava ansioso (acordou falando: "vamo no zoológico, papai") e, sentado na sua cadeirinha, não parou de balançar as perninhas um só minuto. Para quem não sabe, o passeio de 4 Km no Safari se faz de carro. Os bichos estão lá, soltos, e vêm nos saudar na janela, um barato. Claro que com os leões e os tigres a coisa é diferente. Esses aí se exibem dentro da "jaula", que não tem grades, mas telas de proteção e cerca elétrica. Assim mesmo, da janela do carro, dá pra observá-los muito bem.

Os primeiros bichos que nos saudaram foram os pavões, aqueles, lindos, de rabo azul. Eu e Gutão na janela, eu digo: "Vem aqui, pavãozinho" e não é que o bicho responde? Do jeito dele, mas responde, hahahahaaa. E Gutão leva um susto, mas morre de rir. E eu falo com ele de novo, e, de novo, o bicho responde, e Gutão adora. Daí por diante, foi uma farra. Como o trajeto tem velocidade controlada, 10 Km no máximo, Gutão foi na frente, no meu colo. A janela ia sempre aberta, menos na parte dos macacos. Aí, a gente deixava só dois dedinhos pra respirar. Eu achei que a hora dos macacos ia ser a mais divertida. De certa forma, foi. Eles ficavam fazendo acrobacias na nossa frente, chegavam a pular em alguns carros, mas não estavam muito animados pra ganhar amendoim, não. Compramos cinco saquinhos (que exagero, hein, Rô?!) e quem comeu boa parte deles foi Gutão!!!!! Pedia "mais, mamãe, mais" e devorava os amendoins. Os "bambis" comemoram na nossa mão, mas nem eles estavam, assim, tão empolgados com a oferta. Legal mesmo foi cruzar com as Lhamas. Uma delas, toda saidinha, enfiou a cabeça pra dentro do carro e nos deu um baita susto! Gutão adorou, claro. Fez carinho nela, deu tchau, uma graça. Também foi legal ver a zebra bem de pertinho. Que bicho lindo, incrível as listras. Gutão fez carinho nela também. Depois, vimos a girafa, outra maravilha da natureza, os patinhos, os cisnes, mais macacos, os leões, e, por fim, os incríveis tigres. O percurso levou uma hora e meia mais ou menos. No final, pausa pra fazer xixi (Gutão inaugurou nova modalidade na troca de fralda: em pé!) e comer pão de queijo pra dar uma segurada na fome.

Almoçamos com um casal de amigos num lugar lindo, uma antiga chácara que vendia plantas. Gutão viu mais bichos: tartarugas e peixinhos. Tava caindo de sono e, obviamente, não quis saber de comer. Ainda bem que tava com a barriga cheia de amendoim, meu macaquinho! Gostou mesmo é da colherada de doce de leite na sobremesa. Eu pegava um pouquinho só e ele dizia: "mais, mamãe, qué grande!", hahahaahahaa. Chegamos em casa na hora da final da Copa. Claro que torcemos pra Itália (que bonito ver a comemoração da equipe no final e que vacilo do francês Zidane, perder a cabeça justo no último jogo da carreira...). Bom, Gutão capotou logo que o jogo começou. Acordou agora, quase sete da noite, super mal humorado (sempre que acorda à tarde é assim). Pra quebrar o gelo, eu e o Rô começamos a falar do zoológico, do passeio, dos bichinhos e ele lembrou do pavão e dos macacos pulando em cima dos carros. E olhou pra gente e soltou essa: "E o pelicano, mãe?". (Pai e mãe que se preze sabe que pelicano só no desenho do Nemo). Eu posso com essas associações, hein?!

posted by JULIANA DE MARI 7:09 PM


Domingo, Julho 02, 2006


Coletânea


Faz tempo que quero relatar os últimos acontecimentos e não acho brecha. Quer dizer, o computador de casa tava no conserto e isso também não facilitou as coisas. Mas, bom, agora que ele voltou e que eu tenho-tanto-pra-te-dizer, deixa logo eu começar. Pelo dia de hoje: a estréia do Gutão no cinema. Ah, foi tãooo legal! O filme não poderia ter sido outro: Carros, da Pixar. O cinema escolhido foi o de um shopping: tinha a comodidade do lugar marcado e da venda de ingressos pela internet (menos um estresse na empreitada!). Pra entrar no clima, na sexta-feira dei pra ele um álbum de figurinhas do filme e contei um pouquinho da história. Eu e o Rô contamos também que cinema tem uma tela grandona, praticamente uma TV gigante. Gutão chegou lá animadíssimo. Antes de entrar na sala, pipoca com miniatura dos carros de brinde. Gutão ganhou o "Mate" e a "Celi". Queria o carro vermelho, o McQueen, "protagonista" do filme, mas, é claro, esse esgotou em um instantinho.

Quando entramos na sala, Gutão ficou maravilhado com a telona. Sentou na cadeira e vidrou. Deu muita risada com os trailers, todos escolhidos pra uma matinée (a sessão começou às 11h30). Viu o filme propriamente dito com muita atenção. A sala tava cheia, mas não lotada. Muitas crianças, de idades variadas, acompanhadas de pais, mães e babás (eu não me acostumo com essa coisa de andar com babá fazendo sombra, não. Dá trabalho, mas acho bem possível um pai e uma mãe darem conta de seus dois filhos, especialmente em programas dito "família" como esse, vai. Mas deixa eu ter o segundo pra contar o que passa na vida real, né?). Filhote só começou a dar sinais de cansaço depois da primeira hora do filme. Eu que achava que ele só ia aguentar os primeiros 20 minutos, fiquei besta de vê-lo ficar até o final. É certo que, na última meia hora, ele já tava em pé, pulando do meu colo pro colo do Rô, tentando se aninhar, mas sem conseguir tirar os olhos do filme.

Valeu o programão de domingo. Valeu ver Gutão tão crescido, curtindo as novas experiências. Valeu estar lá, no meio daquelas famílias, emocionada por ter a minha.

Depois do filme, comprinhas na Zara e almoço no America. Gutão nos deu um drible mais uma vez. Parecia que ia estressar, mas ficou firme, comeu toda sua comidinha direitinho, brincou enquanto eu e o Rô comíamos, manteve o bom humor e não deu trabalho algum. Foi capotar só no carro, a caminho do supermercado. É que fiz uma mini-comemoração dos meus 33 em casa e precisava comprar o pão de cachorro-quente. Vieram cantar parabéns o Julius, a Alê, a Patty, com o barrigão do Pedro, e o Julio, e a Dani e o Duda, com o Miguel e a Nina. Gutão dormiu até depois das seis, tava esgotado, tadinho. Acordou mal humorado, como sempre acontece depois da soneca da tarde. Tava manhosinho também. Mas se animou na hora do bolo e pediu "estrelinhas" quando fui acender a vela. E ainda disse que "não são as estrelinhas que moram no céu". De onde ele tira essas coisas, hein?

Filhote tá muito sabido. Cortou o cabelo curtinho no sábado. Não deu o menor trabalho, como sempre. Saí do salão com um moleque. Parece que cresce quando apara os cachos, sei lá. Eu olho pra ele com esse cabelo joãozinho e me vejo nas fotos que tenho com essa idade (sim, eu tinha cabelo joãozinho), é tão emocionante, né? Depois do salão, fomos, eu e ele, comer brigadeiro na doceria da Vila Madá. Gutão adora brigadeiro. Fica tãooo feliz quando a gente anuncia o "docinho", precisa ver! Ainda passamos numa lojinha pra comprar aromas pra deixar a casa cheirosa, até que o papai, depois da natação, veio nos buscar. Fomos almoçar na casa dos dindos. Torcemos por Portugal e ficamos empolgados com o resultado. Vovô Beto foi lembrado a cada instante. Devia estar lá em Recife tomando vinho e fazendo suas rezinhas pros portugas se confirmarem na semi-final. Já o Brasil, bem, o Brasil...Gutão que fez certo: dormiu antes do jogo e continuou dormindo até depois que o segundo tempo terminou!!! Ah, fiquei com vergonha dessa seleção. Como diz a manchete do Estadão de hoje: é mesmo "Um time pra esquecer". Analiso da seguinte forma: faltou "gana" pros talentos individuais se apresentarem em jogo e faltou liderança pra fazer as estrelas renderem o seu melhor. Porque nem todo grupo é uma equipe. E quem conhece os conceitos da administração, sabe que esse "espírito" faz toda a diferença: equipe é um conjunto de pessoas que estão reunidas porque são talentosas e porque, juntas, podem alcançar um resultado superior. O que se viu no jogo do Brasil foi praticamente um descaso. Roberto Carlos arrumando as meias na hora do gol? E o Parreira lá, impassível???? Pelamordedeus!!!! Copa agora só daqui a quatro anos. E eu vou é torcer pro Felipão!!!!

Ai, tenho um montão mais pra contar, mas tou com um baita sono. Falando nisso, só um aparte, Gutão tem ido pra cama bem tarde ultimamente. E tem demorado um bocadinho pra se render ao sono. Agorinha há pouco, me chamou pra dizer que tava com medo do "morcego". Onde, filho? Aqui não tem morcego, não. Filhote pediu pra cobrir os "pés", abraçou a Pig, virou pro lado e tá lá, espero que dormindo o sono dos justos até amanhã de manhã.




posted by JULIANA DE MARI 11:26 PM


Sábado, Junho 24, 2006


Olha pro céu, meu amor


Véspera de São João, dia de arraial na escola do Gutão. A apresentação da turminha dele começou pouco depois do meio-dia. Gutão foi vestido a caráter: chapéu de palha, camisa xadrez, calça de retalhos e bigodão, claro! Ah, faltou contar da gravata, um arraso. Filhote entrou na escola meio tímido, sem reconhecer direito aquele mulherio usando tranças e avental com motivos juninos. Mas foi com a tia que o convidou a se juntar com as crianças da "classe", a essa altura escondidas dos olhares dos pais babões no corredor atrás do local reservado pra festança. Havia uma fogueira no centro e dois círculos marcados no chão. Gutão me contou ontem: "A tia Velonica disse que tem ficar no X". Estavam lá, os "Xs", indicando a posição de cada cotoquinho na hora da dança.

Sentei no chão, enquanto o Rô ficou em pé, máquina a postos. O cordão de isolamento eram bandeirinhas coloridas que caiam no chão toda vez que um pequenino via o pai ou a mãe e saia correndo pra ficar com eles. Tão bonitinhos, os pequenos caipiras. E veio a hora esperada. Turminha entrou de mãos dadas e foi tomando posição no círculo, aleatoriamente. A Clarinha e a Kailani só choraram. O Bruno, um gordinho fofo, menorzinho da turma, também abriu o bocão. Gutão nem chorou nem sorriu. Ficou no X dele, boquiaberto, literalmente, diante das tias que puxavam a coreografia. Dessa vez, acho que estava com sono porque o máximo que fez foi dar uns pulinhos tímidos. Toda vez que olhava pra "multidão" e nos via, dava um sorriso gostoso. Lindo, meu filhote. Eu cantei, gritei, e dei muita risada diante do atordoamento e da satisfação daqueles pequeninos. As meninas, já percebi, em geral, são mais soltas. A noiva da "quadrilha" do Gutão era uma graça. Uma moreninha de vestido branco e véu que saracoteou um bocado na roda.

Bom, depois de duas músicas, a turma saiu direto pra pescaria e pra comilança. Tinha um monte de comida gostosa, mas eu comi quase nada (não deu tempo: ou eu me divertia com filhote ou comia, né?). Mas pipoca, eu comi. E Gutão também! Passou boa parte do tempo "colhendo" as pipocas que caíam no chão. E haja atenção pra evitar que ele as colocasse, todas, de volta na boca! Filhote ganhou várias prendas na pescaria: um jogo de cartas, um pente, um gira-pião e um daqueles acquaplays, sabe? Tava um dia lindo, de céu azul e sol, e ele não aguentou ficar muito tempo com o chapéu. Deu pra mim, disse que eu ia ficar "uma princesa". Hum-hum.

A escola tava toda enfeitada no tema da festa: "São João da Bicharada", muito legal. As crianças se divertiram um bocado e nós, os pais, idem. Acho bacana esses momentos de "integração". Embora a gente não tenha muito contato, por falta de oportunidade, com outros pais, um ou outro sempre vem trocar uma idéia e tal e coisa. Legal também foi conversar com a professora dele, a querida tia Karla. Ela nos contou que ele anda mais "calmo", menos sentido na hora de dividir os brinquedos, totalmente participativo nas atividades de cantar, dançar e pintar. E disse a Karla que ele fala cada uma que a deixa de queixo caído, igualzinho acontece aqui em casa. Quando a turminha vai lanchar, por exemplo, todos juntos, de mãozinhas dadas, Gutão, às vezes, escapa. E ela diz pra ele: "Gutão, é por aqui". Ao que ele devolve, nas palavras dela: "Eu quelo ir por lá"!!! (É muita independência, meu pai eterno!!!)

Depois do "Sanjão", tomamos um brunch na padaria, vimos um pedacinho do jogo que levou a Alemanha adiante na Copa e viemos pra casa. Gutão chegou capotado. Dormiu umas três horas seguidas. Despertou, me chamou, peguei no colo e trouxe pra ver TV com a gente. E não é que filhote dormiu de novo no meu colo? Ah, coisa bem boa. Fazia tempo que ele não se aquietava assim, deitadinho no meu "coração". Ficou assim uns 20 minutos, tempo suficiente pra eu constatar o quanto ele já cresceu e o quanto o meu amor foi junto. É um amor do tamanho do mundo meeesmo.

Eu amo meu Lolô, meu Tantão, meu Gatinho. Meu menino que gosta de palavras. De falar e de cantar. Pra quem eu canto, e de quem recebo aplauso nos olhos depois da cantoria. E a gente cantou junto, hoje pela manhã: "Olha pro céu, meu amor, vê como ele está lindooooooo". Viva São João! Pra quem tem fogueira na rua, muito milho e muita alegria. Pra quem fogueira é saudade, que essa lembrança aqueça o coração. Sempre. Que ter raízes é garantia de ter história pra contar!!!


PS: Há pouco, Gutão pegou sua cadeirinha de madeira, mandou o Rô sentar e disse que ia "examinar" o nariz dele "igual a dra. Renata" (a otorrino dele). Tá aqui, com barco na mão, fazendo o papel de estetoscópio ou coisa parecida, "examinando" o Rô detalhadamente. Já viu o nariz, os ouvidos, o "umbigo" (hahahahaaa) e o coração. Tá dizendo assim pro Rô: "Fica quietinho aqui", "Não estraga, ainda falta mais um pouquinho". E deu o barco-estetoscópio de presente pro Rô agora. E disse: "Não rasga o presente". E tá ali, pegando todos os brinquedos e dando a mesma "ordem": "Não é pra rasgar, papai", "É um brinquedinho pra você brincar". Na hora do jantar, soltou uma demais. Olhou a foto do calendário (uma igreja de Ouro Preto) e disse que era a casa da Bá. Eu disse que não era, não. Que era uma igreja, lugar de rezar, a casa de Deus e dos anjinhos. E ele devolveu: "Os anjinhos de boa-noite protegem o sono do Gutão". Tá lindo demais, esse menino!


posted by JULIANA DE MARI 10:26 PM


Terça-feira, Junho 20, 2006


Eu sou nuvem passageira


A nuvenzinha negra parece que tá indo embora. E já não era sem tempo, hein? Gutão reagiu super bem ao antibiótico (depois dos primeiros dias de muita irritação, provável efeito colateral) e não apresenta mais aquele quadro "congestionado". Eu estou melhor da virose. Ainda sofro um tantinho é com a pseudo-sinusite, que ora faz doer o ouvido ora faz doer os dentes ora faz doer o rosto inteiro (vou pedir pro otorrino pra fazer Raio-X e tirar isso a limpo). O importante é que nosso humor está mais alegre.

Domingão vimos o jogo do Brasil na casa da Gica e do Villela, pais do querido Bizi, digo, Gustavo. Gutão não deu muita bola pra seleção, não. Certo ele, né? Que joguinho bem ruinzinho, fala sério. Filhote preferiu ficar indo e vindo no quarto do amigo pra catar os brinquedos que mais lhe apeteciam. Trouxe praticamente todos os carrinhos pro sofá da varanda e organizou um mega-estacionamento. Eu passei praticamente o primeiro tempo inteiro na função-Gutão: almoço, sobremesa, suquinho, troca fralda. Aliás, falando em troca fralda, preciso me preparar psicologicamente pra encarar essa mudança. Acho que está se avizinhando a hora de Gutão aprender a fazer xixi e coco no pinico. Já temos o dito lá em casa. Super bonitinho, tem até tampa. Gutão, às vezes, senta lá e finge fazer suas "necessidades". Pega até papel higiêncio pra limpar o bumbum! O lance é que, de uns tempos pra cá, na hora do coco, ele quer privacidade (certíssimo!). Manda a gente sair do recinto ou sai ele pra sala ou pro quarto da TV pra se "concentrar" sozinho. Bom, deixa rolar.

Outra mudança que temos que encarar em breve, brevíssimo, é o adeus à "petita". Gutão é dentucinho e, por causa da dita, tá ficando ainda mais. A dentista já tinha alertado que era pra dar fim nas chupetas por volta dos dois anos. Muita calma nessa hora. Estamos, primeiro, tentando fazê-lo compreender o porquê de só usar na hora de dormir (estraga o dentinho, a doutora explicou e tal e tal). Depois, vamos partir pro "lixo". Quero ver se negocio com filhote alguma coisa bacana. A dentista incentiva essa troca, sabe? Ele dá a petita para todo o sempre e ganha alguma coisa que valorize muito no lugar.

E valorizar mesmo, Gutão valoriza é a Pig. Como ama essa bichinha! Ela tava tão suja esses dias, mas filhote, doentinho, não queria saber de deixar a gente "dar banho" nela. Ficava andando abraçadinho com a Pig, que de amarela já está quase cinza!, todo querido. É verdade que agora o amor é compartilhado. O Rô trouxe um Tigrão, grandão, de Londres, e filhote anda pela casa com a Pig debaixo de um braço e o Tigrão do outro!

Quê mais? Vamos ter festa junina na escola no sábado, oba. E festa na escola do Theo, da Rê Quintela, no domingo, oba. E estamos, eu e Gutão, tomando geléia real por sugestão dela. Li a bula e fiquei maravilhada com os efeitos prometidos. Diz que é o segredo da longevidade dos chineses. Espero, ao menos, que dê um reforço na imunidade. A Rê diz que com o Theo tem funcionado.
posted by JULIANA DE MARI 1:41 PM


Sexta-feira, Junho 16, 2006


Eu não sou Madre Tereza!


Gutão melhorou um pouco com o antibiótico. A febre passou e ele tem dormido relativamente bem. Digo relativamente porque deu de acordar, de novo, no meio da noite, chorando. E lá vamos nós, acarinhar, cantarolar, colocar a coberta, procurar a "petita" e fazer o bichinho aceitar que tem que voltar a deitar e dormir. Não tá fácil, não. Por causa dos remédios, do dodói ou por causa da "idade", vai saber, Gutão anda terrivelmente manhoso. Fala choramingando e derrama grossas lágrimas por tudo e qualquer coisa. Só quer saber da "petita". A gente já explicou que é só pra dormir (embora nesses dias de doença braba, a dita tenha sido liberada em outros horários), mas o danado pede a todo instante e ainda tem a "cara de pau" de dizer: "Qué naná". Eu posso!

Filhote não tem comido direito na hora em que deveria. Tem aceitado, mais ou menos bem, frutas, iogurte (hoje já se foram 3!!) e o sagrado leitinho. O resto, olha e diz: "Não quelo". E se lamenta, e chora, e fica de bochechas vermelhas até. E fica brabo e joga tudo no chão e diz que "qué quebrá, qué destruí". E fica de castigo umas muitas vezes por dia, e pede desculpa, e diz o motivo, mas volta a fazer tudo igualzinho assim que levanta do pufe. Com a comida, tou insistindo um tanto, mas não tou fazendo grandes batalhas por isso, não. Na hora em que o apetite voltar, tenho certeza que ele volta a comer direito. Agora, de disciplina, não vou abrir mão. Em geral, tenho bastante paciência pra lidar com os ataques, tenho tranquilidade pra explicar o tá errado e o que é certo, tenho foco na tarefa de educar e entendimento pra lembrar que ele é criança, tá doente, tá irritado. Mas é que eu também não tou me sentindo 100%. Sei lá, tou meio fraca, com a barriga ainda doendo, essa dor maldita fazendo doer rosto e ouvidos, o humor oscilando, uma beleza. Faço uma força danada pra me manter serena e não descontar no meu bichinho essa minha agonia particular. Mas tá dose. Só com muita reza pra Santo Expedito.

Trabalhei ontem pra folgar hoje (e haja energia pra dar conta de uma equipe estressada). A babá folgou ontem e veio hoje, graças. Aliás, já começou nossa saga atrás de uma pessoa pra dormir. É que a Bá do Gutão vai ter nenê no final do ano e isso implica em mudanças significativas nos horários dela (a criança vai ter que ficar em uma creche, aqui perto de casa). Ela vai continuar com a gente (outra igual -- responsável, alegre, disposta -- tá difícil!!), mas, como eu e o Rô não temos flexibilidade de estar em casa até às 18h, temos que ter uma funcionária "reserva", né? Vamos ver se dá jeito trazer alguém da própria família da Márcia pra fazer dobradinha com ela. E dá-lhe reza.

Quê mais? Tá um frio do cão hoje. E nosso apê tá praticamente uma Sibéria. Geladíssimo. Detesto essas mudanças repentinas de temperatura. Uma bomba pra quem tem rinite...Amanhã vou cortar e hidratar os cabelos (brigada pela sugestão, Mic!). Quero deixar crescer um pouco, mas, de tanto que prendo, os fios estão todos marcados, sabem? Pois é. Vamos ver se cuidando do que vai fora dá uma melhorada no que passa aqui dentro. Pra vocês, um bom final de semana!!

posted by JULIANA DE MARI 6:44 PM


Quarta-feira, Junho 14, 2006


Jogo? Que jogo?


Se a segunda foi difícil, não queiram nem saber de como foi a terça. Gente, que sufoco!!! Depois de uma noite daquelas, com Gutão agoniadíssimo, todo congestionado, chorando a cada meia hora, levantei malzona. Na hora em que fui fazer o leitinho dele, achei que ia desmaiar na cozinha, que desespero!! Me deu um mal estar súbito, acho que a pressão caiu. Daí por diante, foi plantão das 7h às 15h no banheiro. Vômito e diarréia. E Gutão de olhos arregalados, tadinho, chorando do meu lado. Ai, que falta faz ter família (pai, mãe) por perto...Liguei pra mainha umas cinco vezes ao longo do dia, pra falar nada, pra dizer tudo, sabe assim? Pra pedir receita de soro caseiro, pra compartilhar minha agonia com Gutão assim tão agoniadinho...

Gutão chorou a manhã inteira e não desgrudou de mim. Tava todo vermelho, por causa da febre, com os olhos inchados, nariz entupido, reclamando de dor. E eu, verde, rezando pra ficar melhor pra conseguir levar meu bichinho no hospital. Foi isso que aconteceu, exatamente quando o primeiro tempo do jogo inaugural do Brasil na copa começou. Sai de casa às 16h10, com a cidade vazia, as ruas sem trânsito algum, pasmem. Aliás, eu acho essa devoção desmedida do brasileiro ao futebol uma coisa meio "pão e circo". O país afundando e o povo fazendo festa em vez de fazer passeata pra reinvindicar seus direitos...Mas, enfim, que, ao menos, essa seleção traga o hexa.

Fomos ao Sabará (que estava praticamente vazio!) e o diagnóstico foi o que eu esperava: ouvidos, os dois, super vermelhos e garganta bem irritada. Vamos continuar com o Zinnat, o tal remédio que, de tão ruim, precisa ser ingerido com leite condensado, e mais alguns outros pra dar uma melhorada no estado geral do bichinho. Na volta pra casa, depois de tomar um antitérmico por lá mesmo, ele já chegou com o astral um pouco melhor. Antes de dormir, brincou de estacionamento com seus carrinhos, ensaiou tocar violão, mas não quis comer nada. Eu também não comi nada. Não consegui. Tudo que ingeria colocava pra fora em dois minutos...A médica que consultou filhote disse que, possivelmente, é virose. Está dando a torto e a direito. Depois da sinusite, isso. Que "ótemo".

A babá dormiu em casa. Fiquei com medo de passar mal outra vez e não ter ninguém a quem recorrer. Gutão foi deitar cedo, já sem febre. Tive que acordá-lo à meia-noite pra dar remédio e trocar a blusa, ensopada de suor, do pijama. Um chororô, como vocês podem prever. Tadinho. E agora ele tá ficando meio ressabiado de tomar remédio por causa do gosto ruim do tal antibiótico. E como é ruim, putz. Eu provei pra saber o motivo do horror. Mas dormiu melhor, graças a Deus. Duas e pouco da manhã chorou e eu resolvi levá-lo pra nossa cama. Dormimos juntinhos e acordamos às 7h, com o astral mais ou menos renovado. E o Rô chegou em seguida. E a primeira coisa que Gutão disse foi: "Qué presente, papai". Haahahahahaa
O Rô ficou indignado! Mas não fui eu quem ensinou isso, não, eu juro!

Hoje vim trabalhar, com dor no estômago, mas sem sinal da virose. Gutão tava sem febre e mais alegrinho. Não tá indo na escola, óbvio. O Rô chegou todo feliz e encheu a casa com essa energia. E lá vamos nós, rumo ao feriadão. Trabalho amanhã pra folgar na sexta. Ai, que eu não vejo a hora de ficar sem fazer nada, só curtindo meus dois amores e renovando minha energia.

posted by JULIANA DE MARI 6:21 PM


Segunda-feira, Junho 12, 2006


De novo?


Eita segundinha difícil, viu? (será inferno astral?) Começou com Gutão chorando, chamando pelo pai, com febre, super entupido, babá atrasada (coitada, teve exame pra ver se tá tudo bem com o bebê), euzinha passada de tanta dor (a sinusite não foi embora, uma merda, desculpem o palavrão). Fui trabalhar com o coração na mão de ver meu bichinho tão agoniadinho. Eu bem sei como é ruim essa sensação de "entupimento geral"...No trabalho, o que já era acelerado, acelerou ainda mais. Uma reunião atrás da outra, mil coisas pra fazer, a equipe no limite, fazendo "fila" na frente da minha mesa pra despejar o problema da vez. É que nessa época do ano, além da revista, cuidamos de um projeto que elege as melhores empresas para trabalhar do país. Visitamos duas centenas de empresas de norte a sul e, ao final, produto editorial pronto, ficamos moídos. Este ano, como mudamos de parceiro e o prazo encurtou, o ritmo tá ainda mais puxado. E o estresse já se anuncia...

E meu rosto seguiu doendo durante o dia, e a febre do meu Gutão não cedeu, e eu tive que ficar pendurada ao telefone tentando encontrar a otorrino dele (como estamos tratando com ela, achei por bem não ligar pra dra.Ketty nesse momento). A dra.Renata, muito atenciosa, está em congresso, mas falou comigo numa boa e recomendou trocar o antibiótico e a dose do anti-histamínico. E meu celular deu tilte. Usei a hora do almoço pra ir na loja da operadora num shopping pra descobrir que a porcaria da assistência técnica do aparelho é em outro. Imagina a minha satisfação?

Falei com meu otorrino no final do dia (tem jeito, não, nós três, volta e meia, estamos em conexão com um!) e ele recomendou um antiflamatório por três dias. Deus é pai e essa dor terrível há de melhorar. Tou até preocupada com o tanto de medicação que ando tomando nos últimos dias...Quando essa crise aguda passar, tenho messssssssssmo de procurar um homeopata pra tratar as questões de "fundo". Ai, ai, ai.

Voltei pra casa mais de oito e meia da noite. Preocupadíssima em liberar a babá, coitada. Antes, passei na farmácia. Cheguei em casa, Gutão, caidinho, todo dengoso, me esperava deitado no sofá. Falei em xaropinho pra ele ficar melhor e ele se animou (será que tou criando um "adicto" em remédios, meu Deus? Ele gosta tanto de xarope!!). Tirou a petita e abriu bocão pra tomar a dose do primeiro. Sem reclamação. Já no segundo, a história foi outra. Não sei se misturei a suspensão de um jeito errado ou se o troço é ruim mesmo, mas Gutão fez uma cara horrenda. Pediu pra "limpar" a boca, chorou, odiou. Primeira vez que o vi tendo essa reação diante de um remédio, e olha que ele já tomou muitos nessa vidinha dele. Bom, provei. É horrível mesmo, horrível, horrível. Bateu a dúvida se misturei direito e amanhã vou na farmácia comprar o recomendado (eu trouxe o genérico) e pedir pro farmacêutico misturar, hahahaaa. E se ficar confirmado que o negócio tem esse gosto mesmo, vou ligar pra ver se a otorrino troca. Ah, tadinho, né? Tá todo entupido, com febre e ainda tem que engolir coisa ruim? Se não há jeito, ok, mas se há, vamos ajudar.

Tou em casa, são 22h45, não jantei ainda, é dia dos namorados e meu namorido tá longe (que bom que volta na quarta!). E filhote chamou agora, tremendo por causa da febre, tadinho. Já liguei o aquecedor (e olha que nem tá tão frio hoje...). Pressinto uma noite daquelas. Acabando a novela, vou deitar também. Amém.

posted by JULIANA DE MARI 10:50 PM


Sábado, Junho 10, 2006


É tempo de festa


Adoro o mês de junho. Além de ser meu aniversário (dia 29, anotem aí!), é mês de São João, de quadrilha, de forró, de milho assado, de trancinha no cabelo. Adoro! Quando Gutão não existia, bastava esse período junino ir chegando pro banzo ir batendo. Saudade, muita, da minha terra, da minha família, da alegria ao redor da fogueira. Desde o ano passado, no entanto, posso dizer que estamos curtindo o "Sanjão" paulista. No primeiro aninho do filhote, fomos na festa da escola do João Gabriel, irmão da Lívia, filho da Tita. O ingresso dos convidados era levar uma comidinha gostosa. Foi lindo. Teve fogueira de verdade, ao redor da qual a criançada cantou e dançou depois da procissão. Eles caminharam e cantaram iluminados só pelas lanternas. Gutão, Téo e Miguel, os três toquinhos de bigode, chapéu de palha e camisa xadrez, observaram tudo, muito lindos.

Este ano, Gutão maiorzinho, aumentam os compromissos juninos, oba! Hoje foi dia de festa na escola do Miguel. O trecho de rua em frente fica fechado pras crianças dançarem à vontade. Teve um trio de sanfoneiros no melhor estilo pé-de-serra. Havia um "cordão de isolamento" feito de bandeirinhas coloridas e, claro, Gutão não quis ficar do lado de cá. Sentamos na rua pra acompanhar as turminhas dançando e, a certa altura, fiquei eu de um lado do cordão e Gutão do outro. Todo feliz porque havia catado uma fitinha cor-de-rosa pra ele. Usou a fitinha pra me enfeitar. Terminada a "obra", olhava pra mim e dizia, faceiro: "Mamãe ficou uma menina!". A festa na rua teve direito à quadrilha, samba de roda e até ciranda. Nem acreditei quando ouvi o "cirandeiro" puxar "Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracáaaaaaaaa". Me arrepiei, sai correndo com filhote pra entrar na grande roda. Gutão dançou a música toda. De um lado, segurava na minha mão. Do outro, na de um tio que se ofereceu pra seguir no passinho dele. Tão bonito que foi. Me emocionei de verdade. Parecia que estava em "casa". Brigada pelo convite Dani!!!! (Adorei ver minha afilhadinha, linda, de brinco na orelha e olhos bem abertos, curtindo um forrozinho na farra com os amigos!!!!!)

Na volta pra casa, contei pro meu Gutão que quadrilha e ciranda são danças típicas da terra da mamãe. Que em Recife, nessa época do ano, a festa é linda. As famílias se reúnem pra lembrar Santo Antonio, São João e São Pedro. E que a mamãe adora tudo isso. E que adora cantar e dançar. E que cantar e dançar são coisas que alegram o coração. Filhote parece que gostou. Dançou, bateu palmas, entrou na roda. Companheirão.

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O Rô tá viajando a trabalho. Foi sexta à tarde e volta na próxima quarta. Já saiu de casa cheio de saudade. Eu e Gutão também estamos aqui saudosos da alegria dele. Gutão acordou hoje chamando pelo pai. Eu expliquei que o papai só volta na quarta e ele desencanou. Mas chamou outras vezes ao longo do dia. E falou com o Rô ao telefone antes de dormir, deu boa noite e disse "Te amo, papai". Lindo. (A hora de dormir deixou de ser drama, assunto pra outro post, ufa!!!!!)

Gutão se expressa muito. E fala de um jeitinho que me comove mesmo. Adoro ver meu bichinho "verbalizando". Adoro as conexões e as piadinhas que ele já faz. Estava eu no quarto agora à noite, arrumando o pijama dele e os remedinhos da hora de dormir, e vem o danadinho, sem a pantufa, pés descalços no chão gelado, olha pra mim e manda: "Quê que eu te disse?". (A gente costuma dizer isso quando ele repete atos que a gente já explicou que não são legais -- ficar sem pantufa no chão gelado não é legal!!!).
E tem uma que me faz morrer de rir. Filhote deu de usar o "Eu". Só que usa o tal "Eu" de um jeito mui interessante. Diz assim: "Mamãe, vem brincar com o "Eu"". Ou então: "Mamãe, pega o leitinho pro "Eu"". Ensino o certo, digo que é o leitinho dele e que ele pode dizer "o meu leitinho". Mas não dou lição de moral, não. Gutão tem o tempo dele, é esperto, aprende observando e fazendo. E tem só dois aninhos, né?

Ah, tenho que registrar essa: quinta passada, véspera da viagem do papai, fomos numa pizzaria perto de casa. Gutão, todo felizão em passear, não deu trabalho algum. Tomou suco de frutas vermelhas, comeu uns pedaços de marguerita e ficou todo encantado com o ambiente (é um restaurante que tem artesanato por toda parte, muita coisa bonita). A certa altura, passa um garçom, com o cabelo meio crespo, usando rabo-de-cavalo. Gutão exclama (foi exclamação mesmo!): "Olha o caque". Eu e o Rô perguntamos, em uníssono: "Quem?". E ele devolve: "Ronaldinho gaúcho". Eu posso com isso???!!!!!!!!! Ele não só viu que era um homem, e não uma mulher com o cabelo preso, como associou com o craque -- sem que eu ou o Rô tivéssemos feito qualquer comentário. Fiquei pasma!!

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Quê mais? Filhote vai encarar um tratamento pro ouvido nas próximas três semanas. É que os últimos exames não deram um resultado muito legal e a médica está tentando mais uma vez com antibiótico antes de partir pra "drenar" o catarro/líquido acumulado. Ai, só de pensar nessa hipótese, eu tenho calafrios...Há de dar certo o remedinho.


posted by JULIANA DE MARI 10:09 PM


Terça-feira, Junho 06, 2006


Vamos seguindo


Dessa vez, a gripe, a sinusite, ou seja lá o que for, me castigou. Sexta-feira passada terminei o dia no pronto-socorro. Tomei medicação na veia e recebi uma receita com indicação de antiflamatórios pra amenizar a crise. A médica acredita que é tudo causa da gripe forte: a sensação de pressão no rosto e nos ouvidos principalmente. De todo modo, tenho consulta no otorrino amanhã pra ver como encaminhar esse tratamento. Deus me livre sentir essa dor novamente. A sensação era a de que minha cabeça ia explodir. Era só baixar pra doer, latejar. Parecia que havia mil bolhinhas estourando dentro do rosto. Um horror. Aliás, que coisa horrível é sentir dor. E olha que sou uma pessoa tolerante. Reclamo um bocado, mas pra baquear mesmo o negócio tem que estar sério. Fiquei muito sentida no hospital, aliás, pensando na dor das pessoas internadas, com enfermidades mais graves que a minha...Rezei muito por elas, chorei até. Sou assim mesmo: sofro com o sofrimento dos outros, não sei ficar alheia...

Gutão continua com tosse e alguma coriza. Também já marcamos retorno na otorrino pra quinta-feira. A tosse incomoda mais ao amanhecer. Virou rotina pais zumbis acordarem tipo quatro da manhã pra dar uma colheradinha de melagrião na tentativa de aliviar a agonia dele (brigada por compartilhar comigo desses cuidados, meu amor!). Mas não posso reclamar, não. Filhote tá indo pra escola, tá cheio de energia, tá alegre que só ele. E falante. Muito falante. Tem saído com umas tiradas engraçadíssimas. Dia desses, eu e o Rô sentados na cama dele na hora de dormir, ele deitadinho, abraçado na Pig, olha pro pai e diz: "Sai daqui, papai. Vai pro "pocadoi" (computador!)". Olha o Édipo se manifestando!

Também tem manifestado uma capacidade incrível de imprimir "sentimento" às falas dele. Franze a sobrancelha, muda a entonação da voz, até o corpo ele movimenta de jeitos diferentes de acordo com o que pretende comunicar. Quando quer procurar alguma coisa, por exemplo, sai andando abaixadinho, sabe? Em posição de quem procura mesmo, um barato. E tá distribuindo ordem que é uma beleza. É um tal de "larga, mamãe", "solta, papai", "tá errado, mamãe", "não faz assim, papai". Percebe tudo, tudo esse meu menino. Muito observador, muito inteligente. Muito amado. Hoje pegou um pedaço de papel higiênico e "fez" um "laço" pra enfeitar meus cabelos. Disse que eu era pra eu ficar bonita igual uma princesa! Tem como eu não me emocionar com isso???

E Gutão vai ganhar uma priminha!!!!!! A titia Lulu descobriu hoje que tá esperando a Bruna, viva!!!! Com ela, serão cinco meninas e ele, o reizinho, nas férias em Recife, imaginem!



posted by JULIANA DE MARI 9:45 PM


Quinta-feira, Junho 01, 2006


Baqueados


Eita que esse esquenta-esfria tem causado estrago aqui em casa. Depois de ter sobrevivido à gripe (até febre eu tive!), estou agora sofrendo por causa da sinusite. Uma dor desgraçada no rosto, que irradia pros dentes e pros ouvidos. O Rô também tem reclamado pelo mesmo motivo. E Gutão, tadinho, tá entupidinho e com uma tosse horrorosa. Anteontem ele quase não conseguiu dormir de tanto que tossiu. Ontem não foi na escola. Estava caindo de cansaço, com os olhinhos murchinhos, tadinho. Hoje já está medicado e em acompanhamento com a otorrino, mas acho que vamos ter que levá-lo no consultório pra avaliar o tamanho do "estrago" mais uma vez.
A pedido da otorrino, ele fez nova impedanciometria sábado passado, aquele exame para saber a quantas anda a atividade do tímpano e a condição dos ouvidos. Pelo o que entendi do laudo, há alterações em ambos os lados. Também tentamos fazer uma audiometria, pra avaliar o tanto que ele consegue "captar" de sons, o quanto está ouvindo o ambiente. Não há dúvidas de que ele ouve bem, até porque fala que nem uma matraca, mas é sempre bom checar. Não tivemos muito sucesso nesse exame aí, não. Era preciso repetir uns comandos das fonoaudiólogas (cada vez que o apito soasse, filhote precisava apertar o nariz do palhaço) e Gutão, embora tenha se esforçado pra colaborar, só tem dois aninhos. As médicas disseram que, em geral, só a partir dos 3 anos a audiometria é realizada a contento.
Tem frente fria chegando, avisa o noticiário de hoje. E o aquecedor do quarto do Gutão pifou, putz. Eu gosto do frio, nada contra, muito pelo contrário. Mas não gosto mesmo é de perceber o quanto nosso corpo se fragiliza no inverno. Filhote deu azar de nascer de pai e mãe cujas vias aéreas não são lá 100% operantes. O histórico da família, pelo menos da minha, é de rinite, alergia, asma...Preciso retomar o plano de fazer um tratamento homeopático pra dar uma segurada na imunidade dele. E retomar os cuidados com a minha, na verdade.



posted by JULIANA DE MARI 1:05 PM


Segunda-feira, Maio 29, 2006


Mudanças


Coisa bem boa: estamos mudando a sala de casa. Trocando alguns móveis, mudando outros de lugar, mexendo na decoração. Certamente vai servir pra renovar o astral. Nós e a casa merecemos. Os últimos tempos têm sido de uma certa tensão. Gutão adoentado, papai e mamãe esgotados. Um dá ataque de um lado, o outro devolve do outro. Filhote se esgana de tanto gritar na hora da troca da fralda, eu conto até 100 antes de reagir, mas o cansaço embaça minha visão da cena, sabe assim?

Meu corpo gritou no final da semana. Tive febrão duas noites seguidas. Há tempos não ficava assim. E hoje amanheci mal do estômago. Isso que dá engolir contrariedade. Eu realmente preciso aprender a ser mais assertiva. Por outro lado, preciso aprender a lidar com o conflito sem partir pro confronto, eu sei disso. Falando nisso, como é difícil ensinar a arte da "paciência" pras crianças. O tempo delas é agora, o mundo é já. O que fazer diante de um menininho-irritadinho-porque-o-bonequinho-não-pára-quietinho-no-banquinho-do-carrinho-de-controle-remoto-que-o-tio-Ale-deu-pra-ele? Explicar que tem que arrumar o boneco, não basta. Gutão franze a testa, cerra os dentes, e joga o carrinho longe. Diz que "qué quebrá", vira uma fera, literalmente. Se duvidar, me empurra e me joga no chão também!!!

Mudei a tática pra lidar com esses ataques. Estou tentando gerar empatia. Primeiro, reconheço que ele ficou frustrado. Depois, pergunto se está com raiva. Sim, ele precisa saber que esse "vulcão" tem nome: chama-se raiva. Queima por dentro e, mesmo quando não partimos pra ação, nos mobiliza de um jeito impressionante. Depois, começo a dizer que entendo, que ele tem direito a se sentir assim, e que a gente pode tentar colocar o bendito boneco sentadinho outra vez. É só ter um pouquinho de paciência (como se eu fosse a pessoa mais paciente desse mundo e mais disposta a persistir seja lá no que for). Sou impaciente, sou birrenta, mudo de humor com uma facilidade assustadora até pra mim. Mas sou consciente disso. E quero ser melhor. Acho que isso, no final das contas, deve ajudar! :)

Desabafo posto, vamos às últimas: vovó Lilica e vovô Zeca estiveram com a gente no final de semana. Gutão amou (e nós também!). Fez tanta gracinha pros avós! Passeou de mãos dadas, mostrou todos os brinquedos, cantou todas as musiquinhas, fez todas as caras e bocas possíveis na hora de registrar esse amor em fotos. Aliás, como é expressivo esse meu filho, viu? Será que vai ser ator? Ele tem careta e entonação pra tudo, uma graça. Ou será que vai ser político (argh!)?? São dois palpites nesse sentido: um tio meu, meio bruxo, e o mapa astral que anuncia uma posição de poder no caminho dele. Tomara que Gutão seja feliz, isso, sim.

posted by JULIANA DE MARI 7:38 PM


Sexta-feira, Maio 26, 2006


Continuando


Então, final de semana passado fomos à praia. Aceitamos o convite da Kiki e do Jean-Phi, pais do Max, e ficamos na casa deles. Gutão ficou super excitado com a idéia de ver o mar. Acordou no sábado todo animado. Saímos de casa um pouco antes do almoço (pelamordedeus, cada viagem é um trabalhoooo pra arrumar as tralhas!) e filhote capotou no carro. Chegamos lá e paramos no primeiro restaurante decente pra comer um super PF. Gutão tava com uma baita fome. Comeu tudo e depois foi ver o mar com o Rô. Foi o tempo de descarregar as malas, dar oi pros anfitriões e correr pra areia. Gutão ficou tão feliz, mas tão feliz. Aliás, difícil dizer quem estava mais: o filho ou o pai!

O tempo ajudou, não fez frio e nós ficamos na praia até o sol começar a cair. Gutão virou bife à milanesa, de tanto que correu e se jogou na areia. Ficava completamente "sujo". Olhos, nariz, boca, tudo, tudo cheio de areia. Eu limpava e ele se jogava outra vez. E ria e saia correndo. O que eu corri atrás dele pra limpar olhos e nariz não tá no gibi. Voltei pra casa com as pernas doloridas, acreditem! A água do mar é que tava geladíssima. Não deu nem pra arriscar molhar do joelho pra baixo, sabe assim? Eu ficava com Gutão na beirinha, nós dois acocorados, esperando a onda bater. Cena linda, essa. Deu uma sensação de proximidade tão grande. Eu acocorava e Gutão vinha, na mesma posição, dando seus passinhos curtinhos pra pertinho de mim. Como eu amo esse menino!

Dormir na praia foi uma beleza. Gutão simplesmente capotou e não deu a menor bola pro barulhão que os adultos fizeram bem do ladinho do quarto dele. Aliás, foi bacana estar entre amigos, vê-los tomar um bom vinho (eu desisti de degustar; minha enxaqueca definitivamente não permite), comer um prato delicioso feito pelo maridão, dar boas risadas, curtir o barrigão da Patty, que espera o Pedro para daqui a dois meses. Não deu pra tomar um sol, isso não. O domingo amanheceu esquisito. Não fez frio, mas o céu azul não perdurou. Deu pro Rô surfar e pro Gutão correr bastante. Almoçamos na areia. Torta de frango e espigas de milho. Gutão adora milho. Coisa boa essa fase de despreocupação com a comida, poder oferecer a ele todas as delícias que a gente come. É bem restritivo ter que ficar levando papinha, cuidando de todos os ingredientes, esquentando e tal e coisa, né? Quando a criança ganha mais autonomia todos saem ganhando (mesmo).




posted by JULIANA DE MARI 6:07 PM


Segunda-feira, Maio 22, 2006


Quase 26 meses


Gutão, definitivamente, não é mais o meu nenê. Cresceu, meu filhote. Virou um menininho. Tagarela, curioso, tão alegre. Cada vez mais interessado na vida. Brinca sozinho, cria seu mundinho cheio de estacionamentos. Adora tudo o que tem rodas. Faz barulhos de motor com a boca. Vira a "motoca" de cabeça pra baixo pra colocar "gasoina". Simula "acidentes". Atropela os bonecos e diz, sério, que "ficá no meio da rua machuca".
Aprendeu a cantar, o meu gurizinho. A cada dia, chega da escola arranhando uma nova melodia. É a música do lanchinho, é a tal do foguete, é a do bom-dia, a da mamãe, a do lobo mau, a do boi da cara preta...Canta sorrindo, meu Gutão. E se a gente pede pra repetir, diz que não sabe, fica todo envergonhado. Tenho que gravar esses momentos porque são bonitos demais.
Acho mesmo que ele tem ritmo. Gosta de cantar e dançar. É fã do Jack Johnson. Pede pra colocar o CD e nos convida pra dançar. E sorri, e pula, e enche a casa de felicidade. Adora dar a mão pra dançar em roda. Faz isso todo dia na despedida da escola. E quer fazer de manhã quando acorda. E deu de acordar dizendo que quer ir pra escola e que botar o "uniforme". Só não tem cooperado muito pra trocar a fralda. Tem horas que troca numa boa. Tem outras que dá um verdadeiro chilique.
É tão engraçado com seus pequenos rituais (será o ascendente em virgem se manifestando?). Agora, no frio, fica em casa de meia e pantufa. E quer dormir com a bendita. Me ajuda a escolher o pijama e pede a "petita do boa noite", uma petita azul que tem uma carinha sonolenta desenhada. Pela manhã, ao acordar, pede a "petita do solzinho". E vamos seguindo com a petita, avisando que quem usa petita demais fica dentuço e que logo, logo a gente vai jogar a petita no lixo.
É carinhoso, meu Gutão. São breves os momentos, mas ele gosta de deitar no meu colo. E gosta de carinho no pé. Ah, como eu amo esses pezinhos! De tanto que eu dou beijo neles, filhote já aprendeu qual é da esquerda e qual é o da direita. Da pintinha, o direito. A única que filhote, meu potinho de leite, tem no corpo inteiro.

Passa o tempo, filhote cresce e meu amor vai junto.

Gutão continua com nariz entupido e tosse. Foi na otorrino com o Rô semana passada. Voltou a tomar remédios. Vai ter que fazer nova impedanciometria (afe, que palavrão!). Também vai ter que tomar a vacina de hepatite (atrasada) no sábado. Tem dormido melhor. Pede o pijama, a petita, o remédio do nariz, cumpre todo seu ritualzinho, e pumba. Passamos o final de semana na praia, mas isso é assunto pra outro post. Vale a pena contar da alegria do pequeno ao ver o mar. Amanhã escrevo mais.
posted by JULIANA DE MARI 9:52 PM


Segunda-feira, Maio 15, 2006


Mãe (babona) é uma só


Sábado foi dia de festinha das mães na escola do Gutão. Como o espaço para as apresentações não era dos maiores, só as mamães e seus respectivos filhotes foram convidados. As homenagens aconteceram em turnos a partir das 9h da manhã. O tema era "Qual a cor do amor?". Eu e Gutão chegamos às 11h, em cima do horário marcado. A platéia já estava lotada: um mulherio animado e orgulhoso, munido de máquina fotográfica e filmadora. Gutão foi com as tias para os "camarins" sem reclamar. E veio o primeiro grupo. Meninas com roupinha de bailarina, meninos de uniforme completo. E dançaram e cantaram. E deram risada e nos fizeram rir muito. Uma menininha se assutou com tantos olhares em cima dela. Saiu chorando nos braços da professora. E uma outra, da mesma idade, coisa de três aninhos, demonstrou exatamente o contrário: o maior prazer em ser observada. Ela dançava, e rodava, e sorria, e mandava beijo pra mamãe dela, uma graça.

A turminha do Gutão foi a segunda a se apresentar. Entraram todos de mãozinhas dadas, tão bonitinhos. A tia da "música" simulava a coreografia, as professoras ajudavam e eles cantavam e faziam todos os gestos, direitinho. Ai, nem preciso dizer que transbordei de tanta emoção, né? Que alegria, que orgulho, que imensa felicidade. Meu pequeno todo concentrado em seguir o "show", cantando a tal da música do foguete, aquela que ele ficou uma semana tentando me ensinar! Foram duas músicas pra cada turma. Gutão não se intimidou diante dos olhares e dos gritinhos das mamães. Fez a parte dele com muita exatidão. Quando a música terminou, chegou a bater palminha, orgulhoso da própria performance!

No final do espetáculo, todas as crianças, as menores e as maiorzinhas, entraram juntas e fizeram uma linda homenagem pras mamães. Gutão segurava um "pompom" verde e, enquanto se esforçava pra seguir a música, me procurava no auditório. Quando me avistava e eu mandava beijo, ele sorria, todo faceiro. E eu me enchia de mais felicidade. Se eu chorei? Ah, claro. Muito emocionante ver meu filhote ali se expressando. Muito bonito ver que a escola também está ensinando o valor do afeto. E eu não chorei só nas horas em que ele estava em cena, não. Achei tão lindo ver os maiorzinhos, mais preocupados com o "roteiro" do show, sabe? Lembrei do meu tempo de escola, do prazer e da ansiedade que eu sentia ao me preparar pra essas festinhas...

Depois dos shows, hora do chá e dos presentes. Uma mesa linda, cheia de guloseimas gostosas, nos aguardava no pátio. Foi ali o reencontro com nossos filhotes. Cada criança deu um cartãozinho em formato de coração e uma pulseirinha pra sua mamãe. Gutão me deu um beijinho e soltou um "te amo, mamãe". O detalhe da "jóia" é um pequeno pingente que leva um retratinho dentro. Coisa mais engraçada: pentearam o cabelo deles e Gutão, cabeludo que estava, ficou parecendo o Bozo!!!! :-)
O Rô veio nos buscar, brincamos mais um pouquinho no escorregador e recebemos os elogios da tia Carla (ela disse que fica impressionada com o desenvolvimento oral do Augusto, que ele fala muito e muito perfeitamente e que, quando chega na escola, ela sempre diz pra turma: chegou meu intelectual!!!!). Gutão nos acompanhou no almoço, feliz que só ele. Depois, papai e filhote foram cortar as madeixas. Gutão ficou sentadinho no meu colo, "lendo" um gibi do Chico Bento, nem aí pras tesouradas. Ganhou um corte novo, nem tão curto, mas perdeu alguns cachinhos. Ficou ainda mais lindo e com uma baita cara de moleque.

Terceiro dia das mães com filhote ao meu lado e eu tive a mesma sensação: a de que ele é o maior presente que a vida poderia ter me dado.
Te amo, Gutão, lindão! Sou a mãe mais feliz do mundoooooooooooo!
posted by JULIANA DE MARI 10:01 PM


Quinta-feira, Maio 11, 2006


E a família vai crescer


Calma, calma, que ainda não é o anúncio do(a) irmãozinho(a) do Gutão! A mãe, no caso, é outra: minha irmã Lu, aniversariante do dia. O presente é a barriguinha (linda!) de quatro meses de gestação. E eu que achava que não ia ter o prazer de ser titia tão cedo, viva!!!!!!! Gutão já sabe da novidade e, volta e meia, lembra e diz: "Tem piminho na barriga da titia Lulu". Na real, a gente acha que é uma menina, sei lá por quê. Se for, com ela, serão cinco priminhas pra babar meu Gutão, lindão quando ele passar férias em Recife, já pensou?!

Lu: saúde, serenidade, fé. Baita presentão aos trintão, hein? Ganhou "vida"! :-)
Te amo!




posted by JULIANA DE MARI 6:46 PM


Quarta-feira, Maio 10, 2006


A nossa melodia


Tou impressionada com o vocabulário do Augusto. Ele já falava bastante, mas, depois que entrou na escolinha, deu um salto e tanto na linguagem. Forma frases completas, estabelece verdadeiros diálogos com a gente. E aprendeu a cantar! É só eu dar o mote e ele completa as musiquinhas, uma graça. Aliás, ele adora música, cantar e dançar. É fã do Jack Johnson e, volta e meia, pede pra ouvir o CD dele. Há um tempinho o presenteamos com um violão, daqueles de madeira, feito especialmente pra crianças. Pequeno, mas com cordas de verdade. Gutão delirou. No início, não conseguia tirar nenhum acorde do dito cujo. Essa semana, no entanto, nos surpreendeu. Não só aprendeu a segurar o violão à la Jack Johnson como a tirar um baita som!

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E vamos aos "causos" recentes:

- Gutão brincando de "estacionamento" com seus vários carrinhos no sofá da sala. Chego perto e ele diz: "Vem brincá, mamãe". Eu me aproximo pra sentar no chão e ele manda: "De joelho, mamãe".

- Gutão colocando o casaco pra ir pra escola: "Que abotoá sozinho". Hã-hã.

- Papai e mamãe jantando e filhote, tomando leitinho no cadeirão, solta essa: "Cheiro booooom de comida; cheiro ruim de coco" :)

- Gutão pega o "gaúcho" (um bonequinho de cerâmica, íma de geladeira) e o Rô pergunta "Como é que o Gaúcho fala, filho?". Ele responde: "BáTê, que lôco" (Bah, Tchê, que louco!).

- Gutão abre a gaveta, pega um abridor de garrafa de formato parecido com um celular, põe na orelha e diz: "Alô, quem é? É o Gutão falando"!!!!

- Gutão colocando a Pig pra dormir, depois de "sufocar" a porquinha num abraço: "Boa noite e bons sonhos, Pig"


posted by JULIANA DE MARI 11:59 AM


Domingo, Maio 07, 2006


Gostosura


Tem feito friozinho esses dias. Bom pra dormir, é verdade. Péssimo pra acordar no meio da noite quando aquela vozinha querida grita "mamãeeeeee". Gutão continua com o nariz entupido (eu idem) e continuo atribuindo a essa agonia os chamados noturnos. Já estamos com consulta marcada na otorrino e eu já tou preparada pra recomendação: inalação + remedinhos "desentupidores". Por conta própria, não me atrevo a receitar nada além do eterno sorine.

Falando nele, tá uma graça. Cabeludo (os cachos cresceram atrás, mas o visual geral é de um Oasis, com uma franja longa na frente, sabe assim?), falante, muito brincalhão. Tem temperamento alegre, meu Gutão. Deu de fazer algumas coisas e dizer "foi engraçado", soltando um risinho bem maroto pra acompanhar. Também anda muito carinhoso. Dia desses, cheguei em casa e ele quis me acarinhar com um "objeto" que criou na escola. É um palito de picolé com uma pena na ponta. Gutão me pediu pra sentar no chão, pegou meu rosto e disse: "olha pra mim, mamãe". E ficou passando a pena de cá pra lá, uma delícia! Acho que ele se deliciou mais do que eu; chegava a fechar os olhinhos de tanta felicidade. São momentos assim que fazem tudo e qualquer coisa valer a pena por um filho. Amor espontâneo não tem preço!

E domingo que vem é dia das Mães. E Gutão tá preparando surpresa na escola. Temos compromisso por lá no sábado pela manhã. Veio um convitinho me pedindo pra comparecer e levar meu filhote devidamente uniformizado. Detalhe: meninas devem ir de sapatilha de balé! Durante a semana, Gutão chegou a comentar que tá "fazendo um coração" pra mamãe. Também nos pediu pra cantar a música do Foguete, uma tal que não conhecemos. Juntei as coisas e acho que ele deve estar ensaiando a musiquinha pra apresentação do sábado. Fala sério, vou pagar mico de tanta emoção!!!!!

Não fizemos muita coisa fora de casa nesse final de semana. O programão do domingo foi visitar a Nina, o Miguel e os Dindos. Almoçamos com eles e foi lindo de ver o desabrochar do entrosamento entre meu Gutão e seu mais antigo amigo (gostei disso, Dani!!!). Ora era Miguel que falava: "que coisa, Auguto", dando uma bronca qualquer no amigo, ora era Gutão quem pedia: "olha pra mim, Miguel". Pela primeira vez, eu acho, eles realmente brincaram juntos. Lindo.
E linda tá a nossa afilhadinha querida, que engordou um bocadão em seus dois meses de vida e já tá toda exibida em seus modelitos cor-de-rosa. O pescoço começou a firmar e eu a peguei no colo completamente esquecida que, mesmo assim, é preciso oferecer apoio. A Nina reclamou e eu fiquei ali, levemente tensa (ahahhhaaaa), improvisando uma cançãozinha pra mostrar que a Dinda Ju é, sim, meio desastrada, mas é totalmente do bem. E saiu assim: "Canta, canta, menina Nina, canta, canta, menina linda". Parece que ela gostou porque acalmou, ficou observando o ambiente, aceitou a chupeta e, em segundos, capotou. Tão pequenininha, tão quentinha. Deu vontade de ter uma menina da próxima vez...


posted by JULIANA DE MARI 6:55 PM


Terça-feira, Maio 02, 2006


Ah, se todo dia fosse assim


Na boa, a semana deveria ser sempre assim: três dias de folga versus quatro de labuta. Seria mais equilibrado, não seria? Ah, foi tão bom esse feriadão. Deu pra ficar em casa e curtir muito meu filhote, pra ir na pracinha com o Rô junto, pra tomar café com doce na Vila, pra encontrar uns amigos na rua e receber outros em casa. Gutão encontrou o Theo, da Rê, o Miguel, da Dani, o André, do Patury, o João e a Lívia, da Tita. Ficou todo feliz que "deu carona pro skate" na ladeira da praça. Babou comendo brigadeiro de colher no café da tarde. Viu e reviu a nova atração em DVD, Lilo e Stich (quanto mais barulhenta e trash a cena, mais ele dá risada!).

O feriadão só não deu pra dormir o tanto que EU precisava...Gutão tem dormido melhor, embora ainda acorde uma vezinha por noite (o que estou pondo na conta do nariz super-mega-entupido). Preciso marcar consulta na otorrino e na pediatra. E levar meu bichinho pra tomar a segunda dose da vacina da hepatite, atrasada já há um mês, ui! Eu é que voltei a brigar com o travesseiro. O ruim é que vou pra cama bem cansada, mas não estou conseguindo capotar como precisaria pra desligar, entende? Nem falo mais do número de horas que seriam realmente necessárias pr'eu acordar "bem". Tou falando é de qualidade do sono. Anyway, acho que tem a ver com a preocupação com Gutão, a estar atenta aos sinais noturnos dele, ao receio dele dar uma piorada à noite (ele tem tossido horrores)...Resumindo: piração de mãe.

Pode ser também que não tenha nada a ver com ele. Pode ser comigo, o babado. Tenho, sim, necessidade de mais horas, dias, tempo de folga. Quando a gente está em movimento nem sempre está conectado com a essência...E eu preciso me conectar com a minha essência o tempo todo; se não, dá tilte. Agorinha mesmo estou aqui, planejando minhas próximas férias: duas semanas em setembro, mais uma em novembro. Brecha pra uma pausa mais do que justificável: encomendar um(a) irmãozinho(a) pro Gutão, oba!

posted by JULIANA DE MARI 8:51 PM


Domingo, Abril 30, 2006


De carinhos e coisas afins


Uma das coisas que eu mais gosto de fazer com meu Gutão, além de brincar, dançar e dar risada, é dormir. Como é gostoso deitar do ladinho dele nos finais-de-semana e curtir a sonequinha do dia sentindo aquele cheirinho bom, aquele pezinho pequenino se enroscando em mim. Gutão é tão carinhoso, viu? Antes de fechar os olhinhos pra dormir, qualquer que seja a hora, abraça a Pig e diz assim, repetindo meu refrão de toda noite: "Boa-noite, Pig. Bons sonhos". E abraça e beija e faz carinho na porquinha. Dá beijo até em figura de revista e em desenho de pijama! Hoje fez um montão de carinhos no cachorrinho que enfeita o meu. Quando pega alguma coisa pra comer, sempre me oferece um pedacinho. Se tá no meu colo, fica fazendo carinho nos meus cabelos. É espontâneo nas demonstrações de afeto. Se a gente pede um beijo ou um abraço forçados, quase nunca dá. Dá é risada, esse danado.
Aprendeu a dar "abraço de três". Eu, ele e o Rô bem juntinhos. Vira e mexe, pede um. E ri, feliz. E gosta de repeteco: "Última vez, mamãe". Também já sabe expressar seu amor à semelhança do meu. Sempre digo: "Te amo do tamanho do...mundooooooooo". E abro os braços pra demonstrar quão grande é o meu amor por ele. Filhote faz igualzinho e repete minhas palavras e meus gestos. Lindo. E como gosta de bichinhos esse menino. Cachorro, então, faz ele cerrar os dentes de tanta emoção. Se deixar, ele sai correndo atrás do bicho, quer fazer carinhos mil, quer até dar beijo nos dito cujos. Foi assim na pracinha hoje. Estavam lá o Theo e a Rê e mais uma amiguinha, a Isadora, dona do Mel, um cachorro de mesma cor, muito alegre. Gutão viu o bicho e soltou: "Ele tem um cinto". Não, filho, não é cinto, não. É coleira. Valeu a conexão! O bicho não entrou no tanque de areia, claro, mas ficou por ali, correndo ao redor, todo animadinho. A certa altura, cadê Gutão? Se foi, correr atrás do Mel. E o Rô atrás. E Gutão de cócoras fazendo carinho no cachorro. Quando vi, tava dando beijo nas "costas" dele, ai, ai. Bem legal que ele não tenha medo e que seja capaz de respeitar e curtir os animais assim, mas sempre fico de olho e digo que não é legal incomodar os bichinhos. Sabe lá quando uma demonstração de amor não vai resvalar num tapão, né? Comigo é assim, entre tapas e beijos. Se eu dou bola, encantos mil. Se eu desvio a atenção, lá vem tapão! De um jeito e de outro, te amo, seu Gutão!
posted by JULIANA DE MARI 8:37 PM


Quarta-feira, Abril 26, 2006


Vamos seguindo


Gutão melhorou. Tá com bastante catarro ainda e um pouco de tosse, mas não tem mais febre e nem está mais prostrado como antes. Recuperou o apetite e o gás. E já voltou pra escola. Nesses dias em que esteve longe, aliás, nos demonstrou que o vínculo está bem estabelecido. Acordava e pedia pra vestir a camiseta da escola, pra usar o tênis da escola, pra ver as tias da escola. Continua fazendo inalação e não dá mais chilique na hora da "tapotagem" (aqueles tapinhas nas costas, com a criança inclinada nos joelhos, pra liberar o catarro, sabe como é?). Até repete nosso cuidado querendo "tapotar" nossas costas a toda hora. Diz assim: "massagem, mamãe.".
Tá falando coisas que até Deus duvida. Inevitavelmente, tenho vontade de rir com as tiradas. É muito lindo ver o florescer da linguagem, as conexões que ele faz, as palavras que escolhe. Outra noite, nós três no quarto da TV, ele olha pra gente, vai se afastando e diz: "Vou embola". E eu pergunto, curiosa, o motivo. E ele diz: "Tô babo". Eu insisto e pergunto por quê. Ele olha, franzindo a testa: "Tá muito chato aqui". Hein?!

Tou mais tranquila com os "ataques" dele. Faz parte, é fase, toda criança passa por isso. É que, quando fico cansada, tendo a enxergar tudo com lente de aumento. Faz parte, é assim mesmo, toda mãe passa por isso! Aliás, que coisa boa ter "conforto" aqui no blog. Esse nosso contato virtual ajuda a relativizar. A perceber que na casa do vizinho acontece o mesmíssimo dramalhão. Obrigada!

posted by JULIANA DE MARI 5:46 PM


Sexta-feira, Abril 21, 2006


Dá-me luz, ó Deus do tempo


Tem dias em que o cansaço não perdoa. Ainda bem que é sexta-feira, feriado. Gutão melhorou um pouco. Não teve mais febre, mas continua muito encatarrado. Estamos fazendo inalação três vezes ao dia, limpando o nariz com Sorine outras tantas vezes e tirando "ranho" com a bombinha inúmeras outras. Durante o dia, ele tem passado bem. Anda um tantinho irritado e com mais sono do que o habitual (talvez efeito dos remédios). Nossas noites, no entanto, têm sido naquela base. Gutão dorme mal, acorda muito, funga muito, chama muito a mamãe. Tenho atendido na medida do possível. O Rô tem se revezado nessa missão. Mas filhote nem sempre aceita a presença do pai e chora, reclama mesmo, a minha presença...Aí, fico dividida, entre jogar a toalha de vez ou respirar fundo e ir lá acalentar meu menino. Resultado: acordo moída, nem descanso, nem desligo, nem coisa nenhuma. Sorte que hoje Gutão pediu pra tirar uma soneca por volta do meio-dia e me requisitou. Fui de bom grado com ele (Pig nos braços!) pra nossa queen size. Deitamos juntinhos, rodeados de carrinhos, e ali ficamos até às 4 da tarde!!!! Não posso dizer que dormi o tempo inteiro, pois ele mexe horrores, fala um bocadinho e me empurra constantemente! Mas que ajudou a descansar, isso ajudou.
Passamos o feriado reclusos. Eu e o Rô demos uma pequena geral na casa. Gutão viu o Cocoricó umas vinte vezes (viciou outra vez) e levou uns cinco castigos. Tá com essa mania horrorosa de jogar as coisas no chão deliberadamente ou de tascar tapões no meu rosto e no rosto do Rô. Ele já sabe que não pode, mas não deixa de fazer. Hoje pela manhã, assim que saí da cama, ele veio atrás de mim no banheiro. Falei qualquer coisa que ele não gostou e, na hora em que abaixei pra dar um abraço, levei um copo no alto do nariz. Foi tão de repente que não tive outra reação: comecei a chorar!!! Gutão ficou todo sentido. Pediu "depuca", disse "não chora, mamãe" e quase foi voluntariamente pro castigo.
Como é difícil lidar com essa agressividade e essa necessidade de limite o tempo todo, todo o tempo, ou seja lá o que for isso, viu? Confesso que tem horas que dá vontade de simplesmente fingir que não é comigo. Mas não dá, né? E aí, lá vamos nós pra ladainha do "isso não é legal". Gutão tá naquela fase afirmativa -- ou seria negativa? Pra tudo que a gente diz, ele devolve um "não". Só coopera quando eu peço ajuda ou quando digo que ele já aprendeu a fazer determinada coisa. Aí, acho que ele se enche de orgulho, não se sente "controlado", e faz o que peço direitinho. Será que o modus operandi dessas figuras, com tão pouca idade, já é assim tão complexo? Ou será que sou eu que tou dando significados complexos pras atitudes dele? Ai, meu pai eterno, acho que tou precisando voltar pra terapia!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:35 PM


Quinta-feira, Abril 20, 2006


Vai embora, dodói!


Dessa vez, filhote realmente ficou maus. Nunca o vi tão entregue, tão abatido. Na terça à tarde, quando o Rô o levou ao hospital, disse que ele estava tão prostrado que nem chorar chorou. Ficou sentadinho na cadeira do carro, chupetando, olhinhos inchados, todo congestionado. Vez por outra, escorria uma lágrima pra denunciar o sofrimento dele. Tadinho. A médica que o atendeu disse que os ouvidos estão vermelhos e as vias aéreas muito cheias de catarro, assim como os brônquios. Gutão tá mesmo com uma tosse e um chiado bem chatos. Também tava com febre, mais de 39. Fez raio-X (não deu pneumonia, graças!) e nebulização lá mesmo. Voltou pra casa com uma receita recheada de remédios, fazer o que? Pra nossa sorte, na hora em que o Rô tava preparando o Clavulin (amoxilina), eu cheguei em casa e vi. Gutão tem alergia à amoxilina, já pensou? Liguei na hora pra dra.Ketty pra conferir as recomendações da outra médica (ah, eu sempre faço essa checagem!) e pedir outro remédio equivalente. Filhote tava tão cansado, tão cansado que deitou por volta das 18h e só acordou no dia seguinte às 8h! Nem jantou, claro. E quem quer saber de comer quando está doente de verdade, né? Suou horrores, trocou o pijama e a fralda sonâmbulo e fez nova nebulização deitadinho, de olhos fechados. Não dormi, obviamente. Fiquei atenta a cada respirada, a cada choramingo dele.
Graças a Deus e aos remédios, Gutão acordou um pouco melhor ontem. E assim está até agora. Sem febre, mais animadinho. Não tem ido à escola, mas tem pedido pra ir, acreditem! O nariz continua escorrendo e ele continua dizendo que "tá muito entupido". Agora, com a experiência da nebulização no hospital, ele não tem mais criado caso nessa hora. Ao contrário. Segura, ele mesmo, a máscara e deixa o "ventinho" fazer o trabalho até o final. Com a máscara que trouxe do hospital, enquanto eu faço nele, ele faz na Pig. Eita que esse amor é coisa séria!!

Quê mais? Hoje pela manhã tive provas de que ele já está bem melhor. Foi preciso dar dois castigos no bichinho em menos de cinco minutos! Ah, não, Gutão tá com uma mania de jogar as coisas no chão, sabem como é? Tem horas que tudo bem, até passa. Mas tem momentos em que essa zona me irrita profundamente. Em especial quando ele escolhe coisas que podem quebrar quando vão ao chão. Aí, não tem jeito. Dou a primeira advertência e, se não obedece, castigo. Gutão é malandro, já senta no pufe pedindo desculpa. Agora, além do "depuca, mamãe", ele diz que quer dar "um beijo na mamãe". Eu aceito de bom grado, mas mantenho o castigo anyway. Uma hora ele vai entender que não pode fazer o que quer na hora que quer. Que há regras, que há o certo e o errado, sim, senhor. É bom que ele conteste. É bom que ele tente, é bom que ele ouse. Só não é nada bom que ele persista fazendo o que não deve. Eu sei que ele ainda não entende a relação causa e efeito em sua totalidade. Mas eu entendo -- e eu acredito que é importante continuar sinalizando e ajudando meu filhote a encontrar as conexões dele.

Falando em conexões, Gutão quer fazer tudo o que a gente faz. Se a gente escova os dentes, ele pede a escova dele. Se a gente pega uma taça de vinho, ele pede o suquinho. Se a gente folheia uma revista, ele chega junto e pega outra pra ver. Ontem, aniversário de três anos de casamento do papai e da mamãe!, acordamos com beijos e abraços. Gutão presenciou a cena. Mamãe explicou que era um dia festivo, que a gente estava comemorando o casamento. Gutão olhou bem sério, meio enciumado, e disse: "quer casar também"! Tem presente melhor do que esse?


posted by JULIANA DE MARI 12:47 PM


Terça-feira, Abril 18, 2006


Chegou o inverno


E Gutão piorou. Continua com febre, nariz entupido, dificuldade pra respirar. Tem tossido bastante. A sorte é que tá botando catarro pra fora. Dormiu super mal essa noite. Choramingou um bocado, tadinho. Tou aqui toda torta de ficar ao lado dele na cama, vigilante. Ah, não lido muito bem com meu bichinho sofrendo, não. Fico arrasada. E cansada. E culpada. Queria estar lá com ele pra dar colo na hora em que ele precisa...Ainda bem que o Rô ficou trabalhando em casa hoje. É ele quem vai levar filhote no hospital agora à tarde. Achamos melhor assim, ir logo ver se é só gripe passageira ou se é preciso intervir de outra maneira. Já passei uma lista de perguntas a fazer pro médico. Já fiz mil e uma recomendações. Tá um frio do cão na rua, um dia horroroso. O frio chegou, ai.
Sei que eles vão estar bem na companhia um do outro. E eu sei que tou ausente, mas tou super presente, sabe assim? Espero ter notícias melhores na sequência.
posted by JULIANA DE MARI 3:51 PM


Domingo, Abril 16, 2006


Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim?


Gutão descobriu o primeiro ovo por acaso. Estava lá, em cima do móvel da TV, aguardando um esconderijo melhor. Filhote, ainda meio sonado, bateu os olhos e não teve dúvidas: "Vamo abri?". Numa linda caixinha transparente, Gutão viu um coelhinho branco abraçado a um ovo de chocolate (arte da querida Fabíola Toschi, www.fabiolatoschi.com.br). Nem bem abri, ele já foi metendo as mãozinhas. Arrancou as pernas do coelho, coitadinho, e começou a fazer rolinhos, daqueles que a gente faz com a massinha da escola, sabe como é? Eu e o Rô dando risada e tentando explicar que, não, não era massinha. "É de comer, filho, é chocolate." A segunda delícia estava aguardando o menino na porta de casa. Do lado de dentro, obviamente. Vai que passa um vizinho desavisado e leva nosso "ninho" embora? Bom, instiguei Gutão a procurar o ninho que o coelhinho da Páscoa havia deixado pra ele. Correu no quarto, no banheiro, andando meio agachado, gritando "Coelhinho, cadê você?". Um barato. Aí, dei as coordenadas e ele, enfim, descobriu o baldinho cheio de ovinhos. De tão excitado que tava, tascou um no bocão sem nem tirar o papel alumínio!! Ah, Páscoa e chocolate fazem rima, né? E Gutão comeu uns três ovinhos pra começar o dia (daqueles pequeninhos que a gente come sem culpa, lembrança das minhas páscoas lá atrás!).

A pedidos, fiquei sem ovo. Preciso me livrar desses quilinhos que insistem em continuar por aqui e, digamos, férias na Bahia não foram a melhor opção no quesito "ficar em paz com a balança"...De todo modo, o Rô me deu uma caixinha linda, com quatro trufinhas de chocolate. Comi uma metade e ele se encarregou da outra. Ele, sim, ganhou ovão. Chocolate Alpino, irresistível. Sim, eu ataquei o dele!!! Mas foi um ataque breve. Só pra não dizer que minha Páscoa não foi doce. É que passamos o feriadão meio de repouso. Eu, pra começar. Peguei uma gripe daquelas e a sexta da Paixão foi à base de cama, chazinho e carinho. Ontem acordei um tantinho melhor, mas, aí, foi Gutão quem baqueou. Depois do aniversário do amiguinho Pedro, veio a febre. Gutão dormiu sem comer nadica. Nem leite aceitou. Continuou assim hoje. Almoçou três colheradas de ovo mexido e aceitou um tantinho de suco de goiaba. E só. Tá alegre, tá brincando, mas tá com o nariz entupido e a testa quente. Agora, dormiu. Soneca que começou a ensaiar às 11h e só concretizou às 14h30!!!! Tá lá na nossa cama, grudado no violão que ganhou da gente ontem. Pequeninho, de madeira, com cordas de verdade. Ele adora música. Deve ser o fã número um do Jack Johnson, viu? E, como o ídolo toca violão, Gutão também tinha que ensaiar seus acordes. Tomara que a gripe seja como a minha: passageira. Filhote tem escola amanhã. E tem semana curta outra vez, oba!

Feliz Páscoa! E que Jesus continue abençoando a família de vocês com muita saúde, muita harmonia e muito mais alegrias. Amém.
posted by JULIANA DE MARI 3:45 PM


Quarta-feira, Abril 12, 2006


Atualizando


O paraíso
Estamos de volta, depois de uma semana maravilhosa no "paraíso". Sim, descobrimos nosso "canto" no mundo. Aquele lugar especial pra renovar energia, sabe? Itacaré, mais precisamente a praia de São José. Praticamente privativa, emoldurada pela exuberante vegetação de Mata Atlântica, com mar de águas mornas, boas ondas pra surf (sim, o Rô se esbaldou!) e um riozinho na esquina, coisa linda de se ver. Voltaremos, com certeza.

Curtimos um bocado. Dessa vez, voltei bronzeada, como eu queria. Fiz rodízio com o Rô nos cuidados com o filhote, de forma que tanto eu quanto ele tivemos direito a nossos pequenos prazeres individuais. Gutão voltou "coradinho". Ia pro sol devidamente coberto com bloqueador solar, chapéu e camiseta. Aproveitou muito. Andou peladão pela praia; fez xixi e coco ao ar livre (e a gente querendo que ele use pinico em casa!!); fez vários amiguinhos, viu vários bichinhos; nadou bastante; tomou muito suco de manga e água de coco; encheu a pança com super PFs na hora do almoço e comeu pouquíssimo na hora do jantar. Pulou horrores na cama -- agora deu de imitar o desenho e morre de rir com o "super-hiper-mega pulo" do Tigrão! Revelou-se um grande leitor: além dos livrinhos de toda noite, "leu e releu" a National Geographic do papai com entusiasmo (ai, meu pai eterno, vem mais um apaixonado pelas letrinhas por aí?). Fez amizade com todos do hotel. Adorava a Lu, uma negra cheia de ginga, nossa guia turística. Perguntava por ela todo santo dia. Ela também adorou o menino. Fazia questão de carregar seus 13 quilos no colo nas piores caminhadas!!! E Gutão participou de todos os (poucos) passeios que conseguimos fazer. Fez uma baita caminhada com o Rô, pra ver o jacaré "Binho" comer pão e banana das mãos da moça que cuida dele. Encarou subir o morro (no colo da mamãe, diga-se) e depois caminhar por entre arrecifes pra desfrutar um delicioso banho na piscina natural. Queria nadar a todo custo. Chegou a mergulhar, enfiando o rosto completamente na água, sem se importar em tapar o nariz ou fechar a boca. Claro que engasgou algumas vezes e ficou com os olhos super vermelhos, mas adorou a experiência. Prova de que precisamos mesmo, urgentemente, pensar em natação pro danado.

A volta pra escola
Depois de uma semana ausente, Gutão voltou pra escola como se nada tivesse acontecido. Amém. No primeiro dia, pediu pra que eu o levasse até a salinha do lanche -- "mamãe, entra com Gutão". Fomos juntos dar um "susto" na tia Carla. Ela recebeu nosso filhote com um baita sorriso, deu um abraço super apertado e foi mesmo lindo ver aqueles cotoquinhos que são os amiguinhos de turma dele falando "oi, Gutão", "Gutão voltou". Bastaram dois minutos pra eles se entrosarem e Gutão me liberar pra trabalhar. Assim tem sido da segunda pra cá. Ontem e hoje, nem precisei entrar com filhote. Dei beijo no portão mesmo (do lado de dentro da escola, vai) e ele seguiu, todo feliz, pelas mãos das "tias".

Terça, aliás, foi dia de entrega do relatório psicopedagógico do bimestre. Fiquei tão orgulhosa do meu menino! Está lá registrado que o Augusto é um menino muito alegre, sempre sorrisos, muito comunicativo, que expõe suas vontades e necessidades com muita clareza, que explora muito bem o ambiente no qual está inserido e os materiais que a tia oferece para as atividades, que é bastante sociável, adora cantar e dançar e prefere brincar com carrinhos do que com qualquer outra coisa! Ela conta que ele costumava ficar com sono no meio da manhã (mas já se adaptou ao novo ritmo), que sempre fala sobre o papai e a mamãe com carinho, principalmente, sobre onde a gente trabalha, e que demonstra muita afinidade com a babá (ufa!).

Depois de ler o relatório, conversei um tantinho com a professora e com a coordenadora pedagógica pra tirar algumas dúvidas. Por exemplo, toda vez que pergunto como foi na escola, Gutão responde "Bateu nos amigos". Eu sabia que ele não é de fazer isso, mas não custava checar. De fato, ele não faz isso. Ao contrário. A tia Carla contou que ele é muito carinhoso e cooperativo. Teorizando, elas acham que ele pode falar em bater pra me causar espanto mesmo, porque sabe que não é uma coisa bem-vinda e que eu vou prestar atenção ao que ele está dizendo. Pode ser. Quando ele diz que bateu nos amigos, eu sempre digo de volta que sei que ele não faz isso, que a tia me contou que ele é muito carinhoso e tal e coisa. Ele sempre dá um sorrisinho maroto depois. Disse a tia também que Gutão tem muita energia, mas não é agressivo. Que não tem lá é muita paciência (isso é verdade). Eu repliquei que ele tem o que chamo de "atenção randômica": para o que o interessa, todo tempo do mundo. Para o que não o interessa, pernas apressadamente ansiosas o conduzem a outra direção. A professora sorriu e confirmou. Quando fazem a rodinha da despedida, na hora de voltar pra casa, todos os amiguinhos ali sentadinhos, cantando com as tias. Cadê Gutão? Senta um minuto, bate palmas, balança as perninhas, e pronto. Já se foi. Rodar ao redor da rodinha! Eu flagrei a cena na minha semana de férias antes da viagem. Dei risada sozinha. É isso aí, filho. Bom saber que você atende às "normas", mas preserva sua espontaneidade.

A tagarelice e a disciplina
Gutão disparou a falar. Até aí, nenhuma novidade. Ele já fala bastante há bastante tempo. Agora, no entanto, ele fala cada vez mais coisas que nos surpreendem. Exemplos? Vamos a eles. Toda noite, Gutão pede a escova de dentes. "Qué escova do elefantinho". E vamos lá no banheiro "dele". E ele diz: "bota pasta, mamãe". E eu boto e digo: "essa é a primeira vez". Sim, porque depois de morder bem muito a escova (na real, ele escova só os dentes de baixo e eu ajudo a escovar os dentões de cima), ele sempre pede: "última vez". E ri. E voltamos ao banheiro pra colocar a pasta mais uma vez. Nunca provei, mas deve ser mesmo gostosa porque Gutão tá viciadão na pasta da Welleda, aquela sem flúor. Fio dental, ele já não dá tanta bola. Acabou o que ele gostava, o de fita sabor menta. Pois bem, ontem coloquei a pasta, ele voltou ao quarto da TV, "escovou" os dentes outra vez e pediu de novo: "última vez agora, mamãe." E eu disse não e expliquei que já tinha colocado a pasta pela última vez. Aí, Gutão olhou pro Rô e mandou: "pega a outra escova agora, papai". Sim, porque, na cabecinha esperta dele, o ciclo acabou com a escova do elefantinho, mas ele ainda podia tentar com a do Leitão!!!! Claro que eu e o Rô morremos de rir -- mas não teve outra última vez coisa nenhuma.

Gutão me chama pra brincar, uma graça. "Vem brincar na sala, mamãe". Pede pro papai parar de incomodar. "Não faz isso, papai". Diz direitinho o que quer comer. "Qué iogurte do solzinho". Inventa mil e uma desculpas quando não quer fazer alguma coisa. Hoje pela manhã, eu toda agoniada, atrasada pra levá-lo na escola, chamando por ele na porta, e ele lá, brincando com os carrinhos, tranquilão, tranquilão. Eu quase berrando já e ele diz, sorriso a meia-boca: "Gutão tá doente (como quem diz, ai, hoje não quero ir pra escola, não!). Eu posso com isso!!!!

Estamos firmes nos castigos (ui, que dó). Até durante as férias foi preciso escolher a "cadeira do castigo" no hotel. Sim, Gutão gosta de desafiar, Gutão pede limite, Gutão quer atenção. Não sabe, ainda, lidar com a raiva, com a frustração. Perde a estribeira, fica nervoso, joga tudo no chão, grita, quer agredir papai e, principalmente, mamãe. Ah, não, não vem, não, violão. Entendo que é demais pedir prum guri de dois anos se comportar à mesa durante um jantar inteirinho. Mas é de menos permitir que ele seja absolutamente livre para ser mal criado quando quiser. Viver em sociedade é saber seguir determinadas regras. Claro que vale contestar uma coisa ou outra, mas educação é uma moeda que não perde valor ao longo do tempo. Pra educar, é preciso ser coerente, ser paciente. Eu e o Rô estamos firmes. Quando Gutão extrapola, vamos lá: olhamos nos olhos, falamos do comportamento que não aceitamos, levamos pro castigo, e o deixamos ali um tantinho. Pra sair do castigo, Gutão pede desculpa e nós pedimos que ele diga porque foi repreendido. Ele não gosta muito de admitir o que fez de errado, não. Mas só é liberado depois de fazer o registro oral da malcriação. Esperto que só ele, agora, deu de pedir desculpas, fazendo um baita bicão, antes mesmo de sentar no pufe, na cadeira, seja lá onde for. Derreto por dentro, aceito o beijinho, mas dou o castigo anyway. Coerência, lembram? Não acredito em bater pra ensinar. Então, tem que ser assim mesmo. Pacientemente, ensinando limite, disciplina, o que é certo, o que não é. Na nossa casa, do nosso jeito, de acordo com os nossos valores. Fácil, não é. Irrita, enche o saco, dá vontade de deixar de lado, mas cadê nosso compromisso? Quando me bate essa rebeldia, eu penso no futuro. Daqui a alguns anos, Gutão mais crescidinho, dando escândalo nos lugares, desrespeitando as pessoas, exagerando na expressão das suas vontades. Respeito, sim, o jeito dele de se auto-afirmar, respeito, sim, as escolhas que ele já faz, mas não é por isso que vou deixar de ajudá-lo, no que me for possível, a ser uma pessoa do bem, de bem com a vida.

E nossa aventura tá tão divertida. Gutão é uma criança que enche a casa de sons e de sorrisos. É tão meigo, meu menino. É tão explosivo, meu menino. É superlativo desde pequenininho. Gutão, lindão. Te amo. Sou tãooooo feliz por ser tua mãe.

posted by JULIANA DE MARI 12:18 PM


Sábado, Abril 01, 2006


Mini-férias


Tirei duas semanas de férias. A primeira passei em Sampa mesmo, curtindo a casa, o filhote, o Rô, os pequenos prazeres de uma rotina sem compromissos profissionais. Fiz massagem; arrumei o armário dos sapatos (taí, uma coisa que adoro: sapatos!); levei e busquei Gutão na escola; até comecei a "malhar" na academia do prédio (tá, fui duas vezes só, andar na esteira e levantar uns pesinhos, mas fui). A segunda semana vai ser de férias com a família. Vamos conhecer o que as praias da Bahia têm de bom, oba!
A previsão do tempo indica pancadas de chuva, mas não é possível que o Senhor do Bonfim vá encharcar a nossa alegria com chuva a semana inteira. Tenho fé que vai sair um solzinho e que nós três vamos aproveitar um bocado a vida boa na beira do mar. O Rô certamente vai surfar; eu e Gutão vamos correr muito na areia (haja fôlego!). Tou levando uma bolsa cheia de brinquedos (se chover, vai ser a nossa salvação), entre eles, claro, um kit praia com baldinho. O melhor de tudo é que esse hotel, segundo a maravilhosa propaganda do site deles, além de mil e uma atrações ao ar livre, tem serviço de baby-sitter, tem noção? Isso significa que eu e o Rô vamos poder dar umas escapulidas sem culpa. Afinal, se mamãe e papai estão felizes, unidos e tranquilos com a relação, Gutão só tem a ganhar. Ganha um modelo bacana pros seus próprios relacionamentos futuros, ganha atenção genuína da gente, ganha valores que gostaríamos de transmitir, enfim. E lá vamos nós, rumo às boas coisas da vida: amor, sombra e água fresca. Até a volta!
posted by JULIANA DE MARI 12:27 PM


Sexta-feira, Março 31, 2006


Dois anos de novidades


Gutão ganhou um penico ontem. Penicão, na verdade. Da Safety First, parece um verdadeiro troninho. Dá pra usar até como assento redutor na privada. Filhote já vinha falando nisso, em fazer xixi no peniquinho, e eu achei que esse era um bom sinal de que podemos começar a transição da fralda para o "trono". Hoje, pra minha surpresa, filhote acordou dizendo que queria usar o penico. Fomos ao banheiro dele correndo, mas só deu tempo de tirar a calça do pijama. Gutão sentou meio cambaleante no penico e mandou ver. Um pouquinho ficou lá dentro. Um montão inundou o chão! No problema. Falei pra ele que estava orgulhosa dele ter tentado e que, daqui pra frente, toda vez que ele quisesse fazer xixi era só avisar. Não aconteceu outra vez. Sendo assim, acho melhor esperar os sinais se alumiarem pra recomeçar o treinamento.

Gutão anda bem birrentinho, vou te contar. Pede atenção a toda hora e, se não consegue, haja paciência pra lidar com o "enfurecido". Quer bater, quer machucar, quer empurrar. Só hoje pela manhã tive que dar dois castigos. Funciona assim: pego na mãozinha dele, levo pro quarto, sento no pufe e digo o motivo do castigo. Deixo ele ali cerca de um minuto, no máximo. O suficiente pra ele soltar um "depuca" (desculpa). Na hora em que o libero, reforço o motivo do castigo e explico qual é o comportamento esperado. Gutão insiste em testar nossos limites. E eu insisto em ser firme em ensinar o que é o certo (ao menos, na nossa casa, de acordo com os nossos valores), embora, ás vezes, tenha a maior dó de ver meu pequeno ali, em lágrimas, reclamando da vida, da mamãe e da impossibilidade de fazer o que quer na hora que quer do jeito que quer. É isso, né? Frustrações muito maiores ainda virão...

Quê mais? Gutão teve festinha de aniversário na escola. Como é no horário do lanche e os pais não podem participar, as "tias" tiraram várias fotos pra gente. Festeiro do jeito que é, filhote se esbaldou. Chegou em casa podre de cansaço. Aliás, tirei duas semanas de férias e nessa agora tive o prazer de ir buscá-lo na escola. Ah, que coisa linda ver aqueles pirralhinhos de mãozinhas dadas, cantando em roda, felizes, felizes. E o sorrisão que eles dão quando avistam o papai ou a mamãe no portão? Não tem preço, viu? Quem me dera poder ter essa alegria no meu dia todos os dias. Vamos ver se, daqui pra frente, consigo pegá-lo ao menos duas vezes por semana.

Então, voltando ao cansaço, hoje filhote chegou com tanto sono que só deu tempo de tomar banho pra tirar a areia e pronto. Gutão capotou sem nem almoçar. Deu chilique porque eu tentei tirar a chupeta e oferecer uma colherada de carne moída com batata! Dormiu quase três horas seguidas. Acordou no meio tarde, não quis comida salgada. Tomou iogurte do "solzinho" (tá viciado naqueles ninho soleil) com banana e suco de goiaba. Agora, quase seis, disse que tá com fome e queria comidinha. Tá ali, na cozinha, comendo seu pratão com a Bá. Sentadinho no cadeirão novo. Quer dizer, uma cadeira desmontável, super prática, também da Safety First, acoplada à cadeira normal que a gente usa. Diz na embalagem que dura até os quatro anos. Queira Deus, porque como essas "facilidades" custam caro, viu? Bom, filhote levou junto todos os bichinhos que encontrou. Tá vidrado no Ursinho Pooh e no Tigrão! Ganhou das queridas Bellinha e Lulu, filhas da Amanda, o DVD do Tigrão. Vai e volta e quer o danado. E como é linda a historinha! Eu me divirto junto, observando as reações do pequeno. Impressionante como ele adoraaaaaaa barulho, bagunça. Tudo que remeta à folia e agitação, Gutão tá dentro. Morre de rir nas cenas em que o Tigrão, desajeitado, derruba os potes de mel do Pooh, coitado. Ou quando o Tigrão derruba uma baita pedra em cima da casa do Ió, uma dó! Uma alegria esse meu filhote.


posted by JULIANA DE MARI 5:53 PM


Segunda-feira, Março 27, 2006


Um grande dia


Gutão completa hoje 730 dias de vida fora do barrigão. Dois anos de pura felicidade. Nem consigo mais lembrar como era acordar sem encontrar o sorriso dele e ir dormir sem sentir seu cheirinho. Como é grande esse amor! Como transforma a vida da gente. Ao ver meu menino crescer, eu me sinto renascendo. Feliz, realizada. E ele cresceu tanto! Tá falante, sapeca, cheio de graça. E tá um grude comigo, uma coisa. Não posso mudar de ambiente que ele começa "mamãe, mamãe, qué vê a mamãe!". E se eu não apareço logo, ai de mim. Lá vem a ladainha: "qué batê na mamãe, que machucá a mamãe, que empurrá a mamãe".

A tal da agressividade se manifestando. Em boa hora, diga-se. Gutão tá aprendendo a dar seus limites, fazer valer suas escolhas e defender seu espaço. Sim, estávamos alertas ao fato de que ele vinha recebendo uns tabefes dos amigos e nem pensava em revidar. Só sentia --muito!--, e chorava, e, magoado, falava no assunto depois. Pra alegria do pai (eu sabia que a reação, mais dia menos dia, viria!), preocupado com a possibilidade do filhote virar alvo fácil, Gutão começou a reagir. Ah, eu jamais ensinaria meu filho a bater, a ser violento, a machucar alguém. Da mesma forma em que procuro não extrapolar mesmo quando perco a paciência. Não acredito que castigo físico eduque alguém... Mas fico realmente tranquila em ver que ele, sozinho, se sentiu seguro pra experimentar a própria "força". Ninguém gosta de ver o filho apanhar, certo? Assim como, imagino, ninguém gosta de ver o filho bater...Tenho procurado não valorizar nem um comportamento nem outro, pra não criar modelos que vão se cristalizando, coisa do tipo "fulaninho é brigão", "cicraninho é bobão". Entendo que essa fase é de disputa mesmo. Por atenção, por um brinquedo, por um espaço. Assim, entre tapas e beijos, os pequenos vão se entendendo. E tantas outras fases e tantos outros motivos pra "sair na briga" virão, né? Meninos, ah, meninos.

Deixa eu contar do aniversário. A festinha do aniversário foi sábado, no salão do prédio mesmo. Contratei brinquedos, bufê e animação. A decoração ficou por minha conta. Com a ajuda da super Alê, fizemos a mesa em referência ao tema da festa: carrinhos. O grande tchans eram os caminhões carregados de docinhos. A Alê deu a idéia de "montar" a decoração como se os brigadeiros estivessem caindo das caçambas, sabe? Depois soltamos os balões, azuis e amarelos, cheios de gás hélio e o teto ficou todo colorido. Gutão desceu às 16h30 e, pra nossa sorte, boa parte dos convidados chegou já no primeiro horário. Um dia lindo de sol e Gutão recepcionando os amiguinhos na cama elástica, pulando e sorrindo!! Teve ajuda da Mandioquinha, uma palhaça baixinha e divertida, que recebeu nossos convidados com malabares e esculturas de balão. Depois, virou o centro das atenções quando abriu sua caixa-mágica e ofereceu pra criançada as tatuagens. (Como esses pequenos gostam de tatuagem, né? Vi uns meninos saírem se exibindo com o braço coberto de tattoos. Será que vão ser da turma do piercing e do corpitcho tatuado quando crescer? Ai, que medo.)

Tudo ia lindamente bem na festa, até que a chuva chegou. Eu sabia que ela viria, mas não tinha previsto esse dilúvio. Foi um temporal de fazer o dia escurecer. Ainda bem que a piscina de bolinhas ficou dentro do salão. Mas dá pra imaginar o resultado da equação criançada num local fechado mais fumaça do crepe na cozinha mais barulho dos adultos, né? Estresse. Eu, ao menos, fiquei estressadíssima com aquele mini-caos. E resolvi antecipar a hora do parabéns. Foi o jeito que encontrei pra mudar o foco da festa e voltar a atenção dos convidados ao que realmente interessava: meu Gutão! Na hora do parabéns, filhote, meio tímido, mas sorridente, veio pro colo pra soprar as velinhas. Praticamente não desceu até o último convidado ir embora (nem preciso dizer que acordei no domingo como se tivesse sido atropelada por um caminhão!). O bolo foi um acontecimento à parte. Era um fusca verde, com prancha de surf amarela no bagageiro. As crianças ficaram rodeando a mesa pra ver se era um fusca de verdade. E eu fiquei sem saber por onde começar a cortar depois do parabéns! Foi mais uma "obra de arte" da minha querida Fabíola Toschi (www.fabiolatoschi.com.br), um delicioso bolo esculpido de chocolate com recheio de brigadeiro.

Gutão brincou a valer. Nós (e ele, certamente) ficamos muito felizes em ver o tanto de amiguinhos que já fazem parte da vidinha dele. Fiquei encantada com a fofíssima Bellinha, irmã da Lulu, filhas da Amanda. Amizade virtual com direito a poucos, mas muito bons!, encontros reais. De amigos de blog, tivemos também a presença do Theo, da minha amada Rê Quintella, que veio acompanhado da vovó. Engraçado mesmo foi ver as grávidas do ano passado --Tita, Julieta e Márcia-- com seus respectivos rebentos --Lívia, e a dupla de Sofias. Eram as princesinhas de uma festa dominada pelos meninos. Sorte dessa geração de mulheres, que vai poder escolher o pretê!!! E eu tou dizendo que atraio barriga: este ano, eram quatro desfilando no salão!! A Patty, que vai ter o Pedro; a Anne, barriguda do Téo; a Ieda, mãe do João e do Eric, a caminho do terceiro, e a Bá, sim, a Márcia, babá do Augusto, que espera pra dezembro o segundo filho. Só sentimos falta, por motivos óbvios!, da pequenina Nina, minha afilhadinha, que hoje completa 20 dias de vida. Pois é, pois é, logo, logo essa tchurma aumenta. Gutão merece um(a) irmãozinho(a) e eu já tou mais do que animada pra nova encomenda!!!

Dois anos de vida, filho. (E eu às vésperas dos meus 33, me sentindo cada vez mais leve).
Gutão, lindão, muita saúde, muita serenidade, muitas alegrias no teu caminho. Que teu sorriso se mantenha assim como é, encantador, e que teus olhinhos brilhem sempre diante das tuas paixões.
Mamãe te ama do tamanho do mundo, hoje, sempre e muito. Feliz aniversário e que teu Anjo da Guarda sempre te acompanhe. Te amo.

posted by JULIANA DE MARI 10:39 PM


Quinta-feira, Março 16, 2006


Fertilidade


Só pra atualizar: minhas queridas Rachel, mãe da Lara, e Andrea, mãe da Celina, estão grávidas!!!, Sintam-se virtualmente abraçadas e felicitadas!!! Desconheço outro estado de graça tão intenso quanto à gravidez.

Aliás, li um texto muito bonito hoje cedo. Sobre encantamento. É do Fabrício Carpinejar, poeta gaúcho, colunista da Superinteressante e autor do blog www.carpinejar.blogger.com.br. Pra falar do arrebatamento que nos acomete no início do relacionamento amoroso, ele usa a imagem do que acontece quando recém tivemos filhos. Sabe aquela coisa de contar, orgulhosamente, os dias, as horas e os minutos de vida da criaturinha?
Leiam aí um trecho. Que sirva pra reflexão.

"Com o início de namoro ou com filho pequeno, contamos os meses. Comemora-se a convivência a prestações. Não deixamos de nos surpreender e festejar a permanência de alguém novo em nossa vida. É complicado localizar quando esfriamos o encantamento. Por preguiça no raciocínio matemático ou por acatar o senso comum, desistimos de aniversariar o amor diariamente.
Até os dois anos da criança, conta-se a idade dela desse jeito. Quando ela junta os dedos, a data se dilata para a distância dos anos e nunca mais os números quebrados, longos e definitivos. Eu fico emocionado ao ouvir uma mãe e um pai, neste período, a soletrar a idade inacabada do filho. O cuidado em ser preciso, exato, a preocupação ligeira em mostrar o quanto o nascimento não é esquecido, nem por 24 horas. Posso descobrir o mês do aniversário e, com sorte, o signo da criança. Nenhum dia parece em vão, nenhum dia é descartado..."


posted by JULIANA DE MARI 5:20 PM


Quarta-feira, Março 15, 2006


E o mundo gira...


Obrigada pelos recadinhos carinhosos em relação ao post anterior. De fato, eu estava exausta e o desabafo valeu. E sabe que Gutão começou a dormir melhor depois daquele ataque? Nossas três últimas noites até que foram bem razoáveis. Introduzi o ritual de contar histórias e parece que ele gostou. Pede pra repetir milhares de vezes, claro. Mas é divertido. A cada vez, eu mostro uma coisa diferente da história. E ele sempre pede a "histolia da Ana". É a de um livro chamado "Ana, Guto e o Gato Dançarino", que a Dinda deu. Uma graça.
Pois bem, estamos nessa etapa, de construir um novo ritual pra hora de dormir. Já temos nosso "momento" com direito a luz baixa, música do Palavra Cantada rolando, muitas risadas, muitos beijinhos. Agora, além disso tudo, temos as histórias. E Gutão veio com uma nova: "qué domi na cama da mamãe". E eu tenho explicado que cada um tem a sua cama e que estamos pertinho um do outro. São apenas dez passos até o quarto da mamãe! Ele tem ficado tranquilo depois da explicação. E tem adormecido mais rapidamente e chamado apenas uma ou duas vezes na madrugada (culpa da chupeta caída, na maior parte das vezes). Enfim, seguimos em frente. Tenho certeza que, mais cedo ou mais tarde, filhote aprende que dormir é bom, que sonhar é estar perto dos anjos e que mamãe e papai estão sempre atentos às necessidades dele (mesmo quando ele está de olhinhos fechados).

Não adianta estressar, né? Aliás, estressar só gera mau humor geral. Difícil pensar nisso às 4h da madruga, depois de um chilique daqueles. Mas, depois que passa, a gente racionaliza o acontecido e pode escolher fazer diferente das próximas vezes. Estou focada nisso. Tem um livro muito bacana que descobri recentemente que tem me ajudado a manter o foco no que vale a pena: o bem estar do meu filho. Chama-se O Dom da Maternidade, da ed.Rocco. Gostei porque não é mais uma daqueles livros de auto-ajuda rasos. É uma análise interessante do que acontece na vida da mulher depois que o filho nasce, e só depois. Porque, enquanto ele está na barriga, vamos combinar, é tudo abstrato e a gente ainda acredita que detém algum controle. Que bobagem. O legal de ser mãe é justamente esse novo aprendizado, essa nova possibilidade de fazer melhor, escolher melhor, sentir melhor. Eu acredito nisso. E estou encantada com essa leitura. Recomendo a todas as que estiverem afins de um papo profundo sobre o sentido -- e as dificuldades -- da maternidade. Em certa medida, é tão reconfortante saber que, em maior ou menor grau, a impressionante transformação que a maternidade traz acontece na nossa casa e na casa da vizinha também. Taí, esse é o primeiro livro que me "falou ao útero" de verdade, como dizem.

Falando em útero, o meu tá super preparado pra receber um novo bebê. Fiz uma série de exames de rotina pra checar se está tudo em cima e a gineco já me deu o Ok pras novas tentativas. Ela, aliás, está barriguda do segundo filho (outro menino!). Eu pretendo me entregar a essa missão no segundo semestre mesmo. Quero respeitar esse meu tempo. De me cuidar um pouco antes da nova barrigada, de ver meu Gutão adaptado à escola, de realizar as metas profissionais que me propus pra este ano. É que olhando pra minha afilhadinha linda, a pequenina Nina, me bateu um flash-back dos primeiros dias do Gutão, uma saudade tão boa...(Avó deve sentir isso ao quadrado na hora em que pega um neto no colo). Eu fiquei ali, com aquele pacotinho rosado, vendo a dificuldade dela pra mamar, pegando em sua mãozinha petetica, observando os sorrisos involuntários, ah, como é lindo viver esse milagre!! A Nina nasceu menorzinha que o Miguel, com 2,8kg e 49 cm. De todo modo, foi maior que o Augusto, que chegou com 100 gramas e 3 centímetros a menos, vocês lembram?! Ela é toda doce, tem cabelinho preto, e, à primeira vista, me pareceu parecida com o Duda, o pai. Também não engatou de primeira nos peitões da mamãe, assim como aconteceu com Gutão. A Dani está usando de técnicas que eu usava, como deixar a bichinha pelada, pra ver se ela reage. Vai reagir, tenho certeza. É um baita aprendizado pra quem estava acostumado ao bem-bom do barrigão. Estamos aguardando pra essa semana também a chegada do Enrico, filho do Ale e da Evelyn. Esse aí parece que não quer deixar a vida boa, não. Mas hoje é mudança de lua, se não me engano, e a gente tá torcendo pra receber notícias da chegada dele!!

Gutão fica todo animado quando fala dos "amigos". Já decorou o nome de todos os da turma da escola: "Aninha, Gabiel, Buno, Gabiela, Kailani, Equile (Eric!), Clara". São oito, com ele. E já estão super entrosados. Filhote está um tanto mais seguro. Ontem chegou na escola carregando a lancheirinha e foi em direção ao pátio assim que a tia ofereceu a mão. Dei tchau praticamente no portão de entrada. Fiquei tão orgulhosa de ver meu pequeno "indo"! Hoje já não foi, assim, tão de primeira. Gutão pediu preu ir junto até o carrossel. Eu me despedi e ele quis colo. Mas, aí, a tia Verônica lembrou que era dia de aula de música e ele foi pro colo dela na hora. Seguiram juntos pra procurar o violão do "Jack Johnson". Gutão a-do-ra as músicas do surfista! Nós também adoramos e dançamos muito, os três, juntos. Gutão balança o corpinho e morre de dar risada. Ouvir música é sempre um momento de diversão garantida.

Hoje é quarta, dia 15. Dez dias pra festinha do segundo aninho do filhote. Praticamente tudo pronto. Os convites, feitos pela Malu, do Matheus, já foram impressos (ficaram lindos, em papel reciclado!). As lembrancinhas já estão devidamente arrumadas nas sacolas. Os doces e os salgados, encomendados. Os palhaços-recreadores, contratados, e os brinquedos, idem. Só falta agora descobrir como vamos fazer pra encher os balões com gás hélio (quero enfeitar o teto do salão, sabe?). A loja onde compramos tem o compressor, mas minha dúvida é: como é que vamos transportar 50 balões cheios num carro só??? Se alguém tiver uma dica, será bem-vinda. Já pensei até em ver se tem loja que aluga o compressor pra gente fazer tudo no salão de festas mesmo...E viva o Gutão, lindão!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:07 AM


Sábado, Março 11, 2006


Testando os limites?


Foi só eu elogiar que a coisa desandou. Gutão dormiu pessimamente ontem, sexta pra sábado. E quando eu digo péssimo é péssimo mesmo...Não me lembro de uma madrugada tão difícil, nem nos piores dodóis dele...Embora tenha ido deitar com certa facilidade e tenha adormecido logo, duas horas depois, exatamente no momento em que eu e o Rô estávamos começando a pegar no sono, Gutão despertou e o drama começou. Filhote já chamou chorando. Queria minha presença na cama. Fui lá, tentei relaxá-lo e ele quis o pai. Eu expliquei que o papai estava dormindo no quarto ao lado e coisa e tal. Não bastou. Gutão queria "ver" o papai. Depois de uma meia hora tentando convencê-lo a adormecer outra vez, o Rô apareceu. E quem disse que filhote se acalmou? Tá, voltou a dormir, mas, pouco tempo depois, acordou e começou a chorar novamente. E lá vamos nós: chororô digno do pior dramalhão mexicano como trilha sonora, pai e mãe zumbis, criaturinha que não sabia o que queria. Ora era leitinho, ora era ver a lua, ora era ficar no colo. Foram tantas as idas e vindas do nosso quarto pro quarto dele que, a certa altura, eu joguei a toalha. Perdi a paciência. Falei grosso, coloquei o menino de volta no travesseiro e esperei a "rebordosa".
E ela veio. Gutão chorou ainda mais alto, insistiu ainda mais que queria colo (e dessa vez só servia o do papai!). E lá se foram mais uns quarenta minutos sentados, eu e o Rô, porque filhote só queria saber de ficar em pé na cama, chorando aos berros, nervoso, contrariado, irritado. Enquanto ele queria sair da cama a todo custo, eu repetia meu mantra: "não vai sair, é de noite, é hora de dormir". E ele berrava, e dizia "qué colo do papai". E se agarrava no Rô. E eu repetia tudo outra vez. Não faço nem idéia de que horas eram, certamente pra lá de três da madrugada. Por volta das 5h, nova solicitação. O Rô foi atender. Gutão queria leitinho (embora não tenha tocado no copo todas as vezes que assim solicitou). Gutão queria ver desenho. Gutão queria ver a noite. Fomos, os três, pra sala. Sentamos no sofá, e, depois do chilique, Gutão se aninhou no meu colo. Não achava posição, obviamente. Voltamos pro quarto da televisão. Deitamos juntos no Futon. Ele virado pra janela, porque queria-porque-queria adormecer olhando a noite (eu posso com isso!!!!!!). Até que dormiu. E eu fiquei ali, completamente torta e espremida, agradecendo aos céus o fato dele ter se rendido. O Rô dormia no nosso quarto. Eu voltei pra nossa cama por volta das 6h, eu acho.

Gutão acordou, dessa vez pra valer, às 7h30. O pai acudiu até a babá chegar (graças ao bom Deus, havíamos combinado que ela viria hoje pra nos liberar para o programão "compras de lembrancinha de aniversário na 25"). Gutão acordou com olheiras, irritado, choramingão. O Rô voltou pra cama por volta das 9h. Combinamos de dormir só meia hora pra não sairmos às compras na hora do almoço. Hã-hã. Capotamos até às 11h30. Fomos voando pro Centro. Gutão ficou dormindo, completamente exausto, no Futon. As compras? Foram ótimas. Tudo baratinho, lindo, exatamente do jeito que eu imaginei. Até já arrumei as sacolinhas. Tem pra menina e pra menino. As delas vão recheadas de pulseirinhas, ferrinho de passar roupa, jujubas e carrinhos delicados (já que o tema da festa é esse). As deles têm...adivinhem? Carrinhos de todos os tipos, adesivos, bonequinhos, apitos e coisas do gênero. O mais legal de organizar a festa em casa é essa parte: fazer as coisas do jeitinho da gente, imaginando o que vai agradar, o que vai ser útil, o que vai ser apenas pra "ver" e deixar de canto. Curto muito esses preparativos; é meu jeito de celebrar a chegada do meu Gutão. Falando nele, passou o dia otimamente bem com a babá e com a filha dela, a Renata. Deu risada vendo o Nemo, dançou, passeou no prédio. Elas voltaram pra casa no final da tarde e Gutão foi com o papai na pracinha, enquanto eu tentei descansar um pouquinho. Não deu. Quando fico muuuito cansada, não consigo dormir assim, de bate-pronto. O Rô foi cortar o cabelo, Gutão foi junto (e, segundo o papai, ficou super comportado, observando as tesouradas na cadeira ao lado!) e eu fiz calda de chocolate prum bolo simples que a Marcia deixou no forno.

Veio a noitinha, Gutão tomou banho e a ladainha recomeçou. Deu de, a todo instante, dizer que quebrar alguma coisa. E eu explico que, se quebrar, vai ficar sem o brinquedo ou a coisa em questão. Aí, ele diz que quer jogar o objeto no meio da rua (sim, ele sabe que, no meio da rua, o carro vem e machuca!). E emenda que quer sair de casa (hein, fugir aos dois anos não vale!!). E pede, chorandoooooo, pra comer o iogurte do solzinho (Ninho Soleil, descoberta recente). E choraminga, e grita, e enche o saco. Jantou parcas colheradas, quis suco de manga, pediu bolo de sobremesa. Depois quis leitinho. Tomou tudo, pelo menos. E pediu iogurte outra vez. Eu disse "acabou, amanhã a gente vai no supermercado comprar mais". Pronto. Senha pra novo chilique. "Qué quebrá, que se jogá", qué não sei o quê. Eu e o Rô ficamos no quarto da televisão, passados, e ele foi perambular pela casa resmungando, chorando, dramatizando. Voltou e eu já tava aqui, escrevendo no blog, pra ver se, botando no papel, tudo isso faz algum sentido. Haja paciência pra lidar com um ariano birrento, vou te contar. Será essa a temida fase do teste dos limites? Será dente nascendo? (aliás, quem souber responder: aos dois anos tem algum dente previsto?). Será insegurança? Será que ele tá sentindo muito a nossa falta? Será que a disputa com os colegas na escola tá gerando medo? Será que ele tem pesadelos????????? (sim, porque doença não é. Ele passa o dia bem e só se revolta na hora de dormir, certo?) Ou será que é assim mesmo, que toda criança e toda família passam por isso até encontrar a sua normalidade?????????
Só sei que são dez da noite e Gutão já capotou, literalmente. Quase não aguentou colocar o pijama. Dormir foi fácil. Deus permita, de verdade, que essa madrugada seja só um pouquinho mais tranquila pra nós três. Amém.

posted by JULIANA DE MARI 10:36 PM


Sexta-feira, Março 10, 2006


O tempo de cada um


Gutão tá um figuraça. Fala que nem uma matraca. Repete absolutamente tudo que a gente diz. Capta fragmentos de frases nossas e repete na versão dele. Completa as músicas, imita os bichinhos e dança rebolando, na ponta dos pés. Tá tentando pular, na verdade. Acho que logo, logo vai conseguir. Mais adaptado na escola, já fala em ir depois do leitinho da manhã e, pasme, em voltar depois que já voltou pra casa! Ainda solta um "mamãe vai junto" quando o portão se abre e a tia o convida a entrar. E eu vou, claro. Fico meus dez minutinhos de praxe, falo o bordão "mamãe vai trabalhar", ele devolve dizendo onde, eu dou beijo e abraço, e, aí, sim, me vou. Mas, hoje, uma grata surpresa: Gutão não só entrou carregando a própria lancheirinha como andou metade do caminho até a turminha dele. Foi que foi. Até que lembrou que eu tinha ficado pra trás. Virou, me chamou, "mamãe vai junto", e voltou pra me buscar. E eu fui, segurando na mãozinha dele, tão feliz de ver que o tempo dele tá chegando, sabe? Que é melhor fazer assim, respeitando o processo dele sem atrapalhar o dos outros, claro. É tão melhor passar a mensagem de que ele pode, sim, sentir o terreno antes de se atirar, que é legítimo querer segurança e que tentar e tentar e tentar é mais do que necessário. Porque pra quem arrisca dar mais um passinho, como Gutão deu hoje, chega uma hora que o caminho já se foi todinho. Ruim é só empacar...

Pois bem, a vida com Gutão anda muito divertida. Ele continua soltando cada uma que eu realmente não sei de onde tira. Ontem, hora do nosso jantar, Gutão sentadinho no cadeirão, pertinho da gente, começa: "mamãe é mainha", "vovó é mainha" e pára, e pensa, e continua: "vovô é mainho!". Perfeito! Hoje, me pedindo pra cantar a música do "irmãozinho", pega o guarda-chuva dele, começa a bater no chão (pra quem conhece, imitando o que a dupla do Palavra Cantada faz no DVD) e aí o papai é quem começa a cantar: "mamãe vai me dar um irmãozinhoooo..." e Gutão continua: "que booom!". Hilário!!!!! Quê mais? Já sabe enrolar a gente, esse menino. Despertou hoje às 6h da matina e não houve cristão que o convencesse a ficar mais 15 minutinhos na cama. Entre um e outro argumento, diante da insistência dele em assitir o Cocoricó (hein?), eu digo: "filho, tá todo mundo dormindo ainda. O Julio, o Nemo, o Caillou...". E ele, abismado, olha pra janela, fechada, diga-se, e manda: "O sol já chegou" (como quem diz, não me enrola que eu não sou bobo!). Tá, aí, a gente não teve outra opção: vamos lá fazer leitinho e comer melancia antes das sete da matina.

Falando nisso, hoje resolvi adotar uma nova tática pra ver se Gutão ganha mais confiança pra adormecer sozinho. Ele tá numas de ter uns chiliques de vez em quando e eu sempre converso dizendo que, enquanto ele chora, eu não consigo entender o que ele quer. Hoje comecei a dizer que é nenezinho que choraminga. Contei que a Nina choraminga porque é pequenininha, mas que ele já cresceu, já vai fazer dois anos e não precisa mais choramingar pra conseguir atenção. Ele já sabe pedir. Ele já sabe falar. Claro que, no meio do escândalo, dificilmente, ele me atende. Mas sei que tá ouvindo. Claro também que criança fazendo manha enche a paciência de qualquer um e claro que eu também não sou de ferro e deixo claro o limite da minha boa vontade. Antes, explico, converso, pergunto. Depois, é chega e pronto. Se quiser, que fique chorando sozinho no chão do quarto. Ah, eu preferia pegar no colo, dar mil beijinhos, acalentar, mas não iria resolver absolutamente nada. Quando Gutão fica, assim, brabo e descontrolado, o melhor a fazer é deixar rolar. E tentar não se importar. Aí, ele mesmo se percebe, se manca.

Bom, retomando o assunto, Gutão teve um chilique antes de dormir hoje, ainda no quarto da televisão. Não queria deixar trocar a fralda e colocar o pijama de jeito nenhum. Já tinha tomado o leitinho, tava ali brincando, mas, sei lá porque cargas dágua, se irritou com a Girafa e pronto, começou a ladainha. Tava cansado, meu bichinho, visivelmente cansado. Muita calma nessa hora, com a ajuda do Rô, consegui trocar o menino e levar pro quarto e já fui, eu, engatando na minha ladainha. Com voz de historinha, bem tranquila, comecei: é que Gutão já vai fazer dois aninhos e, nessa idade, as crianças estão aprendendo a dormir sozinhas. Porque dormir é uma coisa boa. E é só fechar os olhos e deixar o sono vir. E o papai e a mamãe vão estar sempre pertinho, no quarto ao lado, se ele precisar. (e ele, fofo, diz papai e mamãe mola no colação, ai!). E eu conto que ele era pequenininho e não sabia mamar, mas aprendeu. Que não sabia sentar, mas aprendeu. Que não sabia engatinhar, mas aprendeu. Que não sabia andar, mas aprendeu. Que não sabia vestir o pijama sozinho e (quase) aprendeu. Que não sabia comer sozinho, e tá aprendendo. E que não sabia dormir sozinho mas vai aprender.
E sabe que, por hoje, deu certo? Ele relaxou, chamou um tantinho, eu respondi dizendo que ia estar ali, no quarto ao lado, e ele arrumou a posição e dormiu em dez minutos???? Ai, meu Santo Expedito, permita que eu tenha achado a chave pra mobilizar meu Gutãozinho. Parece que é isso: reconhecer o tempo e o aprendizado dele. E deixar claro, muito claro, que estou (estamos) ali, disponíveis, atentos, pra sempre que ele precisar.

Boa noite, "mi" amor. Mamãe te ama do tamanho do mundo.

posted by JULIANA DE MARI 11:10 PM


Terça-feira, Março 07, 2006


Boa hora!


Acordamos com uma notícia maravilhosa hoje: a Nina está chegando! A Dani começou a sentir contrações na madrugada e me ligou por volta das 7h pra avisar da novidade. Parecia tranquila, aquela serenidade que bate quando a gente "realiza" o milagre que se avizinha. Não tive mais notícias, mas imagino que, a essa altura, a pequena já nasceu (sim, nasceu, terça-feira, dia 07, por volta das 11h). Que minha afilhadinha venha com muita saúde, muita alegria, preparada pros paparicos dos dindos babões!! Sim, porque o Rô tá numa ansiedade de dar orgulho!!!!!
Gutão acordou mais tarde que o habitual (mais uma vez, perdemos a hora da escola!) e a gente contou da novidade. Ele ficou feliz do jeito dele, repetindo: "a Nina nasceu". Vai ser bonito ver meu pequeno interagindo (se é que é possível) com a nenê. Já explicamos que a Nina vai chegar bem pequenininha e que vai merecer muitos carinhos. E eu não vejo a hora do final de semana chegar pra gente pegar o "pacotinho" no colo!!!!!! Vai ser bom reviver esse momento da chegada, essa alegria tão intensa, esse encontro tão especial. É bom pra ir atiçando a nossa vontade.

Por falar nisso, antes de pensar em "embarrigar" outra vez, preciso me cuidar. Fisicamente, digo. Psicologicamente, me sinto bem, à vontade com a maternidade, feliz com as minhas escolhas, inteira com o Rô, enfim. Retomo a terapia esse mês, só pra não deixar os parafusos "enferrujarem"! Mas preciso mesmo é ficar mais à vontade com o corpitcho pós-Gutão. Ah, muda, né? Tá, pra algumas felizardas não muda tanto assim...Não foi meu caso. Além de estar uns três quilinhos acima do desejado, me sinto, digamos, diferente. Minha barriga, então, putz. Olho e, definitivamente, não gosto do que vejo. Sei que não é pra tanto, mas é como me sinto, não me reconheço -- e é isso o que interessa. Bom, já me matriculei na academia e amanhã, sem falta, começo na esteira. Tenho que fazer o teste ergométrico pra começar a natação também. E entre uma coisa e outra, quero (e vou!) fazer uns abdominais, dar uma malhada, e tudo o mais a que me animar. Todo mundo me diz que é só começar que vira hábito. Vamos ver. Como vou levar Gutão na escola cedinho, estou chegando cedo no trabalho também. É esse tempo novo na agenda que vou aproveitar pra me cuidar. E vou retomar a drenagem também, uma vez por semana. Alguma transformação boa há de ocorrer!!!!

A escola vai bem, obrigada. Gutão ainda chega inseguro, mas logo se solta e vai com as "tias" numa boa. E é só eu dar a despedida (mamãe vai trabalhar) que ele desencana. Hoje a turminha tava brincando de "casinha". As meninas ninando suas bonecas e os meninos empurrando carrinhos de feira, uma graça.

Estou com preguiça. Amanhã falo mais.



posted by JULIANA DE MARI 11:09 AM


Sábado, Março 04, 2006


Estamos de volta


O feriadão foi uma delícia. Floripa nos recebeu com dias ensolarados, pouco vento e nenhuma chuvarada. O que significa que Gutão curtiu um monte a praia. Tomou banho de mar e até levou sua primeira "vaca". Tá pensando que vida de surfista-mirim é fácil? Foi assim: filhote tava no colo do papai, rodeado pela vovó Lilica e pela mamãe. Tava adorando bater perna naquele mar de águas clarinhas, clarinhas. Aí, veio uma onda maior que as outras e pumba. Só vejo o Rô levantando o pequeno e a espuma estourando na cabecinha dele. Tadinho. Ficou assustado, choramingou, mas não quis sair do mar, não! O mais engraçado foi rever a cena depois, no estilo pegadinha do Faustão, no filminho que o tio Bru fez.
O carnaval teve direito a muita animação no desfile de homem vestido de mulher, uma coisa! Vimos tudo de "camarote", no "deck" da edícula. Gutão usou colar havaiano e a camiseta do Eu Acho é Pouco, diretamente de Olinda, enviada pela querida Rapha, mãe do Igor. Se deu saudade do legítimo carnaval pernambucano? Ah, sempre dá. Especialmente quando eu vejo a folia na televisão. E esse ano, que teve Caetano e Ariano Suassuna cantando maracatu juntos, bateu um banzo danado. Mas vida de "expatriado" é isso aí, né? A vida segue aqui, mas as raízes estão lá.

A farra do filhote com os cachorros merece um comentário à parte. São dois cachorrões com cara de Pitbull (a raça é outra, mas eu não sei a grafia correta) e coração de Poodle. Mãe e filho; ela, preta, ele, branco. Gutão correu o tempo inteiro atrás dos dois, e não o contrário. Queria apertar, fazer carinho, dar "comidinha" (as pedrinhas do jardim da vovó Lilica!), mostrar seus carrinhos e bonequinhos. De tanta euforia, chegava junto e berrava na orelha dos dogs, coitados. Padang, o branco, é do Gutão. É maior, mais forte, mais "molecão". Nuza, a mãe, conquistou o direito de ficar dentro de casa, é mais tranquilona, toda amorosa -- parecida com o dono, o tio Bru. Os dois são super bem educados, respeitam um monte o pessoal da casa e souberam respeitar a euforia do pequeno visitante. Em uma ocasião apenas a Nuza estressou com os gritos agudos do Gutão. Deu uma rosnada mais feia, o suficiente pra gente redobrar, triplicar, os cuidados. Gutão adora cachorro, mas eu não o deixo sem supervisão de jeito nenhum. Eu também adoro cachorro, mas sei muito bem o quanto dói uma dentada...Acho saudável ver meu pequeno interagindo com os animais e espero mesmo que esse carinho e respeito o acompanhe pela vida. Bicho alegra a casa, levanta o astral, ensina a cuidar. Como Gutão é destemido, eu o incentivo, sempre por perto, sempre de olho. Pra que botar nele um medo que ele não tem? Eu prefiro ensinar o limite.

Falando em limite, Gutão tá uma pecinha. Muito falante, muito animado, muito lindo. Mas meio "insubordinado" com a mamãe. Não acontece a toda hora, mas quando acontece, haja paciência. Vez por outra, na hora de comer, se sou eu quem oferece a comida, partimos pra guerra. Ele trava a boca, diz não, pede isso, pede aquilo, e não come. Eu tento mudar de assunto, peço pra ele escolher entre duas opções nutritivas (comidinha salgada ou mingau, por exemplo), levo um brinquedinho e tal e coisa. Em geral, desencano e explico que ele vai ficar com fome até a hora da próxima refeição. Foi assim hoje no almoço (delicioso) na casa da Dinda (barrigudíssima da Nina, que deve chegar muito em breve, oba!). Miguel comeu tudo, sozinho. Gutão rejeitou tudo, só aceitou suco de uva e meia pêra. Tava fascinado com os brinquedos alheios e com sono. Ok, nada melhor que não insistir.
Tem vezes, no entanto, em que vamos num crescendo até o momento em que Gutão definitivamente se irrita e joga tudo no chão. Aí, castigo. Sim, castigo. Agora à noitinha, hora do jantar, aconteceu duas vezes. Levei filhote pro quarto, aos prantos, pedindo colo. Ficou de castigo porque se comportou mal na hora de jantar. Eu sempre explico: ele precisa saber o que fez de errado pra poder assimilar o certo. Ele pediu mingau, e não quis. Pediu comidinha, e não quis. Pediu leitinho, e não quis. Tá aqui, sem comer. O Rô ofereceu um potinho de banana com aveia e ele comeu um tanto, a contragosto. Deus queira que seja só falta de apetite mesmo. Toda vez que ele não come assim, com tanta resistência, eu tenho arrepios lembrando da maldita estomatite...ui.

Também continuamos na "luta" na hora de dormir. É fato que ele tem dormido melhor, desde que a escola engatou. Chama praticamente uma vez só durante a noite, estica até às 7h sem grandes alterações, uma grande conquista! A questão não é mais o "dormir": é aceitar deitar sozinho. Por causa da estomatite, passamos algumas noites deitando com ele. Nunca na nossa cama, muitas vezes na cama dele. E isso é mau hábito, eu sei. Aconteceu o previsto: Gutão agora só quer deitar, se eu deito junto. Chega a empurrar minha cabeça e pedir pra deitar no "travesselo do Gutão". Eu faço a rezinha, dou beijo e abraço, faço carinho no pé e não deito, não. Dou boa noite, e fico ali, sentada, sem olhar pra ele (tática que eu vi no super Super Nanny!). Ele reclama um pouquinho, mas acaba se arrumando e aceitando a condição. Quando ele fecha os olhos, eu saio do quarto. Dá cinco minutos, ele chama. Eu não vou. Ele chora e chora e chora. Eu volto e a gente começa tudo outra vez. Só que isso se repete, por baixo, umas três vezes antes dele capotar de uma vez. E eu tou tão cansadaaaaaaaaaa. Mas hei de continuar firme no propósito de ensinar meu filhote que dormir é bom, que a cama dele é dele e que a mamãe e o papai estão sempre no coração, e no quarto ao lado!!!

Quê mais?
Gutão tá falando tudo. Nos surpreende com frases inteiras, tiradas bem humoradas, lembrança de coisas que até Deus duvida! Vejamos:
- Outra dia, manhãzinha, ele no meu colo pedindo a "petita" e eu repito, pela enésima vez, "petita só na hora de dormir". Ele olha pra mim e diz: "qué domi".
- Gutão senta na motoca, olha pra trás, sorri e grita: "Não vai embola, mi amô!". (É que eu sempre falo isso quando ele assume o papel de motoqueiro da casa!)
- Papai trocando a fralda do menino e ele manda: "Gutão não tem pepeca". Papai sorri. Gutão emenda: "Gutão tem pintão".
- Gutão chegando em Floripa, entra na casa da vovó e diz: "A Bivó não veio, qué ligá pra Bivó". E a gente liga e ele escuta tudo. Fica todo feliz e diz: "Bivó Vandeca tá na casa dela".
- Almoço, hoje, na casa dos dindos. Gutão no carro, todo faceiro, solta: "A Nina tá na barriga da Dinda, a Nina é irmãzinha do Miguel".

Fora que o menino deu de falar as palavras terminadas em "o" de um jeito muito, muito engraçado. Parece sotaque de americano! Fala assim: "juntouuu", "certouuu", "querouuu". Vai saber de onde veio isso.


posted by JULIANA DE MARI 8:07 PM


Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006


Feriadão


Gutão teve baile de carnaval na escola hoje. Como não tive tempo de providenciar uma fantasia, ele foi vestido de "surfista". Roupinha de passear na praia e colares havaianos no pescoço! Também quis usar um óculos azul, que ganhou no aniversário do Theo, e uma estrelinha pisca-pisca que ora pendurava ora queria tirar a todo custo. Chegou na escola meio cabrero, como foi nessa semana inteira, mas atendeu o chamado das "tias" pra se juntar às crianças no tanque de areia azul. Ai, os pequeninhos estavam tão lindos de fantasia: tinha pequena sereia, branca de neve, batman, homem-aranha...Até as professoras entraram na folia.
A do Augusto, tia Carla, estava vestida de "princesa", com um baita vestidão de cetim cor-de-rosa e...tênis nos pés! Só assim pra dar conta de correr de cá pra lá atrás dos seus baixinhos!!! E como ela corre, meu Deus! É admirável o trabalho dessas professoras, viu? A toda hora, um figurinha se rebela e "foge" do grupo. Ou chora porque quer a mamãe e só se contenta se a tia o pega no colo. Ou insiste em lavar a mão, depois que todo mundo já está sentadinho na salinha do lanche. Haja paciência e fôlego!
Gutão tá reagindo melhor à ida pra escola. Quando estou por perto (esses dias eu fiquei mais disponível...chegava com ele, brincava um pouquinho, ia pro esconderijo dos pais e aparecia pra dar tchau por volta das 9h30, horário do lanche deles), ele esboça beicinho. Mas, quando vou dar tchau e digo que estou indo trabalhar, a tia me contou que ele fica numa boa. Não chama mais, não chora mais. Brinca e aguarda a hora da Bá aparecer pra levá-lo pra casa.

Eu entendo que ele reage assim, positivamente, porque foi acostumado assim. Nunca saímos de casa "fugindo" dele. Nunca deixamos de dizer que estamos indo aqui ou ali. Nunca deixei de sair para trabalhar sem antes pedir um beijo, dar um abraço e dizer que amo muito o meu Gutão. E ele nunca chorou nesses momentos, acreditem. Ao contrário. Em geral, ele corre, grita e empurra a porta na minha cara, morrendo de rir!!!! Melhor assim.
Na real, acho que tenho ficado tão (ou mais) sensível e carente do que ele...Sei lá, eu também estou me adaptando à escola, a essa novidade de deixar meu filho "ir". E tem que ser assim, eu sei, mas isso não exclui o sentimento de perda de ambas as partes. Eu queria estar mais lá, com ele, em casa, sabe? Acho que é o dilema da mãe moderna, não tem jeito. Tento não encanar demais com isso, tento fazer meu possível quando é possível, tento não deixar essa "ausência" ser mais importante do que todas as presenças, tento não deixar que nossa relação seja contaminada pela culpa...Eu quero ser e estar leve com meu Gutão. Algumas vezes, o cansaço, a irritação, o mau humor, meu lado "sombra", vão pesar, mas, aí, faz parte. Sou humana, não pretendo e nem quero ser "a mãe perfeita". Enfim, papo pra uma boa sessão de análise na retomada em março!!!

Chegou o carnaval. Minha pernambucanidade sempre fala alto nesses eventos festivos...Queria, de verdade, estar em Olinda, pintando a cara, pulando no Eu Acho é Pouco (aliás, Rapha, Gutão recebeu a camiseta. Amamos, é linda, linda!!!), com as pernas doendo de tanto dançar e subir ladeira! Tem nada, não. Quem sabe, ano que vem, a gente consegue apresentar o carnaval mais democrático, alegre, vibrante do Brasil pro nosso filhote amado?! Esse ano vamos curtir a vovó Lilica e o vovô Zeca, o tio Bru e a Raquel, a Nusa e o Padang, fazer churrasco, dar risada, dançar e cantar em outras paragens.

PS: em breve, conto notícias do aniver do Gutão. Tou "pelejando" pra dar conta de organizar tudo sozinha!!! Mas vai ser muuuuito legal! O convite, aliás, eu já tenho. A querida Malu, do Matheus, fez. Ficou demais. Beijos, divirtam-se!
posted by JULIANA DE MARI 7:14 PM


Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006


Recomeço


Gutão voltou pra escola na segunda. Foi difícil. A escola estava um caos, um monte de criança choramingando, várias voltando do recesso pós-estomatite como ele. Filhote chegou desconfiado, entrou de mãozinha dada comigo. Reconheceu a tia Carla, os amiguinhos, a Fifi, mas não quis saber de muito papo, não. Só topou desgrudar pra ir brincar no tanque de areia azul. Aí, eu e o Rô demos tchauzinho e ficamos espiando de longe. E aí, ele chorou quando percebeu a nossa ausência. E foi pro colo da tia Carla, todo sentido. Entre uma lágrima e outra, seguiu brincando. Na hora do lanche, criançada reunida, amiguinha Clara chorando horrores, Gutão abre o berreiro também. E chora de soluçar. Tive que entrar em cena pra acalmá-lo. Conversei um pouquinho, ofereci melão, ele tomou suquinho e ficou bem. Deu a hora de trabalhar, a babá foi nos render. Gutão passou o resto do dia sem chorar.

Terça já foi um pouquinho melhor. Gutão chegou acanhado, mas logo aceitou o convite da tia Carla pra brincar. Levou o calhambeque junto e acabou esquecendo por lá. Comeu o lanche, até fez boca de jacaré pra tia Verônica, a assistente. Chorou só um tantinho, na hora em que fui me despedir. O Rô ficou mais um pouco e a Bá o aguardou até o final da manhã.

Hoje, quarta, fui levar ele sozinha, pois o Rô tinha reunião logo cedo. Ele foi animadinho. Já acordou falando na escola, nas músicas da tia Carla (é ótimo: ele pede a da "dona aranha" e eu só sei uma frase!!). Na hora da entrada, quis empacar, mas logo veio uma tia, fez festa e ele foi adiante. Fiquei olhando um pouquinho, ao lado da areia azul, e, na hora em que ele engatou na brincadeira, fui pro lugar dos "pais em adaptação". Na hora do lanche, voltei lá, ele tava comendo tudo, felizinho, felizinho. Expliquei que a mamãe ia no banheiro e sumi outra vez. Quando a Bá foi me render, por volta das 10h, fui me despedir do meu lindo e ele tava lá, empurrando um mini-carrinho de feira, comprando "manga" no supermercado imaginário. Nem me deu bola. E, diz a Bá, que não chorou, não chamou, não fez beicinho. Na hora da despedida do dia, aliás, dançou, cantou, correu, adorou. Que coisa boa!!!!
Vamos ver como vai ser a quinta-feira.

Só pra não deixar passar: Gutão tem dormido melhor (chama ainda pelo menos uma vez na madruga) e acordado mais cedo, 6h30. Hoje, foi direto na minha cama, me dar bom-dia e pedir pra ir junto na cozinha. Deitou de bruços, balançando os pezinhos, cruzou as mãos e ficou me olhando. Eu perguntei:"O que você quer, filho? Quer leitinho? Quer fruta? Quer bolo?". Ele me olhou de volta, mui concentrado e disse: "Qué viajá de avião". Adorei!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:24 AM


Domingo, Fevereiro 19, 2006


Agenda cheia


Sábado foi aniversário do vovô Beto. Gutão ligou pra desejar "feliz anisálio" e o vovô ficou todo contente. A vontade mesmo era estar lá, em Recife, pra dar um abraço gostoso e fazer muita festa pro painho. Fiz em pensamento. Desejei muito mais saúde. E que o tempo passe e ele continue "menino" no jeito de olhar, de sorrir, de levar a vida. Te amo, pai.

Sábado também foi dia de comemorar os dois aninhos do querido Theo, da Rê. Fomos à festa num bufê aqui perto de casa. Gutão curtiu um bocado (e eu e o Rô também). A Rê distribuiu acessórios divertidos pra enfeitar a galera. Gutão ficou todo, todo com um óculos amarelo. Eu coloquei uma tiara com penduricalhos prateados e me achei em pleno carnaval! O Rô usou nariz de palhaço e ficou passeando com um daqueles troços que piscam a quilômetros pendurado no pescoço, sabem qual é? Bom, teve pula-pula, piscina de bolinhas e todos aqueles brinquedos que enfeitiçam a criançada. Teve também um show de música com um grupo de palhaços muito divertidos. Até roda Gutão dançou! E haja comilança, vou te contar. (Rê, obrigada pelo convite. Adoramos!!!!)

Hoje, domingão, o primeiro compromisso do dia foi almoçar na casa da "Bá". Ela já havia nos convidado há tempos e nós resolvemos ir antes que algum outro imprevisto adiasse mais uma vez o grande encontro. Só posso dizer que foi muito especial conhecer a casa da Marcia, a família, ver fotos do Gutão alegrando os ambientes, perceber o carinho com que até os vizinhos se referem ao menino. É mesmo uma sorte ter encontrado uma pessoa tão boa pra cuidar e acompanhar nosso filhote em seus primeiros anos (e eu espero que além deles também!). Gutão correu a valer, ficou encantado com o barulho da chuva, passeou de colo em colo, ganhou a amizade da Gabi, a sobrinha da Marcia de três aninhos, que a toda hora fazia carinho na cabeleira dele. Quer dizer, Gutão cortou o cabelo no sábado. Restaram alguns cachinhos, claro, mas ele ganhou aquela cara inconfundível pós-tesouradas: de moleque sapeca. Também aproveitamos pra visitar a Isaura, nossa faxineira, que mora perto da Marcia e que está sem trabalhar há três meses por causa de um problema de saúde. Ela estava tão ansiosa por nos receber! Gutão ficou feliz ao ver a "Zaula", dançou um pouco no colo dela, comeu pêra e ameixa, tomou suco de goiaba e virou sensação mais uma vez.

Fim de tarde chegando, filhote cansadinho, mas resolvemos esticar. Fomos direto pro aniversário do amigo Max, da Kiki e do Jean-Phi. Era festa à fantasia, mas Gutão foi fantasiado dele mesmo. Foi uma delícia de festa em casa. Balões grudados no teto, muitos brinquedos espalhados por todos os lugares, um monte de criança linda e um show maravilhoso com a turma do Furunfunfun (alguém conhece? Eu super recomendo!). Teve música, marchinha de carnaval, e teatrinho de fantoche. Precisava ver a cara da criançada na hora em que o Lobo Mau apareceu pra acabar com a alegria dos Três Porquinhos! Gutão, no começo, não teve paciência pra ficar sentado, não. Depois, quando os porquinhos começaram a fazer bagunça e o Lobo apareceu, adorou! Riu e gritou tanto!!! Tentou até desvendar o que havia por trás da cortina do teatro. Ficou intrigadíssimo, querendo descobrir de onde vinham os porquinhos e o lobinho. E se atracou nos balões. Trouxemos uns cinco pra casa. Estão ali, enfeitando a sala! A melhor da festa foi o fora que eu dei. Uma menina morena, cheia de trancinhas e com um par de asas verdes nas costas, senta ao meu lado. Eu, querendo puxar assunto, digo: "Que borboleta linda!". Ela me olha, p...da vida: "Não sou borboleta". Eu, ciente que tinha falado besteira, pergunto: "É o que, então?". Ela me olha, espantada: "Sou a Sininho, né?". Dã!!!!! E olha que a pequena devia ter quatro anos no máximo!!!

Gutão, companheirão, adorou os compromissos. Na volta pra casa, segurando seus balões, olhinhos pequeninhos de tanto cansaço, ele solta, espontaneamente: "Foi muito legal". Ah, eu e o Rô ficamos tão felizes!!!!! Já estamos imaginando a alegria que vai ser comemorar os dois aninhos do nosso Pirata.
Filhote já capotou. Espero que tenha uma noite boa. Amanhã é outro dia especial, de recomeço. Vamos à escola, oba!

PS: Só nasce moleque na nossa turma mais "íntima" (sem contar a Nina, da Dani, que vai ser alvo de muita disputa, hahahahaaa). O rebento da Patty e do Julio é menino, mais um. Que venha o Pedro, pois!!! Cheio de saúde e de energia pra fazer surf-trip com Gutão, Miguel e Enrico!!! Já pensou?


posted by JULIANA DE MARI 9:51 PM


Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006


Crescendo juntos


Gutão melhorou da estomatite. E eu descobri que está havendo um surto da doença em São Paulo. Primeiro, a diretora da escola me conta que pelo menos outras seis crianças das turmas da manhã apresentaram os sintomas no mesmo período que Gutão e que algumas da tarde também foram infectadas. Depois, na consulta à pediatra ontem, ela confirma que é mesmo um surto e que a estomatite está no primeiro lugar do que mais incomoda os pequenos, à frente até de otites, pneumonias e rotavírus. Sim, essa última virose, tão temida, judia bastante da criança, lógico, mas não causa tanta dor quanto as malditas "aftas" na garganta e na boca. Mas, enfim, foi-se.

Gutão foi à médica ontem acompanhado apenas do papai e da babá. Eu tive um curso pela manhã que terminou pra lá da uma da tarde, horário agendado no consultório. Diz o Rô que filhote se comportou muito bem. Resmungou um tiquinho pra abrir o bocão, mas acabou colaborando e só ganhou elogios da dra.Ketty. Por causa da estomatite, emagreceu 50 gramas. Apenas. Um fato heróico diante da agonia dele na hora da comida...Se despediu com beijinhos nela e na secretária. Um fofo.

Eu fico mesmo muito orgulhosa do meu menino. Ele é uma criança doce, alegre, vibrante. Continua tagarelando um bocado, adora uma bagunça, ama dançar e cantar, morre de dar risada quando a gente dança junto. É festeiro mesmo, companheiraço. Tá crescendo a olhos vistos. Cheio de cachos cheirosos (vai cortar o cabelo amanhã) e dentinhos branquinhos. Tá viciado no fio dental. Basta avistar a caixinha do dito cujo que pede: "qué fio dental". É assim umas cinco vezes por dia. E ele vai lá pra frente do espelho do meu quarto e "limpa" os dentinhos que é uma beleza.

Continua dando um certo trabalho durante a madrugada. Acorda pelo menos uma vez, chora, pede minha "mãozinha". Dodói descartado, acho que é carência mesmo. Talvez efeito das novidades dos últimos dias: a escola, a ausência real do papai e da mamãe, a perspectiva de encarar o mundo sozinho, a dor que veio com a estomatite, o medo de que ela apareça outra vez...Tudo isso assusta, né? É ter paciência, ficar junto, passar segurança, ajudar a enfrentar mais essa etapa. Não há receita, não há milagre. A vida vai se fazendo diariamente.

Quando Gutão me chama na madrugada, em geral, chama também o pai. Pra não ficarmos os dois, zumbis, pela casa, eu digo pro menino que o papai tá dormindo, mas que ele tá com Gutão no coração. E ele repete, baixinho, "papai no coração". É um amor tão lindo esse, né?

posted by JULIANA DE MARI 12:37 PM


Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006


Lá vem a noitinha...


...e eu tou torcendo, do fundo do meu coração, pra hoje nós termos uma noite de sono. Nem precisa ser inteira, não. Me contento em levantar uma vezinha que seja pra acudir meu filhote. Se o motivo for chupeta perdida ou pé enroscado no lençol, levanto com o maior prazer. Só não quero é mais uma noite em claro por um motivo que eu não sei bem qual é...Sim, ontem Gutão dormiu mal outra vez. Chorou horrores. Me solicitou a todo instante. Quando acordou, perguntei onde tinha dodói e ele falou que era na boca. E abriu um bocão bem grandão, como se quisesse me mostrar lá no fundo, sabe? Liguei pra dra.Ketty na hora, claro. Ela me falou que a estomatite pode durar até uns 10 dias mesmo e que é possível que o "estrago" maior seja mesmo interno. Externamente não há mais sinal das malditas aftas...Conclusão: marcamos consulta pra quinta, Gutão não foi pra escola (e nem vai até passar na médica) e eu estou no pó, um lixo, podre, morta de cansaço.

Passei o dia meio zonza, com uma sensação de aperto no peito, uma angústia, sei lá. Não sei se é preocupação, se é premonição, se é "abuso", como dizem na minha terra, ou se é sono ao quadrado mesmo. Tem horas em que o corpo pede trégua, né? Fato é que voltei mais cedo pra casa, tomei um banho quentinho demorado, pensei muitas coisas boas, e me entreguei ao que mais gosto de fazer: brincar com meu Gutão. Ele tá bem. Sorrindo, gritando, correndo, comendo. Só as noites têm sido difíceis. Muito difíceis. E eu duvido muito que seja apenas manha...Por mais carente que ele esteja, passar a madrugada acordando de hora em hora só por manha é dureza, hein? Algo me diz que é dodói ainda. A gente não vê, mas ele sabe que tá lá. Estamos provando que aquela crença de que "toda dor piora à noite" é mesmo verdade, infelizmente. Será que é a posição, horizontal, que incomoda, hein? Me deu esse estalo agora. Vou colocar um travesseiro um pouco mais alto pra ver se tem jeito...

São oito da noite agora. Gutão foi jogar futebol com o papai e dar tchau pro sol. O sol foi embora e a lua vai chegar. Que chegue trazendo bons sonhos. Que meu filhote durma bem. Que essa agonia no meu peito vá embora. É lua cheia e eu, canceriana que sou, sempre oscilo na maré alta. Mas vai passar.

Pra terminar em alto astral, duas pérolas recentes do Pirata:
- Gutão volta lá debaixo, abre a porta e grita: "Filhoooo"
- Gutão se contorce todo, mamãe pergunta se é cocozão e ele diz: "Não, é punzão"

posted by JULIANA DE MARI 8:08 PM


Domingo, Fevereiro 12, 2006


Março já tá chegando


Acho que descobrimos de onde veio a estomatite. A diretora da escola me ligou na sexta pra dizer que uma amiguinha da classe do Gutão também apareceu febril e com a boquinha estourada. Taí. Era exatamente a menininha que estava sentada na frente do meu filhote em seu último lanche na escola. Lembro bem dela, a Clarinha, branquinha, cabeluda, descabelada, sempre com cara de quem acabou de acordar. Acontece, fazer o quê? Daqui pra frente, o negócio é reforçar a alimentação em casa, conversar com a pediatra pra ver o que podemos fazer pra reforçar a imunidade do pequeno e rezar muito pra ele não ter recaídas tão feias quanto essa...Já tratei de trocar todos os copos e as chupetas que Gutão usou nos últimos dias. Ele gosta desses copos com canudo, super práticos, anti-vazamento -- mas é tão difícil mantê-los 100% limpos, né? De tempos em tempos, eu sempre troco, quando percebo que os canudos estão ficando com "cheiro". Fui ontem na Ecobaby e aproveitei pra comprar pratinhos e colheres novas também. Estamos com um kit-alimentação novinho em folha pro Pirata espantar o vírus e comemorar a volta à escola!

Quê mais? Ontem foi o aniver de primeiro aninho do querido Gustavo, da Gica e do Villela. Uma festa linda, em homenagem ao pequeno e ao Flamengo. A Gica se revelou uma "festeira" de mão cheia: a mesa, enfeitada por ela, tinha direito a campo de futebol e até arquibancadas cheias de docinhos (deliciosos)! Reencontrei uma porção de gente que não via há tempos. Gente que, como eu, há cerca de quatro anos nem pensava em filhos, fraldas e afins. Foi bacana ver todo mundo "crescido". Fora a diversão que foi ver as crianças convidadas usando a camisa de seu time do coração. Tinha de tudo: Vasco, Atlético Mineiro, Internacional, Grêmio. O tricolor gaúcho estava muito bem representado pelo meu Gutão, lindão de azul. Tudo bem que pra conseguir colocar a camisa tivemos que fazer uma verdadeira encenação. Nem com o pai vestindo a dele, Gutão se animou. No último minuto do segundo tempo, sabe lá como, consegui enfiar a dita cuja pescoço abaixo (!!) e ele não pediu pra tirar. Ufa.

Falando em festa, estou às voltas com os preparativos pro segundo aniversário do filhote. É só no final de março, mas não quero deixar nada pra última hora. Ontem fiz a lista de convidados (e como Gutão tem amigos!) e bati o martelo no tema: carrinhos. Fomos ao ateliê da Fabi, amiga doceira, da Sugar, sweet, sugar. Uma coisa mais gostosa que a outra, um bolo mais bonito que o outro. Aos curiosos, recomendo uma visita ao site www.fabiolatoschi.com.br. Pois bem, também já encomendei as lembrancinhas no tema da festa (dessa vez, um presente pras crianças usarem a criatividade!). Estou à espera agora da chegada do kit pra mesa -- toalha, pratos e copinhos, guardanapos e etc. Encomendei na Rica Festa (www.ricafesta.com.br), uma loja bacana que vende tudo pra organização de eventos. A opção 25 de Março existia, mas este ano não estou no pique de ficar batendo perna por lá, não. Claro que vamos gastar um pouco mais, mas meu tempo e minha saúde merecem o investimento!! Ontem também fiquei muito bem impressionada com o serviço do bufê que a Gica contratou: barraquinhas com crepe, mini-hamburguer e mini-pizza. Prático e delicioso. Acho que vou no mesmo caminho. Falta fazer contato com alguma empresa de animação. Quero pula-pula e piscina de bolinhas. Quem sabe, um daqueles animadores que fazem figuras com balão? Vamos ver o que cabe no orçamento. A festa vai ser caseira, mas com "detalhes" profissionais! Gutão merece!!!



posted by JULIANA DE MARI 10:36 AM


Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006


Melhorias


Gutão parece que tá reagindo, graças a Deus! Ontem dormiu melhor (nos chamou "apenas" duas vezes, sendo que, da última, me fez deitar ao seu lado e acordar às 6h da matina pra brincar na sala!). Hoje foi deitar sem chorar. Deu "tchau, dodói", como se, assim, pudesse, de fato, espantar o que incomoda. Deitou com a barriga cheia de leite e a chupeta na boca. Nunca pensei que eu fosse comemorar tanto o fato dele aceitar, e não rejeitar!, a bendita. Segundo contou a Bá, passou o dia bem. Aceitou uma frutinha aqui, outra ali, tomou vitamina, comeu mais um pouquinho do purê de mandioquinha. Desceu pra brincar; lembrou da escola, da professora, da tartaruga. Dançou um bocado, riu outro bocado, e até ajudou o papai a limpar a geladeira nova. Sim, compramos uma daquelas frost free, com direito a congelamento rápido e essas frescuras todas que facilitam a vida da gente. Cheguei do trabalho e estavam os dois com paninho na mão limpando a geladeira antes de colocar as comidas e as bebidas lá dentro. Cena linda de companheirismo dos meus "meninos". Gutão todo empenhado em fazer a parte dele, imitando, orgulhoso, o papai, e, vez por outra, soltando um "tá difícil".

Gutão enche a casa, sabe? Não tem outra definição pro tanto que a vida da gente ficou mais alegre, mais completa, mais "viva", desde que ele chegou. E ele diz e faz cada uma que não tem como a gente não babar. Agora, todo empolgado porque escrevemos o nome dele nos copos, pratos e afins que ele leva pra escola, ele olha e diz: "o nome é...Auguto". E quando a gente pergunta a cor de determinado objeto, ele sempre diz: "azul". E quando fica em dúvida, manda sua própria definição: "amalazul". Um barato! Também já aprendeu que cresceu bastante, virou mocinho e, por isso, ganhou uma cama só pra ele. E como ele gosta de espaço! Dorme todo esparramado. Às vezes, acorda atravessado. Em outras, deita, inteirinho, em cima do travesseiro. Tem horas que enrosca o pé na grade e fica aflito e diz que dói e pede ajuda pra se arrumar outra vez. O berço? A mamãe já explicou que é pro irmãozinho (a) que, um dia, vai chegar. Gutão gostou da explicação. Olha pra lá, fala com os bichinhos e repete: "é pro irmãozinho". Fico só imaginando quando for pro irmãozinho de verdade, o que será que vai se passar na cabecinha do meu filhote?
Vou lá. Que o sol foi embora, a lua chegou (historinha que Gutão repete todo santo dia antes de se entregar a Morfeu) e amanhã é outro dia. Um dia ainda melhor: sexta-feira!

posted by JULIANA DE MARI 11:11 PM


Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006


Um dia depois do outro


Essa é a receita pra não sucumbir ao cansaço: viver o dia, sem pensar no que foi ontem e sem projetar o que vai ser amanhã. A pediatra já tinha alertado que, na escala de dor/incômodo, a estomatite ganha disparado. É uma das doenças que mais incomodam as crianças. E o fato é que estamos comprovando cada palavra, infelizmente. Gutão tá super incomodado. Chora, grita, pede pra tirar "dodói da boca", diz que "machucou", continua sem querer comer, só aceita iogurte e suco de manga (que combinação estranha!), não dorme mais que uma hora seguido e acorda aos berros. Tá carente, carente, carente. Me chama a todo instante. E se eu tou junto, quer o papai também. Tadinho.
A pediatra recomendou uma mistura de remédios, que leva xilocaína, pra ver se dá uma amenizada na dor. É o que ela usa no hospital onde trabalha com crianças em estado bem mais grave (é, existem situações beem mais graves e é preciso relativizar pra não fazer de um dodói "que faz parte" um problemão, né? Continuo agradecendo a Deus por ser "só" uma estomatite que vai passar). Mas eu tou tendo dificuldade até pra passar a tal misturinha na boca do meu bichinho. Tá tudo bem enquanto é só nos lábios. Quando peço pra ele abrir o bocão, quem disse que ele abre??

É preciso mesmo muita calma nessa hora. Eu e o Rô estamos esgotados com as noites mal dormidas. Ele tem me dado uma super ajuda. Estamos em esquema de revezamento nos cuidados com Gutão. Se bem que, quando o menino desata a chamar pela mamãe na madruga, não há boa vontade do pai que dê jeito...Mas é isso, né? Relações duradouras são construídas com uma boa dose de paciência. É assim com amigos, com colegas de trabalho, com quem escolhemos pra casar, porque haveria de ser diferente com um filho? O vínculo maior de amor que alguém pode gerar?

Como Deus é pai, não é padrasto, e como pra qualquer mãe que se preze um "peido" do filho é motivo de alegria, aí vai a boa nova da tarde: a "Bá" ligou pra dizer que Gutão aceitou um pouquinho de purê de cenoura e tomou dois copos de leite! Viva! Ela teve que recorrer à estratégia de adoçar um pouco (uma colher de chá apenas), mas acho que só de quebrar a acidez e motivá-lo a encher a pancinha, já tá valendo.

Pois bem, sigo cansada, sonhando com uma noite inteira de sono (desde que Gutão nasceu, eu esqueci o que é isso...) e risadas alegres do meu filhote pra embalar meus sonhos. Vou renovar meu estoque de paciência com a fé de que, tudo e qualquer coisa ruim, vai passar.
Ah, obrigada pelos recadinhos carinhosos! Gutão nem faz idéia deles, mas certamente ele (e eu!) aproveita muito dessa energia positiva.



posted by JULIANA DE MARI 5:35 PM


Terça-feira, Fevereiro 07, 2006


E veio o baque


Gutão baqueou mesmo. Começou com febre alta no domingo à noite, boca avermelhada, nenê sem querer comer nada. Ontem, língua estourada. Suspendi a escola e pedi pra babá observá-lo durante o dia. Ele tava tão carentinho, tadinho. Pediu pra ligar pra mamãe várias vezes. Eu falava e ele ficava ali, ouvindo, se confortando só com a minha voz...À noitinha, veio o estresse. Eu voltei mais cedo pra casa e fomos direto pro Sabará. Só pra confirmar o que eu já sabia. Estomatite outra vez. Os lábios não chegaram a estourar, mas estão meio esbranquiçados. Dentro da boca há algumas aftas e é provável que haja também na garganta. Gutão não quis saber de comer ou tomar absolutamente nada, a não ser água gelada. O médico explicou que a estomatite pode ter sido desencadeada pelo excesso de sol, sim, mas que não foi provocada por isso. É preciso ter contato com alguém infectado. Ou seja, muito provavelmente, é a primeira baixa provocada (já) pela escola.

Tivemos uma noite do cão. Gutão não conseguiu dormir uma hora seguida. Foi dormir com apenas um iogurte de mel na barriga. Acordava chorando muito, dizendo que tava "dodói" e "machucado", e me pedindo pra tirar o dodói da "boca". Esfregava a mãozinha nos lábios, como se, assim, conseguisse "limpar" o dodói, sabe? Que agonia. Eu tenho herpes (embora nunca mais tenha se manifestado) e, se eu pudesse, eu trocava de lugar com ele mil vezes...Sei o quanto dói, incomoda, machuca. Tadinho do meu bichinho. Eu e o Rô nos revezamos na ajuda ao pequeno, mas eu fiquei mais tempo na cama dele. Era só assim, com palavras tranquilas e massagem, que ele conseguia relaxar. Pra dar idéia do tamanho da agonia dele, nem a chupeta ele queria. Colocava na boca e desatava a chorar. Tadinho.

Não fui trabalhar agora pela manhã. Quero estar por perto mais um pouquinho. Gutão amanheceu choramingando, mas parece que, ao menos, está conseguindo comer um pouco mais que ontem. Aceitou iogurte geladinho, pêra raspada e suco. Não foi pra escola. Falei com a dra.Ketty e ela recomendou uma semana em casa, até ele ficar totalmente bom. Vai ser assim, então. Torçam aí pra ele sarar antes disso...
posted by JULIANA DE MARI 10:27 AM


Domingo, Fevereiro 05, 2006


Terceiro dia


Uma notícia extraordinária: eu e o Rô tivemos "alta" da escola do Gutão!!! É que ele se mostrou tão confortável na nova situação, tão 'a vontade com a tia Karla e os amiguinhos que a diretora resolveu nos liberar da missão "Big Brother da primeira infância"!! Obviamente que eu não vou largar do meu menino assim, né? Ele pode ter se adaptado facilmente, mas eu ainda preciso de uns dias de espiadelas pra garantir que vai ficar (mesmo) tudo bem. Ah, nem é, assim, por falta de confiança nele ou na escola. Eu confesso: é por vontade de guardar mais um pouquinho dessa fase dele na memória. Cada vez que passeio pelos salinhas, que vejo as mesinhas cheias de lápis coloridos, que encontro um nenê sorrindo no Carrossel ou dançando à frente da "árvore encantada", eu me emociono, e dou risada por fora e por dentro. E agradeço à leveza do meu pequeno independente. Sim, porque eu não tenho tantas boas lembranças dos inícios na escola, não. No meu primeiro dia de aula, a mainha conta e eu recordo alguma coisa, voltei pra casa com uma lembrança nada agradável: uma mordidaça na barriga! Lembro também da passagem do quarta pra quinta série, da escola pequena pra grande, de estar longe de casa de verdade, das novas regras, das novas pessoas...me dava dor de barriga de medo (sintoma que, volta e meia, aparece até hoje!!) e eu sempre ia, fazia amigos, curtia o lugar, mas sofria horrores até me acostumar com a mudança. A maturidade vem me trazendo isso de bom: mais leveza, menos expectativas, mais confiança no meu taco e menos medo do improviso.

Mas deixa eu falar de quem interessa. Gutão voltou pra casa na sexta todo animado com as novidades da escola. Aprendeu uma música nova (Caranguejo peixe é) graças a tia Karla. E ele sabe que foi ela quem ensinou. Canta um tantinho, adora a parte do "roda, roda, roda", se balança e diz: "tia Kala". Lindo. Também já sabe o nome de alguns amiguinhos de sala. Fiquei surpresa quando estava vendo umas fotos no computador, ele no meu colo, e ouço um "Gabiel". Sim, era o Gabriel, um japonesinho fofo da turminha dele! Então, é isso. Acho que estamos bem nessa nova etapa das nossas vidas.

Quê mais? Gutão agora sente saudade e pede pra falar com a mamãe no telefone. Na sexta passada, pediu pra "Bá" ligar duas vezes no trabalho. Numa delas, eu estava em reunião. Na outra, me pus a conversar com meu pequeno tagarela e só ouvia as risadinhas de felicidade dele. Eu sei que ele sente a nossa falta durante a semana. E acho que essa carência se manifesta, principalmente, durante a noite. O sono dele continua instável. Não há uma noite sequer que ele não acorde, pelo menos uma vez, chorando e nos chamando assustado...Tem me requisitado mais na hora de deitar também. Eu vou. Faço cafuné, faço a rezinha, faço carinho. Mas não fico à noite toda, não. Acho que é improdutivo pra nós dois. Fico ali só enquanto ele tá semi-acordado, pra dar o conforto que ele pede, mas faço questão que ele entenda que tem que dormir sozinho. Tenho fé que, em algum momento, isso há de acontecer!!!

Hoje, domingão (comecei a escrever o texto na sexta e só consegui acabar agora!), fomos aproveitar o calorão na piscina da Dinda. E bota calorão nisso! Tava uma delícia, mas acho que o sol fez mal pro meu Pirato. Isso é pra gente respeitar de vez o fato de que ele é branquelinha, é criancinha, e que não pode mesmo tomar sol na cuca depois das 10h. É que, depois do almoço caseiro na casa da Dani e do Duda, de muita brincadeira e blablablá com o Miguel, e de um certo entrevero com direito a puxão de cabelo e muito chororô, Gutão capotou. Dormiu quase três horas. Acordou sem querer lanchar. Já achei estranho. E aí começou a ladainha, um chorinho sentido, um chamado insistente, só colo da mamãe. Dito e feito: meu bichinho tá com febre, quase 38.5. Dei tylenol, insisti no leitinho, não teve jeito. Gutão foi dormir com olhinhos marejados, corpo quente, barriga vazia. Tomara que amanhã ele acorde disposto. É dia de escola e ele não merece perder essa alegria.


posted by JULIANA DE MARI 11:19 PM


Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006


Segundas impressões


Felicidade transborda, mas, às vezes, assusta. Gutão teve uma madrugada agitada. Foi dormir pedindo minha companhia -- como tem acontecido quase toda noite. Ele me solicita, eu deito junto, faço cafuné, ele pega minha mão, vira pro lado e relaxa. E dorme. Gutão fica tranquilo, e eu saio do quarto com a certeza de que nosso ritual noturno é um dos momentos mais gostosos da minha rotina de mãe. Mas deixa eu voltar à madrugada de ontem. Lá pelas duas da manhã, Gutão acorda chorando. Muito. Senta na cama, chora, chora. Bate as perninhas, se joga pra trás. Eu e o Rô do lado, atônitos. Será dor de barriga? Mamãe faz massagem. Será dor de ouvido? Papai bate na madeira! Será calor? Neném pede pra ligar o "vrum" (apelido do ventilador). Meia hora de chororô, passeio pela casa, Gutão sem fôlego, rosto molhado, até que dorme outra vez. Eu fico ali, grudadinha nele, por mais meia hora. E volto pra cama pensando e pensando e pensando.

Acho mesmo que a alegria do primeiro dia na escola, a overdose de perguntas da mamãe, do papai, dos avós, a nossa insistência em celebrar, provocou pesadelo. Muita areia prum caminhãozinho só. E Gutão extravazou inconscientemente. Chorou no sono. Mas, graças a Deus, acordou tranquilo e sorrindo pra escola mais uma vez.
E lá fomos nós, de novo, os três. (Aliás, preciso registrar: não é de hoje que o Rô tem se revelado um paizão. Desde sempre trocou fralda, deu banho, enfrentou careta pra dar de comer, enfim. Nessa nova etapa, no entanto, tem se mostrado ainda mais presente, interessado. Inteiro. Obrigada, meu amor. Eu e Gutão precisamos muito do teu sorriso por perto!!!!!!) A escola hoje parecia menos tumultuada. Crianças brincando no pátio, alguns pais e mães ali por perto, outros mais escondidos.

Gutão foi, de novo, direto no tanque de areia azul. Eu e o Rô sentamos num banquinho próximo. E demos muita risada com a cena:
Eric, o amiguinho do prédio, todo empolgado com os baldinhos. Vem uma menina espoleta, de maria-chiquinha e cachos dourados, Thaís, e tenta roubar um brinquedo da mão dele. Os dois começam a gritar enlouquecidamente. A menina leva vantagem e sai correndo na direção do Gutão, que estava atrás dos dois, concentrando em catar um brinquedo pra ele. Quando vê aquele furacão e ouve os berros do amigo, Gutão não tem dúvida: joga o que tinha na mão dentro de um pneu ou coisa parecida que estava ali por perto! Foi tipo assim: "não tenho nada a ver com isso", sabe? A gente deu muita risada! A menina saiu rindo, o Eric logo mudou de assunto e meu Gutão, tranquilão, foi incomodar a tartaruga.

Hoje a hora do lanche foi mais organizada. Sem os pais pra bagunçar um momento que é só deles, os pequenos se saíram muito bem. Gutão até sentou com os amiguinhos, mas logo escapou da mesa coletiva, mais uma vez. E foi tomar suco sentado no pátio, fazendo carinho na Fifi, e recebendo melão na boca pelas mãos da tia Karla. Um amor, a professora. Morena, cabelos compridos, sempre sorridente, a paciência em pessoa. Pancinha cheia, nenéns foram brincar na salinha de brinquedo. É assim: as turminhas de crianças menores não têm sala própria. Vão fazendo rodízio pelas diversas salinhas da escola, de acordo com a brincadeira da vez. Quando uma turma está no pátio, outra está fazendo música, por exemplo. Enquanto uma turma está nos brinquedos, a outra vai pra salinha do lanche. E assim o dia passa. Depressa e cheio de novidades.

Gutão adorou a sala de brinquedos, cheia de carrinhos, motoquinhas, telefoninhos e coisinhas bonitinhas assim. Ficou de um carrinho pro outro, e eu e o Rô espiando, escondidos atrás da parede. Filhote foi no colo da tia, falou no telefone, brincou e brincou. Nós, os pais babões, passamos a maior parte do tempo longe dele. Num espaço na entrada da escola, onde é feita a despedida do dia. Estavam lá meia dúzia de pais babões como nós. E eu fiquei bem feliz em ver que os pais, sim, os homens, estão presentes também. Todos nós, ali, com o coração meio na mão, curiosos pra saber o que cada um dos filhotes estava fazendo, como estava se sentindo, se sentia nossa falta, se chamava nosso nome. Volta e meia, vinha um choro lá longe. E, em seguida, aparecia uma tia com um nenê no colo, mostrando a ele que o papai ou a mamãe, ou os dois, estavam ali, tá vendo? Trocamos impressões sobre o primeiro dia de escola e, para meu conforto, muitas contaram que a noite de ontem em casa também foi agitada.

Me despedi do meu Gutão às 10 e pouquinho. Compromisso no trabalho. Gutão abriu um sorrisão, me fez festa e foi tomar água com a tia Karla. O Rô ficou. Esperou filhote até a hora da saída, por volta do meio-dia. Contou que Gutão, a certa altura, o viu e acho que lembrou da mamãe, e chorou um tantinho. Mas logo passou e foi brincar de massinha com os amiguinhos.
Ai, fico assim dividida: feliz por essa separação saudável e agoniada por não poder ficar lá, o tempo todo, todo tempo. Mesmo escondidinha. No fundo, tou ausente só de corpo físico. Minha cabeça, meu coração, ficam sempre pertinho do meu Gutão. Espero mesmo que ele saiba disso.


posted by JULIANA DE MARI 11:13 PM


Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006


A primeira vez a gente nunca esquece


Vai ser difícil esquecer a felicidade que senti essa manhã. Por si só, Gutão em seu primeiro dia na escola, já seria um grande acontecimento. Do jeito que aconteceu, então, me fez grudar um sorriso no rosto e passar o dia agradecendo à vida viver.
Foi assim: acordamos às sete. Eu e o Rô, brigando com o relógio, ansiosos pra não chegar atrasados na escola. O Rô, preciso registrar, parecendo, ele, o iniciante. Eu tava ansiosa, claro, mas algo me dizia que ia ser legal, que Gutão, mais uma vez, ia nos dar lição. E deu.

Chegamos à escola festejando. Passamos a semana nesse clima, aliás. Preparando Gutão para o grande dia, falando da escola com alegria, contando todas as coisas boas que ele vai vivenciar daqui pra frente, os amigos, as brincadeiras, o aprendizado. Ele ganhou um livreto com desenhos pra colorir que mostram os ambientes da escola, a tartaruga Fifi, a Branca de Neve e os sete anões do pátio. E coloriu um bocado. Do jeito rabiscado dele, desenhando fuscas e gatinhos imaginários.
Não deu pra estrear o uniforme hoje. Deixamos pra comprar na última hora e não havia mais pra pronta-entrega. Encomendei a farda de verão e de inverno e também etiquetas adesivas com o nome dele. Mas Gutão foi à escola trajado nos tons corretos: camisa pólo manga longa azul clara e short azul escuro, meias brancas e tênis. Cabeleira encaracolada, carinha de sono, olhinhos curiosos. Adentramos o pátio pouco mais de oito e meia da manhã, atraso mais que permitido nessa estréia. Gutão chegou falante, gritando "êba, escola, êba, escola". Chegou mansinho, com aquele jeitinho calmo que só ele tem, observando tudo, olhando todos. E eram tantos os pequenos! Só na turminha dele serão 13, uma professora e duas assistentes pra dar conta de tanta demanda!

Gutão deu sorriso quando viu a areia azul. E largou da gente. E foi com a "tia Karla", a professora, brincar. Ficamos, eu e o Rô, máquina fotográfica a postos, registrando esse encantamento. Gutão brincou e brincou. E saiu do tanque de areia direto pro banheiro pequeninho. Foi com a assistente Verônica lavar a boca. Abriu bocão de jacaré, nem reclamou. Eu e o Rô, hilários, escondidos atrás da parede, tirando mil e uma fotos, com medo de estragar a espontaneidade dele com a luz estouradaça do flash.
Vez por outra, Gutão levantava o olhar e procurava o nosso. E sorria quando nos encontrava. E continuava brincando. Ficou doido com a tartaruga. Queria fazer carinho na cabeça dela a todo custo. A coitada, assustada, se escondia toda. E Gutão sacudia o casco. E eu dizia: "filho, faz devagar, faz com carinho". E ele repetia o que eu dizia. E até tentava -- mas a Fifi recuava. A certa altura, quando dei por mim, a bichinha tava lá, tentando se metamorfosear entre as plantas do jardim!! E Gutão, indignado: "cadê a tuluga?". :-)

Chegou a hora do lanche, aqueles cotocos curiosos se amontoando na salinha coletiva. E quem disse que queriam saber de comer? Gutão mesmo só tomou o suco de goiaba e priu. Nem tocou nos biscoitos, muito menos na pêra. Repetia, agoniado: "qué sai, qué sai". E saiu. E voltou pro pátio pra "girá" no carrossel. (Eu adoro carrossel. Tem cheiro de infância). Gutão girou e girou e sorriu e bateu tanto os pezinhos. Feliz.
E fez amigos. Amigas, na verdade. Mariana, uma pequena de cabelinho liso feito Aritana, e Maria Eliza, morenaça de praia, doida pra ficar só de calcinha, livre e sorridente. Não notou muito a presença do amiguinho do prédio, o Eric, que também não deu muita bola pra ele, verdade seja dita. E fomos ficando até às 10h e pouco. E bateu a hora de vir trabalhar. E, fato inédito, Gutão não queria ir embora da escola!!!!!! A gente explicava que tinha que ir embora (as professoras recomendam uma adaptação gradativa nesses primeiros dias), que o papai e a mamãe iam trabalhar e ele segurava firme no brinquedo e dizia: "qué ficá".
Foi assim, foi uma alegria. Pra nós e, acredito, pra ele. E amanhã tem mais. Gutão do jeitinho dele, tranquilinho, pelo visto, vai se adaptar antes do que a gente imaginava.

Eu fico mesmo aliviada. Sei que meu menino é carne minha, mas filho do mundo. E fico feliz quando percebo que ele, cuidadoso e no tempo dele, se sente suficientemente seguro pra se soltar. E aí ganho fôlego pra me soltar também. Gutão nem desconfia, mas me faz renascer a cada descoberta dele.
Chorei de felicidade a caminho do trabalho. Me sinto realmente feliz por ser mãe. Dele.

E o mundo gira e meu Gutão cresce.
Te amo, do tamanho do mundoooooooooooooooooooo!
posted by JULIANA DE MARI 7:40 PM


Domingo, Janeiro 29, 2006


Ano fértil


Se eu levar em conta as barrigudas virtuais, já são mais de dez amigas com bebê chegando este ano!!
Do nosso círculo "real", tem a Nina, da Dani; tem o Enrico, da Evelyn; tem a Lara, de Beta; tem a Laura, do Patury; tem o baby da Anne; tem o baby da Patty; tem o baby do João; tem o baby da minha prima Marcia. Do mundo "virtual", tem o baby da Pri, do Rafa; tem o baby da Flavinha, do JH; tem o baby da Ly; tem a Mariana, da Gisele, mãe da Giovanna.
Tou pasma com tamanha fertilidade! E confesso que tou ficando animada pra fazer a minha encomenda também!
Que vai ser este ano, isso já está definido. A dúvida agora é "quando". Quero ter tempo pra finalizar um projeto importante no trabalho (que termina em setembro) e não gostaria que o(a) baby nascesse em dezembro. Fazer aniver perto do Natal é roubar o direito dele(a) a uma festinha exclusiva, né? :-)
Quem sabe engravido em maio, mês das noivas? Aí, o(a) nenê nasce em fevereiro.
Vamos ver o que acontece. E podem começar a fazer suas aposta. Será que vem outro moleque ou uma princesinha por aí?
posted by JULIANA DE MARI 11:37 AM


Sábado, Janeiro 28, 2006


Faltam dois meses pros dois anos


Pois é, Gutão completou ontem um ano e dez meses de vida. O que significa que faltam apenas dois meses pro segundo aniversário do meu filhote. Quero organizar uma festa bem divertida, com direito a muitas brincadeiras e muitos convidados, pra Gutão correr, dançar, pular, gritar e esbanjar aquele sorriso de felicidade que só ele sabe dar. Ainda não vai ser dessa vez que vamos recorrer a um bufett. Quero ter o prazer de decorar o salão de festas, de encher balões, de arrumar a mesa das lembrancinhas. Mas esse ano vou recorrer a alguns serviços especializados, pois minha parceira do ano passado, a dinda Dani, na época do aniver dos meninos (Miguel faz aniversário três dias antes do Gutão), provavelmente vai estar na maternidade, recebendo minha afilhadinha Nina!!!

Ah, a gente precisa comemorar muito o tanto de novidades que esses quase dois anos juntos já nos trouxeram!!! Coisa tão boa quanto a primeira vez na escola. É, as aulas do Gutão começam na próxima quarta, dia 01 de fevereiro. Preciso providenciar uniforme, lancheirinha, escova de dente. E como eu gosto de "organizar" esses momentos! Tenho certeza que nosso Pirato tá indo pra escolinha na hora certa, no tempo dele. Tenho certeza que escolhemos a escola seguindo os melhores critérios pedagógicos - e a nossa intuição. Tenho quase certeza que a adaptação vai ser natural, causando alguma estranheza no princípio, mas sem causar grandes estresses nem pra ele nem pra nós.

Sim, porque se tem uma coisa que eu posso afirmar é que nosso filhote é um serzinho muito sociável. Tem demonstrado certa timidez nos primeiros contatos, coisa mais parecida com charminho do que com vergonha propriamente dita. É isso: Gutão é muito charmoso. Tem um olhar meigo, um sorriso franco, um jeitinho doce. Ele é mesmo um garoto encantador. Deixa eu "objetivar" essa impressão, pra não ficar parecendo coisa de mãe cancerianamente coruja: Gutão é curioso, e gosta de papo, e faz carinho, e pede e dá atenção, e é alegre, e gosta de participar, e é companheiraço, e sabe fazer piada, e não poupa risadas. Como diria o mapa astral dele (recomendo muitíssimo: www.personare.com.br), eu percebo que Gutão é um serzinho que gera empatia. E que sabe ser "político" até na hora de brigar pelo que deseja. Na pracinha, não é dado a chiliques, não. Em geral, empresta os brinquedos na boa; aceita trocas justas; vai e volta e vai e volta, tranquilinho, até tomar da mão do outro o objeto de desejo da vez. Mas quando fica nervoso, sai debaixo! O menino resmunga, fica vermelho, fala feito uma matraca e só pára quando o "inimigo" desiste. Que ninguém provoque a sua fúria, pois!!!

Um ano e dez meses de vida e estamos assim:
- Gutão adora música: cantar e dançar são verbos muito conjugados aqui em casa. E dançamos a três agora, um barato! O som predileto? Jack Johson, por favor!!!
- Gutão já surfa sem saber surfar: fica equilibrado nos joelhos da gente e mexe, remexe, e diz que tá "sufando". Papai e titio vão ter companhia antes do que imaginavam!
- Gutão tem paladar de gente grande: come de tudo (parece o menininho da propaganda do "Compra brócolis, mãe!", sabe?). Não recusa nem o primeiro gole do chimarrão!!!
- Gutão tem as pernas pequeninas mais fortes que eu já vi: e deu de "escalar" a gente agora. Se duvidar, escala até as paredes! E gosta de carregar coisas maiores e mais pesadas que ele. E diz, faceiro: "Tá difícil"!!!
- Gutão tem memória de elefante: não passa nada que esse moleque deixe de registrar, é impressionante. Hoje, ele com um carrinho pequeninho na mão, eu pergunto: quem deu o carrinho pro Gutão? E ele responde: "titia Lulu". E completa: "presente de Natal". O Natal já passou há tempos, fala sério, como é que ele ainda lembra disso???

Parabéns, meu Gutão, lindão. Te amo. Do tamanho do mundooooooooooooooo.


posted by JULIANA DE MARI 12:12 AM


Segunda-feira, Janeiro 23, 2006


Cada dia, uma novidade


- Papai diz: "Vamos chamar o elevador, Gutão" e ele manda, sem titubear: "Elevadooooooooor"!!!!!
-
- Mamãe diz: "Gutão te amo do tamanho do..." e Gutão responde: "do tamanho do mundo"!!!!!

- Mamãe troca fralda do nenê e ele surpreende: "Pinto tá duro"!!!!!!

- Gutão faz carinho no papai e diz: "Papai macio"!!!!!!! E deita no meu colo e pede: "Mamãe faz nenê macio" e eu fico lá, alisando o barrigão do Gutão.

- Gutão entra no carro e pede: "Ligar luzinhaxx, ligar farol"!!!!!! E diz: "Mamãe trabalhá de carro".

- E pede pro papai "Ligá lificadô (liquidificador)" pra fazer "suco de banana". E pede pra esquentar "leitinho" no "microondaxxxx". E nesse calorão vem inovando: toma leitinho a temperatura ambiente. Ontem, dia mais quente do ano em Sampa, chegou a tomar leitinho gelado mesmo.

- E pede pra tomar "banho de chuveiro". E pede pra lavar as "mãozinhaxxxx" (ele prolonga o "s" e faz um som tão bonitinho!).

- E não gosta de ficar molhado. A fralda vaza e Gutão reclama: "Xixi na cama, trocá fralda".

- E faz coco e diz: "Fazendo cocozão, trocá fralda".

E a cada dia o nosso amor cresce. E a casa fica mais alegre. E, a três, a gente vai descobrindo que felicidade tem cheiro, tem som, tem cor. E que estar junto é estar em paz.

posted by JULIANA DE MARI 11:10 PM


Sexta-feira, Janeiro 20, 2006


E o ano começou


Estamos de volta à paulicéia. Mais leves, mais unidos, certamente mais felizes, depois de férias tão ensolaradas. Minha apreensão em relação ao vôo de Recife pra cá, cheia de tralhas pra carregar, mostrou-se uma bobagem. Alguém já disse que, é só confiar, os bebês fazem sempre a parte deles. Gutão, tecnicamente, não é mais um bebê, mas ajudou um bocado. Dormiu três horas seguidas, do momento em que o avião decolou até a aterrissagem! O ruim da história é que chegamos mortos de fome, pois o vôo era bem no horário de almoço e nem água consegui tomar!!!

O reencontro com o Rô foi tocante. Gutão ficou tão feliz, mas tão feliz de reencontrar o paizão que inaugurou mais uma: desandou a dizer "te amo, papai". Lindo, lindo. Agora, começou a dizer "te amo, mamãe" também, mas o alvo predileto das declarações do mocinho é mesmo o pai. Declarações, aliás, sobram na boca do figura. Gutão, um ano e nove meses, fala tudo. Dá pra conversar mesmo, verdadeiros "diálogos". Ele constrói frases, usa o tempo verbal certo, repete meus diminutivos (mãozinhas, leitinho, descansar um pouquinho e por aí vai) e sabe usar as palavras direitinho (olha meus diminutivos aí outra vez!). Diz quantos anos vai fazer ("doix"), diz quem chega depois que o sol vai embora ("a lua"), diz o nome dos amiguinhos ("Cidinho", de Recife, "Miguel", "Afa (Rafa)", "Equile (o Eric!!!!)", "João"), diz onde o papai trabalha e onde a mamãe trabalha também.

De tanta vontade de se comunicar, às vezes, atropela as palavras e a gente tem que fazer um esforço maior pra entendê-lo. Mas ele sempre dá um jeito de dizer o que quer, o que está sentindo, o que está pensando. Também tem demonstrado um interesse crescente por tudo o que se move sobre rodas. E aprendeu a fazer suas próprias brincadeiras. Passa um bom tempo na sala com seus carrinhos e caminhões, sozinho, falando, viajando...Deu de chamar um mini-ônibus de "bombi (kombi)", depois que viu uma ao vivo e em cores em Recife. Quando quer companhia, me chama pra "brincar". E eu brinco com tanto gosto!!!

Voltou das férias quase 800 gramas mais gorducho. Pudera. Comeu tanta fruta, mas tanta fruta (eram cerca de três fatias só no café da manhã!), que seria impossível o barrigão não ter crescido! Tá na marca dos 12,6 quilos. Cresceu um centímetro: mede 87 cm agora. Tá na curva proporcional. A dra Ketty ficou bem impressionada! E bateu o martelo no diagnóstico: ele teve mesmo urticária alérgica. Ainda não sabemos exatamente ao quê. Ela levantou duas hipóteses: ou alergia a alguma roupa nova, usada sem lavar, ou overdose de papinha Nestlé. Parece estranho, mas não é. É que as papinhas, por mais saudáveis que sejam, levam conservante, né? E, em Floripa, o Augusto comeu bem mais papinhas do que está acostumado em casa. Em Recife, retomamos a comidinha caseira, mas em Porto de Galinhas, apelei mais uma vez pras papinhas. Daí, diz a doutora, o segundo contato mais intenso com os conservantes, pode ter resultado em alergia. Agora é continuar com o anti-histamínico por mais uns dias e torcer pra essa alergia não se manifestar mais. O mais importante é que a pele dele já está 99% melhor.

Quê mais? Gutão agora dorme mesmo na cama. E desce sozinho quando acorda. Vai, pé ante pé, tagarelando, chupeta entre os dentes, nos acordar no nosso quarto. Uma graça. Eu continuo fazendo "barricada" pra evitar que ele role e bata a cabeça no chão durante um sonho mais agitado, mas sinto que logo, logo nem isso vou precisar fazer. Gutão também avisa toda vez que faz coco. Diz assim: "fazendo coco, trocar cocozão!!!". Por falar em fralda, a noturna tem vazado bastante e olha que já estamos na XG. Gutão detesta acordar molhado na madrugada. Reclama, reclama, pede pra trocar a fralda, choraminga, uma agonia só. Eu entendo, deve mesmo incomodar. Por essas e outras, sinto que o segundo aniversário vai trazer a novidade do pinico entre nós. E o adeus à chupeta, claro. Ele só tem usado pra dormir. Diz assim: "precisa agora". Quando acorda: "não precisa". E pede a caixinha pra guardar a dita cuja. Durante o dia, não tem lembrado da "petita". E tem noites que só lembra no último minuto do segundo tempo, sabe assim?

Legal ver que ele vai no tempo dele, avançando aqui e ali, demonstrando segurança e curiosidade pra avançar de fase, sem deixar nada pra trás. Fico orgulhosa também; de alguma maneira, significa que eu e o Rô estamos sendo cúmplices do filhote em suas descobertas, sem querer acelerar ou reprimir qualquer coisa. Só reprimo "piti", isso não dá pra aguentar. Mas até esses momentos de "histeria" têm sido mais raros. Gutão presta muito atenção ao que é explicado, justificado. Não adianta vir com "não e pronto". Ariano forte que é, ele teima, sorri e faz de novo pra testar nosso limite. O negócio é olhar no olho, manter a calma e conversar. Aí, o bichinho baixa guarda e respeita. Tá certo ele. Merece mesmo todo respeito do mundo.
posted by JULIANA DE MARI 6:49 PM


Sexta-feira, Janeiro 13, 2006


Tá acabando...


Amanhã é dia de chororô: voltamos pra Sampa na hora do almoço. O bom é que ainda temos um monte de coisas legais pra fazer hoje! Daqui a pouco vamos conhecer pessoalmente a Rapha e o Igor. Lini, minha amiga de colégio, vai ao encontro também, com Iana junto, uma menininha linda de um ano e quatro meses. Vamos a um espaço de brincadeiras pra criança. Imagina se eles não vão se esbaldar? Depois do programa "kids", pizza com a família. Gutão vai dormir bem cansadinho, espero. E eu vou ter que encarar a arrumação das malas. Tem menos coisas do que quando viemos, pois o Rô levou algumas tralhas que estavam sem uso. Ainda bem!

Gutão tá uma figuraça. Fala pelos cotovelos, da hora em que acorda a hora em que vai dormir. Constrói frases inteiras, tem um vocabulário realmente impressionante. Agora, pediu banana e me mandou tirar o "saquinho" antes (a casca!). Que associação, adorei! Continua com a urticária. Mas tá bem melhor, depois da medicação receitada pela pediatra dele. Sim, porque a fulana do pronto-atendimento daqui errou feio...Queria dar Label, remédio pra tratar refluxo e úlcera, pra curar problema de pele, socorro!!!!

Eu tou tranquila. Animada com a retomada do trabalho, reenergizada pela praia e pela proximidade da família. Curti demais ver meus primos com seus filhotes. Lembrei de tanta coisa boa da nossa infância...Curti muito meu Gutão curtindo os avós, a titia Lulu, a Maria...
Depois escrevo mais. Agora é hora de sair pra passear mais um tantinho.


posted by JULIANA DE MARI 5:25 PM


Segunda-feira, Janeiro 09, 2006


Gutãoooooo


Dá pra acreditar: filhote agora imita as pessoas!! Ele já imitava a "voz" da Pig (a minha, no caso), fazendo igualzinho, num tom diferente do dele, o "obrigada, Augusto". Agora, começou imitando o jeito como o vovô Beto o chama: "Au-gusto", forçando a segunda parte do nome. E deu de reproduzir o jeito como eu o chamo: "Gutãooooo". Figuraça esse menino.

Continua com a pele irritada. Antes, parecia brotoeja e eu achava mesmo que era por causa do calor. De uns dois dias pra cá, piorou e ficou esquisito...As bordas são vermelhas e é como se a pele dos braços e pernas estivesse desenhada. Não há relevo, nem bolhinhas, não é nada como catapora. Mas coça, principalmente à noite. Já liguei pra dra.Ketty três vezes, mas à distância é difícil dar um diagnóstico de lesão na pele, claro. Por isso, hoje pela manhã, levei meu menino num pronto-atendimento. A médica diagnosticou urticária alérgica. Não sabemos a causa, no entanto. Pode ser alimentícia, por uso de algum produto químico ou por vírus. Aposto na última opção. Ela recomendou fazer hemograma, exame de urina e de coco, mas honestamente não estou afins de submeter meu filhote a esse estresse longe da médica dele...Principalmente porque Gutão está bem, correndo, pulando, gritando, cheio de energia, sem febre.
Ele não tem comido nada de muito diferente. Provou suco e frutas variados, é verdade, mas boa parte foi colhida na hora (acelora e jambo tirados do pé, delícia), nada industrializado. Não comeu peixe, não comeu ovo, não comeu doces, não fez exageros. Então, tou tranquila. Também não exageramos no sol, muito pelo contrário. Ele tem ido à praia sempre até às 10h, com protetor fator 30 da Episol, camiseta e bonezinho. Continua um branquelo e eu, idem. Ganhamos marquinhas, é verdade, mas estamos longe do bronze do papai Rô!!! Falando nele, já voltou pra Sampa. Trabalho não espera, né? Eu e Gutão já sentimos saudade. Filhote acordou hoje perguntando pelo pai. Disse: "papai pegou avião pra São Paulo". Lindo.
É isso, Gutão com essa "pereba" na pele, sem poder tomar sol, mamãe meio preocupada, mas as férias seguindo cheias de coisas boas pra contar. Filhote segue brincando muito, fascinado pelos caminhões e por tudo o que tem rodas. Ontem, churrasco de aniversário da minha tia na granja, todos comendo e ele lá, boquiaberto, olhando cada detalhe da Kombi que meu primo usa no trabalho. Sabe que até se deitou no chão pra olhar o que tem embaixo, coisa que faz com seus carrinhos de brinquedo??? E como caminhou, meu Deus! Ao final do dia, meu pai se entrega: "tou moído"!!!! Gutão viu pé de acerola, jambeiro, bananeira, mangueira, subiu no cavalo, brincou com os cachorros, enfiou a mão nas folhas, tomou suco de acerola feito na hora, deu muitos abraços na priminha Mayara e voltou pra casa pra lá de cansado. Mas quem disse que dormiu cedo? Foi pra cama no horário de sempre, tagarelando horrores, todo excitado. Acordou durante a madrugada várias vezes, se coçando. Passei caladryl todas as vezes. Besteira. Caladryl não é recomendado pra esse tipo de urticária, pois tem um componente que aumenta a irritação. Agora, só pasta dágua e dois antihistamínicos pra ver se ele melhora a tempo de pegar uma prainha antes de voltarmos pra Sampa. Tomara!

Essa semana vou tentar encontrar os queridos Igor, Rapha e Gustavo (vamos nos ver, né, Rapha?). Mundo pequeno mesmo. Eu e ele fomos contemporâneos de boas farras na época da faculdade!! Vai ser divertido o reencontro!


posted by JULIANA DE MARI 8:04 PM


Sexta-feira, Janeiro 06, 2006


Sabe tudo


Passamos três dias em Porto de Galinhas. Gutão aprendeu a dizer o nome da praia. Fala acentuando o "s" no final: Porto de Galinhassssss. Parece até nativo, uma graça! Se foi bom? Parafraseando meu sogro, foi um espetáculo!!!! Do cenário, nem preciso falar, né? Céu de azul sem nuvens, areia branquinha, coqueiros verdinhos, marzão idem. O hotel, de frente para o mar, com piscina pra criança, gramado, um baita café da manhã regional, tudo de bom. Gutão se fartou com as frutas. Pela manhã, além de tomar leitinho, comia umas quatro fatias diversas: melancia, melão, abacaxi, mamão...E pedia água de coco a toda hora. Bem geladinha. Também provou --e aprovou-- tapioca com queijo e coco e bolo de rolo.
Andou acordando meia hora mais tarde esses dias. Sim, porque, desde que chegamos, ele ainda não entendeu que aqui não tem horário de verão e continua despertando no horário de Sampa, ou seja, seis e meia da manhã. Em Porto, graças ao cansaço, a hora de despertar migrou pro horário local. De todo modo, sete e meia da matina já estávamos melecados de filtro solar, prontíssimos pra curtir o solão. Quer dizer, curtir numas, até às 10h do máximo. É que Gutão teve reação alérgica ao sol. E eu, pernambucana branquela que só, também. A minha veio nos primeiros dias, pontuou o rosto e os braços com pintinhas vermelhas, e foi-se embora. A do filhote ficou. E piorou muito. As bochechas dele já estavam bem vermelhas desde Floripa. Chegando aqui, com tanta umidade e sol a pino, não teve jeito. Gutão tá parecendo palhacinho: rostinho todo vermelho e o corpo judiado, como pintinhas que parecem brotoeja, mas não são. Claro que liguei pra dra.Ketty e claro que o diagnóstico foi o que eu previa: alergia ao calor mais irritação por causa do filtro solar e da areia da praia. Tratamento: pasta dágua e caladryl pra refrescar. Também troquei o filtro; em vez de Sundown, estamos, eu e ele, usando o caríssimo, mas eficiente, Episol.

Fora esse detalhe, a estada em Porto foi nota dez. Gutão tá super esperto, ainda mais falante, nos surpreendendo e alegrando mais e mais. Simplesmente a-do-rou tomar banho de piscina. Pedia pra "nadar" a toda hora. E queria ficar sozinho, tentando mergulhar -- mesmo quando engolia um montão de água. Também curtiu ficar embaixo da cascata da piscina dos adultos. Pedia "chuveiro" e ia lá, todo faceiro, no colo do papai. Aliás, duas novidades das férias:
1ª) Gutão agora toma banho de chuveiro --e gosta!
2ª) E começou a cantarolar.
Tem feito lindas tentativas de acompanhar a musiquinha do Leão (da qual a mamãe só sabe uma única estrofe: Leão, leão, leão, és o rei da criação!) e do Pintinho Amarelinho (aquela que a gente bate as asas, faz piu-piu e tem muito medo do gavião, sabem qual é?). Também cantarola a música do Caillou, companheiro inseparável das férias.

Além dessas faceirices, tivemos outras tantas passagens dignas de registro. Entre elas, destaco essa aqui: Gutão fez coco no jardim do hotel, peladão, acocorado, feito cachorrinho. Aconteceu assim: ele já havia feito um tanto na fralda-sunga (pra quem não conhece, é da marca Huggies e é ótima). Resolvemos trocá-lo ao ar livre mesmo. Peguei as tralhas no quarto, o Rô deu um banho no menino com a mangueira que ficava a disposição dos hóspedes pra limpar os pés na volta da praia e deixamos filhote peladinho pra secar "ao vento". Voltei pro meu banho de sol e os dois ficaram ali, brincando com a água. A certa altura, o Rô vê um turista italiano passar e fazer cara de nojo. Olha pra baixo e vê "a cena": Gutão acocorado, fazendo coco no jardim, nem aí!!!!! Me senti limpando coco de cachorro mesmo, com saquinho numa mão e mangueira na outra. Hilário!
O Pirata destravou a língua de vez. Diz frases completas e nos faz ficar de queixo caído. Coisa do tipo: "mamãe vai tomar banho de chuveiro" ou "o carro tá estacionado na garagem" . Assim, com todas as letras. A fixação por carros cresce. Ele pede pra "dirigir o carro do papai" a toda hora. Em Porto de Galinhas, pediu pra "dirigir" e nós deixamos. Chave fora da ignação, claro, e portas abertas. Mamãe babando na janela e filhote diz, dono da situação: "fecha a porta". Bom, fechei. A do passageiro, no entanto, ficou aberta. Ele olhou pra mim outra vez e mandou: "fecha a outra". Pasma, obedeci. Aí, ele colocou uma mão no volante, outra na marcha (!!!!!) e seguiu em seu passeio imaginário.
Outra boa aconteceu na varanda do hotel. Estávamos ali, os três, de bobeira, e eu comecei a puxar papo. Perguntei o que o papai estava fazendo e Gutão respondeu. Perguntei o que a mamãe estava fazendo e ele não hesitou. Perguntei o que ele tava fazendo e ele, um olho na conversa outro em seus brinquedos, soltou: "brincando". Em seguida, pediu: "bainha de cereal, bainha de cereal". Sim, dei pra ele provar no vôo da Gol até Floripa e ele adorou. Agora, quando não há nada mais saudável a mão, adotei barrinha de fruta, de coco e de iogurte como complemento. Gutão, como se lê, aprovou. (Tou pra descobrir do que é que esse moleque não gosta. Até agora, só não gostou de chá!! Também, pudera!!)

Ah, não sei se eu sou uma mãe cancerianamente orgulhosa demais, mas sinto mesmo que meu filhote é mais desenrolado que a média das crianças na idade dele. Não tem nem dois anos e já "conversa" com a gente. E não digo isso porque ele sabe muitas palavras, não. É que, além de falar muito, ele "pensa" muito. Faz as conexões certas, faz piada até, como essa história de dizer os nomes dos avós trocados, por exemplo. E tá aprendendo a dizer o meu, finalmente. Diz algo como "iana" e depois, gracioso, emenda o "janota". E ri, morre de rir. E lá no hotel, nós dois prontos pra tirar a soneca da manhã, papai surfando, Gutão vem vindo em minha direção na kingsize, todo querido, e diz "mamãe, bonita". Quem ensinou????? Como ele entende esses conceitos??? De grande, pequeno, leve, pesado, vá lá. Mas o que é bonito e o que não é, o que é triste e o que não é, o que é gostoso e o que não é, como se ensina algo assim?????

Sei que não se deve fazer isso, mas fiz. Fiquei ainda mais surpresa com o desenvolvimento "mental" do pequeno ao compará-lo com um "amiguinho" de um ano e sete meses também hóspede no hotel de Porto. Chamava Bernardo, gauchinho lindo, lourinho de olhos azuis. Super elétrico, não parava quieto um minuto sequer. Mas não dava uma palavra. Só papai e mamãe, mesmo assim, meia-boca. E não comia nada. Passava os dias na base de mamadeira com leite e nescau. Hein, como assim? Gutão come comida feito gente grande, na quantidade e no paladar. Adora frutas, pede pelo nome. Agora mesmo, abriu a geladeira da casa da vó Ju e pediu "abacate". Fiz, incrédula. Ele comeu tudo e pediu "suco de nananja"!!!!

Babo, babo, sim. Falo que amo, dou abraço, dou risada, bato palmas. Gutão cresce faceiro. E parece feliz. E aprendeu uma nova: quando consegue alguma coisa, diz "sabe tudo". E olha pra gente, sorrindo pelos olhos.
Sabe mesmo, meu filho. Eu só sei que a vida é muito mais feliz desde que você chegou.



posted by JULIANA DE MARI 1:00 PM


Domingo, Janeiro 01, 2006


Registros - Parte 2


Recife, enfim. Um ano inteirinho sem vir à terrinha. Resultado: baqueei com o calor. Acordei hoje, primeiro dia do ano, tontinha da silva. Não, não exagerei no champagne na virada. Foi pressão baixa mesmo. Quase desmaiei. O Rô, preocupado, me deu sal pra botar embaixo da língua. Aí, sim, exagerei. E quase não sobrevivo pra contar história em 2006 -- ia empacotar engasgada e tonta de uma só vez!!! Enquanto a mamãe se recuperava, Gutão nem aí. Tava na praia, saudando Iemanjá, nadando nas piscinhas de Boa Viagem, com o vovô Beto e o papai. Nem preciso dizer que adorou, né? Aguinha quente, solzão, céu azul, muito paparico. Só faltou virar peixe. Meu branquelo tá começando a pegar uma corzinha já. Digamos que a marca da fralda-sunga começou a aparecer. As bochechas, essas ficam sempre vermelhas. Vermelhíssimas, aliás. Lindas.
E Gutão, finalmente, conheceu as primas. Três princesinhas: as gêmeas Lulu e Julinha, de nove meses, filhas do meu primo Léo e da Faustina, e a fofíssima Maiara, de dois anos, filha do meu primo Junior e da Danielle. Vendo a família assim, crescendo, bateu uma nostalgia dos tempos de criança. Pensar que algum tempo atrás éramos nós, os pais, que estávamos ali brincando, correndo, fazendo fuzarca no almoço de final de ano. É, o tempo passa. E eu, vendo aquela "primaiada" toda fiquei sem saber como me apresentar pras pequenas. Fiquei me sentindo assim, sei lá, uma prima-avó!!!! hahahahahaahaa

Nessas férias, Gutão tem se confirmado uma criança adorável. É alegre, curioso, participativo. É obediente, curte os passeios, come bem. Dorme mais ou menos, mas tudo bem. Não tem encrencado com nada nem ninguém. Fica meio tímido na frente de estranhos, mas bastam cinco minutinhos de prosa pra ele se ambientar e começar a fazer gracinhas pra aparecer. E fala, como fala. Deu de conjugar os verbos certinho. Distingue presente e passado e usa o infinitivo direitinho. E nos faz rir, como faz. Em Floripa, volta e meia, pegava o telefone e dizia: "Alô, Polícia?" ou então "Alô, Miguel?". E resolveu trocar o nome dos avós. Com os avós paternos, usava o nome dos avós maternos. Chamava vovô Zeca de vovô Beto e ria, safado. Agora, em Recife, olha pra vovó Ju e diz vovó Lilica. E a gente fala "É vovó Julice, Gutão" e ele morre de rir. E se a gente toca em algum assunto que ele desconhece, ele prontamente puxa outro, dissimulado que só. E se revelou um adorador de carros. A graça da vez é "dirigir o carro do vovô". Filhote senta lá na direção, aperta um botão aqui outro ali (com o carro desligado, obviamente) e fica todo contente. Ganhou motoca em Floripa e motoca em Recife. Ganhou mil e um carrinhos. Tá aqui, primeiro dia do ano novo, fazendo afagos na Pig, embaixo da cabaninha improvisada com o colchão. Tá lindo, meu menino.
2006 vai ser um grande ano pra nós, eu tenho certeza. Feliz Ano Novo!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 8:20 PM


Terça-feira, Dezembro 27, 2005


Registros


Estamos em Floripa. O sol vai e vem o vento. A chuva passa e ameniza o calor. As noites tem sido fresquinhas. Delicia. Gutao ta fazendo uma farra so. Da hora em que acorda (impreterivelmente, sete e quinze da matina!) ate a hora em que vai dormir (por volta das nove e meia da noite), nao para um minuto sequer. Tem dado uma canseira daquelas no vovo Zeca -- e na gente tambem. Entre outras diversoes, acha a maior graca correr ao redor da casa com o vo e o Padang (o cahorrao dele) atras. Haja folego pra aguentar correr e correr e correr vezes seguidas.
Filhote ganhou um monte de presentes bacanas no Natal. Direto das maos do Papai Noel (a bisa fantasiada!). O mais festejado foi a "motoca", um legitimo velocipede vermelho e azul, Bandeirante, daqueles que marcaram a infancia de muita gente por ai. Gutao sobe na motoca e vai empurrando com os pes. As vezes, consegue pedalar, mas acho que acha mais pratico empurrar mesmo. Ficou com a virilha roxa de tanto que brincou na primeira noite, dah pra acreditar? Fomos a praia ontem no final da tarde. O menino ficou louco de alegria ao ouvir o barulho do mar. Ria sozinho de tanta felicidade. Fez castelos na areia com o papai, comeu areia e correu. Muito. Hoje pela manha, o sol brilhou e la fomos nos aa praia outra vez. Gutao todo lambuzado de protetor fator 50, claro, bonezinho na cabeca e camiseta. Foi pegar agua com o titio Bru, se descuidou e caiu quando a onda molhou. Foi um mergulho de cara, rapidao, mas assustou. Gutao nao chorou, nem engoliu agua. So ficou dizendo: "mamae, areia, areia". Esperto esse guri.
Antes das onze, estavamos em casa. E a farra continuou no jardim. Vovo Lilica e a Bisa tomando sol e Gutao molhando a grama, encantado com a torneira. Depois tomou banho na piscininha e quem disse que queria sair pra tomar banho de verdade na banheira? Mas saiu. Com a promessa de "dirigir o carro do vovo na garagem" depois. Sim, ta encantado com carros, caminhoes e tudo o que se move sobre duas rodas. Nao foi depois do almoco. Depois de raspar o prato, comecou a ficar molinho, molinho. Pediu pra ligar o "vrum", o ventilador, pediu a "petita", se acomodou na cama e pumba, dormiu quatro horas seguidas!!!!!!! Ah, nem aqui quis saber de dormir no berco. Ontem, depois de duas noites de muito chororo, improvisamos uma caminha no chao e filhote adorou. Dormiu tranquilinho, tranquilinho, o que significa que acordou umas duas vezes procurando a petita perdida.
Meu Pirata ta aqui agora, num breve momento de concentracao, vendo o DVD do Cocorico. Alias, do Caillou. Acabou de pedir pra mudar. Vou la atender seu pedido. Volto assim que der. Ha que se registrar ferias tao legais!!!

PS: Tou escrevendo no Mac e nao sei onde estao os acentos. Sorry.

posted by JULIANA DE MARI 7:57 PM


Sexta-feira, Dezembro 23, 2005


Um Ano Novo de presente pra todos nós!


Então, é isso. Natal chegando, 2006 à espreita. O ano passou, assim, correndo, mas deixou tanta coisa boa. Gutão crescendo, sapeca, curioso, carinhoso, falante. Feliz. E cheio de vontades. Não dá prometer e não cumprir. O figura lembra de tudo o que foi dito -- e já faz suas pequenas cobranças, acreditem. Hoje, por exemplo, depois de "jogar futebol" com o amigo Rafa na área de lazer do prédio, filhote subiu em prantos, todo vermelho, cheio de lágrimas. E gritava: "Passear de carro, passear de carro". Tive que negociar: "depois de tomar banho, depois de nanar, depois de almoçar, mamãe vai te levar na pracinha com a Bá". Gutão acreditou, claro. E tomou banho, nanou, almoçou e imediatamente me olhou e soltou: "passear de carro, mamãe". Pasmem!!! E foi pra pracinha, e jogou uma pá de areia na cabeça, e brincou à beça curtindo o verão, que, finalmente, chegou a Sampa. Prévia das férias. Fico aqui só imaginando o tanto de aventuras que meu Gutão vai ter pra registrar agora. Maiorzinho, ele já lembra das pessoas, das coisas, das experiências legais. O Natal vai ser ao lado da vovó Lilica, do vô Zeca e do tio Bru. E vai ter a presença mais do que especial da Bisa. Sorte do meu menino, ter a mãe da vó por perto. Ano Novo vai ser com vovô Betito, vovó Ju e titia Lulu. Gutão vai reinar: serão quatro primininhas pequeninhas e ele, já pensou? Quero só ver a farra!

São 23h30 da sexta, véspera da véspera de Natal. Amanhã decolamos cedinho. Eu tou cansada até o último fio de cabelo (passei o dia fazendo mala, cuidando dos presentes que faltavam, arrumando a casa), mas tou feliz, feliz. Desejando ver o mar ao lado do Rô e do meu Gutão.

Um beijo grande nosso a todos os que passaram por aqui esse ano. E que em 2006 a gente possa seguir com muita saúde, vivendo muitas alegrias. Em paz. Até!

PS: Rêca, adoramos o presente!
Mic, adoramos a menção carinhosa no teu blog!
Minhas queridas amigas "blogueiras", adoramos fazer parte, mesmo que desse novo jeito, virtual, da vida de vocês. Obrigada.
posted by JULIANA DE MARI 10:53 PM


Segunda-feira, Dezembro 19, 2005


E la nave vá


Gutão abandonou o berço. Foi ontem, domingão, à noite. Digamos que foi uma decisão em conjunto. Filhote deu a deixa e eu e o Rô acatamos a mudança. Aconteceu assim: Gutão vem dormindo muito mal há meses. Acorda de duas a três vezes, chora, se debate. A gente fica sem saber direito o motivo. Já achamos de tudo: será porque perdeu a chupeta? será porque o cobertor enroscou no pé? será calor? será frio? será sede? será pesadelo? será saudade? Bom, anteontem, Gutão acordou na madrugada chorando, irritado e pedindo "cama" (a dele, não a nossa!). O Rô foi até o quarto, tirou o menino do berço e deitou com ele na cama. Com Gutão aparentemente mais calmo, o Rô tentou colocá-lo de volta no berço. Pra quê? Veio de novo o chororô, a irritação, a agonia. Voltaram, os dois, pra cama do menino. E assim dormiram, juntinhos, até às sete da matina do dia seguinte.
E aí me veio um lampejo: Gutão chorava porque queria espaço, queria dormir na cama dele. Ontem, finalmente, deixamos o pequeno ter uma noite inteira na "camona". Claro que eu enchi o chão de almofadas (vai que ele "anda" e acaba rolando cama abaixo?) e fiz uma barricada na lateral da grade com rolinhos protetores. Gutão capotou às 9h30 da noite. Tava cansado da agitação do dia: almoço na Vila, pracinha, bicicleta do amigo, farra natalina com o Miguel. Fato é que, na camona, filhote só chorou uma vezinha e, ainda assim, nem abriu os olhos. Acho mesmo que, dessa vez, era algum sonho. E foi assim que se deu a passagem.
Tão lindo, meu Gutão, todo esparramado, dono do seu espaço, fazendo suas escolhas. É, tá crescendo mesmo, meu Pirata. E eu sinto muita alegria em vê-lo encarar as etapas seguintes com a naturalidade possível pra sua cabecinha loura. Tem sido assim desde que passou do peito pro copinho. De lá pra cá, encarou praticamente todas as mudanças numa boa. Tudo no tempo dele. Que, diga-se, é acelerado. Corajoso e curioso, esse ariano. Meu orgulho só cresce. Lá no fundo, porém, vem um aperto. Como é que pode: nem dois anos se passaram e Gutão já cresceu taaaaaaaaanto???? É por isso que eu beijo, abraço, não canso de dizer que amo, não canso de me arrastar no chão atrás do meu "gatinho", de cantar cantigas de ninar, de brincar de fazer "mútica" na máquina de lavar roupa, de deixar que ele me empurre até encostar as costas no chão, de pedir aperto na bochecha e de fazê-lo rir com meu espanto diante do "pé de chulé"...Quero mais é que Gutão brinque muito, ria muito, experimente muito. E que siga pela vida assim: altivo e feliz.
posted by JULIANA DE MARI 3:10 PM


Sexta-feira, Dezembro 16, 2005


Show da vida


Grávidas florescem ao meu redor. Fora as barrigudas desconhecidas que vejo a todo instante na Abril, boas amigas estão "germinando". Começou com a Dani, que carrega a Nina, irmãzinha do Miguel, e a Evelyn, que engravidaram praticamente na mesma época. Aí, veio a Patty, que falava em sono e fome e eu intuía um barrigão. E tem as barrigudas dos blogs: a Gisele, da Giovanna, a Flávia, do JH, e a querida Ly. Agora, a boa nova vem da Anne, toda boba com sua barriguinha de seis semanas.
É, tou achando que ano que vem é mesmo o ano de uma nova encomenda lá em casa.
posted by JULIANA DE MARI 11:53 AM


Sábado, Dezembro 10, 2005


Amor, meu grande amor


Céu azul e calor no sabadão. Dia perfeito pra cortar as madeixas. Não, não as minhas. Do Gutão. Outra vez. Se não me engano, a quinta "tesourada". A cabeleira já estava enorme. Dava até pra fazer um rabinho-de-cavalo! Gutão sentou na cadeira do cabeleireiro tranquilinho, como sempre. Dessa vez, pedi pra cortar mais. Filhote ficou com cara de moleque. Menino grande. Tá espichando mesmo. Tá mais magro e visivelmente mais comprido. Tava de camiseta e macacão quando entrou no salão. Saiu incomodado com os "cabelinhos" na roupa. Foi passear só de macacão, o próprio "malandro" da Vila!

Gutão tá um querido. Muito carinhoso, muito falante, muito companheiro. Deita no meu colo e diz: "muito gostoso". Eu babo, claro. Tenho vontade de apertar, apertar, apertar, mas filhote não tem lá muita paciência pra abraços, não. Ele dá e recebe carinho, mas tudo no tempo e no jeito dele. Ou seja, tudo rapidão-cometa. É uma velocidade só esse menino. Vai e volta do quarto pra sala um milhão de vezes, sempre correndo, gritando, fazendo "bugunça". Adora seus bonequinhos. Aliás, adora as "meninas". Abre a porta do mini-ônibus (e coloca todo mundo por cima!!!!!) e diz que elas vão passear na escola. E deita no chão e fica um tempão empurrando e olhando o ir-e-vir das rodas dos carrinhos. Diz um amigo nosso que o menino tem jeito pra mecânico!!!! :-)

Também deu de pegar um de nossos jogos americanos, feito de uma palha escura, e dizer que é "bolo de chocolate". Aí, diz que é de "mentila". E finge que morde e me dá pra morder. De onde ele tirou isso? Não faço a mínima. Mas acho isso tão divertido, esses jogos criativos, essas fantasias. Lembrei de outra agora: Gutão abre a "mática" de lavar-roupa, pega uma colher de salada grande, de plástico, e fica lá fazendo "mútica". E olha pra mim e sorri, feliz. E eu bato palmas, e ele faz charminho. Adora uma platéia, meu menino. E tem demonstrado mais ciúmes que antigamente. Da Bá, então, nem se fala. Esses dias, ela trouxe uma sobrinha pra passar a manhã com Gutão. A menina, Gabi, tem três anos e é o xodó da Marcia. Pois estavam lá, os três, sentados na cozinha, comendo gelatina, quando Gabi senta no colo da Bá. Pra quê? Gutão ficou brabo, rangeu os dentes, empurrou a menina e disse: "é minha, Bá!". E eu posso com isso??




posted by JULIANA DE MARI 10:02 PM


Quarta-feira, Dezembro 07, 2005


As últimas


Gutão voltou no ortopedista hoje. Acompanhamento das perninhas. O Rô nos encontrou na clínica. Fomos de táxi, eu, filhote e a babá. Bom, como não dava pra levar a cadeirinha do carro, Gutão foi sentadinho atrás, no meio, devidamente preso ao cinto de segurança. Qual não foi minha surpresa quando ele vira pra mim e diz: "põe cinto, mamãe"!!! Obedeci na hora, boquiaberta. Exemplo é tudo, afinal. E Gutão, não satisfeito, virou pra "bá" e mandou: "põe cinto, bá". Figuraça.
Pois bem. Parece que a torção das pernas está melhorando naturalmente, viva! Comparando os três últimos raios-X com o que Gutão fez hoje, a evolução é visível. Vamos aguardar mais três meses pra fazer nova avaliação.
Animados nós ficamos mesmo ontem, dia de visita à pediatra. Gutão chegou lá dormindo, na maior preguiça. Ficou meio assim, assim quando entrou no consultório, mas com todo jeitinho da dra.Ketty, logo começou a colaborar. Pesou 11,840 Kg (engordou 500 gramas em 3 meses) e mediu 86 centímetros. A doutora ficou surpresa. Disse que ele cresceu muito (três centímetros desde a última visita) e que, pelo andar da carruagem, vai ser um mocinho alto e esbelto. Fez contas novamente e disse que a altura média dele deve ficar na casa dos 1,76m. Fiquei feliz com a notícia. Gutão vai ser praticamente o mais alto da família! Sempre que ela fala em "tamanho", eu lembro do quão petitico ele já foi e do quão forte ele é -- em quase dois anos, cresceu exatos 40 centímetros e entrou na curva normal do peso! Bom, o ouvido tá quase bom, a garganta e a boca estão limpinhas, o pinto tá consideravelmente melhor. O problema é que eu tenho agonia de puxar a "pele" do dito cujo. A missão daqui pra frente vai ficar ao encargo do Rô. É preciso "baixar" a pele pra que ela comece a descolar, ai, ai, ai.

Quê mais? Esqueci de contar que sábado passado fomos, eu e o Rô, a Dani e o Duda, ao show do Pearl Jam. Gutão e Miguel ficaram com as respectivas babás. Foi tão gostoso um programa noturno a quatro outra vez!!! O show, ah, foi um show mesmo. De civilidade. Começou e terminou na hora, não teve confusão, nem sequer cerveja pra vender. Ficamos na arquibancada e eu me emocionei ao ouvir "Black" ao vivo e ver aquela gente toda, cantando numa só voz, balançando os braços numa linda coreografia. Nessas horas eu penso como é bom estar viva. E como é bom poder imaginar que Gutão ainda vai viver muitos momentos emocionantes assim. Tá, também lamentei um tantinho não ter mais o pique dos meus 20 anos, não tenho mesmo coragem de encarar muvuca na pista, mas e daí? O tempo vai passando e a gente vai aprendendo a curtir a vida de outro jeito, não menos intenso, não menos verdadeiro. Depois do show, jantar, divino, num moderninho mais do que recomendável. Uma orgia gastronômica. Tomei duas taças de vinho, saí de lá tontinha da silva, passei a madrugada vendo a cama girar!, mas valeu. Acordei feliz no domingão. O Rô fez bate-volta, nós almoçamos no lugar de sempre na Vila, compramos presentinhos pra família e visitamos o queridíssimo Gustavo, filho da Gica e do Villela. Foi um encontro delicioso. Conversamos um monte, enquanto filhotes ensaiavam um entendimento. Gustavo, o Bizi, adorou os bonequinhos do amigo: passou boa parte do tempo com o Caillou do Gutão na boca. Gutão, por sua vez, queria empurrar todos os carrinhos do Bizi -- ao mesmo tempo. Os dois jantaram no tapete, entre uma colherada e uma risada. Foi um domingão com cara de domingão "família margarina". Felizes e em paz.

A semana começou numa agonia só. Minha agenda tá dando até medo de tanta coisa pra fazer. E eu, cancerianamente, não gosto dessa "pressão". Mas tudo bem. Só termina quando acaba e eu já sinto o cheirinho do mar, solzinho bom, havaianas, ah, férias, férias. Falta pouco agora.


posted by JULIANA DE MARI 10:12 PM


Sexta-feira, Dezembro 02, 2005


Tensão Pré-Férias


Tou contando os dias no calendário pras férias chegarem. Literalmente. É que, entre outras razões, se eu fosse considerar meu atual estado físico e mental, precisava parar já, nesse exato minuto em que insisto em brigar com a dor de cabeça e me manter a postos no trabalho. Só quem sofre dessa maldita enxaqueca sabe o quão hercúlea é a minha tentativa...

Mas vamos às coisas boas. Gutão melhorou das "ites" todas. Tá mais elétrico que nunca, falando pelos cotovelos. A novidade agora é soltar "consigo" e "não consigo" diante de suas vitórias e seus fracassos. Quando não consegue, invariavelmente, Gutão fica puto. Nervoso mesmo. Joga o brinquedo no chão, resmunga, chega a chorar de raiva. Faz parte do processo de lidar com a frustração, né? Sempre que a coisa extrapola, a gente procura intervir e não fazer de cada percalço um motivo de chilique. E Gutão, aos poucos, vai introjetando esse novo modo de lidar com a vida. Vez por outra, diz um "não consigo" e pede "ajuda, mamãe". Eu tento ensinar, não fazer por ele, mas ajudá-lo de verdade a fazer sozinho. E ele tá evoluindo tanto! Tá quase colocando as pantufas sozinho!!

Por falar nelas, as "puxutas", Gutão tá cheio de mania pra dormir. Uma coisa boa é que ele tá em lua-de-mel com sua camona. Quase não vai mais direto pro berço. Deita na camona, se esparrama, pede a presença do papai e da mamãe, faz a maior graça, faz e recebe carinho, canta, grita, sorri, e depois pede: "meia, menino". Sim, é uma meia fofa da Puket, com a cara de um menino careca, para bebês de até seis meses! Mas ele insiste em usar a dita cuja à noite. E haja drible quando a meia tá lavando!!! Gutão também deu de pedir a presença de seus amigos de berço. Se tá com a Pig, pede o Leleco. Se tá com o Leleco, pede a porquinha. Dia desses, quis porque quis, dormir com um caminhão enorme acima da cabeça, embalando pra cá e pra lá. Ai, ai, ai.
Ah, lembrei que a senha pra ir dormir também virou motivo de graça. A gente fala que é hora de nanar, de dar boa noite, e Gutão vai lá e, pow, desliga a televisão e se encaminha, sozinho, pro quarto! :-)

Enfim, por todos esses motivos, não vejo a hora das férias chegarem. De relaxar a mente; de, quem sabe, descansar um pouco (será que Gutão vai deixar?!). De colocar o pé na areia; de me reenergizar no sol; de curtir a família e os churrascos, as risadas, os abraços. De ver Gutão correndo, sorrindo, crescendo. De viver com ele esse tempo de ser livre. Ai, eu adoro o Natal, o Ano Novo, e tudo o que essas datas representam em termos de renovação, de união. Fico sempre meio "emocionadinha", não escapo da pieguice do "balanço de final de ano". Anyway, fazer isso é tão necessário pra seguir mais leve, né?
Amanhã é dia de arrumar a casa. Vamos comprar uma árvore de Natal digna de uma família. Até então, eu e o Rô colocávamos enfeite na porta e montávamos uma "arvrinha" linda, mas tão pequenininha. É que sempre passamos as "festas" longe da nossa casa, perto dos nossos pais, e não fazia muito sentido ter mil e um enfeites pra ninguém ver...Agora, com Gutão, muda tudo. Acho importante que ele se familiarize com alguns rituais, que aprenda que o sentido maior dessas celebrações é exatamente esse: o de preparar não só a casa, mas o coração, para estar junto de verdade.
Gutão não gostou muito do "Papai Iel", não. Fizemos uma tentativa de aproximação num shopping, mas ele ficou altamente desconfiado e não quis chegar perto do bom velhinho. Em casa, vendo a figura aparecer a toda hora na TV e nas revistas, a disposição mudou. E eu tenho certeza que vai ser uma farra daquelas preparar a homenagem ao "Papai Iel". Falando nisso, vovó Lilica vai ter que usar máscara esse ano! Em 2004, Gutão era pequeninho e não associou aquele velhinho de vermelho, distribuindo presentes, à vovó. Esse ano, se o disfarce não for eficiente, ele vai soltar na hora, tenho certeza: "Vovó Kikica"!!!!


posted by JULIANA DE MARI 2:32 PM


Segunda-feira, Novembro 28, 2005


Mimos de Natal


Vou pedir emprestado o blog do meu Gutão pra fazer uma propagandazinha básica (e merecida) dos talentos da tia Lu. Minha irmã tem se revelado uma "estilista" de bolsas de mão cheia. As criações dela, que estão fazendo um baita sucesso entre as moçoilas descoladas da Itália e de Portugal (milagres da Internet!), são modernas e originais. Feitas com tecidos delicados, em lindas combinações, podem ser uma ótima opção de presente para quem ainda não sabe o que vai dar pr'aquela amiga especial, pra mãe, pra tia, pra sobrinha adolescente e por aí vai. Pra entender o que eu tou falando, espiem o site dela: www.flickr.com/photos/ludemari
Pena que Gutão é menino...Se fosse menina, imagina o preju pra titia Lulu! :)
posted by JULIANA DE MARI 7:59 PM


Sexta-feira, Novembro 25, 2005


Ainda bem que amanhã é sábado


Foi-se a estomatite, ficou a gripe. Não, em mim. É Gutão quem tá todo encatarrado, olhinhos caídos, energia em baixa. Não teve mais febre, ao menos isso. Também não perdeu o apetite. Hoje pela manhã, todo dengoso, tava lá assistindo (adivinhem?!) Caillou e mandando ver: primeiro, leitinho; depois, pêra; e depois, o próprio foi até a geladeira e escolheu um pêssego. Para meu espanto, comeu inteirinho. Na hora em que sai pra trabalhar, meu bichinho tava um pouquinho mais animadinho. Assim, no diminutivo mesmo. Vim com o coração apertadinho. Já liguei pra casa algumas vezes e a babá me disse que ele tá melhor, que continua comendo, que suou um tantão na hora da soneca. Tou torcendo pra ser sinal do vírus indo embora. O saco, me desculpem a palavra, é que o tempo já virou outra vez. Tá chovendo e o final de semana, pra variar, promete ser de frio. Saco, mil vezes, saco.

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Pra não terminar esse post no desânimo, seguem algumas pérolas animadoras do filhote:
- avós paternos dentro do elevador, últimas despedidas antes de irem embora, Gutão solta: "Até segunda!"
- eu, ontem, tentando convencê-lo a me deixar colocar o pijama, tiro dois da cômoda e ofereço pra ele escolher. Ele pega o do relógio e diz: "Que tal?"
- DVD do Caillou rolando, cena em que o menino tenta se virar por conta própria, e Gutão traduz: "Caillou tá botando sapato". Assim, frase completa!

posted by JULIANA DE MARI 5:22 PM


Quarta-feira, Novembro 23, 2005


E o mundo gira


Gutão melhorou sensivelmente depois da aplicação das pomadinhas na boca. A febre baixou. O lábio inferior não tá mais estourado e dentro da boca, ao que parece, a situação também tá controlada. Sim, porque o menino voltou a comer. Ainda não tem dormido às mil maravilhas, mas talvez nem tudo seja por causa da estomatite. Gutão detesta passar calor, fica muito, muito incomodado. Ontem dormiu com o ventilador/exaustor ligado. Hoje de manhãzinha, quando tentei cobrir seus pezinhos, deu chilique. Quis ficar totalmente descoberto. É por essas e outras preferências dele que eu prefiro sempre colocar um pijaminha de algodão, mas de manga longa e calça. São Paulo é uma cidade de tantas "estações" que, às vezes, o tempo vira totalmente entre o anoitecer e o amanhecer.
Eu é que baqueei feio. O corpo fala, né? Deve ter sido uma combinação de vírus + estresse em casa (Gutão doentinho, noites em claro) + estresse no trabalho = doença. Tou gripada, molenga, com dor de ouvido e tosse. Hoje trabalhei sabe Deus como. O bom da história é que, apesar do baque, o nariz não entupiu, viva!! Só quem tem rinite alérgica pode entender minha alegria! Aliás, tá no meu planejamento pra 2006 cuidar melhor do "físico" no ano que vem. Do "mental" e do "emocional", tenho cuidado com certo esmero. A terapia anda me proporcionando muitos bons momentos comigo mesma. Mas o fato é que passei 2005 inteirinho ensaiando voltar pra natação, voltar pra massagem, voltar pra acupuntura...Não tenho mais desculpas. Eu mereço esse cuidado.
posted by JULIANA DE MARI 6:58 PM


Terça-feira, Novembro 22, 2005


A saga das "ites"


E eu que achava que nosso infortúnio com as "ites" havia passado...Gutão ficou febril no domingo à tarde. Acordou depois da soneca e não quis lanchar. Mal sinal. A febre chegou a 38 graus. Meu Pirata foi ficando molinho, chatinho. Dormiu incomodado e acordou com febre ontem. Passou o dia assim, sem querer comer direito. Eu percebi que ele tava com o lábio inferior meio esquisito, como se estivesse rachando. Achei que podia ser de alguma comida ácida, sei lá. Quando cheguei do trabalho à noite, o lábio havia piorado. Tava todo esbranquiçado, como se estivesse prestes a estourar. E a febre estava lá, na mesma marca, 38 graus. Ah, não tivemos dúvida: direto pro Sabará. O hospital tava lotado de crianças. Uma agonia só. Mas valeu a espera. Gutão foi atendido por uma médica super atenciosa e o diagnóstico é o que eu temia: estomatite. Por fora tá mais feio que por dentro da boca, graças a Deus. Mais fácil de limpar e de cuidar. Ela passou duas pomadinhas e deu algumas recomendações pra alimentação. Nada de alimentos sólidos. Quanto mais fácil de engolir, melhor. Fruta, só que as que não forem ácidas: mamão e pêra são as mais indicadas. Banana só se estiver bem madurinha.
Gutão tomou leite no hospital, mas vomitou em seguida. Esperamos mais um pouco pra dar um remédio lá mesmo. Ah, preferi esperar do que ir direto dando injeção no bichinho. Foram quase três horas de observação. Chegamos em casa perto da meia-noite. Filhote incomodado, morto de sono. Dormi no quarto dele. Quer dizer, não dormi. Minha garganta incomodou, meu ouvido deu sinal, minha cabeça não desligou. Gutão chamou várias vezes na madrugada, suou um tanto, reclamou outro tanto. Mas hoje acordou melhorzinho da lesão no lábio. Tomou leitinho e comeu frutinha. Continua com febre e todo dengosinho. Ficou lá, aninhado no colo da "Bá", olhinhos fixos no Caillou. Eu tou aqui no trabalho com a cabeça lá em casa. Que esse dia passe depressa.
posted by JULIANA DE MARI 12:26 PM


Sábado, Novembro 19, 2005


As últimas


Vovô Zeca e vovó Lilica chegaram ontem. Ficam até segunda com a gente. Visita rapidinha, mas faz um bem danado pro netinho. Falando nele, tá um figuraça. Diz cada uma que nos deixa de queixo caído. Hoje, manhã de sol, pausa prum cafezinho na padaria, fiz o pedido de um suco de abacaxi. Quando chegou na mesa, perguntei: "Quem quer suco?". Deu-se um silêncio de alguns segundos até que Gutão soltou, em alto e bom som: "Eu"!!! Agora há pouco, já noitinha, Gutão pediu pra ver "desenho" na TV. Não, não são os DVDs, não. É desenho mesmo, na Discovery Kids. Ligamos na hora do desenho da família de Porquinhos, não sei o nome oficial. Gutão sentou todo esparramado no futon, cruzou as pernas, viu um pedacinho e mandou: "Que legal"!!!! E eu não resisto a tanto encanto: comprei o bonequinho do Caillou pro Gutão!!!! (Aliás, decidi que o "tema" do aniversário de dois anos vai ser o do menininho!). Dei o presente hoje à tarde, depois que ele acordou da soneca. Caillou, Sara e Rosie, tão bonitinhos. São bonequinhos articulados, que sentam, mexem braços, pernas e cabeça. Gutão ficou tãoooo feliz!

Ah, ia esquecendo de registrar: Gutão participou do primeiro evento em sua futura escola. As aulas começam ano que vem, mas, como nós já fizemos matrícula, as professoras nos convidaram pra conferir o bazar de final de ano. As mães prendadas ganharam barraquinhas pra expor artesanato e comidinhas e os trabalhos dos alunos ganharam as paredes, as salas, todos os cantinhos da escola. Uma graça. Fiquei tão emocionada: no quadro de avisos estão as listas com os nomes das crianças que vão compor as turmas de cada classe no ano que vem. Na do maternal I, lê-se, em primeiríssimo lugar, Augusto Cardoso Vieira da Cunha!!!!!
Passamos na escola rapidinho, quase na hora do almoço. Gutão não quis saber de outra coisa a não ser brincar na "piscina" de areia azul. Brincou e brincou e brincou. Até que chegou uma menininha, muito bonitinha e muito sapequinha, e começou a jogar areia no bichinho. Ainda bem que não acertou os olhos. Aliás, só não acertou os olhos. Cabelo, pescoço, braços, pernas, tudo, tudo ficou impregnado de areia azul. Gutão chegou em casa direto pro banho. Tava quase capotando, mas resolvemos sair pra almoçar assim mesmo. Farrista que é, resistiu o quanto pode e nos fez companhia o almoço todinho. Os dindos e o Miguel estavam lá também, mas o amigo não tava muito bem hoje. Meio febril, meio caidinho. Deve ser mais uma dessas viroses sem razão, tomara que passe logo. Eu também tou meio esquisita, pra falar a verdade. Depois de dois dias de enxaqueca, tou com a sensação de que vem gripe por aí. Garganta raspando, cabeça doendo. Vou fazer chazinho de limão e gargarejo pra ver se espanto a danada. Torçam aí.
posted by JULIANA DE MARI 8:51 PM


Quinta-feira, Novembro 17, 2005


Mini-férias


O feriadão do Gutão foi mesmo superlativo. Resolvemos viajar de última hora. Saímos de Sampa rumo ao litoral norte no domingo, depois que metade da cidade já havia descido. Ainda bem que economizamos tempo na estrada porque gastamos três horas até arrumar toda tralha e, finalmente, sair de casa. Ai, é tanta coisa que não pode faltar, né? Fralda, sunga, papinha, frutinha, casaco, banheira, bichinhos...E o carro vai que vai, lotadaço.
Almoçamos no caminho. Gutão tirou uma bela soneca e só acordou quase lá. Paramos de novo pra ele comer. Gutão vibrou quando viu a estrada, os carros, a água de coco. Levamos cerca de duas horas até nosso destino, um lugar especial. Um chalezinho no meio da mata, um lindo jardim, piscina de pedras, coelhinhos e ovelhinhas passeando e vista pro mar. Ah, a vista. Tomar café ao ar livre olhando o marzão não tem preço!
O tempo ajudou. Fez sol e calor. Gutão foi à praia. Adorou! Virou bife à milanesa na areia, todo grudado por causa do protetor solar. Claro que não ficou no sol. Fizemos uma mega-barraca com vários guarda-sóis (é assim que escreve?) e filhote ficou ali, todo entretido, enchendo os baldinhos, fazendo castelos. Tomou banho de mar. Reclamou da água gelada ("fia, fia"), mas não se conteve. Chegou a gargalhar de tanto prazer diante das ondas! Eu e o Rô gargalhamos junto e experimentamos uma alegria indescritível. Que coisa boa viver a felicidade de um filho!!!
Praia mesmo só na segunda. Nos outros dias (metade do domingo e metade da terça), outras brincadeiras. Gutão "voou" no balanço, jogou bola com o papai, correu atrás da Moa, uma cadelinha Lhasa-Apso linda, linda, viu os coelhinhos, deu casca de banana pras ovelhas, curtiu o pôr-do-sol no penhasco. Graças ao repelente e aos cuidados da mamãe, não levou nenhuma picada de borrachudo. A mãe que vos escreve, no entanto, voltou pra casa com os pés inchados de tanta mordida. Além dos mosquitos, tive o azar de pisar num caminho de formigas e fui dolorosamente atacada. (Aliás, uma dica do meu médico pra quem vai encarar praia com mosquitos: ingerir vitamina B1 uns dias antes. É que ela exala um cheiro forte, que a gente não sente, mas que repele os malditos.)
Gutão aumentou consideravelmente seu vocabulário. Agora, fala absolutamente tudo. Chega a conversar com a gente. Voltou da viagem, na terça, todo feliz, falando pelos cotovelos no carro, lembrando disso e daquilo, uma graça. Tá companheirão, nosso menino. Participa dos programas, não faz mais tanta birra, curte os lugares, as pessoas, os momentos. É carinhoso, curioso, disposto. Ainda dá um certo trabalho durante a noite, não dorme direto. Acorda pelo menos uma vezinha, em geral procurando a chupeta. Mas agora, pela manhã, é só a gente falar "não precisa agora, né?" e Gutão imediatamente entrega a petita. Segue comilão, devorador de frutas. Incluiu abacaxi entre as suas prediletas. Durante a estada na praia, segunda à noite, não quis saber do jantar. Tava num clima, digamos, natureba. Comeu uma baita salada de frutas, com banana, pêssego, maçã e melão. E ainda tomou leitinho antes de dormir!
Voltamos da praia sob efeito do sol: reenergizados. Treino bom pras férias do final de ano, oba!!!!!!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 9:20 PM


Sábado, Novembro 12, 2005


Saúde é o que interessa


Estamos, eu e Gutão, cuidando das nossas "ites". Rinite minha, otite dele. Vivo com o nariz entupido desde que me conheço por gente. Já fiz inúmeros tratamentos, alopatia, homeopatia, natação, injeção, enfim. Desde que mudei de Recife pra Sampa, há sete anos (já??), a alergia respiratória só fez piorar. E eu tenho certeza que não preciso dizer por quê, né? Em uma frase: o ar dessa cidade é irrespirável. Fato é que, no mês passado, engatei numa crise de rinite terrível. Acordava espirrando, passava o dia com o nariz tapado, respirando pela boca, Sorine à mão. Estava tentando tratar com homeopatia já há alguns meses, mas não deu o resultado esperado (acho que as bolinhas funcionam melhor preventivamente. Na crise mesmo, tem que rolar um remédio alopata pra desobstruir as vias). Voltei, então, ao médico que operou meu nariz (septo nasal) e cuidou da minha alergia durante um tempo. Hoje completo uma semana do tratamento com corticóide. Daqui por diante, fico só com um spray nasal à noite. Voltei a respirar. Tenho dormido melhor. Estou feliz.
Já Gutão teve retorno na otorrino ontem. Levamos os resultados do raio-X do nariz, onde ela viu que as adenóides dele estão de tamanho normal e que a passagem do ar não está comprometida. Já a impedanciometria mostrou alterações no ouvido esquerdo, o que sofreu mais com as otites. O funcionamento do ouvido direito está normal. O do esquerdo, bem abaixo do esperado. Não é uma perda auditiva estrutural, não há nenhum problema no ouvido médio. É circunstancial, consequência das otites. Não temos muito com o que nos preocupar, já que Gutão tem um ótimo desenvolvimento cognitivo e não teve a linguagem comprometida durante as crises. Muito pelo contrário! Agora, é cuidar pra estrutura do tímpano voltar ao normal -- e cuidar muito pro filhote ficar imune a outras infecções do gênero. Vento e friagem, por exemplo, nem pensar. Mas passeio na praia e banho de mar estão totalmente liberados! E que venham as férias!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:58 AM


Quinta-feira, Novembro 10, 2005


O melhor da vida é fazer bagunça


Este bem que poderia ser o lema que define a fase atual do meu Gutão. É impressionante o tanto de energia que esse menino tem, o tanto que ele gosta de barulho, de agitação. Já acorda falando, correndo pela casa, chamando os "amiguinhos", elétrico com o que há por vir durante o dia. É uma alegria só às 7h da matina -- um aprendizado pra mim, canceriana assumidamente dorminhoca.
Gutão acorda com gosto, sabe? Todo dia é igual: ele desperta e me chama. Mesmo assim, é o Rô, invariavelmente, quem o pega no berço. Daí, eles vêm me dar beijo e segue-se o ritual. Filhote cata tudo o que fica em cima da minha mesinha de cabeceira e vai me oferecendo: "mamãe, água" (não durmo sem um copo dágua ao lado), "mamãe, zológio" (meu relógio-despertador), "mamãe, livo" (pega todos os meus muitos livros da pilha, bota em cima da cama, abre um a um e fica procurando "figula". Aí, eu digo que só tem "letra" e meu pequeno leitor segue folheando, conformado).
E vem a hora de tentar me tirar da cama. Gutão pega a "salaça" e fica procurando meu pé. Eu digo pra ele ir tomar café com o papai e dar bom-dia pros amiguinhos que a mamãe vai descansar mais um pouquinho. Ele não se conforma na primeira tentativa, claro. Fica lá, repetindo seus argumentos: "sala, mamãe, bagunça, Caillou". Eu insisto que preciso dormir mais cinco minutinhos, que é pra ele tomar o leitinho e vir me acordar depois. Ele resmunga, mas vai. Agora, não quer mais ir no colo do pai, não. Vai correndo, gritando "guli, guli", uma espécie de código que anuncia a farra entre os dois. Mais ou menos assim: o Rô grita "guri, guri" e Gutão sai tirando fino das paredes, morrendo de dar risada, pronto pra se jogar na primeira pilha de almofadas que vê pela frente!
O dia mais feliz da vida do menino? Dia da Isaura, claro. A "Lá", a faxineira. Mais precisamente, segundas e quintas. É só falar no nome dela que ele sai a milhão pela casa, à procurado do "balulho" (o aspirador da moça!). E a Isaura dança com ele, e faz cosquinha, e ele pega a mini-vassoura e sai atrás dela limpando os cantinhos que ela não limpou ainda, e pega o pano de chão e esfrega, esfrega, esfrega. Hoje, na hora em que vim trabalhar, ele tava lá, todo faceiro, metade do corpo à vista apenas, deitado, limpando embaixo do sofá!!
Tem uma coisa legal nessa história, o bom exemplo da faxina: Gutão adora brincar, mas, depois que a farra passa, quase sempre é muito cooperativo, ajuda a colocar cada coisa em seu lugar e não gosta de ficar sujo, não. Sempre que volta das brincadeiras, no prédio ou na praça, ele pede pra lavar as mãozinhas -- "mão, tonela". Lava com gosto, esfrega uma na outra, mexe no sabão, enxuga devagarinho depois. O máximo é que ele sabe que as mãos ficam cheirosas e, às vezes, me mostra as dele, puxando as mangas da camisa pra cima, pra ganhar um beijinho e um elogio. Um fofo. Aliás, dia desses, cheguei em casa e Gutão soltou: "mamãe, chelosa". Coisa boa um filhote que cuida da auto-estima da mamãe! :-)
posted by JULIANA DE MARI 3:24 PM


Segunda-feira, Novembro 07, 2005


Criança diz cada coisa


Estávamos, eu e Gutão, acompanhando o primeiro capítulo da nova novela das oito. Eis que, depois das primeiras cenas, vem a abertura. E aparece aquela modelo, magérrima, num longo lindíssimo, e começa a se despir. E Gutão, prontamente, diz: "menina pelada". Pasmem!!! E filhote ficou falando "menina, pelada, menina, pelada" até passar a vinheta outra vez. E eu dizia: "Filho, já passou a menina pelada". E, então, veio um comercial de bronzeador. Juliana Paes, bundudíssima, desfilando numa praia artificial. E Gutão não se conteve: "menina, pelada". E eu, quase morrendo de rir, devolvi: "não, filho, a menina tá usando biquini!!!". Demais pruma cabecinha loura cacheada compreender que sutiã e calcinha é quase pelado e biquini, que cobre muito menos, é Ok, né? Imagina o que ele não vai pensar quando visualizar a cena numa praia de verdade!!!!!!

posted by JULIANA DE MARI 10:58 PM


Domingo, Novembro 06, 2005


"Quê cê qué?"


Gutão manda essa aí de cima toda vez que quer alguma coisa. Traduzindo: é o nosso "o que você quer, filho?". Hilário. Ele segue tagarelando. Tem trocado algumas sílabas e criado suas próprias palavras, sempre derivadas das nossas. Caminhão, por exemplo, virou "pocainhão". E não há cristão que o faça falar "sandália". É "salaça" e pronto. A palavra é tão contagiante que até o Rô anda se referindo às dele desse jeitinho. A gente acha graça dos termos que filhote cria, mas eu insisto em dizer a palavra certa pra ele ir treinando mentalmente. Gutão tá numa fase repeteco total. Repete absolutamente tudo o que a gente diz. Não passa nada. O que significa cuidado redobrado. Ontem o Rô tava vendo jogo do Grêmio e soltou um "FDP". Gutão arregalou os olhos. O pai emendou com outra coisa qualquer, apavas, claro. Foi por pouco que o palavrão não virou doce na boca do menino!

Nesse final de semana me toquei: a irritação do Gutão é inversamente proporcional ao tempo que ele passa na rua. Ou seja, o que irrita o menino é ficar trancado em casa. Ele adora passear, adora a companhia do papai e da mamãe, adora encontrar outras crianças, adora andar de carro, ver os cachorros, sair correndo pela calçada, sentar no banquinho pra ver a vida passar, cidadão que é da Vila Madoca.
O sabadão foi assim: rua, rua e mais rua. Começou na pracinha com o papai. Só o tempo da mamãe escapar até a manicure. Gutão tinha compromisso em seguida. Cortou o cabelo pela quarta vez desde que nasceu. Tava lindo, cheio de cachinhos, mas muito incomodado com os fios que insistiam em cair nos olhos. E a mamãe aqui não arrisca fazer uma franja à la Aritana no menino. Então, lá foi Gutão, todo prosa, cortar as madeixas sentadinho ao lado do papai. Sim, os dois cortaram ao mesmo tempo. Gutão não deu nenhum trabalho. Parece que ficou mais moleque ainda depois do corte. Um ou outro cachinho preservado, franja curta, lindo, lindo, lindo. Depois, pausa prum cafezinho na padaria. Gutão aproveitou pra tomar suco, almoçar e comer melancia. Eu só levei o suco e o almoço. A fruta, não. Ele que viu um pedaço exposto no buffet de longe e pediu "melancia, melancia". Nem preciso descrever a cara que nós, os pais babões, ficamos, né? Orgulho puro!!!

Gutão de barriga cheia, ficamos mais sossegados pra garantir o nosso almoço. Tentamos um natureba pertinho de casa. Além de lotado, tinha uma mega escada na entrada e não tinha cadeirão. Vetado. Andamos mais um pouquinho e tentamos um outro com cara de mercearia e comidinha honesta. Lotadaço. Sem chances manter o guri preso ao cadeirão naquele barulhão. Já que o carro tava no estacionameto, saímos andando à procura de um lugar minimamente tranquilo. Paramos em outra padaria. Tomamos um senhor brunch: pãezinhos, ovos, salsicha, bolo disso, bolo daquilo. Gutão se comportou muitíssimo bem. Ficou sentado no cadeirão o tempo todo, coisa cada vez mais rara de acontecer, brincou com seus carrinhos, tomou um copão de suco de abacaxi e mandou ver quando o papai cortou uns pedacinhos da fruta. No final, ganhou mais um carrinho pra sua coleção. Dessa vez, um Ford antigão, com prancha de surf no rack!!! Diz o pequeno que é o "carro suf", "carro pancha". Nem preciso dizer que o Rô tá fazendo uma forcinha pra ganhar um companheiro de bate-volta!!!
Todos de barriga cheia, saímos às compras. Gutão entrou no carro e capotou. Antes, avisou que tinha feito coco, mas, como a padaria não tinha trocador, eu e o Rô achamos que tudo bem trocá-lo quando chegássemos em casa. Hãhã. O pior estava por acontecer...Bom, Gutão precisava de fralda e chupeta. Comprei. O Rô queria vinhos. Compramos. Paramos na locadora também (vimos o ótimo Batman Begins). E Gutão lá, dormindo. Chegamos em casa e veio a reveleção: cadeirão do carro completamente cagado!!!! O pior é que não dava pra tirar só o pano e trazer pra lavar. O Rô teve que tirar a porcaria da cadeira inteira. E o fedor? Pelamordedeus! Gutão, tadinho, acordou assim que entrou em casa e teve que trocar a roupa toda. O bumbum já tava quase assando...E veio a culpa e eu e o Rô nos prometemos nunca mais minimizar um aviso de coco.

No final do dia, visita do Duda, da Dani e do querido Miguel. Meninos se esbaldaram com os carrinhos. Depois jantaram juntos na cozinha. Miguel no cadeirão do Gutão e Gutão sentado dentro de uma bacia! Sim, a imaginação do filhote anda a mil e eu acho saudável embarcar nas viagens dele. Eu sentei no chão. Gutão ficou sentado, pernocas espremidas na bacia, bocão afoito, e comeu todo o jantar. No final, quis até comer sozinho. Fez uma lambança, mas saiu do cadeirão improvisado feliz, feliz. Ah, feliz, feliz, ficamos nós com a notícia maravilhosa que os dindos nos deram: vamos ser nós os dindos da menina! A irmãzinha do Miguel vai ser nossa afilhada! Que venha a querida, cheia de saúde, viver uma vida linda. Os dindos aqui prometem muito carinho. E Gutão, bem, do jeito que gosta de uma menininha vai cuidar da Nina (será mesmo esse o nome?) como se fosse dele a irmã!!!!

Hoje, domingão, fez frio pela manhã. Esquentou na hora do almoço. E à tardinha o sol caiu alaranjado. Corremos pra pracinha. Encontramos os dindos e o Miguel, a Rê e o Theo, a Gica, o Villela e o fofíssimo Gustavo. A Alê, minha querida que está de volta, também foi. Delícia terminar o final de semana assim, meninos felizes, nós mais ainda. Gutão chegou da praça direto pro banho. Jantou mingau. E quis comer um pãozinho Seven Boys. Foi a primeira vez que comeu um inteiro. Quis suco e Caillou. Não desgruda mais desse DVD. Já sabe os episódios decorado, dá sempre risada nas mesmas situações, repete tudo o que o Caillou diz: "peguei, ganhei, sapato, palhaço". Tou pensando até em comprar outros filmes pra variar. O desenho é mesmo uma graça. Pra quem não conhece, um resumo: um menininho de 4 anos, uma irmãzinha de dois, papai e mamãe dispostos a cuidar da auto-estima e do entrosamento dos dois. Caillou é protagonista em situações cotidianas como amarrar o sapato, assumir que quebrou um vaso, lidar com a raiva de um amiguinho, com o mau humor, com a vontade de fazer xixi fora de hora e por aí vai. Super educativo, super bonitinho mesmo. Eu confesso que também virei fã!

Bom, Gutão se entregou a Morfeu agora há pouco, quase 22h30. Os dias têm sido compridos aqui em casa. A energia do menino é impressionantel. Além do que, meu Chicletinho Adams não se conforma em me largar nem na hora em que vai nanar. Tenho que ficar ali, mãozinha com mãozinha, fazendo cafuné, até que ele finalmente se entrega. O Rô também cumpre o ritual -- e bem. Mas sempre que o pai sai do quarto, Gutão me chama, meio que pra conferir, eu acho, se eu vou atendê-lo ou não. Eu sempre vou, claro. E nessas horas, ele vira pro lado e parece dizer: "ainda bem". Sempre rezo a oração do Anjo da Guarda antes dele fechar os olhinhos. E ele aprendeu a dizer "amém". Taí, uma coisa que eu faço questão de preservar. A fé do meu filhote. Fé nele, na vida, num mundo melhor, numa energia que nos mantém pra cima, num algo mais. Deus pra quem quiser. Eu imagino que sim. Sou devota de Santo Expedito e só eu sei o quanto ele já iluminou meus (nossos) caminhos. Tá, meu processo terapêutico, minha fé na minha força, também têm ajudado. O santo ou eu, tanto faz, na real. Fé na vida, fé na mudança, fé no melhor, é o que importa. Essa lição Gutão vai aprender desde pequeninho.
Boa noite!
posted by JULIANA DE MARI 11:32 PM


Quarta-feira, Novembro 02, 2005


Ele é uma figura


Gutão já fez um ano e sete meses. Cresceu tanto esse guri. Tá cabeludo, falante, carinhoso, cheio de energia. Meio birrento, é verdade. Meio chantagista também. Quando faz coisa errada e prevê advertência, grita um "mamãeeeee" lamuriento, praticamente um pedido de socorro. O figura testa nossos limites o tempo todo. Deu de querer subir onde não pode. Vira pra gente, abre um sorrisão e vai. E leva cartão vermelho, claro. E escancara os dentões de novo. E nova bronca. Até esgotar nossa psicologia e ter que ser tirado à força da situação. Aí, lá vem bocão. Gutão fica vermelho, chora grossas lágrimas, se joga no chão, vira de um lado pro outro. E a gente ali, impassível. Ouvi dizer que a melhor coisa a fazer nessas horas é fingir que não está vendo o barraco. E é assim que a gente tem tentado proceder, mesmo quando o chilique atinge os mais altos decibéis. Tem funcionado. Ainda não conseguimos eliminar o protesto, mas, quando acontece, tem durado cada vez menos.

Hoje é feriado e a Rê e o Theo vieram nos visitar pela manhã. Gutão ficou todo feliz quando contei da novidade, chamando o amigo Tetéo entusiasmado pela casa -- até que ele, de fato, chegou. Acho que tem caído a ficha do pequeno a respeito do seu território, das suas coisas, das suas "pessoas". Ele já teve fases bem mais amigáveis. Deu sorrisos meia-boca e reagiu ao Theo com uma certa desconfiança. Não quis emprestar os brinquedos por bem. Precisou de uma ajudinha minha na hora de abrir mão das suas "posses". Os meninos ficaram na sala, fazendo cada um a sua bagunça, falando pelos cotovelos, mas não chegaram a brincar juntos. E, por falar em falar, fiquei impressionada: o fofíssimo Theo fala ainda mais que Gutão! E fala perfeitinho. E pede "licença" e "por favor". E tá tão lindo e sapeca. Ficou se escondendo atrás de mim e dando altas risadas enquanto Gutão o procurava! Coisa boa ver meu filhote fazendo amigos. Coisa boa ter a Rê por perto.
O Rô aproveitou o feriado pra ir à praia. Não há tempo ruim, nem chuva nem frio, que detenha um surfista na paulicéia! Eu e Gutão curtimos a manhã juntos. Depois da visita da Rê e do Theo, filhote capotou. Eu aproveitei pra colocar a vida virtual em dia. Tava devendo resposta pras minhas queridas Mic, Elza e Lu Brasil. (Assim como tou devendo um baita agradecimento a todas as queridas que passam pelo blog e nos deixam recadinhos carinhosos, animadores, especiais!!!!!) Também mandei umas fotos de Parati pra revelar. Tudo online (se alguém se interessar, o site é www.netphotos.com.br). Ah, eu tou cada vez mais adepta das facilidades virtuais. Supermercado, por exemplo, não vou há séculos. Desde que o Augusto nasceu, a gente tem feito compras só pela internet. O melhor de tudo é que a lista chega em caixas separadas, o que facilita um bocado a chata tarefa de guardar cada coisa em seu lugar. É tão bom me dar o direito de ser preguiçosa --ou será prática?-- de vez em quando!!
posted by JULIANA DE MARI 4:28 PM


Domingo, Outubro 30, 2005


Agitadíssimo


Assim foi nosso final de semana. Ainda bem. Com o tempo chuvoso e frio lá fora, ficar dentro de casa só dá vontade de dormir e comer, não necessariamente nessa ordem! Pois bem. Gutão começou o sabadão no Fleury. Estávamos em débito com os exames solicitados pela otorrino. O moço se comportou muitíssimo bem tanto na radiografia do nariz quanto na impedanciometria (exame pra avaliar o funcionamento das estruturas internas do ouvido). No primeiro, ficou encantado com o barulho da máquina de raio-x e nem se incomodou quando o técnico segurou o queixo dele pra "foto" sair bem direitinho. No segundo, levou um brinquedo pra dentro da sala, mas atendeu de pronto os pedidos da médica pra ele ficar quietinho (ela produz algum ruído e depois mede, por meio de um gráfico, como o tímpano se comportou diante do estímulo, acho que é por aí...). O mais engraçado é que toda vez que vinha o ruído, Gutão gritava: "balulho"!!! Figuraça, saiu da sala de exame todo faceiro, coberto de elogios.
Depois, fomos prestigiar o aniver de três aninhos da Maria Anita, filha de um amigo querido, o Marco. Foi na casa deles, num esquema bem família, com direito a macarronada pra almoçar e bolo confeitado na hora para o parabéns! Gutão se esbaldou na piscina de bolinhas. Gritou, nadou, não queria saber de deixar os mais velhos entrarem! Obviamente, quando chegou o momento de revezar, tiramos o menino ao som de uma bela ladainha. Bolo à vista, o Rô não resistiu: deu um teco de brigadeiro pro filhote. Tá, vai, eu sei que não preciso ser tão rígida com os doces, mas é que realmente não vejo porque oferecer esse tipo de comida "vazia" (e deliciosa!!!!) pro menino agora. Mas tudo bem. Gutão gostou, pediu mais e ganhou mais uma mordida. Também comeu pipoca e um pedacinho do bolo de coco. E o Rô me confessou, com a cara mais lavada do mundo!, que, toda vez que vai na padaria com Gutão, acaba oferecendo uma tentaçãozinha: um pedaço de bananinha aqui, um tequinho de doce de leite ali!! Ah, se fosse comigo!!!!! :-)
A noite fomos visitar uma prima do Rô, a Patty, e sua pequena Alice. A menina tem oito meses e pique de dois anos, juro! Nunca vi uma nenê tão sorridente, tão elétrica, tão cheia de personalidade! Eu sei que menina, em geral, é precoce, mas fiquei impressionada com a energia dessa guriazinha. Gutão aos oito meses ainda era bebezão de mamar no peito!!!! Ela já engantinha, já fica em pé segurando nas coisas, já come pão de queijo e já demonstra que vai dar muito trabalho!! Bom, Gutão dançou, brincou com todas as bonecas da prima, ganhou e deu presentes e pediu até pra deitar no berço alheio! A farra, pasme, terminou às onze da noite, todo mundo exausto. E a Alice, indo pro banho, sob protestos!!!
Hoje tivemos outro aniver. Dessa vez, do meu priminho Mateus, que completou cinco anos. A festa também foi em casa, mas não ficou devendo em nada pra um bufê. Teve cama elástica, piscina de bolinhas, animadores, churrasco e uma mesa super legal dos Incríveis. Gutão ficou fascinado pelo "Criquível". Até trouxe um dos bonequinhos que enfeitavam a mesa pra casa (Perdão, Edna!). Apesar do frio, só queria saber de ficar lá fora, no pula-pula, com as "menininhas". Ele fala assim mesmo, todas as muitas sílabas, direitinho.
Aliás, o desenvolvimento cognitivo desse menino tá um espanto. Ele fala (e entende) absolutamente tudo. Alguma coisa ainda sai truncada, como meu nome. Sim, Juliana virou Jonota e sandália é salaça!!! Mas a gente pergunta "como é teu nome?" e ele responde "Auguto". E "onde é que tu mora?" e ele "São Paulo". E "como é o nome do papai?" e ele "Edigo". E diz também onde o papai trabalha, onde a mamãe trabalha, qual é o nome da vovó -- "Ju...lice". E hoje, vendo o novo DVD do Caillou, virou pra gente e soltou um "molhou tudo". O Rô não acreditou. Perguntou se alguém no filme tinha falado isso. Eu disse que não, que ele simplesmente tinha visto a chuva na TV. Pasme. Uma mulher ontem no laboratório ficou espantada quando soube que ele tem só um ano e sete meses. Disse que a maioria das crianças nessa fase ainda está balbuciando. Gutão, não. Fala mesmo. E faz até voz pra Pig e pra Porquinha, pode? Acho que ele me vê falando de um jeitinho mais meiguinho e toda vez que vai brincar com elas reproduz essa vozinha. A gente pergunta como é que a Pig fala e ele responde, com essa vozinha, "bigada, Auguto"!!!!
Ai, Augusto, brigada eu, meu filho. Não há no mundo alegria maior do que te ter do meu lado.
posted by JULIANA DE MARI 9:42 PM


Sexta-feira, Outubro 28, 2005


O relato, enfim


Parati superou minhas expectativas. A cidade é linda, colorida, bem conservada. Combina com passeio a dois, com criança ou em excursão. As pessoas são receptivas, o clima é cosmopolita. É uma cidade com sotaque francês. A gente esbarra em um a cada esquina! Nossa estada começou --e terminou-- com chuva. Mas era só o sol arriscar dar as caras pra gente sair pra bater perna. Caminhar pelo centro histórico, embora seja muitíssimo agradável, não é lá uma tarefa das mais fáceis. O calçamento é totalmente irregular e, molhado, bem escorregadio. Gutão só quis saber de andar sozinho e nós tivemos que enfrentar alguns bons ataques de birra pra conseguir conter o moço diante do lodo. Não houve jeito de evitar, no entanto, que ele ganhasse umas boas manchas roxas e alguns arranhões nas pernocas. Teimoso que só ele, queria a todo custo subir nas calçadas sozinho. Resultado: joelho esfolado mais de uma vez.
A pousada em que ficamos, a do Ouro, é super bem localizada e decorada. O quarto era grande, com dois ambientes -- graças a Deus! Sim, porque, quando a chuva engrossava, o negócio era ficar ali, ouvindo música e tentando entreter o menino com o saco de brinquedos que levamos exatamente pra essas emergências! (Vocês não têm noção do tanto de tralha que uma família é capaz de transportar!!!). E sabe como é que é, chuvinha fina lá fora, preguiça muita lá dentro. Nós três dormimos muito. Juntinhos. Perdemos a hora pra almoçar praticamente todos os dias. Eu levei papinhas Nestlé e legumes cozidos, mas acabamos aproveitando a viagem pra oferecer novidades gastronômicas ao filhote. Gutão provou crepe de frango com tomate, filé ao molho madeira e panqueca de carne e queijo. Adorou. Também provou açaí com banana, bolo de abacaxi e tomou um pouquinho de sorvete de coco. O café da manhã era a refeição mais farta do moleque. Além do leitinho, Gutão mandava ver nas frutas: melão, mamão e melancia. Em geral, um pedaço de cada uma. No almoço, variedade. No jantar, mingau quentinho e mais fruta.
Gutão só dormiu mal na primeira noite, quando ainda precisou de inalação. Nas restantes, cansado que só, dormiu feito um anjinho. Eu e o Rô cansamos igualmente. Gutão só queria saber de andar, andar e andar. E ver o mar. E entrar na piscina. E curtir a chuva. E quando era contrariado, abria um berreiro de espantar quarteirões! Já falei pro Rô, aliás, que se Gutão tá no pique que tá com um ano e meio, quando completar três anos vai se emancipar!!!! Fora o trabalhão que eu prevejo pra breve, quando o menino tomar consciência pra valer do charme que tem. Sim, na viagem, ele fez um baita sucesso com a "mulherada". Primeiro, uma menina de uns cinco anos que vinha correndo pela rua com o pai e os irmãos parou diante dele pra oferecer um tequinho de pastel. Gutão pegou, sorriu, cheirou e provou, todo satisfeito com o mimo. Depois, uma menina linda de dois aninhos, ao ver Gutão no meu colo todo pronto pra jantar, disparou: "que bonito"!! Pra completar, uma menina um pouquinho maior se encantou pelo menino, o pegou pelas mãos e levou pra passear, todo animadinha, pelo restaurante de beira de estrada. Era volta pra casa, Gutão todo amassado da soneca no carro, mas feliz, feliz, com um sorriso de orgulho grudado em sua carinha linda.
Praia que é bom, praticamente não aproveitamos. Quer dizer, na sexta, quando o sol saiu, a gente alugou um barco e fez um passeio de duas horas pela baia de Parati. Vimos umas lindas ilhas, o "sítio" e os barcos do Amyr Klink e a casa cinematográfica do dono da Paris Filmes. Ficamos babando na cor esmeralda daquele mar. Gutão se sentiu o próprio marinheiro. Só queria saber de ficar na proa do barco, mexendo nas cordas, prontinho pra jogar a âncora ao mar! A empolgação durou até o sol começar a cair. Aí, veio o sono e a resmungação. Voltamos pra terra firme com filhote descabelado (os cachos cresceram mais ainda) e totalmente acabado. Mesmo assim, não queria ir pra pousada de jeito nenhum. Por ele, ficava ali, coçando as orelhas e chupetando, vendo o movimento na beira do cais. Tem nada, não. A gente certamente vai voltar.
posted by JULIANA DE MARI 8:04 PM


Domingo, Outubro 23, 2005


Voltamos


Chegamos de Parati ontem à tardinha. Foi uma delícia. Vislumbrei o paraíso.
Aliás, quisera estar lá ainda...Incrível como a realidade -- e todos os seus devidos conflitos -- se impõe mal a gente abre a porta de casa...
Hoje eu não tou boa. Cabeça fervilhando, coração minguando...Passo amanhã pra contar das alegrias, tantas!, do meu Gutão (ele melhorou, tá ainda mais falante, ainda mais esperto). Bom voto pra vocês.
posted by JULIANA DE MARI 12:35 PM


Domingo, Outubro 16, 2005


Nós queremos férias


O Rô voltou de viagem hoje cedo. Passou uma semana numa surf trip na Nicarágua. Voltou bronzeado, barba por fazer, cara boa, um monte de presentes. Feliz, enfim. Eu e Gutão o recebemos cheios de saudades -- e de dodóis. Há dois dias Gutão começou com uma tosse rouca esquisita. Quando chora, faz um ronco horroroso. Também tem roncado mais na hora em que, finalmente, dorme. Sim, finalmente porque o menino parece que fez um pacto com Morfeu: dormir, só de dia. À noite, o negócio é "bugunça".
Ai, minha gente, meu Gutão tá impossível. Fala mais que a boca, faz coisas que até Deus duvida (agorinha mesmo subiu na prancha do Rodrigo, caminhou de uma ponta a outra e desceu, gritando "pulou"!!!). Deu de mostrar que é mais forte do que a gente já imaginava. Filhote que, desde pequeninho quebrava limites carregando o peso, pesadíssimo, da porta, agora empurra cadeira, escada, mala pesada. Ai do que atrapalhar o caminho dele! E ele cerra os punhos, trava os dentes, e faz pose de forte que só o Incrível Hulk! Também dá abraço de urso na Pig, "quelida", fala baixinho no "ouvido" dela -- mas castiga a coitada com amassos violentos na hora da raiva.
Retomando o dodói, acho que o pequeno tá ainda mais agitado por causa dele. Liguei pra dra Ketty ontem e ela acredita que, pela minha descrição, o que o incomoda é uma laringite. Essa madrugada foi terrível. Ele acordou várias vezes suado, irritado, chorando. Eu e a mainha fizemos inalação, cantamos, passeamos com o menino insone pela casa. Ele quis dormir com a vovó. Mas, quando eu saia de perto, começava a resmungar outra vez. Conclusão: ficamos, os três, tortos, mas juntos no futon. Quando ele, enfim, relaxou, eu fui ter minha horinha de sono. E aí, o Rô chegou. Que alegria!
Chegou cansado do fuso, tirou uma soneca e depois, coitado, caiu na real de pára-quedas. Levamos Gutão no hospital. A médica que o atendeu disse que o pulmão está limpo, graças a Deus. É só tosse e um pouco de catarro. Recomendou um xarope e a manutenção do tratamento que ele tá fazendo pra tratar da pseudo alergia. Gutão tá aqui agora, brincando como se fosse dez da manhã. Programamos de sair em férias, rumo à praia, amanhã (se ele melhorar, claro). Uma semana só nossa. Já arrumei parte das tralhas. Tenho até vergonha do tamanho das malas! Mas, fazer o quê? É fralda, protetor solar, remédio, chapéu, brinquedo, sapato, sandália, casaco, regata...Tem opção primavera-verão e outono-inverno. Não dá pra confiar nesse tempo louco que tem nos castigado em Sampa. Eu tou com com dor de cabeça, totalmente congestionada, com o ouvido zumbindo. Mas, quando penso em passear na praia com meus dois amores, meu ânimo volta. Vou fazer inalação depois que Gutão dormir. Torçam aí pra gente acordar melhor. Um beijo e até a volta.
posted by JULIANA DE MARI 10:42 PM


Terça-feira, Outubro 11, 2005


Que canseira!


Acho que o mundo astral resolveu me mostrar a força ariana de uma vez por todas. Meu pai eterno, é energia e personalidade demais prum toco de gente como esse! Gutão tá lindo, falante, carinhoso, companheiro, mas tá tãooooo birrento. Quando quer, quer e pronto. E agora aprendeu a dizer "qué, mamãe". E repete mil vezes se for preciso até ser atendido. Ou não, né? Que eu não tou disposta a virar cúmplice dessa tirania. E quando eu digo que não, tem vezes que ele aceita e parte pra outra, mas tem vezes que chora, esperneia, se joga no chão, fica vermelho, bate a cabeça -- tudo observando, com o canto do olho, se eu tou reagindo ou não. Claro. Em geral, eu mantenho a calma, insisto no não, dou uma explicação compatível com a capacidade dele de compreender, enfim. Só que eu não sou de ferro. E nem pretendo ultrapassar meus limites só pra ser a "boazinha".
Hoje ele realmente me irritou em dois episódios. Pela manhã, não quis trocar a fralda de jeito nenhum. Tou falando de um moleque, correndo pela sala, girando em círculos, pedindo pra ouvir música enquanto tentava catar todos os brinquedos do chão ao mesmo tempo, às seis da matina! Sim, seis da manhã, praticamente escuro ainda. Depois de tentar calmamente, pela enésima vez, pra ele deitar que a gente precisava trocar a fralda, peguei à força mesmo e troquei a dita. Gutão esperneou no começo, depois, quando eu mudei o foco da atenção e perguntei se ele queria que a mamãe cantasse, ele se acalmou. Até esboçou um sorriso. Quando se livrou do "martírio" saiu feito furacão, tentando fazer tudo-ao-mesmo-tempo-agora outra vez. E eu fiquei ali, boquiaberta, tentando lembrar quando foi mesmo que meu bebezinho virou esse ser tão autônomo. À noite, Gutão repetiu o chilique. Não queria colocar o pijama nem tomar o leite. Pediu ameixa e levou, tudo bem, ele tem direito a algumas escolhas. Na hora de trocar a fralda, chilique mais uma vez. Ai, ai, ai.
Falando sério, essa fase tá demandando absurdamente. É uma fase sensacional, de trocas muito intensas, de uma expressão muito genuína do nosso amor e de todos os outros sentimentos que cabem na relação mãe-pai-filho. Apesar da canseira que dá, acho bacana ver meu Gutão tentando quebrar limites (em outras palavras, pedindo limites) e expressando suas frustrações tão intensamente. Ele precisa aprender, de um jeito ou de outro, que nem sempre vai dar pra ter tudo o que quer na hora que quer. E é melhor que esse aprendizado se dê em casa, num ambiente de confiança, de cuidado, de carinho, do que no mundão de meu Deus, né? Esse aprendizado da vida virá, no tempo certo. Mas eu espero ter colaborado positivamente pra que meu Gutão o enfrente de nariz bem empinadinho!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:15 PM


Domingo, Outubro 09, 2005


220 volts


Como se não me bastasse o pai, agora o filho manifesta uma energia de causar maremoto na minha calmaria canceriana! Sim, Gutão nasceu geneticamente programado para a farra. Quanto mais bagunça, quanto mais barulho, quanto mais correria, quanto mais risada, melhor. Não à toa pedi um reforço vitamínico pra minha médica (ela recomendou Pharmaton). Claro que é uma alegria conviver com um serzinho tão cheio de vida (mas dá uma canseira, meu Deus!). Gutão preenche a casa, literalmente. Quando não está levando o aspirador de um lado pro outro, fazendo pausas pra limpar aqui e ali, está empurrando a mini cadeirinha que ganhou e que virou carro de passeio da Pig. E se não está fazendo nada disso, é porque tá lá, desobedecendo a ordem de não mexer no aparelho de som, clamando pelo "ilaliê, Xuxa" ou pelo "sapo jululu".

Não encontrou o pequeno nem em uma nem em outra atividades? Pode apostar: ele deve estar pulando em cima da cama nova que veio pra completar o mobiliário do seu quarto e gritando, todo sorrisos, "balulho, balulho". Resolvemos pela cama por dois motivos: o primeiro é ter um espaço mais adequado pra babá dormir nos dias em que a presença noturna dela se faça necessária. O segundo, ter um lugar pra descansar sem ficar tortos da coluna nos dias em que Gutão fica doentinho e solicita nossa presença mais do que de costume. Acontece que a recém-chegada virou a atração principal da casa pro menino. E não é só pra fazer bagunça, não (o sapeca aprendeu a dizer "bugunça" e "sapeca" também!). Agora, por exemplo, ele tá lá, acompanhado de praticamente todos os seus amigos de berço, ressonando depois de quase duas horas de briga com Morfeu antes de se render à soneca da manhã. Acho mesmo que a transição do berço pra cama vai se dar antes do que a gente imaginava...

Vovô Beto, que chegou na sexta e vai embora amanhã, e vovó Ju, que fica por aqui ainda por mais duas semanas, estão boquiabertos com a tagarelice e a sapequice do netinho. Exemplos não faltam. Gutão aprendeu a dizer o próprio nome. É só eu perguntar: "Como é teu nome, filho?" e ele solta: "Auguto". Sem o "s", obviamente. Também diz variações: "Gutão" e "Guto". Gutão diz coisas sem tradução, como qualquer criança da idade dele, mas a quantidade de palavras compreensíveis é espantosa. O vocabulário do figura aumenta numa velocidade surpreendente. Quando estou deitada na cama, ele vai lá e manda "acoda, mamãe" (acorda, mamãe). , empurrando minha cabeça ou me puxando pelo pijama. Se quer ver um DVD, além de escolher o dito cujo, aponta e diz "qué, qué". Sabe que o patinho faz "quá, quá", que o cachorro "babo" (brabo) faz "au-au" e que o gatinho diz "meau (na língua dele, é com "e" mesmo!). Se chamo pra comer, ele se anima pra "moçá" (almoçar). E sabe exatamente o que vai querer na sobremesa: "meixa (ameixa)", "ancia" (melancia), "pêla", "machã" (maçã), melão ou mamão. A banana continua abandonada, coitada.
No capítulo frutas, Gutão vai muitíssimo bem, obrigada. Manda ver de três a quatro porções por dia. Um exemplo pra esta que vos escreve e, quando muito, com muita força de vontade, consome uma por dia...Modéstia a parte, acho que isso eu tenho de bom: não transmito meus preconceitos alimentares pro meu filhote. Muito pelo contrário. Tendo a achar que tudo o que é saudável vai ser bom pra ele. Não há nada que Gutão tenha deixado de provar por causa das minhas restrições. Gutão tem retribuído demonstrando um paladar, digamos, compatível à gastronomia contemporânea. Descobri que, ao contrário da mamãe outra vez!, ele gosta de misturar doce e salgado. Foi assim: o Rô deu um taco da massinha da pizza e, em seguida, eu dei um pedaço de maçã. Foi sem querer, mas Gutão amou. Pediu "maix, maix". Aconteceu de novo hoje. Dessa vez, a mistura foi ainda mais esdrúxula: pêra com pipoca (aquelas sem caroço, que ele chama de popoca). Sim, foi ele quem pediu a lambança. E comeu tudinho. Vovô "Betito" (tentativa do Augusto de dizer Albertino) é testemunha!

Que mais? Filhote deu de ir na cômoda, abrir a porta e pedir "cocaso" -- no caso, casaco!! E não aceita qualquer um, não. Gamou na jaqueta jeans. Pede "queta, queta", pega a danada e passa horas tentando enfiar o braço no buraco certo! Por falar em roupas, pra quem mora em Sampa, reforço a dica: a ponta de estoque da Green é ma-ra-vi-lho-sa! Estive lá, ontem, sábado, e fiz ótimas compras pro meu lindão. Tudo tamanho 2 pra cima, já pensando no verão. Pra menino, a oferta é boa, mas pra menina é simplesmente tentadora. Cada vestidinho, ai, ai, ai. Quem sabe no próximo barrigão? :-)

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Ah, fomos visitar uma otorrino na sexta. Ótima, por sinal. Muito meiga, paciente, didática, como todos os que lidam com crianças deveriam ser. Ela olhou ouvido, garganta e nariz minuciosamente. Como ela conseguiu? Um "truque" bárbaro: ela filma a investigação por meio de uma câmera muito pequeninha que só encosta na "entrada" dos ditos órgãos. Daí, depois, com calma, consegue manipular a imagem e avaliar melhor as condições do paciente. Gutão reclamou um pouco até deixar a médica mexer nele. É que havia capotado no carro antes da consulta e só acordou quando já era hora de sentar na cadeira do exame. Tadinho. Bom, a médica constatou secreção em um dos ouvidos ainda e uma narina com "cornetos" um tanto aumentados, o que pode estar dificultando a respiração e provocando um ronquinho de fundo na hora em que o pequeno dorme. Nada grave, mas é preciso acompanhar pra evitar otite de repetição. Ela pediu dois exames: um raio-X do nariz, pra ver melhor as estruturas internas, e um chamado impediometria, exame feito por fonoaudióloga, acho que é isso, pra avaliar se está tudo bem com a audição dele. É um procedimento preventivo, mas que eu achei pertinente, já que há muitos casos de crianças que perderam parte da audição e até do desenvolvimento da linguagem por causa de otites mal curadas. Não é nosso caso, mas é sempre bom checar se está tudo funcionando nos conformes. Também estamos medicando o pequeno com um antiflamatório e um remedinho pra melhorar a respiração à noite. Gutão tem dormido melhor, mas sempre acorda uma ou duas vezes durante a noite, incomodado. Uma hipótese é exatamente a respiração trancada. Vamos avaliar. (Eu conheço tão bem essa rotina. Desde pequena sofro por causa da rinite, que ainda não foi diagnosticada no caso dele. Torço pra não ser essa a causa das otites...).

posted by JULIANA DE MARI 4:36 PM


Terça-feira, Outubro 04, 2005


Falação


Gutão me saudou hoje com um "bom-dia, mamãe". Falou com todas as letras e um sorriso generoso no rosto. Quase cai pra trás de tanta felicidade! Ele já havia dito isso pro pai ontem pela manhã, mas eu confesso que tava esperando a minha vez. Tá tão bacana essa fase, gente. Filhote desatou a falar absolutamente tudo. Basta ouvir alguma coisa da boca da gente uma vez pra ele sair repetindo feito papagaio. Aliás, aprendeu a dizer "pa-pa-gaio". Assim, todas as sílabas, certinho. Eu fiquei pasma. Afinal, papagaio é uma palavra difícil!!!!!
O que mais me surpreende, e acho que eu já disse isso aqui, nem são as palavras que ele diz, mas as associações que ele faz. Vejam só: no domingão à tarde, a mainha ficou de baby sitter e eu e o Rô saímos pruma volta no shopping. Gutão deu uma resmungada básica e eu falei pra ele que papai e mamãe iam fazer compras e trazer um "presente" pra ele. Foi a senha pro menino sair correndo. O Rô correu atrás. Gutão já tava lá no quarto onde a mala da vovó Ju está instalada, mexendo na sacola de presentes que ela trouxe pro Miguel!!! E foi um parto convencê-lo de que aqueles presentes não eram presentes dele!!!!! :-)
A mainha também me contou que ontem filhote tava "ensinando" a Pig a "falar" no telefone, reproduzindo com ela exatamente o que a gente faz com ele. Porquinha em cima do sofá, fone na orelha, e Gutão falando "alô, titia Lulu". Uma graça.
O grude comigo continua. Se eu tou em casa, não tem pra ninguém: ele só quer saber de ficar no meu colo. E pede "colo, mamãe". E eu me derreto toda, obviamente. Mas nem sempre atendo às demandas dele na hora, confesso. Quando tou fazendo outra coisa, prefiro explicar e pedir a ajuda dele. Claro que não faço isso para penalizá-lo, para poupá-lo do meu colinho, mas acho que ele precisa aprender a lidar com as frustrações de maneira saudável e precisa aprender que nem sempre a vontade dele vai prevalecer (o que não significa que ela não seja importante)...
Enfim, meu amor só cresce. Minha admiração por esse serzinho inteligente, cheio de energia e de alegria também. Tão pequeno e tão disposto a aprender tudo. Me inspira até. A continuar crescendo, mudando, me renovando. Nós merecemos.
posted by JULIANA DE MARI 4:49 PM


Sábado, Outubro 01, 2005


Xô, dodóis


Gutão fechou hoje o ciclo de vacinas relativas à imunização no primeiro ano de vida: a última dose da Prevenar e a primeira da Hepatite A. Duas picadinhas chatinhas -- um bocadão de lágrimas. Dá a maior dó ver meu bichinho sofrendo, mas é pro bem dele. Já que temos reembolso do plano de saúde, optamos por dar todas as vacinas recomendadas pela pediatra em uma clínica particular. A médica e suas ajudantes o conhecem desde bem nenezito e, toda vez que voltamos lá, ficam espantadas com o tanto que ele cresceu, tá lindo, esperto e falante.
Hoje ele chegou no colo. Havia capotado no carro um pouco depois que saímos de casa. Tava mais quietinho, bochechinhas vermelhas por causa da soneca e do calor (aliás, que mormaço é esse em São Paulo, hein? Não há nariz rinítico que resista!!). Um minuto depois das injeções, no entanto, já havia recuperado o humor e acompanhava, olhinhos atentos, às picadas que o papai estava recebendo. É que o Rô vai viajar em breve e, como prevenir é o melhor remédio, a médica recomendou que ele tomasse as vacinas de tétano e hepatite A e B. Eu também vou me vacinar com essa última, no dia em que levarmos o Augusto pra segunda dose dele.
Depois das injeções, fomos almoçar num lugar de comidinhas saudáveis e uma área ótima pro pequeno farrear. Comer que é bom, lógico que ele não quis. Gutão foi logo metendo as mãos nas pedrinhas, jogando pra cá, pra lá, absolutamente maravilhado com os barulhos dos carros que passavam ali por perto. Acabou petiscando um pouco da sopinha com carne moída, outro pouco do suco de maracujá, mais um pouco da sobremesa Romeu e Julieta (Nestlé).
Eu nem me abalo com essa falta de apetite. É passageira e sintomática: quando Gutão não tira as sonecas nos horários devidos podes crer que vai ficar chato pra comer. Foi só entrar no carro pra voltar pra casa, aliás, que ele capotou outra vez. Tá lá no berço até agora, quase cinco da tarde. Vou aproveitar pra ver se tiro um cochilinho de meia hora. Hoje eu e o Rô vamos ao cinema, depois de mais de seis meses sem pisar num, viva!!!!! (ai, como é bom ter uma vó por perto!!!!!)
posted by JULIANA DE MARI 4:26 PM


Terça-feira, Setembro 27, 2005


18 meses


Hoje acordei com Gutão sorrindo ao meu lado. Sim, ao lado do meu travesseiro. É que filhote deu de gritar lá no berço e nos chamar antes das seis da matina. Claro que a gente tenta de tudo pra ele nos dar mais alguns minutinhos de soneca. A tática é levá-lo pra nossa cama, devidamente munido de seu travesseirinho, da sua "petita" e da companheira inseparável, a Pig. Ele chega um olho aberto, outro fechado, cheio de palavras. Vai falando tudo o que vem à cabeça -- e a gente vai repetindo, meio sem pensar, "tá nanando". Cocó? Tá nanando. Juliulu? Tá nanando. Vovó? Tá nanando. Balulho (o do aspirador, claro)? Tá nanando.Tipo da mentirinha saudável. Ganhamos, assim, juntinhos, mais uns 15, 30 minutos de preguicite antes do dia começar pra valer.

Hoje Gutão acordou sorrindo. Tá melhor da otite. Bem melhor da alergia. A cor voltou às bochechas. Meu menino voltou a dançar, a correr, a gritar. Aprendeu a nos saudar com "beijinho de nariz"! Vem esfregando o narizinho dele no narigão da gente da hora em que acorda a hora em que vai dormir. Tem deixado escapar suas primeiras sentenças: "qué moçá" (quero almoçar), "passa, mamaiê" (quando eu empaco na frente do elevador), "oxe, isaulá" (é isso mesmo, oxe, Isaura, a faxineira!). Tá avançando na arte de se alimentar sozinho. Comeu melancia em pedacinhos sozinho pela manhã. Com a colherinha "torta", claro. Uma colherada pra ele, outra pro porquinho. Aquele que veio junto com o caminhão que a vovó deu de presente. É um tal de "piquinho" pra cá, "piquinho" pra lá. E quando vê o do Cocoricó, Gutão faz "shshsh", tentando imitar o susto do bichinho ao se deparar com o "monstro da palha". Uma piada, nosso Pirata.

Hoje Gutão completou um ano e meio de vida. Dezoito meses na nossa vida. Agora, eu entendo o que é o amor. O tão falado amor de mãe. Tão grande que, às vezes, dói. Ah, meu filho, que Deus te proteja. Que teu sorriso permaneça. Que teu caminho te (nos) traga muito mais alegrias.
Gutão, lindão, mamãe te ama. Sempre e mais.
posted by JULIANA DE MARI 11:05 PM


Domingo, Setembro 25, 2005


A saga continua...


O antibiótico deu reação: Gutão tá todo pintadinho de vermelho. Fiquei apavas quando vi, claro...Já achei que podia ser sarampo, rubéola ou qualquer coisa perigosa e parecida com isso. Bom, o alerta veio ontem na hora do banho. Primeiro, vi umas manchinhas mais vermelhas do que de costume atrás do pescoço (aquelas que nasceram com ele ainda não foram embora). Depois, percebi uns vergões na barriga e nas dobras das pernas. Achei que era alergia à fralda até. Fomos almoçar fora de casa e, na volta, a descoberta: são muitos os vergões vermelhos no corpo do meu bichinho. Liguei pra dra. Ketty que deu o diagnóstico de pronto. Disse que, ao final do tratamento com antibiótico, algumas crianças têm mesmo reação. Mandou suspender, já que ele não teve febre nos últimos cinco dias.
Gutão agora está medicado apenas com pasta dágua. Sim, aquela, branca, espessa, que pra sair é uma beleza. Ontem à noite, dormiu feito palhacinho: todo enfeitado. Hoje, mais vermelhão no rosto, mais pintura na testa, na bochecha, nas dobrinhas do pescoço. Dobrinhas, não, que elas se foram com essa maré de virose...Sei que ele tá saudável, que continua comendo bem, mas é sempre difícil essa constatação (o inconsciente coletivo das mães explica!): Gutão emagreceu visivelmente. Tá meio abatidinho ainda. Muito cabeludo, cheio de cachinhos no alto da cabeça. Elétrico, risonho, todo falante. Ganhou um mini-aspirador de pó só pra ele. Foi a vovó Ju, que chegou de Recife ontem, quem trouxe. Digamos que é um tesouro dos meus tempos de criança. Tava lá, bem guardado, esperando a hora de ganhar novo dono. Gutão amou a novidade. Já "limpou" a casa umas duzentas vezes. De lá pra cá, esfregando o dito cujo no chão. Igualzinho a faxineira!!! Brincando, brincando, ele vai aprendendo que manter a casa limpa e cheirosa pode ser muito divertido.
posted by JULIANA DE MARI 11:55 AM


Sexta-feira, Setembro 23, 2005


Confiança não tem preço


Acabo de voltar da consulta do Augusto na dra.Ketty. Estou aliviada e estressada, ao mesmo tempo. Quatro horas entre ir e vir, sabe lá o que é isso? Moramos de um lado da cidade e o consultório fica do outro, uma beleza. Soma-se a isso o fato do trânsito nesta sexta-feira estar ainda mais caótico que de costume. Mas, enfim, ela foi a escolhida, ela nos cativou, ela nos demonstrou ser competente e acessível o suficiente para dar ao nosso filhote os cuidados que ele precisa e merece.
Hoje não foi diferente. Gutão chegou todo sorrisos. Ficou encantado, como de praxe, com a mesa cheia de brinquedos. Um truque da doutora pra conquistar a simpatia dos baixinhos mais resistentes logo na entrada. Não é o caso do Augusto. Ele não se opõe às investigações da médica, desde que eu esteja por perto. Hoje até atendeu ao pedido de "abre um bocão, Gutão". Eu e o Rô desacreditamos! Ele NUNCA abre o bocão pra gente escovar os dentinhos como se deve!!!!!
Bom, a pediatra conversou bastante com a gente pra entender o que se passou desde os primeiros episódios de chororô e noites maldormidas até a decisão de levá-lo ao hospital e começar a tratá-lo com antibióticos. O tratamento receitado no Sabará, aliás, está corretíssimo. Gutão tem mesmo secreção nos ouvidos. O esquerdo, graças ao remedinho de uso tópico, já está praticamente sarado. O direito, no entanto, continua com a membrana "opaca". Em outras palavras, há ali uma otite de repetição. Virose, resfriadinho mal curado, rinite alérgica, água do banho...A causa só vamos mesmo descobrir depois de passar num otorrino. A dra.Ketty recomendou e eu achei uma ótima idéia. Mesmo que seja preventivamente, pra investigar se Gutão herdou a rinite alérgica e os probleminhas respiratórios de papai e mamãe -- ou não (estou torcendo por essa hipótese, claro!).
No mais, ele tá ótimo. Sorridente, falante, comendo bem, dormindo bem. Não engordou tanto dessa vez. Acho que tem a ver com o fato de ter ficado dodói pelo caminho...Mas tá saudável e forte, com 11,4 kg. Cresceu bastante: 3,5 centímetros em dois meses. Chegou aos 83cm. Já está no percentil 50, a faixa média para a idade. Pra quem nasceu no percentil 10, uma baita recuperada! Segundo os cálculos da doutora, quando adulto, deve chegar de 1,75 a 1,80m. Maior que a família inteira, hahahahahaa!


posted by JULIANA DE MARI 5:02 PM


Segunda-feira, Setembro 19, 2005


Voltamos


Passei duas noites longe de casa. Não fugi, não. É que fui convocada para um treinamento fora de São Paulo. Fui para um hotel-fazenda, um lugar lindo perto de Campinas, na quarta à tardinha. Gutão, obviamente, ficou. E meu coração ficou junto dele. Na primeira noite, eu é que quase não dormi. Fiquei pensando se ele ia conseguir dormir sem me ver por perto, se ia incomodar muito o Rô na madruga, se ia lembrar da "mamãiê" ao acordar...
Durante a quinta e a sexta, muita atividade. Mental, principalmente. Único jeito de espantar a saudade. Vocês vão dizer que duas noites não são nada. Eu digo que são uma eternidade pra quem, desde que o rebento nasceu, nunca tinha passado uma única sem beijinho e cantoria à beira do berço...Enfim, passou. E eu e meu Gutão sobrevivemos. O treinamento foi super bacana. Conheci gente interessante, compartilhei experiências, refleti sobre a minha carreira e as minhas motivações.
Na hora em que cheguei em casa, ganhei um presentaço. Quando me ouviu chamar "Gutão, lindãoooooooo", ele veio correndo, sorrindo, todo feliz, me deu um abraço e disse: "sôdade"!!!!!!!!! Ai, que alegria!!!! E que espanto: meu Deus, quem ensinou meu menino o que é saudade??? Quem disse pra ele que a gente diz isso quando alguém que a gente gosta está de volta? Que complexo o entendimento que ele já tem do mundo...Fui investigar se, por acaso, o Rodrigo ou a Marcia, babá, não estavam "treinando" o bichinho pra ter esse tipo de reação ao meu ver outra vez. Eles negaram. O Rô acha que o Augusto "apenas" reproduziu o nosso próprio comportamento. Em geral, quando a gente volta do trabalho, se abraça e diz que estava com saudades. Um do outro e dele também. De todo modo, continuo espantada com a capacidade que ele teve de associar um sentimento a uma situação tão específica. Não era noite quando eu cheguei. Não havia um cenário de todo dia. Foi diferente. E foi realmente lindo.
Gutão segue falando muito. Percebendo muito o mundo, entabulando um diálogo verdadeiro com os outros. Lida com as palavras com naturalidade. Ouve e fala, assim, simplesmente. Faz associações, entende muita coisa mesmo. Deu de pedir "paxeio". De preferência, "carro, papaiê". Continua escolhendo a hora de tomar banho (em geral, quando está bem sujinho) e as frutas que quer no lanche. Desencanou totalmente de banana. Quer melão ou "pêla". Também abre a geladeira e pede "ango petinho". Traduzindo: morango de pertinho, como diz o título da música do Julio e da Vovó no Cocoricó. Uma graça.
Os avós Lilica ("kikica", como diz Gutão) e Zeca estão aqui. Gutão os recebeu na porta de casa com um baita abraço. Emocionante. Mas o menino cismou de não associar vovô ao Zeca. Diz que é "titio"! Tudo bem que é um vovô jovial, na melhor forma, mas é vovô!!!! Quem gostou de saber dessa foi meu pai, o vovô Beto, todo preocupado com a "concorrência"!!!
Ah, que coisa bem boa poder curtir a família, ver esses laços se construindo, se estreitando. Acho que nenhum outro grupo substitui essa convivência. Gutão certamente é um menino de sorte. Vai poder entender muito de quem são mamãe e papai convivendo com vovôs e vovós.
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Gutão tá dodói. Continua dodói, melhor dizendo. O antibiótico não fez efeito e a infecção no ouvido piorou. Tivemos uma madrugada terrível de sábado pro domingo. Muito choro, muita agonia. Fomos ao Sabará, totalmente exaustos, no domingo pela manhã. Não sei quem estava com mais olheiras: Gutão, eu (em plena crise de enxaqueca) ou o Rô.
Diagnóstico: Gutão está com secreção nos dois ouvidos. Voltamos a dar antibiótico. Um mais forte dessa vez. Gutão já reagiu. Acordou com a corda toda hoje. Foi lá na minha cama e não teve cristão que o fizesse tomar o leitinho com o papai sem antes ganhar "colo" da mamãe. Vocês acreditam que ele fica me puxando pelo pijama, enquanto pede "colo, mamãe"??? Melhor despertador do mundo!
posted by JULIANA DE MARI 5:23 PM


Segunda-feira, Setembro 12, 2005


Dos últimos dias


Minha semana de folga acabou...O saldo foi positivo. Fiz minha tatoo; levei meu Gutão aos médicos previstos; fiquei bem grudadinha nele; recebi minha irmã...E, principalmente, me "reencontrei" com o Rô. Ah, filho mexe com o relacionamento da gente, né? Pode até ser que para alguns casais essa "passagem" seja tranquila. Mas, do que sinto e vejo, pra maioria, é um aprendizado que exige muita-calma-nessa-hora. Não é simples aprender a ser três, ser dois e ser um, ao mesmo tempo. Pai, mãe e filho. Uma família. Mas ainda --e sobretudo-- um casal. E cada qual com suas vontades, suas fortalezas, suas fraquezas...Tou feliz por termos amadurecido juntos. Tou feliz por ver meu filhote como expressão de um amor que não vai passar. É escolha renovada diariamente. Pra sempre. Como a chegada dele nas nossas vidas.

Falando nele, tá uma figuraça. Agora, quando a gente pergunta "Augusto, sabia que não-sei-o-que-lá?", ele responde: "Sabia". Pode? Também aprendeu de bate-pronto a dizer "Titia Lulu". A titia foi embora no domingo, mas ele continua chamando por ela. Cada vez mais, aliás, está ligando as pessoas aos seus nomes. Aprendeu o da Patty e do Julio. Não é o do cocoricó!!! Esse é o "Ju-lu-lu"!!!! E ainda tem o sapo "Ju-lu-lu" pra confundir os ouvintes desavisados!!!!
Como filhote não conseguia de jeito nenhum dizer o nome do vô Albertino, só repetia o do vovô Zeca, pra não dar ciumeira, surgiu o vovô Beto!!!! Gutão aprovou o apelido. Agora, toca o telefone, a gente diz que é o vovô e ele sai tagarelando: "Vovô Beto, vovô Zeca". Lindo, lindo. Filhote também tá gamado na vovó. A do cocoricó. Pede pra ver o clipe da música "Meninó" a toda hora (Cocoricó 2). Fica quietinho, curtindo a vozinha e seus carinhos no netinho. Tem nada, não. Vovó Lilica tá chegando nessa sexta. E a vovó Ju vai fazer revezamento -- chega na outra. Colo, beijinhos e carinhos sem ter fim à vista!!! Oba!

posted by JULIANA DE MARI 4:03 PM


Quinta-feira, Setembro 08, 2005


Os meus gordinhos


Aqui vai o registro, feito pela Rê, da minha nova tatoo: "os meus gordinhos". Deveriam ser dois beija-flores, na verdade. Não são. São dois pássaros gorduchos e lindos. (embora um amigo tenha me perguntado se era um "pinguim"!)
Aliás, fiquei pensando no motivo de ter escolhido esse desenho, sugerido por minha irmã Lu...
Primeiro, gostei do traço. Meio infantil, lúdico, simples.
Depois, gostei da idéia de serem dois. Um que parece alimentar, cuidar do outro.
Enfim, gostei do conceito: os bichinhos são leves, sabem voar. E não é essa mesmo a minha missão na vida, ensinar meu Gutão a voar? Sobre a letra, eu já falei. É o início. O amor. Augusto.

Na pele

posted by JULIANA DE MARI 6:04 PM


A vida como ela é


Levamos o Augusto no retorno da consulta com o ortopedista hoje. Tivemos uma boa avaliação. O "eixo" das perninhas do meu "boiadeiro" (é assim mesmo o termo médico) está normalizando, o que significa que o arqueado das pernas já está praticamente dentro do considerado normal. A única coisa a avaliar agora é a rotação da tíbia, que continua existindo e fazendo com que os pés do meu filhote virem pra dentro. Não é coisa que o impeça de andar nem de correr, mas é um fator potencializador de acidentes...Bom, o médico fez novos raios-x, nos mostrou o osso da perna bem diferente dos primeiros, uma alegria!, e nos mandou voltar lá no final do ano. Caso a rotação persista, vamos ter que usar um aparelho ortopédico na hora de dormir, pra manter os pezinhos virados pra fora e forçar um posicionamento melhor da tíbia. Não há de ser preciso, se Deus quiser...
Gutão tá bem. Reagiu ao antibiótico, votou a sorrir e a fazer muita bagunça. Anda super birrento. Agitadíssimo. Só pára quieto quando dorme!!

Enquanto esperávamos pra fazer as radiografias, uma mãe chegou com um bebê de três meses, o risonho Gabriel. As duas perninhas engessadas. Perguntei qual era o problema e ela contou que era pé torto congênito (os pés nascem completamente virados para dentro). O pequeno teve que fazer cirurgia pra soltar os tendões e estava há algum tempo com o gesso. Hoje era o grande dia, de tirar aquele "peso". Fiquei pensando na agonia do bichinho com aquele troço pesado, com a dor, com a impossibilidade de mexer os pezinhos...Aí, olhei pro sorriso da mãe e a resposta do sorriso dele e me animei. Tudo passa (quando o sofrimento faz sentido...).
Ando sensível a histórias de mães e filhos.
No feriado, conheci uma mãe e seu pequeno "especial" (a suspeita é que seja autismo). Um menino lindo. Os olhos mais azuis que eu já vi. É uma criança feliz, todo sorrisos. Três aninhos, muitos brinquedos, uma casa linda. Pai e mãe muito queridos. Mas, de repente, ele fica alheio. Começa a produzir zumbidos quando a mãe fala das coisas dele...Fica ausente. Ainda não sabe falar direito. Balbucia as palavras. Ficou nervoso quando o Augusto tentou pegar seus brinquedos. Estava com fome e não sabia pedir comida. E a mãe ali, disponível, alegre, amorosa, atenta no seu limite. Um lindo amor. Uma puta missão. Uma barra.
Fiquei pensando nas histórias que a gente não conhece. Nas dores das mulheres que vêem seus filhos indo embora pra sempre...Doença, acidente, assalto...É a realidade da vida: o risco à espreita. Não dá pra pensar o tempo todo e também não dá pra fingir que não existe. Desculpa aí, mas é foda lidar com isso...Lembrei agora daquela mãe que flagrou a babá tentando envenenar seu bebê com água sanitária. Tem noção??? É triste. Tristíssimo. Não consigo sequer dimensionar essa agonia...
Vou lá ver me reabastecer de esperança no sorriso do meu Gutão. E que Deus nos proteja.



posted by JULIANA DE MARI 3:18 PM


Terça-feira, Setembro 06, 2005


Bons hábitos


Obrigada por todos os recadinhos carinhosos. Gutão melhorou com o antibiótico. Não teve mais febre. Voltou a dormir e a comer bem. Aliás, sempre comeu. Mas, ultimamente, acho que por causa da virose e da irritação na garganta, ele andava fazendo muita birra nessa hora. Hoje, já começou o dia com um apetite generoso: tomou leitinho ao acordar, comeu um pedacinho de pão e pediu fruta. Mais precisamente, pêra.
Filhote deu de fazer isso: vai lá na fruteira ou na geladeira e diz o que vai querer. Melão é a fruta da vez. Maçã e pêra vêm depois. Mamão também cai bem. Banana, ele come, mas não faz questão de pedir, não. E aceita uva, morango, abacate, melancia. Só hoje foram cinco rodadas de frutas: melão ao acordar, um pedaço de pêra no lanche da manhã, outro pedaço no almoço, banana no lanche da tarde e, pasme, um pedaço de pêra agora à noite. Essa ele catou lá na fruteira. E foi mordendo com casca e tudo!!!
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Fiz minha nova tatoo. Finalmente desencantou, depois de mais um ano de vontade. É homenagem ao Augusto, à chegada dele. Um marco pra sempre, como é pra sempre o meu amor por ele. Tou tão feliz! Fui com a querida Rê, do Theo, no estúdio onde ela fez as dela. Ela foi bem mais corajosa que eu, aliás. Fez cinco lindos desenhos! Três hoje, na minha companhia: um anjinho no ombro, um trio de crianças nas costas e um leãozinho um pouco acima do tornozelo. Tudo muito delicado. Eu fiz dois pássaros, os meus "gordinhos". Delicadinhos, só o traço, e a letra A. No pulso. Doeu um tantinho, mas é uma "queimação" suportável. A Rê sofreu mais que eu. A do ombro e a das costas, pelas caretas dela, doeram um bocado, tadinha. Ela levou a máquina e a gente registrou todo o making off da empreitada!!!
Muito bacana compartilhar com a Rê dessa novidade, uma amiga que chegou na minha vida graças ao blog e que me faz tão bem. É alegre, animada, agitada -- e é madura, se conhece, se permite. É espontânea, transparente. E é mãe do Theo, o "Tetéo" do meu Gutão. Bom, depois da "peruagem" no estúdio de tatoo, fomos tomar café com quiche. A Rô, amiga da Rê, tão querida quanto, também foi. Coisa bem boa um bom programa de "mulherzinha" de vez em quando!!!
posted by JULIANA DE MARI 8:39 PM


Segunda-feira, Setembro 05, 2005


A saúde começa na boca


Gutão amanheceu melhorzinho. Dormiu bem, não teve febre. Só está ainda meio "carentinho". Mas isso eu acho que não tem a ver com o dodói, não!! Digamos que estamos vivendo a fase "chicletinho da mamãe". Se eu vou fazer xixi, Gutão vai atrás. Se eu vou tomar água, Gutão vai também. Se eu vou trocar de roupa, lá está meu ajudante. E se eu não estou à vista, ele solta "mamãeeeeeeeeeee". Freud explica.
Bom, como filhote acordou todo sorrisos, achei por bem não desmarcar a primeira consulta ao dentista. Dele, sim, senhora. Fomos logo cedo, numa odontopediatra que conheci no curso de gestantes do Santa Catarina. O consultório tem uma salinha de espera, pequeninha, pros baixinhos. Cheia de almofadas, bichinhos, gibis. Tudo pra agradar. Gutão pegou logo um Pateta, quase tão grande quanto ele! Eu entrei na sala da dentista enquanto ele ficou ali se divertindo. Ela fez uma boa anamnese, perguntando sobre meu histórico de dentição, a gravidez, a amamentação, a alimentação atual, remédios que Gutão já tomou, alergias e etc etc. Gutão mesmo só entrou lá depois de uma meia hora.
A dentista fez escovação caprichada e limpeza com uma solução que ajuda a remover resíduos da gengiva. Também passou fio dental, pasmem!, e aplicou flúor. Gutão como se comportou? Sem comentários. Foi simplesmente sensacional!!! Eu até levei a máquina fotográfica, mas fiquei tão encantada com o encantamento dele que esqueci completamente de registrar o feito. Claro que ele fez um protestinho básico antes de aceitar deitar na "caminha" especial das crianças (uma espécie de maca pequeninha que tem dois furos pra encaixar as perninhas. Ele primeiro senta, enfia as pernas ali e depois deita, com a cabecinha virada pra dentista. Assim, não consegue levantar nem sob protesto!) O protestinho dele foi tão mixuruca (é assim que escreve?) que acabou quando ele viu um Leão cheio de dentes e uma mega escova pra limpar os dentões do bicho!!
Na hora em que a consulta começou pra valer, Gutão ficou encantado com o barulhinho daquela escovinha de dentista e chegou a pedir "mais, mais". O processo todo durou uns 15 minutos, eu acho. Gutão não chorou e nem tentou sair do lugar. Foi super cooperativo. A dentista e a assistente foram só elogios. A ele, pela "confiança". E a nós, pais e babá (ela ajuda e como!), pelo belo trabalho na boquinha dele. Os dentinhos estavam limpinhos, não há manchas brancas (possíveis indícios de cáries) e nem gengivite. Eu andava encanada com a escovação, que tem acontecido na marra ultimamente. Mas ela disse que vai ser assim ainda por um bom tempo. O que não pode é deixar pra lá. Filhote tem que entender que escovar os dentes é hábito. Dos bons. E ele certamente entenderá. Ela ensinou a melhor posição pra escovação, recomendou passar fio dental antes de dormir e limpar a gengiva com gaze sempre. É que até os três anos, as crianças não conseguem passar a língua pra tirar resíduo de comida como a gente costuma fazer, sabe? Eu não sabia, nem pensava sobre isso...
Quê mais? Gutão tem mesmo a mandíbula mais pra trás. Ou, melhor dizendo, a arcada mais pra frente. Não tem como fugir: eu e o Rodrigo éramos dentuços...A dentista disse que muita coisa pode mudar ainda até os três anos. O fato dele ter mamado no peito e não ter usado mamadeira ajuda muito. Ela recomendou mastigação, mastigação, mastigação. Quanto mais ele mastigar, mais vai acomodar a arcada naturalmente. Ah, também vamos começar, em breve, a "esquecer" a "petita". Sim, é chegada a hora de dar tchau pra chupeta. Vou com calma, sem traumas. Essa semana, que ele ainda tá dodói, vou continuar oferecendo sempre que ele pedir -- e eu não conseguir distrai-lo com outra coisa. Depois, vou restringir apenas à hora de dormir. Mesmo. E depois, se Deus quiser, vamos dar a petita pro Papai Noel levar!!!
Última informação: Gutão já tem mesmo 16 dentes. Faltam só os quatro últimos molares, dois em cima, dois embaixo. Eita, ariano precoce!!

posted by JULIANA DE MARI 12:43 PM


Domingo, Setembro 04, 2005


Continuando...


Tivemos almoço tailandês na casa do Duda e da Dani, pais do querido Miguel, no sabadão. Amigos, bom papo, boa música, filhotes animados. Simplesmente delicioso. Só não foi mais porque Gutão seguiu doentinho. Teve início de febrão lá na casa dos dindos, que infelizmente se confirmou à noite. Teve febre hoje pela manhã. Continuou choramingão. Tá abatido, meu filhote.
E lá fomos nós, outra vez, ao Sabará. Apesar do meu coração se condoer com aquele bando de criança doentinha, foi a nossa melhor decisão do domingo. A médica que o avaliou diagnosticou infecção das vias aéreas superiores (leia-se ouvido, nariz e garganta). Os pulmões, graças!, estão limpinhos. De todo modo, ela recomendou antibiótico. Embora preferisse preservar meu nenê de remédios mais "pesados", achei que a recomendação veio na hora certa...Gutão não vem bem há uma semana...Seguimos com o descongestionante também. Se a febre voltar, e a médica disse que nas próximas 48 horas ela ainda pode se manifestar, vamos de Tylenol. Ontem na madrugada, Gutão chegou a quase 39 graus. Depois do remédio, suou tanto que molhou travesseiro e lençol no berço. Ai, que dó. Anda tão ruinzinho que deu pra pedir "banho". Tomou dois hoje. Um pela manhã, pra baixar a febre, e outro à tardinha, hora de dar banho no "'colhinho" (um coelhinho de plástico que era meu quando criança e que virou objeto de afeto do meu Gutão, mais um dos companheiros de banheira).

Eu sigo cansada. Cansadíssima, aliás. Física e mentalmente. Amanhã, ao menos, é dia de botar pra fora, dia de terapia. E essa é minha semana de folga. Na terça, já combinei com a Rê, do Theo: ela vai me acompanhar ao tatuador. Já tenho um anjinho estilizado atrás do tornozelo. Agora, vou deixar registrados no pulso um beija-flor (ou dois, a ver) e a letra A. De amor, de Augusto.
posted by JULIANA DE MARI 10:12 PM


Sábado, Setembro 03, 2005


Vai passar


Depois de cinco dias difíceis, de noites maldormidas, muito choramingo e muita preocupação, decidimos levar Gutão ao hospital. Fomos ao Sabará ontem à noite, aquele especializado em crianças, cujo atendimento é realmente nota 10. O quadro: Gutão teve febre dois dias (segunda e terça), ficou levemente febril nos outros três, andou reclamando um bocado, com os dedinhos na boca e o nariz escorrendo, andou dormindo muito mais do que o habitual (ontem ele só acordou às 10h da manhã, sabe lá o que é isso????), enfim. O diagnóstico: virose + dois dentões enormes nascendo lá bem no fundo da boca.
A médica olhou filhote bem cuidadosamente e teve muita paciência pra "investigá-lo", até porque ele estava dando um chiliquinho básico. Também, né? Entre ficar brincando nos carrinhos e ter um palito enfiado na boca, qual opção parece mais divertida? Bom, ouvidos e garganta estão vermelhos, embora não estejam inflamados. A febre alta que apareceu e passou também indica que algum vírus está causando o desconforto. Dente nascendo incomoda muito, mas dá só febrinha, disse a doutora. O bom é que, como não é infecção por bactéria, Gutão não precisou ser medicado com antibiótico. Durante três dias, vamos dar um descongestionante e um outro remédio pra passar o desconforto causado pela virose.
E sabe que o menino adora a hora de tomar remédio? O Rô até questionou se ele não vai "viciar", imagina!! Eu evito ser solene nessa hora "difícil". Faço farrinha mesmo. Deixo ele ficar com a colher depois e ele lambe até a última gotinha. Ah, acredito que é muito melhor ele também acreditar que é uma coisa boa, pro bem dele, e ficar feliz na hora de abrir o bocão do que ser daquelas crianças que saem correndo ao ouvir falar em remédio, médico, curativo, injeção e por aí vai. Bem, curativo e injeção é viagem de mãe, né? Quem é que gosta disso?

Gutão tá tirando uma soneca agora. Deu de só dormir coberto. Ele pede: "cobi, cobi" (cobre, cobre) e vai puxando o lençol até o pescoço!! Quando acorda, diz: "tira, tira". Sigo espantada com o tanto que esse menino se comunica.
posted by JULIANA DE MARI 1:25 PM


Quarta-feira, Agosto 31, 2005


Dodói


Gutão tá mesmo dodói. Ainda não descobrimos o motivo. Vem tendo febre há duas noites (durante o dia, a temperatura não sobe...). O termômetro chegou aos 38.7. Tem andado molinho, choroso, carentinho. Pra completar, ontem, correndo pra ver o que o pai estava fazendo no quarto, filhote tropeçou e bateu o rosto na parede. Ralou a bochecha. Na hora, ficou super vermelho. Hoje, amanheceu com o lado direito do rosto arroxeado --embaixo do olho e na bochecha principalmente. Como já estava todo pintadinho de vermelho, por causa dos malditos mosquitos, tá com o rostinho horrível, tadinho. Estamos na base de carinho, banho morno e Tylenol pra baixar a febre. A pediatra dele tá viajando (mas temos o contato de um substituto, claro) e eu não vi necessidade, ainda, de irmos investigar no hospital. Tou suspeitando que é coisa de mais dente mesmo, porque ele tem enfiado muuuuito os dedinhos na boca, lá no fundo...Bom, vou continuar observando. E torcendo pra ser só isso mesmo. Torçam aí, please.
posted by JULIANA DE MARI 3:32 PM


Segunda-feira, Agosto 29, 2005


Significados


Eu tou impressionada com o tanto de palavras que meu Gutão sabe falar. Aliás, eu tou impressionada com o tanto que ele fala!!!!! Muito precoce o desenvolvimento dessa habilidade...Não tem comparação com os amiguinhos da mesma idade. Os outros, em geral, arriscam algumas sílabas e usam um vocabulário todo próprio. Filhote, não. Ele fala as palavras certas. E sabe exatamente o-que-é-o-quê.
Agora deu pra conjugar os verbos. Até no passado. É um tal de "caiu", "bateu", "desceu", "botou"...Hoje pela manhã, descobri que ele sabe mais uma. Gutão pegou o copo de água que eu deixo ao lado da minha cabeceira e, claro, fez trela. Eu tava deitada ao lado dele e não percebi. Ele virou pra mim e disse: "molhou". E eu: "hã?". Onde ele aprendeu isso????! Bom, eu achei que ele tinha feito xixi na roupa. E falei isso pra ele: "É xixi, filho?". Ele ficou agoniado e repetiu "molhou, abá (água)". Até que eu vi a poça em cima do lençol!!!! Hoje também, antes de vir trabalhar, desci pra encontrá-lo passeando no jardim do prédio. Pedi um abraço, ele veio no colo, olhou bem pra mim, e começou a descrever a "mãe montada": "bolsa", "colhar", "ócus" (óculos)...

E Gutão aprendeu a dizer:
"Lológio" (relógio)
"Elmo" (DVD do Vila Sésamo)
"Zulio" (Julio, do Cocó)
"Troca" (de DVD, obviamente)
"Dodô" (quando faz dodói)
"Sabão"
"Caiu"
"Xixicha" (o carrinho do Salsicha)
"Petita" (a chupeta)

Ah, o máximo: ele agora avisa quando fez cocô. Ou quando está fazendo. E já aprendeu que o papai e a mamãe fazem "xixi" no banheiro. Toda vez que a gente abre a porta, ele repete, dando risada: "xixi, xixi". Faz trela e ri, esse Pirato!!! Ontem, domingão, tava ele lá, abrindo e fechando a porta do quarto dele, morrendo de rir com o barulho que o trinco fazia na parede toda vez que a porta voltava. Claro que a gente deixou o sapo Tony pendurado no trinco pra porta pra não fechar totalmente e Gutão não se meter num acidente...Abrir e fechar, eis uma atividade que ele adora. Também tem praticado no baú do quarto. Basicamente: um perigo. Ele levanta bem a tampa (pesadíssima), tira as mãozinhas e solta. Pum. E eu ouço aquele barulhão, seguido de gritinhos felizes. Pode? Aprendeu a cobrir a boca pra dar risada. Faz isso quando tá "envergonhado" ou fazendo "arte".

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Ontem à noite, Gutão não dormiu bem. Acordou depois de uma hora de sono, chorando muito, gritando, se debatendo. Olhos fechados. Até agora não sei se era pesadelo ou alguma dor. Só sei que foi (é) ruim. Ele demorou a dormir de volta. Eu fiquei esgotada. Hoje, acordou cedo, seis da matina. Ficamos juntos. Fiz carinhos, dei beijinhos e leitinho quente. Achei que ele tava meio febril...
Será mais dente? (e ainda tem mais dente pra nascer nessa boca?????!!!!) Será da fase? Será saudade? Putz, tanta coisa passa pela minha cabeça. E eu sigo brigando com essa tendência de achar que a relação dele comigo é o centro de tudo...Sai pra lá culpa maldita!!!!!!!!!!!

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Pra resumir: Gutão tá um barato. E eu tou certa de que não pode haver alegria maior nessa vida do que vê-lo feliz. Sigo brigando com "o tempo", tentando dar significado aos momentos breves tanto quanto aos mais longos. Intensidade. Sei que essa é a chave do nosso amor.
posted by JULIANA DE MARI 3:37 PM


Sexta-feira, Agosto 26, 2005


O meu despertador


Todo santo dia é Gutão quem me acorda. Acontece por volta das sete da matina, quando filhote abre os olhos e não me vê. Aí, começa a ladainha. "Mamãeeeeee, mamãeeeeeeeee". Algumas vezes, vou lá, cato o bichinho e levo pra curtir mais uns minutinhos de soneca na nossa cama. Mas, em geral, é o Rô quem faz isso. A questão é que, quando sai do berço, o menino começa a despertar. Ao contrário do que acontece com a gente...Quando o tiramos do berço, continuamos meio sonâmbulos...
Ele vem pra camona, vira prum lado, vira pra outro, coça a orelha, abraça a Pig, começa a falar as primeiras palavras do dia, coisas desconexas, e vai despertando. Até chegar ao ponto que lembra do Cocó e fica doido, literalmente, pra descer da cama. Usando seu vocabulário diz: "desxe, desxe". E vai se arrastando pela queen size, brabo que só, até conseguir colocar os pés no chão. Aí, ele vai, correndo, pro quarto da TV. E fica lá, choroso, apontando pros DVDs e "chamando" o Cocó.
A essa altura da história, não tem jeito. A gente tem que levantar. Tem dias em que estou mais disposta e vou lá cantarolar na madruga com Gutão. Mas tem outros, em geral a maioria!, em que não aguento...O Rô vai, todo sorrisos, cuidar do filhote. Mas quem disse que Gutão se contenta??? Ele quer a "mamãeeeeeee". Dá cinco minutos e ele começa a me chamar. Pára na porta do quarto e vai aumentando o tom de voz. E eu ali, na cama, tentando descansar mais dez minutinhos, pelamordedeus!!!!! Tem dias que ele vem até a beira da cama, me dá um sorriso, faz um carinho, pega minha garrafinha dágua e sai dizendo tchau, contente em perceber que eu tou ali, ao alcance do grito dele. Mas tem outros dias, como hoje, em que ele não se contenta de jeito nenhum.
São dias de carência, tadinho. Hoje ele levantou com o pai, foi ver o Cocó e não parou um minutinho de me chamar. Veio até a beirada da cama umas três vezes, pedindo "colo, colo, colo". De doer o coração. Obviamente, eu levantei. Obviamente, me postei com ele na frente da TV pra cantar as novas músicas do Cocoricó (confesso que gostava mais do primeiro DVD...). Foi a da borboleta, do índio, do dicionário. Gutão bem apertadinho nos meus braços. Aí, veio a agonia. Gutão quis trocar o filme. Agora, ele aponta pra pilha de DVDs e pede "outro, outro". E eu fico tentando adivinhar o que ele quer. "Sopa? (Palavra Cantada)", "Porquinho? (Cocó 1), "Nenê?" (O ataque do Jack-Jack dos Incríveis, ele adora!!) e por aí vai. Quando eu acerto, ele diz "exxe". Um barato.
Sai de casa pra trabalhar com o coração apertadinho. Filhote sequer se despediu direito. Ficou lá, cheio de lamúrias, agoniadinho. Pra distrair, ofereci uma nova brincadeira: tintura com guache. A babá forrou o chão e eu dei tinta e pincel pro meu artista. Claro que ele começou lambuzando a roupa, a orelha, as mãos!!! Enfiou todos os dedos nas tampinhas das tintas!!!!!!!! Espero que a sexta passe logo. Eu também tou carentinha dele.

posted by JULIANA DE MARI 12:18 PM


Quarta-feira, Agosto 24, 2005


Mudando pra melhor


Gostaram da nova "cara" do blog? Eu adorei. Renovou nosso canto, marcou nosso aniversário de dois anos (o parabéns oficial é amanhã!). Foi presente da Jucilene. Mais uma vez, obrigada, querida!!

Bom, ontem, terça, fomos visitar a futura escolinha do Gutão. Não sei quem estava mais ansioso, se era eu ou o Rô. O pequeno, lógico, tava na boa, dispostíssimo para o passeio. Fomos muito bem recebidos. Gutão parou assim que viu o tanque de areia azul. Sim, azul. Areia tratada, anti-alérgica, que não faz poeira. Nunca tinha visto disso. Todas as pracinhas do mundo deveriam ser assim! Adorei! Filhote ficou ali, encantado com a areia azul, ao lado de uma monitora, enquanto eu e o Rô conhecemos cada cantinho da escola. Tive uma sensação muito boa do lugar. Limpo, arejado, transpira alegria. É uma escola relativamente pequena. Me fez reviver meus dias na escola que foi crescendo comigo, literalmente, o Madre de Deus, em Recife. Mas isso é assunto pra outro post!!!!!
A escola que escolhemos pro Gutão segue a linha pedagógica rogeriana, baseada nas idéias do educador e psicanalista americano Carl Rogers. Eu não o conhecia, mas, obviamente, já fucei tudo o que podia na internet pra entender o que é exatamente essa proposta. Gostei do que li. Acho que é coerente com o que eu gostaria de proporcionar ao meu filho nos seus primeiros anos de vida. Depois, quando ele sair do pré, lendo e escrevendo, com valores bem sedimentados, é outro papo, outras demandas, não tão liberais...
Mas vamos ao hoje. A proposta da escola é trabalhar na socialização da criança (as turmas vão do mini-maternal ao pré) , no aprender a dividir, a reconhecer suas vontades e seus limites. Eles fazem isso num espaço na linha "quintal de casa". Há um pátio acarpetado, como se fosse grama, tanque de areia ao fundo, carrossel, algumas árvores. Há um viveiro com pássaros e um jabuti simpático, chamado Fifi, que passeia por ali. Detalhe: o telhado do pátio é de vidro, ou seja, as crianças vêem o dia, curtem o sol. E, como essa turminha não fica mais que alguns minutos concentrada no mesmo lugar, a escola trabalha na base do rodízio de atividades. (Gostei dessa idéia. De perceber o ritmo da turma e ir oferecendo atividades conforme o interesse dela -- e não ir impondo um aprendizado que nem sempre faz sentido para os pequenos.) Continuando a descrição, ao redor do pátio, ficam várias salas. Em cada uma, eles desenvolvem um tipo de atividade diferente. Há a sala do conto, cheia de livros e fantoches. Há a sala do encaixa-empilha, fundamental para desenvolver a habilidade manual dos pequenos. Tem a sala dos brinquedos, propriamente dita, com casinha, carrinhos, bonecos, onde as crianças podem exercer diferentes papéis. Perto do pátio, tem também a sala do lanche, com uma mesona pra comilança coletiva. E tem horta (os pequenos plantam, colhem e comem o que produziram!), tem sala pra aula de culinária, pra fazer arte, tem piscina infantil, tem quadra. E tem uma área, antes de chegar ao pátio, onde acontecem as aulas de música e de higiene bucal (uma odontopediatra vai à escola uma vez por semana). Ali, antes de ir embora, a criançada se reúne, faz roda, canta, dança e se despede em alto astral.
Enquanto nós passeávamos pela escola, Gutão explorava o pátio. Nem se incomodou de ficar longe. Só quando me via passar, ensaiava um resmungo. Tão bonitinho ver meu lindo ali, encantado com outras crianças, descobrindo outras possibilidades. Antes de ir embora, encontramos a futura turminha dele na sala de brinquedos. Ele foi logo empurrando um carrinho, todo prosa. Havia um menininho que me tocou. Acho que o nome dele era Pedro. Estava em adaptação. Chorava tanto, chamava a mãe. As "tias" disseram que ele já está lá há algum tempo, mas que ainda não se acostumou ao novo ambiente (tenho a impressão que os pais não podem ficar lá como deveriam, ou como seria o recomendável, nesse momento inicial).
A adaptação é o que mais me aflige, mas a escola tem uma proposta bacana pra lidar com essa separação, minimizando o estresse da criança. O novo aluno começa indo apenas algumas horas, não vai o período inteiro. Por exemplo, Gutão vai estudar pela manhã, das oito ao meio-dia. Então, vamos começar com duas horas todo dia, sempre com a minha presença ou a do Rô, até ele ir se soltando. Quando ele estiver bem, a gente está autorizado a "sumir". Mas continuaremos ali, pertinho, caso ele volte a chamar por nós. E assim vamos indo, até ele sentir confiança nas novas pessoas que estarão cuidando dele dali por diante. Não há um tempo ideal para que esse período termine. O tempo é o da criança. Pode levar uma, duas, três semanas. A idéia é fazer a criança desejar ir pra escola. Não temer. Não se estressar. Eu sei que algum estresse vai existir. Mas é assim em qualquer mudança, certo? Pelo que viu do jeitão do nosso Gutão, a professora arriscou um palpite. Acha que ele vai se entrosar rapidinho. Assim seja.
(pretendemos fazer a matrícula em setembro, depois que cumprirmos o calendário de vacinação. Falta só uma dose da Prevenar, mas estamos atrasados, ui).

posted by JULIANA DE MARI 7:34 PM


Segunda-feira, Agosto 22, 2005


Dois anos no ar e muitas coisas pra contar


Descobri que estava grávida no dia 14 de agosto de 2003. No dia 25, inaugurei o blog. A idéia era manter os avós de primeira viagem, instalados em cantos opostos do país, bem informados sobre o andamento do barrigão. Hoje, às vésperas do segundo aniversário desse "diário", eu percebo que o objetivo inicial cresceu junto com as nossas aventuras. Aqui estão registradas as primeiras (e as mais recentes!) dúvidas, as primeiras (e contínuas!) alegrias, as expectativas, as descobertas, os sustos, os tombos (os do Gutão e os nossos!!)...Nosso aprendizado, enfim.
Por meio do blog conheci um monte de gente bacana. Inclusive, pessoalmente. Que delícia que é ir na pracinha e ver o Augusto brincando com o Theo, da Rê, por exemplo. Que curtição participar do primeiro aniversário da Lulu, irmã da Bella, filhotas da Amanda. Que inusitado que é sair de férias e encontrar a Lê e suas gurias num shopping em Porto Alegre!!!! O blog nos dá --a mim, ao Augusto-- a chance de fazer parte de outras histórias, de acompanhar outros barrigões, de ver nascer e crescer um punhado de nenês. Não há dia que eu não arrume uma brecha pra "visitar" a casa alheia.
Hoje, atualizo menos o blog do filhote do que eu gostaria. Mas é aqui que eu mesma venho quando quero resgatar os nossos começos. Apesar de curtir muito todo o carinho virtual, todas as visitas, todas as novas amizades, realmente não escrevo na expectativa de que alguém leia. Não. Escrever pra mim é essencial -- mesmo que não haja leitor. (Esses eu conquisto no trabalho!). Me ajuda a organizar e a entender melhor a (nossa) vida. Sempre foi assim...
Espero que meu Gutão curta o registro (e me perdoe, no futuro, se a exposição lhe parecer maior do que o necessário...). E que ele encontre nas minhas palavras o tanto desse amor que só cresce.

A quem passar por aqui por esses dias, obrigada pela visita.
posted by JULIANA DE MARI 12:00 PM


Quarta-feira, Agosto 17, 2005


Quando setembro chegar...


....vou tirar uma semana de férias pra curtir meu Gutão; vou fazer uma nova tatoo; vou tirar do papel todas as consultas médicas necessárias -- minhas e dele; vou receber minha mãe e minha irmã; vou aproveitar que elas estarão aí pra curtir um cineminha com o Rô; vou arrumar meus armários, organizar a casa, renovar a energia...Ai, agenda cheia de vontades.
Esses dois últimos meses foram pauleira no trabalho. Mas fui eu quem demandou um novo desafio profissional. Estou realizada, mas estou cansada. O trabalho cansa. A culpa cansa. Ah, é que eu ainda não aprendi a lidar direito com a ausência. A saudade, essa eu até driblo. Mas tenho dúvidas mil em relação ao tempo que passo com meu Gutão durante a semana. Será que ele sente muito a minha falta? Será que ele entende que eu vou e sempre volto? Será que os momentos ao acordar e ao ir dormir estão sendo suficientes? Será que estou fazendo as melhores compensações quando o nosso tempo é viável? Ai, meu santo. Como diria minha querida Mic, ser mãe e ainda pensar é complicado, viu? Talvez fosse mesmo mais fácil quando as mulheres só pariam, uma, duas, cinco, dez vezes. Não tinham tempo pra elocubrações, pra questionamentos existenciais...Iam vivendo e pronto. Eu penso muito. Sou muito consciente, digamos assim, das minhas escolhas. E penso muito nos efeitos que, a partir delas, vou produzindo pela vida...E viva a terapia!
Gutão tá bem. Acordou com o nariz escorrendo hoje, mas há de ser apenas um resfriadinho. Estamos pensando em antecipar a decisão da escolinha. É que ele tem demandado mais estímulos e eu acho que está vivendo uma janela importante para um certo aprendizado que será fundamental no futuro: aprender a compartilhar, a perdoar, a brincar junto; aprender que existe o outro, que há limite, que há o tempo, que nem tudo pode, que tudo pode ser negociado, enfim. Não é outro o papel da escola nesses primeiros anos, certo? É o de sedimentar valores, é o de promover o (bom) caráter. Eu e o Rô estamos à frente desse processo, claro, e não imaginamos jamais transferir esse tipo de cuidado a um professor. Mas entendemos que uma orientação pedagógica adequada vai ajudar a manter a educação do pequeno nos trilhos que a gente resolveu enveredar. Já pensou nosso filhote de mochila nas costas, dando tchau na porta da escola??? Como passa depressa...É uma fase nova pra nós três, mais uma separação. É a nossa presença se fazendo presente na vida dele. Interferindo pra melhor, se Deus quiser. E, assim, eu vou lidando com o tempo, as ausências, o estar perto sem estar lá...E segue o nosso aprendizado.
posted by JULIANA DE MARI 4:37 PM


Sábado, Agosto 13, 2005


Aí vem mais


Eu conheço esses sintomas: mão na boca, sono difícil, falta de apetite, mais cocô, muita irritação...Acho que é mais dente vindo por aí. Gutão já tem 16, faltam 4 pra dentição completa. Ainda não consegui detectar qual desses está a caminho, mas que eles estão chegando, ah, estão, sim, senhora. Gutão é reloginho até nesses momentos. Manifesta as mesmas chatices toda vez que se sente incomodado.
Ficou todo amuadinho na pracinha hoje pela manhã. E olha que estávamos muitíssimo bem acompanhados. De crianças conhecidas (fora as habituées da praça), eram Gutão, Miguel, João Gabriel, Inácio e as pequenas Sofia e Lívia. Ah, o Theo, da Rê Quintella, tava lá também, com a babá. Foi uma manhã divertida, ensolarada, mas meu filhote tava querendo mesmo é colo. Houve um momento em que ele tava todo concentrado, brincando com o baldinho, e eu e o Rô nos afastamos um tantinho pra conversar com os outros pais. Ficamos atrás dele, na verdade. Não sei o que passou pela cabeça do pequenino, mas suspeito que ele tenha ficado assustado na hora em que parou pra conferir e não nos viu ali. Nossa, chorou tão sentido...Fiquei com o maior dó. Ao contrário dos outros dias, Gutão hoje não quis saber dos amiguinhos. Tava carente do papai e da mamãe.
Voltamos pra casa depois da uma da tarde. Pra fazer diferente, dei banho nele no chuveiro. Eu lá dentro também, claro. Gutão ainda não curte a água caindo. Fica assustado, chora. Foi preciso muitos abraços pra ele relaxar. Mesmo assim, tomamos banho de chuveirinho. Um notável avanço! Na hora de comer, Gutão queria dormir. Se saiu com uma hilária: pegou o travesseiro, jogou no chão e ficou dizendo "naná, naná". Foi assim de um cômodo ao outro e parou na porta da cozinha. Eu e o Rô entendemos o recado e ele foi direto capotar no berço. Dormiu até umas quatro da tarde. Pulou o almoço, e não quis mais saber de comer hoje. Ficou na base da salada de fruta com suco e leitinho pra dormir. Nem o almoço que eu ofereci no lanche, nem o jantar, nem o mingau desceram. Tem desses dias. Eu me preocupo, mas tento não fazer disso um bicho-de-sete-cabeças. Afinal, não comer não é a regra por aqui.
Ah, um episódio muito bacana do dia: agora, à noitinha, o Rô foi na padaria com o pequeno. Sabem quem eles encontraram por lá? O Paulo Tatit, do Palavra Cantada!!! Claro que o Rô foi lá falar com ele. Claro que eles trocaram idéias sobre as músicas que o Gutão ouve desde que nasceu. Claro que Gutão ganhou autógrafo. Fiquei tão emocionada!!!!!!!!

Traduzindo: Para o pequeno e sonolento Augusto um beijo do Paulo Tatit!!!!!

posted by JULIANA DE MARI 10:27 PM


Terça-feira, Agosto 09, 2005


O tempo passa...


...e meu Gutão cresce. Tá um moleque, meu filhote. Corre, grita, se esconde embaixo da mesa, atrás do sofá, no cantinho da cozinha. Dá susto na gente e diz: "achou". Chuta a bola, fala "gooool", pede "ajuda", come "futa", entra no banheiro pra tomar "banh" ou fazer "xixi". Faz bagunça ou birra e morre de rir. Acha graça da palavra engraçado. E de risada também. Tem me espantado com tamanha capacidade de ligar "lé com cré", sabe? Ele começa a captar a idéia de ação e reação, de causa e consequência. Domingão, ele, digamos, queimou as mãozinhas na porta do forno. Veio correndo, gritando, doidinho, e pumba, as duas mãos no forno quente. Durou uma fração de segundo. Ele tirou as mãos muito rapidamente e chorou, espantadíssimo. Doeu nele e doeu em mim. Toda vez que ele passa pelo fogão agora, eu explico que não pode encostar, que faz dodói. Mas não sei se ele vai captar a mensagem assim, tão rapidamente. Melhor é prevenir. Gutão e fogão não dão rima, não.
Aliás, comprei um livro bacana ontem (Os filhos vêm do céu, John Gray) e lá está dito que só a partir dos nove anos as crianças entendem, de fato, as subjetividades das coisas. Até lá, uma grande confusão que os pais fazem é achar que só porque auqele bebezinho lindo já sabe andar e já emite algumas palavras é também capaz de entender totalmente o significado delas...Foi um sinal de alerta pra gente. Pra continuar respeitando o ritmo do nosso pequeno. Ele aprende rápido, isso é fato. Ele fala mais que a média, isso também é fato. Mas ele ainda tem apenas 1 ano e 5 meses.

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O tempo, ah, o tempo. Ando às voltas com ele. Estou aprendendo, finalmente, que eu também tenho direito ao meu. Ao meu ritmo. Às minhas dificuldades. Ao meu tempo de realizar, ao meu tempo de me recolher. Tenho direito de querer minhas pausas. De precisar de tempo para entender meus processos, para aceitar todas as coisas da vida, para recobrar as energias. Tem gente que se resolve com uma boa noite de sono. Eu precisaria de um mês inteiro dormindo pra me sentir 100% descansada. Eu sei, não vai rolar. E eu estou aprendendo a lidar com o possível. Com a mudança. Com a novidade. Desde que Gutão nasceu, eu também estou diferente. Ao mesmo tempo, nunca fui tão eu. Há de chegar o tempo de ser leve.
posted by JULIANA DE MARI 2:01 PM


Quarta-feira, Agosto 03, 2005


Quem vem lá


Tivemos um final de semana muito rico. Agitos do Gutão, carinhos da família, novidades boas dos amigos. Ale e Evelyn, em Brasília, recém se descobriram grávidos. Dani e Duda, dindos do Gutão, também. Sim, o Miguel vai ganhar um(a) irmãozinho(a)!!!! Nem preciso dizer que fiquei hiper-super-mega feliz com a notícia, né? Ah, passou um filminho, daqueles bem coloridos, na minha cabeça: eu e a Dani planejando a gravidez, eu e a Dani curtindo a barriga, eu e a Dani enooormes, eu e a Dani com nossos filhotes nos braços, eu e a Dani na primeira visita ao pediatra, eu e a Dani no primeiro aniversário...Muito emocionante. Aos dois casais, que devem ter seus rebentos em março do ano que vem, na mesma época em que Gutão e Miguel chegaram, muitos, muitos desejos de tudo de bom, muita curtição nos próximos nove meses e muita saúde na chegada dos novos membros da tchurma. Já pensaram nessa criançada toda reunida?? :-)
Sim, porque meu Gutão anda impossível. Não é uma criança nervosa, não é isso. Nem é bagunceiro. Mas anda bem agitado, muito curioso. Resumindo: anda bem "treloso", como diriam na minha terra. Eu vejo isso com bons olhos. Acho que é, em boa parte, demonstração de uma grande alegria de viver. De ver. De saber. De conhecer. Aprendeu a subir no sofá sozinho e, de lá, pular pro pufe e tentar escalar o móvel da sala (nem preciso dizer que estamos desencorajando o rapel caseiro, né?). Deu de querer carregar coisas mais pesadas do que seu próprio corpo (enchemos o balde com seus muitos brinquedinhos e ele insiste em puxar o danado sozinho). Também já sabe manifestar direitinho seus desejos, lançando mão daquelas palavrinhas mágicas: "maix, maix" ou "não, não". Aumentou seu vocabulário e agora diz bochecha (e aperta a nossa!), piscina, pato, tia... Aliás, gamou no nome do vô Zeca e passou o final de semana inteirinho repetindo "Zeca, zeca, zeca". Até na hora de dormir, repetia e repetia. Ah, e lembrou que a vovó Lilica batiza um de seus personagens prediletos. Foi assim: eu perguntei onde estava a vovó Lilica e ele respondeu "cocó"!!! Sim, Lala, Lilica e Zazá, eis o trio de galinhas faceiras do Cocoricó!!!! Mui engraçado.
Gutão continua dormindo tarde. E eu estou desencanando de brigar com o relógio interno dele. Ele tem acordado às oito, uma hora mais tarde, mas tem ido pro berço por volta das dez da noite, horário em que eu gostaria que ele já estivesse curtindo o sono dos justos. De todo modo, estou aprendendo que não adianta forçar a barra. Ele fica feliz quando a gente chega do trabalho, fica excitado, quer brincar, quer estar junto. Toma o leitinho por volta das 21h e aí, sim, começa a relaxar. Mas anda meio carentinho da minha presença e, se eu coloco no berço antes do sono bater pra valer, ele chora horrores e só se acalma se eu vou lá segurar a mãozinha dele...Do domingo pra segunda, só conseguiu dormir perto de uma da matina. Eu dormi no chão do quarto dele, me equilibrando numa cadeira-cama improvisada. Mas acho que esse episódio não teve a ver com carência, não. Vem mais dente por aí, acreditem. Gutão tem babado horrores e tem enfiado a mão na boca avidamente. Logo, logo completa sua primeira dentição.
posted by JULIANA DE MARI 6:29 PM


Sexta-feira, Julho 29, 2005


Rapidão


Só pra compartilhar com vocês do nosso espanto --e da nossa alegria também, por quê não? Como faz todo dia, o Rô levou Gutão pra tomar café com ele hoje pela manhã. Depois do leitinho, ofereceu um pedacinho de pão com geléia de laranja. Gutão gostou. O pai deu outro. E aí, veio a pérola: "maixxx pão". Sim, Gutão quase formulou sua primeira frase!!! Primeira, não. Foi ontem que a surpresa começou. Estávamos esparramados no chão do quarto dele, brincando e rindo, quando ele vira pro pufe, olha pro pai e diz: "qué xentá". Pelamordedeus!!! Ficaram algumas certezas: ele parece mesmo precoce nesse quesito e a Lua em Gêmeos vai atuar tão bem no desenvolvimento oral do filhote quanto tem atuado no da mamãe!!!
posted by JULIANA DE MARI 7:29 PM


Quarta-feira, Julho 27, 2005


Os dias são dele


Gutão completa 1 ano e 4 meses hoje. Mais precisamente, 16 meses do lado de fora do barrigão. Já??! Tá um moleque, o meu filhote. Falando um monte. Ontem, disse "me-ni-na" com todas as sílabas. Também fala umas palavras com "sotaque" próprio: "xuco", "calxa" e por aí vai. Dá risada quando houve "engraçado", mesmo quando o contexto não é risível (ele mexe no aparelho de som, por exemplo, eu digo que "não é engraçado" e ele abre o bocão, todo feliz!!). Já tem suas preferências: pede pra ver esse ou aquele DVD ("cocó", "baldo" (Barney) ou "neném" (Palavra Cantada) e indica, vocalmente, a música que quer ouvir. Anda vidrado na da Barata, que o Palavra Cantada interpreta graciosamente no DVD. Aquela, que todo mundo já cantou um dia: "a barata diz que tem sete saias de filó...". A parte que ele mais gosta? Obviamente, é o "rárárá, róróró". Volta e meia, ele solta um "rárárá" do além. Mui engraçado.
Também já está ligando o nome às pessoas. Esses dias, o dindo Duda esteve em casa à noite. Gutão já estava no berço e ele entrou no quarto apenas pra dar um beijinho. Hã-hã. Não sei o que dá no menino, mas, antes de dormir, fica altamente energizado. Corre pra cá e pra lá no berço, e não é sentido figurado!, cata e beija todos os bichinhos, balança a cabeça, abraça a gente. Foi essa cena que o Duda presenciou. Depois que ele foi embora, quem disse que o Augusto parava de chamar seu nome? Falava "Duda, Duda, Duda" e olhava, desconsolado, pra porta do quarto. Em relação às coisas, ele já liga o nome ao dono há tempos. Dentre tantos brinquedos, sabe exatamente "quem é quem". Vai na cabaninha ou no baú do quarto e cata a vaquinha, a dona sapa, a bola, a "muuu" (uma cabra que a gente achou que era vaca!), a menina, o Haroldo...Ah, a coisa mais linda: aprendeu que o papai é o Rodrigo e que a mamãe é a Juliana. Se a gente fala o nome um do outro, ele olha e ri. Também aprendeu a dizer "não" mexendo o dedinho pra lá e pra cá. Flagrei um momento desses, no qual ele explicava, gesticulando pro tigre Haroldo, todo compenetrado, que "não podia, não". O quê, eu não sei. Mas sei que Gutão segue aprendendo a respeitar os limites. Não gosta de ser contrariado, não. Range os dentes, balança as pernas. Às vezes, chora de raiva. Mas é assim na vida. Nem tudo é do jeito que a gente quer, na hora que a gente quer. Compreender e respeitar esse "ritmo" faz uma baita diferença no nosso estado mental, eu acredito nisso -- embora nem sempre consiga lidar com minhas frustrações de um jeito construtivo...Falando de mim, fico pasma de ver o quanto esses pequenos aprendem tanto em tão pouco tempo. E tudo na base da observação. Verdade que eu e o Rô estimulamos bastante o Augusto. Mas sem paranóias. Não temos a preocupação de fazer dele um menino "inteligente". Temos, sim, a preocupação de proporcionar um ambiente interessante e um diálogo franco, capaz de fazer florescer todas as potencialidades dele. Estamos cultivando valores, isso é o mais importante na nossa concepção. O que eu acho mais bacana nesse processo? É que Gutão não demonstra aquele ímpeto destruidor, sabe? Ele é muito curioso, mas é cuidadoso em suas explorações. É observador, mas quer experimentar, quer ter suas próprias sensações. Acho bacana ele tentar ligar o DVD como a gente, tentar colocar a meia sozinho, tentar abrir a porta pra passear...Cuidamos pra ele não se machucar, claro, mas, na medida do possível pro tamanho dele, damos liberdade pra que ele exercite a lei da "ação e reação".
Quê mais? A platéia do Gutão vai crescer no fim de semana. Tio Bru chegou hoje. Vovô Zeca e vovó Lilica chegam no sabadão. Eu e o Rô estamos felizes. Filhote certamente vai ficar também.
posted by JULIANA DE MARI 5:06 PM


Domingo, Julho 24, 2005


Pra comemorar


Amanhã é aniver do Rô, mas a comemoração já começou. Tivemos um final de semana gostoso em família. Sabadão foi dia de levar Gutão pra vacinar. Ganhamos, eu e o Rô, um presentaço: filhote não chorou na hora da agulhada, dá pra acreditar? Nem resmungou depois. Optamos por uma vacina só esse mês. Ele precisava tomar duas, mas, como andou chatinho esses últimos dias, achamos melhor não provocar reações agora. Ficou a Prevenar pro mês que vem. Depois da clínica, fomos almoçar num cantinho especial na Vila. Um dia de sol, um lugar agradável, Gutão passeando pra lá e pra cá nos braços das donas da "casa". Tinha que ser assim. Ele é habituée do lugar desde que ainda estava na barriga! À tarde, soneca e, depois, passeio no supermercado. O pai resolveu retomar seus dotes culinários e nos brindou com uma deliciosa massa no jantar. Gutão não comeu muito bem -- da comida dele, claro. Ainda não ofereço pra ele exatamente o que eu e o Rô consumimos. À noite, hora de dar risada com o DVD Os Incríveis, increvelmente bem feito. Recomendo muito. Gutão viu as primeiras imagens com olhos esbugalhados, super excitado. Mas tava como sono e não teve paciência pra ficar sentado na frente da TV por mais que dez minutos. Tá certo. É o tempo dele. Dormiu gostoso e nos brindou com mais um presentaço hoje, domingão, véspera dos 29 do Rô: acordou às 9h da matina!!! Fato inédito em casa!
Bom, domingão foi assim, caseirinho. Com direito a soneca gostosa antes do almoço e mais um tombo e mais um galo na cabeça. Comparado com o primeiro, é um galinho. O chato é que foi praticamente no mesmo lugar. E eu tava ali, na frente dele. Fiquei tão chateada...Não consegui evitar que ele cambaleasse e batesse o lado da cabeça na parede outra vez...Chorou ele; eu fiquei mal. Mas passou. Nele, quase nem dá pra ver. À tarde, brigadeiro, cachorro-quente, alguns amigos queridos, muita energia boa pro meu Rô. Gutão tava um pouquito estressado, não sei por quê. Me chamava a cada minuto. Brincou, sim. Fez charminho, sim, mas não ficou à vontade como de costume. Não sei se é porque não havia outro bebê por perto...ou se é resquício ainda dos dentes novos chegando. Fato é que hoje ele não quis saber de almoçar nem de jantar direito. Passou o dia comendo frutas --goiaba, morango, melancia, banana e melão--e tomando suco e água de coco. Aprendi que ele tem dias assim. E que já sabe escolher o que cai bem e o que é melhor deixar pra depois. Tá um querido, esse meu menino. Tão carinhoso, tão companheiro. Não consigo lembrar mais de como era a vida antes desse amor...Antes do nosso amor.
Rô, te amo, meu lindo. Que o teu dia, amanhã, seja tão glorioso quanto o teu sorriso.
posted by JULIANA DE MARI 11:14 PM


Quarta-feira, Julho 20, 2005


As boas


Os dentes despontaram. São seis a mais. Não nasceram por inteiro ainda, mas já estão lá, pontuando a boca do filhote. Gutão tá melhor da gripe. Restou uma tosse muito chata só. E como o frio continua (e que frio!), continuamos fazendo inalação à noite. Ele detesta. Aliás, limpar o nariz agora virou operação de guerra. Uma pessoa só não consegue. Tem que ser dupla pra segurar o menino, que esperneia, vira pra lá, pra cá, mete a mão na "bombinha", ai, ai, ai. No mais, tudo bem. Gutão segue muito sapeca. Ganhou um galo na testa na segunda-feira, mas sobreviveu ao susto! Segundo relatos, foi assim: ele tava andando em casa, a vassourinha numa mão e o cachorrinho de empurrar na outra. Enroscou os cabos e tropeçou. Bateu com a testa na quina da porta do nosso quarto. Chorou horrores. A babá chorou junto. A faxineira, idem. O galo na testa cresceu rapidamente. Enorme, roxo, com um risco vermelho no meio. Só fui informada do acontecido algumas horas depois. A babá, sabiamente!, preferiu avisar o pai primeiro. Ele, sabiamente, recomendou que ela ligasse pra dra.Ketty. A médica ligou de volta e disse que quanto maior e mais roxo o galo, melhor. É que se não sangra "pra fora", pode ser indício de sangramento interno, fissura, essas coisas ruins. Bom, só vi meu Gutão quando cheguei do trabalho, por volta das 20h30, duas horas depois do tombo. Ele tava ótimo, todo animado, brincando a valer. Eu fiquei péssima. Gente, que coisa feia aquele galo enoooorme no meio da testa. Parecia um unicórnio!!! Impressiona muito, ainda mais que ele é branquinho. Ligamos pra dra.Ketty outra vez. Outra vez, ela explicou que é assim mesmo e que o galo é sinal que nada de grave aconteceu. Ufa. Ainda bem que o menino tava ligado no 220 volts, se não, eu ia encanar que o tombo tinha afetado o cérebro dele! :-)
Gutão tem dormido tarde. Não sei se o ritmo dele é assim mesmo ou se ele fica mais animado depois que eu chego em casa...O fato é que ele tem ido pro berço por volta das 21h30/22h. E tem acordado no horário de sempre, faça chuva ou faça sol, sete da matina. Não tem chorado durante a noite. Às vezes, reclama porque perdeu a chupeta ou se meteu numa posição complicada. Mas é só ir lá e aplicar a técnica "misto-quente", virando o menino de lado, que ele volta a dormir. Eu tava sentindo falta dessa paz...Quê mais? Gutão anda ainda mais falante. Repete absolutamente tudo, tudo, tudo que a gente fala. Aprendeu a dizer casa, calça, chave, mão, xixi, e por aí vai. Aprendeu a arrumar a cama com a gente. Faz direitinho, imitando tudo o que a gente faz. Ganhou o DVD de Clipes do Palavra Cantada (Rê, do Theo, valeu a dica!) e se encantou. Ouve -- e vê -- "Sopa", "Pindorama", "Rato" e "Eu" inúmeras vezes por dia. Ah, e tá muito carinhoso. Muito mesmo. Dá abraço, manda beijo, vem correndo fazer carinho na gente. Trata bem todos os seus "amigos" de quarto e berço. Antes de dormir, todo santo dia, cumpre o mesmo ritual: dá beijo de boa noite na Pig, no Leleco, no Fofinho, no Coelhinho, no Caco e no Anjinho (e os empurra pra gente acarinhar também), os bonecos que velam o sono dele. Coisa linda de se ver.
posted by JULIANA DE MARI 6:20 PM


Domingo, Julho 17, 2005


Abuso, não


Já aconteceu uma vez. Uma foto só, quando eu ainda estava grávida. E eu garanto que a sensação não foi nada boa. Como não quero sentir aquela raiva novamente, resolvi aderir ao time daqueles que usam o blog como diário mesmo, postando apenas texto. Sem fotos. Ah, gente, eu realmente não queria tomar essa decisão, mas, nos últimos dias, tem aumentado o número de casos de mães que flagram as fotos de seus lindos bebês em blogs alheios. E tem aumentado o número de amigas que estão tomando a mesma decisão que eu. Certamente o blog vai perder um pouco de sua graça, que é a carinha faceira do meu Gutão online. Fazer o quê? Amigos e familiares, dont worry. Vocês vão continuar acompanhando as peripécias do menino via fotoblog. Em breve, informo a todos, por email, como fazer para acessá-lo. A internet tem nos proporcionado muitos bons momentos e eu não quero correr o risco de estragar essa história. Fui.
posted by JULIANA DE MARI 8:59 PM


Sexta-feira, Julho 15, 2005


Pensando no próximo


Mais um tema do post comunitário, enviado pela Carol: "Próximo filho: o que você fará de diferente?"
Bom, certamente teremos mais um filho. E eu não pretendo demorar muito na encomenda (quem sabe ano que vem?). Tenho receio de não ter pique se adiar demais essa nova chegada...Tou falando da canseira que dá cuidar de uma criança. É lindo, é maravilhoso, mas exige uma condição física e mental minimamente OK. Tudo bem que a mudança fundamental já aconteceu, que o Augusto já abriu caminho e que já somos uma família. Isso, sem dúvida, facilita as coisas. Mas cada um é cada um -- e eu me mantenho firme na vontade de me entregar tanto para o segundo quanto me entreguei ao primogênito. Isso, é claro, sem deixar de dar a atenção que meu Gutão merece.
Penso em fazer algumas coisas diferentes em relação à gravidez (menos estresse, mais exercícios, menos quilos a mais). Em relação à chegada do bebê, vai ser bom saber que ele não vai morrer de fome se não mamar que nem um bezerro logo de cara...Eu achava que o Augusto não ia aguentar -- ah, e como eu sofri. Sim, porque, novamente, eu vou insistir na amamentação tanto quanto o necessário. É isso, acho que o segundo vai encontrar uma mãe mais tranquila em relação aos primeiros cuidados. Também acho que vai encontrar um casal mais forte. Um filho muda tudo, inclusive os nossos papéis. É preciso investir conscientemente na preservação do "marido e mulher". Se não, quando a gente percebe, se acostumou a ser só "pai e mãe". E os filhos crescem, vão embora, e a gente, em algum momento, vai voltar a ser dois, né?
Quê mais? Putz, vou ter que negociar com a babá. Hoje, ela não dorme em casa e nem trabalha nos finais de semana. Eventualmente, vem num sábado. E dois em casa vão demandar atenção em dobro -- e eu preciso preservar algumas horas de sono pra me manter produtiva e bem humorada. Não vejo espaço pra babá se "mudar" de vez pro nosso canto. Até porque ela também tem uma filha que precisa da presença dela. Penso numa agenda flexível, tipo três noites por semana e revezamento nos sábados. Mas deixa rolar. Quando chegar a hora, a gente pensa direito nisso. O que importa é que tou feliz na minha condição de mãe e acho que o segundo filho vai fazer esse sentimento crescer ainda mais.
posted by JULIANA DE MARI 11:33 AM


Quinta-feira, Julho 14, 2005


A tal da culpa


Taí um tema recorrente na mente de qualquer mãe do mundo, eu tenho certeza. A tal da culpa. A tal da dúvida. A tal do "será que...?" E como a gente sofre embalada por essas angústias existenciais, né, não? Nesse episódio do "não-dormir-só-chorar" do Augusto, me vi quase louca na madrugada. Faço um exercício consciente de compreensão, de serenidade, de paciência...mas, depois de horas de choro agudo zumbindo na orelha, não há cristã que se mantenha impassível. Eu sou mãe, mas também sou gente. E também tenho meus limites. Também fico cansada, também choro, também quero colo. Sei que meu filhote ainda não é capaz de compreender essa realidade em sua plenutide (e a adolescência virá pra acabar com as fantasias dele!!), mas eu não fico me controlando pra não ser eu mesma...Quando a barra pesa demais, dou, sim, uns gritos. Me permito cinco minutos de um chiliquinho básico. Se eu sofro com isso? Ah, claro. A tal da culpa. O tal do "será que ele ainda vai me amar amanhã de manhã?". Absolutamente dentro da normalidade. A gente quer ser perfeita, mas não é. Nunca vai ser. Ou talvez até seja, na visão que os filhos vão construir na maturidade deles. Sei lá. Não dá pra encanar muito com isso, não. Faz parte um tanto de angústia, de ambos os lados, mas a certeza do amor que nos une há de prevalecer. Eu creio profundamente nisso.
Como li num artigo há pouco, "...Um bebê, uma criança, é incapaz de compreender relações humanas, analisar situações ou tomar decisões. Ela age movida apenas por suas necessidades, medos e aflições. Assim, não se pode dizer que respeita ou desrespeita a mãe ou o pai. Ela deve ser entendida, acalmada, amparada. Com paciência, tolerância, até que o tempo a ajude a amadurecer e a fazer suas escolhas. Essa grandeza é o sentido maior da maternidade: plantar, sempre e por muito tempo, gestos de amor que serão modelos para as futuras ações dessa criança"

Isso é amor


posted by JULIANA DE MARI 8:05 PM


Quarta-feira, Julho 13, 2005


E vamos em frente


Gutão continua ruinzinho. Anteontem, de segunda pra terça, tivemos uma das piores madrugadas da nossa história. Gutão acordou chorando muito por volta das 2h30. Chorou, chorou, chorou. Não quis colo, não quis berço, não quis leitinho quente, não quis a nossa cama. Ficamos nessa ladainha, menino em pé na sala e pais-zumbis ao lado, até umas 5h30. Nesse intervalo, inalação, muitos berros, impaciência, mamãe nervosa, papai dormindo em pé. Gutão dormiu com a gente. O Rô "pescou". Eu fiquei espremida num cantinho da queen size de olho nos dois. E lá fomos nós, ontem, visitar a dra.Ketty outra vez. E novamente ela examinou o menino minuciosamente: olhos, ouvidos, garganta, gânglios, articulações...E novamente o diagnóstico: congestão nasal e muitos dentes nascendo de uma vez só. Ela conseguiu ver bem a boquinha dele dessa vez. E viu gengiva cor de rosa e um monte de pontinhas de dente saindo. Recomendou muito carinho, muita paciência e observação redobrada. Às vezes, esse mal estar todo é prenúncio de algo por vir. Não há de ser, se Deus quiser. Essa noite, aliás, Gutão já dormiu melhor. Eu é que dormi pessimamente. Acordei com enxaqueca. Mas vamos em frente.

posted by JULIANA DE MARI 12:17 PM


Domingo, Julho 10, 2005


Chegou o inverno


E com ele veio o frio, a gripe, o nariz entupido, as noites mal dormidas...Gutão piorou. Tá congestionadíssimo. Babando muito. Chorando muito. Me chamando muito. Dá uma dozinha ver meu bichinho assim. Não conseguiu dormir de ontem pra hoje de tão entupido que tá...O pior é que eu também tou. O ouvido, graças a Deus, melhorou. Mas restou a tosse, o catarro, o nariz "pingando". Ser "rinítica" nessa época do ano é uma merda, me desculpem o palavrão. Mas é assim que tou me sentindo hoje...Cansada, estressada...Com saudades da minha mãe, do meu pai, da Lu...Compramos uma Webcan, mas nem sempre os horários deles coincidem com os nossos...De todo modo, vou tentar exibir o netinho virtualmente logo mais. Agora, algumas fotos que eu tava devendo. As primeiras tiramos em Cachoeira (RS), há alguns dias. Gutão teve a felicidade de conhecer uma das duas bisas que tem. Já pensou que privilégio?! As últimas, tiramos ontem. Gutão, mesmo dodói, é um amor de bebê.

Gutão, a bisa e a vovó Lilica


Ajudando a estender as roupas da vovó


Será um pequeno jornalista?



posted by JULIANA DE MARI 8:01 PM


Sexta-feira, Julho 08, 2005


Um dente incomoda muita gente. Seis dentes incomodam muito mais!


Fomos à pediatra ontem. Gutão amanheceu meio chatinho, mas chegou lá todo faceiro. Mexeu em todos os brinquedos e, claro, se encantou com algo que não devia. Uma escadinha que a doutora deixa ao lado da maca. Era pesada, a danada. Mas ele tanto fez que conseguiu empurrar. Bom, a dra.Ketty ouviu todo o meu relato (meio desesperado, confesso) e examinou o pequeno com muita atenção. Graças a Deus, a suspeita de estomatite não se confirmou. A garganta também tá limpinha. Não há problemas nas articulações, nem gânglios pelo corpo. A pomadinha pro "pintinho" funcionou. Ou seja, a dor tem um endereço só: vem dos novos, muitos, enormes, dentes. Ah, o ouvido direito também tá vermelho. Ainda não tá inflamado, mas, em todo caso, já estamos usando um remedinho preventivamente. Gutão pesou quase 11 quilos (10.980 quilos) e cresceu 3,5 cm desde a última consulta. Um monte, nas palavras da pediatra! Está com 79,5 cm. Se continuar nesse ritmo, o menino vai chegar à marca de 1,75/ 1,80 de altura, já pensou????!!! Dois baixotes gerando um quase gigante, hahahahahaa!!!
Quê mais? A dra.Ketty também ficou surpresa com o tanto que o Augusto fala. E fala bem. Pronuncia muitas palavras direitinho. Ah, disso eu tenho um orgulho danado! Sei lá, acho que o fato da gente conversar tanto -- e sempre-- acaba estimulando o pequeno em sua linguagem. Claro que a maioria das palavras dele é pela metade, mas ele se esforça pra fazer o som correto e eu acho isso realmente incrível. E como ele tem me surpreendindo!! Agora, deu de bater na porta do banheiro e ficar falando "abri, abri" quando eu ou o Rô estamos lá dentro! Também aprendeu a dizer "sapato". Na língua dele, "papato". Pega os que vê pela frente e fica tentando colocar no pé da gente. Quando vê o telefone, pega, diz "alu" e pegunta pelo pai. "Papai, papai", coisa linda de ouvir!!!! Na hora de dormir, deu de querer segurar minha mão. Ele deita e estica o bracinho na minha direção. Tão bonitinho. E se é o Rô quem o pega no berço de manhã, ele saúda o pai do jeito dele e vem no quarto me acordar. Entra gritando: "mamãe, mamãe". Me dá um sorriso, depois, ato contínuo, dá "tau, tau" e vai tomar leitinho com o papai. Gutão também anda de amores com a bola. Corre, chuta, do jeito dele, claro. Quase um Ronaldinho!!!!!
Agora, ele tá ali, dormindo de bunda pra cima. Não quer saber de cobertor (ainda bem que o aquecedor tá ligado). Já choramingou um bocadinho, mas eu já fui lá, já dei carinho e ele já voltou a ressonar. Fui no homeopata hoje à tarde e já tou tomando um remedinho novo pra tratar a gripe e o ouvido (diagnóstico: inflamação da "tuba", muco passeando de lá pra cá, já pensou?). O Rô chegou. Tá um baita frio. É hora de dormir em paz.

Um sorriso vale por mil palavras

posted by JULIANA DE MARI 10:56 PM


Terça-feira, Julho 05, 2005


Como estamos


Tivemos um final de semana glorioso. Sábado, um lindo dia de sol, eu e Gutão fomos encontrar a Rê e o querido Theo na praça. Os meninos brincaram a valer. Theo, fofo, emprestou seus baldinhos e suas pazinhas pro amigo na boa. Percebi que meu filho está mal equipado pras brincadeiras ao ar livre. Tem baldes, mas não tem uma só pá!!! A sorte é que sempre encontra um bebê caridoso em seu caminho e que se dispõe a emprestar a dele em troca de algum outro brinquedo interessante. Essa coletividade da praça, aliás, é muito bacana. Todo mundo brinca com tudo. Alguns, é verdade, dão chilique. Querem tudo alheio, mas compartilhar do seu que é bom, nada. Mas a maioria brinca junto sem problemas. Gutão adora estar ao ar livre. Adora estar com outras crianças. Eu adorei ter saído sozinha com ele. A cada dia, me divirto mais com nossa cumplicidade.
No domingo, praça outra vez. Queria comemorar meu aniversário de um jeito diferente. Daí, veio a idéia de fazer um piquenique com alguns amigos e seus rebentos. O tempo ajudou, o dia estava lindo, a praça com a grama cortadinha, verdinha. Levamos toalha xadrez, cestinha de vime e muita coisa boa de comer. A Tita, querida, mãe do João Gabriel e da Lívia, fez um bolo de cenoura deliciosa e levou até velinha pr'eu cantar parabéns! O Duda, da Dani e do Miguel, levou champagne pra gente brindar. A Rê levou o Theo, uma maletinha com pratinhos e talheres coloridos chiquérrima!, e uma outra Rê, amiga dela, com seu Guilherme. Ah, tava tão gostoso. Me senti tão aconchegada, tão feliz. Gutão curtiu muito também. Correu a valer com o Rô. Caiu com o nariz na grama, fez carinho nos cachorros, jogou bola, deu muita risada com os outros guris. Pois é, só tem menino nessa roda. Tinha a Lívia, linda, mas ela é ainda tão pequenina (dois meses, acho). Tiramos várias fotos, mas ainda não tive tempo de postar. Prometo fazer isso ainda hoje.

No mais, a única coisa chata dos últimos dias tem sido a dificuldade do Augusto pra dormir à noite. São seis dentes nascendo ao mesmo tempo, o que certamente deve causar um baita desconforto. Mas eu ando suspeitando que ele é mesmo vítima do tal terror noturno. Ai, gente, é tão impressionante vê-lo chorando, batendo os pezinhos de nervoso, no meio da madrugada. Os episódios têm sido constantes. Toda noite, ele chora, várias vezes -- embora não pareça totalmente acordado. E nada o acalma nesses momentos. Não adianta acarinhar no berço, não adianta tirar do berço, não adianta levar pra nossa cama, nanar no colo, cantar...Nada afungenta a angústia dele...Já marquei dra.Ketty e um médico homeopata pra ver se eles me ajudam a lidar com essa fase de um jeito mais sereno. Confesso que, cada vez que ele chora, tenho palpitações. Claro que procuro não passar esse sentimento pra ele, claro que entro no quarto dele falando baixindo, pisando leve, tentando manter a ansiedade em baixa. Mas é difícil não sofrer. É difícil achar que ok, ok, é uma fase e vai passar. Tá, vai passar, mas até lá, será que eu não posso aprender a lidar com isso de outra maneira? Será que meu filhote não está sofrendo com esse distúrbio porque tem calor durante a noite? Pq tem fome? Pq tem medo? Pq está inseguro? Ai, ai, ai. Questões a investigar.

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Ah, pesquisando sobre distúrbios do sono, achei este artigo no site http://solucoes.multiply.com/journal. É dos autores do livro Sweet Dreams: A pediatrician's secrets for your child's good night's sleep, Paul M. Fleiss e Frederick M. Hodges. Concordo em gênero, número e grau com as idéias que eles propõem. Vou reproduzir um trecho pra vocês terem idéia do tipo de relação que tento estabelecer com meu filho. Uma relação de confiança e, sobretudo, de respeito.

"...Pode ajudar aos pais lembrar que bebês e crianças pequenas são criaturas emocionais, e não racionais. Uma criança não pode entender perfeitamente porque você está ignorando seu pedido de ajuda, que veio através do choro. Ignorar o choro do bebê, mesmo com a melhor das intenções, pode fazê-lo sentir-se abandonado. O resultado é uma criança insegura e infeliz. Você não pode "estragar" uma criança se responder aos seus choros. Crianças são "estragadas" quando são ignoradas. Se eles não podem chamar sua atenção através dos meios usuais, eles irão tentar comportamentos desagradáveis para consegui-lo. Quanto mais você ignora suas crianças, mas desagradáveis os seus comportamentos se tornarão, e mais "estragados" eles vão ficar. A lição que estou ensinando é que você valoriza o mal comportamento mais do que o bom comportamento. Eu tenho certeza de que todos os pais vão perceber o quanto é indesejável que uma criança aprenda este tipo de lição.
Esperar que um bebê ou criança pequena que acorda e chora no meio da noite "conforte a si mesma" sem uma interação positiva e carinhosa dos pais é irracional e não-efetiva. Responder ao choro do bebê, confortá-lo, e amá-lo, ajudando-o a superar o que quer que o esteja incomodando, não é somente efetivo, é também a maneira certa de acalmar e confortar a sua criança para que ela possa voltar a dormir em paz. Um bebê que chora quer a presença do pai/mãe precisamente por saber instintivamente que a presença de um pai confortante é a solução para o problema. A menos que o pai se faça disponível ao bebê, o bebê não vai se acalmar. Bebês estão respondendo a necessidades biológicas que "especialistas de sono" ignoram ou negam.
É verdade que um bebê cujo choro é ignorado pode eventualmente voltar a dormir, mas o problema que o fez acordar permanence não-resolvido. Mesmo se os pais checaram tudo pra ter certeza de que o bebê não está doente ou em desconforto físico, a menos que peguem o bebê no colo, interajam com ele de uma maneira carinhosa, confortem-no, a causa do stress emocional continua. O stress emocional de um bebê não some se ele é simplesmente ignorado. Ele se multiplica e pode levar a disordens de longo prazo na relação entre pais e filhos.
Lembre-se de que os bebês choram por uma razão. Nós não podemos sempre saber qual é a razão, e não podemos sempre resolver o problema, mas podemos sempre tentar. Se o bebê chora de noite, pode ser de fome, sede, pode estar doente, com frio, com calor, incomodado, agitado, se sentindo sozinho, ou com medo por causa de um pesadelo. Qualquer que seja o problema, o fato é que o choro do bebê indica que ele é incapaz de resolver o problema sozinho e precisa da ajuda dos seus pais. Vale também lembrar que os bebês choram somente como um último recurso, depois que todos os outros meios de tentar estabelecer uma comunicação com os pais falharam. O choro da criança quando ela acorda no meio da noite pode conseqüentemente representar uma intensificação do stress inicial que a fez acordar. Conseqüentemente, a aproximação de maneira sensível e carinhosa deve responder imediatamente ao choro da sua criança. Os bebês não choram porque não têm nada melhor para fazer ou porque estão tentando irritar seus pais. Choram porque estão em aflição real. Quando seu bebê chora, está chamando você. Está pedindo seu auxílio da única maneira que sabe. Apesar de tudo, uma criança que acordou de noite e começa a chorar pode estar doente, em desconforto, em perigo, ou com dor. Você não poderá avaliar a situação até que vá até seu bebê e pegue-o em seus braços".




posted by JULIANA DE MARI 2:33 PM


Sábado, Julho 02, 2005


Post comunitário


Gravidez e parto: o que você faria de diferente?
A Carol propôs e eu não poderia ficar de fora. Vamos à resposta, pois.

Certamente eu tentaria não comer tanto durante a gravidez. Comecei com 48,5 quilos (ok, magérrima) e cheguei aos 64,5 quilos. Dezesseis quilos a mais em nove meses, digamos que não é uma marca confortável. Até hoje não consegui voltar ao meu peso ideal (50 quilos). Empaquei e não há dieta que dê jeito. Também acho que não volto mais àquele corpo de antes. Tá, é consequência, mas é estranho. Eu sei que uma boa dose de exercícios ajudaria...mas cadê a coragem de encarar uma academia? Taí, isso eu também tentaria fazer diferente. Na próxima, se estiver tudo bem com o bebê, quero fazer um cardápio equilibrado com uma nutricionista e quero nadar. A água relaxa e dá vigor, ao mesmo tempo. Na gravidez do Augusto, como ele estava abaixo do peso, não pude fazer nenhum tipo de exercício. Ao contrário. Tive até que fazer repouso.
Fora essa questão, não me arrependo de muita coisa. Sempre tive medo de cesárea e sempre achei que o parto normal era o melhor pra mim e pro meu filho. Rezei muito, me preparei muito, confiei muito na minha médica, e deu certo. Tive um parto induzido, e tive sorte (nem todos, nesse tipo de processo, vingam...). Tive meu marido ao lado, muita cumplicidade da equipe médica, minha mãe por perto, meus sogros, enfim, muito carinho. A estada no hospital também foi bacana. O que eu faria de diferente, talvez, diz respeito às visitas. Acho que teria sido bom definir alguns horários pra visitação na maternidade. O momento, é claro, merece todo tipo de comemoração e, é claro, que eu adorei ter as pessoas que gosto por perto, mas o fato é que a mãe fica debilitada, sim, mesmo tendo assistência 24 horas por dia. E comigo, não foi diferente. Eu achava que estava ótima e a ficha só caiu mesmo quando cheguei em casa...Bom, eu teria aproveitado um pouco mais esse tempo de cuidados no hospital pra mim, pra dormir mais, pra aprender a amamentar direito, pra cuidar melhor da episio (dói, sim, senhora)...
Quê mais? Em relação à chegada em casa, a única coisa que penso fazer diferente na próxima é dar banho no meu filhote já no primeiro dia! Ah, eu admito, fiz de tudo de bate-pronto --coco, xixi, umbigo, unha--, mas fiquei impressionada com a fragilidade do Augusto sem roupa! Tão magrinho, tão indefeso. Eu tinha medo de machucar, de afogar, sei lá. Ainda bem que minha mãe, que viveu o mesmo pavor quando eu nasci (é, a história se repete...), estava aqui pra me mostrar que era mais fácil do que eu pensava. Só dei banho no Gutão, eu acho, quando ele já tinha uns 15 dias. Não me arrependo. Era o tempo que eu precisava. E eu não deixei de cuidar e de amor pra ele só porque não consegui encarar a banheira!!! Mas, na próxima, certamente esse não vai ser o fantasma. Afinal, o nenê é só um nenê -- e eu continuo sendo adulta, experiente, e bem maior do que ele!!!!! Gutão mamou por oito meses e parou na hora em que demonstrou não estar mais afins. Valeu super a pena ter insistindo, ter ajudado ele a aprender a sugar, ter superado a dor das primeiras vezes, ter segurado minha onda (eu acreditava piamente que ele ia morrer de fome!). Hoje, tenho certeza que muito da força dele vem do mamá da mamãe, tanto em relação a sua saúde física quanto emocional.
posted by JULIANA DE MARI 9:00 PM


Quinta-feira, Junho 30, 2005


Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu!


Foi ontem, o "meu" dia. Foi especial, como se o ano estivesse começando agora, com todas as boas energias que a gente sente na virada, sabe? Recebi muito carinho: em casa, no email, ao telefone, no Orkut e aqui. Obrigada a todos(as) pela lembrança e pelas palavras carinhosas. Do Rô, veio um lindo buquê de flores (que está adornando a bagunça da minha mesa no trabalho!) e a certeza de que estamos juntos nessa vida pra ser felizes, porque assim escolhemos e assim renovamos nosso desejo diariamente. Do Gutão, veio o sorriso que me ilumina e a certeza de que ser mãe foi a minha maior --e melhor-- decisão até aqui. Ah, como eu amo esses dois!!!! Como diria meu querido tio Damasceno, diretamente da Ilha da Madeira (Portugal), pareço -- e estou mesmo muito feliz! Acho que a maturidade nos dá isso de presente: uma certa leveza...Que vem da capacidade de relativizar. De "cacifar" nossas apostas. De entender que, em algumas situações, o não-fazer é o melhor modo de partir pra ação. Enfim. Deixa esse papo pr'uma boa sessão de análise!
Mas deixa eu falar de quem interessa. Gutão tá tão esperto, minha gente. Agora, deu de pegar a vassourinha dele, catar um pano e fazer o mesmo que a Isaura faz em dias de faxina! Fico realmente impressionada com essa habilidade dos bebês de aprender na base da observação. Ele também repete absolutamente tudo que a gente fala. Às vezes, come umas sílabas, mas, em geral, fala certinho. Só que não grava boa parte das novas palavras. Deu pra fazer aquele sorriso-pra-foto pro telefone. Acontece quando a gente põe o aparelho no ouvido dele, alguém do outro lado diz alguma coisa e ele passa o fone de volta. E abre o tal sorriso-pra-mamãe-ver. Uma graça. Falando em sorriso, são seis, e não quatro, dentes nascendo ao mesmo tempo. Deve doer à beça. Tenho dado Tylenol na hora de dormir e passado Nenê Dent com cotonete. Se encosta na gengiva, no entanto, ele imediatamente empurra minha mão. Tadinho. Tomara que os dentinhos floresçam logo. Vai ficar engraçado meu bebê com tanto dente na boca!!!!!

Agora, uma curiosidade que peguei no site www.paulsadowski.com pra dar idéia do tempo. O dele e o meu.

Augusto
Tem 1 ano
Ou seja, 15 meses
Que significam 66 semanas de vida
Ou 460 dias -- 11,056 horas

Juliana
Tem 32 anos
Ou seja, 384 meses
Que significam 1,670 semanas de vida
Ou 11,689 dias -- 280,553 horas


posted by JULIANA DE MARI 3:47 PM


Segunda-feira, Junho 27, 2005


Batata quente


Não podia deixar de ficar de fora da corrente, né? Aproveitando o ensejo, passo a bola, digo, a batata, pra Lê, mãe das gurias, e pra Ana, mãe do André!!

Quem me mandou: Rê, mãe do Theo
Quantos gigabytes usa com música: Não tenho a menor familiaridade com isso...
Último cd que comprei: Pé com Pé, do Palavra Cantada
Música tocando no momento: "Dorme meu anjo lindo, meu menino, serafimmmmmmmmmm", Palavra Cantada
Cinco músicas que tenho escutado bastante: 1- Todas do Cocoricó/ 2- A letra A, Nando Reis / 3- Qualquer uma do Palavra Cantada / 4- Ilariê, da Xuxa / 5- Cai, cai balão, de um CD que veio num livrinho do Gutão
posted by JULIANA DE MARI 10:41 PM


Ele cresce e eu também


Gutão completou 1 ano e 3 meses hoje. Tá um meninão lindão. Toda vez que lembro do quanto ele era miudinho ao nascer, sinto um profundo orgulho do meu filhote e do quanto ele tem se mostrado forte na vida. Sinto orgulho de mim também. Por ter proporcionado as melhores condições físicas e emocionais pra ele "brotar". Eu realmente tomo essa como a maior missão da minha vida. Falando nela, daqui a dois dias é meu aniversário. Vou fazer 32. Às vezes, o número pesa...Em outras, só me mostra o quanto valeu ter chegado até aqui e o quanto minha jornada ainda pode ser divertida. O corpitcho, definitivamente, não é mais o mesmo, mas a cabeça, ah, essa tem mudado tanto. Eu fico besta de ver os caminhos que a gente descobre e os efeitos que provoca num processo de auto-conhecimento (leia-se análise) levado a sério...Eu quero ser melhor, pra viver melhor, pra me aceitar mais, pra não tomar como minhas as frustrações alheias. E nem descontar as minhas em quem estiver por perto. Gutão, então, pelamordedeus. Tenho total consciência de que ele merece mais é o meu sorriso, a minha paciência, a minha atenção, o meu limite bem dado. Eu quero ser mais leve, mais inteira. É difícil esse processo, mas eu faço essa aposta em mim. Inté.
posted by JULIANA DE MARI 8:19 PM


Domingo, Junho 26, 2005


Acende a fogueira do meu coração


Comemoramos o São João hoje num arrail na escola de um amiguinho do Gutão, o João Gabriel, filho da Tita e irmão da pequena Lívia. Estavam lá também o Miguel, com a dinda Dani, e o Theo, da Rê e do Emílio. Gutão vestiu camisa xadrez, mas deu ataque pra pintar o bigode. Insiti e ele saiu com um bigodão meio torto, mui engraçado. Theo estava de camisa vermelha e chapéu de palha e Miguel de camisa xadrez e um bigodinho tímido (também não gostou da idéia de ser rabiscado!). O João Gabriel também estava à caráter. Junto com as crianças da sala dele, participou de uma linda procissão de lanternas nos arredores da escola. Emocionante ver esses toquinhos de gente fazendo parte de seus primeiros rituais.
Gutão curtiu, mas não tanto quanto eu acho que curtiria se não estivesse às voltas com quatro dentes nascendo ao mesmo tempo. Ontem teve um daqueles ataques de terror noturno, dor de dente, insegurança, ou seja lá que nome tem esse tipo de coisa, e ficou uma hora, madrugada adentro, chorando sem parar. Tentamos acalmar no berço, tentamos acalmar no colo, tentamos acalmar na nossa cama. Nada deu jeito. Até que, papai e mamãe já exaustos, ele recobrou o humor e parou de chorar pra ver a noite da janela. E viu os carros, e fez "bruuum". Mas só se sentiu seguro pra dormir ao nosso lado, ainda assim distribuindo resmungos de tempos em tempos. E olhe que eu tinha passado Nenê Dent na gengiva e dado Tylenol pra amenizar o efeito dos "rasgos"...
Agora ele tá ali, no berço, brigando com o sono outra vez. Me chama a todo instante, de um jeito que parte o coração...Eu vou lá, faço carinho, dou abraço apertado e tento não criar nele o hábito de só dormir agarrado comigo...Acho que ele sente mais dor à noite, tadinho, e, por isso, fica mais dengoso. Mas acho também que ele anda um tantinho mais inseguro e que isso tem a ver com o fato de que tá crescendo...Bom, coloquei um CD de historinhas e parece que ele, finalmente, vai se render. Espero que tenha uma boa noite. Nós merecemos.
(Antes que eu esqueça de registrar, Gutão ganhou uma cuia de chimarrão miniatura. Amou. Estreou ontem, tomando chimarrão, morno (argh!), de verdade. Nesse final de semana, também ampliou seu vocabulário: "tau" (tchau), "cua" (cuia do chimarrão), "cuco" (suco). E muitas outras palavras que eu me esmero em decifrar mas que, por enquanto, só ele entende!)

As boas: chimas, cocó com o Miguel e arraiá no domingão






posted by JULIANA DE MARI 8:36 PM


Quinta-feira, Junho 23, 2005


Maratona


Final de semana passado Gutão foi a Porto Alegre. Conheceu a casa nova do vô Zeca e da vovó Lilica e conheceu também a bisa e muitos primos, lá em Cachoeira. A viagem de ida no avião foi um pouco agitada. Gutão tava com sono, não parava quieto na cadeira. Queria passear pelo corredor e dar "oi" pras pessoas. Fez isso umas seis vezes (e eu e o Rô atrás, e haja coluna!). A volta, no entanto, foi tranquila. Sentamos na primeira fileira, só nós três. Daí, a hora em que o sono bateu, o Rô colocou o filhote no colo e ele pode esticar as pernocas e achar a melhor posição pra soneca.
Os dias com a família foram ótimos. Dias frios, é verdade. A temperatura começou a baixar no sábado e caiu mesmo no domingo. Mas, depois do episódio Campos do Jordão, em que levei uma mala mínima e por pouco o menino não ficou pelado!, separei uma mala só pra ele, com trajes para todas as estações! E como criança suja roupa, meu Deus. Uma hora é o suco que respinga, na outra o biscoito amassado que entra na manga do casaco. É lama, baba, xixi, coco. E eu confesso que não suporto ver meu filhote sujo e mal cheiroso. Não sou neura com isso, não, mas passo beeeeem longe do desleixamento. Por afinidade de assunto, Gutão amou a banheira que a vovó providenciou. Dava escândalo na hora de sair. Tentava entrar de volta no box e, terminado o banho, banheira a secar, ia lá, pegava a dita cuja e ficava num malabarismo danado até conseguir sentar lá dentro. Ah, Gutão também ganhou vassoura, pazinha e rodo em miniatura, uma graça. Varria a casa todinha, a varanda, a cozinha. Pena que só a vassoura coube na mala. Fica a encomenda pra vovó trazer quando vier nos visitar (e eu espero que seja em breve!).
Gutão se comportou muito bem no quesito sociabilidade. Embora esteja bem grudado comigo, coisa que atribuo à essa etapa do crescimento dele, e a toda hora me chame (mamã, mamã"i", e hoje soltou um "mãe" lindo de viver!), ele não deu vexame. Não chorou, não fez bico, não recusou colo, nem carinho. Foi com a bisa, foi com os avós, os tios, os primos. Foi também com as lindas gurias da Lê, que tive o prazer de conhecer pessoalmente num encontro --adivinhem onde?-- num shopping. Coisa bem boa conhecer ao vivo quem a gente aprendeu a gostar e admirar virtualmente.
A família do Rô é um capítulo à parte. Finalmente, matei a curiosidade e conheci as pessoas e a cidade que servem de referência pra ele. Me fez um bem enorme ser tão bem recebida. Todos muito atenciosos, preocupados com o nosso bem estar. Gutão, tenho certeza, também sentiu esse cuidado. Dormiu que nem um anjinho na casa da tia Donairia. Acordou todo sorridente, distribuindo gritinhos e abracinhos. Tá muito carinhoso esse meu guri, aliás. Me dá uns beijos molhados deliciosos, faz cafuné no pai, abraça a Pig com uma fooooooooorça!!!! Nem o nascimento de mais três dentões tem tirado o humor dele. Até o sono melhorou. Tem noites que ele ainda acorda, e chora, e chama. Mas, na maioria, só chama mesmo quando o dia amanhece. E, em geral, é porque a "peta" se perdeu no meio do cobertor. Nada que um pai ou uma mãe sonâmbulos não resolvam!!!
Também tá cheio de palavras novas: "mani" (menino ou menina), "aua" (água), "aqui", "prede" ou algo parecido (parede), e por aí vai. Tudo que a gente fala, ele tenta repetir. E consegue, em boa parte das vezes. Eu morro de rir e converso, estimulo, falo tudo explicadinho. E beijo, e abraço, e não me canso de repetir o quanto é bom ter essa alegria na minha vida. A viagem foi uma delícia. Mas foi cansativa. Na volta, a maratona continua. O trabalho tá uma correria só. E eu não ando me reconhecendo no espelho (nem sempre tive esse ar de cansaço...). Deve ser o tal inferno astral...De tudo que fica, o mais forte é a certeza de que é muito bom estar construindo uma família. É muito bom ver meu filho crescer. É muito bom voltar pra casa.
PS: amanhã é véspera de São João na minha terra. Fogueira e milho assado por todo lado. Eu tenho saudades...São Paulo não tem "arraiá" como lá...
posted by JULIANA DE MARI 10:30 PM


Quarta-feira, Junho 15, 2005


Retratos


O final de semana na montanha foi especial. Gutão e Miguel brincando juntos é especial. Ver a "via láctea" com o Duda e a Dani ao lado, idem.
Difícil é escolher, de tantos, os cliques mais especiais dessa aventura. Segue a primeira edição, pois.

Dina Dani e os gêmeos


Gutão e Miguel: iluminados


Gutão, felizão, na cama elástica


Curtição com a mamãe em dois momentos



Qual era mesmo a piada?


Depois da comida, o barrigão

posted by JULIANA DE MARI 10:50 PM


Terça-feira, Junho 14, 2005


Rapidinhas


Eu sei, tou devendo post e fotos sobre o final de semana -- que, adianto, foi maravilhoso!!!! É que a semana começou a 100 por hora e eu tou cheia, lotada, entupida de coisas pra fazer. Além disso, essa semana pra gente termina na quinta. Sexta vamos viajar outra vez, oba.

Bom, resolvi escrever hoje por três motivos:
1º) Reencontrei a Rê, mãe do Theo, no mundo virtual!!!! Tou tão feliz!!!!!! Gosto demais dela e realmente acho uma pena a gente morar tão pertinho e se ver tão pouquinho...Bom, já falamos hoje e já montamos uma estratégia de aproximação para os próximos dias!!! Aguardem notícias.
2º) A terra tremeu. E nosso prédio também. Foi ontem à noite, reflexo do tremor de terra no Chile, acreditam? Eu tava chegando em casa e o Rô e o Augusto, por sorte, estavam lá embaixo me esperando. Ou seja, a gente não sentiu nada. Mas os vizinhos dos andares mais altos que estavam em casa na hora sentiram. Viram lustre virar pêndulo, planta mexer sem vento, porta de armário abrir sozinha. Socorro! Que medo! Eles nos disseram que não dá nada. É a quarta vez que sentem algo do gênero, sempre reflexo de tremidinhas por aí afora. De todo modo, os bombeiros iam lá hoje cedo fazer vistoria. Das outras vezes foram e não encontraram nenhum comprometimento na estrutura do prédio. Tomara que seja assim novamente. Afinal, a gente mora no 16º...
3º) Gutão tá um figuraça. Continua na sua fixação por objetos de limpeza, mas agora trocou a vassoura pelo rodo. E não abandonou o balde!!! Tá um grude comigo. Me chama até quando eu levanto pra trocar o canal da televisão. Também tem tido ataques seguidos do tal "terror noturno" (fase que, pelo que tenho lido nos blogs alheios, acomete dez em cada dez bebês na idade dele). Tá crescendo e tomando consciência que existe a ausência...Fase difícil. Não é mole levantar cinco vezes na madruga pra acalmar o filhote. Eu acordo um trapo -- quando consigo dormir de volta, né? Bom, é ter paciência e focar no bem estar dele.

posted by JULIANA DE MARI 6:33 PM


Sexta-feira, Junho 10, 2005


Chegou o final de semana


Primeiro, foi o balde. Agora, é a vassoura. Gente, Gutão descobriu a dita cuja e ficou com idéia fixa. Toda hora quer pegar, toda hora quer "varrer". Morre de rir sozinho. Faz altas caretas, tentando andar e equilibrar a vassoura numa mão só. Ontem, não largou o cabo nem pra trocar a fralda!!! Tá um figuraça esse meu filho. Aprendeu a falar mamae e papai direitinho e a apontar pra tudo o que deseja.
Bom, vou ficar por aqui hoje. 'E que estamos de malas prontas. Vamos passar o final de semana em Campos do Jordão, na companhia da Dani, do Duda e do Miguel. Prometo postar fotos na volta e contar tudinho dessa aventura a seis!!!! Beijos
posted by JULIANA DE MARI 6:44 PM


Domingo, Junho 05, 2005


O tempo passa


Trabalhei muito na semana que passou. Fiquei muitas horas longe de casa. Por duas vezes, voltei quando o relógio marcava quase meia-noite. Parte de mim, enfrentou a maratona feliz, realizada com tamanha produtividade. Outra parte, sofreu. Nenhuma mãe merece sair de casa quando o filhote ainda dorme e voltar depois que ele já foi deitar. E eu, definitivamente, não tenho a pretensão de ser eleita "a profissional do ano". Portanto, meta pra próxima segunda-feira é redefinir meus limites, digo, meus horários. Outra vez. E quantas forem necessárias pra me sentir confortável com minhas escolhas. Enquanto estiver no trabalho, estarei inteira, focada, produzindo. Mas quero ter tempo decente pra estar próxima do meu Gutão, do Rô e das coisas que me energizam e me dão significado.
Também quero praticar o que o sociólogo italiano Domenico De Masi batiza de "ócio criativo". Não, não tem nada a ver com tempo para preguiçar. Tem a ver, sim, com uma pausa para reabastecer a vida de mais cultura, mais referências, mais valores. Tempo pra ler um livro, frequentar uma praça, saborear um prato de receita desconhecida, estar com os amigos, enfim, abrir a cabeça. Tive o prazer de ouvir Domenico ao vivo, na feira de carreira que a revista promoveu. Ele fez a abertura do evento e falou sobre a criatividade na sociedade pós-industrial, na qual o conhecimento prevalece sobre a produção. De tudo o que ele disse, uma idéia ficou martelando: a de que a escola, os pais, a sociedade, todo mundo nos ensina e nos prepara para trabalhar, mas ninguém se preocupa realmente em nos ensinar a viver. (E é desse aprendizado que vem a noção de que se pode ter prazer no trabalho...). Na palestra de encerramento, com o brilhante filósofo Mário Sérgio Cortella, mais marteladas. Ao contrário do senso comum, ambição é uma característica saudável. Ser ambicioso é querer fazer sempre mais. Ser ganancioso é que é o problema. Porque ganância implica querer mais -- só pra si.
Isso tudo pra dizer que, se o assunto escola já era importante pra mim, agora ficou mais importante ainda. Antes de matricular meu Gutão, coisa que só vou fazer lá pra setembro quando o tempo firmar, pretendo visitar algumas aqui perto de casa. Embora já tenha algumas indicações, quero ver ao vivo e em cores como as crianças brincam. Sim, porque minha idéia é que a escola escolhida possa proporcionar um espaço de aprendizagem que combine com o jeito pelo qual ele mais aprende atualmente: brincando. Gutão aprende rápido. Vendo e tentando. Hoje, na casa do Julio e da Patty, fui encher o copo dágua e apertei a torneira do filtro na frente dele. Não é que dali a um minuto o guri voltou sozinho, ficou na ponta do pé e apertou a torneira certinho? Fiquei pasma!!!
Temos muitas novidades nessa linha, aliás. Gutão aprendeu a se abaixar e averiguar o que existe debaixo das coisas. Fica de cócoras e procura qualquer coisa embaixo do berço, do sofá, da cama. Quando acha meu chinelo, por exemplo, fica todo feliz. Pega o "sapá" e trata de enfiar no meu pé (mesmo quando eu já estou devidamente calçada!). Também não quer saber mais de andar sem sapato pela casa. Como nosso apê é sempre mais frio que a rua, em geral, ele está sempre de meias. Daí, vai lá na cômoda, literalmente escolhe o que quer usar, e vem todo falante, pedindo pra calçar o modelito. Por falar em falar, ele aprendeu a pedir água, "aua" em gutanês. Aprendeu também a ir pra frente da TV e chamar pelo "cocó", o DVD do Cocoricó, sucesso absoluto aqui em casa! Até o Rô já decorou as musiquinhas (pra quem conhece, o que é aquela hilária do porquinho???!) Do mesmo que aprende rápido, percebe no mesmo ritmo o que não deve fazer. E, em geral, não faz. Só tem uma coisa que ainda não conseguimos conter: o ímpeto de tirar o fone do gancho e jogar no chão!!!!!! Será o barulho o que o anima? Ou será que ele sabe que a gente vai reclamar e aí faz exatamente pra chamar atenção? Sei não, só sei que tou mantendo a calma e repetindo feito papagaio: Gutão não pode, vai quebrar. Veremos o resultado em breve.
Agora ele tá aqui. Depois de derrubar o telefone pela enésima vez, dando um pequeno chilique. Acho que é sono. Ou birra mesmo. Vai pro colo do Rô e me chama. Vai pro chão e me chama. Será saudade acumulada? Sei não, só sei que o final de semana passou mais rápido do que eu queria. E eu, sim, é que vou ficar com saudade do cheirinho bom e da gostosura do meu filhote quando a segunda começar. C'est la vie. E lá vamos nós, viver.

Gostosuras


Dinda Dani e o aMiguel: dá-lhe chimarrão, tchê!!!



posted by JULIANA DE MARI 8:38 PM


Terça-feira, Maio 31, 2005


Cadê a cabeleira que tava aqui?


O post, eu, prometo, faço amanhã. Hoje, fiquem com as fotos.




posted by JULIANA DE MARI 12:05 AM


Quarta-feira, Maio 25, 2005


Minha alegria


Ontem aconteceu uma que preciso compartilhar (do contrário, corro o risco de explodir de tanta emoção!). Liguei pra casa à noite pra avisar ao Rô que estava saindo do trabalho e que talvez demorasse mais um pouco por causa da chuva. Pra quem não viu, caiu um dilúvio sobre São Paulo. Ruas alagadas, muito trânsito, muito frio. Bom, antes de desligar o telefone, o Rô "passou" pro Augusto "falar" com a mamãe. E não é que ele falou?!! Comecei a puxar assunto e meu filhote devolveu um "mamã" lindo de viver!!! Ele reconheceu minha voz, sabe lá o que é isso?? Fiquei tão orgulhosa e feliz, mas tão feliz, que até entrei na sala da chefe pra compartilhar da novidade! :-)
Gutão adora telefone. Pega o sem fio, encosta na orelha e diz "ali", a versão de alô em gutanês. Gosta também de controle remoto e de apertar o botão que liga o aparelho de som do seu quarto. Só que não tem paciência pra esperar o CD girar e imediatamente começa a dar porrada pra ver se o troço anda mais rápido!!! Comédia, mas a gente tem que coibir, né? Não dá pra deixar destruir as coisas...Da TV, ele também gosta. Principalmente das propagandas ou das aberturas de novela. Das músicas, eu digo. Fica encantado com a "besta fera", como diz o Rô, e se balança todo qualquer que seja o ritmo. Adora a propaganda da Nova Schin, aquela que aparece um monte de homens dentro de um suposto cérebro, bradando, em uníssono, o nome da nova cerveja. Ele morre de rir, acredita? Ah, agora quase corre pela casa. Joga o peito pra frente, literalmente, e vai, todo destemido. Cai um bocado no meio do caminho, mas não tá nem aí. Acho que aprendeu que cair faz parte do aprendizado. Falando nisso, aprendeu a dormir sozinho, viva!!!! Vai pro berço depois do ritual de boa-noite numa boa, agarradinho a sua Pig, e, em questão de minutos, dorme. Tá lá agora, tranquilo e cheiroso, ao som do Palavra Cantada. Ai, que alegria!!
(Recadinho especial pra minha querida Lê, mãe da Laís, da Clara e da Dora: amei a foto da Dorinha "beijando" o Gutão!!! Quero só ver quando esses dois cruzarem um olhar 43!!!!!!)

Gutão e suas paixões






posted by JULIANA DE MARI 10:56 PM


Domingo, Maio 22, 2005


Os homens da minha vida


Levei um susto hoje pela manhã. Dois homens sentados no meu sofá, assistindo à corrida de Fórmula Um!!! Explico: Rô e Gutão, lado a lado, com cara de domingão chuvoso e friorento, vendo TV juntos, numa compenetração de admirar. Filhote com um livrinho na mão e papai abastecendo o chimarrão. Eita, cena linda!! Eu devia ter tirado uma foto do flagrante companheirismo dos meus dois, mas não consigo pensar rápido quando acordo (hahahhahahahaa!). Bom, o final de semana foi pleno em cenas boas. Sábado, almoçamos fora e descobrimos que cadeirão e Gutão já não fazem uma dupla boa. Restaurante lotado e vocês acham que ele queria ficar olhando pra cara de gente? Nem pensar! Queria circular, dar um rolé -- sozinho, obviamente -- entre as pernas dos garçons. Eu ia atrás, sem fazer alarde, parando nas mesas pra tirar o moleque que tinha se postado, todo sorridente, à frente de alguém.
E fala, e grita, e sorri que é uma beleza. E aprendeu a fazer carinho, nele próprio, na Pig e nos outros. Fez no Miguel, sábado à noite. E ganhou um amigo explicitamente feliz com sua presença. Aliás, primeira vez que os dois, de fato, brincaram juntos (vacilei, mais uma vez. A máquina tava na bolsa, mas só meus olhos eternizaram o momento). Quase jogaram bola até! Tem pressa, não. Nessa disputa, se depender dos pais, vai dar Grenal e muito pano pra manga. Gutão segue andando. Tem horas que vai quase trotando de tão rápido. Miguel já sabe caminhar sozinho, mas, por charminho, ainda pede a mão da Dani. Só sei que esses dois cresceram demais, estão espertos demais -- e pesados demais.
Essa foi outra descoberta do final de semana. Hoje, domingo, fomos passear na Fnac. Precisa ver: Gutão se espalha na seção infantil. Vai rindo e falando em direção às outras crianças e aos...baldes! Isso mesmo! Tem uma prateleria lá cujo destaque são baldinhos com peças de encaixar e é justamente essa daí que mais atrai a atenção do filhote. A sorte é que os baldes estão envoltos em plásticos de segurança. Porque é só catar a presa que Gutão vem com o outro bordão: "abi, abi"!!! Tá figura demais esse moleque! Tanto que ganhou mais um livrinho pra sua coleção: um da Baby Einstein, sobre os animais. Ia ganhar um CD também, o mais novo do Palavra Cantada, mas tava em falta, infelizmente. Na seção de música, pequeno estresse. Gutão achou que podia derrubar todos os CDs no chão. Mamãe explicou que não podia, que ia quebrar. Gutão ficou brabo. Mamãe tentou manter a calma. Gutão teve um pequeno ataque e tirou das prateleiras tudo o que estava ao seu alcance. Mamãe não teve outro jeito, a não ser catar o filho, não os CDs. Pelamordedeus, criança com raiva por acaso fica mais pesada?? Tou podre de tanta dor no ciático.
Quê mais? Ah, Gutão provou suco de abacaxi com hortelã -- adorou! --, bolo de cenoura -- sem a calda de chocolate! -- e ir pro berço ainda acordado. Digamos que estamos em fase de degustação e que a novidade está praticamente aprovada. Estabelecemos o ritual de colocar pijama, trocar a fralda, escovar os dentes e abraçar a Pig. Além de ganhar beijinhos do papai e da mamãe e de rezar pro anjinho da guarda (Gutão morre de rir quando eu começo com a rezinha, pode?). Claro que pra dar certo ele precisa estar meio capotado, tipo chupeta na boca e mãozinha na orelha. Mas é isso, né? Tem que saber "ler" os sinais que os pequenos nos dão, eu acho. Por isso, abandonei o método "Nana, Nenê" na primeira tentativa, lá atrás, Gutão ainda tinha meses. Como é que pode deixar um nenezinho berrando até perder o fôlego sob a justificativa de que "ele está aprendendo a dormir"? Pra mim, é a mesma violência que não dar colo quando o filho pede (ou precisa) porque "ele pode ficar mimado". Gente, afeto nunca fez de alguém uma pessoa pior. E tudo na vida tem seu tempo. Pausa pra reflexão.

posted by JULIANA DE MARI 10:00 PM


Domingo, Maio 15, 2005


Evoluções


Novidade da semana: Gutão anda. Rapidinho, passinho por passinho, todo felizinho. E agora que anda, só quer saber de andar. Leva seu mais novo amigo, o "balde" (sim, um balde de verdade, azul, quase metade dele!), pra passear pela casa toda. Da sala pro quarto da TV, de lá pro quarto da mamã e do papá, e de lá pro quarto dele. Aí, pausa pra ouvir um "ilariê" que ninguém é de ferro (sim, o próprio, ilariê original, da Xuxa!). Muito legal flagrar essa conquista do filhote. Foi de mansinho, sem estresse. Fechou seu primeiro grande ciclo de aprendizado no tempo dele, um mês depois de completar seu primeiro aninho.
Primeiro, andou de um braço a outro, só pra dar abraço. Depois, se arriscou trocando o abraço pela perna da cadeira ou qualquer coisa parecida. Andou "escalando" a parede, andou um tantinho até a porta, outro até a Pig. Andou pra dar sorriso, beijo e cabeçada de felicidade (sim, meu pequeno ariano bate a cabeça na parede ou na cabeça da gente -- devagarinho, lógico -- e acha a coisa mais engraçada desse mundo!).
E foi assim, quando a gente distraiu, Gutão se mostrou dono do seu caminho. Lembrei que, no início, ele andava pro lado. E tropeçava nos próprios pés. Agora ele vai pra frente, e só pra frente, todo decidido. Faz careta quando o terreno é acidentado. Bota a língua pra fora quando pensa que pode correr. E morre de dar risada quando atende as nossas demandas por conta própria. "Gutão, vamo tomar banho". E lá vai ele, de fralda, pé no chão, andando até o banheiro. "Gutão, tá na hora da papinha". E o menino ultrapassa a grade da cozinha, pé ante pé, sozinho (colocamos uma grade de proteção na entrada, recomendação da pediatra).
Os pés? Praticamente já estão posicionados direito (precisamos voltar no ortopedista pra ter o diagnóstico oficial, mas é um progresso que qualquer leigo identifica). Até chulé já criou de tanto que andou nos últimos dias. Não os pés dele, mas a papete Rider, sua companheira de jornada. Aliás, tá pequena, a coitada. E lá vai Gutão andando, rumo ao 21. Tem um pezão esse moleque, benza Deus! Ainda vai andar muito na vida.

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Além de andante, Gutão tem se mostrado um tremendo falante. Ao seu repertório já divulgado de palavras, acrescentou as seguintes nos últimos dias:
As novas
- "abi": para abrir e fechar qualquer coisa, do pote de biscoito ao álbum de fotografias.
- "dá": aponta o dedo e, sem cerimônia, mostra o que deseja.
- "pá": o pé, o dele e o nosso.
- "papá": usada para identificar a comida ou qualquer sapato que ele veja pelo chão.
- "li": lâmpadas acesas, luz.

As velhas
- "baldi": o amigo de infância, um balde azul furado.
- "mamã": eu
- "papai": o Rô
- "banh...": banho, sem o "o".
- "AuLá": Isaura, nossa super faxineira.
- "au-au": todo mundo sabe a tradução.
- "Pig": a porca amarela mais babada do mundo.
- "ilaiê": sinônimo de música, qualquer uma, de preferência essa aí...é da Xuxa, mas é divertida, fazer o que?

Quê mais? Ah, tem uma hilária. Gutão aprendeu a sorrir pra foto, dá pra acreditar? Não pode ver a máquina que franze os olhos e faz aquele sorriso de travar os dentes, pra lá de falso! Comédia total! Vocês vão ver do que eu tou falando nas fotos abaixo. Reparem bem na primeira, super espontânea, sorrisão, lindão, clique de Dia das Mães, e na última -- ele e eu, hoje pela manhã, mamãe com cara de sono e nenê com cara de "olha o passarinho!!!". Beijos e até.



posted by JULIANA DE MARI 11:41 PM


Domingo, Maio 08, 2005


E foi assim...


Gutão choramingou às 6h30 e veio dormir um tantinho mais na nossa cama. Ou seja, no dia das Mães, acordei com filhote literalmente ao lado. Uma delícia! Acordou todo festeiro, chamando "mamã" a torto e a direito. Aliás, passou o dia num grude só comigo. Até parece que sabia que tava me agradando!!!!!! Coisa linda foi ver meu pequeno entrando no quarto dele, uma mão na mão do pai e outra numa sacola quase maior que ele. E ele olha pra mim (que estava de pijama, sentada no chão) e, sorrindo, me entrega o presente e diz: "mamã"! Ai, esse momento vai ficar eternizado nas minhas lembranças. É daqueles que simbolizam absolutamente tudo e que me dão a certeza de que o amor nessa relação é recíproco.
Bom, e veio a hora do almoço e os restaurantes, obviamente, estavam lotados. Só conseguimos mesa pras 15h30. Gutão tirou sua soneca da manhã, tomou banho, almoçou, brincou e nos acompanhou. Chegou ao restaurante todo faceiro, distribuindo gritinhos e sorrisos. Passou um tempo conformado no cadeirão, saboreando a sobremesa que levei: quadradinhos de melão doce e suco de goiaba. Papou tudinho, felizinho. Foi assim por cerca de 40 minutos, tempo da gente matar a fome com o antepasto. Quando os pratos chegaram, começou a agonia. Bateu sono no Gutão. E ele não quis mais saber de ficar sentado. Eu e o Rô nos revezamos na atenção, passeando com o mocinho no colo. Eu mostrei as árvores; o pai achou até uma arara empalhada. Eu comi, digo, engoli a massa, enquanto o Rô tentava fazer o menino ficar deitado no carrinho.
Gutão estressou. Ficou brabo. Assumi a função pro Rô poder almoçar. Gutão perdeu o tênis, ficou só de meia e só sossegou depois que foi pro chão. Tava lá, do meu ladinho, brincando de abrir e fechar os bolsos da sua bolsa. Até que resolveu mostrar que já sabe andar...Deu uns passinhos do carrinho até a cadeira onde eu estava, dois palmos de distância no máximo, e desequilibrou. E caiu. E esfolou o pescoço na cadeira. Chorou tanto, coitadinho. Eu agradeci por não ter sido o queixo e nem a boca, duas áreas bem mais complicadas. O pescoço ficou vermelho, eu corri pra pegar gelo, ele me ajudou a passar no machucado. A essa altura do campeonato, quase cinco da tarde, ele tava caindo de sono -- e eu e o Rô, de cansaço. Ficou a lição: levar filhote em restaurante é um programaço, desde que a gente não resolva chegar lá exatamente na hora em que ele deveria estar dormindo.
PS: São oito da noite agora. Gutão acaba de se machucar mais uma vez. Tava aqui na sala, empurrando um carrinho, resolveu ficar em pé, puxou a cadeira, desequilibrou e deve ter batido a boca. Eu, honestamente, não vi. E o Rô viu, mas não conseguiu acudir a tempo. Aliás, a gente se desdobra em cuidados, mas parece que, nessa fase, os bebês querem mais é testar os limites do anjo da guarda, não? Dessa vez, não foi nada, graças. Só o susto. Depois de um choramingo, Gutão tá aqui, em pé outra vez, puxando a cadeira outra vez, abrindo um berreiro porque o Rô tá tentando "explicar" pra ele que, assim, ele vai se machucar outra vez. Hã-hã.
posted by JULIANA DE MARI 7:43 PM


Sábado, Maio 07, 2005


Um domingo especial


Amanhã é dia das Mães (e eu desejo um lindo dia a todas, especialmente à minha mãe, a quem hoje respeito e admiro mais que nunca!). É o segundo que comemoro com meu filhote. Ano passado, a essa altura, Gutão era um tico de gente. Peso-pluma, cabia na minha mão. Um ano depois, virou um meninão, todo cabeludo, sorridente, dono de umas coxas grossas e uma pança que nem de longe remetem ao nosso começo...Como diria o querido Julius, é o menino que "tem o olhar mais doce que eu já vi". Eu agradeço a Deus por ter esse privilégio, o de trazer ao mundo uma criança saudável e feliz. Que a vida siga me dando o maior dos presentes nos domingos de maio que ainda vamos passar juntos: um sorriso e um beijinho dele. Amém.

A razão da minha felicidade



posted by JULIANA DE MARI 7:29 PM


Quinta-feira, Maio 05, 2005


Vida corrida


Mil coisas pra contar, mas cadê tempo? Parece que alguém andou acelerando o relógio e a corrida da vida ficou ainda mais ligeira...Vou falar do filhote, sim, mas, antes, preciso falar de mim. Tou bem, tou em paz, tou realizada, mas tou tãooooooo cansada. Eu imaginava que ia sentir falta de uma boa noite de sono depois que o Augusto nascesse, mas juro que não imaginava que ia sentir tanto. Não posso reclamar do filhote, absolutamente. Ele é um nenê que tem e gosta de rotina. Aprendeu a dormir em intervalos bacanas desde bem pequenininho. Atualmente, tem resistido mais à noite (quer cantar, brincar, se arrastar no chão...) e tem choramingado mais durante a madrugada (culpa, ainda, do nariz entupido), mas não dá pra dizer que a hora de dormir virou pesadelo pra gente. O fato é que, embora o Augusto durma bem, eu não vou dormir quando ele vai. Tem sempre alguma coisa pra fazer em casa, tem o dia pra botar em dia com o Rô, tem a vontade de ver a novela até o fim, dar conta da pilha de livros acumulada ao lado da cama, enfim. Essas coisas simples que nos dão um baita prazer. Quando percebo, o relógio marca meia-noite e o espelho denuncia uma mãe em estado calamitoso!
Pesa também o fato de que o Augusto dorme bem, mas dorme menos do que meu corpo precisaria pra repor as energias, sabe? Ele deita por volta das 21h30/ 22h, choraminga lá pelas 5h e acorda mesmo por volta das 7h. Todo santo dia. Chova ou faça sol. Minto: quando tá muito frio e ele tá bem agasalhadinho, até que passa um tantinho das 7h antes de nos chamar. Ele dorme suas oito horas de sono. Eu durmo umas seis, eu acho. Devo ficar na cama umas oito, mas tem duas horas aí que eu perco ou porque estou de olho nele (depois que virei mãe, desenvolvi a habilidade de ouvir o som do silêncio...) ou porque estou naquelas de balança-mas-não-cai.
E o frio chegou. E o drama do sono aumentou. Gente, que sufoco levantar da cama nessa friaca, pelamordedeus!!!! Pra completar, semana passada, tive uma crise de rinite daquelas de derrubar elefante. Cocei tanto o nariz que o pobre ficou até inchado...E na sexta, veio a crise (maldita) de enxaqueca. Ninguém merece. Mas deixa eu falar de quem realmente interessa. Sexta também foi dia de consulta na dra.Ketty. Gutão cresceu dois centímetros, tá com 76cm agora. E engordou quase meio quilo, chegando aos 10,560. Tá um tourinho, muito forte. Ouvido limpinho, garganta idem. Só o nariz continua "rinítico". É isso: diagnóstico clínico de rinite alérgica pra ele também. E todas aquelas recomendações com as quais convivo desde que me entendo por gente: limpar a casa com pano molhado (vassoura só espalha o pó), diminuir os bichinhos no berço, trocar a roupa de cama sempre, deixar o quarto arejado, cuidar pra não usar lã (no frio rigoroso, tem que ser, mas no frio ameno vamos de algodão e linha mesmo) e nem abusar dos perfumes...Fico com um dó de ver meu Gutão coçando nariz desenfreadamente quando a noite cai...Sei como é ruim, sei como irrita, sei como dá vontade de simplesmente cortar o dito cujo fora...E por isso, redobro minha paciência, meus carinhos, minha atenção.
Gutão tem reagido bem. Até aprendeu a nos ajudar a limpar o nariz, pode? Ele mesmo segura a bombinha, enfia na narina e a gente só tem o trabalho de "sugar" a meleca. Tá muito esperto esse guri, aliás. Fica bastante tempo em pé sem apoio agora e já arrisca uma caminhada de um ponto a outro do quarto, desde que visualize um apoio. Vai todo feliz, sorrindo de sua própria autonomia. Também desce e sobe do sofá com uma agilidade impressionante. E aponta pras coisas que deseja, e fala mamã, papaí, papá (comida), dá, pig, bá (a Marcia, babá), baldo (balde), banho e muitas outras palavras que só os especialistas em Gutanês entendem!!!! Resumindo: Gutão tá lindo, esperto, saudável. E a mamãe aqui, embora cansada, segue muito orgulhosa e feliz.
posted by JULIANA DE MARI 11:48 AM


Sexta-feira, Abril 22, 2005


Dos últimos dias


Gutão andou doentinho. Teve febre e diarréia por dois dias. Ficou chatinho, molinho, tristinho. Fiquei atenta, mas fiz o que tem que ser feito nessa horas: mantive a calma e observei antes de recorrer à pediatra. Ontem ele passou um dia bom. Na hora de dormir, no entanto, veio a crise: acordou uma hora depois de ir pro berço, chorando a plenos pulmões. Um choro agudo, que não parava nem com colinho. Chorou por quase uma hora e meia, tanto que ficou com tosse. Aí, acendeu a luz vermelha: estaria o pequeno com dor de ouvido? dor de garganta? dor na barriga? Ligamos pra pediatra e ela recomendou passar no pronto-socorro. E lá fomos nós. O primeiro hospital estava lotado. Feriadão triste pra criançada.
A médica recomendou um outro, Hospital Sabará, especializado no atendimento infantil. E lá fomos nós outra vez. Gutão????? Tava todo faceiro no carro, nem parecia o mesmo chorão de antes. Chegamos lá e fomos prontamente atendidos, muito bem atendidos, aliás. Gutão não tinha febre, nem chorava mais. Deixou a médica auscultar o coração e os pulmões e examinar a fralda -- xixi OK -- e os ouvidos -- brilhantes de tão limpos, graças a Deus! Já a garganta, bem, não foi tão fácil assim. O "pauzinho" era daqueles antigos, de madeira, e o pequeno travou os dentes bravamente ante o inimigo! Mas com muito jeitinho, a médica conseguiu tirar a dúvida: garganta limpinha. Então, qual o problema? Um dente!!! É, minha gente, um canino que vem lá na gengiva direita e tá deixando meu filhote mui incomodado. Melhor assim. Gutão voltou pra casa feliz com o passeio e nós aliviados de trazer de volta um nenê que está apenas enfrentando as dores de um crescimento saudável.

Ah, abaixo algumas fotinhas do fim de semana que passamos na praia, a estréia da família num hotel! Gutão que é bom não foi pra areia, mas curtiu a piscina até quase se afogar, literalmente!!! Mas é história pra outra hora. :-)

Fim de semana fora de casa




posted by JULIANA DE MARI 7:27 PM


Quarta-feira, Abril 13, 2005


Quase lá


Gutão tá praticamente andando. Sozinho, eu digo. Porque segurando na mão/dedo da gente, ele vai longe já há algum tempo. Começou a se arriscar pra valer anteontem, segundona, sob os olhos da vó Ju. O danadinho segura no sofá, levanta, solta um mãozinha, depois solta a outra, vira e vai. Um, dois, três passinhos, um sorriso lindo, e palmas no final, pode? Pois é, ele mesmo se aplaude em suas conquistas!!! Eu tou achando o máximo tamanha demonstração de alta auto-estima!!
Quê mais?
Ele tem dormido melhor, a noite toda. Mas só tem se rendido pra lá das 9 da noite. Eu decidi respeitar o ritmo dele, dando uma ajudinha a Morfeu quando percebo que a brincadeira tá virando canseira. Deixo ele farrear bastante na bagunça da sala, depois ofereço o leitinho, troco a fralda e coloco o pijaminha (todo esse ritual agora é feito em cima do sofá, e, assim mesmo, tem levado uns bons dez minutos de negociação!!! Gutão foge, fica de bunda de fora, faz "cosquinha" no pinto, morre de rir e testa minha paciência every night). E aí, vamos pro quarto da TV. Enquanto ele se balança com a música de abertura da novela, eu aproveito pra fazer massagem no pezinho ou um cafunezinho. Às vezes, ele agarra a Pig e se rende de primeira. Em outras, protesta um pouco, tenta fugir, mas não deixo mais, não. Carinhosamente, abraço meu barrigudo e limito seus movimentos ao Futon.
Até na hora de dormir, Gutão esbanja alegria. Desde pequeninho é assim. Eu sei que o sono chegou pra valer quando ele se ajeita, virando de lado e jogando a bunda pra trás, e sorri. Adoro presenciar esse momento, essa entrega. Gosto de pensar que são os anjinhos desejando boa-noite no ouvido do meu.
posted by JULIANA DE MARI 4:23 PM


Quinta-feira, Abril 07, 2005


Tempo quente


Foi só completar um ano que o Augusto começou a querer mandar na gente. Explico: como toda criança, acho que ele tá passando por aquela fase em que pede limites, mas detesta vê-los aplicados na prática. Fica frustrado, furioso, muito brabo mesmo. Se joga pra trás, bate as pernas e a cabeça no chão, trava os dentes, fica vermelho feito um tomate. E o medo que ele perca o fôlego? É ela começar a dar xilique e eu começar a soprar na cara dele, hahahahaaaa. Eu entendo que esses ataques de birra (se é que eu posso dizer que um serzinho de um ano já faz birra) fazem parte, mas eu tenho feito um esforço consciente pra não embarcar neles.
Já pensou dois furiosos em cena? Grita ele, grito eu de volta? Não acho esse o melhor caminho, não. Na hora em que o "incrível Hulk" que mora dentro do Augusto se prepara pra dar as caras, eu me preparo, invoco toda calma desse mundo e tento dar risada. Canto, faço cosquinha, conto até 20, seguro ele (com força, se não ele cai do trocador ou do meu colo!) e falo calmamente que não vai adiantar berrar. Resumindo: tento mudar o foco da atenção. Nem sempre dá certo, é claro. Tem vezes que não tem jeito e eu preciso agarrar o moço, de verdade, pra evitar que ele insista em puxar o fio da tomada pela enésima vez. E, é claro, que ele fica p...da vida e chora até cansar. E, é claro, que meu sangue ferve e eu também fico braba e chateada. Mas não faz sentido pra mim brigar com ele de volta. Por mais saidinho que ele esteja se sentindo, eu ainda sou maior que ele, concordam? Sou maior, inclusive, na capacidade de controlar minimamente meus instintos e aqueles sentimentos cheios de intensidade que afloram quando me sinto contrariada, frustrada, mal amada. Nem sempre é fácil, nem sempre consigo, e nem sempre foi assim. Mas, 32 se avizinhando, não era possível passar pela vida sem crescer...E olha que levou tempo (e algumas seções de análise) chegar a esse ponto!!!! É por isso que eu quero dar tempo, limite e muito carinho pro meu filhote encontrar o tempo dele na vida. Afinal de contas, ele já fez um ano e quase anda sozinho, mas ainda é o meu bebê. (Que venha a adolescência, eu sei que dela nenhum pai ou mãe escapa!, e que, aí, sim, a gente possa exercitar nossos melhores embates!!!!!!)
posted by JULIANA DE MARI 2:51 PM


Quarta-feira, Abril 06, 2005


Agenda cheia


Gutão, graças a Deus, tem uma disposição de fazer inveja a muito adulto. O baixinho, desde bem pequeninho, diga-se, vai junto a qualquer programa nosso. É restaurante, passeio no parque, casa de amigo, bate-perna no shopping, e por aí vai. Nem começou a andar e já tem sua própria agenda de compromissos lotadinha da silva. Nos últimos tempos, ele foi mais convidado pras "baladas" do que os próprios pais!!! Sábado, aliás, eu e a vó Ju tivemos o prazer de acompanhá-lo ao aniversário da querida Lulu, filha da Amanda, irmã da Bellinha. Tava um calorão daqueles e eu até achei que ele ia ficar meio incomodado (é sangue quente esse guri, fica com a cabeleira suada só de dar uma engatinhadinha básica pela casa). Mas que nada! Gutão, mais uma vez, se mostrou um serzinho mui sociável. Brincou, posou pras fotos com Lulu e André, o lindo, filho da querida Ana Paula, tomou lanchinho lá mesmo e, na volta, quase apagou no carro. Digo quase porque o moço não dorme sem trocar a fralda (que agora já é tamanho XG!) e tomar seu leitinho quentinho -- escovando os dentinhos na sequência, obviamente). Queria agradecer, mais uma vez, a Amanda pelo convite e dizer que adorei estender nossos contatos pra além da vida "virtual". Torço (vale pra você também, viu, Ana?) pra gente conseguir reunir a criançada mais vezes. E preciso registrar: a festa tava linda! E Lulu, vestida de Hello Kitty na hora do parabéns, arrasou!!

Ana e André, Amanda e Lulu e Ju e Gutão: e viva a amizade!

posted by JULIANA DE MARI 10:42 PM


Quinta-feira, Março 31, 2005


As prometidas


Aí estão as fotos do lindão no dia da sua primeira festinha de aniversário! Seguem também alguns cliques dele um dia depois da farra, o 27 que entrou pra história.












posted by JULIANA DE MARI 11:08 PM


Quarta-feira, Março 30, 2005


O nome dele é alegria


A primeira festa de aniversário do Augusto foi especial, tão especial quanto ele. Todo mundo me dizia que, em geral, nessa idade, os bebês nem curtem o evento. Hã-hã. Tenho certeza que meu Gutão curtiu muito. Brincou por quase quatro horas consecutivas, deu muita risada, recebeu um monte de amiguinhos, tirou um monte de fotos, encheu a pança de gelatina e salada de fruta, vibrou na hora do parabéns, bateu palminha sem parar, e fechou o dia com chave de ouro, capotado no colinho bom do vô Zeca! Aliás, Gutão dormiu, acordou e ainda teve fôlego pra brincar um tantinho com o "aMiguel" no final da festa!!!!! Uma alegria de viver explícita, que me fez (e faz) agradecer a todo instante pela benção que é ter um filho saudável.
Ah, agora deixa eu babar: como tava lindão, o meu filhote!!! Vestido de alegria, com um macacão de listrinhas vermelho e verde, quase nos mesmos tons da decoração da festa, todo exibido em seu All Star azul. Tá um "pezudo" esse moleque, calçando número 20 já! E o parceiro Miguel? Bom, ele também tava produzido à altura do evento. Um hominho lindo, de camisa xadrez e calça jeans. Aproveitou o sabadão com cara de chuva pra esticar a soneca da tarde e, quando chegou, estranhou um pouquinho a bagunça. Mas, depois que jantou, nossa!, quanta energia! Se enfiou na cabana de bolinhas, deu risada, fez um montão de gracinhas, catou tudo o que tinha rodas (ele adora brincar com carrinhos!) e só saiu da toca pra trocar as fraldas!!!! (Ainda bem que a Dani lembrou desse detalhe...Eu esqueci e o Augusto terminou o dia todo xixado!!!).
Eu diria que nosso primeiro evento em parceria, apesar da demora na entrega dos docinhos e dos sandubas (eu já havia pedido pro Rô passar a mão no estoque da padaria mais próxima!!!!), foi um sucesso. Inesquecível. Torço pra que, no futuro, tanto o Augusto quanto o Miguel curtam relembrar essa história e como a amizade deles começou...
Torço também pra conseguir traduzir tanto sentimento pelo meu filho em comportamento. Todo dia, dia todo. Estamos vivendo um momento particularmente bonito. Gutão tá "grudentinho", demonstrando explicitamente reciprocidade na nossa relação. Ele me reconhece, me chama, pede meu colo, me dá beijo, faz carinho. Nenê mais querido. Parafraseando um livro muito em voga atualmente (O Monge e o Executivo, ed. Sextante), "o amor é o que o amor faz", não é assim? Que Deus abençoe meu filho e que a vida permita que a nossa convivência siga assim: intensa como tem que ser. E viva o barrigão -- do Gutão!!!!!!!!
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Ah, antes que eu me esqueça, queria agradecer o carinho de todos que deixaram mensagens em lembrança ao primeiro aninho do meu Gutão! É curioso o que a Internet tem nos proporcionado...Cultivar sentimentos à distância já é um troço difícil, ainda mais quando a gente sequer conhece pessoalmente os "alvos" dos nossos desejos. Mas o fato é que muita energia boa tem circulado por meio do blog e eu pretendo levar essa troca adiante por mais um tempinho ainda. Só me ressinto de não conseguir atualizar o diário do filhote tanto quanto eu gostaria...Falando nisso, prometo postar as fotos da festa hoje à noite!!!! :-)

posted by JULIANA DE MARI 5:18 PM


Quinta-feira, Março 24, 2005


Um dia muito especial


Hoje é um dia de festa: primeiro aniversário do "aMiguel", o primeiro amigo do Gutão!!!! Ano passado, acordei, esbaforida, com a boa nova: eram cerca de sete da manhã e a Dani já estava na maternidade, em pleno trabalho de parto. E eu que tava toda preocupada porque, pelas previsões da nossa médica (sim, a obstetra dos meninos é a mesma!), o Augusto ia chegar antes que o Miguel, hã hã.
Ah, que lembrança boa, que vivência maravilhosa. Deus abençoe o querido Miguelito com muita saúde e muita energia. Garanto que falta pouco pros "gêmeos" começarem a fazer bagunça de verdade!!!! E que venha o sabadão pra gente cantar parabéns juntos!!!

Falando em sabadão, tudo pronto. Quer dizer, quase. Falta arrumar o salão e preparar alguns "'comes". As lembrancinhas, eu e a Dani fizemos domingo passado. Gutão acompanhando tudo -- e mexendo em tudo, claro! Saquinhos em formato de cenoura, recheados daquilo que criança mais gosta: brinquedinhos, balinhas e até um dinheirinho! :-)
Vejam aí na foto que lindo que ficou!!!!


posted by JULIANA DE MARI 6:13 PM


Segunda-feira, Março 21, 2005


Os preparativos


Tá me dando um friozão na barriga, parecido com o que senti na semana que antecedeu a chegada do filhote. Sábado que vem é ele quem vai estar recepcionando os convidados, já pensou? E do jeito que tá faceiro, acho que vai fazer um baita sucesso nesse papel!!! Às vésperas do primeiro aniversário, Gutão tá uma coisa. Aprendeu a bater palminha (sozinho!), a enfiar o dedo no nariz (o dele e o dos outros!), a fazer carinho, a dar beijo molhado (só na mamãe!), a mostrar o dedão (do pé!), a soltar beijinho e paquerar (pisca os olhos, jogando o maior charme!) e a mexer no cabelo, entre outras novidades. E por falar em cabelo, cortamos o dele no sábado. Só uma aparadinha na franja e nas laterais, pra evitar que caia nos olhos dele. Se ele reclamou? Muito pelo contrário. Sentou no meu colo, no salão onde EU corto as madeixas, e ficou todo entretido com o cabeleireiro ao lado. Não o cara em si, mas o baita secador que ele usava. Enquanto isso, a Cris fez o trabalho. Sem estresse. Nem preciso dizer que ele ficou lindoooooooooooo, né?! Ficou com cara de mais moleque ainda. Assim que der, eu posto fotos do "evento".

posted by JULIANA DE MARI 12:15 PM


Segunda-feira, Março 14, 2005


Amorzão


Sim, meu filho está um moço. Tá pesado demais, grande demais. Faço um esforço tremendo pros braços não tremerem quando ele pede meu colo. Demorou, mas ele agora pede pra vir comigo. Aliás, ele tem me chamado e me convocado pra brincar ou pra acarinhar muitas vezes. E isso tem sido muito importante pra mim. Um sinal de que nossos laços estão fortalecidos.
Ah, eu preciso confessar: essa vida de mãe-moderna que só curte o filhote na hora em que ele acorda e antes dele dormir é difícil de administrar. Ok, fui eu quem escolhi a babá, sou eu quem dá as recomendações e é a mim que o nenê chama na hora do aperto, mas...Tem batido essa tristeza pela ausência, sabe? Quem é mãe sabe bem...Fica aquele ciuminho rondando quando o baby se joga nos braços da "outra", a babá, sorri só de ouvir a voz dela e por aí vai. Besteira pura, mas não dá pra fingir que não acontece. Sorte a minha de ter um filhote que parece tão interessado no meu bem-estar quanto eu estou no dele.
O Augusto é uma benção, de verdade. É um bebê alegre, disposto, curioso, carinhoso. É saudável em todos os sentidos. Tem lá suas birras arianas, mas todo mundo tem direito de expressar suas vontades e suas frustrações, certo? Negócio agora é dar um rumo apropriado pros "ataques". Mostrar que nem tudo pode, e que não adianta insistir. E olha que o bichinho é persistente. Todo santo dia, insiste em tentar puxar o fio do abajur. Todo santo dia, eu repito: "Gutão, não. Faz dodói". E todo santo dia, ele me olha com um sorrisinho daqueles de quem sabe bem que estava prestes a fazer coisa errada. Incrível como eles vão ganhando rápido essa consciência...Incrível como são receptivos -- incrível como é grande a nossa responsabilidade!!! Dar limite --e explicar o por quê-- é tarefa que exige foco. Dá trabalho, requer paciência; às vezes, tira do sério, mas é importante pra fazer nascer uma relação coerente entre pais e filhos. Eu acredito nisso. E busco isso, mesmo quando tenho vontade de "desligar" o menino! :-)
Quê mais? Gutão tem dormido melhor. Embora hoje tenha despertado às 4h da matina, chorando de perder o fôlego. E foi só eu chegar perto do berço pra ele, que já estava lá em pé, parecer mais tranquilo, mais seguro. Acho que é isso: nessa fase, o apego cresce e eles precisam saber que a gente não vai esquecer deles...Como se isso fosse minimamente possível...Toda vez que eu ouço um "mamã", eu me derreto. Toca tão fundo. Às vezes, ainda me sinto sonhando quando me dou conta de que essa história faz parte da minha vida. É um sentimento grande demais...Como bem disse a Lu Brasil, eu dei a luz ao meu filho e vice-versa. Amém.

posted by JULIANA DE MARI 5:15 PM


Domingo, Março 06, 2005


As aventuras do Gutão, glutão


Gutão tem acordado algumas vezes durante a noite. Não sei se é dentinho vindo por aí, se é sonho ruim, se é fome (putz, com aquela barriga toda, será?), se é saudade...Só sei que ele fica em pé no berço, chora, resmunga, não quer saber de deitar outra vez. Só se acalma no colo. Põe a chupeta, coça a orelha, joga a cabeça pra trás e tenta arranjar posição. Mas não cabe mais nos meus braços...E aí, fica agoniado, e volta a resmungar. Ontem despertei às 2h e passei uma hora nessa função, tentando decifrar a reclamação do menino. Troquei a fralda, fiz massagem na barriguinha, cafuné na cabeleira...e nada. Gutão só voltou pro berço às 3h da matina. E chamou outra vez às 5h. Aí, o pai entrou em ação. E nova ladainha se seguiu. Gutão tomou leitinho, ganhou carinho e voltou a capotar às 6h -- pra acordar definitivamente às 7h e alguma coisa.
Dei uma olhada nos livros e eles dizem que é coisa da fase (quero crer que sim!). Às vésperas do primeiro aniversário, nenê não quer mais ficar sozinho. Já sabe muitíssimo bem que papai e mamãe habitam a casa -- e dormem no quarto ao lado. Aliás, este nosso nenê sabe muito mais coisas do que a gente pensa. Ontem, fiquei boquiaberta. Falei assim: "Gutão, vamos tomar banho? A mamã vai esperar o nenê no banheiro". E lá se foi o danadinho se arrastando da sala até o banheiro, um corredor inteirinho à frente, sem olhar pra trás!!!!! Filhote também já sabe distinguir o nome dos seus amigos mais próximos do berço: não confunde a Pig com o Caco e muito menos o Puff com o Bob!!!! A Pig, uma ursinha-porquinha de "pele" ultra-macia, é a predileta. Ele aperta tanto a bichinha, morde as orelhas dela, dá beijinho, uma graça. O Caco, o macaco, ele me entrega pr'eu beijar. E adora jogar o coitado do alto do cadeirão! Falando em cadeirão, tá difícil controlar o moleque na hora de comer. Ele come super bem, desde que possa fazer uma baguncinha básica. Não, ele não quer saber de enfiar a mão no prato, não. Quer explorar o material de cozinha. Qualquer coisa serve: coador, aqueles fechadores de saco plástico, tampa de panela, colher de sorvete...Agora, deu também de querer ficar em pé no cadeirão. Se contorce todo, chega a ficar de joelhos. Um perigo, eu diria. Ah, e tanto fez que quebrou parte do assento do cadeirão, não me perguntem como nem quando que eu não vou saber dizer. O fato é que vamos ter que mandar o dito-cujo pra arrumar, ou comprar um com um cinto de segurança mais potente!!!

A prova: Gutão faz bico pro chimarrão



posted by JULIANA DE MARI 10:54 PM


Quarta-feira, Março 02, 2005


Menos de um mês pro grande dia


Sábado foi dia de bater perna na 25 de março, o paraíso das quinquilharias de Sampa. Fui com a Dani, dinda do Augusto e mãe do Miguel, o primeiro amigo do filhote. Encaramos metrô lotado e calorão, mas saímos de lá realizadas. Achamos praticamente tudo pra festa dos queridos: pratos, copos, talheres, tacinhas pra gelatina, bexigas, lembrancinhas etc. Seguimos a linha laranja e verde na decoração, já que a festa vai acontecer no sábado, véspera da Páscoa. E achamos uns coelhinhos muito lindinhos pra enfeitar a mesa -- e um coelhão com umas pernas enormes, super engraçado, que vai estar em primeiro plano, recebendo os convidados! Resolvemos fazer as festa da duplinha juntos. Até porque temos um círculo de amigos comum e não faria muito sentido ir numa festinha no sábado e em outra no domingo, concordam? (O aniver do Miguel é na quinta 24; o do Augusto no 27, Páscoa).
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Até o aniver chegar, tenho a impressão que o Augusto vai estar dando os primeiros passinhos sozinhos. Ele agora só quer saber de se agarrar nas coisas e ficar em pé. Vai caminhando de ladinho, uma graça. Também "pede" nossa ajuda pra andar. Segura nos nossos dedos com força e vai explorando a casa a passos largos e rápidos. Se a gente solta uma mão, ele pára. Fica que nem estátua. Acho que depende do nosso balanço pra ritmar o dele.
Quê mais?
Nenê tá sapeca demais. E muito carinhoso. Quando me vê chegando do trabalho, vem com as mãozinhas no meu rosto, faz carinho, juntando o narizinho no meu e abrindo aquele sorrisão. Lindo de viver. Agora já fala mamã e papá conscientemente. E, quando acorda comigo e eu pergunto "onde está o papai" ou vice-versa, vai se arrastando pelo corredor e invade o nosso quarto, todo feliz, gritando por nós! Falando em acordar, Gutão é mesmo matutino. Dá seis da manhã e ele começa sua melodia no berço. Antes das sete, já tá trocado e tomando o primeiro leitinho do dia. Segurando o copo sozinho, diga-se. O capítulo alimentação, aliás, tem se desenrolado na base de muita diversão. Filhote continua comendo de tudo e muito bem. Agora, toda vez que começo a dar a papinha, ele pega uma colherinha também e tenta me fazer comer junto. Eu finjo que tou mastigando e ele fica todo satisfeito. Continua com muita água de coco, muito suco e muitas frutas na dieta. Não rejeitou nada até agora. Nem chimarrão! Dia desses, o Rodrigo ofereceu (claro que a água já tava morna...), Gutão botou a bomba na boca, fez um bico engraçadíssimo e mandou ver. Quando sentiu o gosto amargo do troço, reagiu com uma baita careta, mas não deixou de querer mais!!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:53 AM


Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005


Ele cresce e aparece


Gutão tá mesmo um moção. Tanto que a dra.Ketty quase não o reconhece na consulta de hoje (praticamente a de 11 meses, já que falta apenas uma semana pro feito). Pudera. O menino tá cabeludo, cheio de dentes, com uma barriga de chope engraçadíssima e uma tagarelice quase indecente. Entrou no consultório pelas mãos do pai, caminhando, exibindo passinhos afoitos e soltando sorrisos e gritinhos para a médica. Mexeu em todos os brinquedos da mesa dela e jogou boa parte deles no chão, obviamente. Se comportou direitinho na hora do exame propriamente dito. Mas não quis saber de ficar deitado, passivão, não. Ficou sentado, observando a médica e seu estetoscópio azul-piscina, enquanto enfiava na boca um daqueles "pauzinhos" cheirosos e coloridos que ela usa pra olhar a garganta, sabe? (ainda bem que a medicina evolui; no meu tempo, era pauzinho de madeira e muito chororô!).
Tá tudo super OK com ele, graças a Deus. Diz a pediatra que, em média, oito resfriados acometem os pequenos no primeiro ano. Gutão passou por dois ou três, sendo apenas um mais forte. Foi super bem avaliado em todos os quesitos: desenvolvimento motor, psicológico, físico. Aliás, tá pesado pra dedéu: dez quilos. Mais precisamente dez quilos e 115 gramas! Pasme. Também cresceu um bocadão: chegou aos 74 centímetros. Passou da média no quesito peso para a idade e tá a um pontinho de passar a altura. De todo modo, já deu um belíssimo esticão. Deveria crescer 25 centímetros no primeiro ano. Já se foram 28. E olha que o bichinho nasceu miúdo, um pacotinho de 46 centímetros que eu segurava com uma mão só. Hoje, nem que eu queira. Gutão tá um panção. É urgente fazer minha matrícula na musculação...
posted by JULIANA DE MARI 6:54 PM


Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005


Festa pra ele



Gutão foi, sábado, ao primeiro aniversário de um coleguinha. Uma menina, na verdade, uma das poucas do seu "círculo": um aninho da fofíssima Carol. Foi num buffet, à noitinha. Eu até achei que ele ia reclamar, pois tomou vacina (a terceira dose da Prevenar) pela manhã. Mas, que nada! Gutão adorou a farra. Andou no carrossel com o papai, subiu no escorregador, gritou e "se arrastou" a valer. Socializou com um monte de bebês -- todos meninos, todos filhos de jornalistas. Tomou leitinho às 21h, lá mesmo, e só então se rendeu a Morfeu. Chegou em casa capotado e, graças a Deus, dessa vez, não teve reação à vacina na madrugada.
Ao contrário. Acordou cedo ontem, antes das 7h. Todo faceiro, em pé no berço, me deu bom-dia com um sorriso escancarado. É, Gutão agora caminha pelo berço. Ainda não tem muita firmeza. Fica num cai, faz força, levanta e vai. Aliás, vou ter que promover mudanças no "layout" do berço. O móbile virou objeto não desejado, por exemplo. Gutão puxa o troço e balança os bonequinhos, e eu fico vendo a hora dele enfiar um daqueles "braços" nos olhos!! Também vou ter que mudar de lugar as medalhinhas que abençoam o sono e a saúde dele. São duas, uma de Santo Expedito e outra do Menino Jesus de Praga. Estão amarradas na fitinha que fiz como lembrancinha de maternidade. Ficavam no pé do berço, bem longe das mãozinhas trelosas dele. Como ele começou a andar lá dentro e as descobriu, achei que era uma solução colocá-las no lado oposto, em cima da cabeça do moço. Ledo engano. Gutão as descobriu e, é só bobear, deu pra enfiar fita, medalha e tudo o que estiver por perto na boca. A benção é bem-vinda, mas prefiro não correr o risco de ver os santinhos morando na barriga do filhote!!!
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Tivemos um final de semana cheio. Alguns compromissos fora, muita folia dentro de casa. E eu comecei a segundona com uma sensação de preenchimento -- e pertencimento -- muito boa (embora meu nariz esteja entupido e eu pressinta um resfriado chegando por aí). Não canso de agradecer: meu filho é o maior presente que a vida me deu. A melhor escolha, a maior certeza. Saber que ele existe me dá uma força que eu nem sei de onde vem. Ele ainda não sabe, mas certamente fez nascer em mim uma pessoa melhor. Eu sinto isso nas pequenas coisas...E quero deixar registro desse sentimento. Sigo firme no propósito de retribuir, de nutrir, de dar colo, exemplo e atenção, pra, quem sabe, lá na frente, perceber que minha intenção, de fato, fez do meu pequenino um grande homem. Não tenho a pretensão de determinar a felicidade na vida dele, não. Até porque se alguém detivesse o poder de fazer outrém feliz, não haveria tanta gente triste e amargurada por aí. Mas acredito que o contrário é verdadeiro: tem gente que foca na metade meio vazia do copo e isso sintoniza uma onda de energia negativa que só contamina e faz sofrer. O que me leva a acreditar que posso e devo plantar sementinhas. Posso cultivar um círculo virtuoso de atitudes e de pensamentos. Posso sintonizar o lado bom. Posso expressar minha fé. Na vida, em mim, nele, nos nossos laços familiares. E eu desejo que meu Gutão seja leve e firme, que encontre a sua coerência, que cuide da sua auto-estima, que defenda as suas escolhas (e que não demore a entender o quanto elas são determinantes para nos dar a certeza de que "a vida vale viver"). E que siga pela vida com olhinhos sempre brilhantes. Quando a gente deseja do fundo do coração, o universo conspira a nosso favor, não é assim? Seja você, meu filho, e seja feliz.

E o papai pegou carona no carrossel



posted by JULIANA DE MARI 4:14 PM


Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005


Do tempo


Eu queria que apenas uma entre as muitas promessas do meu "querido" Unibanco fosse verdade: um dia de 30 horas. O fato é que, durante a semana, tenho ficado menos tempo com meu Gutão do que eu gostaria. Não tenho conseguido almoçar em casa tantas vezes quanto a minha vontade pede, embora esteja mantendo firme o propósito de voltar do trabalho antes das oito da noite pra cumprir o ritual do banho + leitinho quente e muitos beijinhos. É, o ano começou com pressa. Muitas mudanças, muitos desafios, muita demanda. E eu sigo firme, buscando acompanhar essa energia, mas sem acelerar demais. Quero viver essa intensidade, e isso inclui estar atenta às aventuras às necessidades do meu filhote. Ele cresce tão rápido, aprende tanto em tão pouco tempo...
Deu pra gargalhar conscientemente, meu lindão. Escancara a boca e exibe seus sete dentes, todo faceiro. Joga um baita charme, pisca o olho e abre um sorriso, pode? Também aprendeu a fazer carinho no meu cabelo. Uma delícia. E a pentear sua própria cabeleira. Na real, penteia mais a orelha, mas tudo bem. Sigo estimulando. E por falar em orelha, acho que as dele são os objetos transicionais da hora. Vai chegando o soninho e o pequeno vai acarinhando as orelhinhas. Já cogitei até a hipótese de dor no ouvido, mas é dengo mesmo. A Pig, a porquinha-ursinha que ele ganhou da amiga Carol (cuja festinha de primeiro aninho vai ser no próximo sábado -- já?), também é companheira desses momentos de quase entrega. Gutão tem alternado noites tranquilas com noites de chororô. Ontem, por causa de um resfriado, acordou várias vezes na madrugada. E várias vezes chorou sentido. E eu e o Rô ali, de prontidão, ao lado do berço. Aliás, pai presente é outro papo (brigada, meu amor!). É como ele me disse antes de dormir: coisa boa ter um Gutão pra cuidar. É tanto amor, minha gente. Cresce a cada dia. E eu sei que é encanação minha, mas eu queria tanto viver mais o dia do meu neném...Ele sente falta, eu acho, assim como eu sinto. Mas me consola saber que ele fica bem na minha ausência (vou e volto, e ele, graças a Deus, é só sorrisos e gritinhos pra babá!). E que essa saudadinha é sinônimo de um grande bem querer.

Qual era mesmo a piada?


posted by JULIANA DE MARI 12:27 PM


Terça-feira, Fevereiro 01, 2005


Cada coisa no seu lugar


Tão gostosa essa sensação: temos uma família. Somos três e somos um só. Amor que alimenta sonhos, sonhos que alimentam planos, planos que impulsionam mudanças. De dentro pra fora. Estamos mudando e revendo alguns conceitos agora -- e a casa também. Liberamos a queen size pro filhote. Antes que alguém atire a primeira crítica, eu explico. Tem coisa mais gostosa que dormir sentindo o cheirinho bom dessas criaturas? Duvido. Mas não dá pra virar hábito, certo? Portanto, eu e o Rô decidimos que sabadão é o dia da farra. Nosso dia de ficar grudadinhos, de fazer estripulia na cama e depois receber de bom grado o chamado de Morfeu. Obviamente, a concessão foi feita para sonecas durante o dia. À noite, segue cada um dormindo no seu canto.
Falando em cantos, Gutão começou a se "arrastar" pra frente e os perigos ficaram mais evidentes. Ele posiciona bracinhos e pezinhos e vai, dando risada, numa rapidez só. E derruba os CDs, mexe nas revistas, puxa a luminária, tenta enfiar os dedinhos na tomada!!! e etc. Diante da curiosidade do filhote, papai e mamãe já estão revendo o layout da sala (a idéia é minimizar os riscos, sem deixar o aconchego de lado), cômodo que, durante o dia, vira playground pra ele. Sim, durante o dia. À noitinha, finda a brincadeira, é hora de dobrar o edredon, catar os amiguinhos, juntar as pecinhas (fica tudo ali juntinho, num canto da sala, à mão pro dia seguinte). É um cuidado simbólico, eu diria. Procuro fazer (e recomendar) essa "arrumação" na frente do pequeno, assim ele vai aprendendo pelo exemplo. Não sou a rainha da organização, mas também não me agrada ver a casa virar sinônimo de bagunça generalizada. Acho que é importante delimitar espaços, ensinar que a gente brinca e depois recolhe os brinquedos -- mesmo que eles fiquem ali, arrumadinhos, na sala. Quero que meu filho descubra o mundo a partir da casa dele, com toda a liberdade que essa aventura requer, mas não desejo, pro bem dele e pro nosso, que ele vire um pequeno tirano. Afinal, a casa era habitada antes dele chegar e nós, os pais, também curtimos explorar o nosso cantinho. Curtimos receber os amigos, e os filhos dos amigos agora!. Curtimos ouvir uma boa música e conversar vendo o sol se pôr da janela da sala. Curtimos arrumar a casa, colocar uma coisinha nova aqui, um detalhezinho ali, dar novo uso pruma caixa antiga, brincar com as formas e funções. Tudo isso incluindo o Augusto, as coisas e as vontades dele. Ele agora deu pra não se render ao sono na primeira tentativa. Não curte mais ser embalado no colo e, muito menos, ser deixado, sozinho, no berço. A solução foi adaptar. Chegar a um meio-termo. Temos o mesmo ritual (banho morno, leitinho idem, muitos abraços, muitos beijinhos, algumas brincadeiras tranquilas, musiquinha rolando...), só que num lugar diferente. Optei pelo quarto da TV. Enquanto Gutão rola pra cá e pra lá deitado no Futon, antes de se render ao sono, eu faço carinho nele e ainda assisto à novela!! :-) Em meia hora, o nenê capota. O único porém dessa história é ter que carregar o "pancinha" pro berço depois!!!!
posted by JULIANA DE MARI 5:07 PM


Domingo, Janeiro 23, 2005


Primeiríssimas


Ando sem tempo pra postar, embora novidades, idéias e impressões sobre o dia-a-dia do meu filhote não me faltem. Que falem as imagens, pois. Finalmente, as primeiríssimas das férias. Quando der, renovo as palavras e os cliques. Divirtam-se!!!

Gutão, turistão, na Armação


Gutão viu a Mamãe Noel (onde tá o meu presente?!)

Farra nas piscinas de Boa Viagem

posted by JULIANA DE MARI 3:21 PM


Sexta-feira, Janeiro 21, 2005


Gutão é dez!


Atualizando: escrito em 25/01/2005.
Gutão está prestes a bater uma marca considerável: mais de 300 dias entre nós. É isso aí, daqui a dois dias vamos comemorar o 10 "mesaniversário" do filhote. O que me leva a concluir que, putz, faltam praticamente dois meses apenas pro Augusto completar um ano de vida!!! O primeiro aniversário. A primeira festinha. Meu Deus! Parece que foi outro dia que eu tava às voltas com o chá de bebê e as lembrancinhas de maternidade...Passa rápido mesmo. Diante deste fato, é hora de encarar os preparativos. Tou super empolgada pro primeiro grande evento do filhote. O bolo e os docinhos (que me desculpem as mães xiitas, mas no aniver do meu filho, mesmo que ele nem se interesse, vai ter brigadeiro e bolo de chocolate, sim, senhora!!!) vão ficar por conta do talento da querida Fabíola, doceira de mão cheia (www.fabiolatoschi.com.br). Já a decoração e as lembrancinhas devem ficar a cargo dos meus próprios dotes criativos. O convite, ainda não sei. Na era digital, é tão prático convidar todo mundo de uma vez só: basta um email coletivo. Mas cadê a graça? Acho que vou conciliar as facilidades do computador com o tradicional efeito do papel. Não vai ser por falta de convite que os amigos ficarão de fora dessa! Já andei vendo algumas coisas e gostei particularmente do portfólio exposto no site www.convites.com.br. Também pensei em alugar uma piscina de bolinhas pra incrementar a festa e montar uma espécie de "lounge for babies": edredons e almofadas coloridos e muuuuitos brinquedos à disposição deles. Bom, as idéias são muitas, e, como diria o Giovanni da novela das oito, "o tempo ruge e a Sapucaí é grande"!!!
Pois bem, voltando ao que me levou a escrever hoje, aos 10 meses, Gutão, lindão, só nos surpreende. Engantinha pra trás numa velocidade incrível e, enfim!, começa a arriscar ir pra frente. Vai meio desengonçado, meio se arrastando, mas vai. Uma graça. Mas muito perigoso. É que, como ainda não tem firmeza nas pernas, quando se solta e "pula" pro chão, muitas vezes, fica bambo. E pende pra trás. E cai. E bate a cabeça. E faz galo. E chora. E faz o coração da mamãe disparar de tanto susto. Ai, ai, ai, e as estripulias nem começaram...Também aprendeu a gargalhar, o figura. Com todos seus quatro dentões e os outros três dentinhos que já despontaram. Grita, ri e engata gargalhadas que contagiam qualquer um. Daquelas que fazem perder o fôlego e deixam a garganta seca, sabem como é? Ah, basta a babá começar com o super hit "do jeito que você me olha, vai dar namoro" pra ele piscar os olhinhos e jogar um baita dum charme pra ela. Vê se pode! Arrisco dizer também que o menino tem ouvido bom. Não só se balança quando ouve qualquer indício de música, como reconhece os sons e as musiquinhas prediletas só da mamãe as solfejar (já pedi um microfone de Natal, mas ninguém me leva a sério!). Aos 10 meses, Gutão é dez. Dez vezes mais amado. Dez vezes mais querido. Alegria é o nome dele. E felicidade é o meu.
posted by JULIANA DE MARI 1:49 PM


Quinta-feira, Janeiro 13, 2005


As aventuras do Gutão



Eu sei, eu sei, muito tempo sem dar notícias. E olha que coisa pra contar é o que não falta!!! Gutão tem aproveitado bastante as férias pernambucanas. Dia sim, dia não, tem curtido uma prainha logo cedo e se esbaldado nas piscinhas de Boa Viagem. Parece peixe, esse menino!! Se deixar, acho que ele sai nadando sozinho! Vai todo lambuzado de protetor solar, claro. O sol aqui, mesmo o sol dito "bom", até às 10h, não é pra qualquer um. Ele, então, branco de doer, precisa de cuidados redobrados na hora de se expor.
Foi assim hoje. Chegamos à praia às 8h. O mar ainda tava cheio, mas já se viam os arrecifes. Gutão ficou na beiradinha, no colo da tia Lu, "pulando onda". Depois do banho, comeu frutinha à beira-mar, debaixo de uma sombra gostosa. Voltamos pra casa `as 9h30. Foi banho e cama, sem escala. Praia cansa. E dá fome!! Tou esperando ele acordar com suquinho de tangerina e papinha do almoço prontos. Falando em pança, tá muito pesado nosso Pirata. Pesado demais mesmo. Até o vô Albertino tem pedido arrego!!! Minhas costas, então, melhor nem entrar em detalhes. Tou em plena crise, louca por uma sessão de RPG!!!!! E ainda tem gente que duvida da utilidade do trio carrinho-cercadinho-cadeirinha! Tá, a cadeirinha veio, mas tem sido usada apenas nos passeios de carro. Em casa, Gutão passa mais tempo mesmo sentado no chão ou no sofá, brincando. Aliás, o danado aprendeu a descer, sozinho!, do sofá. Se vira todo, faz um baita malabarismo, e vai escorregando devagarzinho até os pés tocarem o chão. Depois, abre aquele sorriso! Muito engraçado! Claro que ainda precisa -e muito- de supervisão. Putz, e como cansa essa fase em que o bebê não sabe andar mas não quer mais ficar no colo...Gutão ainda não engatinha. Já fica de quatro bonitinho, mas não consegue ir pra frente de jeito nenhum. Pra trás ele vai que é uma beleza! Agora, em pé, fica durinho. Quando é estimulado, troca o passo direitinho. Um pezinho, outro pezinho. Não estamos forçando pra não sobrecarregar as pernas dele, conforme orientação médica. Mas é ele quem pede: fica brabo no colo, se estica todo, só quer saber de ficar em pé! Acho que falta realmente pouco pra sair andando por aí.
Quê mais? Filhote melhorou da rinite. Depois do susto em Floripa (ficou todo entupido, cheio de catarro), o nariz deu trégua por aqui. Acho que o clima mais estável e quente ajuda. Ele puxou a mãe nesse quesito, infelizmente. Herdou a rinite alérgica, altamente afetada pelas mudanças de temperatura. Além do nariz limpinho, o calor tem provocado outro fenômeno: troca de fralda a cada hora praticamente. Pelamordedeus, como se gasta fralda nessa terra. Bom, compensa, pois roupa que é bom, ele só usa pra sair de casa e olhe lá. Fica de fralda e pernocas de fora o dia inteiro. Pra dormir, só uma regatinha cobrindo o peito.
Ah, aprendeu a soltar beijinho, dar tchau (conquista da vovó Lilica em Floripa!!) e dançar (a vó Ju ensinou!). Gente, ele dança até com a música da abertura da novela! E sorri pra todo mundo. Definitivamente, é muito simpático esse meu filho! Não estranha ninguém, nem beicinho faz. Uma benção. Continua acordando cedo. Cedíssimo pros meus padrões. Ainda mais em férias (Férias, que férias? Mãe não tem disso não!!!!). Basta o sol apontar, e olha que aqui isso acontece às 5h da matina!, e ele abre os olhos. E me brinda com o sorriso mais alegre do mundo. Eu desperto moooooooorta de sono, mas feliz, feliz.
É isso. Voltamos pra Sampa no sábado, pra nossa casinha gostosa e pros braços do papai que foi embora antes -- e eu já tou com saudade desse céu azul e dessa vida com cheiro de mar. Eu gosto da vida na Paulicéia, mas acho que é vida pra adultos, sabe? Pra quem já viu muita coisa...Queria que meu filho pudesse crescer vendo as cores como elas são...Quem sabe? Escollhas, as tais. Toda hora nos passam pela cabeça. Muita responsa "cultivar" o bom, o lúdico, o pra cima num ser em formação, né? Acho que mostrar o belo da vida, as pessoas, os lugares, os gestos, é um bom começo. Falando em começo, hoje Gutão tem um compromisso especial: visitar Yasmim, filhinha da minha prima Fabiana. Nasceu ontem à noite, que seja muito bem-vinda!!! (Ano que vem, serão quatro meninas e ele, o Dom Juan da casa!!!! Já pensou na farra??).
posted by JULIANA DE MARI 11:35 AM


Sexta-feira, Dezembro 31, 2004


O novo já começou


Bochechas vermelhas, copinho de água de coco à mão, pernocas à mostra. Na terra da mamãe, o calor não cessa, muito menos a felicidade do Gutão. Fez ótima viagem, embora tenha encarado quase cinco horas de vôo de Floripa até Recife. Impossível no avião esse guri! Queria mexer em tudo e em todos. Tirou sonecas rapidinhas e batizou, de coco, duas vezes, o trocador do avião. Não estranhou nada. Nem o clima, nem a casa, nem os vovôs.
É isso, minha gente. Estamos aqui, no meu Recife, curtindo a segunda parte das férias. Hoje, último dia do ano, passei só pra deixar registrada a minha imensa alegria. O ano que termina só deixa lembranças boas. A melhor e a principal delas, um filhote que aprendeu a morder o dedo da mamãe e dar risada quando ela grita de dor!, vai me acompanhar por muitos e muitos e muitos anos -- assim desejo e peço a Deus do fundo do meu coração. Saúde, sempre.
Daqui pra frente, Gutão ao meu lado, sei que a virada do ano vai ser mais ainda sinônimo de novidade.
2004 foi um ano de sorte: o Augusto chegou! Que 2005 nos traga mais motivos para celebrar.
Rô, meu amor. Gutão, lindão, minha vida. Feliz Ano Novo pra nós!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 7:40 PM


Domingo, Dezembro 26, 2004


Notícias da Ilha


Cá estamos, curtindo um mormaço bom em Floripa. Desde que chegamos o tempo ainda não firmou. Se bem que ontem, Natal, fez um dia lindo, com direito a céu azul, poucas nuvens, pouco vento, boas ondas -- e churrasco do vô Zeca! Gutão provou e aprovou. Ficou chupando a carninha cheio de vontade de colocar tudo na boca. Tá uma figuraça esse Pirata. Resfriou quando chegou por causa da frente fria fora de hora. Ainda tá com o nariz remelento, mas não chegou a ter febre. Ganhou dois dentes em cima e a visita da Mamãe Noel no dia 24. Vovó Lilica se vestiu com barba, roupa vermelha e tudo o mais e nos proporcionou uma noite das mais divertidas. Gutão nem piscou. Estranhar? Ele desconhece esse verbo. Deu risada, mexeu nos presentes, observou cada movimento do "bom velhinho". Foi dormir feliz, feliz.
A primeira viagem de avião também foi tranquila. Gutão choramingou um tantinho antes de embarcar. Sono. No avião propriamente dito, se comportou super bem. Comeu, brincou, olhou o mundão lá de cima, encantado. Não reclamou nem na subida nem na descida, graças a Deus. Eu confesso que tava preocupada. Sei lá, medo que meu bichinho sofresse com a mudança de pressão. Mas passou e ele, como sempre, me mostrou que tem lá seus recursos pra lidar com as novidades. Falando nelas, não estranhou o berço da casa dos avós e nem a comidinha que a mamãe preparou (em geral, quem faz é a babá). Tem esbanjado palavras. Fala o dia todo, um tagarela. Quando tá cansadinho, grita pela mã-mã. Eu me derreto. Melhor presente não há.
Um Feliz Natal a todos e um 2005 muito, muito especial. Saúde sempre, alegrias muitas. Assim que der, eu volto.


posted by JULIANA DE MARI 10:15 AM


Quarta-feira, Dezembro 15, 2004


Falta pouco...


...pro filhote começar a engatinhar de vez. Até agora, ele aprendeu como ninguém a engatinhar pra trás! No final de semana, registramos a façanha: engatinhou, engatinhou, engatinhou até que entrou embaixo do sofá! Deu risada da própria traquinagem. Depois, claro, abriu o berreiro porque, sozinho, não conseguia mais sair do lugar. Diz a pediatra que é normal esse movimento ao contrário. Muitos bebês vão pra trás, antes de ganhar coordenação pra ir pra frente.
...pro Gutão conseguir se levantar sozinho no berço. Força, ele tem feito. E muita. Ainda não tenta quando tá deitado. Mas, se tá sentado, parece que bate um faniquito e o bichinho não pára com as pernas nem um segundinho. Quer ficar de pé a todo custo. Diz o ortopedista que avaliou as perninhas dele recentemente (e descobriu o que a gente já sabia: são tortinhas iguais às do papai, mas estão no limite da normalidade) que esse "homem" vai andar até os 10 meses. Será?
...pro dentão à la Chico Bento dar o ar de sua graça. Já desceu um tanto mais que a serrinha e já tá uma coisa linda de se ver. Dizem por aí que os dentões de cima dão mais trabalho mesmo. Alguém saberia me explicar o por quê?
...pro Gutão atingir a marca dos 10 quilos! Sério. Só pode ser. Tá pesado demais, esse moço. Não tou fazendo nenhuma outra atividade física, a não ser levantamento de Gutão, e vocês precisam ver o tanto de "muque" que tenho pra exibir!!! Falando em pança, Gutão deu pra não querer mais o leite antes de dormir. Não aceita de jeito nenhum. Dormiu algumas noites sem e não deu nada. Acordou na hora de sempre, no outro dia, aí, sim, reclamando seu leitinho quentinho. Tou fazendo assim: quando o sono não é tãoooo grande a ponto de fazê-lo capotar depois do banho, ofereço um pedaço de fruta ou um suquinho. Faz bem. Ele dorme hidratado; as noites têm sido quentes por aqui. É isso, né? A gente tem que fazer adaptações diariamente.
...pro filhote exibir suas coxas grossas na praia! Vou explodir de emoção quando o pequeno estiver devidamente "montado" em seu visual férias! Viva! Quinta, sexta, sábado, domingo e...fomos!!!!!!!!!!!

E agora, como é que eu saio daqui?


Quase de pé no berço


Com a amiga Carol: olha que olhos lindos ela tem


O que será que essa porquinha disse, hein?

posted by JULIANA DE MARI 10:14 PM


Sexta-feira, Dezembro 10, 2004


Contando os dias, as horas, os minutos...


(Explicando: comecei este texto na sexta e terminei hoje, segundona. Por isso, a confusão entre a data e o relato)

Ai, que eu tou numa ansiedade que não me aguento!!! Contando os minutos que faltam pras nossas primeiras férias com o Gutão. Já pensaram o tanto de colo que esse menino vai ganhar dos avós??? Se ele já tá dando chilique pra ficar no carrinho agora, não quero nem pensar o que vai estar fazendo quando voltar do tour Floripa-Recife! :-)
Vai ser bom demais. Pra todos nós. Especialmente pra ele, eu acho. Novos cenários, novas pessoas, novos ares, novas possibilidades. A mala ainda não tá pronta, obviamente, mas as coisas-pra-usar-na-praia já estão devidamente compradas. Protetor solar, micro sunga!, bonezinho, camisetinhas, shortinhos e etc. Vai ficar lindo bronzeadinho, o meu branquelo! Até parece. Branco do jeito que é, só libero pra praia às 6h da matina, antes do sol pensar em esquentar!!! Tomara que ele tenha realmente puxado à mãe no quesito "cores". Sou --e estou-- "elegantemente" branca, mas bastam dois dias de sol pruma ligeira morenice aparecer.
É isso, gente. Pensamento positivo é a tônica da semana. Falta pouco pra desligar da correria. E aí virá um mês inteirinho de pura curtição. Leia-se: prioridade máxima pro meu Gutão!!!! Tenho sentido muita saudade dele durante o dia. Muita mesmo. Não fico ligando pra casa primeiro porque poderia parecer falta de confiança na babá e segundo, porque ele ainda não sabe falar e nem sei se entende que foi a "mamãe que ligou"...Lidar com essa vontade de estar aqui e ali, ao mesmo tempo, é um troço muito complicado...
Falando nele, o primeiro dentinho de cima apontou no final da semana passada. Serrinha à vista, montinho na gengiva. Diz o pai que o filhote vai ficar parecendo o Chico Bento, com um dentão só! Quê mais? Gutão segue na tentativa de ficar em pé no berço. Cada vez mais ágil, cada vez mais forte. Se tá deitado, ainda não consegue sentar. No dia em que aprender, acho que, definitivamente, vamos dar adeus à calmaria! Gutão gosta é de folia, de gritar, de "voar", de fazer barulho. Se é contrariado, não tem conversa: trava a boca e chora até ficar vermelho. Ariano dos bons, o meu menino. Decidido, sabe o que quer. Quando quer o controle da TV, não adianta vir com o porta-chupeta. Ele segue o troço com os olhos. Não é fácil enganar esse bichinho, não. Eu me divirto. Sigo exercitando a paciência, a tolerância. Tentando dar limite -- sem podar as tentativas e as vontades dele. Há que existir um espaço pra ele arriscar, certo? Gutão vai ter o dele. Tava pensando hoje, aliás, que, assim que ele começar a andar, vou pintar um pedaço da parede do quarto com aquela tinta que serve pra escrever em cima, tipo quadro-negro. Já viram disso? Pois bem. Acho super bacana. Delimitar e preservar um espaço em que ele vai poder rabiscar e botar pra fora a criatividade à vontade -- deixando claro que as outras paredes são da casa.
Bom, a segunda amanheceu ensolarada em Sampa. Eu amanheci com enxaqueca. Daquelas fulminantes. Com muito esforço, abri os olhos e vi: céu azul, nuvens branquinhas. Sol torrando. Tanto que, agora na hora do almoço, fugi da sombra pra espantar a preguiça e acabo de descobrir que, mesmo usando jeans, fiquei com as coxas vermelhas. Vê se pode!
Prenúncio de férias quentes. Faltam só quatro dias, oba!
posted by JULIANA DE MARI 5:52 PM


Domingo, Dezembro 05, 2004


Oito motivos para ser feliz


Amanhã é segunda -- e eu já tou pensando no sábado que vem. Só faltam dois pras férias, viva. Vou dormir sonhando com isso. Meu Gutão já foi.
As imagens hoje vão falar por nós.



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posted by JULIANA DE MARI 9:15 PM


Quinta-feira, Dezembro 02, 2004


Oito meses e muitas novidades


Gutão completou oito meses no sábado passado. Um dia lindo, ensolarado, com céu azul e um ventinho gostoso. Tal qual o 27 em que ele nasceu. Lindo mesmo tá ele. E pesado e grandão, nossa! Às vezes, me dá até um susto. Realmente, quando "o mundo" diz pra gente aproveitar porque eles crescem rápido demais, é a pura verdade. À medida em que cresce, Gutão vai revelando mais de sua personalidade, das suas vontades -- e dos seus desgostos. Adora um telefone, só vendo pra crer. Fica absolutamente excitado quando vê o aparelho. Se joga, grita, estica os braços, faz um auê até conseguir pegar o dito cujo. E, quando consegue, abre um sorrisão de satisfação. Repete esse ritual, aliás, em relação a tudo o que vê e enxerga como um potencial objeto de desejo. É assim com a escova de cabelo, o frasco do perfume, a saboneteira, o termômetro da banheira...Tudo o que, em tese, ele não deveria nem tocar, muito menos colocar na boca. Ele pega, eu pego de volta. Ele resmunga, eu explico que não pode. Ele dá um chiliquezinho básico, eu mantenho a calma e ofereço outra coisa em troca. E funciona. Gutão é curioso, gosta de novidade -- e a-do-ra produzir barulho. Agora aprendeu a gritar. Grita tanto que eu acho que, quem ouve de fora, pensa que ele tá passando por alguma espécie de tortura dentro de casa, hahahhaahahaa! Também tem emitido um "mã-mã" com mais frequência. Não sei se já associa o som à minha pessoa, mas o fato é que, quando eu saio do quarto, ele me chama. Se bem que tem emitido "mã-mã" também quando cansa da brincadeira, quando tá com sono, quando não quer ficar sozinho no berço, quando já encheu a pança de comida...Acho que o "mã-mã" virou sinônimo de "por favor, me tira dessa roubada"!!
O fato é que, a cada dia, meu filhote interage mais. E dá mais risada. E enche mais a casa de vida. Literalmente. Ontem foi dia de consulta na pediatra. Gutão pesou 8.875kg e mediu 69,5cm, dois centímetros a mais que mês passado. Praticamente chegou à curva dita "normal" pra sua idade. Ganhou novas opções no cardápio. Podemos oferecer TUDO o que for natural pra ele: lentinha, ervilha, milho, batata doce, brócolis, couve-flor...Também vamos dar gema de ovo na papinha. A recomendação é começar com 1/4 da gema, pra ver se ele tem reação alérgica, essas coisas. Se não der nada, podemos oferecer duas vezes por semana. Biscoito maizena e pão "amanhecido", aquele mais borrachudo, também foram liberados pra estimular a mastigação do menino. Da mesma forma, batata e cenoura em pedaços bem cozidos. A quantidade de porções que tenho oferecido, considerando três mamadas por dia, tá de bom tamanho. Gutão ganhou também mil e uma recomendações para as férias na praia: entre outras coisas, muito protetor solar, bonezinho sempre, roupas leves, nada de banho de mar! (no máximo, molhar os pezinhos), muito líquido e um kit-farmácia a mão! É que o calorão pode -- mas não vai, se Deus quiser! -- provocar brotoejas, diarréia e até febre baixa. Eu tou achando que essas vão ser as melhores férias da minha vida. Imagina só, a primeira vez do meu Gutão na praia, de um extremo ao outro do país. Primeiro, nas areias da Armação, em Floripa. Depois, debaixo dos coqueiros de Boa Viagem, no meu Recife!!! Tudo isso muito bem acompanhado pelos vovôs de um lado e de outro!!!!! Haja filme pra dar conta de tanta foto!!!!!
Deixa agora eu fazer um carinho no meu coração. O melhor da consulta de ontem veio no final: os comentários dra.Ketty sobre nós, eu e meu amado Rô, no papel de pais. Diz ela que nosso filhote é o retrato da nossa conduta. É um menino explicitamente de bem com a vida, nas palavras dela. Vindo de quem veio, foi um baita elogio -- aos três. Um atestado de que nem sempre as primeiras vezes --e os primeiros filhos-- precisam ser vítimas da falta de experiência (não somos perfeitos, eu sei, mas não acho que o foco da relação deva ser esse...Até porque a vida é um acontecimento diário...). É isso: estamos aprendendo os três juntos a ser e fazer melhor. E essa parceria faz toda a diferença. Eu torço pra que, à medida em que Gutão ganha entendimento real sobre as coisas e as pessoas, ele escolha fortalecer ainda mais essa parceria. E viva nós!!!!!!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 3:05 PM


Quarta-feira, Novembro 24, 2004


Ele é quem manda


Sou adepta da tese que diz que os bebês acabam se adaptando às mães, à casa e ao mundo -- mas tudo no tempo deles. O que, dito de outra forma, quer dizer que gosto e sigo a idéia de que preciso estar atenta às demandas do meu filhote, fazendo o possível pra me adaptar a elas. Conscientemente. Isso tudo pra dizer que o desmame aconteceu. Decidi respeitar os sinais que o Augusto estava me dando. Ele realmente não quer mais saber de mamar no peito. Assim foi feito, pois. A última mamada no final de semana, domingão à noite, já foi no copinho, 220 ml de Nan2. De lá pra cá, ele tem tomado Nan três vezes por dia, sem reclamar. Quer dizer, antes de dormir, nem tá querendo saber muito de leite, pra falar a verdade. O jantar tem enchido a pança do moço. Tanto que esses dias realmente me assustei com o tamanho do barrigão!! Até revi o cardápio e dei uma aliviada nas porções oferecidas a ele ao longo do dia. Semana que vem, quero conversar com a pediatra pra avaliar se tá de bom tamanho ou se é preciso mais algum tipo de reforço.
Tou segura que tomei a melhor decisão em relação ao desmame. Gutão ainda não consegue se expressar com palavras, mas já me diz muitas coisas de muitas outras maneiras. Quando sorri pelos olhos ao ver a banheira, digo,a bacia de tomar banho, por exemplo, me diz que a água é sinônimo de felicidade pra ele. Ah, e como eu fico feliz também! Mãe canceriana, água na veia, e pai surfista, já viu de onde vem a influência, né? Pois é. É ele quem manda -- e a banheira virou mero objeto de decoração no quarto dele. Desde a semana passada, Gutão toma seus banhos diários numa bacia razoavelmente grande instalada no box do banheiro. Uma piscina improvisada, eu diria. A-do-ra. Bate as pernas numa ligeireza só, enquanto segura nas bordas da bacia bem forte. Tem feito força, o danadinho, pra levantar sozinho. E acho que isso há de acontecer mais cedo do que a gente imagina. São dois banhos diários agora: um na hora do almoço, mais caprichado, e outro antes de dormir, só pra relaxar. Segui a dica da minha querida Ana Paula, mãe do André, e o resultado é que Gutão não tem sofrido tanto na hora de ir pro berço. Em boa parte das noites dessa semana, ele deitou, virou pra cá e pra lá, achou posição e fechou os olhinhos na boa, sem choramingar.
Fiquei feliz por nós dois ao perceber que as etapas estão vindo naturalmente e que, de um jeito ou de outro, nós dois estamos nos adaptando a elas. Vou ficar com saudade de ter meu pequenino no peito, é claro, mas não quero sofrer por isso. Confio que, graças ao vínculo da amamentação, ele há de seguir pela vida muito bem alimentado de amor.

posted by JULIANA DE MARI 1:20 PM


Domingo, Novembro 21, 2004


Fim de semana agitado


Sábado tivemos um dia cheio -- de coisas boas, diga-se. Almoçamos fora, finalmente fomos conhecer a Lara, primeira menina a conviver com meu Gutão!, e terminamos o dia na maior farra na casa do Miguel e dos dindos Dani e Duda. Gutão se comportou bem nos três compromissos. Na casa da Lara, mamou e até dormiu sentado em sua cadeirinha. Vendo a pequena, e a pegando no colo, é que realmente percebi o quanto meu filhote cresceu...Gente, ela é tão lindinha, tão pequeninha, tão quietinha. Vai fazer três meses em breve, mas é nenê ainda, sabe? Com aquele chorinho miado, aquela leveza toda. Uma graça. Gutão é que cresceu rápido demais...E já tem tantas vontades...
Bom, depois da Lara, a boa foi brincar com o Miguel. Pela primeira vez, os dois sentadinhos na sala, numa saudável disputa de brinquedos e de atenção. Lindos. Muito emocionante ver fora da gente os frutos da nossa amizade. E foi tão engraçado também! Gutão catava alguma coisa, Miguel ia lá e roubava. Gutão reagia. Miguel sorria, mas tomava o dito cujo de volta. Gutão não tava entendendo muito bem a brincadeira. Demorava, fazia um biquinho, mas não desistia de ir atrás do troço. O eleito da vez, pasme: um módico porta-chupeta!! E assim foi até a noite chegar. No toma-lá-dá-cá, enfim, eles se descobriram. Nós, os pais, paramos pra ver a cena, obviamente. Tiramos fotos, fizemos vídeos, batemos palmas e soltamos palavras de incentivo. Uma babação só. Miguel tomou banho, Gutão tomou papinha -- e o sono bateu.
Viemos pra casa e aí, sim, o efeito de tanta excitação apareceu. Gutão simplesmente não conseguiu dormir. Se a gente se afastava um segundo do berço, ele berrava com vontade de acordar a vizinhança. Ficou nessa até quase uma da manhã. Nós tentamos de tudo pra acalmar o bichinho: Luftal, podia ser gases; mamá quentinho no copinho, podia ser fome (ele tem mamado ridiculamente no peito...); mantinha pra aquecer os pés, podia ser frio; colo, beijinhos e carinhos, podia ser um sonho ruim...Não sei o que foi, só sei que eu e o Rô estamos passando por uma provação na hora de colocar o filhote pra dormir. Não é moleza, não. Aliás, Gutão acabou de se render a Morfeu, depois de uma briga intensa e de muito chororô. O que dá jeito é ficar sentada ao lado do berço, cantando baixinho, até ele encontrar posição e relaxar de verdade. Essa agonia toda será sintoma da tal angústia da separação??? Fica a pergunta pra próxima consulta, a de oito meses!, com a pediatra, que vou tentar antecipar (a gente vai viajar no final do ano, uma epopéia aérea, e Gutão tá com o nariz super entupido -- ainda. Tenho receio dele sentir algum incômodo lá em cima por causa disso...).
De todo modo, eu já sei: é não abusar do pequeno quando o sono bate. E rezar pro anjo-da-guarda tranquilizar os olhinhos dele.


posted by JULIANA DE MARI 8:45 PM


O que vem por aí


Novos sabores foram introduzidos ao cardápio do Gutão na semana que passou. Primeiro, macarrão cabelo de anjo na papinha. Aprovado com louvor. Depois, iogurte natural. Sim, aquele azedinho. Pensei que ele fosse fazer cara feia e recusar a novidade, mas, que nada! Comeu três colheres de sopa, dando gritinhos de prazer entre uma e outra. Já que aceitou bem, passei a oferecer com frutas. Como uma opção de sobremesa mais caprichada, digamos assim. Ele já provou com banana e melão e gostou das duas misturas (eu confesso que achei horrível, mas sou suspeitíssima. Detesto banana e não faço a mínima questão de melão...). Bom, enrosco mesmo só com o arroz. Não sei o motivo, mas o fato é que o arroz na papinha não causou grandes impactos. Na primeira tentativa, Gutão comeu todos os ingredientes -- e cuspiu os grãos. Na segunda, ontem, encarou tudo, mas estava desconfiado e não raspou o prato como de costume. Hoje vou oferecer outra vez no almoço pra ver no que dá. Quem sabe quando misturar com caldinho de feijão ele aceite melhor? Falando em tentativas, mingau de Mucilon 5 cereais definitivamente não rola. Tenho dado polvilhando nas frutas. Mas tentei mingau de 3 frutas hoje pela manhã e ele amou. Vai entender.
O ânimo do meu filhote na descoberta de novos sabores me anima -- e me tranquiliza. Principalmente porque acho que o desmame total está perto de acontecer. Pertíssimo, aliás. Gutão tem mamado, quer dizer, fingido que mama, pela manhã e à noite. Mamadas ligeiras. Não fica nem cinco minutos no peito. Tem demonstrado impaciência. Muita. Não sei se é porque já conhece outros sabores e sabe que não tem só essa opção...Não sei se é porque minha produção diminuiu e deve sair menos quando ele suga -- e guloso do jeito é, fica logo irritado...Não sei se é porque é chegada a hora de desmamar mesmo. É isso, deve ser a natureza se sobrepondo a minha vontade. Por mim, as mamadas continuariam até. Da parte dele, no entanto, parece que a escolha está feita e o aviso é: estou pronto pra outra. Bate aquela tristeza, claro. E eu já sinto saudade desses momentos tão nossos...Mas sinto também que cumpri minha primeira missão como mãe do melhor jeito possível. Foram quatro meses e meio só de peito e mais três desde que o menu do pequeno começou a se ampliar. Praticamente oito meses em que fiz meu corpo (e minha cabeça) trabalhar pelo bem do meu filho. Não foi só leite, eu sei: no final das contas, dei mais vida ainda pra ele. Vida traduzida em calor, em amparo, em disponibilidade, em intimidade. E ele tá aí, grandão, lindão, barrigudo e muito feliz. Amamentar é uma benção e eu agradeço diariamente ao meu Deus por ter me permitido insistir nesse vínculo com meu Gutão até agora. Definitivamente, acho que começamos bem.
PS: Daqui por diante, enquanto Gutão abre o bocão, eu fecho a boquinha. Torço pro meu filhote continuar a descobrir prazer na alimentação. Eu tenho, e muito. Tanto que o verão tá aí e eu ainda preciso perder esses dois quilos que insistem em fazer volume na minha barriga!!!!!!

posted by JULIANA DE MARI 11:10 AM


Terça-feira, Novembro 16, 2004


Ele é ariano


A febre foi embora na segunda pela manhã, graças a Deus. Gutão comeu e dormiu bem no domingo e acho que isso fez diferença na resposta rápida que deu. Aliás, do domingo pra segunda, só acordou às 8h40 da matina, pasmem! Uma benção, depois de uma madrugada insone a três. O astral tava tão bom ontem que até saímos pra almoçar fora. Gutão caindo de sono, mas sem se entregar. Queria ver tudo e espalhar seus blás pelo ambiente, enquanto catava o pezinho, tirava fora a sandália nova e tentava batucar na mesa. Tudo ao mesmo tempo. Sim, minha gente, esse menino tem uma energia realmente digna de um ser nascido sob o signo de áries!!!! Energia muita pruma mãe de câncer, vou te falar.
Mas Gutão tem me ensinado uma coisa valiosíssima: como acordar cedo...e de bom humor! Hoje tive mais uma lição. Filhote despertou às 5h30 da matina. Em geral, quando isso acontece, é porque ele perdeu a chupeta. O Rô vai lá, devolve a bendita, aplica a chamada técnica misto-quente (vira o menino de lado) e pronto. Ele volta a encontrar Morfeu. Mas não foi o caso. Hoje ele realmente acordou com o céu ainda escuro. Tava lá, olhão aberto, balançando os braços e as pernas como quem pede encarecidamente pra sair do berço. O Rô atendeu primeiro. Como não deu jeito e ele precisava acordar mais cedo que eu, lá fui encarar a missão. Cantei, embalei, dei mamá, troquei a fralda de coco, e nada. Gutão não queria saber de ficar quieto. Queria brincar. E lá fomos nós, antes das seis da matina, falar com a "dona Sapa" no chão da sala. Tão feliz que o meu Pirata tava que eu realmente não tive escolha, a não ser ficar feliz junto. E foi assim até às 7h30, quando a babá chegou e eu pedi uma trégua. Cai na cama e dormi o sono dos justos até às 9h. O chato é que perdi a terapia, mas começar a semana com déficit de sono não dá. Como estava meu Gutão? Bom, nem depois de comer uma banana amassada e polvilhada com 5 cereais ele se entregou. Ficou lá, dando risada pra Márcia, cheio de amor pra dar, indeciso entre arriscar engatinhar ou catar a revista da mão dela. Eu levantei, tomei banho, me arrumei pra trabalhar, dei tchau, e ele lá, firme e forte. Segundo a babá relatou, só se rendeu ao sono um pouco antes do almoço, vocês acreditam? Eu espero que essa agitação toda durante o dia seja prenúncio de uma noite tranquila logo mais.

Gutão e o pé: o negócio é fazer folia


Eu quero morder essa mesa!


posted by JULIANA DE MARI 1:45 PM


Domingo, Novembro 14, 2004


Um dia depois do outro...


...e o chororô aumentou. Desta vez, a culpa é da vacina. Ontem, sábado, Gutão tomou a segunda dose da Prevenar (que protege o bebê das doenças respiratórias e de otites). Na hora, fez bico, ameaçou reclamar, mas acabou saindo da clínica sob elogios da médica. "Mas ele é tão bonzinho", dizia ela. Sim, ele é. Mas não há santo que aguente a bunda doendo, né? Foi uma picada só, mas, como a médica avisou, o local ficou dolorido e bem vermelho. Pra aliviar, pomada de arnica e massagem de leve. O pior da vacina é que Gutão teve reação. E a primeira febre. Começou na madrugada, com 37.9, e evoluiu hoje pra 38.5. Não passou disso, mas não baixou também. Dei dois banhos com água morna, cuidei do local dolorido, ofereci muito colo e muitos beijinhos e fiquei de "butuca", como se diz na minha terra. Só observando. O dia do pequeno se resumiu a muita reclamação -- e a duas bochechas pintadas de vermelho por causa do "calorão". Se ia pro berço, chorava. Se vinha pro colo, chorava. Se ficava no chão, chorava. Um choro sentido, de perder o fôlego, tadinho. Entre um resmungo e outro, ele brincou e comeu bem. Fico aliviada com isso. Se tá comendo é porque não tá de todo mal...Tá forte, tá saudável. Eu e o Rô é que estamos bem cansados...Enfrentamos a madrugada na base do revezamento. Mas faz parte -- e não tem como se omitir na hora em que se vê um bebê, ainda mais sendo seu filho, doente. A gente tem certeza que a febre vai passar. Amanhã é outro dia. Filhote capotou mais cedo. Ainda quentinho. Sim, porque aprendeu a cuspir o Tylenol, vê se pode!!! Tá ressonando tranquilo no berço. Diante dessa cena, eu vou dormir.
posted by JULIANA DE MARI 8:04 PM


Segunda-feira, Novembro 08, 2004


Um dia assim, assim


Começou com o xixi no berço na madrugada, o chororô e a dificuldade pra engatar no sono outra vez. Culminou com a boca fechada diante do mingau-novidade à tarde e da papinha na hora do jantar. Digamos que o dia do filhote hoje foi assim, assim. Tenho pra mim que tudo isso é culpa dos novos dentinhos. Não, ainda não apontaram, mas a gengiva de cima tá lá, inchadona. Fora esse, há outros sintomas. Tudo o que passa pelas mãos do menino vai direto pra boca. Veio a irritação e o nariz entupido (o tempo virou, o frio chegou e isso também colaborou). Filhote fez uma alimentação meia-boca hoje, literalmente. Pela manhã, até se animou, mas depois do almoço, não quis saber de quase nada. Só aceitou uma banana amassadinha com aveia na hora do jantar e o mamá no peito antes de ir pro berço. Tá lá agora. Brigou um pouquinho com o sono, me "chamou" várias vezes, e, finalmente, se entregou. Não tou preocupada, não. Quando é estimulado, Gutão continua sorrindo, gritando e brincando. Tá crescendo, esse menino. Deve ser isso. E crescer, às vezes, machuca, né? Tou fazendo o que posso pra ele passar por essa com tranquilidade. Fiz massagem com água gelada nas gengivas, dei muito colo, muito carinho e muitos beijinhos. É ter paciência e torcer pro dentinho nascer logo. (E pro meu Gutão começar a terça com outro astral, claro).
posted by JULIANA DE MARI 8:32 PM


Sábado, Novembro 06, 2004


Balança


Ontem foi dia de consulta na pediatra. Gutão entrou e saiu sorrindo do consultório. Também, pudera. Só boas novas: engordou 700 gramas no último mês, o que levou a balança a marcar 8,245kg. Isso, definitivamente, explica minha dor nas costas e a dificuldade em ninar o menino no colo!! Ganhou também mais dois centímetros, 67,5cm no total. Tá um tantinho abaixo da dita "média" pra idade no quesito esticão, mas o que importa não são as tabelas. Importa é que ele tem crescido proporcionalmente. E como cresceu! Tá um bolota, esse menino. Barrigão que chega na frente, sabe assim? Muito engraçado.
Falando em barriga, a partir deste mês, vamos introduzir mais gostosuras no cardápio do moço. Arroz e macarrão foram liberados, assim como temperinhos pras papinhas, iogurte natural e algum farelo (tipo aveia) pra acompanhar as frutas. Eu perguntei se podia dar um mingauzinho com Mucilon ou algo do gênero, mas a dra.Ketty não aconselhou. Ela explicou que os pediatras costumam recomendar às mães que "engrossem" o leite quando o bebê precisa ganhar peso. Não é mais o nosso caso há bastante tempo. Bom, vez por outra, pra variar, não há mal em oferecer um leitinho com o preparado 5 cereais ou 3 frutas. Mas a idéia é não fazer isso regularmente. Ah, o peitão vai continuar. Pela manhã e à noite, o tanto que ele desejar.
E parece que um dentinho novo está pra apontar. É que as gengivas de cima estão bem inchadinhas. Por causa do incômodo, Gutão tem "atacado" absolutamente tudo o que vê pela frente. Incluindo o bico do meu peito. Dói demais, minha gente. Eu falo sério com ele nessas horas. Digo "não", fecho a cara e não tem papo. Ele parece que entende, pois não costuma repetir a maldade. Mordisca uma vez, leva bronca e retoma o mamá como se nada tivesse acontecido. Eu já esperava esse tipo de "agressão". Gutão tá crescendo, começando a entender melhor que não está grudado em mim. É uma pessoinha no mundo, afinal. Pra entender esse processo --e me preparar pra ele-- tou lendo dois livros do psicanalista Winnicott: O Brincar e a Realidade e A Criança e o Seu Mundo. O primeiro tem linguagem mais "técnica", mas é interessante porque fala de um "sintoma" que acomete todos os bebês -- o do objeto transicional. Gutão, aliás, parece que já encontrou o dele. Um paninho verde, pequeninho e bem macio, que o filhote esfrega no nariz na hora de dormir. Começou meio por acaso, mas agora, toda noite, eu deixo o paninho à mão no berço e ele o cata e repete o ritual. Nem sempre dorme na hora, mas o paninho fica ali, do ladinho, velando seu sono. O segundo livro é mais acessível para leigos, pois foi escrito com o intuito de explicar às mães um pouco mais sobre o serzinho que carregam na barriga e, depois, no colo. Eu recomendo ambos. Ler sempre engrandece. Tenho certeza que "as boas mães", como Winnicott diz, fazem o melhor na intuição, mas se a gente pode avançar e entender um pouco mais dos nossos processos e dos processos dos filhos por que não, né mesmo?

Meu lindo e o paninho verde: denguinho na hora de dormir


Gutão, glutão: onde essa barriga vai parar?

posted by JULIANA DE MARI 6:42 PM


Quinta-feira, Novembro 04, 2004


De hoje, de ontem e de amanhã


Muito obrigada pela solidariedade. É o que eu já escrevi: o meio é virtual, mas o carinho é real. Já tomei minhas medidas de segurança e vou tomar tantas outras quantas forem necessárias para preservar o meu filhote. E não vou abandonar o blog.
Mas vamos às boas coisas da vida. Hoje tive o prazer de chegar mais cedo em casa. O motivo, nada nobre. É que levei um escorregão na empresa no meio da tarde, cai sentada (e eu sei que vocês sabem onde dói!!), tive que passar no ambulatório e recebi a recomendação médica de ficar em repouso pelo resto do dia. Eram quase 17h quando cheguei. Gutão tava dormindo no berço, todo esparramado. Por causa do calor, tava só de regatinha e fralda. Acordou todo faceiro, brincando com o Leleco e a Juju, seus amigos de móbile. Abriu um sorrisão quando dei meu oi. Comeu sua papinha de frango às 18h e depois só farra no tapete da sala.
Amanhã teremos consulta de sete meses na dra.Ketty. Tou louca pra saber quanto meu filhote cresceu e engordou. Tou achando que ele já bateu a casa dos oito quilos. Tá pesado demais, com um baita queixo duplo e dobrinhas adoráveis nos bracinhos e nas pernocas. E o pé, então? Um pãozinho francês escritinho!! Por causa disso, aliás, não há sapato que baste. Tive que comprar uma sandalinha tamanho 18 esses dias. Fica meio grande, mas, ao menos, não aperta o pãozinho, digo, o pezinho. Fora o esticão do menino, tenho certeza que a pediatra vai ficar satisfeita com as evoluções dele. Já fica sentadinho sem tombar, se arrasta (de costas, principalmente) pra pegar o que deseja, passa as coisas de uma mão pra outra com uma habilidade incrível e destravou de vez a língua. É um tal de cá, dá, má, pá... vocês precisam ouvir pra entender o tamanho da tagarelice. Ah, sabe que ele agora tá fascinado pelo telefone?? Chega a chorar quando afasto o troço das mãos dele. Eita, que essa lua em gêmeos ativa mesmo a comunicação, hein?? :-)
Falando nisso, Gutão tem se mostrado um serzinho cada vez mais sociável (sei que os bebês entram na fase do estranhamento a partir de agora, mas ele ainda não deu a menor mostra de que vai sofrer com isso...). Adora uma rua. Terça passada, feriado, fez sua primeira "viagem". De carro, pra Piracaia, onde mora seu amigo Theo. Uma hora de estrada mais ou menos e ele ali, confortavelmente instalado em sua cadeirinha, na maior soneca. Bastou descer do carro, no entanto, pra despertar. Tanta felicidade, minha gente. Ficou elétrico com tanta novidade. Uma coisa linda de se ver. Espaçoso que é, tomou o cadeirão do amigo como seu, comeu toda a sua papinha de almoço, tomou água de coco oferecida pela Rê e, enquanto enchia a pança, mostrou todos os seus dois dentes pro Emílio!!! O querido Theo nos recebeu muito bem, espantosamente em pé em seu cercadinho!, mas não gostou muito da "intimidade" do amigo, não. Como bem definiu o pai dele, "é que é melhor invadir do que ser invadido"!!!!!! Saímos de lá, eu, Rô e Gutão, com o coração cheio. (E eu com a impressão de que falei mais que a boca!!! Sim, minha gente, descobri, e confirmei, que meu Gutão tem a quem puxar: quando estou feliz, sou absolutamente tagarela!!!) É por essas e outras que o blog continua. Sem ele, Gutão não teria a chance de conhecer Theo -- e eu, pra lá dos 30, não teria a chance de reaprender a cativar e cultivar uma grande amiga. Theo, Rê e Emilio, um beijo e até breve!
posted by JULIANA DE MARI 8:25 PM


Quarta-feira, Novembro 03, 2004


Questão de segurança


Gente, de antemão, um recado: eu não pretendo abandonar o blog, em hipótese alguma. Primeiro porque esse espaço pertence mesmo é ao meu filhote. E dele ninguém há de roubar. Segundo, porque aqui fiz amizades que não se restringem ao virtual, mas acompanhar as histórias na tela do meu computador é sempre um grande prazer. E terceiro, e mais importante, porque sou uma pessoa bastante esclarecida e conheço bem os recursos que posso utilizar (leia-se delegacia especializada em crimes de internet!!!!) para rastrear possíveis "invasores".
Mas deixa eu explicar: é que hoje soube de uma que me deixou bem chateada. Há uma fulana (ou um fulano, sei lá) que anda usando fotos de blogs alheios pra contar a sua "própria" história. Eu já havia lido algo a respeito no blog da Ana Paula, que acabou de ter a Laura, e também no da Flávia, mãe da Luiza. E hoje a Rezinha, mãe do Guilherme e do João Victor, me avisou que entre as fotos que a moça usava havia duas minhas...Ela até me mandou uma montagem onde, de fato, aparece o meu barrigão. Não só o meu. Estão lá outras cinco meninas. Enfim, parece que, descoberta a farsa, ameaças devidamente feitas, o tal blog "falsificado" saiu do ar...De todo modo, vou tomar algumas medidas de segurança daqui pra frente. Isso inclui apagar as fotos antigas. Afinal, quem precisava, não é de hoje que acompanha a nossa história, certo?
Mais tarde volto pra contar as boas novidades. Deus é pai e eu sou mais eu.
posted by JULIANA DE MARI 5:35 PM


Quarta-feira, Outubro 27, 2004


Dias felizes


E já se foi mais de meio ano ao lado do nosso filhote. Sete meses juntos. Gutão, lindão. Meu pequeno grande amor. Cada vez mais difícil descrever em palavras o tamanho dessa alegria. Taí, eu acho que é isso mesmo: filho é sinônimo de coração cheio. É mais. É a chance de ser melhor na vida. E eu agradeço todo dia ao Deus que me permitiu viver pra ser melhor. Amanhã eu escrevo mais. Hoje ficam as imagens. Gutão, lindão.

Nova peripécia: sentadinho, sozinho


Gutão, papai e mamãe: alegria em dose tripla


Gutão e o querido Theo: a amizade tá só começando



posted by JULIANA DE MARI 9:53 PM


Sexta-feira, Outubro 22, 2004


Do apego e do apetite



Alguém aí já ouviu falar na tal "angústia da separação"?? Trata-se da primeira crise do bebê, aquela fase em que o filhote percebe que ele e a mãe são pessoas distintas. O que significa que passa a sentir mais a nossa ausência. Segundo a literatura especializada, a hora de dormir vira o momento mais crítico desse processo. É que o bebê, que já tem consciência da sua própria existência, quer ficar mais com os pais, quer seguir o mesmo ritmo da casa, quer participar de todas as atividades. Daí, já viu: briga com o sono até não aguentar mais...(pra saber mais, acesse o site www.meubebezinho.com.br).
Pois bem, acho que meu Gutão está em pleno processo. Antecipadamente, diga-se. É que isso costuma ocorrer por volta do oitavo mês -- e ele está agora às vésperas de completar o sétimo. Percebi que meu menino tem ficado mais angustiado do que de costume quando é deixado sozinho. Especialmente quando percebe que EU sai do ambiente. Cai a ficha e não tem conversa: ele berra mesmo. Tem chorado mais, aliás. Chora por que não consegue se virar no berço, chora porque eu tirei alguma coisa da mãozinha dele, chora porque quer mais comida!, chora, chora, chora. Isso não quer dizer que virou um chato. Longe disso. Meu Gutão continua um garoto alegre e sociável, mas não sorri mais pra qualquer coisa -- ou qualquer um. Aprendeu a dar um sorrisinho meia-boca, aliás, mui engraçado. Faz um biquinho com a boca fechada, como a gente faz quando sorri sem mostrar os dentes, sabe? Pois bem, é assim. Um charme só.
Fiquei meio assustada quando o processo se manifestou, mas agora já retomei o pé da situação. Gutão tá crescendo, é isso. E essa percepção mais apurada sobre quem ele é (e quem somos nós) é um indício bacana de que o processo está acontecendo de forma saudável. Um pouquinho de angústia, uma certa insegurança, um medinho, fazem parte, não tem jeito. Ciente disso, tenho procurado estar ainda mais atenta às necessidades dele, sejam elas físicas ou emocionais. Redobrei os carinhos, as brincadeiras, as palavras ao pé do ouvido. E Gutão adora "conversar". Já começa a arriscar algumas sílabas. Mã-mã, blá-blá. Acho que não tem idéia ainda do que elas podem significar, mas tem se esmerado pra se comunicar. E se comunica o tempo todo. Mexe a cabeça (balança como quem diz não, não, não!), mexe os braços e as perninhas (como se estivesse fazendo bicicleta; só pára quando entra em sono profundo), mexe os olhinhos, curioso (se vê comida, então, acompanha até a bendita sair do ambiente -- e depois grita, chamando "o prato" de volta!!!). Comida desperta uma curiosidade sem tamanho no meu filhote. É só entrar na cozinha que ele já fica animadinho! Ele GOSTA de comer e tem seguido uma dieta de fazer inveja a muito adulto. Fruta, por exemplo, come de duas a três vezes por dia. Papinha salgada, duas vezes, raspando o prato. E não recusa a mamadinha no peito antes de dormir mesmo quando tá caindo de sono!!! Às vezes, acho que ele tem comido demais...Mas se ele quer, não sou eu quem vai regular, né? Afinal, ele tá em fase de crescimento!!!! :-) E como cresceu nos últimos dias!! Espantoso. Tenho a impressão que já passou dos oito quilos há tempos...
É isso, o apetite do menino -- pelas comidas e pela vida -- é impressionante. Gutão quer pegar em tudo. Deu pra puxar o que estiver ao seu alcance: a toalha da mesa, o frasco de perfume no porta-trecos, a fralda que está à espera de ser trocada, o nariz do pai, o meu cabelo...Ele gosta de tocar e de ser tocado. Gosta de carinho. Fica tranquilo com as massagens improvisadas que faço nas perninhas dele. Adora tomar banho, ser ensaboado (mas DETESTA colocar roupa outra vez!). Curte um cafunezinho enquanto mama, uma graça. Quando tá no peito, sempre procura a minha mão. Agarra forte e não solta mais. É muito intensa essa outra forma de comunicação. Não há palavras, mas a gente fala tanto...

posted by JULIANA DE MARI 3:37 PM


Sexta-feira, Outubro 15, 2004


Jet lag


Acho que nunca vou me acostumar: acordar quando ainda não amanheceu é dureza. Fico com aquela sensação de jet lag, sabe? Cabeça doendo, olhos pesados,corpo mole, mal estar generalizado. Em outras palavras, sono. Muito sono. Gutão tem dormido muito bem, obrigada. Engata lá pelas 7h da noite e não desperta mais durante a madrugada, uma benção. Às vezes, dá uma choramingada, mas é só ir lá e oferecer a chupeta bendita que ele vira pro lado e dorme outra vez. O fato é que ele tem dormido suas oito horas por noite feito um anjinho -- o que resulta num despertar às 4h/5h da matina. Mas eu não tenho dormido minhas oito horas rejuvenescedoras. Vou deitar lá pelas 22h/23h, ou seja, tenho um déficit de duas horas diárias. Ai, como é difícil sair da minha cama!!!!
Vou lá no quarto do meu amadinho me arrastando e dou de cara com o menino todo feliz, olhão esbugalhado, sorriso idem, querendo brincar. Minha tática nos últimos dias tem sido a de tirá-lo do berço sem muito agito, dar uns beijinhos e uns abraços bem apertados, trocar a fralda (invariavelmente cheia de coco!!!) e devolvê-lo à companhia dos bichinhos-amigos. Descobri também que ele adora barulho. E, confesso, parti pro jogo-baixo: penduro um brinquedo beeeeem barulhento acima das mãozinhas dele e corro de volta pra curtir mais um pouquinho da minha cama quentinha!!! Gutão faz a parte dele, e, de bumbum limpinho, fica lá se divertindo sozinho -- mas a brincadeira não dura mais que meia hora. E lá vou eu de novo, no melhor estilo zumbi, catar o menino pra mamar. Só libero o peitão, no entanto, às 6h da matina, e não há choramingo que me convença a fazer isso antes da hora. Ok, eu sigo os desejos dele, mas não abro mão de impor alguns limites e de estabelecer rotina. Assim, fica tudo mais razoável, pra mim e pra ele, acredito.
Aliás, falando em horários, tou testando uma dica do Nana, Nenê que achei interessante. É assim: Gutão tá jantando agora. Sopinha salgada. E é só encher a pança que já fica molinho, querendo dormir. Só que isso acontece às 6h da tarde, minha gente! No way! A recomendação é esticar um pouco o horário de ir pro berço. Meia hora todo dia. Foi o que fiz ontem. Cheguei em casa às 7h. Ele já tinha jantado e tava lá espertinho, brincando na sala. A babá foi embora, fiquei eu como "animadora de auditório". Fiz um monte de palhaçadas, o bichinho riu de gritar! e só deu sinais de cansaço uma hora depois. Às 8h da noite, portanto, dei a última mamada e, ainda no peito, ele dormiu. Tão lindo isso...Não o acordei pra mamar depois. Ele dormiu direto, o sono dos justos, e só me "chamou" hoje às 5h. Perfeito (embora eu preferisse levantar quando o sol nos chamasse). Vou usar da dica hoje outra vez e depois e depois e depois...Berço só quando o Jornal Nacional começar! Se o reloginho do meu pequeno voltar a despertar às 7h da matina, vou me sentir a mãe mais feliz do mundo. Quem diria, felicidade às 7h da matina...
posted by JULIANA DE MARI 11:40 AM


Terça-feira, Outubro 12, 2004


Viva as crianças!



O nariz continua entupidinho, mas meu Gutão anda mais disposto que nunca! O feriado prolongado fez muito bem ao pequenino. Domingo, almoçamos num museu. Sim, no delicioso restaurante do Museu da Casa Brasileira. Um óasis verde em plena avenida Faria Lima (um dos corredores mais movimentados da capital paulista). Gutão simplesmente a-do-rou o lugar. Ficou rindo à toa pras árvores, pros garçons (acho que ele queria convencer algum a servir um golinho de vinho pra ele!) e até pra Carla Camuratti. Ela mesma, a atriz. Tava lá, com o marido e filho Antonio, um lindinho de quase dois anos. Quando passou pela nossa mesa, correndo atrás do seu filhote pra oferecer uma comidinha, parou. Não resistiu aos encantos do Gutão, tsc, tsc. Fez gracinha pro moço, perguntou o nome dele, recebeu muito charme de volta e saiu dizendo que o Augusto tem uma carinha linda de menininho...
Hoje, terça, dia das crianças, o primeiro do nosso amadinho, a farra começou cedo. Na cama. A nossa, claro. Depois de trocar a fralda do pequeno, quase sete da manhã, o pai o levou pra descobrir, junto com a gente, o seu primeiro presente. Gutão vidrou no pacotão, feito com papel amarelo, cheio de figurinhas coloridas. Mexeu, mexeu, mexeu. E, quando o presente finalmente foi revelado, uma bola colorida bem macia, um mordedor em formato de pé e um sapinho de colocar na banheira, deu-se a cena: Gutão preferiu a barulheira do papel amassado!!!! Criança tem dessas coisas!!!
A alegria seguiu terça afora. Almoçamos ao ar livre. Fizemos um super piquenique no parque, na companhia da dinda Dani e do Miguel. Gutão tomou sopinha e comeu banana de sobremesa. Raspou tudo e ainda quis morder o prato!!!! Falou um monte, deu altas risadas. De pernocas de fora, os dois amigos se esbaldaram esparramados nas cangas. Parecia até que estávamos na praia tamanho o calor. Mormaço, na verdade. Eu, desavisada, torrei as costas. Gutão, ainda bem, ficou bem protegido do sol, curtindo uma sombrinha gostosa. Mas ficou o alerta: daqui pra frente, qualquer que seja o tempo ou o programa, se for ao ar livre, protetor solar nele (ele usa o Helioblock fator 60). Não dá pra bobear com nosso branco-de-neve, né? Depois de tantas emoções, banho e berço. A excitação era tanta que o pequeno demorou um bocadinho até se render ao sono. Tá lá, agora, pezinhos de fora, mãozinhas fazendo prece, ressonando tranquilo. Um anjinho. Daqui a pouco, vou acordar meu menino pro último mamá do dia. No peito, dando e recebendo carinho.
(Hoje também é dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Eu peço a ela, com toda a minha fé, que abençoe as criancinhas desse nosso país, especialmente aquelas para as quais o dia de hoje foi um dia como outro qualquer...Peço também que a mãe maior siga dando o principal pro meu filhote: muita saúde).

posted by JULIANA DE MARI 8:57 PM


Segunda-feira, Outubro 11, 2004


Tirando dúvidas


Mais uma vez, obrigada pelos recados carinhosos que vocês têm deixado por aqui. Gutão vai gostar de saber que teve uma platéia tão calorosa "assistindo" suas primeiras aventuras! Bom, deixa eu responder às dúvidas que surgiram nos últimos comentários. Seguinte: Lu Brasil, queridíssima mãe do Enzo, tapotagem é o nome que eles dão pruma sacanagenzinha com o bebê. Depois de ter feito a inalação, ele é colocado em cima dos joelhos da mãe, de bruços, com a bundinha mais elevada que o peito. Tá lá, todo feliz, olhando pra baixo, certo? Pois bem, a posição é perfeita pruns tapinhas, com as mãos em concha, nas costas dele. Mas tem que ser "conchada" pra valer, durante uns cinco minutos. Não é pra fazer carinho. Parece crueldade, Gutão reclama pra burro, mas a técnica ajuda a soltar o catarro do peito do nenê. Ele pode expelir pelo nariz, pela boca ou simplesmente engolir a secreção. No problem -- é nojento, mas o corpo está preparado pra lidar com isso.
Mic, o Augusto não usou mamadeira, nem nos primeiros dias. Ele já foi direto do peito pro copinho. No início, nós usávamos um copo pequenininho, da Promillus, e regulávamos o tanto que ele engolia a cada gole. Ele só chorou na primeira vez. Daí por diante, aprendeu a engolir sem sugar e a reclamar pra pedir mais! A babá percebeu que ele ficava agoniado de tomar o leitinho aos poucos e passou a dar num copo maior, de plástico, de um jogo que nós, adultos, usamos no dia-a-dia de casa. Ele adorou a novidade, claro. Tomava praticamente 200ml de Nan de um gole só! Foi aí que percebi que era hora de introduzir um copinho apropriado pra bebês, esse que aparece na foto do post anterior. Ele tem um bico quadrado, com furinhos, e o nenê precisa sugar um pouco pra beber. Gutão gostou mais ainda: como o copo tem alças, ele mete as mãos ali e vai regulando, sozinho, o tanto que quer beber a cada gole. O máximo! Comprei também um copo treinamento com válvula, desses que não deixam vazar, que exige sugadas vigorosas pra liberar o líquido. Já tentei oferecer, mas o Augusto não gostou muito. Acho que vai ser mais agradável fazer isso quando ele ficar um pouco maior, sei lá. Ou, de repente, ele nem vai passar por esse tal treinamento. Do jeito que vai, daqui a pouco ele tá enchendo o copo sozinho!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:31 AM


Sexta-feira, Outubro 08, 2004


Das delícias do feriadão


Tempo doido -- calorão num dia, friaca no outro -- dá nisso: nariz entupido e muito espirro. Começou assim nosso feriadão. Estamos, os três, gripados. Ainda bem que sexta, ontem, foi dia de consulta mensal na dra.Ketty. Fora o incômodo do nariz funga-funga, Gutão tá ótimo. Fez a maior bagunça na mesa da médica, distribuiu sorrisos e vidrou nos bonecos barulhentos que ela deixa à mão no consultório. Ainda vai ter que encarar a chatice da inalação + tapotagem, limpar o narizinho com rinosoro e cuidar pra não tomar vento nem passar frio por mais alguns dias. Pesou 7.545kg, engorda de 600 gramas, e mediu 65,5cm, três centímetros a mais que no mês passado. Tá enorme esse menino! Já cresceu praticamente 20 centímetros em seis meses, sabe lá o que é isso? Diz a médica que a média é crescer uns 15...Gutão chegou pequenininho, mas tem nos mostrado que tamanho não é documento mesmo!!!
Agora ele tá ali, de camiseta e pernocas de fora, musiquinha do Palavra Cantada ao fundo, dormindo no berço. Voltamos hà pouco do almoço. Eu e o Rô não resistimos e encaramos uma bela feijoada. O pequeno tomou sopinha de carne, cenoura, mandioquinha e agrião confortavelmente instalado no bebê-conforto, dando uma pausa entre uma e outra colherada pra observar o ambiente -- e fazer charme pras pessoas. Se comportou tão bem que teve direito até à sobremesa: papinha Nestlé, mistura de maçã e banana. Foi a primeira vez que ofereci e ele adorou. Pois bem: vai ser assim daqui pra frente. Leitinho da mamãe às 7h, Nan2 (ueba, abandonamos o Nan AR!) no meio da manhã, sopinha e suco mais sobremesa no almoço, Nan2 de novo no meio da tarde e...jantar!!!!! Sopinha e suquinho pra acompanhar. Daí, antes de dormir (ele geralmente capota às 19h, mas eu o tenho acordado pra trocar a fralda e dar a última mamada), lá pelas 21h/22h, leitinho da mamãe outra vez. Tá, era mais fácil quando era só o peito: botava pra fora, encaixava o menino e pronto, a fome ia embora. Agora tem a função sopinha, tem que levar os apetrechos pratinho-colherinha-copinho pra cima e pra baixo, mas eu realmente tou curtindo essa fase. Não consigo achar chata a "obrigação" de alimentar o meu menino...É que tou achando o máximo o modo interessado, pra dizer o mínimo, com que meu Gutão tem reagido a essas novidades no "menu". Ele só diz sim aos novos sabores (ah, não, ele fez careta pro suco de goiaba!). Já que o assunto é comida, só posso dizer que é uma delícia me aventurar como mãe ao lado de um bebê tão gostoso quanto esse!!!


posted by JULIANA DE MARI 11:43 AM


Sábado, Outubro 02, 2004


Notícias do sabadão


Onze da manhã. Chegamos em casa há pouco, eu e Gutão. Ele tá ali, tirando uma soneca na cadeirinha. Eu resolvi dar notícias antes que a preguiça me consuma. Tou muito cansada. Se eu pudesse, passaria o dia na cama...Acordamos cedo hoje. Dia chato, de vacina. Gutão tava alegrinho, mas chorou um choro sentido depois das picadinhas. Foram duas: última dose da meningite e última da hexa. Mês que vem tem mais e depois só aos nove e aos 12, viva! O Rô nos levou à clínica e de lá seguiu pra praia. Foi surfar. O tempo tá feio, céu cinza, meio abafado, mas o que importa é que vai ter onda. Ele precisa estar no mar pra reabastecer as energias. Eu bem precisava dar uma peruada, daquelas que começam no salão do cabelereiro, passam pelo shopping e terminam com um bom papo numa cafeteria simpática de rua. Ai, ai.
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Ah, ia esquecendo de comentar: Gutão fez mais uma estréia. Tomou banho de chuveirinho ontem à noite. Foi assim: ele havia feito um cocozão, daqueles que povoam a fralda inteira e que sujam camiseta, calça, trocador, sabe? Pois bem. Tava ali, todo sujo e fedorento e eu pensei: "não vai ser um algodãozinho com água morna que vai limpar essa sujeirada". Não tive dúvidas. Levei ele pra baixo do chuveiro. Ficou de pé, o danadinho, em cima do tapete anti-derrapante, curiosíssimo com aquele troço que esguichava água na sua mãozinha. Eu tive que fazer malabarismos pra dar conta de me abaixar, segurar e ensaboar o pequeno. Na hora de sair, mais desafios: abracei meu Gutão bem forte (fiquei toda molhada, obviamente), joguei a toalha nas costas dele e vim correndo pro quarto, trocar o menino no lugar devido. Nem preciso dizer que ele adorou a farra, né? Morreu de dar risada e ainda dormiu limpinho e cheirosinho.


posted by JULIANA DE MARI 11:18 AM


Quarta-feira, Setembro 29, 2004


É primavera


A primavera chegou -- e meu filhote está florescendo. Quando o menino sorri, eu vejo flores: ali estão os dois dentinhos. Consegui até registrar em foto. Danadinho, Gutão agora chama o sono sozinho (ouvindo as Quatro Estações de Vivaldi, adora!), passeia pelo berço, troca as coisas de uma mão pra outra, se estica todo e pega o que deseja, fica de bruços e levanta a bunda, e fala. E como fala. Deu pra balbuciar umas sílabas. Parece um bláblá. Põe a língua entre os dentes, digo, as gengivas, e se diverte, sozinho, com o resultado. Quando faz essa manobra quase não faz som, na verdade. Mas ele tenta, persistentemente, imitar o que eu repito. E eu tenho repetido palavras, sílabas, sons. Dizem que é legal estimular o bebê desse jeito.
Meio ano de vida, 180 dias do Gutão fora do barrigão. Uma emoção que quase não dá pra descrever. Eu tento, me esmero pra deixar registro do meu amor, do meu orgulho. Queria escrever num diário, como se fazia antigamente, mas descobri que é mais prático usar o computador. É meu instrumento de trabalho, afinal. Volta e meia, quando tenho saudade do pequeno, entro no blog e leio e releio nossas aventuras. Ou escrevo umas palavrinhas pra aliviar o aperto no peito. Me divirto, me emociono. Quando conto das nossas coisas aqui, entro num flash-back gostoso. Mas eu queria mesmo é estar lá o tempo todo...É preciso muita maturidade pra não ceder à sede do contato e largar todo o resto pra ficar só com ele. É físico, o negócio. Sinto falta do cheirinho, da mãozinha, do sorriso dele. A hora do almoço virou a hora de me alimentar desse amor. Comemos, eu e ele, juntos. Ele no cadeirão, tomando sopinha. Eu, ao lado, na saladinha. Persisto -- até o final do ano, quem sabe, consigo perder aqueles quilinhos que, contra a minha vontade, insistem em habitar meu corpo.
Sim, esses últimos seis meses trouxeram muitas mudanças. E como foram intensos!! Sinto que estamos --eu, Rô e filhote-- muito conectados. A casa acorda inundada de sorrisos (e olha que o Augusto deu pra acordar às 6h da matina ultimamente!!). É lindo. A gente tem sorte, eu acho. Parece que meu Gutão realmente queria nascer. E acho que gostou de ter chegado sob nossa responsabilidade. É como eu disse outro dia na terapia: Gutão é muito querido. Tem duplo sentido essa constatação. Ele é um garoto querido, leia-se simpático, alegre, sorridente, curioso. E é querido, muito querido, aliás, porque foi -- e é -- muito desejado. Eu gosto de saber que ele existe. Que vai estar lá na minha volta pra casa. Que vai terminar (e começar) o dia no meu colo. Saciado. No peito. E que vai me dizer, de um jeitinho muito especial, falando pelos olhos, que eu também sou muito querida. Feliz seis meses, meu Gutão.

posted by JULIANA DE MARI 10:01 PM


Sábado, Setembro 25, 2004


Quase lá


Faltam dois dias para os seis meses do Gutão. Pois é, passou rápido demais. Nosso menino tá gordinho, grande, esperto. Lindo. Tão pequeno, fazendo coisas que até a vó duvida. Sexta-feira, me liga ela no trabalho, a vó Ju, toda entusiasmada, pra dizer que, há poucos instantes, o pequeno havia demonstrado sua nova faceirice: aprendeu a segurar o copo sozinho -- e não quis saber de ajuda na hora de se deliciar com o leitinho. Agora, é ele quem está no comando, definitivamente. E não é só em território conhecido que o guri demonstra sua independência. Hoje, despedida da "voinha" (voou pra Recife com o coração apertadinho), fomos almoçar num restaurante italiano. Gutão ficou ali, na sua cadeirinha, tranquilinho, mapeando tudo. Se encantou com um gurizinho mais velho, de uns cinco anos, que fazia estripulias na escada. Riu, gritou, fez careta e não perdeu nem uma cena da exibição do outro. Como bem definiu o dono do lugar, na hora em que nos deu um alô na mesa, "os olhos do Augusto grudam na gente". Não passa nada à observação do menino, minha gente! Muito menos a sobremesa. Vejam aí a cara que nosso amadinho fez à frente da escolhida pelo pai (não era pra menos: rocambole de abóbora, com calda quente do mesmo ingrediente, e sorvete caseiro de limão -- delíciaaaaaaaaaa!). Ah, diante do apetite do menino, não teve jeito, a não ser oferecer a frutinha da tarde ali mesmo. Papai no vinho, Gutão no mamão!!!!

posted by JULIANA DE MARI 8:13 PM


Quinta-feira, Setembro 23, 2004


Mãe tem cada uma...


Volta e meia, alguém aqui no trabalho quer saber: "E o menino, como está?". Só hoje me dei conta de que, invariavelmente, eu não respondo o que a pessoa perguntou. Diante do interesse, eu largo a resposta padrão de mãe-babona: "Ah, ele tá lindo!!". E fica a pessoa, ali, sem saber como o Augusto de fato está! Dei risada sozinha há pouco quando me flagrei entabulando esse diálogo com uma colega interessada nos progressos do menino. Ainda bem que ela também é mãe -- certamente entende essa corujice declarada. Agora, vejam bem as fotos aí de baixo (sorry, tirei as fotos do ar por medida de segurança...), Gutão prestes a completar seis meses de vida (já???), e me digam se eu tenho como dizer alguma outra coisa, além de que meu filhote é lindo, fofo, cheiroso e gostosão, quando me perguntam dele!!!!

posted by JULIANA DE MARI 4:31 PM


Segunda-feira, Setembro 20, 2004


Atualizações


Não é um só: são dois dentinhos à vista!!!! E dá-lhe enfiar as coisas na boca. Gutão não pode ver um alvo em potencial pra suas mordidinhas que fica todo ouriçado. É fralda, é dedo da mamãe, é nariz do papai, é colherinha, é frasco de perfume...Se der pra segurar, o menino abocanha. Falando nisso, tenho ficado cada vez mais surpresa --e animada-- com o apetite do filhote. Gutão tá devorando as sopinhas, literalmente. Não sobra nada no prato. (Quer dizer, a de beterraba, embora mui bonita de se ver, não caiu totalmente nas graças do pequeno. O truque, da próxima vez, vai ser introduzir carne na mistura). Fruta, então, ele come de um fôlego só. Sábado, experimentei oferecer a "sobremesa", pela primeira vez, fora de casa. Levei meio mamão amassadinho. Deu 15h30, hora sagrada da frutinha, e o menino começou a reclamar. Sentadinho no meu colo, dois babadores no pescoço!, mandou ver. Virou a sensação do restaurante! Entre uma colherada e outra, distribuía sorrisos pra platéia -- uma coisa!
Pois é, a cada dia Gutão se mostra mais curioso e mais esperto. Sexta passada, segurou, sozinho, o copo de suco. Enfiou as mãozinhas nas alças e, pasme, conseguiu levar o copo à boca sem derramar!!!!!! A vó Ju, testemunha do feito, quase explodiu de tanto orgulho. Ficou o fim de semana inteirinho que nem papagaio, falando e falando da proeza do netinho!!
Cresce Gutão, cresce minha paixão. Como é bom voltar pra casa e encontrar aqueles olhinhos brilhantes!! Falando nisso, tou travando algumas batalhas com ela, a culpa, companheira de todas as mães batalhadoras que conheço. Se eu pudesse, dividia meu dia em dois períodos bem definidos: a manhã pra ficar com meu Gutão, à tarde pra tocar a carreira e coisas afins. É que, agora que meu menino não mama mais no almoço, minha agenda ficou mais flexível. De todo modo, tenho ido almoçar em casa pelo menos três vezes por semana. Nos outros dias, me permito uma brecha pra cuidar de mim. (Aliás, retomei a terapia e a drenagem linfática com tudo. Tou cuidando do corpo sem esquecer da mente!) Hoje fui dar uma volta no shopping com duas amigas, tipo do programa necessário pra abastecer meus outros papéis na vida, além do de mãe do Gutão! Saí de lá com as mãos vazias (!!), mas certa de que cuidar de mim faz um bem danado pra relação com meu filho. A culpa, ah, ela gruda na cabeça e, volta e meia, aparece em pensamentos do tipo "eu podia estar com meu Gutão agora...". Quando ela vem, eu não brigo muito, não. Entendo que ela faz parte e que, na verdade, simboliza uma outra coisa, que merece muito mais atenção. É saudade, minha gente. Saudadinha boa, do cheirinho do meu nenê, do sorriso sapeca, daquela mãozinha gordinha fazendo carinho no meu rosto. Tem coisa melhor nessa vida? Duvido.
posted by JULIANA DE MARI 10:15 AM


Terça-feira, Setembro 14, 2004


Ninguém segura o meu nenê


Dentinho à vista, viva! Descobri hoje pela manhã, por acaso, quando Gutão agarrou meu dedo indicador e enfiou na boca. Mordeu, o danadinho, e, aí, senti a serrinha. Não sei quanto tempo demora o processo, mas tou achando o máximo saber que o sorriso banguela do meu Pirata vai ser pontuado por um dentinho novinho em folha. Gutão tá bem. Não teve febre e ainda não demonstrou irritação. Tem babado bastante e também enfiado mais as mãozinhas --e tudo o mais que está ao seu alcance-- na boca. Descobriu novos sons agora. Até chorando faz uma espécie de "grrr", engraçadíssimo. Também aprendeu a se jogar pra trás. Faz assim especialmente quando tá mamando ou arrotando, toda vez que algo ou alguém chama sua atenção. Põe força nos pés e pumba, fica de cabeça pra baixo. Deve ser divertido ver o mundo sob essa perspectiva porque ele morre de dar risada.
O pequeno já provou três sabores diferentes de papinha salgada. E não fez cara feia pra nenhum. Hoje, introduzimos carne vermelha no cardápio. Tenho a impressão que essa foi a mistura que ele mais gostou até agora: sopinha de mandioquinha, cenoura e carne. Continuamos firmes, eu e ele, na amamentação pela manhã e à noite. A produção de leite diminuiu, é fato, mas acredito que vai dar pra manter essa rotina até quando o filhote quiser. Vontade, eu tenho. E isso parece que faz toda a diferença na manutenção do leite. Tá certo, é físico o processo: quanto mais o bebê suga, mais leite é produzido. Mas eu sei bem o quanto o psicológico influi nessa história.
Abaixo, fotinhas recentes do mocinho. Divirtam-se. (sorry, as fotos saíram do ar por medida de segurança...)

posted by JULIANA DE MARI 6:27 PM


Segunda-feira, Setembro 13, 2004


Comidinhas


Tivemos consulta na pediatra sexta passada. Só boas notícias. Gutão cresceu dois centímetros e engordou 800 gramas. Tá com quase 7 quilos e 62,5cm. Um gigante perto daquele menininho miudinho que conhecemos cinco meses atrás. Mas a melhor das novidades é que o filhote foi liberado de almoçar no peito. Mamar comigo agora só duas vezes: quando acorda e quando vai dormir (os melhores momentos do dia, na minha opinião!). O cardápio do mocinho, como esperávamos, passou a incluir papinhas salgadas no meio do dia. Gutão provou a primeira no sábado, feita com batata, cenoura e frango e temperada com o amor da vovó Ju. Comeu um pratão, sem cara feia nem reclamação. Aliás, teve reclamação, sim. Muita. Toda vez que a colherinha se afastava da boca dele!! Gente, é sério: o menino é uma draga. Como diria o Mario, leitor fiel do blog e amigo do vô Zeca, salve Gutão, glutão! Hoje, ele provou mais uma: caldinho de mandioca, batata, beterraba, frango e um toque de agrião. Papinha cor-de-rosa, linda de se ver. Traçou tudo. Inclusive a sobremesa: melancia. Fiquei até com medo dele passar mal!!!!!!!!! O cardápio do Pirata agora inclui suco, fruta, Nan (2 vezes), papinha salgada e peito. A julgar pela gulodice do menino, acho que, muito em breve, ele vai começar a jantar algo mais substancioso também. Coisa pro sexto mês, que já tá aí, à espreita. Dá pra acreditar?

posted by JULIANA DE MARI 2:53 PM


Quinta-feira, Setembro 09, 2004


Baba, baby, baba


Mil perdões pela ausência. É que o feriadão foi corrido por aqui. Casa cheia -- de amor, de alegria, de novidades. Mas o batizado - e a visita dos avós - merecem um post à parte. Por enquanto, fiquem com algumas fotos dos últimos acontecimentos e confiram o quanto meu Gutão curtiu ser o centro das atenções! (sorry, as fotos saíram do ar por medida de segurança...)

posted by JULIANA DE MARI 10:23 PM


Terça-feira, Agosto 31, 2004


Resumão



Tenho vontade de registrar mil e umas, mas o tempo não tem me permitido escrever aqui tanto quanto eu gostaria. Hoje, portanto, vou fazer diferente, vários comentários em um só.
- Gutão precisa de roupa urgentemente. Quando me diziam que criança perde rápido, eu não imaginava que era de uma semana pra outra! É isso que tem acontecido com o guarda-roupa (abarrotado) do menino. Macacão com pé ficou no passado. Tudo cresceu; o pé, especialmente. Ele ainda usa algumas, poucas, peças tamanho P (calças sem pé). A maioria, no entanto, aperta o barrigão. Estamos, pois, à volta com peças M. E eu descobri que reina o samba-do-crioulo doido quando o assunto é numeração de roupas para bebês. Outro dia, comprei uma calça que dizia "de seis a oito meses" na etiqueta. Cheguei em casa e nova descoberta: se tivesse deixado pra provar dois dias depois (naquela ocasião nem cinco meses ele tinha), o investimento teria sido inútil. Tive que comprar algumas camisetas também, pois o calorão deu as caras e eu percebi que Gutão tá todo equipado pro frio, mas esquecemos de prepará-lo pra exibir suas dobrinhas ao sol. E lá vamos nós fazer excursão à ponta-de-estoque da Green em breve, oba!!
- Gutão já fica de bruços sem reclamar. Faz uma baita força pra manter a cabeça ereta, mas, com ajuda, arrisca até umas engatinhadas em busca do seu macaco Caco. Sim, ainda é preciso motivar o menino a experimentar as novas posições. Ele gosta mesmo é de ficar com a barriga pra cima, virando de um lado pro outro. Vira tão rápido que, se bobear, já tá no chão. Atenção redobrada, pois. Ah, também descobri que o mocinho praticamente já senta sem apoio. Foi domingo, no berço. Ele ficou ali, uns dez segundinhos, olhos nos olhos com seu boneco Leleco. Gritei pro Rô pra ele presenciar a cena, mas o tempo que ele levou pra chegar ao quarto foi o suficiente pro menino cansar e cair pra frente. Tadinho!
- Com Gutão não tem tempo ruim. E olha que a vida social dele anda agitada. Basta o desconhecido fazer uma gracinha pro menino abrir o sorriso e estabelecer contato (claro que,antes, ele lança um olhar fulminante, avaliando bem o(a) fulano(a) em questão...). Tem rolado interação mesmo quando o desconhecido não é humano. Dia desses, Gutão conheceu um gato de verdade, o L'occhio, que vive na casa do seu amigo Antonio. Também visitou um cachorro. Um, não, dois: a Glória e o Geraldo, um casal de buldogues muito figuras. Bom, não houve um contato assim próximo, pois o menino tava com sono e os bichos, doidos pra fazer bagunça. Teve um momento engraçado, no entanto: Gutão dormindo na cadeirinha, tranquilão, e Geraldo solta um "au" daqueles. O menino arregala os olhos de susto, dá uma espiada no ambiente e...volta a dormir, para alegria geral do pai, da mãe e dos donos da casa!!!!
- Gutão quer comida. Comida, comida, de verdade. O cardápio suquinho, frutinha, NAN e leitinho da mamãe parece que não está dando conta de saciar o menino. E olha que ele tem mamado super bem nas três vezes em que ofereço o peito durante o dia. Eu percebi que quando a gente senta à mesa pra comer e ele tá junto não desgruda os olhinhos do nosso prato. Fica boquiaberto, literalmente, com o ir-e-vir dos talheres. Alguém me disse, aliás, que essa curiosidade é o primeiro sinal de que o nenê está pronto pra ampliar o cardápio. Bom, Gutão tem tomado suco de laranja-lima, acerola ou maracujá diariamente. Fez cara feia pra esses dois últimos, já que não são tão docinhos (seguindo orientação da pediatra, a gente usa o Dextrosol pra dar uma adoçada), mas não rejeitou. Também come um pedaço de uma banana, de uma pêra ou de um mamão todo santo dia. E a novidade é que não se suja mais, pasme. Quando vê a colherinha chegando, abre o maior bocão! Vou dar uma ligadinha pra dra.Ketty pra saber se já é hora de oferecer uma sopinha ou um mingauzinho à noite, antes do último mamá. Enquanto isso, fiquem com as caras e bocas dele na hora de "devorar" bananas!!!
posted by JULIANA DE MARI 4:45 PM


Segunda-feira, Agosto 30, 2004


De onde viemos



Faltam seis dias pro grande encontro: Gutão, finalmente, vai vivenciar a experiência de ter os quatro avós por perto. Vovó Lilica e vovô Zeca, vindos de Porto Alegre, e vovó Ju e vovô Albertino, de Recife, chegam sábado pela manhã a Sampa, um dia antes do batizado do pequeno. Coincidentemente, aterrissam praticamente no mesmo horário e no mesmo aeroporto. Ou seja, vão chegar em excursão lá em casa!!! Gutão, centro das atenções que é, vai passear de colo em colo. Ah, e, finalmente, vai tomar banho com o vô Albertino!!
Tou feliz, feliz pelo meu filhote. Coisa bem boa ser nutrido com esse amor. Fica aqui minha homenagem a quem começou com toda essa história, pois.

"Netos são como herança.
Você ganha sem merecer.
Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu...
É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade.
E não se trata de um filho apenas suposto.
O neto é, realmente, o sangue do seu sangue, filho do filho, mais filho que filho mesmo...

Cinqüenta anos, cinqüenta e cinco...
Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que se esperava.
Não lhe incomoda envelhecer, é claro.
A velhice tem suas alegrias, as suas compensações: todos dizem isso, embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto, mas acredita.
Todavia, também, obscuramente,também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores com suas paixões: a doçura da meia idade não lhe exige essa efervescência.
A saudade é de alguma coisa que você tinha e que lhe fugiu, sutilmente, junto com a mocidade.
Bracinhos de criança.
O tumulto da presença infantil ao seu redor.
Meu Deus, para onde foram as suas crianças?
Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que tem sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo
algum as suas crianças perdidas.

São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe coloca nos braços um bebê.
Completamente grátis.
Nisso é que está a maravilha.

Sem dores, sem choro, aquela criancinha da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida.
Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um filho seu que lhe é devolvido.
E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância.
Ao contrário, lhe causaria espanto, decepção se você não o acolhesse com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava desdenhado no seu coração.
Sim, tenho a certeza de que a vida nos dos dá netos para nos compensar de todas as perdas trazidas pela velhice.
São amores novos, profundos e felizes, que vem ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.
E, quando você vai embalar o menino ele, tonto de sono abre o olho e diz : "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão no forno !"
(Raquel de Queiroz)
posted by JULIANA DE MARI 12:36 PM


Sexta-feira, Agosto 27, 2004


Um dia especial



"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo,
mas com tamanha intensidade, que se petrifica,
e nenhuma força jamais o resgata."
(Carlos Drummond de Andrade)


Deve ser isso o que chamam de felicidade: sentimento que faz a gente sorrir pelos olhos. Eu tou me sentindo assim, toda sorrisos. O povo diz, aliás, que ando com a "cara boa". Definitivamente, muita coisa mudou desde aquele 27 em que o meu amadinho saiu do barrigão. Mudaram coisas prosaicas. Nunca pensei que acordar cedo ia me fazer tão bem, por exemplo. Mudaram coisas profundas. Embora sempre tenha desejado, nunca pensei que ia desempenhar com tanta serenidade o papel de mãe. Tou feliz, realizada, me sentindo amada, amando. Ou seja, tou exatamente do jeitinho que pedi a Deus!
E parece que Deus tem ouvido minhas preces com carinho. Gutão chegou com data marcada, cinco meses atrás, um pouquinho antes da hora, é verdade. Chegou mais magrelo, mas muito mais forte, que o esperado. Chegou pra botar freio na sangria desatada que era o nosso dia-a-dia: tudo pra ontem, tudo correndo, tudo-muito-a-toda-hora. Taí, tou construindo uma relação diferente com o tempo. Fazer escolhas implica nisso: liberar espaço pro que realmente importa. Eu escolhi ter um filho agora. Tava lendo sobre isso, aliás, na Vida Simples deste mês (matéria de capa, muito bem editada pelo talentoso Vergara): que muita gente reclama que não tem nem cinco minutos livres na agenda -- mas que, quando eles aparecem, tratam de arrumar um compromisso pra preencher o buraco. Sabe que eu tenho feito exatamente o contrário? Quero mais e mais buracos na agenda. Se eles não existem, dou um jeito de inventar. Graças a isso, tou aprendendo a ser mais flexível, mais produtiva, mais firme. Quero tempo pra cuidar de mim e dos meus -- e faço questão de um tempo sadio.
Não fico contando o tempo no relógio, não. Não é disso que se trata. Tou falando de intensidade. O tempo que passo com meu Gutão na hora do almoço, aqueles instantes em que, enquanto ele mama, eu tiro uma soneca, abrem uma janela de renovação enorme no meu dia. Quando estou com ele, estou só ali. Não penso no trabalho que ficou pela metade, nem na reunião que me espera depois. Volto pro trabalho conectada com meus valores, ligada às razões que me fazem seguir em frente. E o relógio anda depressa quando a gente tem motivos pra voltar pra casa, acreditem. Quando vejo, já é hora de flagrar o sorrisão banguela do meu Gutão outra vez, antes de Morfeu fazer cosquinhas nos olhinhos dele.
Tou me sentindo inteira nessa história. Não sou perfeita (e cada vez mais aceito essa condição) -- e certamente alguma coisa vai me escapar (e me escapa) nessa vida de mulher emancipada! Mas eu também não quero mais controlar as coisas (não, não é assim tão fácil desencanar, mas eu tou tentando...). Quero continuar fazendo escolhas e sentindo que uma coisa puxa a outra, pro bem ou pro mal. Aí entra a terapia, eu comigo mesma, minha higiene mental, espaço pra cutucar minha sombra e descobrir o que realmente vale a pena. Eu quero muitos papéis, mas luto por uma atuação coerente.
Tou me sentindo leve. E devo isso, em grande parte, a um menininho que, além de dormir a noite inteira, adorar uma farra e não ter frescura pra comer, é lindo, simpático, alegre e muito esperto -- e veio com um extra de determinação (vocês bem lembram de como foi difícil engatar a amamentação...) e de tranquilidade (eu vou e volto e meu Gutão tá lá, sereno, sorrindo pelos olhos). Que ninguém duvide desse Pirata. Ele chegou pra navegar ondas gigantes. E transformar nossa vida pra muito melhor.
Feliz cinco meses, meu amor!
posted by JULIANA DE MARI 7:16 PM


Quinta-feira, Agosto 26, 2004


A primeira namorada


Lara nasceu. Como sogra empolgada que certamente serei, já elegi a mocinha como a primeira candidata ao posto de namorada do Gutão (com o consentimento da mãe dela, minha querida Rachel, obviamente!). Dizem que é linda, cabelula e rosadinha. Eu acredito. Nasceu de parto normal, com 2,9kg e 49cm. Parabéns, Rachel!!! Muita saúde pra pequena. Gutão vai ficar aqui, contando os dias pra conhecer a queridinha pessoalmente.
posted by JULIANA DE MARI 7:09 PM


Segunda-feira, Agosto 23, 2004


Agenda lotada


O final de semana foi corrido pro nosso Pirata. Muitos eventos. Sabadão de sol e céu azul, primeiro compromisso: o parque. Gutão estreou novos modelitos. Macacão curto, pezinhos de fora e bonezinho -- adorou! Estreou também nos cuidados com a pele. Copo de leite que é, saiu de casa com bloqueador solar, fator 60. Primeiro, tirou uma soneca no bebê-conforto. Depois, ficou lá, largadão na canga, concentrado na operação tira-e-bota (dedo ou chupeta ou qualquer outra coisa que esteja ao alcance da sua mãozinha!). Mamou tranquilão ao ar livre, deu boas gargalhadas e ainda teve pique pra nos fazer companhia na hora da almoço. Simpático do jeito que é, virou o centro das atenções na padaria, claro.
O segundo compromisso do menino foi em casa mesmo: visita de três tias gaúchas, amigas de infância do pai. Shá, Jan e Fê babaram no Rodrigo miniatura! Ele passeou de colo em colo, muito faceiro, e não fez beicinho nem quando o sono bateu. Só ficou meio espantado na recepção: as três paradas na porta, dando gritinhos felizes, e ele com aquela cara de "o que é que essas malucas estão fazendo aqui?"!!!!
Domingo, temperatura mais amena, veio o terceiro compromisso: visita ao pequeno Antonio, filho da Fabi e do Rui. Um lindinho, que, aos dois meses, já 'fala' pra caramba! Embora o ritmo dos meninos não estivesse muito ajustado (Gutão dormia, Antonio acordava; Gutão chorava, Antonio mamava), nosso Pirata gostou da companhia. Tanto que catou a mãozinha do pequenino na hora das fotos. Cena linda de se ver.
Lindo também foi ver o pequeno no colo das tias-avós. Foi no quarto compromisso do final de semana, aniversário do Lucas, filho do meu primo Artur. Chato foi a gafe que eu cometi. Levei presente pro menino errado. Comprei roupinha pro irmão mais novo, o Tiago! Quase tive um treco quando adentrei o buffet e dei de cara com um cartaz com o nome do outro!!!! Gutão nem se deu conta da confusão. Conheceu tios, primos, filhos dos primos e agregados com um baita bom humor.
O quinto, e último, compromisso do domingo foi à tardinha -- com o mamão. Sim, o menino incluiu um suquinho e uma frutinha definitivamente no cardápio. A novidade é que já abre a boca quando vê a colherinha se aproximando, acreditam? E praticamente não faz mais sujeira, o que significa que come todo o mamão que oferecemos!!! Depois do mamão, a boa foi o mamá. E Gutão fechou o fim de semana pontualmente às nove da noite. Foi a deixa pro papai e pra mamãe aqui anteciparem o último compromisso do domingo: dormir!!!!!!!!!!!!!

posted by JULIANA DE MARI 10:04 PM


Quarta-feira, Agosto 18, 2004


Menu do dia


Gutão aprovou o mamão. Tá comendo frutinha desde o domingo passado. Eu e o Rô armamos o circo, digo, o cadeirão e ele, devidamente sentadinho, mandou ver no mamãozinho. De início, não sabia muito bem o que fazer com aquela coisa mole na boca. Obviamente, por reflexo, cuspiu tudo. Foi uma meleca das boas, mas valeu a pena. Lá pela quinta colherada, já tava abrindo o bocão sozinho! A pediatra recomendou mamão, pêra, banana e maçã. Como ele tá com o intestino meio devagar, vou deixar pra dar a prova dessas duas últimas mais pra frente. Amanhã é dia do pequeno descobrir as delícias da pêra. Tou seguindo a recomendação da dra.Ketty, partindo a fruta em quatro e oferecendo um pedaço só. Se ele gostar, vamos liberando mais aos poucos.
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Quando fiquei grávida do Augusto, pensei logo em como seriam as férias em família. Como eu e o Rô só temos um irmão cada um e como eles ainda não pensam no assunto 'filhos', achei que meu Gutão ia reinar sozinho nas areias de Boa Viagem. Que nada! As férias do pequeno em Recife, graças!, prometem ser das mais animadas. Duas primas estão "buchudas". Fabiana, grávida de três meses, e Faustina, leitora assídua do blog, de duas semanas. A vocês, minhas queridas, uma gravidez tranquila, com direito a muitos mimos e muita energia positiva. Vou ficar aqui de longe torcendo pros babies chegarem com o principal: muita saúde.

posted by JULIANA DE MARI 9:05 PM


Terça-feira, Agosto 17, 2004


Quem canta os males espanta


Sempre gostei de cantar. Quando descobri que estava grávida, então, além de conversar diariamente com meu Gutão, passei a cantarolar musiquinhas tranquilas pra acalmar o pequeno na hora em que os soluços ou os pontapés se anunciavam. Agora, com ele aqui do lado de fora, o karaokê da Juju anda mais animado que nunca! Gutão adora as músicas do Palavra Cantada. Temos três cds deles: um pra hora de nanar, um pra hora de brincar e um com cantigas de roda tradicionais. Recomendo, com entusiasmo, a todas(os) os que pretendem educar seus filhotes também musicalmente. Além desses, figuram na discoteca do Gutão os cds do Castelo Rá-Ti-Bum (Meu pé, meu querido pé) e dos musicais Arca de Noé e Saltimbancos. A babá, por conta própria, agregou à lista um cd com "pérolas" da Eliana e da Xuxa. Ah, vai, não quero ser xiita! Toda criança tem direito ao seu momento ilariê!
Mas Gutão gosta mesmo é das composições de autoria do papai e da mamãe. É do Rodrigo o hit do momento: "Ah, pira, pirou, meu coração é do Gutãooooooooooo. Ah, pira, pirou, meu coração é tricolor!!". O Rô canta de manhãzinha, quando vai trocar a primeira fralda do dia. Inventou até coreografia pra acompanhar a musiquinha: mexe os bracinhos do guri de um lado pro outro, bem de mansinho, e ele abre o banguelão, uma coisa! Já minhas composições, totalmente básicas, fazem um baita sucesso na hora de dormir. Repito a mesma ladainha todo santo dia, desde que o pequeno era realmente um bebezinho. Tem a do "Vamos fazer naninha, naninha do Gutão" e a do "Nana, Gutão do meu coração; Nana, meu Gutãooooooooo do meu coraçãoooooooooo". Vou cantando baixinho, embalando o menino, fazendo carinho no rostinho dele e, quando vejo, pumba, 1X0 pra Morfeu!
O fato é que Gutão adora uma farra. Cantar, dançar e gritar fazem parte de suas atividades prediletas. Meu filhote, definitivamente, é um serzinho mui alegre e de bem com a vida. Puxou ao pai até nisso (não que eu não me considere alegre e de bem com a vida; sou, sim. Mas acordar bem humorada -- antes das sete da matina! -- tem sido uma das lições que meu amadinho e meu amadão mais têm me ensinado!!!!!).


posted by JULIANA DE MARI 10:24 AM


Domingo, Agosto 15, 2004


Adaptações


Gutão surpreende a cada dia. Até a pediatra. Sexta tivemos consulta e qual não foi a surpresa dela ao receber o menino de calça jeans e tricô e constatar que ele cresceu dois centímetros e engordou um quilo desde a última pesagem, mês passado!!! Pois bem, tá agora com 6,320 Kg e 60,5 cm. Feito nobre, considerando todo o perrengue do refluxo e a mudança no "cardápio". Falando nisso, Gutão tá liberado pra provar suas primeiras frutinhas. Vamos de banana, maçã, pêra e mamão. Também vamos incrementar os suquinhos, passando a oferecer, além da laranja lima, os de maracujá e acerola. Se o Pirata aprovar, podemos até misturar as frutas e testar novos sabores. Como estou conseguindo manter três mamadas diárias, as sopinhas ficaram pro mês que vem, quando ele completar seis meses. Nem preciso dizer que tou animadíssima com essas novidades todas do filhote, né? Ontem, o programão foi sair pra providenciar os talheres, os pratinhos e o cadeirão do pequeno. Isso mesmo, Gutão vai comer frutinha devidamente sentadinho no seu cadeirão! Ele ainda não consegue ficar sentado sem apoio por muito tempo, mas nada que o cinto de segurança não resolva. Aliás, a dra.Ketty recomendou o uso do cinto no bebê-conforto e no carrinho também. Diz que a gente não pode bobear mais nem por um segundo (pena que não exista cinto pro trocador...Gutão adora fazer suas acrobacias justamente na hora de trocar a fralda!). É que agora, com a cabecinha mais firme e começando a querer sentar, o moleque certamente vai fazer força pra frente, daí já viu.
Quê mais? Sobre o refluxo, boas novas. Tiramos o Label pra ver como ele vai reagir. Vamos seguir com o Motilium antes das mamadas do peito, ou seja, três vezes por dia. Como ele tá mamando Nan, que é mais grosso, e vai passar a comer frutinhas, a tendência é que o refluxo só melhore. Ele ainda regurgita um pouco e, às vezes, reclama, mas tem arrotado com mais facilidade e não chora mais no peito, graças a Deus. A prisão de ventre continua, mas a médica explicou que é coisa da adaptação ao novo leite mesmo. Ontem ele ficou agoniadinho e nem com o supositório conseguiu fazer um cocozão. Hoje acordou chatinho e eu estimulei outra vez. Cinco minutos depois, um cheirinho sinistro no ar. Gutão fez tanto coco e tão fedido, mas tão fedido, que eu ainda não acreditei! Limpar só com algodãozinho não rolou. Tive que botar o moleque na banheira e lavar o bumbum com sabonete pra valer (ele já tinha tomado banho, mas adorou a volta à piscina). A alegria dele na água é um capítulo à parte. Além de bater os pés, ele agora descobriu que, devidamente instalado em sua cadeirinha de rei, pode bater as mãos! Ou seja, preciso forrar o chão do quarto com panos de chão pra hora do banho não virar uma inundação!
Tá muito sapeca, meu menino. Quer colocar tudo na boca, principalmente suas mãozinhas -- e a dos outros. E como agarra forte, o danadinho! Domingão passado, dia dos pais, o Rô recebeu um carinho sui generis: enquanto se aproveitava das bochechas do filhote, o menino foi lá e crau no lábio dele! Ficou praticamente pendurado no coitado (ainda bem que eu havia cortado e lixado as unhas dele!!!!). Dia desses também descobriu o espelho -- e se maravilhou com o que viu. Volta e meia, eu ou o pai o levamos pra frente do bendito e dizemos que vamos conversar com o "amigo do espelho". Gutão escancara o sorriso banguela na hora e fica tentando encostar a mãozinha na mãozinha que vê refletida. Faz charminho, olha de lado, dá gritinhos e me procura do lado de cá pra compartilhar da alegria. Entender que aquele nenê rosado, meio careca (sim, ele perdeu completamente a cabeleira! Tá com uns penachinhos de um lado e do outro e com uns fios clarinhos em cima) e muito simpático é ele mesmo só daqui a alguns meses quando ele, de fato, começar a se reconhecer como um pequeno ser.

posted by JULIANA DE MARI 1:58 PM


Quarta-feira, Agosto 11, 2004


Recomeço


Muitas coisas acontecendo, muitas mudanças pra dar conta, muitas escolhas pra elaborar. Voltei ao trabalho na segunda à tarde -- e tive uma sensação difícil de relatar. Ao mesmo tempo em que parece que nunca estive ausente, de tanta coisa que já me caiu no colo, parece que eu mudei tanto e tudo continua tão igual...
Mas deixa eu contar do que interessa, digo, de quem interessa. Gutão tem reagido muito bem a minha ausência. Brinquei com minhas amigas que ele é um menino muito independente -- a mãe é que precisa aprender a se desligar sem fazer beiço! Bom, mas, no balanço da primeira semana, minha avaliação é que foi mais tranquilo do que eu imaginava. Dei conta de cumprir o planejado pra equilibrar a vida profissional e pessoal sem me estressar e sem sofrer mais do que o necessário. Planejei assim: eu e o pequeno (e o paizão dele, claro!) ficamos juntos pela manhã (ele tem acordado às 7h; mama, brinca, troca fralda e volta a tirar uma sonequinha básica), na hora do almoço (eu almoço, ele mama, a gente brinca e eu volto ao trabalho renovada) e à noite (dou a mamada das 20h30, ele brinca um pouco e logo capota pra só acordar na manhã seguinte). Claro que bate saudade, claro que bate aquela insegurança básica em relação aos cuidados que ele tá recebendo (coisas do tipo: como será que a babá tá fazendo pra acalmar ele?) e claro que bate ciúme da babá (será que meu Gutão ainda vai me reconhecer?). Nessas horas, eu fico repetindo meu mantra: fui eu que escolhi, fui eu que escolhi, fui eu que escolhi. E é isso, né, minha gente? Como diria minha terapeuta, eu tou presente de muitas formas na vida do meu Pirata. Não é só fisicamente. Tou presente na escolha da babá, na orientação dela, na organização da rotina e na preocupação com o bem-estar dele, enfim.
Gutão tá lindão. Mais sorridente e falante que nunca. Bate altos papos com a gente, grita a valer e tá começando a querer imitar os sons que a gente emite. Ah, o guri também aprendeu a tirar a chupeta da boca. Ele põe o dedo na alça e arranca a bendita na maior alegria. Só que ainda não tem muito jeito pra colocar de volta. Mas tá firme nas tentativas e, ontem, quase conseguiu. Depois de tentar e tentar enfiar a danada no nariz, acabou chegando à boca, mas a chupeta entrou de cabeça pra baixo!
Hoje é dia de consulta na pediatra. Claro que estamos curiosíssimos pra saber o quanto o pequeno engordou. Tá com queixinho duplo, barrigudo e com umas baita coxas grossas, precisa ver! Acho que vamos ter boas novas sobre o refluxo também. Ele não tem regurgitado além do normal e quase não reclama mais pra arrotar. A única coisa que mudou com a introduçao do Nan AR é que ele não tem feito mais tanto coco. Faz uma vez só, um cocozão, e priu. Teve alguns dias dessa semana, aliás, que precisei estimular com um supositório de glicerina. Tiro e queda. Nem tou muito encanada com isso, pois já me disseram que é assim mesmo, adaptação às novidades do "menu". Mas deixa eu correr que a sexta ensolarada promete. Beijos a todos(as), brigada pelo carinho de sempre.
Ah, fiquem de olho na gente: amanhã vou postar fotos novas!
posted by JULIANA DE MARI 9:57 PM


Sexta-feira, Agosto 06, 2004


Ensaio


Hoje ensaiei a volta ao trabalho: fui participar da reunião de pauta da revista do mês que vem. Sai um pouco antes das 14h e voltei pra casa às 17h. Aproveitei que tava na rua pra me cuidar um pouco. Fiz a mão (tem coisa melhor do que fazer a mão? Eu me sinto inteiramente limpa). Cheguei e encontrei meu Gutão "conversando" com a babá na cozinha. Ela fazendo bolo. Ele, acomodado no carrinho, enfiando o dedão na boca (putz, será que vai vingar?). Me senti bem nesse ir-e-vir. Vai ser importante ter outros interesses, arejar a cabeça, estimular o intelecto. Tou tranquila com meus "papéis", embora ainda esteja digerindo todas as mudanças que vêm junto com a maternidade. Meu senso de prioridade mudou -- e eu tenho certeza que isso vai fazer diferença na hora de desempenhar meu papel profissional. Tou tranquila com meu Gutão. Meu filhote tá demonstrando que é mais adaptável do que imagino. Como diria minha terapeuta, ele tem suas próprias competências e recursos.
Gutão encarou duas mamadas de Nan hoje -- e não reclamou. Tomou tudinho, o barrigudo. E no copinho. Definitivamente, vou ter que doar as mamadeiras todas que ganhei...Vou ficar com algumas de reserva, obviamente. Funcionam pra fazer a mistura do leite antes de oferecer pro menino. O suquinho também foi aceito sem problemas. Só ontem ele não quis tomar...É que, como a babá precisou ir embora na hora do almoço, resolvi dar o suco eu mesma à tarde. Não funcionou. Gutão tomou uns 30ml e, de repente, começou a reclamar muito. Ficou vermelho até. Tentei, tentei, e nada. À noite, liguei pra pediatra pra contar como ele tem reagido à medicação (melhorou bastante do refluxo, graças a Deus) e relatei o acontecido. Ela matou a charada na hora: "Ele não quis o suco porque foi você quem ofereceu". Hãhã. Diz ela que toda vez que ele sentir o cheiro do meu leite é provável que rejeite a novidade. Bom, hoje tirei a prova dos nove. Pedi pra Marcia dar o suquinho no horário habitual, por volta das 11h30, antes da mamada do almoço. E não é que ele tomou os 80ml sem pestanejar??? :-)


posted by JULIANA DE MARI 7:34 PM


Quarta-feira, Agosto 04, 2004


Flagrantes


Pois bem, hoje flagrei Gutão numa traquinagem daquelas. Tava lá o menininho, recém-acordado, todo esparramado no berço, concentradíssimo -- enfiando o dedão na boca!! A cena me deu arrepios, obviamente. Até faço coro pra chupeta, mas pro dedão, ah, não! Fui lá e tirei o dito-cujo do bico ávido do Pirata na hora. A questão é que não sei quanto tempo faz que o danadinho descobriu a brincadeira. Só sei que hoje, durante a tarde, ele fez várias tentativas de enfiar o dedão na boca outra vez -- e eu fiz questão de frustrar todas as que vi. Ofereci os chocalhos. Mas, pra falar a verdade, me deu peninha do Pirata. É que ele faz caretas horríveis quando tenta mastigá-los. Acho que são duros ainda pra suas gengivas banguelas...Bom, não deu chocalho, tentei negociar com as mãozinhas do menino. Em vez de um dedão anatômico, que tal o indicador? Sabe que ele, às vezes, faz isso mesmo: tasca o "dedo de apontar" na boca e fica cavocando lá dentro? Mui engraçado.
Hoje flagrei também, pela primeira vez, os movimentos de rotação do menino. Gutão descobriu que pode virar de um lado pro outro, levantando as pernas e fazendo alguma força. Ficou assim, de cá pra lá, mãos enfiadas na boca, soltando gritinhos de satisfação, quando o coloquei no tapete mágico no finzinho da tarde. Aliás, o pequeno gritou tanto, mas tanto, que fiquei até preocupada dele acordar "sem voz" amanhã de manhã!!! A falação rendeu até bate-papo ao telefone com os avós de Recife. Ficaram impressionados com a tagarelice do netinho, claro. E eles não viram nada. Quando chegarem pro batizado (dia 05 de setembro), é bem capaz do Gutão estar soltando seus primeiros vocábulos com sentido. Digo, sentido pros outros, né? Porque, pra mim, cada gritinho dele tem significado diferente. Tou virando expert em "angus", "hums" e "grsss". Tem aqueles mais melosos, querendo dizer "me pega no colo, vai". Tem os irritadiços -- "pô, essa música chata do móbile de novo?". Tem os decididos -- "preciso trocar minha fralda agora!" Ah, e tem os de chantagem -- "ou vocês me dão atenção ou eu vou chorar tanto, mas tanto que todo mundo vai achar que vocês maltratam o coitadinho".
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Recado pras amigas usuárias do Weblogger: não consigo deixar comentários pra vocês...De todo modo, estou sempre acompanhando a história das barrigas, dos bebês e das mamães, viu?
posted by JULIANA DE MARI 10:00 PM


Segunda-feira, Agosto 02, 2004


Primeiras vezes


Ontem, segunda-feira, foi mais um daqueles dias especias. Gutão tomou suquinho de laranja-lima pela primeira vez. Tomou tudo (80 ml!), no copinho. Fez um biquinho lindo, meteu a língua dentro do copo que nem gatinho e mandou ver. Ensaiou até segurar no copo e reclamou a valer quando viu que a novidade tinha acabado. Surpreendente esse meu Pirata. Não dá trabalho mesmo. A cada dia se mostra mais curioso, mais aberto às novidades. Domingão passado, aliás, fez mais uma estréia: tomar banho sentadinho na banheira. É que comprei um daqueles suportes pra não deixar o bebê escorregar e nunca tinha usado, pois achava que o guri era pequeno demais pra ficar esparramado ali. Agora, não. Gutão fica perfeitinho no suporte. Barrigão pra cima, faz pose de bacana -- e dá-lhe bater as perninhas e jogar água no chão do quarto! Domingão, um dia depois de tomar vacina e sofrer um bocadinho por causa das picadinhas, também foi dia de inaugurar o tapete mágico fora de casa e de estrear o aprendizado da camaradagem: Gutão, de bom grado, compartilhou da brincadeira com seu aMiguel! Todas essas primeiras vezes foram devidamente registradas pela mamãe-um-pé-no-Japão-Juju, obviamente! Confiram os cliques abaixo (atenção ao detalhe da mãozinha do menino tentando empurrar a mão da Márcia, a babá, pra ver se o suquinho descia mais rápido, inacreditável!).

posted by JULIANA DE MARI 9:11 PM


Quinta-feira, Julho 29, 2004


Quase um moço -- parte II


É irreversível. Meu neném tá crescendo -- e eu já tou às voltas com a difícil arte de me fazer desnecessária...
Explico: Gutão completou 4 meses e o desmame começou. É parcial, apenas pra adaptá-lo às mamadas sem peito que serão oferecidas na parte da tarde, quando eu voltar a trabalhar. Fizemos a segunda tentativa ontem. O Pirata tomou o Nan AR (anti-regurgitação) feito gente grande: num copinho. A babá ofereceu. No início, ele reclamou. Esperneou, melhor dizendo. Mas, logo que entendeu que estava ali o que iria matar sua fome, tratou de empurrar o copinho na boca e botar pra dentro 120ml de leite. Entre um copinho e outro, pausa pra arrotar. Graças à medicação, ele não tem sofrido e nem golfado tanto. Terminou a sessão com uma cara de satisfação de dar gosto. Repetimos a dose agora há pouco. E lá se foram 150ml de Nan, sem um esboço sequer de insatisfação. Neném é um quadro em branco mesmo. Surpreende como aprendem o que a gente tiver disposição pra ensinar.
Gutão ficou numa boa, é fato. Eu? Mais ou menos. Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por ver meu pequeno descobrindo o novo e aprendendo a se virar sem mim -- e triste exatamente pelo mesmo motivo. Ah, amamentar não é só oferecer o peito, né, gente? A mãe oferece o seu tempo, o seu carinho, o seu colo. E ganha de volta aquele olhos nos olhos, aquele sorriso entre uma sugadinha e outra, aquela cumplicidade que só quem viveu dessa alegria entende do que eu tou falando...Amenizou minha tristeza saber que vou continuar oferecendo esses momentos ao meu Piratinha sempre que possível. Durante a semana, as mamadas da manhã, a do almoço e a última do dia serão no peito. Ficam duas nas mãos da babá. Nos finais de semana, só peito, na certa!! Descobri que preparar mamadeira é uma trabalheira do cão. Põe água pra ferver -- e todos os apetrechos também, espera a água amornar, mistura o leite, cuidado pra não cair...Ainda mais com esse Nan mais grosso, que não dissolve de jeito nenhum e haja braço pra fazer a mistura virar algo apetitoso. Anyway, diz a pediatra que é melhor assim: mais grosso, o leite não vai voltar com facilidade. Gutão tá levando na boa e eu tou tentando fazer o mesmo. Tenho certeza que nós dois estamos crescendo juntos.

posted by JULIANA DE MARI 2:49 PM


A hora da casquinha


Todo parente que visita o Gutão acaba tirando uma casquinha dele. Literalmente. A hora do banho virou a hora oficial da curtição. Começou pelas mãos da vó Ju, nos primeiros dias de vida do menino. Depois, vieram as ensaboadas -- a princípio, desajeitadas -- do papai e da mamãe. Em seguida, o pequeno recebeu o carinho da vó Lilica, da tia Lu, do tio Bru e da tia Rachel, nessa ordem. Sábado passado, foi a vez do vô Zeca passar pelo teste da banheira. Gutão cumpriu com a parte dele, incentivando o vovô com seu sorriso banguela. E o vovô não decepcionou. Fez da "natação" uma farra e não recebeu sequer um resmunguinho do menino. Limpinho e cheiroso, Gutão fez muita pose na hora de registrar o feito. Agora, fica faltando só o vô Albertino curtir esse momento. Se bem que, se o vovô demorar, é bem capaz do Gutão já estar fazendo festa debaixo do chuveiro!!!

posted by JULIANA DE MARI 2:26 PM


Terça-feira, Julho 27, 2004


Benção


Gutão completou 4 meses hoje -- e parece que foi ontem que chegamos em casa com aquele mini Pirata nos braços. Cresceu muito esse gurizinho. Tá gordinho, bochechudo, comprido. Tá mais parecido comigo, eu acho. Os olhos especialmente. Se bem que a boca é tão igual a do pai que sempre me confundo nessa tentativa de me achar no rostinho dele. Tá tão esperto, meu filhote. Se a chupeta cai da boca, ele não tem dúvida: cata a danada com as duas mãozinhas. Ainda meio desajeitado, mas muito dono das suas vontades. Não pode ficar um segundo sequer sozinho no trocador. Vira de um lado pro outro, faz a maior ginástica com as perninhas, se estica todo. Ficar sozinho, aliás, ele detesta. Até curte o móbile, se encanta com a dança dos bonequinhos, mas logo quer companhia e solta seus gritinhos lamurientos a plenos pulmões. Não tem coisa melhor no mundo do que flagrar a alegria dele ao se deparar com a mãe ou o pai na hora em que essa saudadinha bate. Ah, o sorriso é tão aberto, tão generoso, tão lindo. Gutão sorri com o corpo todo. Os olhos brilham, o rosto se ilumina.
É, gente, eu tou enfeitiçada por esse moleque. É um amor que só cresce, um amor que me fortalece, que justifica minha existência, que me alimenta a alma. É um sentimento tão forte que chega a doer...Volta e meia, eu me emociono -- e choro. Quase sempre de felicidade. Algumas vezes, de pensar que de algum sofrimento meu pequeno não vai escapar...O cansaço faz parte dessa história -- e eu continuo sentindo (muita) falta das minhas oito horas de sono ininterruptas...A insegurança faz parte também, mas é muito menor do que a certeza que tenho de que estou fazendo o meu melhor (e o Rô idem). Falando nisso, o refluxo ainda não deu trégua. Domingo, aniver do paizão, tivemos que sair às pressas pra levar o pequeno até a pediatra. Ele teve um ataque de choro agudo às 7h da matina e eu e o Rô ficamos bem aflitos. Ela trocou a medicação (passamos a dar Motilium junto com o Label) e fez novas recomendações, como deixar o pequeno mais tempo no bebê-conforto. Coisas simples, que parecem já estar produzindo o efeito desejado.
Dia 27 é dia de festa. Gutão teve a dele, claro. Cantamos parabéns logo cedo (ele morre de rir com a musiquinha! Será que já sabe que logo depois dela é hora de ganhar beijinhos e presente??) Vestiu moletom novo e tênis. Um moço. Já imaginei o pequeno parado na porta, me convidando pra passear! Ganhou presente até. Um tapete de atividades daqueles bem coloridos, bem cheios de brinquedinhos estimulantes. Ficou zonzo quando viu a novidade, o meu Pirata. Não sabia pra onde olhar. Queria catar todos os bichinhos ao mesmo tempo. Fiquei tão feliz de ser testemunha dessas descobertas. Eis um prazer inigualável.
Ah, Gutão tá tão crescido que até já toma leite no copinho. Eu explico: como vou voltar a trabalhar em breve, tou tocando o desmame e simulando com a babá como vai ser o dia deles sem a mamãe por perto. Faz parte dessa rotina oferecer leite (se der pra ser o meu, melhor. Se não, vamos de Nan AR mesmo). Hoje consegui tirar cerca de 20 ml manualmente (fiz a besteira de esterelizar a bombinha no microondas e derreti a borracha de vedação...). A Márcia encarou a missão de fazer o pequeno trocar o peito por aquele copinho numa boa. Bom, não foi numa boa. Ele resmungou um bocado -- mas tomou tudinho!!! Amanhã vamos tentar outra vez. Comprei outra bomba (tsc, tsc) e vou tirar 150 ml de leite, o que ele deve estar ingerindo a cada mamada. Vamos oferecer na primeira mamada da tarde, antes do menino dar sinal de barriga vazia. Assim, suponho, ele vai estar mais aberto a experimentar a novidade. Coisa bem boa essa: cada dia com meu Gutão é um dia diferente, é um dia pleno.
Agradeço a Deus por ter me dado a chance de viver essa benção. Gutão, te amo.
posted by JULIANA DE MARI 8:32 PM


Sexta-feira, Julho 23, 2004


Deu a louca


Uma mãe cansada faz coisas que até Deus duvida...
Dia desses, Rodrigo confortavelmente instalado na cadeira do quarto do Gutão, pronto pra fazer o menino nanar, e a chupeta cai no chão. Vou lá, cato a bendita, passo uma aguinha quente e devolvo. Só que em vez de dar na boquinha do filhote, eu quase enfiei na bocona do papai!! :-)
Continuando nessa linha, dia de jogo Brasil X Uruguai, o pai de olho na TV e eu de olho no Gutão. A mamada terminou, o menino arrotou, chegou a hora de trocar a fralda pra dormir. Coloco o Pirata em cima do trocador, o Rô se aproxima e...eu ouço uns barulhos estranhos...Desanimada, falo pro Rô: "xi, o Gutão fez um cocozão". Ele me olha, espantado: "Ju, são os fogos de artifício!!! O Brasil ganhou!". Sem comentários!!!!

posted by JULIANA DE MARI 8:30 PM


Quarta-feira, Julho 21, 2004


Recadinhos rapidinhos


Gutão parece que adivinhou que íamos ficar a sós hoje. Tá animadinho, sorridente, tirando suas sonequinhas em paz, viva! Falei com a pediatra ontem e ela recomendou dar duas doses de Luftal, uma pela manhã e outra à noite, pra ajudar a "quebrar" os gases e facilitar os arrotos. Acho que tá dando certo.
É que a babá, Márcia, tá fazendo um treinamento, um curso para babás. Achamos por bem patrocinar essa orientação, já que queremos que ela seja mais que alguém que fica correndo atrás dele o dia inteiro. A idéia é que ela funcione como educadora -- dando limites, estimulando, tratando direitinho da auto-estima e da curiosidade do filhote. Se o curso não der em nada, ao menos, vai ter passado noções de primeiros socorros, assunto, aliás, que a pediatra recomendou que a gente trate de se inteirar.

Bom, passei aqui também pra agradecer as palavras carinhosas, a solidariedade virtual, e mandar alguns recadinhos personalizados, já que nem sempre consigo fazer o "tour" pelos blogs alheios:

- Breja: parabéns pela Sophia! Ela é linda! Não consigo deixar recado no teu cantinho...
- Ludmila: seus comentários são sempre bem-vindos! Quando der uma brecha, te mando um email.
- Renata, do Theo: querida, não consigo deixar comentário lá no teu blog...Deve ser problema do Weblogger...
- Renata, do Vinicius, e Juju, do Arthur: que bom tê-las lá no Orkut! Mais um canal pra gente trocar figurinhas!
- Renatinha, do Gui: agora eu entendo perfeitamente a tua agonia por causa desse tal refluxo...Aliás, o Gui tá melhor?
- Lu, da Manu: mandei uma resposta mega-gigante pra tu hoje. Ah, a Carol me ligou!
- Chrisce: não tou sumida, não. É que nem sempre consigo deixar comentário na tua página...
- Fefê: quero notícias da Belinha!
- Faustina: não esqueci teu aniver, viu? É que liguei no celular, tava na caixa-postal, e, com essa trabalheira do Augusto, acabei não ligando outra vez...
- Larissa: amei saber que as garotas superpoderosas também têm o cantinho delas! Vou visitar sempre, pode esperar.

Pro restante dos(as) nossos(as) amigos-leitores(as), os(as) de sempre e os(as) recém-chegados(as), fica um beijo carinhoso e nosso muito obrigada pela energia positiva que vem junto com os recadinhos. Valeu!


posted by JULIANA DE MARI 5:04 PM


Terça-feira, Julho 20, 2004


Canseira


Hoje eu tou jogando a toalha. Tou cansada demais...Nem tanto fisicamente, já que meu Pirata tem nos brindado com noites muitíssimo bem dormidas. Tou cansada mentalmente...Por causa do refluxo, Gutão tá mais exigente, tá mais irritado. Pede colo mais vezes, não quer ficar deitadinho, só se acalma quando põe pra fora os malditos arrotos e seus queijinhos fedorentos. A cada mamada, que agora acontece de duas em duas horas, uma sessão de choro daquelas de arrepiar. Tento manter a calma, mas, às vezes, a agonia dele é tão grande, tão visível e eu, tão impotente, que chora ele, choro eu junto. Essa terça foi assim. Ele acordou às 7h, esbanjando sorrisos. Tava faminto. Obviamente, mamou mais do que deveria. Vomitou um tantão depois. Ficou irritadinho. Voltou a dormir, mas não ficou muito tempo no berço. Mamou outra vez às 9h30. Não quis tirar a soneca da manhã. Tava morrendo de sono, mas muito incomodado. Foi pra banheira às 11h, pois sujou a roupinha toda de coco. Reclamou horrores antes de entrar na água -- e quando saiu dela. Os olhinhos tavam apertados de tanto sono. Mamou às 11h30, só um pouquinho. Capotou, mas acordou logo. Mamou outra vez às 13h30. Pouquinho. Ficou irritado pra arrotar, reclamou bastante. Fingiu que ia dormir, mas acordou assim que coloquei no berço. Chorou, agoniado. Brincou um pouco com a babá, deu uns sorrisinhos e já era hora de mamar outra vez. Mamou super inquieto, mesmo em posição ereta e mesmo parando pra arrotar entre um peito e outro. Deu um vomitão outra vez. Sujou até o chão do quarto. Não quis saber de dormir, mas quis ficar no colo. Ás 17h, mamou outra vez. A mesma agonia. Chorou muito até arrotar. Passou pro outro peito agoniado. Mamou aflito. Tava morto de sono e eu tentei fazer dormir. Deitou aqui, no Futon. Parecia confortável. Acordou em dez minutos, assustado. Tá aqui agora, se esgoelando, mesmo com toda a minha tentativa de roubar um sorriso dele...Já dei Tylenol, mas a dor, ou sei lá o que, não deu trégua. Vamos à última mamada do dia daqui a pouco. Espero que seja mais tranquila e que o soninho não demore a chegar. Ele merece descansar -- e eu também.
posted by JULIANA DE MARI 6:58 PM


Mais retratos


Fiquei devendo fotinhas no post de ontem. Seguem, abaixo, os cliques feitos no final de semana da visita do tio Bru e da Rachel. Vejam se eles não tinham mesmo muitos motivos pra babar nosso Pirata!!!! (sorry, as fotos saíram do ar por medida de segurança...)

posted by JULIANA DE MARI 2:35 PM


Segunda-feira, Julho 19, 2004


Miscelânea


Ai, que essa ausência tá difícil, hein? Bom, mas vamos aos últimos acontecimentos que eu tenho muita coisa pra contar, comentar, compartilhar.
Primeiro, claro, notícias do nosso amado Pirata: o refluxo parece que tá incomodando menos. No sábado ele ainda chorou bastante. Um choro agoniado, olhando nos olhos da gente como que pedindo socorro...Liguei pra pediatra e ela deu novas recomendações. Tylenol pra dor -- e peito a cada duas horas durante dois dias! Cansa mais, obviamente, mas parece que alivia o estômago do pequeno. A idéia é que ele não fique tão faminto pra não encher demais a barriguinha de uma vez só. Foi assim ontem e tá sendo assim hoje, se bem que ele tá dormindo desde o meio-dia e nem tchungas pra querer saber de mamar. Acho que é culpa do frio...Tá frio demais aqui, minha gente. Até cachecol eu tou usando! Nem pensar em desligar o aquecedor do quarto do Gutão...
Quê mais? Depois de uma visita relâmpago, tio Bruno e tia Rachel voltaram pra Floripa hoje cedo. Nem preciso dizer que voltaram babando, né? E que meu Gutão adorou o colinho bom do casal. A propósito, eles passaram no teste da banheira. Os dois, cada um na sua vez, deram banho e trocaram o pequeno com louvor. Rachel, aliás, me deu uma super mão com o gurizinho ontem pela manhã, quando os homens crescidos da casa resolveram enfrentar o frio em nome de um "banho" no Guarujá. Foram cedinho e, ao meio-dia, já estavam de volta. Pena que as ondas não estavam lá essas coisas...
Gutão também foi passear ontem. Praia de paulista: o shopping. Ganhou mais babadores e um chocalho super colorido. O pai que escolheu -- um leãozinho todo simpático. Ah, durante a semana, tive que consertar o lapso no enxoval e tratei de comprar o primeiro chocalho do pequeno. Uma mãozinha cor de rosa, que faz barulhinho e é super atrativa pra quem descobriu que pode levar tudo à boca. O Pirata adorou as novidades. Aos poucos, segura os brinquedinhos com mais firmeza e se arrisca a fazer bagunça com eles. Bagunça é com ele mesmo!!! Eita, que esse guri adora uma fuzarca. É só a gente exagerar um pouquinho no tom, fazer caretinhas, balançar as mãos ou os pezinhos dele, que ele escancara o sorriso banguela, todo feliz!
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Aproveitando o espaço, quero compartilhar de uma preocupação. Faço parte de algumas comunidades que discutem amamentação e maternidade no Orkut (todo mundo conhece? É uma rede virtual pra estimular a amizade; só entra quem é convidado e conhecido de quem já é membro) e tenho ficado bem impressionada com o tom radical que permeia algumas discussões. Em relação ao desmame, por exemplo, claro que sou totalmente a favor do que manda a OMS: amamentação exclusiva no peito até os seis meses. Isso pra quem pode, pois, na vida real, é preciso conciliar filho, carreira, casa, marido...
Gutão vai precisar de complemento quando eu voltar a trabalhar. Vou garantir as primeiras mamadas do dia, me esforçar pra dar o peito na hora do almoço e, depois, só na volta pra casa, à noite. Nesse intervalo, ele vai encarar um suquinho de laranja lima e o Nan AR (anti-refluxo, mais grosso, não volta com tanta facilidade). Vou tentar oferecer (eu, não; a babá, Marcia) o leite no copinho, pra evitar que ele "vicie" na mamadeira. Se não tiver jeito, no entanto, vamos de mamadeira mesmo. Sem culpa, sem estresse.
Eu me sinto muitíssimo orgulhosa de ter conseguido dar exclusivamente o peito por quatro meses e meio!!!!! E vocês sabem o quanto nosso começo foi difícil, o quanto eu e o Gutão tivemos que "querer" pra fazer a amamentação vingar. Pois então, acho totalmente descabido esse radicalismo na hora de falar sobre amamentação e outras questões relacionadas à maternidade. Tenho certeza que toda mãe realmente comprometida com o crescimento sadio do seu filho sabe onde o bicho pega, onde é preciso insistir, onde é preciso ceder. Agora, pra mim, o momento é de sair um pouco de cena. Isso não quer dizer me ausentar, de jeito algum. Mas voltar à minha rotina, ao meu trabalho, a outros interesses. É difícil, sim. Dói só de pensar que não vou sentir o cheirinho do Gutão a todo momento, mas faz parte, acontece nas melhores famílias e acho que é necessário pra preservar a cabeça da mãe e o emocional da cria, sabe? O nenê precisa aprender a se desligar, precisa ter liberdade pra crescer, pra enfrentar suas primeiras crises, pra descobrir outras pessoas, outras possibilidades de diversão que não são o peito e o colo maternos. E o quanto antes a mãe começar a exercitar a educação pra vida, melhor. Pensar que não vou ser eu a cuidar da rotina dele me dá uma angústia profunda, mas eu preciso confiar e acreditar que estou fazendo, e vou fazer, sempre, o meu melhor pra ver ele bem nutrido física e emocionalmente.
Que fique registrado o meu jeito de pensar a maternidade: é preciso ser leve. A gente, às vezes, se atropela, chora, não sabe o que fazer, acha que não vai dar conta, e isso é perfeitamente normal. O que não pode, eu repito pra mim mesma, é levar as coisas muito a ferro e fogo, porque perfeição não existe. E nem que a gente queira muito não vai conseguir ser a dona perfeita 100% das vezes. E sabe que acho que nem é isso que os filhos esperam dos pais...Acho que eles querem, digo isso como filha, se relacionar com gente de carne e osso, que demonstra alegria, que não esconde tristeza, que explica a cara feia, que assume suas fraquezas e que batalha por um relacionamento vivo.
Radicalismo não leva a lugar algum. É preciso bom senso e jogo de cintura. Amamentar é um grande ato de amor, é uma doação de vida. Mas o que fazer se o mundo aí fora despreza a recomendação da OMS e segue o que manda a lei -- quatro meses de licença maternidade e priu??? Eu tenho certeza que fiz o que podia: pedi meus 15 dias de prorrogação pra preservar a amamentação ao máximo e fazer o desmame com mais tranquilidade. Gutão vai ter a mamãe exclusivamente pra ele até 10 de agosto. Viva!!

posted by JULIANA DE MARI 3:04 PM


Quarta-feira, Julho 14, 2004


Diagnóstico



Pois bem, dizem que intuição de mãe não costuma falhar. Intuição de mãe canceriana, ascendente escorpião, ui, não falha mesmo. Levamos o Pirata à pediatra ontem. Ela conversou comigo demoradamente, pedindo detalhes da nossa "agonia". Eu dei minhas impressões, o Rodrigo complementou e o Bruno, tio-coruja, ficou ali, ouvidos atentos pra quando chegar a vez do herdeiro(a) dele.
Diante do que a gente falou, veio o diagnóstico: o incômodo do Gutão é culpa do refluxo, que gerou a tal esofagite, uma inflamação no esôfago, tipo azia de adulto, provocada pela secreção gástrica que volta junto com o leite. Claro que é uma situação chata, mas não é nada de outro mundo, não. Grande parte dos nenês têm refluxo fisiológico. Alguns, como nosso Pirata, desenvolvem esse outro tipo de refluxo, digamos, um refluxo do mal. É tudo culpa da pouca maturidade do estômago, coisa que vai melhorando gradativamente à medida em que o baby cresce.
É preciso apenas ficar de olho pra ver se o refluxo não está interferindo na curva de crescimento. No caso do Gutão, não tá. O menino continua engordando -- e esticando -- direitinho. Tá agora com 58,5cm, três e meio a mais que na consulta do mês passado, e 5320 Kg, o que dá uma média de 26 gramas a mais por dia. Sim, ficou abaixo do que ele ganhou em junho -- exatamente por causa das regurgitadas constantes. Bom, vamos às recomendações: 1) amamentar o menino colocando-o na posição mais ereta possível, de preferência sentadinho, pra complicar o caminho de volta do leite (a gente já usou essa posição quando ele era "mini" e não gostava de sugar o peito direito); 2) dar dois remedinhos (Digesan e Label) pra aliviar o desconforto dele e evitar que o leite fique parado no estômago por muito tempo; 3) não deixar o pequeno totalmente na horizontal, seja no berço, no carrinho ou em cima do trocador; 4) fazer o menino arrotar, obrigatoriamente, entre um peito e outro; 5) ter boa vontade pra trocar as roupinhas sempre que necessário e muita calma nessa hora pra ajudar o Pirata a não estressar quando o incômodo aparecer.
Parece simples -- e eu tenho fé que assim vai ser. A nosso favor, temos a competência da dra.Ketty e o bom astral do nosso Piratinha. Que figurinha doce, minha gente. Não tem dor, não tem agonia, que roubem o prazer que o menino tem em exibir seu sorriso banguela. Tava lá ele hoje, todo pelado em cima da maca da pediatra, sendo manipulado, examinado, incomodado, e nem aí. Nem uma reclamaçãozinha sequer. Só gritinhos de alegria.

(A dra. Ketty ficou toda feliz em ver o tanto que o Gutão cresceu. Ele até ganhou um gráfico de crescimento, que vamos acompanhar a cada consulta daqui pra frente. Diz ela que os bebês dobram o peso de nascimento até o quarto mês. Gutão já fez isso. Também crescem de 12 a 15 cm até os seis meses. Gutão tá na marca dos 12,5cm até agora. Aos três, quatro meses, são capazes de sustentar a cabecinha, acompanhar as vozes de um lado a outro e segurar objetos com a mão. Bom, Gutão já se arrisca nas duas primeiras atividades, mas, sozinho, ainda não dá conta de capturar o que deseja. A doutora perguntou, então, se já tínhamos oferecido um chocalho pra ele segurar...Hein? Chocalho?? Interrogação na testa do Rodrigo. Putz, a dra. Ketty achou um furo no nosso "enxoval"!!! O que significa que Gutão vai ganhar presente em breve, oba!!!)

posted by JULIANA DE MARI 12:16 PM


Segunda-feira, Julho 12, 2004


Resumão


Vontade de aparecer não me falta, mas a vidinha anda corrida por aqui. Gutão me solicita cada vez mais. Tá lindo, o meu filhote. Tá sorrindo pelos olhos. Um bochechudo. Parece que todo dia cresce um pouquinho, aprende coisas novas, conhece uma nova expressão, descobre uma nova paisagem na casa. São muitas as alegrias, mas, infelizmente, alguns desconfortos também fazem parte dessa fase. Há alguns dias o menino começou a chorar a valer na hora de mamar. Vai pro peito, suga um pouquinho, enche a barriga, e chora, chora, chora, agoniado -- até soltar um arroto. Um, não. Vários. E sempre acompanhados de um montinho de leite azedo. É fato novo na nossa rotina isso do Pirata regurgitar a ponto de sujar a roupinha. Ontem, aliás, tivemos que sair correndo ao shopping, Gutão a tiracolo, pra comprar babadores. Como gofar não era hábito, o filhote só tinha uns quatro ou cinco deles. Ganhou mais cinco e nem assim acho que vamos dar conta de manter o pequeno a salvo dos "iogurtes". Sábado, a agonia dele foi tão grande que tive que ligar pra pediatra. Ela receitou cinco gotinhas de Tylenol pra aliviar a possível dor e me mandou ficar observando o menino. Ele tomou o remedinho, voltou a mamar sem chorar e dormiu bem. Hoje, no entanto, a reclamação recomeçou (acho que ele fica ainda mais agoniado porque ainda tá com o narizinho entupido). Voltei a falar com a médica e resolvemos antecipar a consulta mensal da sexta-feira pra amanhã, terça. Não há de ser nada sério. Pelos sintomas, tou achando que é o tal refluxo dando as caras...Tadinho do meu Pirata. Ao menos, vamos saber quanto ele cresceu desde a última consulta! Oba!

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Rodízio


Primeiro, foi a vó Ju, numa estada de quase dois meses. Depois, foram 15 dias com a vó Lilica (alguns devidamente acompanhada do vô Zeca). Semana passada, tia Lu aterrissou. Passou pouco tempo, mas Gutão adorou o colinho da "galega". Ganhou até apelido novo: Quén, quén!!!! A Lu coçava o narizinho dele e falava "quén, quén" e ele morria de dar risada. Até mexia os bracinhos tamanha a alegria! Bom, tia Lu se foi, mas tio Bru chegou ontem! Vai ficar uma semana curtindo o cheirinho bom do nenê. Eita, rodízio bom!!!! Gutão, aliás, manda avisar que a agenda de agosto tá vaga...Alguém se candidata?? Sim, porque em setembro ele exige a presença de todo mundo no batizado.


posted by JULIANA DE MARI 5:48 PM


Segunda-feira, Julho 05, 2004


Tagarelice


Gutão tá se revelando um tagarela de primeira linha. Do alto dos seus três meses, o menino já é capaz de sustentar uma conversa minutos a fio. Enche a boca pra soltar seus "grsss", "hummms" e "angus", enquanto arregala os olhinhos, faz bico e mexe as mãozinhas freneticamente. Seus interlocutores prediletos têm sido o rato treme-treme e o boneco Caio, respectivamente seus acompanhantes de cadeirinha e de trocador. Hoje à tarde, a conversa tava tão animada que ele se empolgou, acabou atracado com o ratinho -- e não queria mais soltar! hahahahahhaha
Mas eu também tenho merecido a atenção do menino. Ontem, depois da última mamada do dia, Gutão nos brindou com um conversê de dar gosto. Ficou deitadinho nos meus joelhos e falou, falou, falou. E sorriu, sorriu, sorriu. Deu gritinhos de prazer até. O Rô veio correndo pra espiar o que tava acontecendo no quarto e ficou cheio de orgulho do filhote-falador.
Eu, confesso, tenho estimulado essa falação. Ah, a gente fica tanto tempo juntos, né? Ia ser um tédio se ficássemos, os dois, calados :-) Acho que a gente tem mais é que se relacionar, botar pra fora o que sente, ilustrar com palavras os sentimentos. Tenho feito assim: toda vez que o filhote solta um vocábulo, eu repito. Também estimulo as respostas dele fazendo perguntas sobre como foi a noite, se ele dormiu direitinho, se teve sonho bom. E sempre que tou fazendo alguma coisa e ele tá por perto, eu narro os acontecimentos. Explico, por exemplo, que vou trocar a fralda, que vou passar o algodão no bumbum gorducho dele, que é hora de passar pomadinha pra evitar assadura...Gutão parece que gosta dessa interação. Ao menos, tem acordado risonho, olhinhos brilhantes, e tem passado boa parte do dia disposto a um bom blablablá. Bom, numa casa de jornalistas, ter um pequeno habitante curioso e conversador faz todo o sentido, né?

posted by JULIANA DE MARI 9:41 PM


Quinta-feira, Julho 01, 2004


Olha a cara dela


Primeiro, quero agradecer todas as mensagens lindas que vocês deixaram no meu aniversário. Sintam-se calorosamente abraçadas(os)!! Muito legal fazer parte dessa "rede" de carinho, de amizade, de troca. Em retribuição, compartilho alguns registros da comemoração aqui em casa. Gutão esteve presente apenas no início. Tiramos fotos juntos e o menino capotou no horário de sempre (por volta das oito da noite).
Se aniversário de mãe é diferente? Ah, é. Ao menos, na hora de cantar os parabéns. Meus convidados se uniram num coro baixinho, baixinho. Tudo pra não acordar o Pirata! Falando nisso, o menino tem nos brindado com noites maravilhosamente bem dormidas. Hoje acordou às 7h da matina, viva! Fez um muxoxinho por volta das cinco, mas se contentou quando o pai foi lá, ofereceu a chupeta e mudou a posição em que ele estava no berço. Há esperanças, minha gente!

posted by JULIANA DE MARI 9:16 PM


Segunda-feira, Junho 28, 2004


Sobre o tempo


Ontem Gutão completou três meses fora do barrigão. Tá tão lindo, meu Pirata. Barrigudinho, bochechudo, falante, risonho. Tão presente.
Amanhã sou eu quem completo trinta e um anos de vida. Num caso e no outro, tenho a impressão de que o tempo tá mesmo passando depressa. Foi outro dia que meu menino chegou. Era tão pequenino que eu levantava com uma mão só...Também parece que não faz tanto tempo assim, ao menos na minha memória, que eu era aquela menininha romântica que sonhava em casar e ter filhos...
Definitivamente trintona, aqui estou: amando, feliz, com o melhor "namorido" do mundo e um filhote que é prova viva de um amor que só cresce. Só posso agradecer a Deus ou ao destino, sei lá, por essa tal maturidade. No início, assusta, sim. Apesar de todo o desejo, a idéia de deixar de ser filha pra virar mãe dá frio na barriga. É responsabilidade pra vida toda -- a dele, do meu filho. São noites sem dormir (e dizem que é assim pra sempre), são novas preocupações (ele já fez coco hoje? será que já arrotou?), são dias vividos num ritmo totalmente alheio a minha vontade (hoje fui ao shopping; voltei 40 minutos depois, ao toque da babá: Gutão chorando na linha). Ah, o primeiro mês. Parece que não vai passar nunca. Mas passa. E vem o segundo -- e a gente descobre que tudo tem seu tempo. Agora, do alto do terceiro, parece que sempre foi assim, parece que nosso filhote sempre esteve aqui.
Aos 31, tudo mudou. Eu mudei. Às vezes, olho no espelho e me admiro. Vejo a mãe do Gutão primeiro. Vejo o sorriso bobo, vejo as olheiras...Depois vem a mulher, a profissional, a pernambucana...
Mudou meu rosto??? Meu corpo certamente...Será que a barriga volta, minimamente, ao que era antes do barrigão? Sei não...Mesmo assim, eu ainda quero mais um. Quem sabe, mais dois. Mudou tudo e eu agradeço ao tempo, à vida, por estar aqui, agora. Aos 31, descobri que sou a pessoa mais importante do mundo. É assim que me sinto quando Gutão vem pros meus braços chorando e, beijinhos, cantarolar, palavras ditas do fundo do coração, alguns minutos depois, o menino acalma a respiração, fecha os olhinhos, solta um sorriso e se entrega. Relaxa os bracinhos, me abraça e dorme. Tem presente melhor no mundo, não.
Já fiz meu pedido: saúde e serenidade. Feliz Aniversário pra mim!
(Rô, te amo. Que bom que és tu meu companheiro, meu presente de todo dia. Nosso futuro já começou.)


posted by JULIANA DE MARI 9:21 PM


Quinta-feira, Junho 24, 2004


Descobertas


Às vésperas do terceiro mês de vida, Gutão anda mais esperto que nunca. E isso não é coisa de mãe coruja, não. Toda e qualquer pessoa que vem visitar o menino se derrete elogiando o quão atento (e lindo e cheiroso e fofinho!) ele é. Entre outras peripécias, o menino olha as pessoas nos olhos, procura os donos das vozes com seus olhinhos azuis-quase-cinzas bem abertos, mexe a boquinha feito gente grande, tentando imitar os sons dos adultos e dar um jeito de fazer parte do blablablá...Dia desses, descobriu que tem mãos. E que é uma delícia enfiá-las na boca e chupetar, chupetar, chupetar. Também descobriu que as mãos servem pra segurar as coisas. E, claro, espertinho que é, já fez suas primeiras tentativas. Tentou segurar o chocalho do "queijinho musical". Quase deu certo -- se ele não tivesse se estressado porque enfiou o dedo num dos buraquinhos do brinquedo e não conseguiu mais tirar. Tentou fazer carinho no amigo Caio, o bonequinho que a tia Lu deu e que é seu companheiro fiel nas trocas de fraldas. Não calculou bem e levou um baita susto quando o boneco escorregou pra cima do seu rostinho. Tem tentado também agarrar a vaquinha que fica pendurada em cima de uma das almofadas do berço. Adora o barulhinho que ela faz. Morre de rir sozinho.
Adoro flagrar essas descobertas. Dou risada junto. Aliás, nunca me senti tão alegre, tão cheia de boas razões pra espantar o mau humor. Ah, claro que tem dias que o bicho pega. Dias, não. Manhãzinhas. Embora a causa seja nobre, pra uma vespertina convicta, é uma tortura levantar antes do sol nascer...Tem vezes, eu confesso, que salto da cama praguejando. O cansaço é grande -- e a vontade de ter de volta minhas oito horas de sono seguidas também. Mas aí basta pisar no quarto do menino pra recuperar meu eixo. O cheirinho dele, os sonzinhos dele, o sorrisinho dele, são o antídoto mais poderoso desse mundo! Ou alguém acha que existe coisa mais maravilhosa do que saber que aquele pacotinho pára de chorar só de ouvir a voz da mamãe????? Gutão descobre o mundo e eu descubro que esse amor é muito, mas muito maior do que eu poderia imaginar.


posted by JULIANA DE MARI 9:11 PM


Segunda-feira, Junho 21, 2004


Retratos


Um viva geral: depois de uma longa pausa na assistência técnica, a máquina digital sobreviveu!!! Prometo muitas e muitas fotinhas daqui pra frente. Afinal, cada sorriso, cada gritinho, cada caretinha, do menino espoca um "flash"!! Por agora, apreciem os cliques que fizemos na última semana, quando vovó Lilica e vovô Zeca estiveram aqui corujando o netinho. Aliás, preciso deixar registrado o quão feliz eu fico quando a família vem compartilhar da nossa alegria. É bom demais flagrar amor nos olhos dos nossos pais, irmãos, tios, primos...e saber que o sentimento tem um só destino: um "galeguinho" banguelinha e cabeludo, nosso amadinho Gutão. Eu fico só viajando, pensando lá na frente, no tempo em que o menino vai ter vontade própria pra valer. Imagino que ele vai adorar o dilema que nós aprontamos pras férias dele: tomar água de coco e passear no calçadão de Boa Viagem com vovô Albertino e vovó Ju ou fazer trilha no Matadeiro e correr atrás do Padang com vovô Zeca e vovó Lilica?? Eu, se fosse ele, dava um jeitinho de convencer o papai e a mamãe a caprichar na poupança e comprar bilhete duplo!!!!



posted by JULIANA DE MARI 9:43 PM


Sexta-feira, Junho 18, 2004


Últimas notícias


Rapidinho, antes que o menino acorde pra mamar. Fomos à pediatra hoje -- e ela quase não reconheceu o Gutão!! Também, pudera, no último mês o pequeno deu uma arredondada geral. Tiramos a prova na hora da balança: Gutão tá pesando 4660 gramas!!! Ou seja, engordou 1430 gramas desde a consulta anterior, 45 gramas por dia. Também espichou: foram cinco centímetros a mais. O gurizinho tá agora com 55 centímetros e quase já não cabe mais nos macacões P, pasmem! Mais uma vez, sai do consultório explodindo de alegria por não ter desistido de oferecer meu leite ao filhote. O início da amamentação é conturbado, sim, mas tudo passa e os resultados aparecem antes do que a gente imagina.
Bom, tirem a prova do quanto o Gutão cresceu -- e de como tá lindo, faceiro e sorridente! -- nas fotos abaixo. (sorry, tirei as fotos do ar por medida de segurança...)


posted by JULIANA DE MARI 3:34 PM


Quarta-feira, Junho 16, 2004


Aos de bom coração


Quero aproveitar a audiência tão selecionada do nosso blog pra pedir uma ajuda (serve dinheiro, leite, roupinhas, artigos de enxoval...) pra Vânia e seus trigêmeos recém-nascidos. Os meninos são prematuros, os pais estão desempregados e já têm outros filhos (um deles com uma doença bem grave) e a família realmente está passando necessidade. Mais da história deles vocês encontram no endereço www.boavontade.blogger.com.br. Eu vou fazer a minha parte e torço pra que mais e mais pessoas se sensibilizem e ajudem essas criaturinhas a sobreviver...Obrigada.
posted by JULIANA DE MARI 6:14 PM


Quarta-feira, Junho 09, 2004


Tic-tac


Se eu desconfiava, agora tenho certeza: meu Pirata veio com um reloginho acoplado à barriga! Resolvi anotar os horários das mamadas do pequeno pra ver se ele tá evoluindo na arte de dormir a madrugada inteira sem reclamar.
Pra vocês terem uma idéia, ontem nossa rotina foi assim:
5h45 - primeira mamada do dia
9h30 - segunda mamada do dia
12h30 - terceira mamada do dia
16h - quarta mamada do dia
19h30 - quinta mamada do dia
00h - sexta mamada do dia

Hoje seguiu na mesma batida:
6h - primeira mamada do dia
9h - segunda mamada do dia
12h20 - terceira mamada do dia
15h45 - quarta mamada do dia
18h45 - quinta mamada do dia
E, como ontem, tou prevendo que o pequeno vai acordar antes da meia-noite de barriga vazia.

Tudo isso pra dizer que meu filho é muito bonzinho. Super regular, tem ajudado meu relógio biológico a se adaptar mais facilmente ao ritmo que os cuidados com um nenê que mama exclusivamente no peito exige. Não é mole, não, estar disponível (e bem disposta) a cada três horas. Minhas costas estão em frangalhos (até porque o menino tá engordando que é uma beleza, graças a Deus!), mas tenho fé que vou sair dessa experiência com a musculatura dos braços e das pernas muito bem trabalhadas. Vocês não têm idéia do malabarismo que eu preciso fazer pra levantar da cadeira de amamentar sem acordar o Gutão adormecido no meu colo. Sem falar que depois é preciso driblar o móbile pra instalar o menino bem de ladinho no berço. Digamos que é um momento crítico. Chego a prender a respiração de tanto medo (hahahaha) de que ele abra os olhos no meio da empreitada. Deus é pai, não é padrasto, e o Gutão não costuma fazer isso durante a madrugada. Já durante o dia, digamos que ele prefere o quentinho do colinho da mamãe a qualquer outra instalação. Mas estamos evoluindo nesse quesito também. Hoje eu fiz um cafofo com um edredon em cima do Futon do quarto de TV e, depois de mamar, coloquei o pequeno ali pra ver no que é que dava. Ele aceitou de bom grado. Fixou os olhos nos livros e, vez por outra, soltou gritinhos de satisfação. Ficou uma boa meia hora nisso. Eu tava ali do lado, babando, claro. Aliás, preciso reconhecer que a maternidade me deixou meio abobada. Tenho me flagrado rindo pra bichinhos de pelúcia, entabulando altos papos com os brinquedos do Augusto e chorando até pra nenê de propaganda da televisão! E, dizem, isso tende a piorar. Ainda está por vir a fase de se contorcer com as caretas ou de sair rolando pelo chão -- e, pior, em praça pública!!!
Mas a idéia é essa mesmo. Somos nós que temos que descer ao nível deles, não o contrário. Isso é particularmente importante na hora de encarar a puxada da amamentação. Como disse a Luciana Gimenez outro dia (eu confesso: sou fã do programa dessa maluca! Melhor humorístico da TV brasileira atualmente!!!), amamentar é a única coisa que só a mãe pode fazer por seu filho. Criança feliz enche a casa (e o planeta) de boas vibrações -- e cresce com a auto-estima bem trabalhada. Portanto, que ninguém recrimine as mães, seus ataques de "tatibitate" ou suas sessões lamúria no melhor estilo "ó, vida, ó, céus"! Afinal, o ciclo dia-noite dos pequenos se completa em três horas, depois de mamar, cochilar, fazer coco e liberar espaço na barriga pro leitinho quente outra vez. Já o das mamães continua na batida das 24 horas, insistindo em lembrar que a madrugada foi feita pra dormir e que oito horas de sono seguidas são a receita mais antiga e mais eficiente contra o estresse. Gutão vai fazer três meses no final do mês e, pelo que ouço falar, será um feito memorável. Até lá, dizem os livros e a pediatra dele, o reloginho interno do menino vai nos brindar com uma noite inteira, oito horas inteirinhas, sem despertar. Mas sabe que eu desconfio que, quando isso acontecer, é bem capaz do pequeno embalar e a mamãe aqui levantar no horário de sempre, só pra conferir se ele tá dormindo direitinho!! :)

posted by JULIANA DE MARI 9:45 PM


Segunda-feira, Junho 07, 2004


Domingueira


A vida social do nosso Pirata tá começando a ficar incrementada. Ontem, domingão de sol em Sampa, Gutão foi a praia. De paulista, diga-se. Praia verde: o parque. O escolhido foi o Vila-Lobos, mais perto de casa do que o famoso Ibirapuera. Encontrou o aMiguel por lá, tomou um solzinho gostoso e passeou um bocado em seu carrinho. Enquanto Miguel dormia, Gutão via o mundo, olhos arregalados, completamente desperto. Lá pela hora do almoço, bateu fominha. E Gutão estreou em mais uma: trocar a fralda e mamar no carro! (Miguel, descolado, fez a mesmíssima coisa.). Fome saciada, lá vamos, os quatro, perdão, os seis!, almoçar fora. Dessa vez, Miguel acordadão e Gutão capotado. Não deram o menor trabalho. Ficaram ali perto da mesa, cada qual na sua cadeirinha, sem chorar nem resmungar. Na hora da sobremesa, esticamos pra casa dos dindos. Gutão se sentiu em casa e abriu um berreiro básico, reclamando da bunda suja e da barriga vazia. Só que o Miguel "correu" pro trocador antes, afinal era ele o dono do pedaço!, e o Augusto encheu a casa com seus gritinhos irados. (Nem preciso dizer que as mães-corujas estavam eufóricas com o encontro dos amigos, né? E eles nem tchungas um pro outro. Mas a gente vai continuar insistindo e tenho fé que em breve vai presenciar esse olhos-nos-olhos!!!). O domingo do pequeno ainda teve direito a supermercado (a mãe foi às compras, enquanto o pai ficava de baby-sitter no carro. Até fralda o maridão trocou com maestria -- em cima do banco e com pouquíssima luz. Palmas pra ele!!). Gutão, papai e mamãe voltaram pra casa mais de oito da noite, completamente exaustos. Gutão encontrou Morfeu antes da hora e dormiu um soninho bom até quase às dez. Quando acordou, não teve como fugir: foi direto pra banheira, prum banho rapidinho, só pra "tirar a poeira". E o menino gostou. E aprovou o pijaminha. Mamou preguiçosamente e se entregou ao berço. Só acordou âs 4h30 da segunda-feira. E que venha o próximo final de semana!


posted by JULIANA DE MARI 8:42 PM


Quinta-feira, Junho 03, 2004


Minha amiga chupeta


Eu me rendi à chupeta. Ortodôntica, claro. Da melhor marca, dizem, a Nuk. Nem lembro direito quando foi, mas foi ainda no primeiro mês de vida do Gutão. Joguei a toalha quando percebi que o pequeno acabava de mamar e ficava ali, pendurado no peito, chupetando, chupetando, chupetando, olhos fechados, maior prazer. Pois é, os bebês têm necessidade de sugar. É a tal "fase oral". Existe, sim, a psicologia explica -- e não há peito de mãe que dê conta. Melhor a chupeta que o dedão, dizem as odonto-pediatras. Dedão é muuuito mais difícil de tirar, certo? Afinal, o equipamento tá ali o tempo todo, ao alcance da mão, literalmente.
Gutão ganha a chupetinha quando tá naqueles momentos que precedem o sono e o deixam meio irritadinho. Ou quando acorda de supetão e só precisa chupetar um tantinho pra encontrar Morfeu outra vez. Também ganha chupeta na hora da Funchicórea, pelo menos uma vez ao dia. Fora isso, ele cospe. Rejeita a bendita. Faz bico e joga longe. Não aceita ficar se entretendo com a chupeta. Quer conversa. Quer presença. Quer cores, movimento, bichinhos, musiquinha. Graças aos céus, a gente faz a nossa parte e o menino faz a parte dele direitinho.


posted by JULIANA DE MARI 10:13 PM


Quarta-feira, Junho 02, 2004


Amor de mãe


Agora eu entendo. A preocupação; o sexto sentido; as noites em claro; o desejo de proteger; a vontade de estar junto o tempo todo, todo o tempo; a insistência no comer bem, dormir bem, estudar bem; o medo das "rotas alternativas" dessa vida; a difícil arte de criar pro mundo; a culpa crônica...
Agora eu entendo. O amor incondicional; o "faço tudo, qualquer coisa, mato e morro, pelo meu filho"; o desejo de abrir uma conexão direta com o cara lá de cima pra pedir proteção 24 horas por dia, saúde em primeiro lugar e muitos sorrisos pra atestar o "bom comportamento"...
Agora eu entendo tudo.
Agora eu entendo a minha mãe.


posted by JULIANA DE MARI 7:12 PM


Terça-feira, Junho 01, 2004


Olha ele aí, gente!


Como prometido, novos cliques do nosso Gutão. Foram feitos domingo passado, nenê com dois meses, queixinho duplo e muita disposição pra caras e bocas. Resumindo: lindo, lindo!!!! (Sorry, mas tirei as fotos do ar por medida de segurança...)


posted by JULIANA DE MARI 11:34 PM


Segunda-feira, Maio 31, 2004


Check list


Fiquei frente a frente com o porta-trecos do Augusto hoje e me deparei com um monte de coisinhas inúteis que a mamãe de primeira viagem aqui fez questão de incluir no enxoval. A partir desta constatação, dei uma boa olhada no guarda-roupa e nos acessórios do menino e confirmei a suspeita: poderia ter investido mais em algumas coisas e muito, muito menos em outras. Segue minha avaliação do que vai pro trono --e do que deve ir pro lixo!

Vai pro trono
- Bodies de tamanhos variados (aquecem o peito do nenê e duram algumas poucas lavagens antes de começarem a ficar com a gola destruída)
- Algodão bolinha (na medida pra limpar com delicadeza e eficiência as partes íntimas do guri)
- Pomada contra assaduras da Welleda (tem calêndula na fórmula: deixa o bumbum cheiroso e macio. Gutão não teve nenhum vermelhão sequer)
- Macacões com abertura frontal (facilita a troca de fraldas, a troca de roupa na hora do banho e, desde que a malha seja boa, cumpre bem a função de agasalhar o pequeno)
- Linha Natura para Bebês (Gutão usa o xampu e a lavanda: o cheirinho é imbatível)
- Toalhas-fraldas (as da Cremer são as mais macias -- úteis pra enrolar o nenê depois do banho, pra limpar o bumbum, pra cobrir o trocador...)
- Babadores (nenê que mama bem suja bem as roupinhas também. Gutão não é de regurgitar em excesso, mas, saciado, sempre deixa escapar um fiozinho de leite ao final da mamada)
- Óleo Johnsons (prático pra tirar casquinha do umbigo, pra livrar o couro cabeludo das tais "crostas lácteas"...)
- Funchicórea, Rinosoro, Luftal, Cutisanol, Tylenol e Água boricada (Kit farmacinha pra dar conta das cólicas, das vacinas, do narizinho entupido, das "espinhas" fora de época e das remelas que insistem em cair dentro do olho do nenê)

Vai pro lixo
- Tesoura pra cortar unha de bebê (a que ganhei, com a ponta redonda, não corta nada...comprei uma para adultos mesmo e uso só a pontinha pra "aparar" as unhas do Gutão)
- Bomba para aspirar o nariz (seguinte: o buraquinho do nariz do nenê é muito menor que o tal aspirador, ou seja, desentupir nariz, que nada. Serve apenas pra enfeitar o porta-trecos)
- Pinça pra mamadeira (Gutão mama no peito. Quando começar a mamar em outros bicos, acho que lavar as mãos já vai ser mais do que suficiente na hora de manipulá-los)
- Camisetas tamanho RN (definitivamente, não rola: ficam saindo da calça e deixam o ventinho entrar)
- Sapatinhos tamanho RN (os macacões já têm pezinho, portanto, a função dos dito-cujos é enfeitar a cômoda)


posted by JULIANA DE MARI 9:08 PM


Domingo, Maio 30, 2004


Sai pra lá dodói


Sabadão foi dia da segunda dose das vacinas do Gutão. Desta vez, por recomendação da pediatra, fomos a uma clínica particular, já que a vacina oferecida no posto costuma dar bastante reação. Pra variar, encontramos o Duda, a Dani e o querido Miguel por lá. Ele recebeu as picadinhas antes do "amiguto" e quase não reclamou. Gutão tava dormindo, coitadinho, e acordou meio no susto, um pouco antes de entrar na sala da médica. Levou duas injeções no bumbum -- uma chamada de hexavalente, que previne doenças como hepatite, poliomielite, e etc, e outra que protege contra a meningite. O pequeno quase não chorou e eu juro que eu também não dei vexame. Gutão saiu da clínica dormindo outra vez direto pro seu primeiro compromisso social na rua depois de nascido: almoço em uma loja de artesanato na Vila Madalena que tem um pequeno restaurante nos fundos e serve uma comidinha leve e muito gostosa. Dia de sol, trégua no frio, e o pequeno virou centro das atenções. Todo mundo queria dar uma espiadinha no lindinho.
De volta à casa, o menino lembrou das picadinhas e abriu um berreiro de dar dó. Chorou, chorou, chorou, aquele choro sentido que faz perder o fôlego, sabem como é? Mamãe fez massagem com água morna no local das injeções, deu as 4 gotinhas recomendadas de Tylenol -- e rezou. Apesar da dorzinha chata, Gutão mamou bem e voltou a dormir feito um anjinho. Capotou às 11h e só acordou às 4h da matina, brindando meu despertar sonâmbulo com uma rajada de coco daquelas! Tive que pedir socorro ao Rô pra dar conta da sujeira. A fralda que cobre o trocador e as roupinhas do pequeno ficaram imprestáveis. Enquanto o pai limpava o bumbum do filhote, minhas mãos quase viravam pedra no tanque, na tarefa de tirar o excesso do coco e deixar as coisas de molho. A trabalheira foi tanta que, Gutão devidamente instalado no peito, o apetite do pai também despertou. Quase cinco da matina e o Rô aparece no quarto, todo descabelado, com um sorriso faceiro, se deliciando com um iogurte!
Mas só hoje pela manhã a fuzarca da madrugada se materializou. Tou lá, sentada na cadeira de amamentar do quarto do Gutão, quando vejo "aquilo". A cômoda e os pés do berço completamente sujos de coco!!!!!! Vários "fios" marrons que escorreram e deixaram a maior sujeirada nos móveis. Nós não vimos ontem porque estávamos apenas com a luz do abajour acesa (e com aquela disposição que vocês imaginam...). Tive que recorrer ao super-pai outra vez. E lá vem ele, acordado em pleno domingão pra função do esfrega-esfrega! É, não basta mesmo ser pai -- tem que "paiticipar"!!!!
Ah, Gutão nem se deu conta da bagunça no quarto. E nem deu bola pras vacinas, graças a Deus. Passou o dia frio de hoje muito bem agasalhado e comportado. Tá aqui agora, no quarto da TV, deitadinho no Futon ao lado do pai, esboçando um beicinho pra ganhar colo. E eu acho que logo, logo ele vai ter o que merece!!!
posted by JULIANA DE MARI 8:54 PM


Sexta-feira, Maio 28, 2004


Mais um 27 ficou pra trás


Gutão completou ontem seu segundo mês de vida -- e eu nem me lembro mais como era a vida sem o cheirinho dele por perto. Tá crescendo saudável, bochechinhas rosadas, esboçando risadinhas e aprendendo a fazer bico e dar gritinhos. Dá pra acreditar que ele tá com queixo duplo?? Palmas ao leitinho da mamãe! O pequeno agora mama mais e mais rápido, tanto que começou a sujar mais as roupinhas com aquelas "sobras à la iogurte" das mamadas! Em coisa de dez minutos já secou um peito e está pronto pra "devorar" o outro. Diz a pediatra que, à medida em que crescem, os bebês aprendem a sugar com mais força e alguns chegam a dar conta do recado em cinco minutos! E pensar que houve um tempo em que ele não conseguia mamar nem por um minutinho sem ajuda...
Incrível como uma coisinha tão pequenininha pode nos ensinar tanto sobre a vida. São lições de persistência (ou eu teria desistido de amamentar na segunda tentativa...), de paciência (não é mole aguentar aquele choro agudo do nenê que já descobriu que o colinho da mamãe é melhor que o berço), de humildade (não há boa vontade e nem Funchicórea no mundo que dêem conta de uma crise de cólica das brabas). Lições que me lembram que eu sou mais forte do que pareço e que o amor é um bálsamo que revigora corpo e mente e ajuda a manter o foco, o eixo -- e os olhos abertos depois de uma madrugada insone!!!! Mas não é justo reclamar do meu Gutão. Nesse quesito, o filhote tem dado um show. À noite, o berço não tem formiga e ele dorme o sono dos justos. Quem dera essas cinco, seis horas de trégua fossem suficientes pra aplacar meu cansaço. Já tou até desencanando dele, tou fingindo que as olheiras são acessório, que fazem parte do make up. Afinal, agora, eu devo ter "'cara de mãe", seja lá o que isso realmente signifique.
Eu só sei que, mesmo sonhando, literalmente, com oito horas de sono ininterruptas, eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo. Brigada, Piratinha. O sorriso que o papai roubou (sim, foi o pai quem o menino escolheu pra dar suas primeiras risadinhas intencionais!!!) e a mamãe flagrou hoje pela manhã aquece muito mais que qualquer queen size. Te amo.
posted by JULIANA DE MARI 5:23 PM


Quarta-feira, Maio 26, 2004


Funcionou


Na mão do Rô, claro. Não consegui me entender com o scanner, mas ele deu um jeitinho ontem à noite e aqui estão as fotos mais recentes do nosso Gutão. Divirtam-se!!
(sorry, tirei as fotos do ar por medida de segurança...)
posted by JULIANA DE MARI 2:41 PM


Terça-feira, Maio 25, 2004


Perigo no ar


Este vai para as mães de São Paulo: cuidado com o frio. As baixas temperaturas estão disseminando um vírus fortíssimo entre as crianças de até um ano. É um vírus que ataca gravemente as vias respiratórias e exige internação imediata assim que diagnosticado. A pediatra do Gutão já havia me alertado, mas confirmei que o negócio é sério mesmo ontem, numa reportagem do SP/TV. Atenção aos sintomas: febre alta (39 graus), dificuldade para respirar, sono excessivo e dificuldades na amamentação. Os médicos já falam em epidemia (seis de cada dez bebês que têm dado entrada nos hospitais estão contaminados!!) e a recomendação é evitar lugares fechados, contato com gente gripada e exposição ao vento e ao frio.
Aviso às navegantes: a madrugada da quarta pra quinta-feira promete ser a mais fria do ano na capital paulista. Dizem os especialistas do INPE que os termômetros vão marcar seis graus!!!! Preparem os cobertores, pois. E que fique o recado: em tempos assim, lugar de nenê é -- bem agasalhado, casa quentinha, barriguinha cheia -- dentro de casa.
posted by JULIANA DE MARI 5:20 PM


Segunda-feira, Maio 24, 2004


O Gutão não é mais aquele...


Pois bem, o menino cresceu. Às vésperas de completar seu segundo mês de vida do lado de fora do barrigão, meu Gutão abandonou as fraldas P. Sim, inaugurou hoje o primeiro pacote de Pampers M!!! Percebi que era hora de pular de faixa hoje pela manhã, depois de um cocozão que ultrapassou as barreiras da fralda e sujou macacão, body, meias, pernas, braços e até o cabelo do pequeno! A sujeira foi tanta que foram necessárias duas banheiras pra deixar o menino limpinho outra vez (a primeira água ficou suja de coco, embora eu tenha tirado o excesso com algodão antes do "mergulho").
Além desse indicador de "maturidade", o pequeno tem demonstrado um vigor físico impressionante. Deixá-lo sozinho em cima do trocador nem pensar! Ele mexe tanto as perninhas que vai escorregando e quase sempre termina de trocar a fralda na diagonal!! E a cabeça, então? Durinha da silva, obedecendo aos comandos do pequeno em sua investigação diária da casa e de suas novidades. A única coisa que ele não descobriu ainda foi o móbile que comprei semana passada. A música, ele adora. Fica quieitinho curtindo a melodia. Mas não fixou o olhar nos bonequinhos que velam seu soninho e seu despertar. Como cada dia é uma surpresa, tenho fé que, muito em breve, nosso Gutão vai apreciar o movimento.
Ah, o pequeno também cresceu em suas vontades. Definitivamente, ele odeia ficar sozinho. Isso não significa obviamente que está licenciado a ficar o tempo todo no colo. Vontade dá, claro. Mas eu tenho consciência que, pro bem dele e pro meu também, é preciso que ele descubra um jeito de se entreter por conta própria. Fiz o teste agorinha, aliás. Ele tava capotado no peito, como sempre faz quando acaba de mamar. Embalei mais um pouquinho e o coloquei no carrinho. Foi só o tempo de ir até a cozinha fazer um lanchinho e pronto, o menino começou a berrar. Com muita calma, conversei com ele, fiz massagem na barriguinha, insisti com a chupeta...e ele berrando. Falei mais uma vez, cantei uma musiquinha, insisti na chupeta e...ele voltou a dormir, viva!!! Tá aqui, aos pés do computador, com as bochechas rosadas e as mãozinhas apertadinhas, retrato vivo de um anjo.
posted by JULIANA DE MARI 5:29 PM


Quinta-feira, Maio 20, 2004


Hora de dormir, dormir


Atenção mães de primeira viagem: o livro Nana Nenê, aquele famoso que ensina os pais a ensinarem seus rebentos a dormir melhor -- e sozinhos, é realmente uma leitura interessante. O texto é meio xarope, num tom americanóide chato, mas as dicas são valiosíssimas. Por meio do livro, acabei descobrindo que tou fazendo a coisa certa com meu Gutão. Pra começar, desde que ele veio pra casa, nunca dormiu no nosso quarto. Se apossou do seu berço desde a primeira noite. Durante o dia, no entanto, não dorme ali. Fica na cadeirinha ou no carrinho em outros cômodos da casa, conforme a minha comodidade. Se estou lendo na sala, ele fica ali por perto. Se estou esticando a soneca no nosso quarto, Gutão fica dormindo junto, mas no lugar dele, não na nossa cama. Dia lá fora, a casa tem vida própria. Nada de fazer silêncio por causa do pequeno. Ele tem que aprender a conviver com os barulhos do mundo (claro que quando a faxineira "esquece" de encostar a porta direito e o vento castiga, eu peço pra tomar mais cuidado). Também convive com a luz diurna e até toma um solzinho na área de serviço quando o tempo permite. Nada de cortinas fechadas, nada de clausura. É hora de conversar, de ver os bichinhos do quarto, de ouvir música, de passar de colo em colo, enfim.
Já à noite, muita calma nessa hora. Luz baixa, tom de voz idem, movimentos tranquilos, pouca excitação. É hora de dormir pesado -- não de fazer estripulias. Deixo o abajour aceso no quarto, ligo o aquecedor e sempre dou de mamar por lá. Graças a esses cuidados, a essa rotina, Gutão parece que tá aprendendo a diferenciar o dia da noite, graças a Deus. Tem mamado por último por volta da meia-noite e depois só acorda por volta das 5h da matina. Daí, mama um pouco e capota novamente, acordando às 8h. Quer dizer, o bichinho desperta por volta das 6h30/7h todos santo dia. Desperta com o sol. Mas nem eu nem o Rô pegamos no colo. Ele resmunga e a gente vai lá, acalenta, conversa baixinho, dá a chupetinha (e o santo Funchicórea!) e priu, ele volta a dormir tranquilo -- e nós também. Pegar no colo no primeiro choro, aliás, é algo que a gente deixou de fazer há bastante tempo. Nenês são bichinhos espertos e sabem que, se gritarem mais alto, vem sempre alguém correndo acudir. Claro que não é pra deixar o nenê se sentir abandonado, se esguelando de tanto chorar. Não é essa a idéia. Eu sempre corro quando ouço qualquer barulhinho do meu filhote. Mas não preciso pegar no colo pra dizer que tou ali, do lado dele pro que der e vier. Eu faço cafuné, massagem na barriguinha, canto um pouco, pergunto o que é que ele tem (ele não pode responder, mas certamente vai se acostumando à minha voz e às minhas entonações, vai conhecendo os tons que significam alegria, surpresa, raiva, ansiedade...) e, de alguma maneira, ele acaba de me dizendo se o choro é manha ou se é incomodação pra valer (o Augusto detesta, odeia, abomina, ficar com a fralda suja! Chega a acordar e "pedir" pra trocar, acreditam?). Quem já passou pela experiência diz que, depois do segundo mês, a madrugada deixa de ser essa maratona insana de "deita-levanta" pra virar "hora de dormir, dormir" outra vez. Pelo andar da carruagem, aqui em casa, Morfeu -- e nosso Gutão -- tão fazendo a parte deles direitinho. Só por curiosidade, o menino mamou às 18h30, trocou fralda, arrotou e capotou. Tá ali no bercinho, todo enroladinho, protegido do frio. Pelo visto, vai acordar só pra última mamada, perto da meia-noite. Eu vou ver a novela e correr pra cama em seguida. Qualquer meia hora de sono ultimamente tá valendo a pena!

PS: a máquina digital quebrou...mas nada de desespero! Vou tentar me entender com o scanner amanhã pra postar fotos novas do Augusto, ok?
posted by JULIANA DE MARI 9:07 PM


Sábado, Maio 15, 2004


As boas novas


Ontem foi dia de consulta na pediatra e, mais uma vez, tivemos ótimas notícias. Meu Gutão tá crescendo saudável, ganhando peso e revelando uma esperteza de dar gosto até na dra.Ketty! Ela ficou surpresa com o tanto de vivacidade do pequeno, característica demonstrada no pescoço durinho, nos olhos esbugalhados e atentos a tudo e todos e nas pernocas inquietas. O exame rotineiro revelou que a icterícia já se foi, que o ganho de peso está satisfatório (cerca de 25 gramas por dia) e que a balança chegou à marca dos 3250 gramas, viva! E o menino espichou 4 centímetros desde a última consulta. Tá agora com 50 cm cravadinhos. Virou um pacotinho barrigudo e de coxas grossas!! Ah, tá ensaiando seus primeiros sorrisos. Volta e meia nos surpreende com seu bocão banguela e gritinhos de prazer. Tudo reflexo ainda, mas o ensaio logo, logo vai se transformar em alegria pra valer.
Metido que é, hoje ele calçou seu primeiro sapato. Digo, tênis. Vermelho e amarelo, de camurça. Um escândalo! :-)
posted by JULIANA DE MARI 1:58 PM


Terça-feira, Maio 11, 2004


Vocês ainda vão ouvir falar da gente


Gutão e Miguelito já chegaram ao mundo destinados a serem amigos. Dani e Duda, eleitos os dindos no nosso Pirata, são nossos companheiros de todas as horas. Acompanharam bem de pertinho o início do meu relacionamento com o Rô; fizeram parceria em piqueniques, chimarrão na praça e idas à praia; festejaram com a gente o "morar juntos"; estavam lá na cerimônia oficial e viraram nossos padrinhos de casamento; abriram as portas e a cozinha de casa pra nos deliciar com muitos jantares regados à boa conversa e bom vinho; elegeram o meu Recife pras primeiras férias da "barriga" e nos deram a alegria de um Natal em família e etc, etc, etc. Miguel chegou ao mundo três dias antes do Augusto -- e eu que pensava que não ia ter o prazer de visitar o menino na maternidade. Acabou que a Dani não conseguiu fazer isso, empenhada que estava em matar a fome do fofucho. Miguel chegou com um quilo e quatro centímetros a mais que o amigo. É um bebezão. Saiu com os olhinhos puxados igual à mãe, bochechas generosas e mãozinhas daquelas bem recheadas que dão vontade de apertar e não largar nunca mais! Em comparação ao Augusto, parece careca. Gutão tem cabeleira vasta e cada vez mais "galeguinha". O amigo viciou na chupeta. Meu Pirata suga sem muita vontade e cospe a bendita assim que o soninho bate. Miguel aprendeu a ficar quietinho, chupetando. Glutão que é, no entanto, não deixa a mãe descuidar. Bobeu, aí vem o queijinho! E dá-lhe trocar a roupa uma, duas, três...seis vezes num dia só! Nosso Gutão tem preguiça de mamar. Vinte minutos viram duas horas até o menino esvaziar as tetas da "mamaca" dele. Passa o dia "engomadinho" e reclama a valer quando suja a fralda. Os "gêmeos" têm muitas diferenças, mas uma semelhança indiscutível: foram desejados, gerados e recebidos em muito amor -- e muita corujice dos tios-tortos de ambos os lados.
No dia das mães, domingo passado, não poderia haver alegria maior pras mamães de primeira viagem do que flagrar esses dois juntinhos, ainda sem entender muita coisa, mas já aprendendo a ser cúmplices da nossa amizade. Que a vida assim os (nos) preserve.

posted by JULIANA DE MARI 7:57 PM


Segunda-feira, Maio 10, 2004


Olha quem está falando


Gutão é ariano, com ascendente em virgem e lua em Gêmeos. Pra quem não sabe o que isso significa, eu explico: segundo a astrologia, o guri é dotado de personalidade forte, é chegado a um bom desafio, briga por suas vontades, é perfeccionista, racional nas suas análises e interage com o mundo por meio da comunicação (será que vai dar mais um jornalista na família?). Já deu pra perceber na prática o quanto ele aprecia uma boa prosa. Qualquer que seja o interlocutor, o menino faz bico, franze a testa e arregala os olhos, acompanhando, concentradíssimo, tintin por tintin do falatório. Ele até já reconhece as vozes da casa. Se eu, tagarela que sou (mesma lua geminiana do garotão!), puxo um papo, Gutão cruza as mãozinhas e me olha encantado. Se a voinha conta a historinha dos bichinhos, pronto, o mundo pára e o pequeno fica ali, quietinho, parecendo entender todas as aventuras da floresta. Se o pai chega junto, ele prontamente vira a cabecinha em resposta. Aliás, ontem flagrei um diálogo animadíssimo dos dois. Confiram nas fotos abaixo. (sorry, tirei as fotos do ar por medida de segurança...)

posted by JULIANA DE MARI 3:35 PM


Quarta-feira, Maio 05, 2004


As olimpíadas do Gutão


Resmunga. Começa a chorar. Abre os olhinhos. Mexe os braços e as pernas. Chuta o cobertor. Mamãe chega. Põe no trocador. Troca a fralda. Molha o algodão na água morna. Limpa a bunda e o pipi. Passa a pomadinha. Põe a fralda. Hora de mamar. Nenê suga, suga, suga. Fecha os olhinhos. Mamãe coça o pé dele. Nenê reage. Suga, suga, suga. Esvazia um peito. Hora de arrotar. Mamãe dá tapinha nas costas. Nenê resmunga. Mamãe insiste. Aí vem o arrotão. Nenê vai ao outro peito. Suga, suga, suga. Tá quase dormindo. Mamãe faz carinho na orelha dele. Nenê reage. Suga, suga, suga. Hora de arrotar. Nenê tá quase capotado. O arroto demora a chegar. Aí vem um punzão. Mamãe põe nenê no trocador. Troca a fralda. Limpa a bunda. Nenê faz pipi na fralda que cobre o trocador. Mamãe livra o nenê do molhado. Põe fraldinha nova no trocador. Passa a pomadinha. Põe a fralda descartável. Xiii, nenê regurgita. Suja o macacão. Mamãe passa um paninho. Não resolve. Mamãe troca a roupa dele. Nenê sente frio. Soluça. Mamãe cobre o nenê com a mantinha. Antes de deixar o trocador, pinga o Rinosoro no narizinho do nenê. Por via das dúvidas, duas gotinhas de Luftal. E lembra da vitamina A. Nenê faz beicinho. Funchicórea em ação. Nenê ganha a "peta". Suga, suga, suga. O sono vem. Mamãe põe no berço. Nenê resmunga. Ai, ai, ai, será que vai chorar???
E assim, nessa gostosa (e cansativa!) toada, nosso dia vai embora.
posted by JULIANA DE MARI 8:19 PM


Sábado, Maio 01, 2004


Acontece nas melhores famílias


Pois bem, Gutão cresce e os apuros acontecem. O primeiro aconteceu nos braços do pai. Hora do banho, Gutão entra de bruços na água, feliz da vida. Papai segura, mamãe ensaboa. Enquanto cumprimos o ritual, nem eu nem ele percebemos que o menino estava prestes a experimentar seu primeiro mergulho. Quando vimos, o braço do Rô tinha baixado além do necessário e o filhote já tinha engolido água. Levantamos o pequeno rapidamente e ele logo "cuspiu". Baita susto. Tremedeira geral. Se não fosse o bom humor do pai, eu teria ganho o troféu micão dois e chorado junto com o nenê. Mas o Rô fez piada. "Que engasgo, que nada. Foi o primeiro caldo do nosso surfistinha!!"
Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Aqui em casa caiu. Outra vez na banheira. Tou eu lá, colocando o nenê de bruços na água, prestes a começar o banho com a ajuda da Marcia, a babá, e glub-glub. O menino engole água novamente. Ficou com a boquinha roxinha, coitadinho. Coloquei meio de cabeça pra baixo na hora, dei tapinhas nas costas e ele chorou. Acho que não se passaram nem dois segundos, mas pareceu uma eternidade. Que sensação horrível, minha gente, ver o bichinho ali, engasgadinho nos meus braços. Claro que terminei o banho com uma culpa gigantesca e uma vontade de chorar maior ainda. O que me salvou foi a carinha linda do filhote depois da natação meia-boca, suspirando de tão relaxado, pronto pra mamar e cair no berço. Me aliviou também saber que esse tipo de "deslize", digamos assim, acontece nas melhores famílias, com as melhores mães de primeira, segunda, terceira...viagem. Ainda bem que a tal da perfeição é uma qualidade relativa e que, agora eu entendo, intenção de mãe é sempre a melhor possível.
posted by JULIANA DE MARI 7:16 PM


Terça-feira, Abril 27, 2004


O tempo voa


Gutão completou um mês de vida hoje. Um mês apenas e o pequeno já aprendeu tanta coisa. Aprendeu a fazer boquinha de peixe pra mamar; aprendeu a choramingar pra nos chamar quando se sente sozinho; aprendeu a dar gritinhos agudos pra reclamar seus direitos; aprendeu que existe a voz da mamãe e a voz dos outros (ah, tem também aquela voz grave, sempre festeira, a voz do papai!); aprendeu que nem sempre o colo que acalma é o meu; aprendeu que conversar, cantar e comer fazem parte das boas coisas da vida -- embora só tenha se aprimorado mesmo na última dessas artes; aprendeu que é preciso pouca coisa, fazer um biquinho basta, pra ganhar todas as atenções da casa...Esperto como ele é, já deve ter percebido também que tudo isso faz parte de um aprendizado maior, uma lição que vai ficar pra sempre: a de que a vida fora da barriga exige um tantinho de esforço e outro tantinho de prazer pra acontecer. E viva o nosso Gutão!!!
(Meu dever de casa, acho que tenho feito com louvor...Espero que, no futuro, o Pirata dê um visto de aprovação em nossas lembranças remotas e compreenda que tudo o que foi feito agora --e que será feito nos dias, meses, anos que estão por vir-- fez-se embuído das melhores intenções. Dou amor em palavras aqui e uso o cuidar diário pra traduzi- las pro lado de cá. O cansaço faz parte, mas o cheirinho bom que só o meu nenê tem é antídoto. Amor tem vez sempre, em primeiro lugar).

Retrato de um amor: viva o nosso Gutão!


Vovó e mamãe babam e o menino reclama: eu quero o meu bolo, pô!!



Tal pai, tal filho


Relax depois da mamada: a chupeta quase engole o narizinho lindo dele!

posted by JULIANA DE MARI 8:30 PM


Sábado, Abril 24, 2004


Troféu Micão


Foi o que eu deveria ter ganho ontem, dia de estrear a carteirinha de vacinação do Gutão. A comitiva "mamãe, papai e vovó" levou o pequeno pra tomar a BCG e a primeira dose da Hepatite no Posto de Saúde de Pinheiros. Um posto dos mais organizados, com tudo quanto é tipo de ambulatório. Antes das picadas, a enfermeira pediu pra gente pesar o filhote. Eu e o Rô fomos até outra sala, uma enfermeira simpaticíssima nos atendeu e a balança nos deu a melhor das notícias: Gutão passou o peso de nascimento, viva! Tá agora com 2755 gramas!
Voltamos pra salinha de vacinação infantil. O mico começa agora. Primeiro, a "tia" me olhou afirmando que "era meu primeiro filho, certo?" E eu: "sim, certíssimo". Ela devolve: "com essa cara pálida e essas olheiras, logo se vê!". Ninguém merece! Depois, chegou a enfermeira-carrasca, uma negra sorridente, grandona, de mãos enormes. E eu só pensando: "senhor, é ela quem vai espetar o bracinho tão delicado do meu guri???". Ela prepara as injeções. Primeiro, a BCG no braço direito. Diz que dói menos. Hãhã. Hora de segurar o Gutão. Teve jeito não, gente. Eu me descobri um prato de papa -- mole, mole.
O Rô assumiu, posicionou o pequenino (de olhinhos atentos, todo quietinho, coitadinho) e dá-lhe picada. Gutão deu um gritinho -- e eu caí no choro. Pra evitar um micão maior, a mainha delicadamente me empurrou pra fora da sala. Resisti bravamente. "Daqui não saio, daqui ninguém me tira". Ok, não aguentei segurar o filhote, mas fiquei ali, passando a mão na cabecinha dele, explicando o que tava acontecendo... Mas o micão não tinha terminado ainda. A enfermeira pegou a outra injeção, papai segurou a perna do pequeno e dá-lhe novamente. Dessa vez, o menino berrou, sentido. E eu chorei mais ainda. As enfermeiras me olhavam com aquela cara misto de dó e incredulidade, sabe? Pareciam dizer em silêncio: ô, mãe, deixa de ser covarde. Como se não bastasse o vexame, na hora de ir embora, cadê a minha bolsa, pelamordedeus???? Eu tinha esquecido na sala de pesagem, do outro lado do posto. Detalhe: o posto tava lotado, entupido, gente saindo pelo ladrão. Saio correndo, pedindo a todos os santos proteção, a enfermeira atrás de mim. Deus é pai, não é padrasto, e minha bolsa tava lá, em cima da mesa da pediatra. Uma outra santa enfermeira tava cuidando. Achou que alguma médica tinha esquecido ali. Se eu já tava pálida, nem sei dizer de que cor saí do lugar.
Bom, a mamãe aqui pagou o troféu micão, mas o Gutão, por sua vez, deu show de bom comportamento. Mostrou, mais uma vez, a força que tem. Só reclamou das picadas e logo recobrou a carinha tranquila de costume. Voltou dormindo no bebê-conforto. Passou bem a noite. Acordou mais, mas sem escândalo. Era fome, não manha. Hoje é que o bichinho tá meio irritado. A gente fica sem saber se é reação da vacina, se são os malditos gases, se é soninho chegando. Por precaução, já tirei a temperatura (tudo normal, 36 graus) e já dei Luftal (duas gotinhas, preventivamente). Também coloquei o CD do Natirutis pra tocar. Ele adora a música do beija-flor (aquela do "beija-flor, que trouxe meu amor, voou e foi embora...). Embalado ao som do reggae, capotou no colo da vovó. Dorme, anjinho, que logo mais é hora de mamar.
posted by JULIANA DE MARI 1:59 PM


Quinta-feira, Abril 22, 2004


Zumbi cup


Sete e meia da matina. Tou no quarto do Augusto, a postos pra segunda mamanda do dia (a primeira foi na madrugada). Toca o telefone. É a Lu. A mainha atende, espantada com o horário da ligação. A tia coruja se explica: "liguei pra conferir se tinha alguém acordado". Hã-hã. No ritmo em que estamos, seria de se estranhar se alguém ainda estivesse dormindo! Gente, a maratona do mama-troca fralda-põe pra dormir não dá trégua. Tou me sentindo num campeonato de resistência, uma verdadeira Zumbi Cup!!!! O pior é que, em geral, nós três despertamos juntos e vamos chegando por etapas no quarto do menino. Eu entro abrindo a boca; o Rô chega com o cabelo em pé; a mainha aparece franzindo os olhos. Uma cena de dar dó! O Augusto abre os olhinhos aos poucos, estica os braços e invariavelmente choraminga, clamando ou pelo leitinho ou pelo colinho. E olha que ele é um bebê tranquilo, que não dá showzinho à toa e que até já aprendeu a ficar quietinho com seus "pensamentos" esperando o sono chegar no berço. Considerando que nem um mês ele tem, eu diria que é um pequeno nota dez.
Mas, considerando que mesmo os pequenos nota dez têm lá suas exigências, tem sobrado pouco ânimo pra mamãe aqui. Especialmente porque a tal aura de enxaqueca virou enxaqueca de vez. Tou sem conseguir abrir os olhos direito de tanta dor...Dói meu lado esquerdo do rosto inteirinho, dos dentes ao "fundo do olho". Péssimo. Claro que eu faço das tripas coração pro meu filhote não me sentir, assim, tão destruída. A hora da mamada é o momento de pensar coisas boas, de sentir o cheirinho bom dele, de conversar baixinho sobre as coisas da vida e perceber, cheia de orgulho, que ele acompanha cada palavrinha com olhos e ouvidos atentos. Eita exercício eficiente de desprendimento, viu? Diria que é uma espécie de meditação: eu tiro o foco de mim, da minha condição de "sofredora", pra me elevar no bem-estar do outro, no caso, da outra, a barriga cheia do meu Gutão. E não tem nada mais recompensador no mundo do que dar o peito e, depois de satisfeito o suga-suga, ver o Pirata revirar os olhinhos e soltar um sorriso (eu sei que é reflexo, mas é lindo do mesmo jeito!) acompanhado de um longo suspiro. Nessa hora eu me sinto tão feliz, mas tão feliz...Gosto de pensar que o sorriso do menino é meio um código (ou será que ele tá rindo mesmo é das caras acabadas dos pais e da vó coruja???). Tipo assim: ele escancara a boquinha sem dentes antes de entregar os pontos em sinal aos anjinhos de que tá pronto pra ser levado a embarcar num sono gostoso. E começar tudo de novo dali a três horas!
posted by JULIANA DE MARI 2:44 PM


Segunda-feira, Abril 19, 2004


O primeiro ano do resto de nossas vidas



Hoje é 19 de abril, um dia muito especial. Dia do índio. Dia do Exército. Dia do meu Santo Expedito. Dia de comemorar nosso primeiro aniversário "oficial" de casamento!!!! Quem diria que nossa história ia dar em tanta coisa boa???? Eu, pernambucana. Ele, gaúcho. Os dois jornalistas, batalhadores em sucursais. A voz era conhecida; o resto, o acaso tratou de revelar. Nos encontramos em São Paulo. Àquela altura, cada qual com seu cada qual. Mas o destino fez a sua parte e a amizade virou amor sabor milkshake. O namoro engatou. O bem-estar cresceu. O vai-e-vem de malas de um apartamento pro outro saturou. E veio o morar juntos, no topo, bem alto, pertinho das estrelas. Depois, o casamento oficial, beira-mar, brisa gostosa, convidados-turistas, benção sob as vistas de Iemanjá (e a ajudinha providencial de Santo Expedito). Amigos reunidos, família feliz, casa cheia. Sinônimo de tudo o que a gente sempre quis.
Rô é dedo de Deus na minha vida. E o Gutão é o nosso milagre. É a resposta da vida ao tanto de amor que a gente vem cultivando. Te amo, meu lindo. Feliz 19! (Hoje é dia de comemorar. Vamos fugir do Gutão -- de olho no relógio, claro. Três horinhas só pra gente à noite, enquanto a vovó Ju dá uma de babysitter. Pai e mãe, sim, com muito orgulho, mas marido e mulher sempre.)
posted by JULIANA DE MARI 3:46 PM


Sexta-feira, Abril 16, 2004


Meu pintinho amarelinhooo


Acabamos de voltar da consulta na pediatra -- com boas notícias. O Gutão engordou suas 120 gramas devidas em uma semana e chegou à marca das 2540 gramas. Ou seja, deixou pra trás o peso com que saiu da maternidade e está prestes a bater o peso de nascimento. Isso quer dizer que as mamadas estão surtindo efeito, que o pequeno tá crescendo como deveria e que a mamãe aqui, modéstia à parte, tá de parabéns. É que não tá sendo moleza, não, minha gente. Tou muuuuito cansada. A pediatra, aliás, me achou com uma cara terrível. É que um mal estar chatinho tem sido minha companhia constante. Quando cheguei ao consultório, tinha acabado de ser acometida pelo dito cujo. Misto de tontura, náusea, uma dorzinha de cabeça daquelas "fininhas"...Diz ela que isso é "aura de enxaqueca", ui. Que é normal mães que sofrem desse mal apresentarem crises durante a amamentação. Tudo culpa dos hormônios, claro. Eu não havia associado à enxaqueca até ela levantar essa hipótese. Agora que ela falou, tenho quase certeza que é isso mesmo. Maldita aura. Vou ligar pra dra.Claudia em seguida pra saber se posso tomar alguma coisa além do Tylenol pra amenizar os sintomas (embora eu ache que não...).
Bom, o importante é que o meu Gutão tá forte e saudável. Dependendo da posição em que ele fica, aparece até um queixinho duplo, vocês acreditam? Lindo, lindo, meu pequenino. Tá virando gente grande e vai ter que encarar umas agulhadas semana que vem (já falei pro Rô que não tenho coragem de ver essa cena...). É hora da BCG e da primeira dose da vacina contra hepatite. A única coisa que a gente precisa combater ainda é um resquício de icterícia. Ele precisa tomar mais banho de sol, mas São Pedro não tem cooperado...Os dias em Sampa estão amanhecendo borrados de cinza. Aqui em casa, que dizem o ponto mais alto da Vila Madalena, particularmente, venta que é uma beleza. Daí, não tem como botar o menino na rua. Hoje, excepcionalmente, ele desceu. Tomou sol nas bochechas, mas não deu pra deixar só de fraldinha. Melhor não arriscar. Vai que meu pintinho amarelinho pega um vento de jeito e fica gripado? O "aMiguel", tadinho, sucumbiu. Tá gripadinho. Tomara que fique bom logo pra gente fazer uma visitinha. Aliás, não vejo a hora de poder dar umas pernadas com meu filhote a tiracolo!
posted by JULIANA DE MARI 4:18 PM


Quinta-feira, Abril 15, 2004


Salve-se quem puder


Nesta madrugada, eu e o Rodrigo fomos apresentados a uma modalidade de pum das mais surpreendentes: o pum atômico! O relógio marcava 1h da matina. Augusto choramingava querendo mamar. Antes de oferecer o peito, levei o pequeno ao trocador para cumprir o ritual do troca fralda. Tiro o macacão, tiro o body, passo o algodãozinho no bumbum e no pintinho dele. Tudo sob controle. E eis que, quando me viro pra jogar a fralda suja no lixo, vem a rajada. Trooooooooooon. Um baita pum, seguido daquela cagadinha básica -- líquida, amarelinha, uma beleza. Bem que tentei me esquivar, mas a bomba foi mais rápida que eu. Me vi ali, pijama inteirinho borrado, havaianas emporcalhadas, chão do quarto grudado de tanto coco. O mais impressionante é que a potência do pum foi tão grande que o Rodrigo ouviu lá do nosso quarto e veio correndo me socorrer! Eu fiquei suja dos pés à cabeça literalmente. Sem ação. Não sabia se ria, se chorava, se corria pra tomar banho, se aquecia o menino...A sorte é que, além da mamãe, o Gutão propriamente dito só sujou a fralda e o bumbum; seria muita crueldade ter que mudar a roupinha toda naquela hora e naquele friozinho. De todo modo, que fique a lição: nunca, never, jamais troque um bebê sem colocar uma fraldinha em cima das partes pra "aparar" possíveis manifestações fisiológicas fora de hora. O alvo pode ser você!


posted by JULIANA DE MARI 2:25 PM


Quarta-feira, Abril 14, 2004


Ela só pensa naquilo...


Cama virou idéia fixa na minha cabeça -- e sem conotação sexual alguma. Ora penso em fazer o Augusto dormir ora sonho em eu mesma me entregar aos braços de Morfeu. Tenho me sentido muito cansada. Vez por outra, bate uma sensação de fraqueza, uma tontura, um mal estar...Preciso relatar pra dra.Claudia esses episódios...Tou comendo direito e tenho procurado descansar sempre que o Gutão dá folga, mas parece que não tem sido o suficiente pra repor minhas energias. E olha que minha santa mãe tem dado uma baita força nas horas em que o pequeno fica pescando e não consegue encontrar o sono. Hoje de manhã, depois da primeira mamada matutina, Augusto em seu bercinho, corri pra nossa queen size e desabei. Acordei quase ao meio-dia, ouvindo o chorinho bom dele e pressentindo que era hora do banho. Antes de me levantar, no entanto, fiquei ali, chorando um tantinho pra "lavar" as minhocas da cabeça. É que, por um momento, bateu o receio de não estar conseguindo dar conta do recado, digo, do meu pacotinho, como deveria...Sei lá, fico dividida entre a certeza de que essa moleza faz parte e que eu preciso descansar e uma culpa danada de não conseguir suprir o pequeno do que imagino que ele precisa 24 horas por dia...Acho que fui acometida pela síndrome da SuperMãe!! Socorro!!!!!!
Dormir, de fato, virou artigo de luxo pra mim. Não imaginei que ia ser diferente, mas nunca imaginei também que amamentar cansasse tanto...O Gutão se revelou de uma pontualidade britânica em suas solicitações. Uma amostra da nossa agenda de ontem/hoje pra vocês terem idéia da maratona:
16h - mamada da tarde, depois de quase uma hora de espera nos braços da vovó. Eu fugi uma hora antes. Fui dar um jeito nas madeixas. Cortei. Por mero acaso, o cabelo ficou parecidíssimo com o da Meg Ryan, coisa que sempre quis e nunca achei que daria certo. Vejamos o que acontece amanhã, quando eu lavar...
19h - primeira mamada da noite. Gutão meio irriquieto, hora da cólica chegando. O pai chega junto no meio do "serviço". O guri fica alerta. Começa a choradeira.
21h - continuação da primeira mamada da noite. O Pirata quer dormir, mas os gases não deixam. Só o peito pra fazer o bichinho relaxar.
23h - última mamada da noite. Apenas 15 minutinhos e o Gutão capota.
1h45 da matina - Gutão dá sinal de que a fome bateu. Vou lá meio zumbi. Ele mama bonitinho e volta a dormir. Levamos uma hora pra finalizar o ritual.
4h45 da matina - O reloginho soa outra vez. O Rô levanta comigo, dá "oi" pro filhote e volta a dormir. Gutão mama seus 20 minutinhos, troca a fralda e volta pro berço satisfeito.
8h30 da manhã - Hora da primeira mamada da manhã. O menino se comporta direitinho, mama avidamente e logo cai no sono. Engoli o café e corri pra cama novamente.
12h - Reconheço o choro do Augusto. É hora de tomar banho. Quero levantar, mas meu corpo pesa. Choro um tantinho e espanto as minhocas. Ajudo a vovó a fazer o menino nadar. Enquanto ela enrola ele, eu vou almoçar. Ofereço o peito devidamente saciada.
13h - Primeira mamada da tarde. Gutão suga com vigor. Dá gosto de ver.
14h30 - Tento fazer o menino dormir. Ele não se rende. Procura o peito. Ofereço e ele aceita. Mama mais 15 minutos. Parece que agora o sono chegou...Coloco no berço e rezo...Ledo engano! Gutão arregala os olhos e abre o berreiro.
15h00 - Jogo a toalha. Passo o bastão, digo, o Gutão pros braços da vovó. Trocamos a fralda de xixi, fazemos massagem na barriguinha e o pequeno segue, olhinhos vermelhos, lutando contra Morfeu.
15h30 - Agora. Enquanto eu escrevo aqui, a vovó canta ali. Gutão enroladinho na mantinha azul, parece dormir tranquilo. Dou uma espiadinha. A vovó Ju diz: "Se puser ele no berço agora, é choro na certa. Deixa adormecer mais". Ufa! Acho que quem vai dormir sou eu!

posted by JULIANA DE MARI 3:05 PM


Segunda-feira, Abril 12, 2004


Das coisas que eu (já) aprendi



Me vi entabulando uma conversa surreal com o Rô hoje na hora do almoço. Entre um assunto e outro, eis que jogo na mesa a seguinte indagação: "Artur, Antonio, Joaquim ou João? Que nome tu preferes pro segundo filho? Sim, porque se for menina é Clara". O pior é que ele entrou no clima e foi logo dizendo que a gente vai tentar a menininha tantas vezes quantas forem necessárias até ela chegar. Pasmem! E minha mãe, então? Emendou, dizendo que há alguns métodos em que se tenta "produzir" o sexo do bebê, que depende da proximidade da ovulação e tal e coisa. Claro que a ficha caiu no momento seguinte e que morremos de rir com essa demonstração de alegria tamanho família.
É, minha gente, é tão bom ter o Augusto em casa, é um amor tão avassalador, é uma energia de renovação tão grande, que, sem querer ser injusta com o pequenino e nem roubar dele toda a atenção que ele tem direito, dá mesmo vontade de encher a casa de rebentos. Pra falar a verdade, nossos planos de pais de primeira viagem incluem um trio. Mas vamos ver o que a vida vai nos ensinar com a chegada do Gutão.
Eu já aprendi algumas coisas. A primeira é que bebês e muvuca não combinam. O Gutão, ao menos, gosta de muita calma nessa hora. Gosta de meia-luz, de voz suave, de movimentos delicados. Gosta de ouvir histórias, de tomar um solzinho, de dar suas braçadas na aguinha quente. Tudo, assim, numa tranquila curtição. A segunda é que a natureza é mesmo sábia e que o timming da amamentação é impressionante. É só o Pirata dar o alarde no berço e, acreditem, meus peitos começam a vazar leite!!! A terceira é que mãe é mãe e que ter a minha por perto tem sido uma experiência das mais valiosas -- pra mim e pro Gutão. É pro colo da vovó que ele "corre" quando tá irritadinho, quando quer arrotar ou quando a Juju aqui precisa de uma pausa pra descansar. Ah, esqueci do aprendizado mais importante dos últimos dias: dormiu o nenê, que durma a mamãe!! Ficar na função-Gutão, mesmo ele sendo o anjinho que é, dá uma canseira braba. Acho que o corpo trabalha acelerado pra produzir o leitinho de todo dia e acaba sugando nossas energias junto. Além do que, embora não pareça, eu ainda estou em quarentena, né? Eu, confesso, tava relutando em me entregar à cama a cada intervalo que o pequeno dá durante o dia. Sei lá, fico me sentindo meio "inútil", hãhã. Mas não tem jeito e eu preciso respeitar a nova rotina e me permitir essa "preguiça". A casa que fique pra depois, os amigos que perdoem a ausência, as visitas que agendem a espiadela no mocinho pro final de semana. E que Morfeu me receba com carinho, porque, basta ouvir um ganidinho do filhote, pr'eu esbugalhar os olhos e me mobilizar pra pular da cama rapidinho!! Eis o mistério da maternidade: se o baby chora, a gente fica preocupados. Se o baby não chora, fica também. :-)

Papo sério: mamãe tenta convencer Gutão de que a hora é de dormir

posted by JULIANA DE MARI 6:28 PM


Sábado, Abril 10, 2004


Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?


Desta vez, o coelhinho foi generoso na entrega. Trouxe um pacotinho que não é de chocolate, mas tem o recheio mais saboroso do mundo: felicidade. Aliás, trata-se de um pacotinho que veio com recheio extra!! Pois é, gente, a persistência nas mamadas deu seus primeiros frutos. O Augusto engordou 80 gramas em quatro dias (20 gramas por dia), o esperado pela pediatra com a tática das mamadas regulares. O pequeno engrenou a primeira, tem solicitado o peito feito reloginho, a cada três horas, e, de fato, já demonstra uma barriguinha mais "estufada" e saudável. Diz a médica que ele até parece mais comprido! Não deu pra tirar as medidas, pois não fomos ao consultório. A visitinha foi ao hospital onde ela estava de plantão ontem (a moça atende na UTI Pediátrica; não é mole, não). Vamos repetir a pesagem daqui a uma semana, na sexta que vem. O fato é que o pequeno já recuperou o peso de quando saiu da maternidade: 2420 Kg, viva! Enquanto ele engorda, eu me sinto esvaziando. A própria vaca leiteira, que pinga leite abundantemente depois do banho. Deve ser o quentinho da água que estimula a produção. Ou, talvez, o fato de pensar no baby com carinho ate nesses momentos "eu-comigo-mesma". Por falar em banho, vejam como nosso pequeno gosta da nataçâo diária!


posted by JULIANA DE MARI 3:34 PM


Quinta-feira, Abril 08, 2004


Um dia depois do outro, depois do outro...


...e não é que parece que o nosso Gutão já cresceu?? Sei lá, "encheu" um tantinho o rostinho; segundo o pai, tá com a barriguinha mais cheia...Que assim seja e que na próxima pesagem, amanhã, sexta santa, a gente tenha uma boa notícia. A de que o leite do peito tá sendo suficiente pra garantir o sustento desse "pingo de gente". Mas eu acho mesmo que o pequeno tem nos dado sinais de que tá ficando independente. :-) Começou com o umbigo, que caiu segunda passada e tá bonitinho, bonitinho. Seguiu ontem com um episódio que denota o caráter sociável do garotão. Tou lá dormindo tranquila depois da mamada das 9h, achando que ele tá fazendo o mesmo no berço -- e não é que o danadinho tinha descido pra tomar sol e socializar com os outros babies do prédio sem me pedir permissão? Só soube da empreitada quando a Marcia, babá, adentrou meu quarto com o guri fazendo bico e querendo mamar novamente!!! Ontem, mais uma prova de que o tempo é senhor do mundo. Augusto resmungando, a vovó sugeriu colocá-lo de bruços no trocador pra ver se ele soltava uns punzinhos e se acalmava. Assim o fizemos. E o bichinho saiu praticamente engatinhando, de pescoço pra cima, durinho, durinho. Ficamos os três, vó, pai e eu, estarrecidos com o tônus e os reflexos do menino em seus 12 dias de vida. Esse aí vai dar um santo trabalho e não vai demorar muito, não. A gente que se cuide pra não ficar pra trás!
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O Augusto já tem um arsenal de caretas -- e apelidos -- que vocês precisam ver. A mais tenebrosa é uma em que ele franze a testa, revira os olhos e faz bico, abrindo a boquinha em forma de "o". A vovó Ju fica toda assustada e pede pro "velhinho" (sim, com a testa enrugada ele é o próprio!) colaborar e dar um jeitinho de aliviar nas feições. Carinha engraçadinha ele fica mesmo é quando mama. Todo vermelhinho, ganhou a alcunha de "tomatinho". Se larga o peito com um olho aberto e outro "amassado", coisa que acontece também quando acorda, a gente solta um "oi, pirata". Quando coloca o pijama de sapinhos pra dormir (sim, ele já tem seu ritualzinho noturno), eu carinhosamente o trago perto do peito e o chamo de "sapulho". Na hora do banho, bracinhos e perninhas querendo agarrar o vazio, ele vira um "pingo de gente", meu "peixinho" . E a lista segue a cada novo ângulo, a cada novo jeitinho que a gente identifica no pequenino, a cada traço de personalidade que se deixa revelar. Ele já demonstrou que é tranquilo -- enquanto não tem algo ou alguém o incomodando. Tem pulmões fortes, sabe exigir seus direitos e gosta de uma boa conversa (pega no sono rapidinho quando a gente canta ou conta alguma coisa pra ele). Tem um ritmo próprio pra fazer as coisas (mama cinco minutos, pára, contempla o colorido do quarto, me olha nos olhos e segue assim...), gosta de estar junto -- mas detesta muvuca. Também não gosta de passear de braço em braço. Fica irritadinho, o sono foge. É seletivo, esse moleque. Reserva seu calor pras pessoas realmente especiais. Certo ele que, desde cedo, tá se exercitando na arte de fazer escolhas.
posted by JULIANA DE MARI 11:52 AM


Terça-feira, Abril 06, 2004


Um capítulo à parte



Toda grávida que conheço fica à beira de um ataque de nervos à medida em que o nono mês se avizinha. Entre as muitas inseguranças, a do parto martela sem cessar. Pois eu quero fazer aqui um testemunho: enquanto a gente se preocupa com a temida dor da hora H, perde uma chance valiosa de preparar o corpo e o espírito pruma empreitada muito mais desgastante (e muito mais determinante pro bem estar dos filhotes). Tou falando da amamentação -- essa benção que Deus nos dá de brinde junto com a gravidez. Ninguém nos prepara direito praquele momento em que as enfermeiras trazem o bebê do berçário pela primeira vez e nos incumbem de colocá-los no peito e alimentá-los. Eu recebi o Augusto com alguma tranquilidade e muita vontade, mas confesso que não tinha a menor idéia de como segurá-lo, como encaixar o bico do seio na boquinha minúscula dele, como estimulá-lo a agarrar o mamilo, como ajudá-lo a sugar, como saber se ele estava saciado, enfim...Fora que ninguém avisa também que a tal descida do leite, evento que deve ser comemorado à exaustão, não é, digamos assim, um mar de rosas. Os seios dobram de volume, doem, ficam duros que nem pedra, se enchem de nódulos. Dizem as enfermeiras que compressa de água fria e massagens circulares ajudam. Mas quem tem ânimo de ficar massageando o peito noite adentro depois do esforço do parto e do esforço do entendimento com o bebê????
Segundo dia do Augusto em casa, bichinho batendo cabeça literalmente sem conseguir pegar o peito direito, me vi aos prantos, fazendo massagem num peito, "ordenhando" o outro com as mãos, temendo que o pequenino não tivesse alimento suficiente pra se fazer forte e saudável. Típico de mãe de primeira viagem. Superada a madrugada, recobrei minha serenidade e sintonizei no seguinte pensamento: se tenho leite, faminto ele não vai ficar. Um dia após o outro, muita calma nessa hora (de verdade: nada de agonia, nada de falatório, quarto dele com uma luz suave, eu muito dona da situação, pensamentos bons fluindo, carinho na cabeleira que fica mais clarinha a cada despertar...) e o milagre acontece. Hoje, dez dias de nascido, o Augusto mama seus 20 minutinhos a cada 3/4 horas e já faz revezamento nas tetas sem reclamar. Até anteontem, a gente tinha que enganar o danadinho na hora de oferecer o seio direito. Ele resmungava, não conseguia agarrar o mamilo e, por isso, não formava o "bicão". O jeito era dar o peito com ele sentadinho, enfiado num buraco entre o meu quadril e o braço da cadeira, numa posição que roubava risadas dos pais corujas sonâmbulos. Aliás, diz a pediatra que essa posição é mesmo a ideal pra facilitar a vida dos bebês miúdos, que não têm tanta força pra sugar.
Falando em pediatra, a recomendação dela ao avaliar o Augusto ontem é que está tudo absolutamente dentro da normalidade. Ele perdeu cerca de 300 gramas desde que nasceu, mas a gente precisa levar em consideração que começou a fazer xixi e coco, ou seja, começou a colocar líquido pra fora do corpo. A tática agora é fazê-lo mamar um peito até esvaziar (é engraçado falar assim, mas a gente sente mesmo murchar, como se fosse uma bexiga perdendo ar) e depois oferecer o outro. Se ele não se animar, entra em cena a super bombinha tira-leite e a gente oferece uns 20ml no conta-gotas. Ainda não precisei fazer isso, pois ele, surpreendentemente, tem se mostrado bem animadinho pro segundo tempo. Ver o filhote fazendo boquinha de peixe, agarrando com vontade o mamilo (gente, isso dói!!) e sugando até a boca transbordar leite, faz esquecer o cansaço, as horas, a fome. Parafraseando Caetano, me sinto a própria "vaca das divinas tetas": a pessoa mais importante do mundo, me sinto pertencendo -- a esse pequeno ser que não tem nem tamanho de gente ainda, mas é alvo de sentimentos surpelativos. É um amorzão que transborda a cada sugada.
Moral da história: amamentar é um ato de entrega. É preciso dar muito mais que o peito. É preciso doar tempo, paciência, serenidade, calor. É preciso muuuuuito amor.
posted by JULIANA DE MARI 6:12 PM


Domingo, Abril 04, 2004


É gol!


"Vai dar Grenal". Foi assim que anunciamos pra Dani e pro Duda que quem estava a caminho era o Augusto, companheirinho desde a barriga do querido Miguel. Hoje, nove meses depois, oito dias de vida do nosso Gutão fora da caverninha e doze do amigo bochechudo, eis que finalmente aconteceu o encontro da duplinha. Dia de jogo do tricolor gaúcho contra o colorado (infelizmente, o Grêmio perdeu de 2X1). Pais vestindo a camisa do time e filhotes indo pelo mesmo caminho. Eles botam fé que os garotos vão honrar a vontade paterna e levar adiante a rivalidade no futebol. Eu tenho lá minhas dúvidas se, nascidos e criados em plena Paulicéia, eles não vão se debandar prum time paulista...Enquanto eles não podem se manifestar, os pais corujas vão se esbaldando. Confiram aí o que o Rô e o Duda aprontaram.`
PS: Nem parece que o "aMiguel" tem só quatro dias a mais que o Gutão, né? Pra vocês verem a diferença que umas gramas a mais fazem. No caso, não são poucas gramas. O Miguel nasceu um quilo mais forte que o Augusto e quatro centímetros maior!!!

Miguel e Gutão em dia de Grenal: torcida organizada desde pequenininhos

posted by JULIANA DE MARI 11:20 PM


Sábado, Abril 03, 2004


E fez-se a luz



"Respira fundo, enche os pulmões e segura, como se fosse atravessar uma piscina ida e volta, e força, força cumprida". Quem deu as instruções foi o anestesista, dr.Lobo, colocando as mãos sobre a minha barriga e pedindo que eu, a cada esforço, as empurrasse para cima. Na outra ponta da maca, dr.Gil e dra.Claudia, marido e mulher, devidamente paramentados com aquela roupa azul esterilizada que médico usa em cirurgias, anunciavam que era hora do Augusto nascer. Ao meu lado, o Rô, que havia abandonado a roupa "civil" e já estava preparado para o grande lance vestindo touca, máscara e uniforme azuis (traje que caiu mui bem num gremista em dia de vitória do tricolor gaúcho). Duas máquinas fotográficas a tiracolo, enquanto eu e os médicos "trabalhávamos", o paizão documentava todos os momentos do trabalho de parto. O registro começou na sala do pré-parto, na verdade.
Mas deixa eu organizar melhor esse relato. Chegamos ao hospital Santa Catarina por volta das 9h30 da manhã do sábado passado, dia de sol e céu azul em São Paulo. Como tinha guia da médica pedindo a internação para indução do parto, fui rapidamente encaminhada para o oitavo andar onde fica o centro obstétrico da maternidade. Minha mãe e minha sogra estavam de acompanhantes. As duas visivelmente nervosas, estabelecendo uma bonita cena de ajuda mútua para aplacar a ansiedade e me tranquilizar. Tive que deixá-las, e ao Rô também, ali, na frente da grande porta metálica que separava a salinha de recepção das salas de pré-parto. Quando entrei sozinha pra fazer os preparativos da indução, bateu um medo gigante...A enfermeira pediu que eu tirasse toda a roupa, vestisse aquele avental que deixa o bumbum à vista e me deitasse na maca pra que ela avaliasse minha temperatura e pressão. Ela também verificou a dilatação, que, aquela altura, estava "dois pra três". Eu rezei muito, expliquei novamente pro meu Gutão o que ia acontecer e pedi a Deus serenidade pra dar conta de ajudar o meu filhote a chegar ao mundo de forma tranquila e rápida. Bom, fui encaminhada prum quarto simples e iluminado, onde me puseram no soro com ocitocina e colocaram aquele aparelho de cardiotocografia na minha barriga pra monitorar o bem-estar do Augusto. As contrações começaram meia hora depois disso. Segundo a enfermeira que estava me assistindo, eram "boas". Eu digo que eram intensas. A barriga ficava dura que nem pedra, mas não havia muita dor. Parecia uma cólica meia-boca de menstruação.
A dra.Claudia chegou duas horas depois do início da indução. E já chegou estourando a bolsa. Levei um susto na hora em que vi o tamanho do instrumento que ela ia usar pra fazer isso, uma agulha gigante, mas não doeu nadinha. Aliás, foi engraçado: o líquido amniótico jorrava sem parar, bem quentinho. Ela me mostrou depois o tanto de água que saiu e explicou que tava tudo ótimo. Mostrou os gruminhos boiando também, sinal de maturidade do bebê. Depois dessa, eu tive que manter meu equilíbrio na base de muita respiração, muita reza e muita massagem do Rodrigo nas minhas costas, na altura da minha bacia. As contrações foram aumentando, vinham em intervalos menores e cada vez mais fortes. Dói, dói, dói...e passa. No intervalo entre uma e outra, eu conversava serenamente com a doutora, que nos contava de seus primeiros anos de estágio e da tortura de fazer parto sem anestesia em hospitais públicos. Quando a dor chegava, eu fechava os olhos e me concentrava pra passar logo. Como eu descreveria essa dor? Exatamente como nos contam nos cursos de grávidas por aí: é cólica de menstruação multiplicada por dez. Mas, se a mulher não se render ao desespero, dá pra controlar a sensação dolorosa até a hora da anestesia, sim. Eu tentei não dar bola pra minha agonia. Aliás, o Rô ficou impressionado que o máximo de reclamação que eu soltei, no auge da dor, foi um "caramba"!!! Houve um momento em que achei que ia perder o controle, mas tinha mais a ver com a grávida que tava no quarto ao lado e que berrava a cada contração do que propriamente com a minha sensação dolorosa. A mulher gritava tanto, urrava tanto, que eu comecei a ficar nervosa por tabela.
Foi exatamente aí, quando eu achava que não ia mais dar conta de manter o mínimo de compostura, que a dra.Claudia anunciou a chegada do anestesista. O auge da minha sensação dolorosa coincidiu com o momento apropriado pra anestesia, graças a Deus! Eu já tava com 5 pra 6 centímetros de dilatação. O dr.Lobo, um médico todo prosa, figuraça, um dos pioneiros no Brasil a fazer analgesia de parto, chegou botando o Rodrigo pra fora da sala. Acho que fez isso pra ele não se assustar com o tamanho da seringa e da agulha usadas no procedimento. Eu confesso que foi difícil ficar sentadinha, sem nem piscar, tendo uma contração forte atrás da outra. Uma enfermeira me ajudou, segurando meus ombros, e acho que ficou chocada com meu repertório de caretas quando a dor chegava! Não gritei, não chorei, mas reclamei um monte e fiz muuuuuuuuuuuuita cara feia. Anestesia devidamente aplicada, eu tratei de me concentrar novamente, repetindo pra mim mesma que faltavam apenas duas ou três contrações preu atingir o nirvana. E ele veio como o prometido pelo anestesista. Senti as pernas formigarem e pronto, nem mais uma dorzinha da cintura pra baixo. Continuei tendo a sensação tátil, mas zero, nada, niente, de dor. Nem quero imaginar como teria sido fazer o toque durante as contrações. Diz minha médica que é a pior parte do trabalho de parto sem anestesia.
Com a bendita, minha dilatação evoluiu rapidamente. Logo eu tava com 8 centímetros e a dra. Claudia começou a me pedir pra fazer força. Como eu não sentia nada do quadril pra baixo, ela orientava minha força colocando a mão sobre a minha barriga ou segurando minha cabeça pra frente. A cada contração, eu empurrava, ela sentia a cabecinha do bebê e mexia nas partes baixas ajudando a abrir passagem ou coisa do gênero. Não senti absolutamente nada. E não fiquei cansada como imaginava que ficaria. Aquelas cenas de filme, com mulheres suando e pedindo trégua, não combinaram em nada com meu trabalho de parto. Foi tudo muito tranquilo, como eu sempre desejei. Minha médica teve papel fundamental no cultivo desse clima. O Rô, então, nem se fala. Me ajudou um monte, fazendo carinho, soltando piada, abrindo aquele sorriso generoso que só ele tem.
Depois da anestesia (e mesmo antes), nos intervalos das contrações, a gente conversava sobre tudo. Descobrimos que o anestesista fez o caminho de Santiago recentemente, que a dra. Claudia conheceu o marido ainda quando eram estudantes e por aí vai. Eu ficava de olho na máquina que registrava as contrações em gráfico e só ficava imaginando o tanto de dor que provavelmente estaria sentindo se não fosse a agulhada mágica.
E foi assim, quando percebi, já estavam me colocando numa maca e me levando pra sala de parto propriamente dita. A dra.Claudia pedia minha ajuda pra fazer o Augusto nascer até às 17h. Dizia ela que, na verdade, havia se planejado pras 16h e que queria ir pra casa logo encontrar o pequeno Lucas. A atmosfera na sala de parto estava especialmente bonita. Ver marido e mulher trabalhando juntos pra trazer uma vida ao mundo foi emocionante.
E aí a gente volta pro início desse relato. Fiz força algumas vezes e o dr. Gil anunciou a cabecinha do Gutão cheio de alegria e, finalmente, chamou o pai pra assistir ao acontecimento da tarde. Foi aí que entrou a tal respiração de travessia de piscina e a força comprida. Não senti absolutamente nenhuma dor, mas senti exatamente a hora em que meu filho "escorregou" e chegou ao mundo. Já chegou chorando, o danadinho. Os médicos diziam "nasceu, nasceu". E eu, eufórica: "nasceu? cadê, cadê???". Não vou esquecer jamais desse momento: um pacotinho de bocão vermelho berrando a plenos pulmões, todo sujinho, cabeludo, a cara do pai. Soltei um "seja bem-vindo, meu filho". Minha felicidade era tão grande, tão grande que, pela primeira vez na vida, minha emoção não se traduziu em lágrimas. Eu não consegui parar de sorrir. O olhar embaçado do Rô pro pequenino também vai ficar registrado pra sempre. O meu marido, meu amor, minha maior certeza na vida, assumiu ali, na sala de parto, o papel de melhor pai que o Augusto poderia ter.
Levaram o pequeno pra se limpar e o Rô foi junto. Fiquei ali, maravilhada, vendo luz por todo lado, enquanto os médicos davam conta da placenta e outros quetais que fazem parte. O Augusto nasceu às 17h19 (eu só lembrei de olhar pro relógio um minuto depois) e, em meia hora, eu já tava no quarto, contemplando a luz que emanava dos sorrisos das vovós, do vovô Zeca, do tio Bruno e da Raquel. Foram seis horas de espera, seis horas de trabalho conjunto e o resultado foi um parto lindo, tão lindo quanto o meu Gutão. E sabe que pouquíssimo tempo depois do parto, ainda voltando da anestesia, eu não conseguia lembrar de jeito nenhum de como foi a dor que senti?? Não fica registro, minha gente. Impressionante.
E aqui estamos, uma semana depois, primeira semana do Gutão fora do barrigão, esbanjando alegria. São 19h20 agora, o pequeno dorme tranquilo em seu bercinho e mal sabe que jájá vamos acordá-lo pra mais uma mamada. O maridão tá aqui ao lado, tomando chimarrão, CD de jazz tocando, organizando nossas fotos. A voinha saiu, toda bonitona, pro casamento do meu primo. Eu tou escrevendo há um bom tempo, viajando nas minhas próprias letras, revivendo a benção que o sábado passado significou em nossas vidas. Tou cansadinha, sim, mas longe de reclamar. Contemplar os olhinhos azuis do meu pirata (ele abre um e fecha o outro!) e sentir aquele cheirinho bom que só bebê tem, vale qualquer sacrifício. E viva o meu Gutão!!!!!!!!!!

Ah, uma curiosidade: no sábado, nasceram onze bebês no Santa Catarina. Apenas dois de parto normal. Um deles foi o Augusto. Me senti vitoriosa, mulher-macho, sim, senhora. E recomendo a todas as grávidas que por ventura lerem esse registro que, ao menos, tentem. Trabalhem a cuca antes, peçam apoio dos companheiros e dos médicos, lembrem que a anestesia existe -- e força, força comprida que os babies agradecem.

posted by JULIANA DE MARI 7:10 PM


Sexta-feira, Abril 02, 2004


As aventuras de um bebê


Depois de uma noite tranquilíssima (no caso, a de ontem), hoje parece que o pequenino vai nos brindar com mais uma "sessão canseira". Digo isso porque pressinto que o acordar forçado, a corrida pra não perder o horário na pediatra e o finzinho de tarde preenchido por um chororô contínuo foram demais pro nosso amadinho. Sim, o Augusto foi a sua primeira consulta na pediatra. Até que foi comportadinho, andou de carro confortavelmente instalado em sua cadeirinha e dormiu como um anjinho na sala de espera. Aliás, o consultório foi palco do primeiro encontro com o Miguel, da Dani!! Os destinos desses dois, de fato, foram traçados na maternidade! O Miguel tava lá mamando animadamente depois da consulta quando chegamos. Claro que registramos tudo em fotos que vou postar pra vocês conferirem amanhã (pifaram as pilhas da máquina digital...).
Bom, nossa conversa com a médica foi ótima. Ela recomendou banho de sol duas vezes por dia, pois o filhote ainda tá meio amarelinho, resquício de uma leve icterícia. Também sugeriu que eu ofereça um peito por mamada apenas, até ele se sentir saciado. Ela é contra essa coisa do tira-e-bota de um lado pro outro. Diz que há bebês que ficam tão irritados com essa troca que interrompem a amamentação na hora em que o leite bom deveria ser sugado. Sim, porque ela explicou que o primeiro leite que desce é o responsável pela hidratação do bebê. O do final da mamada é o que engorda, o que é rico em proteínas e nutrientes. Eu confesso que tava meio preocupada com essa coisa dele não estar mamando taaaaanto (tem sugado, em média, 20 minutos), mas ela me tranquilizou. Disse que logo, logo ele vai estar chegar à marca dos 40-50 minutos. O Miguelito já chegou lá. Mama que dá gosto! A médica ficou bem satisfeita com o resultado do Apgar do nosso pequeno (9/10) e com os reflexos que ele demonstrou no exame. Ah, claro que, com tanta manipulação, ele xixou a maca dela inteirinha!!! E quando chegou em casa, todo irritado por causa de outra fralda suja, nos brindou com uma metralhadora de coco que, por pouco, não sujou o tapete do quarto todo e não atingiu em cheio a barriga do pai!! Hilário!

posted by JULIANA DE MARI 11:05 PM


Quinta-feira, Abril 01, 2004


Seria trágico se não fosse cômico


Está dada a largada à maratona do auê. Minha gente, não é que foi só elogiar pra esse pequeno mostrar que tem fôlego suficiente pra berrar uma noite inteirinha sem dar trégua??? Ontem foi assim: bota no peito, chora, tira do peito, berra, volta pro peito, esperneia, tira do peito, grita, e assim sucessivamente. Está previsto nos livros, faz parte da adaptação do bebê à mãe, ao peito, à vida fora da barriga, mas depois de algumas horas com decibéis a mais nos ouvidos não há serenidade de mãe que resista. Não teve jeito: Gutão chorou de um lado e eu chorei do outro. A vó Ju e o paizão, aflitos, tentavam ajudar ora o pequeno ora a marmanja aqui.
E assim seguiu nossa segunda noite em casa. Da meia-noite às 6h da matina o guri não deu trégua. Alternava momentos de profundo cansaço, quando se permitia uma sonequinha rápida no berço, com outros de profunda ira. Nesses aí, ficava vermelho, franzia a testa, procurava avidamente meus mamilos e, claro, de tão irritado, não conseguia mamar. Tivemos que apelar pra colherinha de chá. Tirei o leite bombando com as mãos e a vó ofereceu pro danadinho que tomou tudo e, mesmo assim, continuou reclamando. Como não temos dicionário pra decifrar o choro, levantamos várias hipóteses pra tamanho desconforto. Talvez ele tenha começado a se incomodar com gases, talvez fique realmente puto da vida porque não consegue ainda "pegar" o peito de primeira, talvez estivesse com frio, ou, quem sabe, estava apenas manifestando sua estranheza em relação ao mundo aqui fora. Afinal, são só cinco dias longe do bem bom do barrigão...
Sei lá, só sei que fiquei com tanto dó, tanto dó, que não consegui dormir nem quando ele dormiu. Minhas costas estão trituradas, meus olhos ardem, mas eu não tou nem aí. A única coisa que me importa hoje, do fundo do coração, é o bem estar desse pequeno. Graças a Deus, a minha crise de choro foi breve. Apenas um desabafo, misto de inexperiência e cansaço. Foi bom ter me permitido assumir essa agonia porque, além de saber que isso é absolutamente normal, não deixei a ansiedade tomar conta. Recuperei rapidinho o meu eixo, busquei lá dentro minha serenidade de volta e mantive meu foco ajustado pro entendimento com o meu filhote. Mas a madrugada não foi só agonia, não. Teve lances que valeram boas risadas. O melhor deles foi protagonizado pela vovó Julice. A última acalentada da noite ficou sob responsabilidade dela. O Rô já havia entregue os pontos há tempos e eu realmente precisava deitar um pouquinho. Depois de um baita esforço pra fazer o Gutão dormir e ficar quietinho no berço, a vó também se rendeu a Morfeu. Só que tava tão agitada que acabou tendo pesadelo. Resultado: no auge do sonho ruim, soltou um grito que fez o nenê acordar novamente!!!
Mas nem tudo são lágrimas na nossa maratona de adaptação. Hoje foi dia do primeiro banho do Augusto em casa. Papai, mamãe e vovó devidamente paramentados de algodão, gaze e sabonete glicerinado estrearam a banheira do pequeno com louvor. Houve um lance cômico que, mais uma vez, envolveu a vó Ju. Enquanto a gente lavava a cabecinha do guri, ela ficou incumbida de encher a banheira pro banho de "corpo". Estava crente que a água de uma chaleira seria suficiente, tsc, tsc, tsc. Claro que a cabeleira do Gutão ficou cheirosinha bem antes dela concluir a tarefa. Bom, de início, ele reclamou, mas na maior parte do tempo curtiu a aguinha quente e a sensação de ficar limpinho. Nem reclamou na hora de enxugar e muito menos quando fomos colocar roupinha nova. Ah, vestir o garotão tem sido um capítulo à parte. A cada troca, surge um Gutão ainda mais lindo!!!!

posted by JULIANA DE MARI 6:12 PM


Quarta-feira, Março 31, 2004


A primeira noite de um homem


O Augusto teve alta da maternidade ontem na hora do almoço. Saiu levando em sua carteirinha um 9/10 no teste Apgar, aquele que avalia os reflexos dos recém-nascidos no primeiro e no quinto minutos de vida. Ali também ficou registrado que o pequeno perdeu peso normal durante sua estada na maternidade. Chegou ao mundo com 2,690 Kg e saiu com 2,420 Kg, mais gorducho que o pai e a mãe ao nascerem. Fez o caminho pra casa devidamente instalado em sua cadeirinha no banco traseiro do carro. Dormiu o trajeto praticamente inteiro, perdendo de ver a avenida Paulista no auge do rush matutino. A chegada não poderia ter sido mais tranquila. O pequeno dormiu até a hora em que a fominha bateu, mamou, trocou a fralda suja de xixi e voltou a dormir. Ah, sabe aquelas histórias que nos contam no curso de grávidas: "quando estiver limpando o menino, coloque uma fraldinha sobre o pintinho pra evitar levar um xixão na cara"??. Pois bem, eu e o Rodrigo vivenciamos a cena ontem, exatamente na primeira troca de fralda. O pequeno deu sinais de que gostou do ambiente. A prova é que passou a primeira noite no próprio quarto, parecendo um charutinho de tão empacotado dentro do bercinho. Acordou só duas vezes durante a madrugada, sem nem fazer escândalo. Foi direto pro peito, teve a ajuda das mãos santas do pai pra dar suas sugadinhas e voltou a dormir feito um anjinho até às 7h30 da matina. Nós, os pais, não dormimos nadica de nada, mas quem lembrou que tava com sono????
posted by JULIANA DE MARI 4:52 PM


Terça-feira, Março 30, 2004


Atendendo a pedidos...


Gente, não tá dando muito tempo de vir aqui contar das boas novas do filhotão. Até aqui, ele nem tem dado tanto trabalho assim, mas é que a mamãe ainda tá na euforia da babação, sabem? Não consigo ficar cinco minutos longe dele ou das coisinhas dele. Se bem que hoje, dia da volta pra casa, meu tempo praticamente inteirinho foi reservado a fazer os tetões "amolecerem". O leite já chegou, a "pega" do pequeno é excelente, mas ele ainda não tem força pra sugar o suficiente e esvaziar as mamas. O jeito tem sido apelar pras bombinhas, digo, pras mãos santas do papai. Eu engato o garotão no peito e o pai o ajuda a fazer a sucção. O resultado? Na última mamada às 19h30, ele ficou meia hora de um lado e mais dez minutinhos do outro. Deixou o colinho quietinho e tá ali, na cadeirinha dele, dormindo que nem um anjinho. Dá até vontade de suspirar...
Bom, prometo relatos detalhados o mais breve possível. Fiquem agora com as fotinhas recentes do Gutão!
Ah, obrigada a todos pelo carinho. Lindas mensagens, linda corrente pra frente, linda chegada a do nosso garotão. E viva o Gutão!!!!!!!!!!!!!

Eis o nosso pacotinho de felicidade

Rô, Ju e Gutão: trio imbatível

Vovó Ju, mamãe e netinho: três gerações e um só amor

Vovô Zeca e vovó Lilica: portas e coração abertos pras férias do guri em Floripa

Juju e Gutão: me dá essa bochecha aqui!!!!

posted by JULIANA DE MARI 7:52 PM


Domingo, Março 28, 2004


Ele chegou!!!!!



Sabadão de sol e céu azul em Sampa, vitória do Grêmio 2X1 contra o Glória em Porto Alegre, ciclone de 150 Km por hora e ondas de 5 metros em Santa Catarina. Já no Santa Catarina da avenida Paulista, o grande acontecimento: o Augusto chegou!!!!!!!! O pequeno nasceu de parto normal, às 17h19, com 2,7 Kg e 46 centímetros. Literalmente um pacotinho de felicidade de pele clarinha, olhos azuis, sobrancelha tão loura que nem dá pra ver e o mesmo bocão do pai. Lindoooooooooooooooooooo! Vejam aí as primeiras imagens do nosso Gutãozinho com a mamãe e o papai. Prometo mais notícias amanhã. Um beijo, Ju

Ju e Guto: finalmente no mundo!


O pai babando...


A mãe tranqüila e sossegada: depois do trabalho do parto, o trabalho da criação!

posted by JULIANA DE MARI 1:51 PM


Sexta-feira, Março 26, 2004


As últimas fotos com o barrigão


É amanhã o grande dia. Nem sei expressar o que tou sentindo...É meio surreal imaginar que, a esta hora do sabadão, o meu Gutão já vai estar no meu colo. Era o meu maior desejo, é a minha maior motivação, mas acho que só vai cair a ficha meeesmo quando eu vir o pacotinho chegando...Passei o dia mentalizando coisas boas, pedindo a Deus e ao meu Santo Expedito que me dêem serenidade e força pra fazer a minha parte no trabalho de parto e pra ajudar o Augusto a fazer a dele direitinho. Torçam aí por nós e aguardem as primeiras fotos e notícias do pequeno. Ah, dessa vez, quem vai postar vai ser o papai. E viva o Gutão!!!

É nóis na fita!!!



posted by JULIANA DE MARI 9:45 PM


Quinta-feira, Março 25, 2004


Expectativa


Bem que eu queria que o Gutão nascesse no dia do Menino Jesus de Praga, mas parece que não vai ser hoje (se bem que até meia-noite muita coisa pode acontecer!). São 21h14 da quinta-feira, acabo de jantar e o Rô acaba de sair pro show do super BBKing cheio de recomendações (fica atento ao celular; checa se tem táxi fácil pra voltar; fala pro Julius deixar o celular dele à mão também e etc). Tou tentando manter a ansiedade sob controle, mas tá difícil agora...Fui na médica hoje e ela ficou animada com meus "sinais": 2cm de dilatação, dorzinhas constantes, colo do útero mais fino e mais baixo, corrimento espesso (de cor clara), barriga baixa, Gutão com cabeça mais baixa ainda (mas ainda falta encaixar totalmente) e por aí vai. São indícios de que a coisa tá progredindo bem (se Deus quiser!). Ainda temos a sexta-feira no caminho e, quem sabe, não vem um sinal mais forte de que é chegada a hora do meu pequeno vir ao mundo? Eu tou mentalizando pra isso acontecer, assim a indução acontece de maneira ainda mais eficiente e rápida. E lá vou eu com meus pedidos: já que não deu o 25, torçam aí pra sexta, amanhã, ser o dia da "anunciação"!!! Nem que seja a madrugada da sexta pro sábado, já tá valendo. Tá difícil segurar essa expectativa em relação ao que estar por vir...Tá tudo misturado agora: o medo da dor, o desejo de que meu filho não sofra durante o trabalho de parto, a vontade de ver o filhotinho logo, a alegria de ter a família por perto, a ficha caindo de que agora eu e o Rô vamos ser uma "família"...Overdose de sentimentos meeeeeeeeeeesmo. Só sei que eu hei de tirar força de algum lugar pra não perder meu eixo -- e logo, logo o meu Gutão vai estar aqui, dando um "oi" virtual pra vocês. É esperar pra ver.

posted by JULIANA DE MARI 9:26 PM


Quarta-feira, Março 24, 2004


Quem vem lá


Toc, toc, toc. Sete da manhã. Mainha batendo na porta do nosso quarto, telefone na mão. Duda do outro lado da linha:a Dani foi pra maternidade!! Aí vem o Miguel, viva!!!!! A bolsa dela rompeu e as contrações estavam progredindo. Até a hora do almoço, se Deus quiser, o "AMiguel" do Gutão já vai estar do lado de fora do barrigão (atualizando: a bolsa rompeu às 3h30 e o Miguel chegou às 9h09 de um dia de céu azul e sol em Sampa. O pequeno tem 50 cm, é cabeludo e, diz o pai, é a cara dele! Logo mais à tardinha eu me mando pra maternidade pra conhecer o fofucho).
Nem sei dizer o tamanho da alegria que tou sentindo...Muita felicidade em ver dois virarem três, em saber que acompanhamos essa chegada de pertíssimo e que teremos muita história pra contar aos nossos herdeiros daqui pra frente. Nem preciso dizer que fiquei eufórica com a notícia e não consegui mais dormir, obviamente. Eu e o Rô tomamos café da manhã juntos numa felicidade só. E eu que tava toda preocupada ontem, chateada porque o Miguel não tinha dado sinal ainda e, se o Augusto nascesse mesmo até sábado, eu não ia conseguir visitar a Dani...O dedo de Deus é providencial. Mas que eu acho que a Dani se impressionou com a chegada de um outro amiguinho dos nossos pequenos, ah, isso eu acho. Ontem à noite, a outra Dani, mulher do Patury, deu entrada na maternidade. O André já deve estar lá, fazendo caras e bocas no berçário. Aliás, é a mesma maternidade em que a Dani, do Miguel, está. Ou seja, vou visitar dois coelhinhos de uma cajadada só!!! E não é que o Gutão pode pintar aí amanhã, dia 25??? Sei lá, como diria meu pai, acho que agora um baby vai "puxar" o outro. Que venha o meu Gutão que eu não tou mais me aguentando de ansiedade!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Acabo de dar uma bela limpada no quarto e arrumar o bercinho dele como manda o figurino. Tá tudo ali, prontinho, só esperando o Augusto chegar pra dar sentido.
Ah, e que alívio que o parto da Dani foi hoje. Imaginem só se os dois garotões resolvem dar sinal no mesmo dia?? A dra.Claudia ia arregalar os olhinhos apertados no susto!!!

Olha o Miguel aí, gente!!!



Barrigão de 37 semanas e quatro dias

posted by JULIANA DE MARI 9:26 AM


Terça-feira, Março 23, 2004


Rapidinho


Este aqui vai pras minhas amigas blogueiras. Meninas do Weblogger (Jaque, Vanessa, Juliana...): não consigo deixar recados pra vocês, infelizmente.Todo dia dou uma espiadinha nas novidades, mas não há santo que faça os meus comentários entrarem no ar. De todo modo, queria deixar registrado aqui o meu obrigada pela força e pela corrente positiva que vocês têm feito em prol do Gutão. Valeu! Ah, Jaque, vi as fotos da Aiko! Que lindinha que ela é!!!! É muito bom saber que mamãe, papai e filhota já estão super entrosados.
Muito em breve, eu vou poder relatar como é que foi a nossa adaptação ao pequeno reizinho da casa! E eu não sei, não, mas já tou começando a achar que esse guri tá querendo chegar antes do final de semana mesmo. Aliás, minha querida Carol gaúcha deixou recadinho hoje avisando que dia 25 de março é o dia do Menino Jesus de Praga, a quem minha mãe "confiou" o bem estar do neto! Pra quem acredita, fica aí mais um sinal...
Eu só sei que minhas dorzinhas persistem. Doem as costas, dói a virilha, dói a perna...Vez por outra, sinto aquele puxão, aquela sensação de que vou travar...Parece que o ciático tá comprimido, sei lá. Amanhã tenho drenagem e vou pedir pra Megume, a japa mãos de ouro, usar umas agulhinhas de acupuntura também. O Augusto segue curtindo adoidado a vida dentro do barrigão. Chuta pra cá, empurra pra lá, já tá fazendo um peso considerável nas partes baixas, enfim. Se bem que, a essa altura do campeonato, nem dá muito pra saber se ele mexe porque tá brincando, feliz, ou mexe porque tá incomodado, procurando uma posição menos desconfortável. Eu torço pra ele ser um garotinho positivo e estar sentindo um misto das duas coisas: felicidade no aperto! :-)
posted by JULIANA DE MARI 12:14 PM


Segunda-feira, Março 22, 2004


Resultados


Curiosa(o)s pra saber o resultado da enquete???
Pois bem: 30,7%, a maioria dos participantes, acha que o Augusto chega no dia 25 de março, próxima quinta-feira. Houve empate em relação aos dias 24 e 28 e uma pequena parcela da audiência acredita que não vai dar nenhuma daquelas datas expostas pra votação. Eu sigo achando que o garotão vai dar sinal na sexta à noite e vai pintar aí no sábado ou no domingo próximos. Agora, é esperar que o ariano manifeste sua vontade.
Bom, as novidades não poderiam ser melhores. Fiz o tal exame do perfil biofísico fetal agora há pouco e tá tudo ótimo com o filhote. A quantidade de líquido é excelente, ele tá super ativo, a cabecinha já baixou mais um pouco e o peso, pasmem, aumentou! Viva! Ele tá agora com 2,680Kg, uma variação de 320 gramas em relação à última medida. Claro que temos que considerar que pode haver erro pra mais -- ou pra menos. Mesmo assim, o Gutão tá mostrando que guardou toda energia pra essa reta final. Espero que ele tenha bastante fôlego pra dar conta de coroar o processo com um parto normal o mais tranquilo possível. Tenho consulta na médica novamente na próxima quinta-feira e a programação para o parto continua aquela que vcs já conhecem (no máximo, dia 28).
Em o Augusto estando bem, eu já me sinto mais forte. Preciso confessar que essa semana a ansiedade tá me pegando de jeito e eu tou me sentindo bem fragilizada...Principalmente porque ontem senti umas dorzinhas suspeitas...Dores que irradiam das costas pra virilha (alguém aí já sentiu isso??). Não eram contrações ainda, nem tinham regularidade. Deve ser algum sinal da bacia "abrindo" e do baby se acomodando. Mas foi o suficiente pra me fazer ficar pensando não só no "quando", mas no "como" vai ser essa chegada dele...Apesar da sensibilidade à flor da pele, eu sigo mentalizando coisas boas e pedindo aos meus santinhos protetores que me dêem muuuuita calma nessa hora. Como diria o médico que fez o exame de hoje, uma figuraça aliás, há muito mito em torno do parto normal. Eu pedi pra ele explicar como era essa tão temida dor do parto. Ele disse que é uma dor chata, regular, que te faz querer ficar deitada, quietinha, sabe? Que é uma dor suportável, sim, senhora, e que hoje os recursos pra ajudar a mãe nessa tarefa são muitos e entram em cena bem antes do que a gente imagina. Enfim, só vou saber quando acontecer. Portanto, deixa eu tratar de desviar o pensamento disso. O potão de pavê que a mainha fez e que me espera em cima da mesa certamente vai ajudar a adoçar esse momento!!!
posted by JULIANA DE MARI 5:05 PM


Sexta-feira, Março 19, 2004


Extra, extra, extra!



Babem, queridas(os) titias(os)!!!!! Nosso filhote nem nasceu e já virou notícia!! A referência ao Augusto saiu no Jornalistas & Cia dessa semana (um jornalzinho que circula no meio com as novidades do mercado). Vejam a notinha reproduzida abaixo:

❑ Outra novidade da XXXXX é a
saída, em licença-maternidade, da
redatora-chefe Juliana XXXXXXX, que
espera para o final do mês (por volta
de 28/3) a chegada de Augusto.
Juliana é casada com Rodrigo XXXXXX,
que também foi da revista e está já há
algum tempo na área de marketing do XXXXXX.


Prum casal de jornalistas, é bem curiosa essa sensação de estar do lado de lá, de ser objeto das letrinhas. Mas eu confesso que tou explodindo de orgulho de ver o nome do nosso filhote "circulando". Ah, gente, deixa só o Augusto mostrar sua carinha e fazer o primeiro beicinho, aviso aos navegantes que eu vou ficar insuportavelmente nojenta de tanto babar a cria!!!! E isso não tem a ver com perder o "senso de noção", estragar o menino e fazer tudo-o-que-seu-mestre-mandar, não. Nos primeiros meses não vai ter muito jeito: ele vai ser mesmo o reizinho da casa (embora já haja um leonino a habitando!) e a gente é que vai ter que se adaptar à rotina do come-dorme-arrota-e-faz coco! Tou falando de um outro tipo de babação. De uma vontade que eu tenho de expressar sempre pro pequeno o tanto de amor do qual ele é alvo, o tanto de coisas boas que a chegada dele representa nas nossas vidas. Isso se faz com palavras, sem dúvida, mas também se faz com gestos, com pequenas atenções diárias. Se faz com muita paciência, com atenção genuína. Sim, porque eu tava conversando com minha mãe hoje, enquanto arrumávamos as fitinhas com as medalhinhas (ficaram lindaaaaaaaaas!), sobre pais e mães que querem retribuição e carinho "por decreto", sabe? Gente que esqueceu de cultivar lá atrás e, mais à frente, se enche de expectativas. Ah, não, please, se neguinho põe filho no mundo e esquece de alimentar a relação, não tá nem aí em cuidar da auto-estima da criança, tem preguiça de estar presente, não tem tempo pra compartilhar, pra ouvir, pra estimular, como é que pode esperar que a pessoa cresça cheia de amor pra dar??? Não precisa ser psicólogo pra saber que amor não se registra em cartório. Amor fica registrado em lembranças. A tal lei da Ação e Reação, lembram? Plantou, colheu. E é por isso que eu digo que vou babar muuuito, porque vou querer estar perto (sem sufocar, entendam bem), vou ficar de olho nas descobertas boas e nas ruins, vou estar disposta a conversar sempre (e olha que eu tenho descoberto que, realmente, se me dão corda, eu tenho opinião pra tudo!!!!). Enfim, vou tentar ser a melhor mãe que o Augusto pode ter. Afinal, ele não tem a opção de trocar de mãe mesmo :-)
Minha única preocupação é com o bem estar físico --e psicólogo-- do meu Gutão. Sabem aquela pergunta recorrente: "o que você quer que o seu filho seja quando crescer?" Pois bem, eu não quero nada além de que ele seja feliz. Como diria a Elis Regina, desejo que meu filho seja "leve". Só. Vou fazer minha parte dando a mão, o colo e algumas palavras pra ajudá-lo a fazer suas escolhas o mais inteiro possível. O resto é com ele e com a vida. E viva o Augusto -- que nem nasceu e já demonstrou uma força incrível. Ou vocês acham pouco a resposta que o pequeno deu ao repouso? Dar conta de 500 gramas e alguns centímetros em uma semana e meia é coisa de quem sabe muito bem o que quer!!!
(Ah, minha consulta na médica vai ser amanhã, 8h da matina. Vamos ver o que ela vai dizer do feito do pequeno e da data provável do parto. Eu continuo achando que vai dar o dia 28.)

posted by JULIANA DE MARI 5:15 PM


Quarta-feira, Março 17, 2004


Gravidíssima


Eu já nem sei mais se minha barriga tá assim tãoooo grande, mas o fato é que o mundo parece estar impressionado com o tamanho. Cada vizinho que encontro no elevador agora me olha e dispara a pergunta: "pra quando é????". O bacana é que todo mundo responde à minha resposta com os melhores sentimentos estampados no rosto. E sabe que essa ansiedade coletiva é mais difícil de administrar do que a minha própria, né? Minha irmã hoje se saiu com uma das boas. Liguei pra ela, que é designer e mora em Recife, pedindo encarecidamente que ela preparasse um textinho em JPG, com um desenho bacaninha, pra gente mandar pros amigos avisando que o Augusto nasceu. E ela, apavorada: "Como assim, ele nasceu???". Tsc, tsc, tsc.
Bom, tou agora com 36 semanas e quatro dias, início do nono