De mudança
Começou quando Gutão ainda era um feijãozinho na barriga e, cá estamos, quatro anos depois das primeiras linhas, com um arquivo considerável de histórias, uma lista recheada de amigos e uma vontade ainda maior de continuar fazendo desse diário virtual um alegre registro da nossa aventura em família. Só que, a partir de agora, estaremos em novo endereço. Temos "casa própria" (graças à querida Mic, que ajudou minha cabecinha loura a migrar pro WordPress sem maiores traumas!).
Anotem nosso novo endereço: www.vivaobarrigao.blog.br
Espero vocês por lá em breve! (Os comentários funcionam direitinho!!!)
Até já!
Um beijo,
Ju
PS: Esse Barrigão vai continuar ativo até a migração para o novo blog ser concluída, coisa aí pra mais alguns dias.
posted by JULIANA DE MARI 2:49 PM
Voltamos
Pronto. Está tudo funcionando como deve ser. Inclusive, os comentários.
Ainda bem -- por que eu estava quase recorrendo ao Procon!
Mas vamos falar de coisas boas.
Lá vem o feriadão. E lá vem a chuva junto, óbvio. Até que tou achando bom pra espantar a "poeira" dessa cidade e pra baixar um pouco a temperatura. Sai pra almoçar com meu chefe e uma fonte da revista hoje e quase morri de tanto calor no carro, naqueles cinco minutinhos em que o ar-condiciondado ainda não engatou, sabe? Daí, olhei pro termômetro da rua e vi: 34 graus. Surreal.
E tem gente que ainda não acredita no aquecimento global...
A programação pra amanhã é levar Gutão no cinema. Pra ver o filme do pinguim, não lembro o nome, só sei que é um pinguim surfista. O Theo, da Rê, melhorou da febre e vai com a gente. Vou ver se o Rafa, amiguinho do Gutão na escola, também topa. Aí, vamos de excursão ao cinema!!! No mais, tou juntando coragem pra começar as "faxinas" de final de ano. Hora de olhar os papéis (e como tem papel lá em casa, meu Deus!), o guarda-roupa, os brinquedos que não estão mais em uso, organizar minimanente os espaços da casa, enfim. Começar a abrir caminho pro ano que vai chegar. Já é novembro. Daqui a pouco, dezembro e, num piscar de olhos, vocês vão ver, vai ser carnaval 2008!!!
Aliás, já estou planejando o aniver de quatro anos do Gutão. Pode dizer que é exagero, mas eu prefiro assim. Fazer com calma, pra fazer direito. Curto taaaaaaaanto esse planejamento que vocês nem sabem. Adoro pesquisar as coisas, pensar em como arrumar, no que vai melhor de brincadeiras, de lembrancinhas...Adoro mesmo. Fico vendo a carinha alegre do meu filhote, correndo pra lá e pra cá, recebendo os amiguinhos, curtindo a festa. Ano que vem, vamos fazer no salão do prédio novamente. Até pensei em encarar um bufê, mas a conta não fecha: é o dobro do custo de fazer em casa. E com tudo o que a criançada tem direito: de barraquinha de cachorro-quente a piscina de bolinha. Sendo assim, vou contratar alguns "fornecedores" que já conheço e recorrer ao trabalho de uma decoradora de mesas pra fazer menos ainda. Não tou afins de botar a mão na massa dessa vez (ano passado, eu decorei o salão). Vou planejar e delegar, hahahahaaa.
O tema dos quatro anos também já está escolhido: Backyardigans na praia. Gutão queria Homem-Aranha, mas, vamos combinar, ainda é muito cedo pra fazer algo, assim, digamos, tão "adulto". Rolou negociação básica pra informar o pequeno que os planos mudaram e que do super herói que gruda na parede vamos para os simpáticos bichinhos que rebolam. Eu e o Rô fizemos tanto, mas tanto estardalhaço ao informar da idéia dos Backyardigans que o menino não teve nem opção de dizer "não", hahhhaahhaa.
E eu tou tão engraçadinha hoje, afe, maria. (Canceriana e ciclotímica que sou, tenho até medo da rebarba de humor que pode estar a caminho, hahaahahahaaaa!) Falando sério, deve ser influência do feriadão. Ou daquela leveza que dá toda vez que mais uma revista vai pra gráfica (gente, a próxima edição é "como gerenciar o chefe", imperdível!).
Gutão, a essa hora (12h47 do dia 02 de novembro), deve estar no décimo sono. Vou chegar lá e dar beijinho pra ele acordar bem. E colocar o "João Pedro", um ursinho, pequeninho, que veio de brinde em uma compra na C&A, do ladinho dele. Ele pediu pra mim ao telefone, antes de deitar. Um sinal de que a mamãe chegou e foi lá conferir se ele estava bem. Te amo, meu filho!
posted by JULIANA DE MARI 11:59 PM
E o problema continua
Comentários -- ainda -- fora do ar.
Estranhíssimo ficar nesse "monólogo".
Mas vamos lá.
Gutão tá um moço. E anda em crise existencial. Pergunta, a toda hora, quando vai fazer quatro anos e diz, chorando até, que queria ser grande. Sábado deu chilique na minha cama, à noite, porque, à luz do abajur, minha sombra cresceu e foi projetada pro teto. E a dele, pequeninho que é, "parou" na janela. Meu bichinho se revoltou: ficou vermelho, chorou, chorou, disse, sentido, que também queria ser grande. Eu tentei explicar que ele cresce a cada dia e que logo, logo a sombra dele vai se agigantar. Mas não teve jeito. E o jeito foi deixar chorar. Bem-vindo, Gutão, ao mundo das frustrações...
Meu filho "sente". É um dínamo pela casa, cheio de energia, é ariano colérico, expressa as vontades, sabe o que quer. E, que bom, fala o que sente.
Sábado, também, filhote enrolando pra dormir, voltei pela enésima vez no meu quarto e ele pediu pra deitar a cabeça na minha barriga. Ficamos ali e eu soltei: "que coisa bem boa, Gutão". Aí, ele sorriu e disse que quando estivesse na cama dele também ia dizer isso. E eu fiquei toda feliz, dizendo que era bem bom a gente ter o nosso quarto, nossas coisas, nosso cantinho. E ele largou: "não, mamãe, eu vou dizer: que coisa bem chata ficar sozinho no meu quarto". hahahahahaa
posted by JULIANA DE MARI 1:16 PM
Defeitinho
Vocês já perceberam que, há dias, não está dando pra comentar no blog. Um saco.
Mas já relatei o defeito e o pessoal da Globo.com está atrás de solucionar o problema. Espero que não demore demais...Coisa bem chata vir aqui e não encontrar o "oi" de vocês.
Estamos bem.
Gutão retomou as aulas todo animado. Ganhou da tia presente do Dia das Crianças atrasado, ficou todo feliz. E ontem recebeu uma caixa com "encomendas" de Recife pra ele: um livro de dinossauros, os CDs que esqueceu, uma camiseta do McQueen, balinhas, catavento e um cartão assinado pela titia, pela Buruca e pelos avós. Adorou a surpresa. E quem não gosta de receber notícias pelos Correios, né?
E ontem voltou pra natação. Diz a babá, que tá mergulhando com uma desenvoltura impressionante. Lindo! Ganhou carona da Rê na volta, minha "amiga-anja", e ficou todo feliz de rever o Theo. É bem bom esse sentimento de ter amigo pra chamar de seu e eu fico orgulhosa por estar incentivando meu filho a cultivar essa riqueza que são os bons relacionamentos na nossa vida.
Eu gripei. Tou com dor de cabeça, corisa, garganta coçando. Sampa é isso aí, gente!
E a dor nas costas voltou a me lembrar que preciso marcar um ortopedista pra entender o que acontece...Volta e meia, o ciático grita e eu, de tempos em tempos, tenho que cuidar disso com massagem, acupuntura, RPG, qualquer coisa. Eu tenho mesmo é que criar vergonha na cara e mexer esse corpinho, ai, ai. Aquela velha ladainha de mim para mim mesma :)
E amanhã tem evento no trabalho.
E lá vou eu ser "anfitriã". Estou aprendendo a desempenhar mais esse papel. Não é lá muito fácil lidar com "multidões", mas vamos nessa. O negócio é se colocar em movimento. O resto acontece.
Estou lendo um livro legal, falando nisso.
Nas férias, duas semanas, devorei "O carrasco do amor", do Irvim Yalom, autor de Quando Nieztche chorou. Pra quem gosta de terapia e coisas afins, recomendo.
Comecei agora a ler "Eu sou o mensageiro", do mesmo autor do excelente A Menina que Roubava Livros. Estou devorando também.
posted by JULIANA DE MARI 5:21 PM
Até o Natal
Voltamos de Recife ontem à noite. Estaremos lá novamente no Natal. Vai passar rapidinho dessa vez. Que bom.
Gutão voltou com saudades. Dormiu nas três horas de vôo e, quando acordou em Sampa, chorou de saudades. Dizia que estava com saudades da Adriane (a Adriana, babá da Bruninha, realmente um amor de pessoa) e da vovó Ju. Me deu vontade de chorar junto...Filhote fica tão sentido, vermelho, cheio de lágrimas...Como é que pode, tão pequenino, sentir tanto?
Voltou bronzeadinho, meu picolito. Numas, né? Porque ele usou protetor 30 e hipoglós todos os dias. Mas ficou com a marca da sunga. E tá exibindo bracinhos e pezinhos dourados, além das bochechinhas levemente vermelhas. E a mecha dourada da cabeleireira tá linda, linda. Deu pra aproveitar praia até o último dia. Sabadão de sol e nos encontramos, finalmente, com a Rapha, o Igor e o Gustavo em Boa Viagem. Deu pra fazer buracão na areia, comer algodão doce, compartilhar salgadinho e boas risadas. Em dezembro, tem aniver do Igor e já combinamos uma pizza com bolo pra cantar os parabéns.
Hoje, domingo, fez um calor inacreditável em Sampa. Mais até do que em Recife. Almoçamos na padaria, programa que Gutão adooora. Comeu ovos mexidos, franguinho e muitas frutas. E tomou suco de laranja em copo de vidro. Conquista das férias, que deixou meu filhote todo orgulhoso. Tá tão grandão, esse meu Gutão. Um moleque. Esperto, alegre, cheio de palavras, cheio de idéias, cheio de vontades. Me tira do sério muitas vezes, mas me faz rir muito mais.
Agora à noite, recebemos a alegre visita dos dindos, do Miguel e da Nina. Uma farrinha boa, com os dois meninos pulando dentro do berço que será usado pelo futuro irmão(ã) do Gutão. Uma beleza. E a Nina, toda cabeludinha, pra lá e pra cá com a boneca do Gutão (a Mimadinha que era minha e que resgatei lá em Recife tempos atrás) e que ele batizou de Juju, em homenagem a irmão do Rafinha (viu só, Mic?!).
Amanhã começa tudo de novo no trabalho, na escola. E eu espero começar a semana com calma. E espero manejar a agenda com certa serenidade até o final do ano, quando nossas mini-férias em família acontecerão outra vez. "Cenourinha" boa essa, né?
(O domingo em casa tá acabando um tantinho mais estressante do que eu gostaria. Infelizmente.
Estou tentando não estressar...Não mereço e não quero essa energia no final das férias...)
posted by JULIANA DE MARI 9:12 PM
Cedíssimo
Tenho um defeito incurável como mãe: detesto acordar cedo. Eu assumo. É um sofrimento despertar com o sol...Desculpa, meu filho. Nasci vespertina. Eu até que me esforço, mas cinco e meia da matina não há humor que resista!!! Vou te contar uma coisa: meu dia ideal seria dormir até às 11h e ir deitar quando a noite estivesse beeem escura. Não tenho problema pra ficar acordada na madrugada. Nenhum. Desde que, no outro dia, eu possa a avançar na minha cama até a hora em a barriga dê sinais de que precisa se alimentar!
Pois bem, Gutão ignora completamente esse meu ritmo. Tem acordado cedíssimo, e não é figura de linguagem!, aqui em Recife. Sim, estamos em férias, mas o reloginho interno do menino não se conscientizou disso. Tem acordado tão cedo que nem meu pai levantou ainda! E olhe que o vovô Beto acorda cedo! Hoje, quando o vô saiu do banho, seis e pouco da manhã, Gutão já tinha feito coco, já tinha tomado leitinho e comido banana com mel. Tava na sala, todo falante, brincando com o Pablo, do Backyardigans, que ganhou da titia Lu ontem. Presente do Dia das Crianças adiantado.
Logicamente, quando meu pai acorda, eu passo o bastão e volto pra cama correndo pra curtir mais meia horinha que seja. Hoje, especialmente, eu tava precisando. É que ontem voltamos da praia caminhando (só tinha um táxi no ponto e o, digamos, FDP do motorista não quis nos trazer de jeito nenhum. Dizia ele que iríamos molhar o carro e não adiantou eu explicar que Gutão estava seco, de cueca até, e que eu não tinha entrado no mar...Que raiva, viu? Quase chamei a polícia pra denunciar o cara. Pra que fazer ponto na beira da praia se não quer levar no carro quem sai de lá?). Bom, a caminhada até a casa dos meus pais seria de uns dez minutos prum adulto, no máximo. Com uma criança de três anos e meio no colo, imagem, durou quase meia hora! Minhas costas ficaram podres. Literalmente. Passei a noite com dor no ciático, sem conseguir posição pra relaxar. Fora os chutes que levei do moleque, que falou, cantou, abriu os olhos e ficou em todas as posições imagináveis durante a madrugada. Realmente, é uma epopéia conseguir dormir com Gutão ao meu lado!
Hoje, oito e meia e estávamos na beira do mar. As piscinhas de Boa Viagem reluzindo e Gutão (reluzindo junto de tão branquelinho!) e a Bruninha tomando banho, delícia. Até eu entrei na água, coisa que, em geral, reluto em fazer. Ah, sinto frio na barriga, besteira pura, ahhaahahaaha. Ficamos até umas dez, pois a Buruca começou a ficar com sono. Gutão chegou em casa faminto, comeu ovinho de codorna, pediu uma maçã e provou suco de graviola feito na hora. Adorou! Tomamos banho e fomos dar uma voltinha na rua. Levei filhote pra conhecer a escola em que estudei até a quarta série, aqui pertinho da casa dos meus pais. Entramos e eu fiz uma volta no tempo, sabe? Vi as salinhas, o pátio onde eu brincava no carrossel, engraçado reviver esses momentos. Gutão conheceu uma escola muito maior, mais bonita, mais cheia de brinquedos e de crianças. E era festinha do Dia das Crianças, tinha pula-pula, palhaço e criança feliz por todo lado. Pena que a tia Marluce, a diretora da escola, já tinha ido embora. Semana que vem, volto lá pra dar oi e apresentar meu filhote.
E hoje descobri sardinhas no rosto do meu branquinho. Estão lá, pintinhas pintadinhas bem de levinho. Logo abaixo dos olhos. Quatro ou cinco. Sinais de que meu filho está crescendo. E que todo cuidado com a pele linda dele vale a pena. Hoje, Gutão foi bezuntado de protetor solar e hipoglós no rosto. Meu palhacinho, meu amor.
posted by JULIANA DE MARI 1:46 PM
Em férias
Gutão melhorou da otite (obrigada pela torcida, meninas!). À base de antibiótico e antihistamínico, é verdade, mas melhorou. E conseguimos voar numa boa. Aliás, filhote capotou no vôo e só acordou aqui em Recife. Ainda bem. Sentamos atrás no avião e o espaço entre a cadeira em que estávamos e a cadeira da frente era minúsculo, pelamordedeus. Fora o lanchinho, ridículo. E o atraso de meia hora, que, a essa altura do campeonato, nem dá pra reclamar...
Fomos à praia hoje. Estava meio nublado, até choveu um pouco, mas achei bom. A estréia dos "branquelos" foi amena, sem sol 40 graus. Mas foi bom. Gutão fez buraco na areia, enterrou os brinquedos, tomou banho nas piscininhas de Boa Viagem e deu canseira na vovó Ju, hahahaa. Eu ensaiei tomar um "quase sol". Na verdade, aproveitei os minutos em que ele estava na água com a vó pra descansar um pouco. Filhote tem acordado cedíssimo, como diz. Seis da matina e o menino já está desperto, já fez coco, já tomou leite e comeu fruta e já tá tagarelando pela casa.
Desde que chegamos, domingo, filhote tem comido cerca de seis frutas ao dia. Ontem eu contei: comeu melancia, banana, pêra, maçã, morango e mamão!!! Comida salgada que é bom é que anda meio complicado. Gutão tem feito uma birra imensa no momento que senta à mesa e eu, confesso, ando perdendo mais a paciência do que gostaria. Hoje perdi de vez e amecei castigo se ele não abrisse logo o bocão. Funcionou. Tem horas que só mesmo na base da "administração pelo terror", hahahaaaa.
E a Bruna??? Prestes a fazer um aninho, tá esperta, alegre, danadinha. Onde Gutão vai, a Buruca vai atrás. Tem horas que ele não gosta muito, não. E reclama que ela quer pegar o brinquedo dele. E ela resmunga e resmunga e aponta pro primo e sai praticamente correndo atrás dele. Sim, ela começou a andar há dois dias. Coisa linda. Diria que Gutão tá treinando, em grande estilo, pra chegada do irmaozinho(a).
E que coisa boa é estar de férias. Dormir depois do almoço. Acordar só pra passear. Comer bolo e bater perna no shopping. E levar filhote pra brincar no bate-bate. Ah, delícia.
posted by JULIANA DE MARI 10:16 PM
Lá vem ela, de novo
Pois bem, infelizmente, Gutão está com otite de novo. A segunda pós cirurgia nos ouvidos. Meu amadinho acordou da soneca da tarde hoje chorando desesperadamente. Tanto que a babá me ligou, assustada. Contou que ele estava se queixando de dor no ouvido e eu tremi nas bases. Pedi pra dar Tylenol e aguardar. Duas horas depois, Gutão continuava chorando horrores, gritando no telefone, dizendo que estava com muita dor. Corri pra casa no meio da tarde, liguei pro Rô e fomos direto pro hospital. Filhote foi chorando o caminho inteiro, impaciente, reclamando. Tadinho.
O diagnóstico foi o que prevíamos: otite no ouvido esquerdo. Não tem a ver com a natação, não. Porque não é externo. É interno e já está comprometendo o "brilho" do tímpano. Ai, que meu coração fica do tamanho de um grão de areia de ver meu filho sofrendo com isso outra vez. Culpa desse tempo doido e dessa poluição de São Paulo. O jeito é medicar, comprar um umidificador pro quarto (tou há dias pra fazer isso...) e fazer mais inalações do que já estávamos fazendo (de uma a duas por dia). O chato é que filhote vai ter que tomar antibiótico outra vez. Mas, se Deus quiser, vai resolver logo. Temos passagem marcada pra breve e ele não pode viajar se estiver com o ouvido ruim, né?
Amanhã, de todo modo, o Rô vai levá-lo na otorrino, pra quem liguei assim que sai da salinha da médica no hospital. É praxe passar na consulta e ligar pra checar com os pediatras de nossa confiança se está tudo certo, se a medicação está correta, se a dosagem é aquela mesmo. Não custa prevenir. Já vi médico receitar Berotec pro Augusto em plena otite...Ao que parece, teremos que começar um novo tratamento preventivo e monitorar o efeito "piscina" daqui por diante pra ver se virá outra crise e se pode se relacionar com nariz entupido + água parada na face = dor de ouvido. Ai, ai, ai.
Só sei que faltam três dias pras minhas férias.
E que estou fazendo novena pra Santo Expedito.
Confio plenamente que tudo vai melhorar. Minha fé me protege.
posted by JULIANA DE MARI 10:03 PM
Vida lôca
Tá passando rápido demais esse ano, meu Deus do céu. Tá faltando horas no meu dia pra fazer tudo o que eu gostaria -- e deveria. Tá bom que eu gosto de uma intensidade nas coisas, mas tá duro...Fé, fé e mais fé pra enfrentar o senhor "tempo", né?
Semana passada, vovó Lilica e vovô Zeca alegraram a casa. Gutão, nem preciso dizer, adorou a visita. Tanto que espantou o vovô do quarto e fez questão de dormir, três noites seguidas, do ladinho da vovó. Um sedutor, esse meu filho! Foi um final de semana gostoso, com direito a conhecer e brindar a casa nova dos dindos. E à farra a três: Gutão, Miguel e Nina aprontando todas, na maior civilidade. Nem acredito!!! :)
Essa semana, consegui ver filhote na piscina novamente, por breves cinco minutos. O trânsito complicou e eu só consegui chegar no final da aula na terça, mas valeu assim mesmo. Dei banho no pequeno, conversei com a Rê, e vim pra casa feliz. Quinta, não consegui escapar das reuniões (ô, praga!). Gutão foi e voltou da natação de carona com o amigo Theo. E fez seu primeiro programa noturno sem os pais: jantou na casa do amigo. À convite da Rê, que ofereceu panqueca e me disse que ele devolveu algo como: "Eu nunca comi panqueca, mas me disseram que é bom". Eu posso com essas tiradas!!! Filhote realmente não comeu a panqueca, ficou no arroz com purê. Anwyay, se alimentou de amizade e isso faz taaaaanto bem pra alma. Rê, de novo, obrigada por estar por perto!!!!
Quê mais? Tou contando os dias pras férias. Vou pra Recife no comecinho de outubro. Batizado e aniversário de um aninho da Bruna. Tou dizendo que o ano tá voando: a menina já vai fazer um ano, já tá quase andando, já faz pose, toda faceira, pras fotos, ai, ai, ai.
Outubro vai ser um mês de renovação. Mudanças importantes à vista no trabalho, alguma correria extra prevista. Mas nada que me desespere. Tá tudo tão, mas tão intenso que uma surpresinha aqui, outra acolá não me abala mais. E tou é renovando as minhas resoluções pro mês que se inicia. E estou firme em abrir caminhos pra chegada de um(a) irmãozinho(a) pro Gutão. Venho sonhando com bebê há alguns dias. Um bebezão forte, branquinho, tão lindo. Não sei se é menino ou menina, não me importa. Só sei que é um bebê saudável, que sorri, que parece feliz. Que mama no meu peito com uma vontade doida!!! Diferente do Gutão, meu amadinho, que, de tão pequeninho, teve que aprender na marra a mamar no peito. Coisa bem boa sentir essa energia por perto. Energia de renovação. Novos ciclos chegando. Bem-vindo, senhor "tempo" (será que dá pra me dar mais umas horinhas de sono no dia, hein?!).
posted by JULIANA DE MARI 12:39 PM
Peixinho
Filhote teve a segunda aula de natação hoje. E eu tive a felicidade de estar lá pra ver. Gutão foi com a babá, fez o aquecimento e, quando eu cheguei, já estava na água. Sai mais cedo do trabalho e às 17h30 estava lá, de nariz grudado na janelona de vidro, dando gritinhos de emoção cada vez que Gutão ensaiava um mergulho. Ai, que mãe canceriana é um mico!!!! Passei a meia hora seguinte exultando de alegria ao ver que Gutão simplesmente a-do-ra a piscina. Eu achava que ele ia resistir mais à idéia de mergulhar (ele detesta molhar os olhos quando lava a cabeça...), mas ele me surpreendeu. Não só tenta, como levanta a cabeça com um sorriso no rosto. E nadar de costas, então?? (com ajuda da professora, logicamente) Filhote já tinha feito comigo, repetiu com a professora hoje e adorou. Jájá vai estar boiando, que coisa linda!!
Encontrei a Rê na academia. Minha amiga disciplinada que faz Pilates e cuida do corpitcho tanto quanto da alma (eu PRECISO criar vergonha na cara e me matricular em alguma coisa, qualquer coisa. Antes que perca definitivamente a coragem de colocar um biquini...). O Theo tava na piscina com Gutão. Todo feliz. Dá mergulhos empinando o bumbum!!! Só estavam os dois e uma menininha muito engraçadinha, chamada Thaís. O banho hoje foi mais civilizado e eu não levei chuveirada. Gutão até deixou a Rê (ama essa Rê, meu Deus do céu!!!) secar o cabelo dele antes de virmos embora. Ficou com cabelo a la Ronnie Vonn, como a Rê batizou o modelito dele e do Theo pós-piscina, hahahaaaa.
Chegamos em casa felizes. Gutão tomou a sopinha toda e comeu morangos de sobremesa. Eu ganhei um "amo você" totalmente espontâneo há cinco minutos e tou aqui em estado de graça. Que coisa boa, meu filho!! Que alegria poder viver esses teus primeiros e tão importantes momentos de descobertas na vida. A piscina virou farra e eu, a cada pernada tua, lembro de como me sentia bem quando tinha um pouquinho mais que a tua idade e estava na água. Só que, na minha época, a piscina era olímpica, a professora era uma chata e a aula parecia mais uma competição. Não era essa alegria de se exercitar e brincar ao mesmo tempo que você tem a felicidade de vivenciar agora. Como eu te disse, agora há pouco, um dia, ainda vamos nadar nós três, eu, você e o papai. Os três peixões da casa. Já pensou? :)
posted by JULIANA DE MARI 8:06 PM
Nós dois
O Rô viajou ontem. Foi pra Londres (a trabalho -- e com uma lista enooorme de "mimos" do freeshop pra me trazer!). Praticamente um bate-e-volta. Volta na quarta. Antes de viajar, ainda deu tempo de irmos almoçar com o Ale e a Evelyn, e o querido Enrico, a Patty e o Julio, e o Pedroca, a Dani e o Duda (sem o Miguel e a Nina, que ficaram em casa dormindo) e a Tita. Foi um almoço gostoso, embora Gutão não tenha se concentrado na comida. Também, com o lindo dia de sol e o adorável jardim do restaurante, ele tinha razão pra ficar perambulando.
O Rô embarcou às 16h, hora em que eu e Gutão capotamos pra soneca do sabadão. Eu levantei às seis, fiz as compras (sou adepta do supermercado virtual) e chamei fihote pra jantar às sete. Ele levantou reclamando de dor de barriga. Desde ontem reclama, aliás. Mas tá com coco Ok, fazendo apenas uma vez por dia. Tá sob observação "materna". Terminamos o sabadão na Fnac. Comprei o CD novo da Vanessa da Mata pra mim e dois livrinhos bacaninhas pra filhote (um deles é da Ruth Costa -- Tenho medo, mas dou um jeito). Gutão pediu pra comer pão de queijo e lá fomos ao lanche. Filhote comeu meia-boca outra vez. Já eu...devorei um sanduba de pão sírio com frango e requeijão -- light, vai.
Dormimos juntinhos (Gutão me chuta a noite inteira, é uma coisa!), com o trato de acordarmos às oito no domingo. Hã-hã. Gutão acordou às seis. Consegui enrolar o menino por mais dez minutos e pronto. Ele pulou da cama, ganhou leitinho e ficou vendo filminho do Backyardigans, enquanto eu tirei mais meia hora de descanso. Ninguém merece acordar tão cedo no domingão, vamos combinar...Bom, quando acordei mesmo, filhote tinha feito um coco fedidão, de aparência um pouco mais pastosa que de costume, mas nada muito alarmante. Quis comer maçã e um pedacinho de bolo de limão. Depois, foi pro banho (ontem escapou -- um horror isso, eu sei, mas tem sábado que Gutão fica sem banho mesmo...). Às onze, depois de um alô londrino do Rô, saímos de casa. Fomos pro shopping, almoçar e comprar ingressos pro cinema. Gutão há tempos pedia pra ver o filme da Turma da Mônica e lá fomos nós. Almoçamos franguinho com arroz branco no japonês. Filhote só quis o frango. E cada vez que eu sugeria mais uma colherada, ele dizia que a barriga tava doendo. Comeu que nem um passarinho. Entramos no cinema às 12h40. Só eu e ele e mais um casal com uma menininha. Deu até dó ver aquela sala vazia.
Gutão adorou o filme. A história é "viajante" e meio difícil pra crianças da idade dele acompanharem porque acontecem várias coisas ao mesmo tempo. Mas ele encarou cada passagem dessas como uma nova aventura e ficava a toda hora perguntando se tinha mais. Mônica, Magali, Cascão e Cebolinha viajam no tempo pra resgatar os quatro elementos (terra, ar, fogo e água) que se perdem em uma experiência do Franjinha. O desenho é perfeito e me deu a maior saudade dos meus tempos de criança. Eu sempre gostei da Turma da Mônica. Foram os primeiros gibis que li e foi a última boneca que ganhei, de escolha própria!, aos 16 anos!
Depois do cinema, pernadinha no shopping, claaaaaro. Eu quis dar um Croc pro Gutão, aquele sapatinho de borracha hiper-mega macio, mas ele não curtiu a idéia. O de número 26 ficou sambando no pé e o de número 25 apertou. Saímos da loja com uma havaianas de "surfista" pra ele (que colocou no pé na hora!) e uma listrada, linda, pra mim. Do shopping, passamos no supermercado. Lembrei que filhote tem aula de culinária na escola amanhã e precisa levar um maço de hortelã. Gutão me ajudou empurrando o carrinho e colocou suas compras: a hortelã, um pacote de ovos de codorna, um de tomate e duas caixinhas de morango. Aprovado! :) Também comprei uma garrafa de água de coco, tirada na hora, pra ver se ajuda na dita dor de barriga.
Filhote não dormiu à tarde. Preferiu ver desenho. Na hora em que o sol estava se pondo, descemos pra tirar fotos e ver o carrinho de controle remoto fazer acrobacias no térreo. O tempo virou, começou a ventar e subimos logo. Na hora da janta, resmungo e "tou com dor de barriga" novamente. Tou começando a achar que isso é truque pra não comer, sabe? Esses dias, aliás, tem sido bem estressante estar à mesa com Gutão. Não sei se é só comigo, parece, mas a hora da comida é uma "guerra". Gutão se distrai, brinca, faz bico, mesmo quando tá com fome, mesmo quando come o prato todo. Acho que é meio culpa nossa também, por não tê-lo estimulado desde bem pequeninho a comer sozinho...Mas sabe como é que é, cada mãe tem suas neuras e eu "tinha" essa coisa de que ele era muito magrelinho, que precisava se alimentar bem e tal e coisa e acabei não incentivando total autonomia na hora da comida. Se bem que sobremesas (frutas, gelatina, bolo, biscoito e etc), Gutão come sozinho. É com comida, comida mesmo que acontece o drama. Vamos ver como é que essa dor de barriga evolui pra amanhã e vamos encarar essa necessidade de ensinar filhote a se alimentar sozinho, nem que pra isso seja preciso deixá-lo passar fome alguns dias, ai!
Falando em encarar, tem também o coco. Que Gutão só faz na fralda. Não tem Cristo, nem apelo, nem tática que o faça fazer na privada ou no pinico. Desencanei e combinei com ele que, no final do ano, quando o verão chegar, ele não usa mais fralda -- nem pra dormir à noite, nem pra fazer coco. Ele tem repetido que vai fazer coco na privada quando fizer quatro anos. É engraçado isso, porque ele domina super o xixi e não usa fralda durante o dia, nem pra tirar soneca. E tem dias que chega a dormir três horas seguidas. Outros, quando dá vontade de fazer xixi, levanta, faz e volta a dormir. Só à noite que faz um montão na fralda, mesmo com o ritual do último xixi antes de deitar e tudo o mais. De novo, cada criança tem seu ritmo e cada uma tem mais dificuldade com uma ou outra coisa, né? É ter paciência, seguir tentando, incentivando, mas sem botar pressão demais.
Aliás, eu não tenho nada o que reclamar desse Gutão. Só tenho motivos do que me orgulhar. É doce, educado, carinhoso, alegre, inteligente, o meu menino. Diz "obrigado" e "por favor" de um jeitinho tão lindo que emociona. Tá com o rostinho roxo, embaixo dos olhos. Parece que levou um soco, tadinho. Trombada com o melhor amigo na escola na segunda-feira. E pra todo mundo que pergunta o que aconteceu, ele diz: "Foi uma trombada no Rafa, o meu melhor amigo".
És feliz, meu filho?? Tomara. Eu só sei que eu sou. Porque sou tua mãe, meu branquelo cheiroso. Meu filhote amado. Meu Picolino. Meu Tantão, lindão. Te amo!
PS: Gutão ontem me acompanhou ao salão. Fiz a mão, enquanto ele brincava na mesinha ao lado com o Caillou. Até que ele avistou o cabelo de uma manicure que usa umas trancinhas daquelas tipo dreadlock, seilá, acho que são de náilon. E soltou: "Mamãe, o cabelo daquela moça é de lã?". Eu não consegui me controlar, ri até. E pra explicar pra ele o que era?? :)
posted by JULIANA DE MARI 7:26 PM
Filho de peixe...
Hoje tirei o dia de folga. Venho de uma correria pra lá de estressante no trabalho e me dei o direito de ficar em casa. Isso porque já "entreguei" o que devia, logicamente. O Guia das 150 Melhores Empresas para Trabalhar e a revista de setembro já estão nas bancas, hein, pessoal?! Pois bem, hoje dormi até mais tarde, busquei Gutão, lindão na escola, almocei com uma amiga e levei Gutão na natação. Aula-teste, junto o Theo, da Rê, que é habituée da escola e foi acompanhar o amigo iniciante.
O Rô foi comigo. Gutão entrou na salinha de "aquecimento" sem pestanejar. Fez todo circuito terrestre alegre, alegre -- entrou e saiu do túnel, escorregou, deu pulões. Depois de 15 minutos dessa farra, foi pra piscina. Aguinha quente, filhote animado, professora mais ainda. Engraçado é que ela perguntou o nome do pequeno e ele disse que era Augusto. Ela quis chamar de Guto. E o Theo protestou: "É Gutão". Adorei!!! Meia hora de bate perna, fazendo bolhinhas, tentando mergulhar. Gutão aceitou a sugestão da "tia" e tentou três mergulhos. Que coisa linda, meu filho! Que emoção!! Nem preciso dizer que eu e o Rô ficamos super emocionados, tiramos um monte de fotos e babamos no nosso pequeno peixinho. O Theo, então, nem se fala. Já nada praticamente meia piscina sozinho! Que lindo, Rê! Decidimos que Gutão vai, sim, fazer natação na mesma turminha do Theo, duas vezes por semana. Delícia!!
Depois da aula, banho e sapequice: Gutão me molhou inteira. Sai do vestuário completamente molhada. E filhote achando o máximo! Os meninos ganharam balinha Tic-Tac (vício aqui em casa!) e pãozinho de queijo. E demos carona pro Theo e pra babá na volta e combinamos alguma coisa juntos pro final de semana. Vamos ver se vai dar pracinha.
Gutão tá aqui, cansadinho. Efeito piscina mais dor de barriga. Desde cedo ele tá reclamando de uma dorzinha na barriga. Já fez dois cocos (ainda faz na fralda, haja!), mas não percebi nada "anormal". Tá meio quentinho, eu achei. Já tentei dar chá, mas ele realmente não gosta. Desde pequenininho rejeita. Dei também um pouco de Luftal agora. Espero que seja apenas "pum" encalhado. Vamos ver como vai ser a noite.
posted by JULIANA DE MARI 8:20 PM
Intensivão da Mic!
Mic e sua trupe chegaram a Sampa na quinta à noite, depois de seis (longas, né, Mic?!) horas de viagem de carro. Fomos lá na casa do Chrys, irmão dela, na quinta mesmo, levar o berço desmontável e o carrinho pra Juju, querida. Ai, que menina encantadora! Que pernocas gorduchas, que sorriso banguela tão simpático, que meiguice. Foi paixão à primeira vista! Juju tava agitadinha, mas com sono, sabe aquele momento que o nenê não quer dar o braço a torcer? Pois bem, Juju tava assim, excitada e cansada. Mas não rejeitou meu colo. Ao contrário. Veio comigo, encostou a cabecinha, passeou as mãozinhas no meu rosto e me encheu de sorrisos, tão lindinha. Quase me deu a glória de tomar mamadeira no meu colo. Eu, toda desajeita, já que nunca fiz isso com Gutão (para quem não lembra, Gutão não tomou mamadeira. Foi do peito direto pro copinho e não largou mais). Enquanto isso, Gutão e Rafa faziam a farra na garagem do tio Chrys. E a Mic, na capa do Batman!, dava coordenadas ao telefone pra Bete (a babá, que veio de ônibus) e o Dani (o marido, que chegou de Brasília na sexta na hora do almoço). A criançada comeu Bis, quis encher os balões que a Mic trouxe e deu sinais de vencimento às onze da noite.
Na sexta, tivemos encontro na pracinha com a Rê e o Theo e mais uma amiga de blog da Mic, a Alê com o Mateus. Era pra ser um "encontrão" das blogueiras, mas acho que o feriado não colaborou. Muita gente deve ter aproveitado o tempo bom pra viajar, né? Bom, ficamos nós pra nossa "matraqueada" básica. Rafinha tava cansado e capotou no colo da Mic, que continuava de pára-choque baixo por causa da epopéia viagem de carro + crianças + parada pra trocar fralda e tal e coisa. O Rô foi levá-los pra casa do Chrys pouco depois que nós chegamos. A Alê também foi embora em seguida. Eu e a Rê ficamos lá, tomando chimarrão, dando risada com nossos pequenos e combinando o teste de maquiagem que vamos fazer semana que vem (eu tenho um evento e a Rê vai me maquiar, chiquérrima!). Uma da tarde, nos reunimos novamente pra almoçar. Fomos em um restaurante italiano aqui na Vila mesmo. Comida boa e barata e espaço pra entretimento dos meninos. À mesa, Mic e Dani, eu e o Rô, a irmã da Mic e o marido, o Chrys e a Rê. Theo e Gutão deram três garfadas no espaguete e foram brincar de polícia e sei lá mais o que no fundo do restaurante. Volta e meia eu só ouvia um "mamãe" e uma reclamação do Gutão, mas até que a brincadeira no restaurante rendeu.
À noite, repeteco do encontro aqui em casa. Pra pizzada que já virou tradição! Só faltou a Juju, que dormiu e não ia mesmo aguentar a bagunça. Rafinha, Gutão e Theo se deram bem. Brincaram de skate, assistiram ao DVD do Bob Esponja e comeram salgadinho juntos. Mas...as horas foram passando e os humores foram mudando. No final, Theo e Gutão se desentenderam. E Gutão soltou o tradicional "nunca mais vou ser amigo do Theo" e o Theo chorou também. Alguns minutos depois, estavam lá sorrindo e dando tchauzinho na porta do elevador. Amigo que é amigo ama, odeia, perdoa e começa tudo de novo, né? Nós, as mães da casa, nos revezamos no "atendimento" ao "mamãe, vem aqui". Tomamos lambrusco, fizemos caras e bocas pras fotos e falamos da vida. Papo de marido, sogra, vida dura de mulher multi-função. Sim, porque, vamos combinar, só mulher pra ter mil e uma utilidades. Homem que é homem faz uma coisa de cada vez e olhe lá! :) O Rô e o Dani, graças a Deus, embarcaram nas conversas e nos ajudaram a tornar a polêmica mais divertidas.
Hoje, sabadão de sol, fomos tomar banho de piscina "Regan" na casa do tio Chrys. Quer dizer, as crianças tomaram banho de piscina. E o Rô, que não pode ver água que já vai se jogando, né, meu amor?! Foi uma delícia. Gutão a-do-rou! Entrou na água fria sem pestanejar e não saiu mais até a hora em que viemos almoçar. Aliás, saiu só pra comer pipoca. Inventou de comer com a boca direto do prato, gerou "moda" entre os outros dois moleques e nos ajudou a fazer fotos hilárias do trio!!! Filhote capotou depois do almoço e nem conseguiu acordar pro último encontro com a Mic na pracinha, no final da tarde. Fui lá eu, antes de sair correndo pra fazer a mão e a sobrancelha!, dar tchau pra família e dar beijo na Rê, no Theo, no Emílio e na dinda Dani, no Miguel e na Nina. O tempo meio que virou, tava um ventinho frio e a Juju foi a única que se deu bem, com seu casaquinho cor-de-rosa e sua meia de pé de bailarina (Mic, adorei!). Passei literais cinco minutos na pracinha, infelizmente. E já fiquei com saudades e pensando no próximo encontrão da trupe. Será que, da próxima, a gente consegue ir ao Rio, hein? :)
Mic, boa viagem de volta e vê se descansa aí no domingão!!!!
posted by JULIANA DE MARI 9:03 PM
Os bons amigos
Correria doida no trabalho. Muito assunto pra registrar, mas total falta de tempo pra teclar. Vou tentar. Senta que lá vem história!
- Gutão e Theo se redescobriram melhores amigos. Eu e a Rê nos reafirmamos melhores amigas.
Passamos um final de semana delicioso na companhia de mãe, filho -- e avó a tiracolo. No sábado, fomos em supermercado de "bicho" e vimos coelhinhos, araras, ratinhos e outros bichinhos que fizeram a alegria dos meninos (eu, na minha versão turista, cheia de bolsas e máquina fotográfica a tiracolo!), almoçamos num natureba (e Gutão comeu lasanha de brócolis e arroz integral com cenoura e nem reclamou!), passeamos numa lojinha linda de artesanato e coisas fofas pra casa (e eu escapuli pra comprar o presente de aniversário da Rê sem ela perceber!). Chegamos em casa, eu e meu Gutão, e capotamos por três horas seguidas, agarradinhos na minha cama (é que o Rô tava em Floripa, no casamento de um amigo). À noite, brincamos um bocadão, vimos filminho juntos e dormimos, novamente, os dois, na cama de casal (coisa bem boa dormir sentindo aquele cheirinho!). No domingo, Gutão acordou "cedíssimo", pra variar (sete da matina o danado já tá de olhos completamente abertos, todo falante, demanando atividade) e eu não tive dúvidas: fomos pro supermercado.
Fazia séculos que eu não entrava em um. É que a gente viciou em fazer super pela internet. É mais rápido, mais fácil e a lista não cresce -- não tem tentação na rede. Quer dizer, ter tem, mas é mais difícil de achar, a tentação não pula da prateleira na sua cara, né? Bom, o caso é que nosso computador travou e o acesso a internet não rolou de jeito nenhum. Pra não ficar sem comida na segunda e pra ter o que fazer com Gutão no domingo, fomos lá, fazer compras. Filhote amou! Pegou um carrinho pequeninho só pra ele e encheu de coisas que escolheu (bolinho Ana Maria, um melão, uma garrafa de suco, um jacaré de plástico, uma caixinha de morangos e um pacote de miojo -- hahaahahahaaa). Foi super companheiro, não deu chilique, me ajudou a pegar as coisas da nossa lista e curtiu mesmo o processo de escolher, ver o preço e tal e coisa. Só não gostou na hora que chegou no caixa e tiveram que embalar as coisas dele. Putz, Gutão odeia colocar as coisas em sacola. E aí, brigou com a moça do caixa pra deixar as coisas dele do lado de fora. Eu tive que usar de muita lábia pra convencer o baixinho que não dava pra gente levar pra casa tudo aquilo sem estar devidamente empacotado (detalhe: eu moro no 16º andar, esqueci o cartão que libera o carrinho de compras da garagem, tive que encher o elevador de sacola sozinha -- eram umas 30, sei lá -- e filhote ficou segurando a porta do dito, todo prosa, todo orgulhoso de ter uma "função" e poder me ajudar).
Antes de voltar pra casa, parei na pracinha da Fnac pra dar uma voltinha na feirinha que acontece ali todo domingo. Tinha um palco montado e um pessoal tocando chorinho. Gutão quis ouvir. Gosta de música, esse menino, coisa boa. Ficamos ali um tempinho até que avistei, coincidentemente, a Rê, o Theo e a vó Vera. E os meninos adoraram se encontrar. E foram correr por cima das raízes das árvores e gritar e transformar plantinhas em espadas. Depois da pracinha, almoço em casa e passeio no shopping pra tomar sorvete com o Theo. Roubada no ano, já que pegamos um puta trânsito no caminho. Mas valeu, como valeu. Os meninos, tão queridos, andaram de carrossel (e eu, que adoro carrossel, quase choro com a cena, lamentando profundamente não estar ali com minha máquina pra registrar aquela alegria, aquela deliciosa sensação de ter um amigo pra compartilhar dos bons momentos da vida). Depois do cavalinho, um estressezinho básico na hora do sorvete. Theo brigou com Gutão que fez bico pro Theo -- e em cinco minutos, tudo se resolveu e eles já estavam correndo e pulando e dando risada novamente. Depois do shopping e de um trânsito mega-monstro por causa do jogo do Palmeiras, Gutão ainda aceitou o convite do amigo pra ir brincar na casa dele. E lá fomos nós, dar overdose na Rê!!!! Filhote ficou encantado com o trenzinho do Theo. Eu e a Rê rimos e matracamos e comemos um balde de pipoca e salgadinho integral que compramos na casa natureba no sábado. Saímos de lá no finzinho da tarde com a certeza de que teremos outras, muitas, tardes tão gostosas quanto essa (e, no sete de setembro, com a Mic e tchurma junto!!!).
posted by JULIANA DE MARI 10:46 PM
O dia deles
Gutão e o Rô comemoraram o dia dos pais ontem, sabadão de sol em Sampa. Junto com a turminha da escola, fizeram um passeio ciclístico no parque Villa-Lobos. Filhote levou sua bicicleta amarela (a "moto", na versão dele) e o Rô alugou uma bike por lá. Seguiram com a criançada e seus respectivos pais por toda a volta do parque. E Gutão pedalando sem parar. Diz o Rô que o menino "puxou" a corrida, sempre à frente, sempre acelerado. Enquanto eles se divertiam a dois, eu aproveitei pra procurar um presente pro Rô. Foi uma lembrancinha --utilíssima!-- este ano: uma caneca pra tomar café. Acompanhada de um cartãozinho "escrito" pelo Gutão (que escreveu, na língua dele: "a corrida foi demais, papai"). Também aproveitei pra passar na liquidação da Santa Paciência (rua Girassol, Vila Madalena) e renovar as camisetas do Gutão. Saí de lá com várias, lindas, descoladas, tamanho 4 e por 60% do preço original! Minha manhã terminou no salão: pé e mão pra me sentir cuidando minimamente desse corpinho.
Os "meninos" da casa chegaram exautos. O Rô descansou 20 minutinhos depois do almoço e filhote foi se aninhar do lado dele pra soneca da casa. Antes disso, eu avisei que o papai e a mamãe iam sair à tarde e que a Bá ia ficar com ele. Que a gente tava precisando desse tempinho a dois pra namorar um pouquinho. Gutão ficou todo espantado: "namorar? eu não quero que vocês namorem". Essa é boa! Eu expliquei que o papai e a mamãe se amam e gostam de conversar, passear, e que isso é namorar. Filhote pediu pra eu não ir, mas, de tão cansado do passeio de bike, não conseguiu insistir. Tava roncando lá na nossa cama, quando eu e o Rô saímos pro cinema. Pra combinar com o clima "dia dos pais", assistimos ao argentino "As Leis de Família". Um belo filme, que fala da relação pais e filhos e do quanto a comunicação pode acontecer "sem palavras". Depois do cinema, uma voltinha nas Pernambucanas pra renovar o enxoval da babá que vai dormir em casa. Sim, consegui!!! A moça começa dia 20, graças a Deus. Eu e o Rô estamos parecendo criança: fazendo mil e um planos pra quando a dita chegar. Ah, isso eu aprendi e faço questão de repassar adiante: quem pode, deve, sim, ter babá dormindo em casa desde a primeira noite do filho em casa.
Hoje, domingão geladinho, filhote e o Rô começaram o dia jogando bola na quadrinha verde, o mini-mini-campo de futebol aqui do prédio. Eu fiquei na cama até um pouco mais tarde, dor de cabeça lancinante, que só quem tem enxaqueca consegue avaliar...Fomos almoçar num restaurante italiano, escolhido pelo Rô. Tava lotado, obviamente, mas a hostess, muito atenciosa, nos pegou na saída e ofereceu uma mesa na área de espera (se sensibilizou com a cara de fome e sono do Gutão, eu acho!). Foi ótimo porque o sol surgiu e nós ficamos ali, a três, saboreando nosso dia juntos. Gutão devorou o pão italiano e não quis comer nenhuma garfada de sua massa à bolonhesa. Eu pedi uma massa com linguiça, mas acabei comendo o prato do Rô (hahahaaa): massa feita de cacau com molho branco e presunto cru, uma delícia. A boa veio na hora da sobremesa. Eu pedi um tiramissú e o Rô um tipo de sorvete italiano de chocolate. Gutão cresceu os olhos, claaaaro. E o Rô deu uma ralhada básica, perguntando se ele só tinha fome pra comer doce. Ao que ele respondeu: "Eu não tava com fome, mas tou com vontade de comer doce". Figuraça, esse menino!
À tarde, dormimos juntos. O Rô acordou primeiro pra ver o jogo do Grêmio. Filhote levantou em seguida. E eu saí por último pra me deparar com uma cena ótima. Gutão, esparramado no Futon, um pote de pipoca do lado, vendo um filme de "criança maiorzinha", nas palavras dele. Aquele filme dos espiões mirins, filhos do Antonio Banderas, sabe?
Filhote segue fazendo e dizendo cada uma que nos deixa surpresos e nos rouba muito sorrisos. Deu de usar "Que nada, mamãe" quando quer dizer que estou errada em alguma coisa. Também diz assim, pra mostrar alguma coisa; "Olha lá, onde tá, na direção do meu dedo". E agora há pouco, na hora do banho, filhote enrolando pra sair do chuveiro, eu, pedindo pela milionésima vez pra ele sair pra se enxugar, ele manda, todo bicudo: "Eu odeio quando você fala essas coisas" (hahahaaaaaaaaa!).
E semana passada, depois da visita da Nina e do Miguel, eu comento que a Nina tava tentando botar a sandália dele no pé, mas não conseguiu porque o pé dela é metade do dele. E ele: "Então, meu pé é inteiro?". Adoooorei! E, dia desses, o Rô até anotou, o pai pergunta: "Tá chateado com o que, Gutão?". E Gutão responde: "Tô chateado com meu cérebro". O que será que isso quer dizer? :)
Só sei que esse filhote é muito amado e que o pai desse filhote é mais amado ainda. Rô, feliz dia dos pais! Tu é o melhor pai que o Gutão poderia ter no mundo e eu vou ficar muito feliz se o(a) nosso(a) próximo(a) vier com tua marca registrada outra vez: esse sorriso escancarado, essa alegria de viver. Te amo, mi amor!
posted by JULIANA DE MARI 10:10 PM
Figuraça
Ontem à noite, eu e o Rô jantando na mesa da cozinha e filhote por ali, fazendo das suas pra chamar atenção. Até que o Rô pede pra ele me contar o que tava fazendo na escola quando o papai deu tchau. Dá a dica do Carrossel e pede pra filhote falar disso. E Gutão manda, todo faceiro: "Não era carrossel, papai. Era uma nave com uma roda beeem grande". E solta uma risada. E manda outra: "Entendeu a piada, papai?". E gargalha de olhos fechados! Figuraça!!!
Depois do jantar, dor de cabeça crescendo e um mal estar que me fez acreditar que eu ia desmaiar, o Rô me levou pra repousar na cama e trouxe Gutão pra conversar com a gente. Gutão, como era de se esperar, fez uma zona: se jogou em cima do pai, dizendo que tava nadando; pulou como se estivesse em uma cama elástica; esticou minhas bochechas até quase rasgar as ditas, achando a maior graça!, e por aí vai. Até que o Rô pega no sono (como consegue no meio de uma bagunça dessas?!). E filhote, obviamente, não se conforma. Enfia a cabeça no edredon, pede pra eu fazer o mesmo, e, de repente, levanta e "buuu". Dá um grito de assustar nos ouvidos do pai. Que se assusta, logicamente. E dá uma mini-bronca no menino. Que, faceiro que só ele, deita a cabeça em cima de mim, abre uma risadinha e "rrrrrrrrrrrrrrooooonca", como se estivesse no décimo sono!!! hahhaaaaaaaaa Não aguentamos essa, demos muita risada e muitos beijos nesse Gutão, lindão.
posted by JULIANA DE MARI 12:18 PM
Friaca
Esses últimos dias gelaram a alma. Não me lembro de ter vivido um frio tão intenso desde que me mudei pra Sampa oito anos atrás. Os termômetros marcaram oito graus (ou menos!) à noite. Nossa casa, "fresca" por natureza, virou uma geladeira. E Gutão dormiu três noites seguidas entre nós, literalmente. Não tive coragem de deixar meu amadinho dormindo sozinho em seu quarto gelado (o aquecedor, com a porta aberta, é paliativo...). Como sei que ele se mexe pra caramba e não há truque de prender cobertor que dê jeito, preferi dormir torta e esmagada outra vez a senti-lo de orelhinhas geladas no meio da noite. O Rô concordou e nós fizemos nosso "ninho" quentinho com o cobertor de "vaca" (um peludão que o Rô me deu de aniver no ano passado) e a forcinha do novo aquecedor a óleo. Sim, compramos esse depois da roubada de comprar um elétrico pela internet, ou seja, sem testar, e ver o troço parecer um holofote de tanta luz ao ser ligado. Micão!
As aulas de segundo semestre do Gutão recomeçaram ontem, mas filhote ficou em casa. Ficou ontem e hoje, na verdade. Ah, não, mandar criança pra rua com esse frio de doer os ossos é covardia. Aos três anos, se não há motivo nem urgência, não há agenda que seja mais importante do que o aconchego da casa da gente, né? Gutão faltou ao primeiro dia de aula sem culpa, nem minha nem dele. Aliás, ele adorou. Recebeu encomenda da bivó Vandelina ao acordar na segunda: uma caixinha com um ratinho de brinquedo, desses que a gente puxa o rabo e ele sai andando pela casa, e uma escavadeira. Amou, lógico. Tanto que quebrou o rabo do rato meia hora depois! A bivó mandou os brinquedos com uma cartinha lindinha. Dizia estar com saudades e contava que o nome do ratinho era Ulisses. Gutão cismou. Disse que não gosta desse nome. E escolheu outro pra batizar o novo amigo: "Rói". Bem apropriado! Depois dos presentes surpresa, filhote passou a manhã brincando na casa de um amiguinho do prédio, o Lucas, recém-chegado de viagem. E hoje foi o Lucas quem veio brincar aqui.
Fez tanto frio que, domingo, tivemos que ir no shopping de emergência pra comprar blusa de lã pro Gutão. Sorte é que a Chicco tava em promoção, tipo bota-fora de inverno, e eu achei o que procurava por um precinho camarada. Filhote perdeu muita roupa nos últimos meses. Usou bastante coisa tamanho 2, aproveitei até onde deu. Tem marcas, como Tyrol (que compro nas liquidações da vida), que usam modelagem grande e isso é ótimo, pois Gutão é um menino, digamos, "mignon". Mas agora não tá dando. Filhote tá crescendo e o guarda-roupa precisa acompanhar. Amanhã, aliás, preciso passar na fábrica que vende os uniformes da escola pra encomendar TUDO novo: moletom, calça, camisa manga longa, camiseta, short...Tá tudo pequeno, coitado. Tou prevendo a facada, mas não tem o que fazer. Prefiro assim: uma escola com uniforme -- melhor detoná-lo a usar as roupas "de casa" pra lambança.
Gutão já foi dormir. Tá debaixo do cobertor "de nuvem", fofinho e azulzinho, e enroscadinho na Pig. (A velha, que, pra 'não passar frio' tá toda enrolada em uma camisetinha que era dele quando bebê. A nova, filhote renegou. Hahahaha.) Eu tou indo deitar em seguida. O Rô foi jogar bola. O frio, parece, tá amenizando. Continua gelado, mas a alma vai reaquecendo. Semana passada, tive dias péssimos no trabalho. Tudo acontecendo ao mesmo tempo agora. Essa semana começou com mais alguns sustos. Mas hoje retomei minha fé e meu foco. Tenho aprendido, na marra, a ser resiliente e estou tentando entender os recados cifrados que a vida me dá. E a lição número um é: tudo tem seu tempo.
Nesse exato momento, é hora de descansar. Como Gutão gosta de me dizer antes de fechar os olhinhos, "boa noitinha".
posted by JULIANA DE MARI 11:20 PM
O mundo do Gutão
Gutão fala. Muito. E brinca. Muito. E cria histórias com contextos bem reais. É a nave que vai pra "Marte", é a moto que vai ultrapassar o sinal vermelho, é o bombeiro que vai salvar alguém. Não é dado a fantasiar por fantasiar, no sentido de criar histórias sem pé nem cabeça. As histórias dele têm "roteiro" bem construído, sabe? É curioso ver como a cabecinha dele funciona e é curioso também perceber que não há duas crianças (pra não dizer, duas pessoas) iguais no mundo. Tenho filhos de amigas que são o exato oposto do meu: o que curtem é criar histórias de cavaleiros, de castelos, de um mundo "paralelo". Gutão, não. Gutão é real. Reproduz o mundo real em suas brincadeiras. E brinca muuuuuuuito. E gosta de brincar falando. Conta o que vai fazer, quem vai encontrar, reproduz sons, troca de voz pra dar vez a seus bonequinhos, enche a casa com seus sons. Eu fico lá na cama, em meus dez minutinhos diários a mais antes de levantar pela manhã, e só ouço Gutão matraqueando. É meu momentinho de paz diário. Dou risada sozinha e já acordo um tantinho mais feliz.
Gutão fala. E diz cada uma que nos arranca risadas. Deu de usar umas expressões mui engraçadas pra reforçar seus argumentos. Do tipo: "além disso", "eu já disse que blablablá", "escuta uma coisa" e por aí vai. Também tá com fixação pelos números. Já os reconhece e pergunta, a toda hora, quanto é dois mais quatro, ou três mais cinco. Não no sentido de soma. Quer saber qual é o número que dá quando juntamos "três e um" junto, sabe? E aprendeu a contar até 20 agora. Só que, toda vez, enfia um 40 depois do 12, não tem jeito! hahaaaaaaa
Filhote também tem oscilado em relação ao humor. Tem dias que assume que está com a pá virada e diz: "Acordei mal humorado hoje". E aí, sai de perto porque o bichinho fica realmente um limãozinho de tão azedo. É coerente, esse meu filho. Diz o que sente e age de acordo com isso! Tem dias, por sua vez, que sai dizendo aos quatro ventos que acordou feliz. Aí, é aquela alegria. Um termômetro pra saber o quanto ele está bem ou mal humorado no dia é o tanto que ele fala quando ele acorda. Aliás, Gutão assumiu de vez que adora acordar cedo. Diz assim: "Eu adooooooro acordar cedíssimo". Putz, é no superlativo!! Tou ferrada! :) Falando sério, filhote tem uma energia impressionante. Seu novo slogan é: "Mamãe eu sou muito energioso". Acho que herdou do pai, só pode ser. Eu sou preguiçosa (no bom sentido, vejam bem!) assumida. E sou vespertina. Adoro minha cama, adoro dormir, não sinto culpa alguma de passar 10 horas no meu cantinho quentinho e não sinto mesmo necessidade de estar em movimento o tempo inteiro. Minha maior necessidade e minha maior atividade não é física, é mental. Mentalmente, não páro um só minuto. Penso, repenso, reflito, analiso, racionalizo. Mas não sinto necessidade de fazer isso andando, por exemplo! Posso fazer isso tranquilamente esparramada na minha cama! hahahaahaaaa
Estou desenvolvendo uma nova tese a respeito das noites maldormidas do meu filho: Gutão, de tanta energia que tem, não dorme direito. Não desliga. Reproduz no sono o que vivenciou durante o dia. Ou o que não vivenciou. Pode ser prepotência de mãe, mas acho que sente minha falta, sim, durante o dia e que manifesta isso durante a noite...Conversei bastante com a minha querida Rê Quintella (via messenger, porque pessoalmente nossas "agendas" andam complicadas) sobre isso, o caos "noturno". E ela me recomendou algumas ações que resolvi acatar. Anteontem dormi com filhote no quarto dele. Ele na cama dele, eu na bicama. Logicamente, Gutão amou a idéia. Tanto que não quis ficar na cama dele. Quis dormir "bem juntinho de você, mamãe". Amei, claro. Mas isso significou uma noite do cão, porque filhote dorme se esticando todo, chutando o lençol, resmungando, pelamordedeus. Quanta agitação! A certa altura da madrugada, num momento em que ele abriu os olhinhos pra pedir não sei o que, eu avisei que ia pular pra cama dele porque, assim, nós dois iríamos dormir melhor. Ele abraçou a Pig e me deu um "boa noitinha" como quem diz "vai lá, mãe."
Ontem, levei filhote pra trabalhar comigo. Passou umas três horas na Redação e virou o centro das atenções. Jogou bola, ganhou balinhas, desenhou, deu beijo nas meninas e etc etc. Pena que eu mesma não consegui dar tanta atenção pra ele. Essa foi uma semana de cão pra mim no trabalho e a sexta continuou trazendo problemas...Mas Gutão curtiu estar com os jornalistas. Trouxe ele pra casa na hora do almoço, comemos juntos e voltei pra trabalhar mais leve. À noite, foi a vez do Rô sugerir que Gutão dormisse comigo, só que na nossa queen size, hahhaaaaaaa. O Rô dormiu na cama do moleque e nós dois entramos debaixo das cobertas quase onze da noite (tem isso também, filhote não se entrega cedo, ai, ai, ai!). Filhote fez questão de dormir bem grudadinho em mim, dividindo travesseiro, e, mais uma vez, eu dormi tortinha da silva. Acordava a todo instante pra "desentortar" o moleque, tirar um pé que pressionava minha barriga, arrumar o lençol do figura...Mas valeu. Gutão acordou feliz. E vamos nessa, tentando de tudo um pouco pra ver se ele descobre que dormir é bom. O próximo passo é consultar o tal antroposófico ou um homeopata que receite um "equilibrador" das energias. Pra família.
posted by JULIANA DE MARI 1:51 PM
Vem mais por aí?
E segue a chuva em São Paulo. E a TV mostra que um pedaço da cabeceira da pista de Congonhas está prestes a desmoronar. E parece que a água que deveria ser devidamente drenada da pista acaba drenando é o barranco e o muro de contenção que separa o aeroporto da avenida Washington Luís. Alguém ainda tem dúvida de que esse aeroporto TEM que ser interditado?
Gente, vamos aderir ao boicote. Agora, até os pilotos da TAM e da Gol não querem mais descer em Congonhas. Por favor, que nós não percamos o direito à indignação. Nossos filhos MERECEM um país melhor. Nossos filhos MERECEM pais minimamente ativos. Nossos filhos MERECEM um futuro baseado no valor primordial: o valor que a VIDA tem.
posted by JULIANA DE MARI 6:18 PM
Férias corridas
Gutão tá de férias. Passou duas semanas indo pro "curso de férias" da escola durante as manhãs. Agora, nas duas últimas semanas do mês, achamos por bem deixá-lo em casa. Foi legal que minha mãe ficou aqui alguns dias (três semanas com volta pra Recife na terça via Cumbica, graças a Deus!) e pode curtir um bocado o meninão. Aliás, Gutão deu uma canseira boa na vovó Ju! Tinha dias que eu chegava em casa à noite e estavam os dois "treinando" futebol na sala. :)
Quinta passada, Gutão recebeu uma amiguinha de sua turma em casa, a Ana Beatriz. Foi ele que escolheu convidá-la. Nós tentamos ligar pra outra amiga, a Kailani, a predileta, mas ela tava viajando. Aí, Gutão pediu a "Aninha", que veio com a mãe e passou a tarde encantada com os brinquedos do filhote. Sim, porque aqui tem carro e ferramenta pra tudo quanto é lado, né? E ela, a menininha, é dada a fantasias de princesa e bonecas, nunca tinha visto tanto carrinho de uma vez só! Mas uma coisa meu menino e aquela menina têm em comum: o gosto pelas histórias. Diz minha mãe que ela ficou impressionada com o tanto de livrinhos que Gutão tem. E que, juntos, eles olharam vários, que legal. Acho tão bacana essa coisa de receber os amigos do meu filho. Sei que ele é criança ainda, mas acho que é de pequeno que a gente fomenta essa "abertura". É de pequeno que a gente mostra que a nossa casa é território de encontro e que as portas vão estar sempre abertas pros nossos amigos.
Fico é um pouco triste de não estar de férias junto com Gutão (vou tirar duas semanas em outubro pra ir com ele pra Recife: batizado e um aninho da Bruninha!). Queria curtir mais meu filhote...Ele tá crescendo tão rápido e, às vezes, me bate a sensação de que não estou vivendo tudo o que poderia com ele, sabe? Culpa moderna ou culpa clássica? Acho que toda mãe tem dessas, não tem jeito. Tudo bem, tudo bem. O Rô pediu um final de semana na praia de presente de aniversário e, em 15 dias, se o tempo ajudar, estaremos curtindo juntos o barulho do mar e aquela calma que só a beira da praia nos traz.
Essa semana também vou levar Gutão no trabalho pra passar uma manhã comigo. Ele gosta tanto de ver "os jornalistas". Sexta passada, filhote foi no trabalho do Rô. Passou parte da manhã e da tarde por lá. Eles fizeram uma espécie de "team building" só com os filhos do pessoal da equipe, super idéia. Nem preciso dizer que Gutão saiu de casa excitadíssimo e amou estar lá, no trabalho do pai, cheio de amiguinhos, cheio de novidades, né? Filhote tem seus ataques de mau humor (quando diz que não quer ver ninguém, não quer falar com ninguém), mas é coisa de cinco minutos. Na maior parte do tempo, Gutão é um serzinho falante e sociável. E isso facilita um bocado a nossa vida de pais, viu? Porque "carregamos" filhote pra tudo quanto é lugar, e desde que ele era nenezinho, junto com a gente. Não tem essa de território proibido. Gutão sabe se comportar, curte nossos passeios, respeita nossos "combinados" e só começa mesmo a dar trabalho quando tá com sono -- ou quando alguma criança vem mexer nas coisas dele sem permissão -- ou seja, birras absolutamente normais para uma criança da idade dele! Eu vejo algumas amigas que não levam os filhos a restaurantes com medo da bagunça, não levam na casa dos amigos com medo da bagunça...Sei não, acho que aí quem tem mais problema que a criança são os pais. Dá trabalho educar, dar limite, ensinar, ensinar, ensinar...
Tenho pela frente mais uma semana bem corrida, de reuniões e decisões importantes. Mas tem Gutão em perspectiva. E tem essa alegria, essa risada que enche a casa quando vê o Dito, do DVD do Cocoricó (o novo, ótimo!), dizendo que o Feito tem cabeça de abóbora! hahahaaaa É essa imagem que levo comigo todos os dias: o sorrisão grandão do meu Gutão.
PS: Minha indignação em relação ao desastre de Congonhas continua. Cada vez que penso que era uma tragédia evitável, ai, me dá uma raiva desses políticos...Tá, todo mundo tem sua hora, mas aquela não parecia ser a hora daquelas 200 pessoas...Se houvesse recuo na pista, se houvesse o tal do grooving pra escoar água da chuva, se houvesse estrutura, o desastre, provavelmente, não teria acontecido...Bom, recomendo o site do IDEC - Instituto de Defesa do Consumidor. Tem lá um abaixo-assinado, um boicote oficial ao aeroporto mais perigoso do Brasil. Eu e minha família não voamos mais pela TAM nem usamos mais Congonhas. É a nossa parte, é pequena, mas se todo mundo tomar uma atitude assim, o efeito dominó acontece.
posted by JULIANA DE MARI 6:19 PM
IndigNação
A tragédia estava anunciada: só não se sabia a data, a hora e quem seriam as vítimas. Mas era certo que uma desgraça ia acontecer naquela pista horrorosa de Congonhas. Se era certo pra mim, que sou leiga em aviação, será que não era um risco, digamos, "pressentido" pelas autoridades? Que jeito é esse de governar? Que falta de responsabilidade é essa? Por que é mesmo que priorizaram o conforto, o saguão bonito, o estacionamento novo, em detrimento da segurança? Quem foi que aprovou esse absurdo? E cadê o presidente?????????? Cadê as autoridades? O que vão dizer agora, hein? Cachorro na pista? Erro do piloto? Ouvi essa baboseira no rádio hoje pela manhã, são as possíveis causas do acidente na versão do governo...Pelamordedeus!!!! Quando é que os brasileiros vão se indignar de verdade?????????? Parece que estão todos anestesiados, socorro.
Eu estou indignada. Estou chocada. Estou triste por essas famílias que perderam entes queridos dessa forma estúpida. Por que não é que o avião caiu, deu problema no motor, bateu em outro enquanto voava...Tudo isso é uma merda igual, mas é "quase" acaso (em tempos de apagão aéreo, eu não sei mais o que é azar e o que é descuido...). A pista com defeito é fato. Há semanas vemos aviões derrapando, embicando, arremetendo, seja lá qual é o melhor termo pra dizer isso: pilotos tentando se livrar de um acidente fatal. E deu no que deu ontem. Nessa dor que dói na gente só de pensar...
Eu não tenho medo de avião. Nunca tive. Adoro voar. Adoro viajar. Mas detesto aeroporto. Detesto fila de check-in. E tenho medo de morrer...Hoje, eu tenho medo do que pode nos acontecer, assim, por falta de um cuidado que deveria ser premissa das autoridades: segurança, segurança, segurança. Me arrepio de pensar que o Gabriel, um repórter nosso que estava voltando de Belém, era o próximo avião a descer depois do AirBus da TAM. O dele estava com trem de pouso preparado e teve que subir novamente pra não correr o risco de ser mais um na fila da tragédia...
Semana passada, sonhei que via, da janela da casa dos meus pais em Recife, um avião caindo, se partindo em dois, pegando fogo...Lembrei disso ontem, de repente, ao ver as imagens do galpão da TAM em chamas...Não que uma coisa tenha a ver com outra, mas já rezei muuuuuuuuuuito.
Eu acredito que o Brasil tem salvação. Eu acredito que meu filho pode viver um mundo minimamente melhor (Deus permita). Mas é o povo que pode mudar a situação. É cada um. Somos nós. É preciso se indignar, é preciso cobrar, é preciso pensar mil vezes antes de não votar ou de votar por votar nas próximas eleições...Quero só ver como essa tragédia vai ser tratada daqui por diante, inclusive pela imprensa. Há que fazer como o Boechat, no rádio, hoje pela manhã: bradar a indignação, deixar vir a dor por esse descaso com a vida. E se a pista não é interditada por uma decisão responsável das autoridades, vamos, nós, boicotar Congonhas!!!!!!! Vamos, nós, fazer pressão (e essa pressão, a "financeira" eles entendem) nas companhias aéreas, no governo, na Infraero, no diabo a quatro. Lá em casa, de agora em diante, só Cumbica.
Gutão, meu filho, tem horas que as coisas ficam mesmo difíceis...Tem horas em que é a gente lá, sofrendo com aquela mãe, arrasada no saguão do aeroporto, chorando a morte dos dois filhos, de uma vez só...Mas há que se ter fé. Há que se ter esperança. Há que acreditar que uma desgraça dessas acontece pra ensinar alguma coisa (e que pensar nos riscos, de qualquer ação que seja, nunca é demais). Ah, meu filho tão amado, não deixe, jamais, de acreditar que pode ser diferente. Que você pode fazer diferente. E vamos viver.
posted by JULIANA DE MARI 2:48 PM
Pra vida
Foi quarta à noite o nosso "grande encontro": eu, Mic e Rês -- a Quintela e a Azevedo. A Rê, de Sampa, mãe do Theo, foi a primeira a chegar. Tá tão bonita, minha amiga, de cabelo novo e corpitcho esculpido no Pilates! Conversamos um tantinho e logo chegaram as convidadas ilustres. A Mic, falante e alegre, como sempre. Trouxe um livro de presente pro Gutão (que capotou às 8h da noite e, infelizmente, não participou da noitada). A Rê, tão querida, me deu um abraço gostoso e entrou em casa trazendo sorrisos e uma caixa de chocolate. O Junior, uma simpatia de mineiro, veio junto e deu pra ver que eles realmente são grandes companheiros, carinhosos um com o outro, com muita história pra contar. Eu os recebi com uma emoção de criança, sabe assim? De tão emocionada, fiquei ainda mais, digamos, desastrada do que já sou normalmente. Coloquei prato e talher a menos na mesa, deixei o Junior sem copo na hora do brinde e não parei de espirrar, hahahahahaa. Esfriou pra caramba e eu tive um ataque de rinite como há anos não me lembrava. Foram uns 200 espirros no dia, sem brincadeira. O resultado de tanto espirro é que tive uma crise de sinusite aguda ontem (sexta) e fui parar no hospital com uma dor horrível...Hoje, sábado, estou me recuperando. Parei de espirrar, mas sobrou uma dor de cabeça e uma pressão no rosto daquelas, ui.
Bom, conversamos um monte, comemos pizza e torta (de limão e de chocolate, que a Rê Quintela, generosamente, nos trouxe!), demos boas risadas, nos emocionamos, falamos da vida, dos nossos filhos, dos nossos pais...e tiramos váaaarias fotos divertidas!! O Junior foi o fotógrafo oficial do "evento". E foi também um santo: ouviu nossa tagarelice com uma calma impressionante! Tagarelamos tanto que nem vimos o tempo passar. Quase duas da manhã e ainda estávamos fazendo caras e bocas pras fotos! O quarteto tava tão animado que rolou até clique no estilo "as panteras"!!!
Nem preciso dizer que fui dormir feliz, feliz. Plena com essa amizade que só me faz melhor. E parece que a gente já se conhece há tempos, de verdade. A Mic é "minha amiga de infância". Como essa figura consegue nos deixar à vontade, impressionante. Tem uma energia e uma alegria contagiantes. A Rê Quintela me transmite uma paz e uma verdade que eu não sei explicar. É atriz, mas não vive um personagem. Tem lá seus dilemas, sofre, sim, mas vai atrás das respostas que procura. E eu gosto disso. E a Rê Azevedo, ah, essa é feita de amor -- e de uma vasta cabeleira de um preto lindo. Tá vivendo um momento tão, mas tão difícil, mas ainda consegue sorrir aquele sorriso meigo que faz a gente querer sorrir junto, sabe? É intensa e tranquila, ao mesmo tempo. E tem um brilho nos olhos, uma luzinha lá no fundo que me diz que vai buscar o tempo dela e vai ganhar serenidade. Vai, sim.
Se eu contar por aí que, balzaca que sou, fiz amigas assim, tão queridas, via internet, vão duvidar. Mas eu fiz. E eu sei que a Mic e as Rês não apareceram na minha vida por acaso. Cada uma traz uma história junto, uma porçãozinha de superações, uma porçãozona de alegrias. E eu, que estou empenhada em entender os sinais, vou aprendendo mais um pouquinho -- e de tudo um pouco -- com elas.
Mic e Rês: voltem sempre, que a casa é sua!
(Rê Quintela, vamos repetir a dose da tagarelice em dupla, hein? Estamos tão pertinho uma da outra que merecemosnos encontrar mais!!)
posted by JULIANA DE MARI 5:13 PM
O que vem por aí
O Rô não conseguiu embarcar pro Panamá, infelizmente. Por causa da vacina atrasada, perdeu o vôo, entrou em lista de espera e a reserva dele acabou "caindo". Um saco. Ele enfrentou duas madrugadas na beira do check-in, torcendo por uma vaga, mas não rolou. Ficou frustrado, triste mesmo. E nós também. Quando viu o pai em casa mais uma vez, depois de uma despedida muito calorosa na hora de dormir, Gutão não entendeu nada e perguntou: "Quando é que o papai vai conseguir embarcar, mãe?". Tadinhos. Bom, não rolou as férias dos sonhos, mas hoje cedinho o Rô embarcou pra Floripa. Diz que vai ter ondas maiores e melhores que no Panamá. Viva! Foi lá curtir o tio Bru e um friozinho bom. Vai ver era pra ser assim. Sei lá, eu tento respeitar esses sinais que a vida nos dá e tou entendendo que não era mesmo pro Rô fazer essa viagem pra fora agora. Sábado ele volta, certamente mais descansado e mais feliz (nada como boas ondas pra alegrar um coração surfista!).
Nós aqui aproveitamos bem o feriadão. Ontem fomos, eu, Gutão e vovó Ju, ver o Ratatouille. Que filme delicioso!! A história é linda, educativa, cheia de mensagens legais pras crianças. O ratinho Remí é uma simpatia e dá gosto ver como ele curte cozinhar. O problema é que, depois do baldão de pipoca na sessão, a gente ainda sai morrendo de fome de tanto ver temperos, imaginar os sabores, as texturas, huuuuuuuum!!! Gutão curtiu bastante o filme. Pediu pra fazer xixi duas vezes, comeu pipoca com suco e ganhou um ratinho de brinde. Voltamos pra almoçar feijoada em casa (olha aí o efeito do filme!) na companhia de Beta Queiroz e do querido Lucas, de dez meses, filho do meu amigão Teco, de Recife. Figurinha, o moleque. Do alto de seus dez meses, acha que já pode andar e faz de tudo pra se equilibrar sozinho nas coisas. Uma agilidade impressionante. Gutão não passou pela fase de engatinhar. Na verdade, passou, sim, mas era de ré! Uma vez, lembro que entrou embaixo do sofá de ré e quem disse que conseguia ir pra frente pra sair de lá? Tadinho, chorou tanto!!! :)
Dá uma saudadinha boa dessa fase das primeiras tentativas, das primeiras descobertas...Falando nisso, Gutão, toda vez, diz que quer um irmãozinho e uma irmãzinha. E eu fiquei pensando que, se ele estiver pressentindo alguma coisa, vem gêmeos por aí! hahhaaahhaa Que nada, brincadeira!! Dizem que gêmeos são herança de mãe e eu não tenho gêmeos na minha família (embora o Rô tenha na dele). E nem estou torcendo por isso, hein, meu santinho?! Lá pra setembro vamos abrir novamente as "encomendas". No início do ano, (nem contei aqui direito porque ainda estava processando o que aconteceu) eu engravidei. Mas tive uma gravidez anembrionária, "ovo cego", como os médicos chamam. Só tivemos certeza do diagnóstico perto da oitava semana, quando confirmei em ultrasom que o embrião não se desenvolveu. Antes, a suspeita era de gravidez tubária -- e eu sofri um bocado até o diagnóstico definitivo, que veio depois de umas quatro avaliações (porque, se fosse mesmo, implicaria em tirar uma trompa...). Bom, simplificando a situação: eu fiquei grávida porque houve a fecundação, mas não houve a geração de um bebê. Só a formação do saco gestacional. Um acidente. Nada a ver com genética. Acontece e aconteceu com a gente. Chato pra caramba. Até porque tive que esperar pra ver se acontecia uma expulsão natural do saco gestacional, não aconteceu e tive que encarar hospital e tal e coisa. Mas, enfim, passou. E eu já começo a me sentir pronta pra tentar outra vez. E isso é bom!!
Hoje, segunda, feriado em Sampa, Gutão brincou com a vovó pela manhã, enquanto eu dormi um tantinho mais. Depois do almoço, fomos visitar o tio Julinho e a tia Ana, irmãos da minha mãe que moram juntos. A tia Corina, a dos cabelos vermelhos!, se juntou a nós e tivemos uma tarde gostosa, com direito a bolo de limão, brigadeiro e um cafezinho pra lá de bom. Gutão ainda teve a sorte de encontrar um amigo mais velho, de seis anos, vizinho do tio Julinho, e brincou até não poder mais com o menino. Voltamos pra casa de metrô, uma aventura pra filhote! Agora são sete e meia e Gutão, depois de comer melancia e tomar um copão de leite, acaba de "tatuar" a perna inteirinha com caneta. Vai encarar um banho básico e capotar daqui a pouco, imagino. Já anunciou que tá com sono e precisa "acordar cedo pra ir pro Texas" (ouviu isso no DVD do Backyardigans!). Eu acho que, antes de dormir, vou aproveitar pra dar uma arrumada no meu guarda-roupa. Hora estranha pra fazer isso? É, mas é a única em que eu consigo me concentrar sem interrupções de um motoqueiro maluquinho que invade meu quarto, dando cavalinho de pau e dizendo que está correndo a "500 por hora"!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 7:37 PM
Hein?
"O que é que tem dentro do dente?"
"Por que a água do mar é salgada?"
Duas perguntinhas báaaaasicas que Gutão fez ao Rô hoje. E que o levaram a procurar resposta na internet pra explicar direitinho pro menino. Tempos modernos, pais modernos! Eu fico pasma com essa curiosidade das crianças e essa capacidade de querer saber de coisas tão, mas tão específicas. Acompanho Gutão porque é ele quem está aqui do meu lado, mas imagino que quase todos os serzinhos dessa faixa etária façam perguntas igualmente engraçadas e desconcertantes para os adultos que estão por perto. Fico pensando que, à medida em que a gente cresce, vai inibindo essa "competência" de perguntar, que vem no nosso chip e que vai atrofiando por falta de uso, estímulo, ou seja lá o que for. E hoje é tão essencial saber fazer as perguntas certas. Tem até consultores que defendem que, nos primeiros 100 dias em uma nova função, em um novo emprego, você deve perguntar tudo aquilo que passar pela cabeça. Bacana. Mas por que é mesmo que tem que ter prazo pra parar de perguntar? Acho que é por quê perguntar incomoda. Quem recebe a questão tem que pensar na resposta. Se não a tem, tem que fazer como o Rô e correr atrás, pesquisar, se informar. E não é todo mundo que tá disposto a sair da inércia e ampliar seu conhecimento -- e o do outro, né?
Acho que deveria estar entre os deveres dos pais e os direitos dos filhos essa coisas de perguntar. O filho pergunta, os pais respondem. Tem horas que nós, pais, vamos ter que dizer não sei -- e assumir, humanamente, que nem sempre a gente tem resposta pra tudo nessa vida. Não existe super homem, nem super mulher. Nem tudo é perfeito. Vai ter hora em que o filho vai jogar pergunta cabeluda e vai ser preciso delicadeza na resposta. E vai jogar pergunta que a gente não queria jamais ouvir, e o pior, nessas horas, acho eu, é fingir que não ouviu...E vai ter um momento em que as perguntas vão ser da gente, os pais. Onde você andou? Com quem estava? Que horas volta? Esse filme passa em toda e qualquer família, né? E é um exercício aprender a fazer perguntas sem ferir o outro, sem invadir, sem parecer superproteção, controle e por aí vai. Como fazer a pergunta certa no tom certo? Não tenho essa resposta. Só tentando, tentando e tentando, como tenho dito pra Gutão! (aliás, será que os pais desses jovens delinquentes que andam espancando pessoas na rua faziam perguntas pra esses filhos? Será que se interessavam em saber onde estavam, com quem andavam, o que pretendiam fazer? Ah, diálogo faz diferença, sim. Nem tudo é culpa dos pais, mas muita coisa, nesses casos, é, sim. Dizer que o filho que agrediu à toa uma mulher, covardemente, imbuído da falsa coragem que o grupo dá, tem caráter é dar a pior resposta possível nessa situação)
Eu gosto de fazer perguntas. Boto pra fora menos do que deveria -- ainda. Mas tenho feito cada vez mais. E cada vez mais simples, do gênero "por que, pra que e como". Perguntas pra mim mesma (putz, essas são infinitas!) e perguntas pros outros. Tem gente que sai defendendo coisas, especialmente no trabalho, e quanto mais por que e pra que você vai colocando na frente, menos a pessoa consegue concatenar as idéias, já reparou? Funciona em casa também, logicamente. Funciona com Gutão. Mas não muito!!! :)
Hoje fomos na pracinha da "Dinda", a nova pracinha das nossas manhãs de sábado e domingo, perto da casa nova da Dani, e Gutão já chegou dizendo que não queria falar com ninguém, que não ia ser amigo de ninguém e que ia construir o prédio sozinho (ele sobe no trepa-trepa e coloca tijolos e janelas imaginários). Foi só ele chegar lá e uma menininha muito engraçadina, a Carol, da mesma idade dele, vir correndo pra fazer companhia no trepa-trepa. Coitada. Gutão fez um bico tão grande, mas tão grande! E ficou resmungando que não queria saber de falar com ela, que hoje tava com muita vergonha, que tava mal humorado e não sei o que mais e blablablá. Era a menina chegar, e ele sair de perto. E ele ia pro escorrego e ela ia atrás. E ele ia pra roda e ela ia também. E ele ia no balanço e ela corria na frente dele. Sem se alterar! Resiliente, essa mocinha! Até que Gutão voltou pro trepa-trepa, indignado, reclamando horrores da menina, e tal e coisa e eu comecei a dizer que a pracinha era de todos e que, se ele não tava afins, não precisava falar com a amiga, mas ela parecia estar muito afins de falar com ele. E aí, fui quebrando o gelo e perguntando se ele não queria ensinar pra ela como é que colocava as janelas do prédio e ele, enfim, e ainda muito bicudo, deu uma tarefa pra Carol: pintar as janelas! Mas hoje não teve jeito, não rolou interação. A menina tentou bravamente e fingiu sua pintura com muita dedicação, mas esse meu engenheiro preferiu encarnar o chefe carrasco e não reconheceu o trabalho dela. Pior: ficou brabo porque ela tava jogando umas folhinhas pra fingir que era tinta. Dizia que era folha, que era grama e que não era tinta de verdade! hahahaaaa
Bom, minha mãe assistiu tudo impressionada. De ver o quanto Gutão cresceu do aniversário pra cá. Ela chegou quinta-feira pra ficar com a gente duas semanas. Trouxe um DVD dos BackYardigans que Gutão já assistiu umas 50 vezes em três dias!!! O Rô saiu em férias ontem (surf trip pro Panamá) e volta domingo que vem. Quer dizer, ele foi, mas não embarcou ontem. Voltou pra casa, frustradérrimo...Vai tentar novamente na madrugada de hoje. Tudo por causa de uma vacina vencida (febre amarela) que o fez perder o vôo e entrar em fila de espera. Vamos rezar e torcer, muito, pra ele viajar e tirar sua semana do jeito que planejou. Boas ondas, meu amor, vai dar certo!!!
posted by JULIANA DE MARI 7:55 PM
Eu amo o que faço
Eu sempre quis ser jornalista. Na verdade, quando era bem pequena pensava em ser bailarina ou professora. Quando fiquei maiorzinha, no entanto, sempre soube que gostava mesmo era de escrever. Sempre tive diários. Sempre escrevi muito. Eu adoro palavras. Adoro palavras formando frases. Adoro conseguir expressar, por escrito, alguma coisa. Adoro traduzir para alguém o que só eu vi, senti, percebi de uma determinada situação. Acho mesmo fascinante esse tal de "texto".
Claro que pra ser jornalista você precisa de muito mais do que gostar de escrever (poetas também gostam!): precisa de um bom punhado de curiosidade, precisa gostar de conversar com as pessoas, de ouvir suas histórias, de ir atrás de um fiozinho de informação. Tem que gostar de uma certa tensão também. Entrevistar, de alguma forma, é tenso. Você não pode prever a resposta do entrevistado. Tem jornalista que tenta, viu? E formula a pergunta de um jeito que induz a resposta. Não sei o quanto é ético fazer assim...Em algumas situações e, dependendo do assunto, funciona, isso é verdade... E fechamento em jornal ou revista é sempre um momento tenso, por mais bacana que seja a equipe e por melhor que seja o ambiente. O tal deadline, a corda nos pescoço, vixe, como a gente trabalha sobre pressão! E é tenso igualmente manter a antena conectada com o leitor. Afinal, a gente escreve pro outro, né? Pra informar, pra orientar, pra alertar -- sempre um outro.
Tudo isso pra dizer que estou em fechamento nesse exato momento (nesse exato momento, estou naquele hiato entre uma e outra matéria pr'eu aprovar e liberar pra gráfica). E que ontem não peguei Gutão acordado quando cheguei. E nem vou pegar hoje. Vou dar o beijinho de boa-noite com filhote já capotado. E hoje pela manhã, depois que ele saiu pro curso de férias na escola, eu deixei um desenho pra ele. Fiz um foguete, a lua, uma árvore cheia de maçãs e um carro. Tudo que ele mais gosta! E ele me contou, ao telefone agora à noite, que adorou o foguete. Tá numas de que é astronauta, sabe? Vai ser bom sentir o cheirinho dele enchendo a casa de paz quando eu chegar lá depois das onze...
Fato é que tenho trabalhado mais do que o habitual com a promoção. E, às vezes, bate a culpa por não estar lá com Gutão em nosso momento tão precioso de toda noite. Mas eu espanto logo essa culpa por quê eu amo o que faço, eu sou feliz na profissão que escolhi e estou feliz em meu atual momento de carreira -- mesmo com todos os poréns, com todo o cansaço e tal e coisa. E eu quero que ele saiba disso: que tem uma mãe realizada na profissão e que trabalhar cansa, mas não pode ser um fardo. Se é, tem alguma coisa errada.
Filhote vai sempre saber que fui eu que escolhi esse meu caminho. E só eu sei o que já tive que me superar pra ser uma jornalista melhor. Eu espantei a timidez no segundo ano da faculdade e encarei estágio em um grande jornal em Recife. No primeiro dia, fiquei com tanto medo, que tive uma dor de barriga e não fui. E minha mãe teve que ligar pro chefe pra explicar. Surreal!! Eu morria de vergonha de falar no telefone com alguém do meu lado, imagine! Mas encarei, fui indo, aos pouquinhos fui aprendendo, e fui crescendo. E fui atrás de aprender a escrever cada vez melhor -- e de ter cada vez mais boas histórias pra contar. Não tenho muito tesão em ser repórter de rua, mas adoro editar, "arrumar" textos. Tenho muito gosto em ler uma matéria bem apurada, uma história bem contada. E tenho muita confiança de que, na revista que dirijo hoje, nós temos uma missão muito bacana que é ajudar as pessoas a ser melhor no trabalho. Todos queremos, não é mesmo?
Em casa, somos dois jornalistas e há palavras por todos os lados. E há muita curiosidade, e muitos assuntos diferentes, e muita conversa sobre tudo. Espero que Gutão se alimente desse ambiente pra, mais tarde, fazer sua própria escolha profissional. Antes disso, tomara que nossas palavras, de alguma forma, sirvam pra potencializar os dons que ele já demonstra que tem. Eu acho que ele vai ser um gurizinho muito bom com música. Ele gosta de "tocar" violão e gosta muuito de dançar. E cantar também. E acho que ele vai curtir fazer esportes. Filhote joga bola super bem, sério! E gosta de ler, de ouvir palavras, histórias. Isso me encanta. E gosta de ver. É super visual. Gosta de cores, percebe os formatos, guarda os detalhes. O último relatório da escola, aliás, dizia que ele tem uma memória espantosa. Até a professora fica surpresa com o tanto que ele lembra das coisas...E dizia também que ele demonstra características de liderança. Que gosta de brincar com os amiguinhos, mas sempre distribui os papéis! hahahaaaaa
Ai, ai, filhote. Tou aqui pensando em como foi que virei jornalista (e tudo começou por quê eu gosto mesmo de escrever) e já comecei a viajar pensando no que vai ser o mundo pra você. Só sei de uma coisa: eu torço muuuuuuuuuuito pra você ser feliz. Pra sustentar suas escolhas mesmo quando estiver sob pressão.
Aliás, falta meia hora pro prazo de gráfica estourar. Deixa eu ir lá cobrar a última matéria na revisão! :)
posted by JULIANA DE MARI 10:58 PM
"Eu não quero ir pra tão longe"
Gutão melhorou da otite. Deve ser a atuação do antibiótico, aquele de gosto horrível que ofereço com uma colherada de leite-moça. Filhote passou o final de semana cheio de alegria, correndo, brincando, me enchendo de abraços. Anda meio disposto a uma troca de socos e tabefes, coisa das "brincadeiras" que faz com o pai, e sempre que passa do limite, vai pro castigo. Senta no pufe com olhos cheios de lágrimas e já pedindo desculpas. Mas fica lá seus três minutos e só sai depois de pedir as devidas desculpas.
Sexta à noite, o pessoal da Redação veio aqui em casa pra comer um "dogão" e cantar meus parabéns. Foi divertido, um monte de gente enfeitando a casa. Gutão, como eu, ficou feliz. Recebeu as pessoas meio acabrunhado, se enroscando na minha perna e dizendo que tava tímido, mas bastaram cinco minutos pra ele descontrair. Jogou bola na sala com os meninos, viu Nemo com o filho da secretária, comeu bolo de chocolate até se fartar e foi dormir perto da uma da matina. Meu maior presente, sem dúvida alguma.
Ontem o Rô me deu um almoço especial de presente. A babá veio ficar com Gutão e nós passamos muito bem no Eñe, um espanhol maravilhoso, no Itaim. Pedimos o menu degustação, eu tomei uma taça de champagne e o Rô, de vinho. Passamos umas três horas lá e eu sai uns dois quilos mais gorda, com certeza!!! Chegando em casa, descansei um pouco, enquanto Gutão e o pai assistiram ao jogo do Grêmio na TV. Terminamos o dia na livraria. Gutão ganhou um kit-pintura, com um carro de corrida, e um livro do Charlie e Lola que fala da embromação da menina na hora de dormir. Foi deitar cansadinho, cansadinho, mas acordou várias vezes na madrugada, me chamando e pedindo pr'eu cobrir. Ai, que vai ser tão bom quando ele aprender -- ou aceitar -- se cobrir sozinho...
Hoje foi dia de passeio na praça. Fomos na praça "redonda", perto da casa nova dos dindos do Gutão, que já estavam lá nos esperando com o Miguel e a Nina. Tava um dia de sol gostoso, friozinho só na sombra. Filhote brincou um bocado no trepa-trepa. Sobe lá e diz que tá construindo um prédio. E não sobe lá no topo porque, diz, "tem um pouco de medo". Voltamos pra casa perto das duas, almoçamos caseiramente e, enquanto o programa dos dois era futebol outra vez, eu devorei mais algumas páginas do livro que a Mic me deu (tou adorando, Mic!!) e descansei um tantinho. Quando acordei, hora do banho do fiihote e de receber a Alê, minha amiga querida, que tá indo morar na Noruega. Embarca na terça-feira e veio se despedir. Vai para uma temporada de três anos por lá, trabalhar numa ONG e viajar pelo mundo. Corajosa, essa minha amiga. Trouxe de presente pro Gutão uma Pig novinha. Disse que era o "Pigo", o irmão gêmeo da Pig, hahahaaa. Vendo o bichinho novo, todo amarelão, é que a gente percebe o quanto essa Pig já "viveu" com Gutão. Sensação boa essa. De que filhote já tem história pra contar, pra lembrar, pra nos emocionar.
Antes da Alê ir embora, pegamos um mapa-mundi que o Rô deu de presente pra Gutão esses dias e mostramos pra ele onde fica a Noruega. Mostramos que é bem longe do Brasil, um país pequenininho, perto do "país gelado" dos pinguins. Aí, a Alê perguntou se Gutão ia visitar ela por lá. E filhote, emburrado, largou um: "Eu não quero ir tão longe". Eu falei que a gente ia de avião, passeava, e depois voltava pra casa. E ele continuou: "Mas eu não quero ficar tão longe do Brasil". Patriotérrimo, fala sério!!!! :) A Alê saiu com o mapa debaixo do braço. Gutão, por sugestão nossa, deu de presente pra ela. Desenhou um carro, "escreveu" alguma coisa, e me pediu pra escrever "carro do Gutão". A Alê disse que vai pendurar na parede da casa nova e mandar uma foto pra ele ver. Vai ajudar a matar as saudades.
Olhando aquele mapão com Gutão, vi que o mundo é tão grande e tão cheio de possibilidades. E me passou pela cabeça o pensamento clássico: "Por onde será que filhote vai andar quando crescer?". Peço a Deus que nos dê saúde para muitas aventuras juntos ainda. E nem precisa ser lá no Japão, não. O mundo do lado de fora da nossa casa, ali do ladinho, na esquina, oferece o bonito e o feio, o curioso e o chocante, a pobreza e a riqueza. É saber ver e "ler" as diferenças. Eu e o Rô tentamos exercitar nossos olhos da melhor maneira possível pra manter acesa essa chama da curiosidade. Gutão nos acompanha muito bem. E mesmo não querendo ir tão longe, confia e vai. Gosta do que conhece, mas logo se anima com o que está por descobrir. É isso aí, meu filho. É tentar, tentar e tentar outra vez, lembra? Assim que a gente aprende. E assim que a gente vai mais longe do que um avião pode nos levar.
posted by JULIANA DE MARI 10:26 PM
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Chegou meu aniversário. Mais um ano completo, mais um ciclo de aprendizado, tantas coisas boas na vida. Obrigada, meu Deus.
Obrigada, meninas, pelos recadinhos carinhosos e por toda energia positiva que vocês nos transmitem mesmo à distância.
O 29 de junho começou estranho. Meia-noite e Gutão voltando do hospital outra vez. Filhote teve um ataque de choro à noitinha e, quando o Rô chegou em casa, foi direto com ele no Sabará. Eu estava trabalhando, fechamento da revista, complicado de sair...Bom, o diagnóstico não é nada legal. Gutão tá com otite, abcesso no ouvido direito. Pode ser consequência do quadro gripal forte da semana passada, mas pode não ter nada a ver com ele. O médico trocou o antibiótico e recomendou aquele kit que conhecemos de cor e salteado: inalação, sorine, tampãozinho no ouvido...
Fiquei bem triste com esse retorno da dor do ouvido. Primeiro porque é uma dor que dói muito...Gutão sofre, nós sofremos juntos. Segundo porque, depois da cirurgia, achei que ele estaria livre disso. Conversei com a otorrino agora pela manhã e ela me explicou que, antes, Gutão tinha problemas no ouvido médio, lá dentro, se é que me entendem. Esse abcesso de agora é externo, cobre a membrana do tímpano. Pode ser até que "estoure" e saia um pouco de pus...Ela me pediu pra não me apavorar (hahhaaaa) e só limpar por fora, se isso acontecer. Ok, ok, tudo sob controle!
O chato é que filhote tem que tomar um remédio de gosto péssimo. Horrível mesmo. Ontem, tadinho, tomou meio na marra. Hoje, misturei com leite moça pra ver se amenizava...É um truque me ensinaram uma vez lá no hospital mesmo. O bom é que Gutão tá feliz, brincando, sem febre, e, por agora, sem dor.
No mais, tirei a sexta de folga. Dormi um pouquinho além do habitual e vou no salão logo mais cuidar das mãos. Me sinto tão mais "limpa", e bonita mesmo, quando as mãos estão feitas, sei lá. Vou ficando velha e cheia de teorias, hahaaahhaaaa. Não me dei nenhum presente este ano. O maior é Gutão aqui, ao meu lado, felizinho, fazendo bagunça pela casa. O Rô me surpreendeu agora: atendendo a pedidos, me deu um microfone!!!!!! Adorei! Há anos peço um de presente. Adoro cantar e vai ser uma farra fazer dupla com Gutão no violão! :)
Ah, Mic, brigada pelo livro. Acertou em cheio. É o da vez. Te conto o que achei assim que terminar!
posted by JULIANA DE MARI 1:32 PM
Tempo, tempo, tempo
O Rô teve uma noite difícil, com febre, tosse, mal estar geral. Gutão teve tudo isso também, menos febre. E eu tive pequenos momentos de sono sobressaltado. Acordei hoje no pó da rabiola de tão cansada. E irritada, sem paciência alguma. Ah, não sou de ferro...Gutão parece que sabe quando tou chegando no limite porque a birra dele fica potencializada. É um tal de "não quero, não vou, não é assim" pra qualquer coisa. Quando acontecem esses ataques, eu tenho pergutado se o bichinho da chatice o mordeu. Ele, logicamente, responde, puto da vida, dizendo que "não"! Hoje perguntei se ele era o menino do contra. Ficou tão brabo, meu filhote! Acho que nem entende direito o que eu quero dizer, mas como sabe protestar!
Pra irritação não virar briga, descemos um pouco pra brincar, enquanto o Rô descansava. Gutão andou de motoca e nós jogamos bola. Só que tava sol e filhote ficou muito incomodado com a luz nos olhos. Nossa brincadeira, então, ficou restrita a um pedacinho de sombra. Subimos logo, na hora em que o almoço chegou. De barriguinha cheia, filhote pediu pra dormir um pouco. E dormiu até agora, quase seis da tarde. Eu também aproveitei pra descansar. Só o Rô, coitado, que teve uma tarde movimentada. Foi pro hospital checar esses sintomas e teve que tomar soro porque tava desidratado. Graças a Deus, não deu nada no Raio-X dele. É gripe forte mesmo, agravada por esse tempo seco, horrível.
Liguei agora pra otorrino do Gutão porque essa congestão dele não passa. Ela pediu pra trocar um dos medicamentos e explicou que o tempo seco realmente piora o quadro, fazendo as secreções ficarem mais grossas e, portanto, mais difíceis de serem expelidas. Disse pra ter paciência porque esse vírus tem levado uns bons cinco, seis dias pra começar a ceder. Ainda bem que a febre já foi. Tou olhando pela janela agora e avistando umas nuvens pretas no céu. Tomara que venha uma chuvinha (chuvinha, São Pedro, veja lá!) pra limpar um pouco essa cidade.
Falando nele, meu aniver canceriano é dia 29. Dia de festa de São Pedro no céu. Sempre chove no meu aniversário, aliás.
posted by JULIANA DE MARI 5:25 PM
O que vem depois?
A madrugada foi movimentada por aqui. A febre baixou, é verdade, mas a congestão e a tosse ficaram e Gutão, tadinho, não conseguiu dormir uma hora seguida sem se incomodar com esses sintomas tão chatos. Eu, então, melhor nem comentar. Só sei que foi um tal de inalação, remédio, chororô, irritação, massagem pra acalmar, tudo ao mesmo tempo agora. Quando acordou (melhor dizer, quando resolveu sair da cama, porque ele não dormiu praticamente), filhote tava sem febre, ufa. Mas tava com os olhos um tantinho inchados, como se tivesse passado a noite chorando, sabe? Tomou seu leitinho e comeu uma maçã e deitou no Futon do quarto da TV pra ver desenho. Aí, começou a reclamar que não conseguia ficar com os olhos abertos. Tremi na base pensando em conjuntivite, mas não é, não. Tou achando que esse quadro pode ser, na verdade, outra ite: sinusite...Bom, diante da reclamação, eu sugeri que ele ficasse com os olhos fechados e só ouvisse os desenhos e, pra minha supresa, Gutão aceitou -- e acabou caindo no sono, tadinho. Dormiu das nove às onze. Sorte é que a babá veio me dar uma força pela manhã e essas duas horinhas foram o exato tempo d'eu tomar um banho e descer pra fazer a mão (pequenos prazeres salvam mães à beira de um ataque de nervos...). E Gutão não foi pro arraial...
Na minha volta, filhote já tava mais animadinho. Almoçou um pratão, comeu frutinha outra vez e se animou pra dar uma caminhadinha comigo até o mini-supermercado aqui pertinho de casa (só subir a rua). Tava um dia bonito e eu achei que ia nos fazer bem sair um pouco, ver a "rua", mas nada de encontrar pessoas, passar o vírus adiante ou frequentar ambientes fechados. Fomos no super escolher umas guloseimas. Gutão pediu miojo (essa é boa!), que comeu dia desses e adorou, batom Garoto (que sempre vê na propaganda mas nunca tinha provado) e água de coco. Eu escolhi Amanditas (que o Rô adora), pão de cachorro-quente (hummm!) e iogurte com mel (misturado com Nesfit é meu café da manhã). Quase só besteira. Coisa de quem tem em perspectiva um final de semana "doença em casa", né? Ainda paramos na papelaria e filhote ganhou massinha de modelar e cola colorida. Agoniado que só ele, chegou em casa e já foi querendo fazer um monte de desenho novo pra sua galeria de arte (a parede da área de serviço). Lá pelas cinco, deitamos juntos pra uma sonequinha antes do Rô chegar.
E o Rô chegou. Baqueadíssimo. Olhos vermelhos, tossindo, febrão: quase 40. Tava tomando só Naldecon. Eu dei Novalgina. Ele comeu umas frutas, tomou um banho quente, trocou duas palavrinhas comigo e com o Gutão e foi dormir. Às oito da noite. Tá capotado na cama do Gutão. Achei melhor ficar com o pequeno na nossa cama, pra continuar monitorando na madrugada (até pq tem o remédio da meia-noite, ai, ai). Gutão foi dormir às nove. Já tava com aqueles olhinhos baixos outra vez, mas a temperatura (ainda) não subiu. Só a tosse e a congestão que estão brabas...Se os dois amanhecerem maus amanhã, a família vai ao hospital. Eu, por precaução, tou tomando Pharmaton, complexo vitamínico, pra ver se dá uma força na minha imunidade. Só me faltava pegar essa gripe agora...
Eita semaninha difícil. Eita inferno astral "gostosinho".
Falta pouco agora: contando com amanhã, seis dias pro meu aniversário.
posted by JULIANA DE MARI 10:16 PM
Mais uma
Foi mais uma noite insone. Gutão deitou com febrão e permaneceu assim boa parte da madrugada. Eu deitei do ladinho dele e não preguei o olho até dar meia-noite pr'eu dar os remédios. Pra lá das duas da manhã, a febre começou a ceder. Ufa. Não dormi nada, vigiando a temperatura e a respiração dele, nem preciso dizer, né? Tou aqui com o pescoço duro e os braços doloridos, acho que parte é essa tensão de ter filho doente e parte é o fato do moleque se ocupar de praticamente toda queen size na hora de dormir! Como se mexe e como resmunga, pelarmode!
Filhote acordou melhorzinho hoje, mas, na hora em que sai pro trabalho, mais uma vez perto do almoço, a febre voltou: 39. Dei novalgina direto. E ele passou bem o resto do dia. Agora à noite, tava quentinho, mas não febril. Foi dormir por iniciativa própria (milagre!), lá na minha cama outra vez. Quando deitou no lugar do Rô, disse: "Mamãe, tou com saudade do papai". Coisa linda. (Se o caos nos aeroportos deixar, o Rô volta amanhã, eba).
Tou botando fé que o antibiótico vai agir e amanhã, três noites depois, a febre vai embora. Obrigada pelos recadinhos dando dicas e força! Tou impressionada também com o poder dessa gripe, vírus, seja lá o que for, que tá baixando aqui em Sampa. A filha da babá, de oito meses, tá com pneumonia, tadinha (e tá também com atraso no crescimento; vão começar a investigar agora no Hospital das Clínicas). O dindo do Gutão, pai do Miguel, tá com bronquite braba. O Theo, da Rê Quintela, que me ligou agora à noite, tá com laringite. A Alê, minha colega lá no trabalho, tá sem voz, tossindo, no pó da rabiola. Vixe!
E eu tou cansada, mui cansada. E com pena que amanhã Gutão tinha arraial na escola e, do jeito que tá, tou achando que não vamos lá, não. Ah, ele tá em franca recuperação (Deus é pai!) e eu não acho legal levar filho doente pra passar vírus pros outros, vamo combinar. No domingo, se a febre realmente ceder, temos compromisso bacana: aniver do Antonio, no parque pela manhã, e da Sofia, à tarde. Tomara que filhote esteja melhor. Ele curte tanto essas "baladas"! :)
posted by JULIANA DE MARI 11:14 PM
Seguindo
Pois bem, a madrugada foi daquelas ontem. Gutão não dormiu meia hora seguida. Teve febre altíssima (39.8), chegou perto de delirar, eu acho. Ou eu tava com tanto medo dele passar mal que vi coisas...Só sei que teve um momento que olhei pra ele e ele tava lá, de olhos esbugalhados, bochechas em chamas, tentando falar sem conseguir. Ai, que agonia, que agonia...Não preguei o olho, logicamente. Tirei a temperatura dele de hora em hora e fiquei pasma da Novalgina não ter funcionado. Aliás, a febre subiu, e não desceu, depois que ele tomou o remédio no hospital, vai entender. Só sei que a danada só começou a baixar por volta das seis da matina. Antes disso, filhote tomou três copos de água (eu só conseguia pensar que era importante ele não desidratar), chorou muito, resmungou muito, tremeu muito e não dormiu nada. Tirou um breve cochilo das seis às oito. Mas levantou disposto e sem febrão, graças. Eu tentei descansar mais uma meia hora, enquanto ele foi ver desenho com a babá, mas acabei levantando pra ficar pertinho dele.
Liguei pra dra.Ketty, mas ela tá de férias. Liguei pra médica que ficou no lugar dela e foi ótimo. A médica pediu que eu observasse três dias -- tempo necessário pro antibiótico fazer efeito e a febre passar. Se não acontecer, recomendou que a gente volte, sábado, no hospital pra investigar mais uma vez onde pode estar o foco da infecção. Já avisou, no entanto, que está dando uma gripe fortíssima e baqueando mesmo a criançada. Tomara que seja só isso. Gripe.
Fui trabalhar depois do almoço e ele ficou bem, ao que me contaram a babá e a faxineira. Brincou, comeu, não teve febre e nem quis dormir durante a tarde. Cheguei às oito, esperançosa, mas filhote tava meio caidinho. Eu conheço os olhinhos dele, vejo na hora quando vai baquear...Dito e feito. A febre voltou: 38. Já dei Novalgina pra evitar chegar num patamar tão alto quanto ontem. Primeiro porque não quero ver meu bichinho tão fragilizado se posso intervir de alguma forma e, segundo, hoje estamos sozinhos em casa (o Rô ainda tá em POA e a faxineira, que quebrou o galho dormindo aqui ontem, foi pra casa) e eu espero não precisar correr pro hospital outra vez...Falando em ficar sozinha em casa, engraçado que na terça à noite, véspera do Rô viajar, eu tive um pesadelo muito ruim. Sonhei que estávamos, nós três, na praia e Gutão e o Rô iam pra beira do mar ver as ondas quebrando. Aí, o Rô se distraia e Gutão caia no mar. Era meio raso, mas filhote não conseguia levantar sozinho. Eu via a cena de longe, mas não conseguia nem correr pra ajudar meu filho nem gritar pra alertar o pai. Putz, acordei aflitíssima. E agora me veio o sonho de novo...Gutão doente e o Rô "longe". E eu me sentindo meio "impotente"...Engraçado, né? Será que pressenti a doença chegando? Ou será que tou forçando a barra na interpretação?
Bom, fihote pediu pra dormir agora há pouco. Tava com os olhos vermelhos e irritados, olhos de febre. Fiz compressa de água gelada e ele aceitou meio resmungando, meio dormindo. Aceitou também meio copo de leite, abraçou a Pig e pulou na minha cama. Tá lá agora, suando um pouco, ainda quente e ainda abraçado na amiga de pelúcia.
Eu vou deitar jájá. Tou morta de sono, com uma pontinha de dor de cabeça, mas tenho que ficar alerta pra dar os remédios da meia-noite.
Ah, brigada pelos recadinhos de ontem. A força "virtual" vale tanto quanto a real, viu? E Mic, brigada por ter ligado, querida. Não consegui responder seu email ontem, como você percebeu...Rê, do Theo, brigada pela força e melhoras pra vocês aí também! E me conta onde é esse Pilates. Eu preciso criar vergonha e me cuidar, em vez de ficar me lamentando na frente do espelho...Mas seria bom se existisse uma ginástica "passiva", né? :)
posted by JULIANA DE MARI 10:01 PM
Baqueados
E não é só porquê o Grêmio perdeu, não. Gutão amanheceu com febrão hoje, quarta-feira. Passou a manhã ruinzinho, bochechas vermelhas de tanta febre. Fiquei em casa até a hora do almoço, o Rô viajou em seguida e, à tarde, a babá monitorou o estado do bichinho. Gutão dormiu, suou, acordou melhorzinho, mas voltou a baquear no início da noite. Quando a Isaura, a faxineira, me ligou pra avisar, a febre já estava em 38.8. Febrão que poucas vezes na vida Gutão teve...
Pois bem, quando cheguei em casa do trabalho, encontrei filhote todo empacotado, tremendo de frio, bochechinhas quase roxas de tão vermelhas. Abraçadinho na Pig, olhos esbugalhados e vermelhos, chorandinho. Tomou um pouco do leite, mas não quis comer, obviamente. Quando medi a febre outra vez, tava com 39.2. Não tive dúvidas: pedi pra Isaura dormir aqui hoje (putz, que falta faz ter uma pessoa em casa!) e fomos correndo com ele pro Sabará. Gutão chorou tanto, tadinho. Não queria ir de jeito nenhum...Mas foi. E foi a melhor decisão que tomei.
Ficamos três horas e meia lá. Cheguei em casa agora, mais de meia-noite. No hospital, a febre aumentou pra quase 40: chegou a 39.8. Os olhinhos dele pareciam que iam explodir de tão vermelhos e inchados...Ai, que agonia. A médica que o atendeu disse que os ouvidos estão limpos, que a garganta está vermelha e que há chiadinho no peito. Por precaução, pediu cultura da garganta e raio-x do tórax. Contei uma historinha pra filhote de que, quando eu era pequena, eu tinha um bichinho muito malvado que morava na minha garganta e me deixava dodói. E que eu tinha que fazer o mesmo exame que ele ia fazer pra ver se o bichinho tinha, finalmente, ido embora. Era só abrir o bocão. E que eu tinha certeza que na garganta dele não ia ter bichinho algum. E não tinha, graças a Deus. Eu sofri muito na pré-adolescência por causa do streptococos. Quase tive febre reumática e precisei tomar muita benzetacil...Me veio toda essa lembrança quando vi a enfermeira com aquele palitão pra colher a cultura do pequeno. Mas ele, mesmo chorando, abriu o bocão e ela fez o que tinha que ser feito em um segundo.
Bom, o raio-x foi outra estresse, porque Gutão cismou que ia doer. Eu expliquei que era como tirar um foto do nosso corpo por dentro. Mas ele entrou e saiu chorando da sala e nem acreditou que não doeu. Eu perguntei se doeu e ele insistiu até a hora de ir embora, dizendo que sim, que tinha doído! Tadinho! O raio-x mostrou um pouco de catarro no pulmão, mas não chega a ser foco de pneumonia, segundo a médica. Eu olhei lá e também não achei que era -- opinião totalmente leiga, porque quase não dá pra ver manchinha branca, é pouco mesmo, e Gutão não tá com secreção amarelada nem nada.
Ele tá com tosse, isso tá. Há uns dois dias. E acho que a culpa foi do ventilador que ele pediu pra ligar no meio de uma madrugada dessas...Sei lá. Só sei que meu bichinho tá maus. Tomou novalgina no hospital, mas continua quente, com as mãozinhas geladas. Tá com muito frio. Pediu cobertor e abraçou a Pig bem forte. Capotou agora lá na minha cama, no lugar do Rô -- que tá sofrendo a derrota pro Boca lá em Porto Alegre (que droga, meu amor...). Tomara que a febre passe na madrugada e que ele durma bem. Já mediquei. A médica deu antibiótico e eu não recusei. Também passou um remedinho pra ajudar a fluidificar o catarro. Pediu pra observar ele amanhã e, qualquer coisa, voltar no hospital.
Nunca vi Gutão com uma febre dessas e tão caidinho quanto hoje, nem nas piores crises de otite, que foram muitas...Tive vontade de chorar no hospital quando peguei as mãozinhas geladas dele em contraste com a boca roxa e as bochechas estourando de tão vermelhas...Tenho fé que amanhã ele acorda melhorzinho e que isso é só efeito desse tempo seco, horrível, que deixa as crianças tão fragilizadas aqui em Sampa.
Vou dormir com meu filhote.
posted by JULIANA DE MARI 12:35 AM
Fala, filho
Às vezes, tenho a sensação de que Gutão é meu caderno "vivo". É pela boca dele que, muitas vezes, vejo escritas as minhas palavras. É o meu jeito de me expressar reproduzido em algumas situações, a minha entonação, os meus cacoetes (fala qualquer coisa e diz "tá bom" no final, soltando essa perguntinha tímida, do jeito que eu faço com ele pra tratar dos nossos combinados). Tão interessante.
Na hora do jantar, mãozinha rabiscada de caneta, pediu pra lavar a mão na pia da cozinha. Coloquei a cadeira, filhote subiu, fiquei ao lado dele, ele lavou a mão e aí viu a esponja de lavar louça. E pegou um copo que tava ao lado e disse assim pra mim: "Mamãe, posso te ajudar?" (parecia eu fazendo essa perguntinha mágica quando quero ensinar alguma coisa pra ele mas ele não tá muito afins de aprender...). E lá fui eu ensinar meu bichinho como é que se lava louça. E ele ficou todo orgulhoso. Lavou dois copos e uma peneira. E, como esperado, deu um mini piti quando eu quis fechar a torneira e acabar com a brincadeira.
Agora há pouco, dez da noite, filhote abraçado com a Pig, eu tasco um beijinho na bochecha dele, desejo boa noite e ele solta, quase suspirando: "Mamãe, eu tou muito estressado hoje". Ih, meu filho! Teu mal é sono mesmo! Mas será que sou eu que ando estressada demais e largando essa palavrinha, que você nem imagina o que é, ao alcance dos teus ouvidos?
Ainda na cama, antes do momento "tou estressado", sei lá porquê, Gutão lembra da dra. Ketty (e lembra a mim também que preciso marcar consulta pra ele!!!) e diz que não quer ir no consultório dela e que não gosta dela e que isso e aquilo. E aí, bem sério, explica: "É que aquele pauzinho que ela coloca na minha garganta é desconfortável".
Eu fico boquiaberta como ele usa as palavras no contexto certo. Há um tempo atrás disse pra tia da escola que não era "pertinente" uma amiguinha fazer aula de natação sem maiô...Juro que nunca usei essa palavra com ele! Não sou doida de falar com uma criança com um vocábulo que nem adulto entende direito. Mas ele deve ter ouvido eu e o Rô conversando, sei lá, e pescou a palavra e o contexto juntos. Impressionante. Fato é que Gutão sabe se expressar -- com palavras e sem elas. Deu de querer reproduzir agora os "olhos tristes" que o Gato de Botas, amigo do Shrek, faz. Vimos o filme no sábado, matinée, uma delícia. Gutão curtiu, adorou os personagens, embora não tenha entendido muito bem aqueles vilões todos numa história só (achei meio confuso também juntar Capitão Gancho e Mula sem Cabeça com Ogro, Burro e Fiona, mas...). Filhote gostou mesmo é do livrinho que veio acompanhando o sacão de pipocas. Livrinho bacana até, um belo resumo da história. Eu e o Rô já lemos umas 50 vezes de lá pra cá e ele simplesmente decorou a parte do Gato de Botas e de seus "olhos tristes".
E Gutão fala mesmo pelos olhos. Tem cílios tão grandes, parecem vassourinhas em sua pele branquinha. E fala tanto dele nas coisas que gosta de fazer. Adora exercícios. É forte, é veloz, é nosso Macqueen caseiro! E agora deu de fazer "flexões". Diz que foi o tio da capoeira que ensinou. Logicamente que não fica indo e vindo no chão. Mas, se tá de pé, se joga e fica, perninhas esticadas, se apoiando nos braços. Tentei fazer igual e quase dei vexame. Putz, cansa. Mãe sedentária é um problema! E gosta de correr esse moleque. E joga bola bem pros seus três aninhos. Dá chute com efeito, chuta com as duas pernas, morre de rir quando dá um drible no pai. E domingo, pasme, pediu pra ver futebol na TV. Futebol na TV??? Foi exatamente isso que ele pediu pro Rô, que, até ele, me olhou espantado. E eu quase morri do coração, imaginando meus domingos futuros com os dois vidrados na tela da TV, vendo mesa-redonda de jogo que já passou, sabe assim? Como se diz na minha terra, Deus me defenda! :)
Ai, ai. Só sei que tá divertida e linda demais essa fase. E que Gutão é um filho muito amado.
E amanhã tem jogo do Grêmio, final da Libertadores. E, dessa vez, sou eu quem quero vidrar na TV. O Rô vai assistir o jogo lá, in loco, claro. E eu e Gutão vamos ficar aqui, procurando o bocão dele no meio da torcida da Globo! Boa sorte, tricolor!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:00 PM
Entre tapas e beijos
Eu e Gutão estendidos na cama dele agora à noite, em um papo sobre nosso dia. Tou lá conversando e fazendo massagem no pé gorducho dele, quando filhote solta essa:
- Mamãe, o Matias me mordeu hoje na hora do lanche.
- Onde, filho?
- Aqui ó (e mostra o bracinho). A Tia Karla teve que passar remedinho. Eu chorei.
- Puxa, filho, que chato isso. Morder não é mesmo legal.
- O Matias é mau...
- Ah, mas ele é teu amigo, ele brinca contigo. O que aconteceu que ele resolveu te morder?
- Eu cheguei primeiro na mesa do lanche e ele disse que foi ele que chegou primeiro.
- E por isso ele te mordeu? Ele ficou com raiva porque você chegou primeiro?
- É, mas eu corri na frente dele.
- Hum...
- Mamãe, da próxima vez que o Matias me morder, eu vou dar um "cofo" (soco) nele. E ele não vai mais poder entrar na escola. E ele não vai mais ser "nosso" amigo.
- Nosso de quem filho?
- Meu e do Rafa. Eu sou amigão do Rafa. E o Matias é amigão do João. E o João é bobo também.
- (abafa o riso) Gutão, da próxima vez que um amiguinho bater em você, que tal você olhar bem dentro dos olhos dele e dizer que não gosta de tapa nem soco nem de mordida e o que amigo fez te machucou.
- Eu prefiro dar um "cofo".
- (abafa ainda mais o riso) Mas se você der um cofo no amigo quando ele te bater, ele vai querer dar outro em você e você vai querer devolver e aí essa briga não vai ter fim. E vocês dois vão ficar machucados e chorando...Não é legal bater, né?
- (Gutão pensativo) Não, mamãe, não é legal...Mas o Matias é mal. E ele não é nunca mais meu amigo.
Puxa, e eu que pensei que briga na escola era coisa de adolescente. Socorro!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:57 PM
Amizade real
Coisa boa alegrar a semana com a visita de pessoas queridas em nossa casa, né, não? Foi assim ontem, noite de quarta-feira, no "Papo & Pizza" com a Mic (sim, a Mic do Rafinha e da Juju)! Depois de um dia puxado de seminário, ela teve pique pra se mover de um lado a outro da paulicéia e jogar conversa fora comigo até quase uma da matina! Delícia! Tem fotos do encontro lá no blog dela.
Falamos da vida, dos filhos, dos maridos (hahahaaa), da jornada dupla, de alguns perrengues do dia a dia, de planos pro futuro (vamo botar essas viagens juntas de pé, hein?) e blablablá. A Mic é muito alegre e espontânea e parece que já nos conhecemos há um bom par de anos. Muito engraçado como afinidade não tem nada a ver com convivência. Eu sou daquelas pessoas que "sentem" a energia dos outros e posso garantir que a energia da Mic é "limpa", é do bem, é conectada com o positivo da vida. Me fez realmente muito bem ouvir minha amiga, contar da minha vida, abrir minha casa e meu coração pra ela. E o melhor -- e que a Mic nem sabe (depois te explico do que tou falando, Mic!) -- é que essa troca de ontem me fez requalificar certas coisas. E decidir que é hora de parar de brigar com outras: como ela mesma diz, na vida que escolhemos viver há que se "aceitar o pacote completo!!".
Bom, depois de um ataque de vergonha e de esconder entre as almofadas, Gutão curtiu a tia virtual por breves instantes. Sentou ao lado dela no sofá na hora em que me pediu massagem no pé, depois de tropeçar lá embaixo ao buscar nossa pizza com o Rô. Contou pra Mic que o Grêmio ia jogar e, quando ela perguntou, disse que iam ser cinco gols pro tricolor (putz, pro desgosto do Rô, foram três pro Boca...). Tomou dois copões de leite, brincou um tantinho no quarto da TV com o Rô antes de começar o jogo e se rendeu a Morfeu por volta das dez. Meu Lolito tão amado. Tá dormindo um pouquito melhor -- acordando uma vez na madruga em média...E tem acordado tão cedo, pelamordedeus. Antes das sete tá lá no quarto resmungando. E com idéia fixa do "Super Números", aquele desenho do NatGeo, bizarro, bizarro, mas que ele adooooooooora.
No mais, essa semana tá menos tensa. Tou me sentindo mais dispersa, mas não tou me sentindo nem um pouco culpada com isso. Muito bom. E tou devorando "A menina que roubava livros", fantástico. E tou também em véspera de deixar o inferno astral pra trás. Aleluia! Tá ali me espiando, mais um ano de vida. Jajá chegam meus 34.
posted by JULIANA DE MARI 3:13 PM
Feriadão
Tivemos um feriadão gostoso, de agenda cheia.
Na quinta, o primeiro compromisso do dia foi a feira. Encontramos a Tita, o Joaõ Gabriel e a Lívia mais a Dani, o Miguel e a Nina na barraca do pastel. Gutão provou seu primeiro pastel na feira -- acompanhado de caldo de cana, claro. Adorou! E que delícia que é passear entre as barracas de frutas, ver aquele colorido todo, escolher verduras e legumes fresquinhos. Gutão ganhou um taco de manga aqui, um pedaço de melancia ali. Se esbaldou e nós voltamos pra casa com a sacola cheia! Depois da feira, a pedidos, ainda fomos na pracinha e filhote brincou um bocadão com seu caminhão de "construir estrada". Enquanto o Rô deu uma corridinha básica, eu li uma revista e curti um solzinho gostoso.
Na sexta, eu e o Rô aproveitamos a presença da babá e da faxineira em casa pra dar uma escapada e ir ao cinema. Fomos de metrô, passear na Paulista (programaço!!!) e curtir o Reserva Cultural (só fiquei frustrada porque lá, cineminha cult, não servem pipoca!!!). Assistimos ao ótimo "Não por acaso", do amigo de uns amigos nossos, o Phillipe Barcinsky. Um filme que tem São Paulo como cenário e que explora a metrópole como se fosse mais uma personagem (além do que tem o Rodrigo Santoro entre os protagonistas!!!!). Recomendo.
Sabadão me dei a manhã de presente. Marquei cabelo em um novo salão recomendado por uma amiga jornalista que também dá consultoria de estilo (Self, na Pelu, alameda Lorena). Meu cabelo tava grande, porém sem corte algum, pesadão, puxando minha expressão pra baixo. Me deu um bode de só usar preso, sabe? Ok, adoro coque e rabo-de-cavalo, mas quero ter a opção e o prazer de usar solto de vez em quando. Pois bem, arrisquei novo cabelereiro e deu certo (estava com a Cris, do Banzai, na Vila, há oito anos, era hora de renovar). Cortei, fiz um repicado leve, um franjão e luzes bem fininhas pra "iluminar" o rosto. Sei que fiquei lá umas três horas, enquanto meu Gutão e o Rô curtiam a livraria da Vila que inaugurou ali perto. Sai do salão me "achando", hhahahahahaa. Claro que não vou conseguir secar o cabelo como eles fazem lá e que hoje o cabelo já acordou em seu estado semi-natural!, mas tudo bem. Adoro cortar o cabelo. E só o fato de ter arriscado mudar de cara já valeu a pena. Depois do salão, fomos direto pro aniversário da filha de um colega do Rô. Gutão brincou tanto, tanto. De tanta excitação, obviamente, almoçou quase nada -- mas se esbaldou nos brigadeiros! E, de tão cansado, dormiu no carro na volta pra casa.
Hoje foi dia de churrasco na casa do Gusmão e da Martinha, um casal de grandes amigos pernambucanos que não tem filhos (ainda), mas tem dois cachorros que Gutão adora. O Rô, como bom gaúcho, assumiu a churrasqueira. Filhote brincou um bocado, fez carinho na Ceci e no Bob, viu um pedaço da corrida, um pedaço do DVD dos Carros e depois tirou uma bela soneca na rede. Chegamos em casa quase agora, à noitinha, final de feriadão. Já fiz supermercado (pela internet, muito prático), já dei banho e leitinho pro Gutão e agora tou aqui ouvindo a alegria dele lá na sala, jogando futebol com o pai com a bola nova que ganhou de presente da Martinha. De onde é que vem tanta energia, hein?
posted by JULIANA DE MARI 8:06 PM
Os indicados
Atendendo a pedidos, seguem minhas indicações dos livros mais bacanas pra crianças. São livros que Gutão tem e gosta -- e histórias que a gente conta e reconta de tempos em tempos. Vamos a eles:
1) Ana, Guto e o Gato Dançarinode Stephen Michael King, Brinque-Book.
Presente da dinda Dani quando Gutão era pequenininho, esse livro é poesia pura. Tem lindas ilustrações e uma história que conta o valor de ser diferente. Fala também de criatividade, de reciclagem e de amizade. Ah, e também mostra o quanto é bom dançar!!
2) Pedro e Tina, uma amizade muito especial, do mesmo autor acima.
Outro livro lindíssimo que fala de uma menina muito perfeitinha e de seu amigo, digamos, um tanto quanto estabanado e do quanto eles aprendem um com o outro.
3) A Casa Sonolenta, de Audrey Wood, Ática
Esse é bem divertido e tem ilustrações igualmente belas. A história vai num crescendo e termina de um jeito alegre e convidativo a curtir tanto a nossa cama gostosinha quanto todas as possibilidades de um dia ensolarado. Vale praquelas negociações antes de ir pra cama.
4) O Nascimento da Lua, Coby Hol, Brinque-Book
Sem grandes pretensões, essa históira simples fala do valor de um obrigado. É rápida e ótima pra contar antes de dormir porque fala também, com muita delicadez, de um dos maiores medo dos pequeninos: o da escuridão.
Junto a essa listinha os já recomendados Clara, Brinque-Book, e Adivinha quanto Eu te Amo, Martins Fontes.
E aproveito pra recomendar minha lista de favoritos recentes para adultos, lá vai:
1) Não te deixarei morrer, David Cracket, de Miguel Souza Tavares
Comprei esse aqui por acaso na Fnac e amei. No dia em que comecei a ler esse aqui, um sábado de chuva à tardinha, o Rô foi me ver no quarto e eu tava lá aos prantos, emocionada com a delicadeza e a profundidade das histórias. Tem uma passagem que fala do ritual de um pai e filho ao ver as estrelas e nos remete a esse amor tão grande e ao medo que todos temos de que, lá na frente, nossos pequenos esqueçam que um dia já desejaram tanto nosso colo...É um livro de contos, de leitura rápida e muito gostosa -- mas que faz pensar.
2) Bartelby, o escrivão, Hermann Melville
Conto rápido do autor de MobyDick sobre um escrivão que trabalha num escritório de advocacia em Wall Street e, um dia, resolve dizer não a tudo o que não é a sua função principal. O bordão "Acho melhor não" causa rebuliço no escritório, altera os ânimos do chefe e dos colegas e nos põe a pensar sobre os motivos que nos levam a pretensamente ajudar os outros ou jogá-los na "fogueira". Recomendo a edição da Cossac Naif que traz notas dos editores ao final do livro.
3) A menina que roubava livros, Markus Suzak
Um livro que espanta ao primeiro contato: o narrador é a morte! Conta os três encontros que a morte teve com a tal menina que roubava livros. O cenário é a Alemanha nazista. Tem estrutura de texto diferente, interessante, rápida. Vi resenha recomendando na Veja e decidi arriscar a leitura. Esse tou lendo agora.
4) Estabelecer limites, respeitar limites, Anselm Grunn e Ramona Robben
Entrevistamos esse monge beneditino na revista algum tempo atrás e agora ele lançou esse livro sobre a importância de colocar limites e preservar nosso espaço "vital". Fala bastante sobre como isso é importante no trabalho, inclusive. Fiquei curiosa sobre como fazer isso e também tou lendo esse agora.
5) O que é uma vida bem-sucedida?, Luc Ferry.
Livro recente desse filósofo francês que fala do conceito de sucesso ao longo dos tempos, desde os idos dos gregos e romanos até os dias atuais, quando sucesso virou sinônimo de ganhos materiais -- e não mais de evolução "espiritual". Boa e importante leitura, principalmente para quem pretende cultivar nos filhos a importância do "ser". Também não terminei de ler ainda.
Não se espantem, não. Meu processo de leitura é "randômico". Preciso ter vários livros a mão pra escolher aquele que melhor combina com meu "astral" no dia!! Tenho uma pilha de uma de uns seis na mesinha de cabeceira. Entre eles, alguns citados acima que ainda não terminei -- e, por motivos óbvios, não me coloco mais prazo para terminar...O que tenho tentado é ler ao menos um capítulo de qualquer livro antes de dormir. É uma forma de me dar um pequeno prazer, sabe assim?
posted by JULIANA DE MARI 8:38 PM
Domingão cultural
Depois da chuva do sabadão e de uma tarde agradável com os amigos na "rua", curtindo as delícias do nosso bairro na garoa, veio o friozinho no domingão. Gutão acordou cedo, as always, doido pra ver os desenhos do Net Geo (finalmente uma alternativa à altura do Discovery Kids!). O Rô ficou com filhote até meados da manhã, quando, animada pela gritaria geral da casa, resolvi sair da cama quentinha, ai, ai! Depois do café da manhã, seguimos pro nosso passeio cultural de domingão: conhecer a nova mega livraria Cultura do Conjunto Nacional. Pra quem mora em Sampa e ainda não foi, suuuuper recomendo. O lugar é lindo e nos "embriaga" com tantos livros! Tudo bem que chegamos ao meio-dia, exata hora de abertura da loja pra não pegar a muvuca de curiosos que aparece depois do almoço...Bom, mas a parte reservada pras crianças é um show. Tem um "dragão da leitura", uma estrutura em madeira com a barriga, digamos assim, forrada de almofadões coloridos que convida a uma pausa pra conhecer o mundo encantado das palavras. Catei alguns livrinhos com Gutão e entramos, nós dois, dentro da barriga do bicho, cercado de outros amiguinhos e de livros por todos os livros.
Tenho dois critérios pra oferecer livros pro meu Gutão: o primeiro é buscar aqueles que tenham uma mensagem bonita e que deixem um ensinamento pra vida. E há tantos assim, que falam de coisas importantes de um jeito simples e lúdico. O segundo critério é procurar livros que tragam informação sobre as coisas que Gutão gosta. Por exemplo, hoje catei um livrinho simpático, daqueles interativos em que dá pra mexer com as figuras, sobre "construção". Chama Brincando na Construção, de Rebecca Finn. Gutão adorou, claro. Mas gostou igualmente dos que escolhi na "primeira categoria". Peguei dois e, antes de levar pro caixa, contei e recontei a historinha pra filhote pra ver se ele aprovava. Como ele pediu mais e mais e mais, trouxe pra casa. Tem um que chama Adivinha Quanto Te amo, de Sam McBratney, editora Martins Fontes. É a história de um coelhinho que arranja mil e uma maneiras de "medir" o tanto de amor que tem por seu pai. Só que o pai sempre arranja um jeito de dizer que ama ainda mais o filhinho. É uma graça e uma das passagens traz exatamente o que digo pro Gutão toda noite, de braços bem abertos: "Te amo do tamanho do muuuuuuuuundo!".
O segundo eleito chama Clara, dos autores Ilan Brenman e Silvana Rando, editora Brinque-Book. O bacana é que, depois que terminei de ler a historinha, um homem que estava nos observando veio perguntar se tínhamos gostado. Como não gostar de um livro tão lindo e que mostra com tanta delicadeza a importância do exemplo dos adultos na formação das crianças? Eu disse que sim, que eu e Gutão tínhamos curtido muito, que o livro era lindo. Aí, o fulano abriu um sorriso e se apresentou como o autor do livro!! Pena que na hora não me veio a idéia de pedir um autógrafo pro Gutão! O mais legal é que a menininha que inspirou a história, filha dele, chamada Liz, estava lá, do nosso ladinho, igualmente observando nossas reações. E o legal também é que Clara será o nome da nossa futura filha, se assim for numa próxima encomenda à cegonha!!!
Eu e o Rô trouxemos uma sacola de livros pra casa, claro. Eu escolhi um do Ariano Suassuna que procuro há anos, o Romance da Pedra do Reino. E também um do autor de Mobydick, chamado Bartelby, o escrivão, em uma edição curiosíssima da Cosac Naif. O Rô trouxe um livrão de surf e mais alguma coisa que ainda não deu tempo de descobrir o que é. Quero só ver é onde vamos guardar tantos livros -- e em que tempo daremos conta de ler!!! Ainda bem que o Rô já encomendou prateleiras novas pro nosso quarto. Alimento pra mente, ao menos, Gutão terá sempre garantido por aqui!
posted by JULIANA DE MARI 9:33 PM
A palavra encurta as distâncias
Quem está fora desse mundo de blogs, seja por não ter o próprio seja por não ter caído no gostinho de visitar o alheio, não consegue dimensionar o quanto essas relações virtuais acabam rendendo pra vida da gente. Esse preâmbulo é pra dizer que eu fiquei muito surpresa com tantos comentários me dando força naquele sábado tristinho. Obrigada, meninas. Senti o carinho, o interesse, a amizade, mesmo que à distância.
Hoje, finalzinho de mais uma semana intensa de trabalho, estou melhor. O astral voltou, a culpa está se diluindo (ontem me permiti ficar em casa pela manhã descansando, esperei Gutão voltar da escola, almoçamos juntos e eu fui trabalhar à tarde tão feliz!). Digeri mais um tantinho as mudanças --e as notícias tristes-- dos últimos tempos. Semana passada, fiquei sabendo que meu tio mais velho precisava fazer uma cirurgia pra tirar um tumor na garganta. Fez e, graças a Deus, já vai pra casa hoje, mas perdeu as cordas vocais e está respirando por trasqueotomia. É triste, deve ser muito sofrido pra ele, pros meus primos, pro meu pai. Mas está vivo e disposto a ficar bem, e isso conta muito.
No mais, Gutão continua acordando na madrugada. E agora deu de aparecer no nosso quarto, pedindo pra dormir com a gente. Quando ouço aquela vozinha meiga, olho no relógio e vejo que já está pra amanhecer, eu deixo, vai. Filhote deve sentir muito a nossa falta durante o dia e acaba revelando isso à noite, no sono "agitado". Não sei bem como lidar com isso, porque me rouba uma carga de energia considerável (eu sou um ser que também não dorme muito bem e que precisa de oito horas de sono pra funcionar bem, fazer o que!), só sei que temos que dar um jeito de dormir melhor. Ontem conversei bastante com o Rô e estamos pensando em consultar um médico antroposófico. Não que eu vá deixar de consultar a dra.Ketty, que tá conosco desde que Gutão nasceu e em quem eu confio demais. Mas eu gosto da filosofia antroposófica, do jeito de ver o "paciente" como um ser de corpo e alma -- em construção. Gosto do conceito do desenvolvimento por ciclos, os chamados setênios. Enfim, acho que pode funcionar como um "fator equilibrador" pra família, sabe? Tratar as relações, tratar Gutão de uma maneira integral, não só o que ele traz por fora (que é muita alegria, muito movimento), mas o que ele leva por dentro...Se alguém tiver uma boa dica de pediatra antroposófico, agradeço.
posted by JULIANA DE MARI 8:11 PM
Ciclotimia
Deve ser reflexo do inferno astral. Junho está pra começar e, dizem os astros, mês de aniversário é mês de revisão de vida. Ou deve ser reflexo das noites mal dormidas. Há semanas (pra não dizer há três anos!) não me lembro de ter conseguido dormir oito horas inteiras, sem interrupção. Quando não é qualquer outro barulho, é Gutão, que ainda acorda na madruga pelo menos uma vez (quando não duas ou três ou quatro). Deve ser talvez reflexo das enxaquecas que voltaram a me atormentar (talvez reflexo das noites maldormidas e tal e coisa). Pode ser ainda reflexo da ansiedade que a mudança no trabalho acarreta. Estou me adaptando às novas demandas, estou me descobrindo na nova função, estou me orientando no meio de tantas novidades. Por mais estimulante que esteja, estou saindo da zona de conforto e isso sempre incomoda. Sei lá. Deve ser também uma tristeza contida no fundinho do meu coração por coisas que passaram e deixaram cicatrizes e por outras que não estou vendo passar e me angustiam da mesma forma...E no meio disso tudo tem aquela certa culpa. Por não estar tendo tempo pra curtir meu filho além do bom-dia/boa-noite. E tem a culpa (e a cobrança) por não estar dando atenção ao Rô como gostaria...E tem o frio que chegou pra gelar meus ossos e me lembrar ainda mais do quanto minha cama é gostosa e do quanto tenho sentido falta de uma prosaica noite bem dormida.
Só sei que eu não tou muito bem hoje. Tou é bem triste.
Vou rezar um pouquinho pra ver se dá jeito.
posted by JULIANA DE MARI 11:34 AM
História oral
Minha atividade mental é muito intensa; talvez por isso eu sinta tanta necessidade de escrever -- e de falar. De botar pra fora, de verbalizar. Talvez por isso também goste tanto de ouvir Gutão se expressando, colocando seu pequeno mundo em ordem por meio das palavras. E ele tem falado cada coisa que nos deixa realmente de queixo caído. Vejam:
"Papai, o Dick (do filme Carros) é do bem? Por que?"
"As pessoas do bem se preocupam com os outros. As do mal só pensam nelas...", elabora o Rô.
"Eu não me preocupo com as pessoas do mal!", diz Gutão.
"Mamãe, esse prato é escorregadíssimo" (hahaahaaa, queria dizer "escorregadio", talvez?)
"Mamãe, molhou", diz filhote, preocupado com a provável bronca que ia levar por ter derrubado água no Futon e no chão.
"Filho, pega o pano de chão e seca", digo, eu, desencanada (resolvi minimizar os momentos de conflito, sabe?).
"Mamãe, você é muito boazinha" (hahahahaahaha)
"Mamãe, se meu irmãozinho não nascer eu vou ficar muito triste" Gutão, ontem à noite, no meio de uma conversa sobre aumentar a família, nos dando a certeza de que está mesmo na hora de providenciar outro nenê pra essa casa!
E falando em elaborar, ontem, finalmente, comprei um livro infantil que estou "caçando" há meses: Mania de Explicação, de Adriana Falcão. Suuuper recomendo pra quem gosta da beleza das palavras. É a história de uma menina que gostava de encontrar uma explicação pra cada coisa. Entre outras frases lindas, tem uma que é de chorar: "Tristeza é uma mão gigante que aperta o nosso coração". E essa aqui? "Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes". Perfeito, né? :)
posted by JULIANA DE MARI 2:44 PM
Das nossas histórias
"A história do Golfinho e da Aranha"
Por Augusto
"Era uma vez um golfinho e aí uma aranha subiu em cima do olho dele. E aí o golfinho se sacudiu e a aranha caiu -- no lixo! E era o homem-aranha!!! Um homem-aranha de trêeeeees pernas!".
"A história de um menino e da sua menina"
Por Juliana
"Era uma vez um menino muito falante, muito expressivo e muito sensível que, com seu sorriso largo e seus olhos de mel, a cada dia que passa, ensina um tantinho mais sobre a vida pra sua mãe. Ensina a imaginar, ensina a esperar, ensina a escolher.
Era uma vez uma menina muito sensível, quase sempre falante e também expressiva que, a cada dia que passa, confirma que a vida ganhou mais graça depois que seu menino chegou."
Meu filho tão amado, feliz dia das mães pra nós!
posted by JULIANA DE MARI 11:29 PM
Pre-ocupações
"Papai, como é que tira o gesso?"
"O médico corta..."
"Corta o braço ou corta o gesso?"
Gutão tem andado preocupadíssimo com questões do gênero: como é que quebra o braço? Pra que serve o gesso? Dá pra colar o pescoço? O médico corta o braço? Não sei bem de onde essas dúvidas vieram. Acho que filhote deve ter ouvido alguma coisa na escola. Ou talvez seja reflexo de um susto que levamos alguns dias atrás. Foi assim: Gutão e o Rô estavam brincando de pular na cama. Aquela algazarra, guerra de travesseiros, um "socando" o outro -- e eu aflita com tanto contato físico :)
Vai daí que o Rô finge dar um golpe de judô no moleque, e filhote cai de mau jeito (em cima da cama, graças!). Ai, que agonia. Achei que ele tinha quebrado o braço...ou quebrado o pescoço. Gutão ficou sem ar, começou a ficar vermelho, chorando lágrimas grossas, tadinho. O Rô o pegou no colo, foi acalmando e ele foi recobrando o ar. Continuou chorando um montão e eu, ali, meio paralisada, só pensava em "tocar" no meu bichinho pra ver se tava tudo no lugar. Bom, consequência do susto ou não, fato é que Gutão tá com idéia fixa em "machucados". Pergunta assim: "Se coçar a picadinha do pernilongo, dói e sai sangue?".
Diz a dinda Dani, psicanalista, que Freud explica e que é da fase. Na verdade, eles estão expressando o receio da "castração". Continuo sem entender muito bem o significado, mas aceito as explicações da Dani!!! E cuido pra não fazer desse tipo de situação, cair-bater-machucar, um bicho-de-sete-cabeças. Tombos e acidentes hão de acontecer a vida inteira...O que procuro ensinar pra meu Gutão é o senso de prevenção: quer andar de skate, beleza, mas que tal usar o capacete e a joelheira também?
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Mais algumas que flagrei do super Gutão agora à noite:
-Gutão escrevendo em um cartão (que fez na escola) pra gente: "Papai, lembre-se que você nunca deve passar no sinal vermelho". :)
Frase finalizada, vem a ordem: "Mamãe, você tem que pendurar esse no seu quarto".
- "Papai, eu ainda não posso mexer no fogão sozinho?"
"Não", diz o Rô. "Adivinha por quê?"
"Por que eu ainda sou criança", devolve Gutão, com a maior cara de sapeca do mundo!
posted by JULIANA DE MARI 9:21 PM
Carinho
Ontem, quase onze da noite, na hora de colocar filhote pra dormir. Primeiro, cumprimos todo ritualzinho: põe pijama e fralda, pega a Pig, reza pro anjinho da guarda, conversa um tantinho, até que deitamos juntinhos. Ele sempre pede pr'eu deitar um pouquinho ao lado dele. Esses dias tem acontecido de pedir pr'eu deitar em um minuto e, no minuto seguinte, dizer: "Pode ir pra sua cama, mamãe. Dorme bem, mamãe querida". Foi assim ontem.
Mas...cinco minutos depois, Gutão saltou da cama e começou a andar pela casa me chamando. Eu fui ver o que era, ele subiu no meu colo e disse: "Eu preciso dormir na sua cama hoje, mamãe". Voltamos pra cama dele, eu engatei a explicar que ele tem a caminha dele e nós temos a nossa, que a cama dele é gostosa, que nós três na mesma cama fica desconfortável e blablablá. Até que filhote vira pra mim e diz: "Quero dormir na sua cama, mamãe, porque você precisa da minha companhia hoje". Ai, achei tão lindo!!! Eu tava mesmo precisando de carinho, de sentir meu filhotinho ao meu lado, sabe? Mas não achei que era o caso de "revelar" essa carência -- muito menos na hora de dormir. Aí, vem essa "proposta" irrecusável. Ouvir dele, saber que ele, na verdade, estava falando era da saudade dele, é gostoso, viu?
Bom, tivemos que negociar com o Rô essa noite a três, coisa que tendemos a evitar pra não gerar o hábito. O Rô tentou argumentar, dizendo assim: "Gutão, que tal se você adormecer na cama do papai e da mamãe e depois voltar pra sua caminha no meu colo?". E Gutão revidou: "Não, papai. Eu quero fazer companhia pra mamãe a noite inteira". hahahahahaaa
Filhote entendeu que era uma exceção e que ele tinha que dormir na caminha dele hoje. Eu não encano muito com essas exceções, não. Porque Gutão é um menino legal, obediente, compreensivo, que testa nossos limites, mas respeita nossa "fala", sabe? Só posso dizer que, apesar de espremida num cantinho, eu dormi feliz.
Meu filho, eu te amo. Muito. Tanto. Do tamanho do muuuuuuuuuuuuuundo.
posted by JULIANA DE MARI 5:29 PM
Correndo, vivendo, rezando
Estou numa correria doida. Ainda me adaptando ao novo cargo, às novas demandas que vieram com a promoção. Acelerando também pra dar conta da agenda de novas iniciativas da revista. Quinta, sexta e sábado da semana passada, por exemplo, fiquei em Campos, em um evento que promovemos com executivos de RH. Foi bacanérrimo, mas, hoje, ainda estou de "ressaca".
Gutão foi uma preocupação a menos, graças a Deus. Filhote ficou com meus sogros queridos, que gentilmente vieram de Porto Alegre pra cuidar do netinho no sabadão. Estamos sem babá dormindo em casa...A faxineira quebra o galho quando é realmente urgente, mas não dá pra pedir pra ficar no final de semana, né? Gutão se comportou muito bem, tanto com a Isaura na noite de sexta (quando o Rô viajou pra me encontrar) quanto no sábado com os avós. Eles ficaram orgulhosos do netinho. Tudo bem que usaram da tática do "não contrariar" (hahaahaaa), mas nos disseram que a convivência foi mais do que harmoniosa. Eu fico bem feliz de saber que Gutão sabe se virar sem a gente, sério. Sofro um bocadinho pra largar meu "pintinho", mas fico realmente orgulhosa de vê-lo tão bem com os avós, com as pessoas que cuidam dele, com os amiguinhos. Gutão é um serzinho sociável desde o berço. É alegre, encantador, conversador, mui esperto. Gosta de movimento, é curioso, curte a presença alheia. Acho isso realmente muito importante. De minha parte, procuro mesmo passar pra ele a importância de curtir e respeitar os outros. Filhote fala obrigado, por favor, dá licença, dá beijo e abraço nas pessoas com quem tem intimidade, troca palavras com os vizinhos que encontra no elevador, enfim, socializa.
Acho que a escola super ajuda nesse processo, até porque eles seguem mesmo a linha pedagógica da "socialização" do psicólogo Carl Rogers. Falando nisso, Gutão foi ontem almoçar na casa de uma amiguinha de escola, a Gabi, irmã da Isabela, que também estuda na escola e de quem Gutão é fã. A mãe das meninas convidou, deu carona depois da escola e nós aceitamos. Filhote foi com a babá, comeu um pratão (até cenoura e beterraba aceitou, hahaaha), brincou até às quatro da tarde e voltou pra casa tão exausto que capotou às sete e meia da noite, inacreditável!!!!
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Eu acho fantástico ver meu filho crescendo. Tá grande de verdade, meu moleque. E, se eu já agradecia a Deus todos os dias por essa alegria, agora, depois da "passagem" do Vini e de imaginar a dor da ausência que a Rê sente todos os dias, eu agradeço ainda mais, eu me esforço ainda mais pra ser a melhor mãe que eu puder ser...Talvez a Rê nem dimensione o quanto é importante pra gente, não é mesmo? Mas eu tenho certeza que ela tocou a todas as mães --e pais também-- que acompanham a história dela. Não há como não se colocar no lugar dela, não há como não chorar a dor dela, não há como não pensar o que a gente faria se a vida nos pegasse uma dessas...E não há como não tentar fazer as coisas de um jeito diferente, minimamente que seja.
Eu, particularmente, estou vivendo um "ano" de busca espiritual intensa. Tenho rezado muito, tenho refletido muito sobre o impacto da minha presença na Terra e sobre como --e se-- posso tornar a vida de outras pessoas um tantinho mais bacana. É uma missão com a qual me comprometo, inclusive, no comando da revista com minha equipe e com os nossos leitores (tem coisa mais delicada do que nossa relação com o trabalho?). Mas estou sentindo falta de fazer mais um pouco...Não sei ainda o que, nem como, muito menos quando, mas certamente vou ampliar essa minha "troca" com o mundo de um jeito ou de outro. Estou com muita vontade de ajudar uma creche perto de casa. Não do jeito tradicional, doando coisas ou dinheiro. Isso já fazemos de tempos em tempos. Pensei em criar um jornalzinho pras mães carentes, com orientações sobre como cuidar dos bebês, planejamento familiar e por aí vai. Está germinando na cabeça. Se alguém quiser ajudar, me mande um email (julidemari@yahoo.com.br). Quando a idéia tomar forma, eu mando pra vocês a primeira edição. Quem sabe vocês também distribuem o jornalzinho perto de casa?
posted by JULIANA DE MARI 5:24 PM
Um anjo voltou ao céu
Aos que acompanharam a história da Rê e do pequeno Vini nesse mês e meio, o meu abraço solidário nesse momento de tanta dor. Quando a Mic me ligou, sábado pela manhã pra contar do acontecido, desmoronei. Chorei a dor dessa mãe como se fosse minha...Gente, como dói só de pensar que pode acontecer na casa da gente, não é mesmo? Mas é preciso ter fé, é preciso acreditar que a vida não é em vão e que algo mais existe para justificar nossa existência. Eu, ao menos, faço força para acreditar. Não faz passar a dor, não diminui a ausência que a Rê e o Junior vão sentir, mas dá significado -- e isso ajuda tanto...
A Rê foi uma das primeiras, se não a primeira, amiga virtual que fiz por aqui. Ainda tava grávida do Vini quando começou a frequentar o Barrigão. Sempre tão atenciosa, sempre nos mandou recadinhos lindos, sempre nos acompanhou. Chegou a mandar presentes de aniversário e de Natal pro Gutão algumas vezes. Tão presente e tão querida mesmo à distância. E eu sempre retribui essa amizade não a perdendo de vista, mesmo quando ela deixou de blogar por um tempinho. Lembro da minha alegria quando ela avisou que estava retomando o blog dela...
E é por isso que, agora, diante dessa fatalidade que é a ida do Vini pro céu (sim, ele é um anjo lindo e partiu ontem), eu sofro verdadeiramente, eu penso na Rê, nessa família sem um pedaço, e choro, choro muito...E rezo, rezo muito pra que Deus continue enchendo o coração deles de fé, de força, e de alegria pela mensagem maravilhosa que o ceú manda de volta na hora em que o Vini chega lá: a chegada do Gabriel. É o milagre da vida.
Rezem por eles, pessoal. Rezem para que fiquem em paz.
posted by JULIANA DE MARI 11:00 PM
Isso é amor
"Mamãe, foi você que me fez?". Eu digo que sim.
"E o papai também?". E eu repito que sim, fomos nós dois, foi o nosso amor.
E Gutão devolve: "O papai colocou minha perna? E você colocou o meu cabelo?".
Ai, que eu te amo taaaaaaaaanto seu Gutão, lindão!!!!!!
Eu e Gutão estamos indo pra Floripa logo mais, comemorar a formatura do tio Bruno e curtir um pouquinho o vovô Zeca e a vovó Lilica. O Rô foi ontem, pra festa de colação. Graças a Deus, não houve problema no aeroporto. Espero que hoje não inventem de fazer greve "aérea"...
Uma Feliz Páscoa pra vocês e um pedido: continuem rezando e torcendo pela melhora do Vini, da Rê. Essa, sim, uma mulher de fé, um exemplo de esperança e de evolução, uma boa amiga que a internet me deu de presente.
posted by JULIANA DE MARI 9:47 AM
Tiradinhas
Filhote é um tagarela muito engraçado. Fala coisas que nos desconcertam por motivos diversos. Uma hora é pela inteligência, outra pela sacação, outra ainda pelo bom humor. Gutão é um farrista, eu sempre disse isso aqui. Gosta das boas coisas da vida (movimento, praia, festa, música, dança...). Gosta de dar risada. Tem sorriso farto. Adoooooro!!!!
É crica e tem seus dias de fúria também, o meu pequeno. Detalhista, perfeccionista, daqueles que sabem onde colocou o quê e aí de quem mexer na dita ordem que ele dá. É colérico, fica nervoso mais rápido do que eu gostaria (o aprendizado aqui é pra dupla mãe e filho: é preciso ter paciência!!!!) e sabe provocar um tantinho a mais na hora em que os ânimos começam a se acirrar. Mas sabe também como dizer uma palavrinha pra nos chamar de volta à realidade: ele só tem três aninhos, ele é uma criança linda, ele é um serzinho em processo de aprendizado. Tem horas que vem com um "eu te amo, mamãe" bem depois da bronca. Em outras, olha pra gente, bicudo que só, e manda: "eu não gosto de você".
Diz cada coisa de arrepiar, sério. Outro dia, na hora de dormir, coloquei o CD que ele ouve desde que nasceu (Canções de Ninar, Palavra Cantada) e, em uma determinada música, ele perguntou: "Mamãe, onde fica o além? Eu quero conhecer ele". Aí, eu expliquei que o além é um lugar, lá longe, não é uma pessoa. E ele revidou: "Mamãe, você vai comigo no além um dia?". Ai, ai.
E seguimos no nosso papo-cabeça. "Luz tem bico? E avião tem bico? Avião voa, então, tem bico igual passarinho".
E teve mais uma que me deixou entre a risada e a perplexidade: "Gutão, você gosta mais de qual suco?" "Eu gosto de suco de laranja. De limão, eu não gosto".
E eu pergunto o motivo, e ele solta: "Ah, se eu tomo uma coisa "azeda" dói minha garganta". hahahahahaaaaa
E sexta-feira, antes de ir pra escola, Gutão, bicudão, dizendo que não queria ir e eu argumentando que tinha que ir, que era dia de levar brinquedo, que era divertido encontrar os amiguinhos, e tal e coisa. E ele me vem com essa, muito cara de pau!, mãozinha na testa: "Ai, eu acho que eu tou quentinho. Será que tou com febre, mamãe?". Eu posso??? :)
posted by JULIANA DE MARI 12:58 PM
Festa antecipada
Foi ontem, sabadão 24, a comemoração dos três aninhos do Gutão. Três dias de antecipação, bem no aniversário do Miguel. Terça, 27, no grande dia, vai ter mais bolo, brigadeiro e muitos, muitos beijos pra esse menino lindo. O tema da festa era "Carros", a pedido do baixinho. Fiz a decoração do salão com ajuda da minha mãe e da minha sogra. Modéstia a parte, cansaço idem, a mesa ficou lindinha, com os apetrechos que comprei na 25 -- via internet! Gente, esse foi o achado do ano: Magazine 25, uma loja virtual que vende produtos da 25 e entrega tudo via Sedex tranquilinho, tranquilinho. Frete barato, produtos de super qualidade, um monte de temas bacanas e o mesmo precinho "presencial". O mais legal foram umas bandeirolas, tipo aquelas de corrida, que encheram os olhos de quem entrava no salão e que achei numa outra loja, a Rica Festa, quando fui comprar fio de náilon e balinhas pras lembrancinhas (além dos copinhos, daqueles com canudo, cheios de balinha, as crianças levaram pra casa o vasinho decorado da oficina de jardinagem que elas mesmas pintaram e plantaram!).
Bom, São Pedro ajudou e fez uma tarde linda ontem (igualzinho o dia em que Gutão veio ao mundo, um sabadão "iluminado"), com direito a céu azulzinho, um calorzinho bom e um ventinho ameno no início da noite. Deu pra colocar a piscina de bolinha e as gangorrinhas do lado de fora do salão e usar parte do espaço interno pra "oficina de jardinagem". Que foi um sucesso entre a criançada! E eu que tinha dúvidas se eles iam curtir ficar lá sentadinhos, pintando vasinho e enchendo de terra, florzinha e pedrinhas. Praticamente todas as crianças maiorzinhas fizeram seus vasinhos. E os bebês ganharam vasinhos prontos, que os monitores fizeram com muito esmero.
Gutão, no início da festa, estava acabrunhado. Deu de ficar assim agora. Como ele diz: "Tô com vergonha". Até que ganhou um McQueen de presente do Matias, um amiguinho da escola, e não quis saber de outra coisa, claro. Uma das monitoras da Turma do Pererê (que eu suuuuuper recomendo) conseguiu atrair o baixinho pra oficina de jardinagem. E aí, ele não queria mais saber de parar de pintar! Ficou lá, desenhando o vasinho, uma boa meia hora. Depois, se empolgou na piscina de bolinha e convocou vários amiguinhos pra pularem lá dentro. E brincou com os monitores de caça ao tesouro, de piquenique, e de outras tantas brincadeiras, daquelas bem infantis, bem lúdicas, uma delícia.
Cantamos parabéns umas duas horas e meia depois da festa começada, muito a contragosto da criançada que não queria parar de fazer bolinha de sabão pra cortar o bolo. Aliás, que bolo delicioso! Tinha dois andares e um McQueen lindão em cima. Massa de pão de ló e recheio de doce de leite, bem molhadinho. Obra da minha querida Fabiola Toschi (que eu também suuuper recomendo). Gutão, depois do parabéns, se atracou com um prato de brigadeiro e comeu uma batelada, nem sei quantos. Fiquei até com medo que ele tivesse dor de barriga no meio da noite!
Dor de barriga, ele não teve, não. Mas tava tão excitado que falou, chorou, dormiu mal pra caramba. Acabou indo pra minha cama no meio da madruga pra ver se acalmava. E resmungou, falou que queria mais brigadeiro, chorou mais um tantão e me deu dois chutões nas costas que eu até chorei de dor...Ai, ai, ser mãe é padecer no paraíso messsssmo!!!! :)
E terça-feira tem mais comemoração! Viva o Gutão!!!!
posted by JULIANA DE MARI 9:13 PM
Que fase chata!
Acho que Gutão está na pré-adolescência. Só pode ser. Pelamordedeus, que fase chata é essa?!! O moleque dá chilique a cada meia hora, por qualquer motivo e mesmo sem motivo algum, só fala choramingando e, pior, tem empacado diante do prato de comida (só salgada, diga-se). Eu tento, bem que tento, mas não tenho paciência pra relevar esse lenga-lenga. Ele provoca, eu converso. Ele insiste, eu converso mais um pouquinho. Ele chora mais alto, eu conto até três e aviso pra ele que não estou gostando do rumo da coisa. Ele esperneia, eu perco a paciência, mando pro castigo e, aí, sim, dou motivo pra chorar mais alto. Tem rolado tapa na mão a milhão aqui em casa. No bumbum, dói mais, acho. Na mão, é só um "alerta". E aí Gutão chora, e chora, e se joga no chão, e me tira do sério. Hoje aconteceu umas três vezes à tarde. Por motivo algum. Eu fiquei nervosa, ele chorou horrores (chegou a dizer que não tava conseguindo respirar, hahahaaa), se jogou no chão, não quis colocar a roupa, chamou a "Isaura", ai, ai, ai.
Eu tou indo bem. De repouso em casa por causa de uns contratempos de saúde. Cuidando pra ficar tudo pronto pro aniver do pequeno nervosinho até sábado, dia da festa. Tomara que não chova como no ano passado. Vai rolar piscina de bolinha e oficina de jardinagem, do lado de fora do salão de festas. Acho que os pequenos vão se esbaldar! Será que quando eles completam os três anos algo muda? Será que essa fase absolutamente pentelha vai melhorando? Será que Gutão vai aceitar fazer coco no pinico? Será?
Deus dê saúde pro meu filho. E serenidade pra mim!! O resto, a gente desabafa e toca em frente.
(E vamos seguir rezando pelo Vini, da Rê. Tenho certeza que essa "corrente positiva" das amigas blogueiras só faz bem.)
posted by JULIANA DE MARI 7:52 PM
Em falta...
Eu sei, eu sei, estou em falta aqui no blog. A correria das últimas semanas tem sido grande...Ainda não estou com vontade, honestamente, de detalhar os acontecimentos. Me perdoem...Na vida profissional, fui promovida. Na pessoal, aquelas novidades que eu queria compartilhar mudaram de rumo e já não são tão boas assim. Bom, é muita mudança de uma vez só pra uma cabeça loura e canceriana! Mas estou bem, estamos bem. E isso é o que sempre interessa.
Gutão, na verdade, não passou bem de ontem pra hoje. Foi uma madrugada daquelas. Primeira vez, em três anos, que filhote vomita. Ele comeu raspinhas de pizza, sabe aquelas bem temperadas? Pois bem. O Rô achou que não ia fazer mal e eles dois comeram um pacote quase inteiro. Não sei se foi só isso. Pode ser um pouco de culpa do calor também, ou mesmo uma virose qualquer. Fato é que filhote acordou no meio da madrugada vomitando. Primeiro, foi na cama dele. Ficou tudo sujo. E lá vamos pro banho às 2h da manhã. Gutão ficou tão assustado, tadinho. Dizia que tava com medo e com vergonha. E perguntava se a cama ia ficar limpa outra vez. Eu tentei tranquilizá-lo, dizendo que, quando a gente vomita, é porque precisava colocar pra fora alguma coisa que estava fazendo mal pra nossa barriguinha. Ele chegou a tremer de nervoso.
Depois do primeiro episódio, levei ele pra dormir comigo e o Rô ficou no quarto da TV. Filhote descansou uns 20 minutos e acordou vomitando, outro jato que ensopou o travesseiro. E lá vamos nós pra novo banho e nova troca de lençóis. Depois disso, Gutão quis dormir com o Rô. Eu disse que era o "acampamento" dos meninos e ele ficou mais animadinho. Mas, durante a madrugada, levantou outras tantas vezes, correndo pra vomitar no banheiro. Dessas vezes, foi menos pior, pois filhote colocou só água pra fora. Continuou muito agoniado com o "processo" (vamo combinar que vomitar é ruim demais) e nervoso e preocupado com o pijama, a Pig, a cama...E aí veio a diarréia. Um coco escuro e muito fedido. Umas quatro trocas de fralda na madruga.
Hoje ele acordou um pouco mais animado. Não vomitou mais. Aceitou uma maçã e água de coco. Fiz soro caseiro, mas ele detestou. Continua soltando uns puns que borram a fralda, mas parece um pouquinho mais animado. Vamos monitorar pra ver se é caso de ir no hospital ou não. Torçam aí.
Prometo voltar, em breve, e contar de tudo de bom que nos aconteceu esses dias. Inclusive do encontro com a Mic, querida, e o Rafinha, um fofo!!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:37 AM
Voltando
E cá estamos, de volta à babilônia. E que calor é esse, pelamordedeus? Tá mais quente em Sampa do que em Recife, sério. Lá, ao menos, tem brisa, tem praia, tem cheiro de mar. Aqui, tem vento parado, cheiro do rio Pinheiros e essa sensação de que o calor vai andando atrás da gente, sei lá. Ai, mas nada de reclamar, né?
As férias foram deliciosas. Carnaval que é bom, a gente só viu um tantinho. Não tive coragem de levar Gutão pro meio da folia em Olinda. Quente demais, literalmente. Nem ao Recife Antigo. Mas resolvemos fazer diferente e experimentar o carnaval no interior do Estado. Seguimos pra Bezerros, cidade próxima a Caruaru, a cerca de uma hora e meia de Recife, pra curtir os "papangus". Passou em todos os telejornais, vocês devem ter visto. É o carnaval dos "mascarados". Todo mundo inventa uma fantasia e coloca uma máscara pra esconder o rosto. Parecia Olinda antigamente, um pouco menos lotada, com bloco de frevo descendo ladeira e tudo o mais, mas só deu pra ficar uns 40 minutos ali no meio. Começaram a pisar nos pés do Gutão, tadinho, e ele, de tanto calor, não aguentou mais ficar no chão e veio pro meu colo. Considerando que está super pesado e que eu também já não tenho mais pique pra aguentar o sol e o anda pra cá, anda pra lá, o primeiro carnaval da família foi breve, mas foi muito legal.
Depois de sair do meio da confusão, fomos conhecer um museu do artesanato, recém inaugurado, na estrada que vai pra Caruaru. Gutão viu obras do Alto do Moura, as famosas cerâmicas, viu as rendas de Pesqueira, viu os mamulengos, as máscaras, e toda a riqueza e a criativiade do artesanato pernambucano. Gostou mesmo dos carrinhos feitos de latão e que reproduzem os caminhões que passam na beira da estrada. Queria brincar com eles a todo custo, haja lábia pra convencer o baixinho de que era só pra ver, não pra tocar. No final, na lojinha do museu, filhote ficou encantado com a "Burrinha", uma fantasia tradicional das crianças no carnaval pernambucano. Ganhou uma, claro. E brincou tanto com ela, uma graça!
Que mais? Fomos pra Porto de Galinhas, pra Maracaípe, curtimos um montão a praia de Boa Viagem -- e a deliciosa gorducha, Bruninha. Fez quatro meses quando a gente tava lá e começou a "conversar". Dá gritinhos, da risadinhas, mexe as mãozinhas, linda. Meu pai também fez aniversário, no dia em que embarcou pra Portugal, Ilha da Madeira, pra rever minha vó, depois de 20 anos longe. Já pensou? Não consigo nem imaginar o que é essa saudade...Fiquei muito feliz em vê-lo tão feliz e ansioso ao embarcar. E diz que a vovó o recebeu toda faceira e que levantou a noite pra checar se ele estava coberto direito...Mãe é mãe, cuidado e carinho não tem idade. No dia em que o painho chegou lá, vovó Rosinha fez 96 anos.
Bom, ontem e hoje, além de desarrumar malas, tivemos grandes momentos em casa. Gutão fez coco duas vezes, sim, duas vezes!, no pinico ontem. Com o Rô ao seu lado, lendo historinha e "descontraindo". Na verdade, ontem, ele fez coco quatro vezes. Mas tá bem, acho que é só calor. E dá-lhe água nele! Falando nisso, sabe o que o menino me disse agora à noite? "Mamãe, tem que tomar bastante água pra ficar com a pele linda". Quem disse isso pra ele, hein?! :-)
Gutão segue alegre, tagarela, cheio de energia. Corre pra caramba, faz um monte de "exercícios". Até aprendeu a se "alongar", colocando as pernas pra cima nas portas dos armários, tão bonitinho. Aliás, filhote começou a fazer capoeira na escola e, em breve, vai começar, lá também, aulas de natação. Acho que vai ser muito legal! Gutão adoooooooora o mar, é impressionante. Ganhou uma prancha em Recife, um bodyboard, e delirou. Foi praticamente sozinho "surfar". Na beiradinha, claro, mas tão seguro, tão ágil, tão lindo. Tudo bem que o Rô estimula, mas, sei lá, parece que Gutão já nasceu com o "gen" do esporte na veia. Ainda bem!!!!
E ontem à noite, filhote com um tantinho de insônia, depois de um tempo indo e vindo do quarto, chegou aqui do meu lado, no quarto da TV, e disse assim: "Mamãe, a gente teve um dia tão legal hoje". E me deu um abraço, e eu quase chorei. Que delícia essa troca, que delícia ser mãe!
No mais, tenho novidades -- pessoais e profissionais. Muitas. E boas. Mas elas serão assunto prum post especial. Volto em breve. Aguardem!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:11 PM
Frevança
Gutão não pode perder essa: frevar os 100 anos do Frevo! Estamos indo pra Recife, eu e ele, na próxima quarta. O Rô segue na sexta. Lá ficamos até a outra sexta, curtindo a família, a praia, e a "frevança". Tou mesmo precisando de férias. O início desse ano foi mais intenso do que todos os últimos (afora o do nascimento do Gutão, né?) e resultou em grandes novidades profissionais. Logo, logo eu anuncio por aqui.
Filhote tá animadíssimo com o carnaval. Não sabe direito o que é, mas diz que vai dançar e cantar lá em Recife. Ah, se depender de mim, vai mesmo. Preciso é combinar com a Rapha, mãe do Igor, pra gente levar os pequenos pro "Eu Acho é Pouquinho", versão mirim da troça "Eu Acho é Pouco", que tantas vezes me fez subir e descer ladeira em Olinda. Que delícia!
Gutão é que tá uma delícia! Agora, deu de fazer showzinho pra gente, tocando violão, se remexendo e ensaiando umas palavrinhas em inglês inventado! É nosso Jack Johnson particular, rá-rá-rá! O melhor do show, na verdade, é o microfone: um cachorrinho, sem cabeça, daqueles de cabo comprido que as crianças adoram empurrar, sabe? Foi filhote mesmo quem inventou essa utilidade pro bicho e nós só aplaudimos porque é criativo e engraçado demais!
Fora toda a maravilha, alguns perrengues: coco só na fralda e muitos ataques de "quero isso, não quero aquilo". Como diria a dinda Dani, é a tal "neurose de controle", também chamada de "adolescência dos dois anos" :-)
Sério, tem horas em que perco totalmente a estribeira e até tapinha na mão vem rolando quando toda a verborragia, minha e dele, aflora. E o menino implica do nada, com coisas que eu não tenho a menor condição de adivinhar -- portanto, não tenho como me preparar pro barraco. E não escolhe lugar, veja bem. Domingo, fomos comer uma picanha em um restaurante simpático da Vila. Gutão sempre nos acompanha em restaurantes e raras vezes foi sinônimo de inconveniência. Ao contrário, é uma criança desde cedo curiosa, sociável e que se entretém com seus carrinhos enquanto papai e mamãe tentam conversar um pouquinho. Bom, domingo, não foi assim. Na mesa até que ele foi um "lord". Brincou com os carrinhos, beliscou a entrada, comeu carninha e um pouco de arroz e mandou ver dois copões de suco de uva. O negócio engrossou na hora do xixi. Gutão não se recusou a ir ao banheiro. Fez tudo como manda o figurino, até limpou o "pinto" sozinho. Aí, na minha vez, na hora em que fui lavar as mãos, pronto, o figura encanou que ele que tinha que abrir a torneira, começou a berrar, se debatendo no chão, vermelho que nem um tomate. Caiu o tênis, fui tentar colocar e ele, mais nervoso ainda, começou a gritar e a dizer que era pra eu fechar a torneira (a tal neurose de controle se manifestando!) e que ele ia abrir e que eu só podia lavar as mãos depois disso. Faça-me o favor. Peguei os braços dele, olhei nos olhos, trinquei os dentes e "pedi" pra colocar o tênis, o que fiz com ele aos berros. O estresse foi tanto que o Rô, percebendo nossa demora, veio me socorrer. Ainda bem que ele já tinha pago a conta e que o pequeno rebelde saiu no meu colo vermelho, todo molhado de tanto chorar, mas igualmente envergonhado do vexame. Não é mole, não!
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(E eu não posso deixar de registrar: que horror, que absurdo, que barbaridade o que aconteceu com o menino carioca, mais uma vítima inocente da violência. Até quando? Até quando os brasileiros -- sim, você, eu -- vamos reprimir nossa indignação? Até quando esse país vai viver à mercê desse horror? Ai, gente, é rezar muito, pedir muita proteção...Já chorei tanto pensando nessa mãe, nesse pai, nessa irmã, nas pessoas que presenciaram a cena, impotentes. Na dor desse menino, na vidinha que se acabou, assim, tão estupidamente...Choro por meu filho também. Por esse mundo estranho que ele vai herdar. Choro e peço proteção ao Anjo da Guarda. É muito pouco o que eu posso fazer, além de torcer muito para que cenas grotescas como essas que, volta e meia, temos o desprazer de conhecer virem exceção, e não regra).
posted by JULIANA DE MARI 11:14 PM
Volta às aulas
As aulas do Gutão recomeçaram hoje. Obviamente, ele não queria ir pra escola. Não curtiu colocar o uniforme, não curtiu arrumar a mochila nova, não curtiu quando dissemos que ele ia rever os amiguinhos, saber das novidades das férias e tal. Eu entendo esse sentimento dele. Sempre detestei os primeiros dias de aula. Chegava a ter dor de barriga na véspera! Mas a vida segue, a gente tem responsabilidades e tem que aprender a administrar nossos "medinhos", não é mesmo? E lá fomos nós, eu e Gutão, pra escolinha. Juntos. Na hora de descer do carro e ir até lá, dei um abraço bem forte nele e disse que eu também não gostava muito de voltar das férias, mas que, quando encontrava meus amigos e quando via o tanto de coisa legal que ia começar a viver de novo, isso passava.
Filhote tava receoso, mas foi comigo, de mãozinha dada. Não se entrosou logo. Quis empurrar o carrossel com a tia nova (tia Ju, minha xará) e animar os amiguinhos. Pena é que a turminha dele meio que se desfez. Ficaram só uns três ou quatro amiguinhos da primeira turma. Alguns saíram, outros mudaram de turno. Bom, fiquei lá uns 40 minutos, naquela confusão de mães e pais de primeira viagem. Fiquei com o coração apertadinho, vendo aquela angústia do Gutão: ele queria se soltar, mas estava com medo. As tias, muito queridas, falaram das novidades da escola, do tanto de coisa legal que ele tinha pra descobrir, e, aos poucos, ele foi se animando com a algazarra dos amiguinhos. Dei uns três abraços de despedidas até ele, finalmente, me deixar vir trabalhar. Ele seguiu com os amigos pra salinha do lanche e eu comecei meu dia tão feliz. Coisa bem boa acompanhar esses momentos importantes na vida do meu filho.
posted by JULIANA DE MARI 7:47 PM
Tiradinhas
Pra não esquecer depois...
- Eu, o Rô e Gutão almoçando num restaurante nordestino delicioso (Feijão de Corda, na Ferreira de Araújo) hoje, feriadão em Sampa, e eu no intervalo do trabalho. Em algum momento, o Rô pergunta "Gutão, quem é a namorado da mamãe?" e filhote responde "É o papai!". E aí, o Rô emenda, todo animado: "E quem é o namorado da mamãe?". E Gutão, sapeca que só ele, responde: "Sou eu". :-)
- Agora há pouco, hora de dormir, filhote de olhinhos vermelhos, morrendo de sono, e eu nos últimos lances do nosso ritual diário. Gutão pede pra eu contar a história do Bob, o Construtor, a eleita da vez. E, depois, pede a da Chapeuzinho Vermelho. Eu começo a contar de cabeça, mas ele "manda": "Pega o livro, mamãe". Ok, ok, livro na mão, chegamos na parte do "Que orelha grande é essa?", sabem qual é? Pois bem, toda vez que eu chego nessa parte, eu faço um teatrinho com Gutão. Vou apontando as partes do rosto e pedindo pra ele fazer as perguntas, até chegar no ápice que é a vez do "que boca grande é essa?". Bom, só que, dessa vez, Gutão cansadinho, cansadinho, na hora em que pedi pra ele continuar a história, fez a primeira pergunta, olhou pra mim e disse: "Xi, travou". Hahahahahaahahaa
É isso, filhote segue muito querido, cheio de opinião, tão engraçado. Um menino curioso, muito atento, espertinho que só. O meu Gutão, lindão. Ai, como é bom esse amor!
posted by JULIANA DE MARI 10:02 PM
Correria
É literal: Gutão anda correndo pra caramba esses últimos tempos. É que filhote tá de férias e seus programas prediletos têm sido descer pra jogar bola na "quadrinha" ou dar um "corridão" com o amigo Natan, seis anos mais velho, mas totalmente "submisso" às vontades do camaradinha! Gutão adora se mexer. Em suas brincadeiras, diz que é skatista, motoqueiro, nadador, surfista e por aí vai. Haja pique pra acompanhar tantas aventuras! Sim, porque ele quer que eu chute e corra atrás da bola, ande de skate junto, justo eu, quase sedentária convicta! hahhahaa
Graças a Deus, Gutão herdou do pai o gosto pelos esportes. Eu confesso que sou meio preguiçosa e que prefiro o "trabalho intelectual" ao físico. Fiz aulas de jazz e natação durante anos, quando criança e depois de adulta também, mas nunca tive o esporte como prioridade na agenda. Falha minha, assumo. E procuro não passar essa minha "dificuldade" para o pequeno. Ao contrário! Se ele me pede pra correr, eu vou botando os bofes pra fora, mas vou. Se ele curte se movimentar, eu vou mais é estimular! Esporte é saúde, eu sei. (E ainda tenho fé que vou encontrar um jeito de colocar essa porção de movimento extra na minha agenda também.)
As aulas do Gutão recomeçam no início de fevereiro e, até lá, tenho que resolver uma questão fundamental: arrumar uma babá para dividir o serviço com a Márcia, que volta da licença-maternidade depois do carnaval. É que a babá substituta vai casar e não quer mais dormir no serviço. Até daria pra negociar, considerando o estado de coisas que vivemos atualmente. Mas os planos são de encomendar mais um filhote logo e eu não quero ficar à mercê de ter que refazer os combinados, enfim. Essa parte da "estrutura" caseira, especialmente pra quem não tem família por perto, é complicada...
No mais, Gutão anda nos surpreendendo com suas tiradas.
Dois exemplos:
- Filhote continua sem querer saber de fazer coco no pinico. Durante o dia fica sem fralda e faz xixi bonitinho (uma ou outra escapada) na privada. Sim, de pé, segurando o "pinto"!! Não quer mais saber de fazer sentado. Agora, coco que é bom, só na fralda. E não é que ele se "programou" pra só fazer coco pela manhã, quando acorda, só porque tá com a dita? Eu ainda não tirei a fralda noturna porque ele faz muito xixi à noite. Tem acontecido de acordar com a cama molhada, mesmo com fralda, várias vezes. Não sei como proceder, na verdade. Se alguém tiver uma boa dica, help me! Bom, mas voltando ao coco, já tentei de tudo. Numa dessas, ele no pinico e eu no chão do banheiro, lendo uma historinha qualquer, ele diz que tá com dor na barriga. Eu digo que é um aviso que é hora de fazer coco. E ele devolve: "Mamãe, quem enfia o coco na barriga?". E eu fico com aquela cara de planta e dou uma resposta sobre a comida e tal e coisa, depois que consigo me recuperar do susto! :-)
- A outra boa aconteceu no carro. Eu, o Rô e Gutão voltando de um compromisso importante. Eu começo a dizer que somos muito felizes em família e que, desde que ele nasceu, só coisas boas aconteceram na nossa vida. Aí, ele emenda, sorrindo: "...um saco de balas"!!!! Sim, minha gente, é essa a medida da felicidade do meu pequeno: um saco de balas bem grandão! Que doce, não é?
posted by JULIANA DE MARI 2:42 PM
O ano começou
Salve, salve pessoal!
Feliz Ano Novo para quem passa por aqui anonimamente e para os meus queridos que sempre nos deixam uma palavrinha.
Nossas férias foram ótimas. Floripa e Recife nos receberam com dias lindos, muita praia, muita farra e muito carinho da família -- ou seja, tudo o que precisávamos para iniciar um novo ciclo com o astral lá em cima!
De Floripa, trouxemos uma grande novidade: Gutão não usa mais "petita"! Sim, meu filhote amado cumpriu a promessa de entregar a dita ao Papai Noel (a versão vovó Lilica funciona que é uma beleza!). O trato era entregar a chupeta e receber a bicicleta de presente. Quem escolheu a moeda de troca foi ele mesmo, meses atrás. O único porém é que filhote queria uma bike azul. E a loja entregou em Floripa uma preta e amarela, coisa que só descobrimos em cima da hora, ao lembrarmos que não adiantava nada entregar a caixa sem montar a bicicleta, né? Pois bem, e lá fomos nós, trocar a petita pela bike preta e amarela. E não é que foi a primeira coisa que Gutão percebeu? Os olhinhos dele brilharam, ele ficou todo empolgado, mas perguntou, na lata: "Por que não é azul?". E tem perguntado desde então, praticamente todo dia. Claro que eu criei uma história cheia de justificativas: acabou a tinta do Papai Noel, que usou o azul pra pintar outros presentes, e ele resolveu pintar de amarelo porque Gutão gosta muito do sol, e amarelo é a cor do sol, e por aí vai...
Gutão aprendeu a andar na bicicleta (de rodinhas, claro) rapidinho. Faz manobras pra frente, pra trás, tira finos inacreditáveis dos móveis, e morre de alegria! Logicamente, as primeiras noites em Floripa, depois da troca, sem a chupeta, foram difíceis. Gutão pediu a dita cuja antes de dormir em dois ou três momentos. Depois, aceitou e grudou na Pig. Não dormiu muito bem, é verdade. Acordou chorando várias vezes, teve sonhos "intensos", reflexos da adaptação' "à perda" da petita, acredito. E como é difícil a gente se desapegar, né? Por isso, tenho sido bem cuidadosa nesse processo com filhote. Não voltamos atrás na decisão, mas eu e o Rô oferecemos muito carinho, muito apoio e muito "reforço positivo" para Gutão passar por essa sem grandes traumas.
E filhote parece que passou. Em Recife, ele não pediu a petita nenhuma noite sequer. Deitava, abraçava a Pig e dormia. Dormiu um pouco mais facilmente do que em Floripa, e eu credito à correria e à "natação" nas piscininhas de Boa Viagem e ao ar-condicionado! Ai, que delícia esse tal de ar-condicionado! Não temos em casa, pois nunca sentimos necessidade. Nosso apê é bem ventilado, aliás, em geral, é sempre mais fresco que a rua. E como em Sampa os dias de calor intenso não são o usual, vamos levando com os ventiladores de teto. Voltando às férias, o ponto alto em Recife foi apresentar os primos: Gutão e Bruninha se conheceram, enfim!! Tão linda a nossa "Buruca". Uma gorduchinha, de olhos atentos e gritinhos de personalidade. Gutão queria pegar a prima no colo a toda hora. E pegava, e fazia carinho, e dava beijinhos. Nem preciso dizer que voltamos com mais de mil fotos na digital, né? :-)
Eu teria muito a contar das férias, mas, se eu me empolgar, isso aqui vai virar livro! Só posso dizer que, apesar do caos da TAM na tentativa de embarque na véspera do Natal (resumindo: cinco horas depois, pedimos reembolso, inclusive do táxi, compramos passagens da Varig pro dia seguinte e voltamos pra casa), o final de 2006 foi revigorante. Depois eu volto pra contar como estamos em 2007.
posted by JULIANA DE MARI 6:59 PM
Quase lá
Nem acredito, mas meu último dia de trabalho do ano foi ontem. Ufa. Que ano corrido e cansativo. No final, o saldo é positivo, ainda bem! Aliás, nem contei por aqui que estreei um blog no site da revista (sou jornalista, pra quem ainda não sabe!). Dessa vez, pra tratar de assuntos de carreira e refletir um pouco como ser e fazer melhor dentro e fora do trabalho. Quem tiver a curiosidade de conhecer, deixe o email nos comentários que eu devolvo o endereço do site.
Estou oficialmente de férias coletivas até o dia 08 de janeiro. Sábado seguimos pra Floripa. Depois, no outro, pra Recife. E vamos rezando pros aeroportos voltarem à mínima normalidade. Acabo de ler no UOL que Congonhas tinha 60 vôos atrasados hoje, que meda! Gutão tá de férias desde a sexta passada. Passou a semana entre jogar futebol na quadra improvisada do prédio, brincar com o filho do porteiro, o Natan, um menino de oito anos que virou ídolo do meu filhote, e dar chiliques em casa. Tá difícil essa fase. Por um lado é bonito de ver a conquista da autonomia e a busca pela auto-afirmação, descobrindo os limites, fazendo valer suas vontades e tal. Mas, por outro, pelamordedeus, tem horas que não aguento tanto choramingo e tanto "não quero isso". Quando sinto que vou perder a paciência, lembro que o apelidamos de "bichinho do não", digo isso pra ele e tento rir da situação.
Fora que a ladainha das noites mal dormidas continua. Já nem sei mais do que se trata. Acho que, agora, o motivo é o nariz entupido e uma tosse chata que insiste em atrapalhar o sono da "casa". Ontem foi tão tenebroso que hoje acordei com uma enxaqueca daquelas. Delícia. Não consegui fazer nada do que tinha me programado pra fazer, tipo arrumar as malas, arrumar a casa, dar ordem nas coisas antes de 2007 chegar. Só fiz mesmo a mão e o pé que eu também sou filha de Deus e também preciso espairecer e me embonecar pra aguentar o tranco mais felizinha!!
Tá lá embaixo agora, o meu moleque. Foi dar "tchau pro sol". Muito querido. Tá com a babá nova, que tem me causado mais problemas do que eu poderia imaginar. O caso é que o namorado também veio da Paraíba e os dois estão cheios de planos de casar, ter filhos e etc (eu já tentei orientar e dizer que fazer planos do gênero agora, recém-chegados a paulicéia, no auge dos 20 anos, é loucura, mas, sabe como é que é...na teoria, a vida é tão fácil...). Fato é que eu não tenho condições de ficar com mais uma pessoa em casa que não pode dormir no trabalho -- ou que fica agoniada pra ir embora cada vez que o telefone toca. Mas deixa essa questão pra 2007.
Com serenidade, tudo há de se ajeitar.
Essa época do ano sempre me dá aquele misto de alegria e tristeza. Não sei de onde vem essa melancolia. Deve ser coisa de quem tem os astros todos em água. Sou a própria "torneirinha": é só ver alguém desejando Feliz Natal e trocando um abraço caloroso que já me dá vontade de chorar. Mas eu choro na boa; chorar me faz bem; eu não sofro, não. É só que os outros acham meio estranho, vêm me consolar. Acho que ficam incomodados com tanta "sensibilidade", sei lá. Tou escrevendo isso aqui e já tá me dando vontade de chorar de novo. Acho que tou é com saudade de casa, dos meus pais, da minha irmã, com saudade da sobrinha que eu nem conheço ainda (Bruninha, a tia chorona tá chegando!!). Esse ano não foi mole, não. Muita correria, muita coisa boa, muitos desafios, muita realização. Ano que vem, se Deus quiser, vai ser melhor ainda. E um pouco mais calmo pra que eu possa "gerar" muita novidade, se é que me entendem! :-)
Se der, ainda passo por aqui pras devidas atualizações em 2006.
Se não der, fica aqui o meu desejo de um Feliz Natal pra todos vocês que nos acompanham e um super 2007. Muita saúde e muita serenidade, que o resto vem de brinde!
posted by JULIANA DE MARI 7:32 PM
Noites agitadas
Foi-se a dor de ouvido, ficou o medo de ficar sozinho. Pois bem, foi essa a manifestação do meu filhote agora há pouco. "Mamãe, preciso de ajuda." "Mamãe, não me deixa aqui sozinho". Isso porque ele deitou incrivelmente cedo, às 21h30, já com os olhinhos baixos de sono. Finalmente dormiu agora, 22h15. Nesse meio tempo, chorou, pediu minha companhia, disse que não gosta do quarto e só sossegou quando segurou minha mão na mãozinha dele. Ai, a rebarba da cirurgia não foi física, mas, pelo visto, psicologicamente, veio que veio. Eu sei que essa é a fase dos medos, mas Gutão ainda não tinha verbalizado nenhum significativo. Vamos lá, pacientemente, lidar com mais essa.
Eu tenho conversado muito com ele esses tempos. Tentando não dar tanta bronca, mas conversar e principalmente ouvir as razões, as angústias, as vontades dele. Baita exercício. Agora mesmo, no meio da sessão pavor, tentei acalmá-lo contando que o melhor lugar do mundo é a casa da gente. Que é tão bom voltar pra casa, reconhecer as nossas coisas, a nossa história, sentir o cheirinho que só a nossa casa tem. E falei que o segundo melhor lugar do mundo é a cama da gente. Que é tão bom dormir na nossa cama quando a gente tá com sono, cansados, precisando descansar. Que dormir é bom, faz crescer, repõe as energias e prepara a gente prum novo dia, cheinho de aventuras, de alegria. Filhote ouviu tudo quietinho, olhinhos esbugalhados, petita nervosa na boca. Mas não desgrudou da minha mão, bichinho...
Ontem Gutão também teve um sono agitado. Por baixo, levantei umas cinco vezes na madruga pra antedê-lo. Não reclamou de dor, realmente não acho que seja nada físico relacionado à cirurgia. Acho é que tava com calor e com um pouco desse receio descrito acima de ficar sozinho. Só relaxou mesmo quando liguei o ventilador/exaustor. Hoje, por precaução, botei um pijama mais quentinho e já liguei o dito na hora de deitar, aliás, ele ligou -- que agora ele aprendeu qual é o lado certo do exaustor (não ligo o ventilador porque vai muito vento em cima dele).
Tivemos um dia legal hoje. Pela manhã, fomos no cabelereiro pra ele cortar as madeixas. Os cachinhos ficaram, mas a franja não tá mais caindo nos olhos dele. Depois, enquanto ele comeu um brigadeiro de colher, eu tomei um café gostoso. E aí fui dar uma olhada nas lojinhas da Vila, que eu também mereço! Numa loja de roupas, Gutão encantou as vendedoras, nossas conhecidas. Pra eu conseguir provar as calças jeans, lá se foi o garoto passear pela rua com a dona da loja, vê se pode! Aproveitei pra escolher os presentinhos de Natal das professoras dele, sempre tão queridas. Gutão adorou o passeio, voltou todo falante pra casa. À tarde, desceu pra brincar com o filho do porteiro e a babá, que apareceu pra trabalhar e, ufa, não está grávida. É só infecção urinária. Eu fui na manicure e depois dei um pulo na nova ponta de estoque da Green (na rua Homem de Melo, 856, pra quem não conhece). Não tinha muita coisa pra idade dele. Sai com duas bermudinhas e uma calça e mais um vestidinho e um sapato lindo pra nossa gordinha Bruninha!!!!
Ai, que eu não vejo a hora dessa semana passar e da outra chegar. Vamos pra Floripa no sábado, 23, e pra Recife no dia 31, que correria! Nunca pensei que ia curtir tanto fazer as malas! Tou precisando descansar, mudar de ares, renovar o astral. E abrir o espírito pra nova encomenda que, se Deus quiser, janeiro trará!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:18 PM
Um dia depois do outro
Nem parece que Gutão fez cirurgia, tomou anestesia geral, passou um dia inteirinho no hospital. Ontem, domingão, filhote acordou animado, dizendo que tava com a barriga roncando e queria almoçar no "restaurante". Pedido atendido e lá fomos nós ver o dragão do America na hora do almoço. Filhote, que está em dieta líquida e gelada, almoçou milkshake e papinha Nestlé. Em temperatura ambiente, diga-se. Achei que ele ia detestar, mas que nada! A fome de "sólido" era grande e ele comeu praticamente todo o vidrinho de espaguetinho à bolonhesa, bem molinho, mas até que gostosinho. Hoje repetiu a dose e comeu super bem. Até arrisquei dar uma pêra, bem molinha, e ele devorou. Ofereci picolé primeiro e ele, pasmem, recusou. Daí, me veio a idéia da pêra e ele aprovou! Melhor que a propaganda do menino do brócolis, fala sério!
Fiquei em casa com ele hoje e ficarei amanhã também. Sorte minha, pois a babá, a Lu, faltou. Diz que teve um mal estar pela manhã, desmaiou e sei lá o quê, e eu preferi que ficasse mesmo em casa descansando. Tomara que não seja o que minha imaginação desenhou (gravidez?) e que amanhã ela chegue disposta e esclarecendo o tal mal súbito. Gutão passou o dia bem, correndo e brincando de dar gosto. Só lembro que fez cirurgia na hora de dormir, pra falar a verdade. Ontem ele acordou várias vezes na madrugada, chorando. E hoje, depois da soneca da tarde, também. Falei com a médica que garantiu não ser dor no ouvido. O que ela suspeita, e eu acabei concordando, é que ele está elaborando tudo o que aconteceu e pode estar projetando algumas coisas em sua imaginação a respeito da "limpeza nos ouvidos". E que é natural sentir medo, ficar angustiado, e expressar isso tudo chorando. Assino embaixo. Dei muito colo pro meu Pirato, dei muitos beijos e conversei um bocadão com ele.
Hoje à tarde, filhote ganhou uma "encomenda" que Papai Noel deixou por aqui. Um carrinho da polícia que faz o barulho da sirene e tudo o mais. Falei que Papai Noel tinha deixado antecipadamente com um recadinho: que é pra ele só usar a petita pra dormir. Filhote entregou a dita na hora! E não usou mais durante o dia. Ah, como essas "mentirinhas" funcionam! Nada como um bom incentivo pra cultivar bons hábitos, hahahhaa. A saga do xixi no pinico continua. Na maior parte das vezes, se a gente incentiva, ele vai lá e faz. Mas, se ninguém avisa que está na hora, ele também não se manifesta e acaba fazendo na calça. Hoje fez só uma vez, contra umas seis no piniquinho. Já fiquei feliz. Coco que é bom, só rola na cueca ou na fralda de dormir, não tem jeito. Mas tudo tem seu tempo, não é assim?
E o desenvolvimento dele tá indo no tempo certo, o dele. Gutão já tira a roupa praticamente sozinho, coloca a sandália, fica tentando colocar os tênis, e ajuda muito a se vestir. Quer fazer as coisas sozinho e é lindo vê-lo pedindo ajuda quando acha que é algo mais complicado. Gutão tá muito figura, essa é a verdade. Ontem na frente do restaurante havia uma loja "japonesa". Entrei pra comprar os presentinhos das "ajudantes da casa" e Gutão logo viu uma tentação: um skate de plástico. Veio, todo contente, com o skate embaixo do braço, dizendo: "Mamãe, a moça vai pagar a conta". Não teve jeito de negar o mimo. E vai daí que agora temos um skatista de verdade em casa. Que sempre anda com o capacete na cabeça (o que o Rô usa pra surfar) e pra quem eu já avisei que vamos comprar joelheira e cotoveleira pra proteger dos tombos. Ele gostou da idéia e eu gostei mais ainda de ver como a gente pode incentivar as boas práticas em casa.
Quê mais? Acabei nem contando da festinha de encerramento da escola. Foi lindaaaa! Aconteceu em uma escola maior, já que a dele é pequenina, não comportaria 700 convidados jamais! Foi num teatro de verdade, com palco e iluminação profissionais. Gutão foi fantasiado de tartaruga. A peça era Branca de Neve e filhote participou da hora em que os bichinhos acordam a Bela. Na turminha dele havia joaninha, passarinho, tartarugas e por aí vai. Os pequenos subiram ao palco cerca de uma hora depois que a festa tinha começado. Todas as turmas dançaram, era uma peça de verdade. Antes disso, a turminha dele ficou sentada nas primeiras fileiras, enquanto nós, os pais, ficamos mais pra trás no auditório. Gutão nem deu bola. Ficou lá dançando sem parar. A professora me perguntou se a gente tinha dado guaraná pra ele, porque ele tava ligadíssimo! Foi a música, as cores, as danças. Filhote adora um agito, tem vocação pra curtir a vida, que bom! A gente ficava vendo ele lá embaixo, pulando que nem um canguru, cutucando os amiguinhos mais parados, sorrindo e prestando atenção em tudo que acontecia no palco. A festa acabou por volta das 21h30, ele tava exausto, mas ainda aguentou ficar na fila pra ganhar presente e dar oi pro Papai Noel. Que orgulho!!!
Falando em Natal, montamos nossa árvore ontem. Gutão ajudou a colocar os enfeites e ficou todo prosa no final. Hoje disse pra faxineira que tinha me ajudado a montar a árvore e que o Papai Noel ia ficar feliz de ver a casa enfeitada. Feliz fico eu, de ver a casa cheia dessa alegria!!
PS: Mic e Rapha, obrigada pelos telefonemas! Mic, ontem não atendi, pois tava colocando Gutão pra dormir e não liguei hoje de volta porque o Rô esqueceu de dar o recado, ai, ai, ai! Te ligo amanhã! Rapha, obrigada pelas orações e pelo carinho de sempre. Tou doida pra ver a farra desses pequenos no final do ano!! Andrea, da Celina, obrigada pela carinho virtual! E um super thanks e um grande beijo pra todos que passaram por aqui, que deixaram recadinhos ou que não quiseram se apresentar, mas fizeram corrente positiva pra Gutão passar por essa na boa!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:54 PM
Juntos, pro que der e vier
Foi o momento mais angustiante das nossas vidas de pais, certamente: ver filhote ali, deitadinho na maca, entrando, sozinho, no centro cirúrgico. Ai, gente, que aperto...Chorei, eu, que nem criança -- depois que a porta fechou, claro. O Rô também se emocionou. Foi doído, mas foi um momento bonito, ao mesmo tempo. Depois do "xaropinho" anestésico, dado ainda no quarto, Gutão foi ficando molinho até chegar naquele ponto da "chapação". Chegou assim na porta do centro cirúrgico: chapadaço, sorrindo pro mundo. Abraçado na Pig, deu um sorridente "até já" pra gente, nossos olhos já marejados, a maior força do mundo pra devolver o sorriso meigo dele. (Naquele instante, fiquei pensando no quanto somos abençoados e na angústia que devem sentir pais e mães ao verem seus filhos nessa mesma situação, só que não por uma escolha, não por um procedimento eletivo, mas por força de uma doença, de uma urgência, ai, ai...).
Chegamos ao hospital às 8h. Gutão estava em jejum há horas, desde a pizza com suco de abacaxi de ontem à noite. Não reclamou um só minuto, aliás, nem lembrou que precisava comer. Chegou sorrindo, correndo, querendo encontrar a dra.Renata, que já havia combinado com ele na consulta da sexta que ia "limpar os ouvidinhos e tirar a areia azul lá de dentro" (sim, tinha um grão de areia azul no ouvido esquerdo, bem lá dentro, a tal areia que faz a festa das crianças na escola!). Nós não mentimos: dissemos pra ele que estávamos num hospital e que íamos passar o dia lá. Só não falamos em cirurgia, operação, anestesia, sangue, essas coisas. Pra quê, né? Ele só iria ficar impressionado ou com medo dos procedimentos. Bom, o anestesista foi no quarto antes da cirurgia. Um figuraça, que gerou empatia com filhote de cara. Perguntou dos carrinhos, ascultou o peito dele e deixou ele ouvir o próprio coração, e combinou de dar o xaropinho em seguida e fazer fumacinha depois que ele já estivesse lá dentro. Engraçado foi que a enfermeira veio dar o sedativo e trouxe a seringa e um copinho junto. Eu perguntei o que era e ela disse que era groselha pra dar depois do anestésico. Eu falei que não precisava, que eu mesma oferecia o líquido na seringa pra ele. E foi assim, filhote abriu o bocão e nem reclamou. Bichinho, já tá acostumado de tanto remédio que tomou por causa dessas otites...
A cirurgia começou por volta das 9h40. Perto das 11h, a enfermeira ligou no quarto, avisando que tinha terminado, que transcorrera tudo bem e que ele estava dormindo tranquilo. Era hora de trocar de roupa e ir lá, ficar com ele até ele acordar, no pós-operatório do centro cirúrgico (achei muito bacana esse cuidado, dos filhos acordarem com as mães por perto). Quando cheguei Gutão ainda dormia, tranquilo. Tava tomando soro e fumacinha de adrenalina, pra ajudar na respiração. Achei que ia encontrá-lo inchado ou coisa que o valha, já que ele também tirou as adenóides, mas nada. Estava lá, deitadinho de lado, ressonando. Até que abriu os olhinhos. E viu um fio com aquele negócio que colocam no dedo pra acompanhar o nivel de oxigênio, esqueci o nome. Pronto. Ficou tentando colocar na boca, como se fosse chupeta. Aí, o anestesista achou por bem tirar o troço do dedo e guardar, já que ele estava bem. Pra que? Gutão cismou que era uma chupeta e que o médico tinha guardado no bolso. Ficou tão brabo que chegou a se levantar na cama, ficou em pé, foi pra cima do dr.Marcelo pedindo a "petita", muito nervoso. E o médico rindo, dizendo que não tinha nada no bolso e pedindo pras enfermeiras correrem pra pegar a dita petita com o Rô! Durou uns cinco minutos o episódio. Eu não estressei, não. Achei até engraçado como, nessa volta da anestesia, qualquer coisa detona a "brabeza". (O menininho da cama ao lado, que operou um olho, estava batendo as pernas, irado, por que queria jogar videogame!). Depois da petita na boca, deitei com filhote na maca e ele, então, recebeu alta para o quarto e nós fomos encontrar o Rô, ansioso que tava em ver o filhote de volta.
Gutão já chegou no quarto mais acordadinho, mas ainda molinho. Ficou deitado vendo desenho na TV, tomou um tantinho de suco e ganhou um helicóptero do papai. Gostou tanto que quis descer da cama. Aí, eu me apavorei. Chamei a enfermeira pra ajudar, mas ele foi mais rápido, e brabo que só, desceu da cama sozinho. Quando ela chegou, deu risada e disse que tudo bem, que eles só fazem o que podem fazer. Recomendou apenas ficar perto dele, caso as perninhas bambeassem. Isso não aconteceu. Gutão brincou um bocado, tomou mais suco, tomou picolé de uva (dois!) e, depois, pediu gelatina. Para minha surpresa (sim, eu tenho trauma de anestesia!), não vomitou nem sequer teve ânsia. Brincou um monte com a cama que sobe e desce, fuçou tudo embaixo dela, dançou Jack Johnson com o papai e fez a festa das enfermeiras. Nem o ouvido nem o nariz sangraram. Ele cuspiu um pouco de sangue, mas ainda lá na recuperação. Não reclamou de dor nem teve febre. Tomou novalgina no meio da tarde, dormiu por volta das 16h30 e às 18h30 teve alta médica.
Estresse mesmo só rolou na hora de tirar o micropore do braço, no lugar onde eles aplicaram o soro. Ele cismou que só a dra.Renata podia tirar. Era um pedaço grande e a médica foi puxando de uma vez, coitada, acho que realmente esqueceu que dói um tantinho...Gutão chorou de ficar vermelho. E depois soltou essa: "Não gostei desse tratamento"!!!! Filhote deixou o quarto correndo, falando que queria voltar pra casa, super bem. Nem parece que tomou anestesia geral doze horas atrás. Chegou em casa e mandou ver três iogurtes e mais uma caixinha de suco gelado. A dieta tem que ser líquida e gelada até segunda-feira. Tomou mais dois copos de leite até dormir. Deitou agora às 22h. Perguntei se tinha dor, ele disse que não. Perguntei se tava bem, ele disse "é". Eu falei que foi muito legal ele ter ajudado hoje, porque, com os ouvidos "limpinhos", ele não vai ter mais aquela dor chata. Fihote deitou tão cansadinho que até pediu pr'eu apagar a luz do quarto. Tá lá, agora, abraçado na Pig, ah, a companheira Pig. Eu acho que ele vai dormir relativamente bem. Já deu umas choradinhas por causa da petita que caiu, mas não chorou de dor, graças. Que Deus e meu Santo Expedito permitam que, daqui pra frente, seja essa a rotina: um sono tranquilo, tranquilizante!
Foi angustiante a espera pra fazer a cirurgia, mas tenho certeza que Gutão só vai ganhar com os ouvidos "limpinhos". Tinha um monte de catarro nos dois ouvidos, segundo a médica. Tanto que ela teve que colocar tubinhos de ventilação nos dois lados. É um tubinho microscópico, que vai sair à medida em que o tímpano for crescendo. Serve pra ventilar mesmo e não deixar o catarro acumular no ouvido médio. As adenóides eram de tamanho normal, mas estavam posicionadas exatamente na frente da ligação com o ouvido, ou seja, obstruindo o caminho também. Gutão teve que ser entubado por causa da anestesia e eu tinha medo que voltasse com dor de garganta, ou reclamando do procedimento (eu senti muito nas vezes em que passei por isso...). Que nada. Nem reclamou, nem comentou, acho que realmente isso não o incomodou.
E foi assim, já passou. E a gente aprendeu, mais uma vez, que, com tranquilidade, transmitindo confiança e segurando muuuuuuuuito a nossa onda, nosso filho vai longe. E que a nossa experiência passada é um sinalizador, um orientador, mas que a vidinha dele acontece hoje, as experiências dele se dão agora, e que ele tem o aparato dele pra lidar com as novidades e as adversidades que encontra pelo caminho. E, olha, até aqui, tem lidado mui melhor que eu -- ao menos no aspecto médico!! :-)
Te amamos, Gutão!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:19 PM
Relatório
A vida anda corrida, como já deu pra perceber pelo tanto de tempo que fiquei ensaiando contar as novidades sem conseguir brecha pra vir até aqui...Fato é que o tempo passa, Gutão cresce, e as alegrias só aumentam.
- Filhote fez os exames pré-operatórios - sangue e raio-X do nariz. Ao contrário do imaginado, não deu trabalho algum. A radiografia foi rapidíssima e tranquilíssima. Tirar o sangue, na minha cabeça um quase monstro de sete cabeças!, também foi relativamente simples. Gutão deixou as enfermeiras darem uma picadinha na orelha (coagulação) e ficou conversando sobre a "tinta" que elas passaram na orelha dele. Depois, foi convidado a deitar na maca e estender o bracinho, coisa que fez sem nenhuma resistência. Eu e o Rô fomos orientados a segurar o bichinho (aquelas técnicas de imobilização, peito e perninhas, sabe?). Fizemos tudo com tranquilidade, sem dar muita bola ao que estava acontecendo, e continuamos a conversar com ele sobre o que iríamos fazer depois que saíssemos do laboratório. Na hora da picadinha, ui, filhote ficou vermelho, os olhos encheram de lágrimas, e ele olhou pra gente como pra saber se era pra chorar ou não. Meu coração ficou apertadinho, mas eu ignorei esses sinais e continuei conversando, bem animada, sobre o tênis novo que ele ia ganhar de presente. Ai, gente, filhote ficou olhando enquanto as enfermeiras tiravam o sangue e não chorou, nem se mexeu, nem coisa nenhuma. Confiou. E o exame foi rápido, as enfermeiras ficaram impressionadas, deram os parabéns, saudaram o pequeno com um esfuziante "valeu" e, ao final, depois que ele tinha deixado a sala em direção aos brinquedos, quem desabou fui eu!!! Chorei e chorei, de orgulho, de alívio. Tenho certeza que a nossa atitude, o fato de termos segurado nossa onda, de termos controlado nossa ansiedade, agiu positivamente sobre o comportamento dele. Confiança faz toda diferença, né? E Gutão segue nos ensinando um monte de coisas sobre nós mesmos...
Ah, a reclamação em relação ao exame de sangue só veio depois, à tardinha, na hora do banho, quando ele percebeu que o "adesivo" de cobra que a enfermeira colocou sobre a picada tinha saído com a água. Aí, sim, ele falou: "Eu não gostei disso". E aí, sim, eu expliquei que eu também não gostava, mas que era importante fazer o exame pra ver se estava tudo bem com a saúde dele. E pronto, assunto encerrado, passamos pro próximo! (Se tem coisa que não nos falta, os dois tagarelas, é assunto!).
- A cirurgia tá marcada pro sábado agora, dia 09. Como Gutão começou com uma tosse chata e com o nariz entupido e cheio de catarro verde, conversei com a otorrino, que já passou um remédio e que vai avaliá-lo na sexta-feira. Se o quadro não melhorar, nada feito. Não dá pra correr o risco de operar com um foco de infecção instalado. Tou naquele misto de sentimentos agora: quero que ele fique bom, obviamente, mas estou angustiada com a cirurgia (na verdade, com a anestesia)...Anyway, o que tiver que ser feito, será. E vamos passar por essa juntos, com a tranquilidade possível, focando na melhora dele.
- No mais, filhote cresce a olhos vistos. Tá enorme, cabeludo, falante, cheio de tiradas engraçadas. Continua adorando cantar e dançar. Recebeu o relatório das aulas de música da escola cheio de "sim" para a atenção aos ritmos, a capacidade de aprender novas melodias, o interesse em novos instrumentos e etc. Temos planos de matriculá-lo em uma escolinha especializada em música para crianças no ano que vem. Há que se estimular os dons que ele deixa vir espontaneamente, né? Filhote também tem se revelado bom de bola. Agora, a toda hora, pede pra descer com o Rô pra "jogar bola na quadrinha", uma quadra minúscula que criaram num espaço, antes inútil, na garagem. E o danado dá cada chute, sério. E corre, como corre! E fica tão feliz em "movimento"!
- Falando em futebol, Gutão se saiu com uma hilária no final de semana. O Rô, gremista roxo!, perguntou: "Quem é o time campeão?". E Gutão respondeu, cantarolando, como faz a torcida: "Corinthiaaas". Eu quase morri de rir!!!!! E lá vai o Rô fazer sua catequese e dizer que o Grêmio é isso e aquilo e aquilo outro, e cantar o hino do time, e pedir pra filhote repetir e coisa e tal. E Gutão, esperto e rapidinho que é, repete o nome do outro time só pra provocar e dar risada da nossa cara depois! Eu já falei pro Rô: a melhor estratégia é eleger um time em São Paulo -- afinal de contas, o lugar onde a gente mora e o lugar onde filhote nasceu -- e torcer pro menino se afeiçoar a ele e não embarcar na influência dos amiguinhos da escola (de onde, suponho, tenha vindo a referência ao timão). A sugestão é ficarmos com o tricolor, o São Paulo, o meu time por aqui (em Recife, sou alvirrubra, torço pro Náutico). E lá vai o Rô dizer que o Grêmio e o São Paulo são tricolores e patati-patatá. Mui engraçado!
- Ah, domingo fomos assistir ao filme do Pinguim, o Happy Feet. No geral, é uma graça. Os pinguins são fofos, a dublagem é super bacana, e a história de não ter vergonha de ser diferente é uma bela mensagem. Mas...algumas cenas são bem violentas, e Gutão ficou um tanto assustado, perguntando "por que a baleia quer comer o pinguim?", com os olhos arregalados e quase gritando de medo. Mas são poucos momentos mais trash, nada que não dê pra conversar durante e depois do filme.
Fomos perto da hora do almoço e filhote começou a ficar com sono faltando uns 20 minutos pro filme acabar. Ele me olhava e dizia assim: "Agora vai acabar". Hhahaahahaha
E quando acabou, quem disse que ele queria ir embora? Falou pra gente: "Peraí, a música ainda não acabou". E ficamos lá, nós três, vendo o letreiro subir e curtindo as canções do filme até terminar.
posted by JULIANA DE MARI 11:05 PM
So it is...
Um monte de coisas pra contar, mas cadê tempo? Vamos por partes, pra facilitar.
Saímos de férias no domingo, rumo a Juquehy, litoral norte de SP. O Rô havia visto a previsão na internet e era de dias lindos e ensolarados. Chegando lá, só chuva. Tempo feio mesmo, friozinho até. Como segunda não melhorou, resolvemos checar a previsão (o hotel tinha um bacanérrimo seguro contra chuvas e a gente já estava pensando em solicitar!). Vai daí que o Rô descobre que estava consultando errado. Há duas localidades "São Sebastião" no Brasil e ele estava xeretando o tempo na que fica em Alagoas, não aqui no litoral paulista! :-)
Sorte nossa que na terça-feira o sol começou a aparecer. Mas aí veio um susto. Um baita susto. O Rô foi surfar à tarde e sofreu um acidente no mar. Foi jogado contra as pedras, ficou todo arranhado, bateu as costas, o peito. Um perigo. Nem preciso dizer do que senti quando o vi chegando ao hotel, mancando, sangrando, ai, ai, ai. Mais uma vez, sorte nossa que ele não bateu a cabeça, não ficou inconsciente, não ficou preso no fundo, sei lá. Gutão ficou bem impressionado com o papai tão machucado e, desde então, diz que ele também se machucou nas pedras. Aliás, ontem disse que "aqui em casa só a mamãe não tá desmantelada". Ótimo.
Bom, do acidente em diante as férias foram meio frustradas, pois o Rô não pode curtir o planejado, não pode surfar como gostaria, e nós não pudemos curtir a praia na companhia dele como gostaríamos também. O hotel era na beira da areia, literalmente. Eu e Gutão curtimos como deu os dias de sol, e o Rô chegou a nos acompanhar na praia --usando roupa e meias, mui engraçado. Gutão correu que só ele, fez castelinhos, catou conchinhas e viu os caranguejos. Também aproveitou um bocado a piscina de água quente, uma hidromassagem que acabou virando piscina de crianças!! Tá todo empolgado em aprender a nadar e eu dei umas boas lições pro bagualito de como bater as perninhas e os braços. Acho que logo, logo vai ser hora de liberar a natação pra esse menino! Quê mais? Gutão também fez um amigo, o Axel, um lourinho, sueco, que falava inglês e ensaiava as primeiras frases em português. Um figuraça que vinha na nossa mesa toda vez que eu tirava o saco de brinquedos da mochila. Os pequenos brincaram a valer e a língua, definitivamente, não foi uma barreira ao entendimento. Gutão tem se mostrado muito interessado no inglês. Percebe a diferença do som, eu acho. Ouve as músicas e pergunta o que estão dizendo. Quer saber o que dizemos um ao outro quando, por acaso, usamos um termo em inglês e por aí vai. Engraçado mesmo foi ver uma babá explicando para outra criança qual era o nome daquele amigo "estrangeiro": "Ah, eu acho que é Maciel o nome dele". hahahahahahaaa
Bom, sobrevivemos às férias! Gutão não teve nova crise de otite, mas está com cirurgia marcada para o dia 09. Consultamos a otorrino e a pediatra e é isso mesmo: é preciso fazer a drenagem dos dois ouvidos e, provavelmente, tirar a adenóide. O resultado dos exames mostraram que, além do muco que não drena naturalmente, filhote tá com uma perda auditiva importante. O gráfico de reação do tímpano deveria ser uma pirâmide, mas está "flat", uma linha praticamente reta. Ou seja, o tímpano não está reagindo como deveria. E isso ainda não está comprometendo o aprendizado e o desenvolvimento, mas, a médio prazo, pode, sim, virar um problema. Sério mesmo, tou angustiada, mas só de pensar que filhote vai dormir melhor, respirar melhor, comer melhor, fico segura de que estamos fazendo o que é preciso ser feito.
No mais, Gutão fez o primeiro coco de sua vida no pinico essa semana. Por iniciativa própria, aliás. Viva! Tudo bem que foi uma vez só, mas tá valendo. O xixi tá mais regulado. Agora, ele passa horas sem fazer nas calças. Nem sempre avisa que precisa esvaziar a bexiga, é verdade, mas se a gente fica atento e o leva ao banheiro no tempo certo, vai tudo uma beleza. Semana passada, aliás, em visita aos dindos, Gutão fez xixi duas vezes na privada, com auxílio do redutor do Miguel, coisa que, em casa, ele não usa nem que a vaca tussa.
posted by JULIANA DE MARI 9:50 PM
Mini-férias
Estamos indo pra praia hoje. Cinco dias na beira do mar. Carro abarrotado, Gutão e papai só sorrisos, e eu na expectativa de descansar um tantinho, curtindo nosso "trio". Torçam aí pro ouvido do filhote se comportar direitinho e não rolar nenhuma crise longe de casa...Na volta, dou notícias das férias e da preparação para a cirurgia (deixamos pra fazer mais pro final do mês).
Obrigada pelos recadinhos carinhosos.
Beijos e até!
posted by JULIANA DE MARI 10:47 AM
Seguindo...
Gutão teve retorno na otorrino hoje. As notícias não foram das melhores. Os ouvidos continuam ruinzinhos e o caminho recomendado agora é mesmo a micro-cirurgia para fazer o dreno. Diz a médica que interna pela manhã e já é liberado à tardinha. Ai, ai. É que ele deveria ter reagido melhor aos últimos ciclos de antibiótico. A infecção regrediu, mas a otite não se foi completamente. Está lá o maldito "brilho", que a gente vê direitinho no exame que mostra a estrutura do ouvido na tela da TV. Essas duas últimas noites já não foram tão legais. Filhote acordou no meio da madrugada, chorando um tantinho. Voltou a dormir logo, mas meu radar já ficou totalmente alerta...
Foi o Rô quem levou filhote na médica. Eu não consegui me liberar do trabalho. Já desconfiava que o diagnóstico ia ser esse aí, da otite persistente. Mesmo sendo comum, judia demais a criança ter quatro longos episódios de otite braba no ano...Confesso que estou chateada pela indicação do procedimento (e sei que ainda vou chorar um bocadinho de agonia sem meu Gutão perceber...), pois vai requerer o estresse da anestesia, hemograma, hospital e tal e tal. Por outro lado, quero ver meu filho bem, quero ter certeza de que estou fazendo o melhor pela saúde e pelo bem estar dele. Confiamos na otorrino e vamos ouvir também a opinião da pediatra dele, uma médica super experiente e sensata que nunca nos deixou na mão e nunca nos apavorou sem necessidade. Aliás, nunca nos apavorou. Sempre nos tranquilizou e nos guiou ao melhor tratamento, abordagem, cuidado...
Enfim.
Semana que vem tínhamos planejado passar inteirinha na praia. Estamos de mini-férias. Com essa indicação da cirurgia, estamos revendo os planos. Vai ser bom dar uma viajada anyway, ficar juntinhos, tomar um solzinho e correr na areia pra então cuidar dessa parte "chata". Mas talvez tenhamos que voltar antes do programado inicialmente pra fazer os exames necessários e marcar uma data pra outra semana. Falando sério, tou estressada desde já de ver meu Gutão tirando sangue...Nada contra esse procedimento. Realmente não sou daquelas que desmaia ou sente dor nessa hora. É só que é invasivo, assusta até adulto, que dirá uma criança do tamanho dele. Mas...Muita calma nessa hora que há de rolar tudo mais facilmente do que eu imagino, né? Vou repetir mil vezes esse mantra!!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:07 PM
Apaixonante 2
Agora, me digam: dá pra resistir?
- Feriadão, ontem, papai, mamãe e filhote em sessão pipoca na hora do almoço. O filme escolhido é "O Bicho Vai Pegar". O cinema, não muito cheio. Gutão traçando suas pipocas e eis que começam os trailers. Entre um e outro, aparece aquela moça segurando a tocha, aquela da Columbia TriStar Pictures. Pois bem, Gutão pára de mastigar e diz: "Olha, o Santo Expedito!" hahahhahhahhaahhahahhhahaha
- Filhote e papai hoje, no elevador, depois de meia hora na garagem, "vendo" os carros. Papai diz assim: "Vamos tomar um banhitcho?". Ao que Gutão responde: "Não gosto dessa "palavria". Cinco segundos depois, emenda, rindo: "É japonês"!!!!!! haahahaaahhahhaahhhahaa
posted by JULIANA DE MARI 11:35 PM
Apaixonante
É assim que tenho percebido essa fase. Do alto de seus dois anos e oito meses, Gutão está apaixonante. Sociável, tagarela que só ele, cheio de tiradas engraçadas e olhares e sorrisos marotos. Charmosíssimo, esse meu filho, sério mesmo. Cheio de opinião, de gostos e desgostos, um serzinho encantandor até na hora da birra. Mais de uma vez, já me flagrei sorrindo, feliz, só de ouvir esse figurinha falar das coisas que percebe em seu pequeno grande mundo. Vai um breve relato:
- Eu e Gutão na cozinha, hora do almoço. Ele diz que quer o "saco de bolinhas". Eu digo que guardei o tal saco (a barraca de bolinhas, na verdade). Ele pergunta por que. Eu respondo que guardei por quê ele tem muitos brinquedos e não tinha mais espaço pra barraca, mas que, quando ele tiver um irmãozinho, a gente monta outra vez. Aí, ele vira pra mim e diz: "Eu quero o saco de bolinhas -- pra brincar sozinho".
- Gutão mexendo nos botões da televisão, descobrindo suas funções. De repente, some a imagem. Gutão nos olha e diz: "Ih, a telesão tá desmantelada" (hein?? onde ele ouviu essa palavra?)
- Por causa da otite, filhote tá tomando dois remédios. Um deles, pra dar uma desentupida geral, ele toma na boa. Já o outro...Gutão vê a seringa e diz: "Não gosto do gosto desse remédio". Aí, eu explico que foi a dra.Maria Inês (a médica que o atendeu no hospital da última vez) que receitou e que o gosto é ruim, mas esse é o melhor remédio pra fazer o ouvido sarar. Aí, ele faz uma baita cara de nojo e devolve: "Mas eu não gosto do gosto desse remédio". E aí eu tenho que apelar pra fantasia, chamar os bombeiros, fazer barulho de sirene, mudar a voz e perguntar: "Quem precisa salvar um ouvido por aí?". Pronto, Gutão esquece o gosto ruim e abre o bocão. Engole o remédio e insiste: "Eu não gosto desse gosto ruim desse remédio". Tadinho. O jeito é oferecer a escova de dentes pra ver se ajuda...
- O Julio e a Patty vieram almoçar com a gente hoje e trouxeram o querido Pedroca, um fofucho de três meses, que dormiu um bocadinho no ex-berço do Gutão. Filhote quis subir nas grades pra observar o amigo. A Patty aproveitou a singeleza do momento e perguntou se ele queria ganhar um irmãozinho ou uma irmãzinha. Ele respondeu: "Um irmãozinho". Isso foi na hora do almoço. Agora à noite, antes de dormir, o Rô quis saber a mesma coisa -- se Gutão queria um irmãozinho ou uma irmãzinha. E ele, acho que de saco cheio dessas perguntas, não teve dúvidas: "Eu não quelo nenhum irmãozinho". :-)
- Gutão agora diz assim "a minha mamãe", "o meu papai", e dá cada berro -- manhêeeeeeeeee, papaiêeeeeeeeeeeee. Um paulistinha assumido, esse nosso Pirato! E por falar em Pirato, comprei um álbum de colar adesivos e fazer caretas nos Piratas. Eu e Gutão colando nariz, boca, olhos e ele me pergunta: "Quem colou os meus olhos, mamãe?". :-)
- E na hora de dormir, depois de tomar os remédios, colocar o pijama, escovar os dentinhos e ganhar beijinhos, filhote pede pr'eu cantar a música do boa-noite. E eu canto a velha e boa "Tá na hora de dormir, não espere a mamãe mandar. Um bom sono pra você e um alegre despertar". E, toda vez, Gutão pergunta: "Onde mora o alegre?".
Ah, meu filho, mora no meu coração. Essa alegria que não passa desde a tua chegada. Te amo, Gutão!
posted by JULIANA DE MARI 10:46 PM
Vai e volta
A otite, infelizmente, não passou. Gutão continua com os dois ouvidos bem comprometidos. Sábado fomos ao Sabará mais uma vez, pra confirmar o que já sabíamos e, de alguma forma, pra aliviar nossas preocupações. Sério, eu já tinha dito pro Rô que se não fosse problema médico, era caso de irmos, nós três, a um psicólogo! Gutão tem dormido terrivelmente mal. Acorda por volta das 3h/4h da matina, chorando muito, se debatendo. Dor, claro. E dor dói e ele fica irritado, e nós, por mais que tentemos manter a calma e o foco, insones na madrugada, acabamos ficando nervosos também. Tadinho do meu bichinho...
Bom, fato é que retomamos o antibiótico e um descongestionante mais potente. Enquanto o nariz não melhorar de vez, não vai ter jeito de "limpar" os ouvidos. Estamos fazendo todo o possível, inclusive tratamento com uma otorrino, especializada em crianças. Ela não quer fazer o dreno, acha que é um procedimento que não resolve e que não garante que a otite não vai voltar. Nos pediu pra fazer nova audiometria, coisa que Gutão e papai estão fazendo agora, enquanto eu tou aqui trabalhando...Aliás, como é duro trabalhar com um filho doente em casa, né? Ontem cheguei e Gutão tava largado no colo do Rô, com as bochechas vermelhas, ardendo em febre. Teve 38.8 na madrugada e eu levei pra dormir na nossa cama. Hoje amanheceu alegrinho, embora um tanto quentinho. Tou torcendo pra ser um episódio e nada mais...
No mais, estamos bem. Fazendo planos pra arrumar a casa à esperar do novo rebento. Não, ainda não liberamos a "encomenda", mas o desejo está sendo construído --a três!-- e eu realmente acho essa etapa muito importante. Desejar o novo ser, arrumar a casa pra chegada dele, arrumar espaço na agenda pra essa gestação. E aí, sim, logo, logo o barrigão vem. Antes do Natal, eu espero!
Falando em barrigão, nasceu no sábado a Luana, filha da bá do Gutão. Ontem nasceu a Juju, da querida Mic, mãe do Rafinha. Acredito que a Stela, da minha amiga Rachel, mãe da Lara, também já deve ter chegado ao mundo. A última vez que encontrei a Rachel, sexta passada, ela estava linda e faceira passeando no shopping, com 4 dedos de dilatação!!! :-)
É isso aí, os ciclos da vida. Viva!
posted by JULIANA DE MARI 10:57 AM
Um dia depois do outro
Estamos melhorando. Sim, no plural. Dessa vez, realmente, não foi só Gutão quem sentiu. Eu ainda estou com os nervos à flor da pele. Se olhar mais feio, eu choro, sabe assim? Ai, ai. Bom, o que importa é que, segundo avaliação da otorrino, filhote superou bem a fase aguda da otite. Agora, o ouvido continua vermelhinho, mas não há mais pus. O que precisamos fazer é aquele exame, a tal audiometria, pra ver se a audiação está mais comprometida ou se está estacionada no ponto do exame anterior, um padrão que estamos seguindo para regular o tratamento. Filhote voltou a dormir melhor. Continua com uma tosse chata e o nariz meio entupido, mas isso, em São Paulo, pode ser considerado "default"!
Duro mesmo está sendo lidar com a "carência" antes de dormir. Eu tenho que cantar musiquinha, dar a mãozinha e deitar junto, no travesseiro, ao lado da cabecinha loura dele, até ele relaxar, fechar os olhos, empinar o bumbum e aceitar Morfeu. Sem falar que Gutão tá em crise com o Rô. Durante o dia, a parceria é uma beleza. Eles dançam e cantam juntos, jogam bola, vão na pracinha, fazem a maior bagunça em casa. Já à noite...bem, à noite, Gutão tem expulsado o pai do quarto, literalmente. Ai do Rô se insiste em sentar na cama, em roubar um beijo e tal e coisa. Gutão vira fera, dá "esporro", chora. Eu tento não intervir, no sentido de não monopolizar os cuidados e as atenções do menino. Tento também reforçar a presença paterna, dizendo que somos três, somos uma família, que o papai ama tanto o Gutão quanto a mamãe, mas nem sempre dá resultado. Espero que seja uma fase, que passe logo e que não cause muitas angústias nem para o filho nem para o pai!!!
Quê mais? Gutão tá se confirmando um menino muito sociável. Ontem, foi visitar a vovó Maria, uma vovozinha aqui do prédio, que tem o maior chamengo com ele. A filha dela, que também mora no edifício, encontrou Gutão e o Rô no elevador, fez o convite e lá se foi meu "bagualito" explorar a casa dos avós "postiços". Eu achei o máximo. Primeiro por ele ter tido a vontade de conhecer uma casa diferente. Segundo por ter tido a chance de conviver com a idéia de "avô e avó" (de um lado e de outro, há a distância geográfica que impede esse contato diário), de receber aplauso pras suas gracinhas, de aprender a conviver e respeitar os mais velhos, enfim.
É que ontem passei o dia no curso (estou fazendo uma espécie de mini-MBA) e meus dois amores passaram o dia fazendo coisas legais. Além da visita à casa da vovó Maria, foram na pracinha e no teatro e, depois que me buscaram na escola, fomos encontrar os dindos, a Nina e o Miguel na pizzaria. Vocês precisavam ver que lindos esses dois na mesa, comportados, comendo pizza, brincando com seus carrinhos, conversando -- sem nos dar o menor trabalho. A pizzaria é linda, cheia de artesanato. Usa luz de velas e, claro, Gutão e Miguel ficaram encantados. Na hora de vir embora, cantamos parabéns pros 10 anos de casamento dos dindos (Parabéns, Dani!!!) e os dois se fartaram de soprar as velinhas! E Gutão me pergunta: "Mamãe, cadê o pedaço da velinha que tava aqui?". É que no castiçal dele havia duas velas. À medida que uma queimou, se extingiu, e só ficou uma, grandona, de pé. É muito atento, esse meu filhote. Ficou indignado com os buracos da mesa, uma mesa antiga, de demolição, sabe? E me pergunta "quem foi que fez esse buraco?". Putz, e como é que a gente dá conta de tanta explicação? :-)
Ah, faltava contar a grande novidade aqui: nasceu a Bruna, minha sobrinha querida, uma meninona pernambucana, com 48 cm e mais de três quilos. Tem cabelo preto, um bocão à la Angelina Jolie (não custa projetar, né?), uma fofa. Recebi poucas fotos até agora, tou super ansiosa pra ver a mocinha direito e pra pegar no colo essa "alegria". Parabéns, Lu!! Seja bem-vinda, Bruninha! Nós amamos muito vocês e estamos muito, muito felizes em ver nossa família crescer!!!!!
Gutão já sabe que a Bruninha nasceu. Quer ver a priminha a todo custo e nós estamos considerando a hipótese de passar o próximo feriado por lá. Vamos fazer as contas e torcer pra caber no orçamento!!! É um evento único, especial, merece esse "investimento"!!
posted by JULIANA DE MARI 8:33 PM
À beira de um ataque de nervos
Gutão continua com otite. Vai na otorrino amanhã. Eu (e acho que falo pelo Rô também) estou no pó da rabiola. Muito cansada. Exausta com essas madrugadas insones e histéricas. Estou muito mais nervosa do que o meu normal, meu limite está muito menos elástico, e sigo com essa culpa maldita por não conseguir manter a paciência mesmo sabendo que filhote está doente, que o choro e a birra têm tudo a ver com a dor de ouvido...
Noite passada, Gutão acordou às 3h, chorando horrores. Chorava e se debatia, nervoso, nas grades da cama. Isso, de se debater de birra, foi me irritando de um tanto...Chegou a um ponto em que segurei, forte mesmo, as perninhas dele pra ele parar. Aí, claro, ele ficou mais nervoso, eu idem, o choro aumentou de volume, uma delícia. Como se não bastasse, o menino cismou que queria dar beijo na babá no meio da madrugada. E quanto mais eu explicava que ela já estava dormindo, mais ele chorava e pedia pra ir no quarto dela dar beijo de boa-noite. Claro que não levei. Mas haja santa paciência. Houve um ponto em que o estresse foi tanto que saímos, eu e o Rô, do quarto e deixamos ele chorar sozinho. Alguns minutos depois, voltei, mais calma, coloquei filhote no colo, expliquei o por quê do nervoso (se ele chora e não me diz como ajudar e fica se batendo e fazendo coisas que não são legais -- batendo em mim, por exemplo!, eu não consigo entender e fico nervosa mesmo), fiz muito carinho, dei muitos beijinhos e deitei ao lado dele pra tentar fazê-lo adormecer outra vez. Que nada. Era ele fechar os olhos e eu levantar da cama, pra ele pedir "fica aqui, mamãe".
Às 4h30 da matina, todos os recursos testados, minha paciência esgotada, joguei a toalha e levei Gutão pra nossa cama. E quando chegou lá, ele tem outro ataque porque não quer deixar o pai ficar junto. Eu posso com isso? Por favor, se alguém tem idéia de como lidar com essa possessividade do menino em relação a minha pessoa (será, já, o tal complexo de Édipo, pelamordedeus?) -- e que só aparece à noite, diga-se de passagem -- me dê uma dica.
Só sei que depois de mais um blablablá nervoso, Gutão aceitou deitar entre nós dois e finalmente voltou a dormir. Nisso, eu já estava totalmente adrenalizada, com o coração apertadinho, morrendo de sono e de dor de cabeça. Filhote acordou às 8h, falante e sorridente, graças a Deus. Eu continuei dormindo, nem fui trabalhar pela manhã, pra tentar descansar um pouco, observar como ele ia passar o dia (não mandei pra escola) e dar um pouco de atenção e carinho pra esse moleque fora dos horários a que nós dois estamos habituados. Foi ótimo fazer isso. Me senti feliz ao ver que ao menos durante o dia, ele fica bem. Brincou, correu com o aspirador, ajudou a faxineira a limpar a casa, comeu fruta, iogurte, e todo o macarrão do almoço. Quando sai pra trabalhar, ficou tirando sua soneca da tarde.
Agora, depois de uma hora de luta contra o sono, tá lá, ressonando, agarrado com a Pig. Deus (e todos os anjos e santos a quem eu possa enviar esse pedido) permita que essa noite ele durma melhor. Que durma uma noite inteira outra vez. Eu sonho com isso há dias...
Na boa, se alguém me perguntar o que é mais difícil do ser mãe, eu digo: é não dormir. Eu fico simplesmente insuportável quando não durmo ao menos minhas oito horinhas. Daí, vem o nervoso, a culpa, a angústia, os olhos ardendo (por falta de sono e muito tempo na frente do computador, ganhei a tal "fadiga visual", acreditam?), e essa cara de quem está prestes a desabar...Se alguém me vê nesse estado hoje, baita cara de cansada, olheiras enfeitando meu rosto, e me pergunta o que eu tenho, eu brinco, dizendo: "Eu tenho um filho!".
Ok, ok, respirando fundo. Passou.
Chega de lamúria!
Amo meu Gutão, entendo que tudo isso faz parte, torço pra ele ficar bom logo e pra nós três recobrarmos o equilíbrio possível em breve...Antes de começar tudo outra vez, que doideira!!!!!! É isso aí, acabo de constatar que a hora certa pro segundo filho é quando a vontade supera a coragem.
Obrigada a todos pelas palavras carinhosas nos últimos comentários! Saber que tem alguém torcendo por nós é tão gostoso!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:07 PM
De novo?
Gutão tá com otite de novo. Ouvido esquerdo com muita secreção, ouvido direito avermelhado. Eu bem que tava achando estranho esses "despertares" chorosos no meio da noite. Semana passada tivemos madrugadas de cão, com direito a levantar de hora em hora, fazer inalação, ouvir muitos gritos agoniados, dar alguns outros de volta (ai, gente, essa função noturna me deixa à beira de um ataque de nervos), enfim. Ontem, sabadão, levamos filhote no Sabará e o diagnóstico foi esse que eu pressentia e que citei acima. Fiquei triste, mal por perder a paciência enquanto Gutão sofre, por, algumas vezes, não ser capaz de me manter focada nele e não na minha cabeça que dói a falta de sono...Chorei no banheiro do hospital essa culpa toda. Será que alguma mãe vive sem ela?
A noite de ontem já foi um pouco melhor. Gutão voltou pro antibiótico. Chato é, mas não tem muito jeito. Também tomou Tylenol, que aliviou um bocado a dor (justo eu, que detesto sentir dor, só pensei nisso, em oferecer um analgésico pro meu bichinho, na sexta-feira). Ele só chamou duas vezes, ainda assim rapidamente. Uma vez por causa do cobertor enrolado no pé. Na outra, por ter perdido a petita.
Hoje acordou feliz, correndo, animado pra ir pro "basque" (parque). Fomos no Ibirapuera, correr na grama, curtir o sol e tentar ver alguma coisa da Bienal. Gutão se esbaldou no "corridão". Como gosta dessa liberdade! Corre longe, com um jeitinho sincronizado de mexer os bracinhos, uma graça. E vem sorrindo, rápido, rápido, e dá abraço e nos empurra pro chão. Foi lindo vê-lo parar pra descansar, sentadinho embaixo das árvores, depois de um "tiro" mais forte. Os dindos, o Miguel e a Nina nos fizeram companhia.
Tentamos ver alguma coisa da Bienal, mas foi praticamente impossível. Gutão queria "tocar" nas obras, que perigo! Só aceitava ficar pra cá da linha amarela quando eu dizia que o segurança ia nos dar uma bronca porque a gente não tava respeitando as regras. Em uma ocasião, uma segurança veio mesmo conversar com ele e contar que não podia, não ficar tão pertinho das instalações. Vamo combinar que arte moderna, contemporânea, seja lá o que for aquilo, é uma viagem total e absoluta, né? Vi algumas coisas interessantes, algumas fotos bonitas, mas, no geral, pra usar uma palavra do Rô, achei a Bienal "beligerante", com instalações feias, agressivas. Reflexo do mundo atual, diz o maridão. Eu sigo dizendo que não entendo muito bem essa arte "cabeça". E eu mesma me digo de volta que arte é pra ver, sentir, explorar, não é mesmo pra entender.
Depois da corrida na Bienal, Gutão e Miguel passearam mais um pouco no parque, encantados com os carrinhos. Andaram de mãozinha dada, esses dois amigos, batendo altos papos. Flagrei um pedacinho de conversa, mais ou menos assim: Gutão perguntou pro Miguel: "Por que você esqueceu sua meia, Migue"o"?". O amigo respondeu: "Eu tô de sandália, Auguto". Minha afilhadinha Nina também foi passear com a gente. Menina querida, tranquila, de coxas grossas, bochechas rosadas e um sorriso pronto pra aparecer toda vez que eu faço cosquinha no barrigão dela! E como menina é meiguinha, de vestido e calcinha cor-de-rosa, uma gracinha. Cada vez que eu vejo um bebê, tenho mais certeza que a hora da nova encomenda está mesmo chegando. Esses dias dei até de me imaginar grávida outra vez, vocês conhecem essa sensação?
Depois do parque e de almoçar num lugar legal, com bastante pedrinha pra filhote fazer bagunça!, caímos na cama, nós três. Gutão dormiu duas horas e acordou aos prantos. Reclamando da vida, de Deus e de todo mundo. Deve ser mau humor vespertino e muita dor, tadinho. Chorou tanto, tão irritado, com tantas lágrimas, que dei analgésico outra vez. Como dói ver meu pequeno assim...E eu bem sei o quanto irrita e faz sofrer essa maldita dor de ouvido. Há uns tempos tive otite "média", como os médicos chamam, por causa da sinusite, uma sensação de água descendo no ouvido, muito agoniante. Já estava em tempo de marcar um retorno na otorrino que cuida do Gutão. Vamos agilizar essa semana e torcer pra não ser preciso fazer a tal punção (se bem que, ontem, a médica do hospital me explicou que esse procedimento não dói e que dá alívio imediato pra criança...mas, sei lá, é sempre uma "agressão" -- como se remédio não fosse...Já viram que hoje eu tou "falando" com meus próprios botões, né? Altamente reflexiva, essa menina).
Bom, passado o ataque de choro, filhote e papai foram botar gasolina no carro e comprar brigadeiro pra gente fazer um jantar de "dia das crianças" (atrasado, mas bem intencionado!). Vamos ver se, na volta, ele vem mais animadinho.
posted by JULIANA DE MARI 7:56 PM
Coisa de criança
Mamãe, papai e filhote, mais uma amiga da mamãe, no restaurante, ontem, feriado.
Gutão mandando ver no pratão de macarrão e carne moída que a mamãe levou de casa e beliscando uma ou outra polenta frita dos "adultos".
De repente, ele diz: "Guarda pra de noite, mamãe".
Sim, agora é assim, com essa sutileza, que filhote indica que já está satisfeito!!!!
A semana é das crianças e eu acredito que o melhor de se dar a um pequenino é sempre atenção, carinho e muito respeito. E isso a gente cultiva todos os dias aqui em casa. Ontem, dia das crianças, depois de muitos beijos, filhote recebeu alguns presentes nossos. Um mini-carrinho do Luigi, aquele personagem do filme Carros, um DVD do Bob, o Construtor e um acampamento miniatura, com direito a fogueirinha, barraca e até saco de dormir pra colocar os bonequinhos! Adorou tudo, claro. Principalmente, os carros. Gutão tem fascinação por carros, sério. Ele reconhece as marcas de longe -- difícil errar o nome de um que esteja na nossa frente na rua. Me surpreende quando diz: "É um Toyota preto" ou "Olha, mamãe, o Honda Fit". Caramba, como é que ele guarda essas coisas?
Aproveitei o mote do dia das crianças e fiz um "combinado" com filhote: já que ele ia ganhar alguns presentes, que tal separar uns brinquedos que não usa mais pra dar para uma criança que precisa? Gutão fez algumas perguntas ("ela não tem dinheiro pra comprar?" foi a mais surreal) e algumas imposições ("não quelo dá minha escavadeila") e topou a troca. Amanhã vamos dar uma geral nos brinquedos, fazer pacotes bem bonitos e deixar com uma vizinha, diretora de uma creche que funciona aqui pertinho de casa. Quero que filhote aprenda, e isso só se dará com exemplos nossos, que receber é uma delícia, mas dar pode ser melhor ainda. E que compartilhar faz um bem enorme pra gente -- principalmente compartilhar com quem não tem acesso a coisas que para nós podem parecer "mais do mesmo".
Bom, o ato de presentear faz parte do nosso dia-a-dia. Presentear com um passeio diferente, um desenho, um bombom, um livrinho, ou um brinquedo que a gente sabe que vai fazer Gutão soltar a imaginação. Já percebi que filhote tem preferência por presentes pequenos, aqueles que ele pode carregar sozinho e levar em suas andanças dentro e fora de casa. E sabe que fica ainda mais fácil estimular a brincadeira quando tamanho e formato não é documento? O aspirador virou carro de corrida do moleque e ele passa o dia empurrando o dito pela casa. Às vezes, pára, diz que quebrou a roda, me chama --"Vem, mamãe, você é o mecânico"-- e fica todo faceiro quando eu digo que o carro já pode andar outra vez. A luva de silicone azul, de pegar panelas na cozinha, virou o "Tutubarão", o amigão que fala grosso e acompanha Gutão na hora de fazer xixi, comer, dormir...Mas, em geral, só serve se sou eu quem coloco a mão lá dentro e faço a tal "voz" engraçada. Aliás, eu adoro brincar criando personanges e fazendo vozes pros bonecos, bichinhos, carrinhos, e Gutão aprendeu a fazer o mesmo. Até a Pig tem uma vozinha só dela, que, na versão dele, fica tão engraçadinha!!! Falando nela, coitada, tá podre de suja, de amarela já virou meio acinzentada (e olhe que ela "toma banho" toda semana!), mas Gutão tem um amor tão grande por essa porquinha! Ele cuida dela, conversa, dá comidinha, coloca pra dormir e pede pra puxar o cobertor "se não, ela vai ficar com frio".
Pena que filhote encerrou a semana das crianças com o nariz super entupido e uma tosse chata que só vem à noite. Ontem, a madrugada foi show de horror. Levantei de hora em hora, dei xarope, deitei junto, fiz inalação e nada ajudou meu Gutão a dormir melhor. Quase cinco da matina, o Rô trocou de lugar com ele na nossa cama pra ver se eu conseguia algumas horas de calmaria. Ao meu lado, filhote até ressonou um tantinho, mas bem antes das sete já tava, todo falante, de olhão aberto. Tou moída, parece que um caminhão me atropelou, sabe assim? Mas tou segura que ficar junto é sempre o melhor remédio nessas horas chatas. E vamo que vamo que amanhã é sabadão e a lista de coisas a fazer em casa é grande!
posted by JULIANA DE MARI 3:51 PM
Haja paciência
A novela do desfralde continua. Gutão só tem colocado a fralda pra dormir (ou para sair, quando vamos passar muito tempo no carro). Na escola, o uso do banheiro tem sido constante. Vez por outra, ainda escapa um xixizinho e ele tem que trocar a roupa por lá, mas tem sido cada vez mais raro. Já em casa...Bem, em casa, filhote usa o pinico, desde que a gente o convença a isso. E haja repertório e paciência pra dar conta desse "convencimento". Tem carrinho que vai fazer xixi junto, tem onça que mora no banheiro, tem privadinha da Pig, tem o "desafio" do xixi colorido (que cor será que tem o xixi de hoje?) e por aí vai.
Gutão ainda não aprendeu a avisar que tem xixi pra fazer. Diz, sim, só que imediatamente depois de ter feito na fralda. E não é por quê não tenha registrado o que a gente ensinou. Ainda agora, xixi na calça pela terceira vez no domingão, eu pergunto, muito na boa, porque ele não me avisou que estava com vontade. Ele muda de assunto. Eu insisto: "O que tem que dizer quando dá vontade de fazer xixi?". E ele responde: "Quero fazer xixi no piniquinho". Hã-hã.
Na teoria, tudo ótimo. Na prática, haja santa paciência. Eu sei, eu sei, há o tempo dele, há o aprendizado de se controlar, há todo o lance de deixar alguma coisa "sair" do corpo e tal e tal, mas como é cansativa essa rotina de põe cueca, molha cueca, limpa bumbum, troca tudo, ensina, explica, faz cara de paisagem pra não dar idéia de que ele está fazendo algo "errado" (ele está aprendendo simplesmente)...putz. Só hoje foram três vezes no pinico contra cinco na calça!!!!! Sem falar que coco não rola de jeito nenhum no pinico. Só na cueca. Quando vou trocá-lo, levo ao banheiro, faço a ceninha de dar tchau pro coco, jogo na privada, e tal e tal, mas filhote segue achando que coco é "nojento". Não sei de onde veio essa idéia, talvez tenha vindo até de algo que a gente mesmo falou em casa, mas estou trabalhando para explicar o contrário: que depois que a gente come, dá vontade de fazer coco, e que coco é fedido, sim, mas não é nojento, não. Todo mundo faz coco. E fazer coco é bom e dá um baita alívio na barriga da gente (fala sério, se não dá?). Gutão concorda com tudo, dá tchau pro dito na privada, até avisa quando dá vontade, mas não deixa levar pro pinico nem sob tortura.
Enfim, é ensinar, ensinar, ensinar. Respirar fundo, ter paciência, fazer muuuuuuita cara de paisagem e seguir torcendo pra esse aprendizado se dar em um tempo razoável.
Eu, confesso, tenho me irritado um pouco mais com Gutão ultimamente, principalmente quando ele insiste em me bater no rosto. É tapa, soco, puxão de cabelo, carrinho na boca. Ah, não. Não aceito isso. Dou bronca mesmo, boto de castigo mesmo, e, às vezes, perco a estribeira e falo alto, fico braba e não consigo esconder essa irritação (tá, eu sei, eu deveria me manter tranquila, dona de minhas emoções, se quero dar o exemplo, mas tem hora que simplesmente não dá!).
Hoje, depois de um momento desses (eu levei um soco com um carrinho na boca e Gutão foi direto pro castigo), conversei com filhote, disse exatamente o motivo da bronca e pedi pra ele colaborar nessas "rotinas": escovar os dentes, trocar o pijama, colocar a fralda ou fazer xixi no piniquinho. Expliquei que tem hora que a mamãe não vai negociar: há certas coisas que precisam ser feitas e pronto. Mas que esses momentos sempre podem ser mais divertidos se ele colaborar comigo e, aos pouquinhos, for aprendendo a se virar sozinho. Sim, Gutão tem só dois anos e oito meses. Ainda precisa de supervisão, ainda precisa de educação, ainda precisa fazer aquilo que "pai e mãe" julgam que é o melhor pra ele.
Pra terminar a história, depois da conversa, Gutão passou a mão no meu "dodói", pediu "depuca" meio a contragosto, e seguiu dizendo: "Não quelo colocá a cueca". Ai, ai, ai.
posted by JULIANA DE MARI 9:08 PM
Vale a reflexão
Eu sou fã da Rosely Sayão, psicóloga e educadora, que mantém um blog no UOL. Para quem não a conhece ou para quem ainda não teve a chance de refletir sobre a verdadeira missão de ser pai e mãe, aí vai um artigo que me tocou profundamente. Difícil é, certamente, mas é tão importante a gente estar consciente do papel de guiar e preparar nossos filhos em direção à melhor vida futura que eles possam escolher, né? Um pedido: compartilhem comigo depois o que acharam do texto. Assim, o blog vai cumprindo a contento seu segundo papel (o primeiro é registrar o dia-a-dia do meu Gutão!): o de ser disseminador das "boas práticas e reflexões" da maternidade/paternidade!!
"Pais e filhos: ligação direta"
Por Rosely Sayão
É, parece que os pais querem mesmo permanecer bem perto dos filhos. Mesmo e quando estes vivem o tempo em que precisariam aprender a viver longe de seus pais. Claro que isso ocorre lentamente: esse é um aprendizado não linear, em que cada passo deve ser ensinado, incentivado e, o filho, para dar tais passos, precisa ser encorajado. Isso é educar e preparar para o futuro: os pais precisam dar um passo para longe dos filhos sempre que estes mostram condições de dar um passo sozinhos. Afinal, se há um relacionamento amoroso que só dá certo se termina em separação, esse é o relacionamento entre pais e filhos.
Nos tempos loucos em que vivemos é muito fácil perder a perspectiva de que educar é compromisso com o futuro e não com o presente. E, com esse esquecimento, temos investido tudo o que podemos e até feito sacrifícios para atender os filhos agora, mas ao agir assim temos comprometido o futuro deles.
O fato é que temos criado uma geração de jovens frágeis, dependente dos pais e de outros adultos, que têm dificuldades em assumir responsabilidades e encarar a maturidade. Já temos inúmeras constatações a esse respeito. Mas, parece que temos os olhos vendados para essas questões. O nosso querer mais intenso é mesmo ficar perto dos filhos.
Dar um celular ao filho e pedir que ele leve à escola para usar em caso de urgência de contato com a família é apenas um indício disso. Pais defendem que os filhos devem poder falar com eles, mesmo no horário escolar. Por quê? Um artigo em uma revista de psicologia dos Estados Unidos já afirmou, há mais de um ano, que o celular é hoje o cordão umbilical que une os filhos a seus pais.
Agora, temos outra moda importante que colabora ainda mais para que os filhos permaneçam profundamente ligados a seus pais: muitas faculdades têm convocado os pais dos alunos calouros para reunião, pode? ¿Pode e deve¿, afirmam os pais que, orgulhosos, comparecem em massa a essas reuniões. Ponto negativo para esses jovens que, assim, perdem mais uma chance de assumirem eles mesmos a responsabilidade com sua vida. Os jovens parecem gostar da novidade porque ela facilita muito a vida deles. Mas eles não sabem que, assim, perdem também a chance de caminhar em direção à liberdade.
Mas, hoje faz muito mais sucesso em nossa cultura atitudes como essa do que as que tentam engajar os jovens e as crianças na vida como ela é, não é verdade? Afinal, todo nosso foco de visão está muito mais voltado para o tempo presente do que para o futuro.
Os filhos nascem para a vida própria quando o cordão umbilical é cortado na hora do parto. Daí em diante, é tarefa dos pais reafirmarem esse corte. E não é que, pelo jeito, temos feito o possível e até tentado o impossível para reconstruir tal cordão?
Um colega disse que ele não gostaria de ser jovem nos tempos atuais porque eles têm pouca liberdade, entre outras coisas. Devo dizer que ele tem boas razões para chegar a essa conclusão. Agora até detetive particular é acionado pelos pais para obter informações dos filhos! Claro que as justificativas são as melhores possíveis: proteger o filho, por exemplo. Mas celular, reunião na faculdade, detetive particular, são estratégias usadas para proteção ou para controle dos filhos? Sou mais pela segunda hipótese.
posted by JULIANA DE MARI 6:24 PM
Aprendizado
Gutão, finalmente, está aprendendo a aceitar a hora de dormir. Desde que voltamos de Recife, tenho procurado baixar a "adrenalina" da casa por volta das 20h. E vai dando 21h, eu pergunto: "Que horas é hora de dormir, filho?" E Gutão diz: "Nove da noite, mãe". E desliga a TV, e pega a Pig, e aceita trocar o pijama, e toma o remedinho balinha (pra rinite), e põe sorine no nariz e fala, fala, fala, já deitado em sua caminha, ainda resistindo um tantinho a se entregar de vez a Morfeu. Dia desses, ritual finalizado, Gutão me olha e pergunta, em sua última tentativa de continuar acordado: "O que falta agora, mamãe?".
Eu acho tão linda essas perguntas. Adoro essa curiosidade, essa rapidez pra fazer interpretações, conexões. Esse jeitinho só dele de ir construindo sua visão de mundo -- e essa memória espantosa que filhote tem. Agora mesmo, Gutão tá perguntando assim: "Os carros sabem andar?". E eu digo: "Sim, filho". E ele devolve: "A Nina sabe andar?" Ao que eu respondo: "A Nina não sabe andar ainda, mas ela vai aprender". E Gutão diz, orgulhoso: "O Gutão e o Miguel já sabem".
E pergunta pra babá Lu: "Como é o nome da sua mãe? Como é o nome do seu pai? Como é o nome do seu namorado?" Ela responde tudo e diz que o nome do namorado é Junior. E Gutão faz a sinapse: "O namorado da piminha Maiara chama Junior?". Eu digo: "Não é o namorado, filho, é o papai dela que chama Junior". E fico de cara com essas lembranças que ele armazena e "consulta" assim, tão facilmente.
posted by JULIANA DE MARI 11:41 AM
Esperteza
Gutão segue nos surpreendendo, nos emocionando e nos fazendo rir.
Hoje, depois do almoço, saímos pra comprar um tênis novo pro figura (do número 23 passamos pro 25 -- um pouco grande ainda, mas é o jeito de não perder os sapatos tão rapidamente). Aproveitei e comprei um carrinho pequeno, daqueles de corrida, que ele tanto gosta. Filhote capotou no carro e só viu o dito cujo em casa, algumas horas depois. Qual não foi nossa surpresa na hora em que ele ganhou o carro e disse: "É o Felipe Massa". hahahahaahhahaa
Pela manhã, ele já havia nos brindado com uma ótima. O Rô estava se preparando pra levá-lo na pracinha. Eu preferi ficar em casa, dormindo mais um pouco. Daí, grito do quarto: "Rô, leva um suquinho pro Gutão". E Gutão reforça, em sua versão: "Rô, papai, leva um suquinho pra MIM". Demais, né?
Agora à noite, chuvarada e vento forte lá fora, nosso apê levemente gelado, e eu sugiro que Gutão coloque uma blusa mais quentinha. Ele aceita o moletom, mas, cinco minutos depois, pede pra tirar. "Mamãe, deixa eu tirar o casaco que eu tou tom calor". :-)
E tá uma educação só, esse menino. Pra tudo diz "Obrigada". E a gente ensina: "Meninos dizem obrigado, filho". E ele repete direitinho, todo cheio de si. E manda ver no por favor, dá licença, só um pouquinho. E tá numa fase super-hiper-mega sociável. Gutão sempre foi mais pro "dado" do que pro recatado, mas, depois da escola, essa característica está bem mais marcada. Bastou entrar no elevador pra ele perguntar: "Como é o seu nome?", "Pra onde você vai?", "Onde você trabalha?".
E fala umas muito divertidas. Se eu falo qualquer coisa e pergunto se ele sabe, ele responde: "Eu sabo". E diz que a porta tava "abrida". E é só eu sugerir alguma coisa, que ele devolve na negativa. "Vamos fazer silêncio pra não incomodar o vizinho?". "Não vamos fazer silêncio...", ele diz. "É legal respeitar os outros pra gente ser respeitado igual". "Não, não é legal respeitar os outros". Eu morro de rir, e sigo repetindo meu mantra a respeito dos valores nos quais acreditamos aqui em casa. E Gutão, na prática, vai construindo o modelo dele. E a gente vai tendo muitas provas de que, certos ou errados, estamos num caminho do bem.
E deixa eu me orgulhar: Gutão é unamidade entre os vizinhos! O povo é fã do moleque. Tem vizinha, vovozinha, que compra carrinhos pra ele. Tem outra que pára pra dar beijo sempre que o vê. Outra ainda que cruza com a gente no elevador e sempre, sempre diz: "Esse menino é um doce". Ele é mesmo. Meigo, querido, nosso companheiro de opinião forte e sorriso encantador.
PS: Segue o desfralde. Na escola, Gutão praticamente não tem feito na roupa. Tem usado o banheiro umas 3 vezes por dia. Pra fazer xixi, diga-se, igual o que temos conquistado em casa. Ele não pede, mas a gente leva e ele faz xixi bonitinho no pinico. E dá tchau pro dito, e dá descarga, e pede pra lavar a mãozinha. Agora, coco, bem, essa já é outra história. Só tem saído na cueca. E, esperto que é, Gutão agora pede pra colocar a fralda na hora em que, eu suponho, bate a vontade. E não há cristo que o convença a fazer diferente...Já conversei na escola e as professoras me disseram que é assim mesmo, que coco é mais "complicado". Tou na boa. Sei que o aprendizado se dará no tempo certo, sem imposições, sem cobranças, com muito apoio e muita compreensão. Hoje comprei redutor de privada, pra ver se facilita o fazer coco no banheiro. Gutão viu e disse que é igual a privadinha da escola, que bonitinho. Quis sentar, fez xixi e ficou todo prosa. Já jantou e eu tou aqui, perguntando a cada 10 minutos, se já deu vontade de fazer coco. Filhote me olha, desconfiado, e diz: "Ainda não, mamãe". Vejamos no que isso vai dar!
posted by JULIANA DE MARI 7:13 PM
Atualizando
Pois bem, voltamos. Férias rápidas, necessárias, deliciosas. Depois dos pitis dos primeiros dias em Recife, Gutão se comportou muito bem. Curtiu os avós, os amiguinhos, as primas. Comeu muitas frutas, correu bastante, andou de bate-bate no parquinho do shopping, experimentou ficar de pé no chão o tempo todo (o chão aqui de casa é geladérrimo, ele só vive de pantufas...). Na hora de voltar Sampa, até ensaiou um "não quero ir embola de Recife". Lindo.
Chegamos terça à noite e, na quarta pela manhã, filhote seguiu pra escola novamente. Tava com saudades, o danadinho. Entrou sem nem olhar pra trás. Fui levar e buscar semana passada, um acontecimento na rotina dele, né? Foi tão bom esse estreitamento de laços, viver o dia no ritmo do meu filhote, curtir com ele as coisas dele. Fora que teve novidade: Gutão começou a tirar as fraldas!! Já tava usando o pinico, mesmo em Recife, antes de dormir. Agora, tiramos a fralda, praticamente de vez, na escola e em casa. A dita entra em cena só à noite, porque ele ainda deixa escapar durante o dia e realmente eu prefiro ir por partes (embora alguns educadores defendam que, se tirar, tem que tirar de uma vez e pronto).
Na segunda, estava lá na agenda: sete xixis, sendo quatro na roupa (e haja roupa pra mandar pra escola!) e três no banheiro. Na terça, ontem, a boa: três idas ao banheiro, nenhuma escapada, viva! Em casa, o pinico também tem sido bastante usado. Mas, por enquanto, só tem rolado xixi. Coco que é bom, Gutão prefere fazer na cueca! Ontem à noite, tadinho, ficou meio envergonhado porque soltou um pum e acabou deixando escapar um cocozão junto...E haja psicologia pra explicar que isso acontece, que todo mundo faz coco, que não tem problema, que a gente resolve lavando a cueca e o bumbum e patati-patatá. Enfim, mais uma conquista do meu filhote, mais uma etapa de crescimento pra nós todos.
Acho que esqueci de comentar, mas estamos com babá nova em casa. É que a "Bá", a Márcia, que cuida do Gutão desde antes dele nascer!, tá grávida e vai ganhar a Luana agora em meados de outubro. Mês passado, importamos a Luciana da Paraíba, dica do zelador do prédio, uma graça de moça. Tem 19 anos e toda disposição (e paciência!) pra correr, brincar e ensinar meu filhote na nossa ausência. Falando nele, num primeiro momento, resistiu um pouco à chegada da Lu. Se ela ia trocar ou dar comida, ele bradava: "Quelo a Bá Mácia!". Passados quase dois meses, deu-se o encantamento. Cheguei em casa ontem à noite e estavam, Lu e Gutão, engatinhando e gritando na sala. Ele, um gatinho, ela, o cachorrão! :-)
E Gutão segue esperto e alegre em sua vidinha. O Rô viajou a trabalho essa semana. Gutão sentiu falta do beijinho de boa noite do papai. Ontem me perguntou: "O Papai tá viajando?". Eu falei que sim e expliquei que o papai também ia dormir, só que não era na nossa casa. E Gutão: "Ele vai dormir em outro lugar?". E eu explico que vai dormir num hotel e tal e coisa. E filhote fala com o Rô ao telefone, e conta um pouquinho do dia, e diz estar com saudades e termina com um "te amo, papai". Lindo.
A hora de dormir, ah, essa, graças aos deuses, parece estar entrando num novo patamar. Desde que voltamos de Recife, e lá inclusive, Gutão começou a dormir melhor e a ir pra cama sem tantos protestos. Estou tentando diminuir o ritmo da casa antes de anunciar que é chegada a hora de "desligar". Também estou tentando voltar pra casa um pouco mais cedo, pra ver se o pequeno fica satisfeito em curtir a mamãe só até às 21h!!!!! Tem funcionado. E a cada noite, Gutão pede um bichinho diferente pra curtir sua "cama confortável", palavras do próprio!
E a vida segue, e esse nosso amor só aumenta.
E eu estou me preparando para um recomeço, mas deixa quieto que isso é assunto para outro post!
posted by JULIANA DE MARI 6:04 PM
Piadista
Sexta-feira, hora de dormir. Papai, mamãe e filhote cumprindo o ritual de boa noite. Xixi no pinico, pijama novo do ursinho, abraço na Pig e Gutão já capotado no travesseiro. Mamãe, então, pede um beijo e baixa a bochecha pra receber um carinho. Ganha uma mordidinha. Fica braba e recrimina o menino, que muda de assunto e diz que não quer pedir "despuca". Mamãe insiste e diz que não é legal morder. E filhote segue mudando de assunto.
Até que, faceiro, tira a petita da boca e pergunta: "Papai, vaca morde?".
E o Rô responde: "A gente não morde, filho, mas a vaca, às vezes, morde, sim."
E Gutão, prontamente, já dando risada: "Muuuuuuuuuuuuu".
Hilário, esse nosso guri!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:55 PM
Férias -- alegria e desespero
Estamos em Recife, eu e Gutão, desde sábado. Encontramos a cidade colorida e com uma brisinha boa de "inverno" pra amenizar o solão que nos brinda a cada manhã. A chegada foi uma alegria. Uma comitiva nos esperava no aeroporto! Com direito até a amigo do Gutão, o Igor, da Rapha querida, uma surpresa das boas. A viagem foi ótima. Filhote se comportou super bem. Até me ajudou a trocar a fralda dele no banheiro minúsculo do avião. Detalhe: de pé, segurando a camiseta pra mamãe conseguir segurar a fralda!
Os dias têm sido de céu azul, praia cedinho, castelinho na areia e banho nas águas mornas de Boa Viagem. A maré tá seca, um espetáculo. Mar verdinho, arrecifes pontuando o horizonte. Delícia. Gutão, sempre protegido com protetor solar, já ficou levemente com a marca da sunga, embora continua branquelíssimo. Eu, que sempre uso, tenho caprichado ainda mais no protetor -- estou em guerra às manchas no rosto e acho que vou voltar pra casa coradinha, mas, definitivamente, não com um bronze de fazer inveja.
Filhote tem se esbaldado com a companhia da priminha Mayara, cinco meses e alguns centímetros mais velha. Os dois formam uma dupla do barulho. Correm, gritam, se abraçam, morrem de dar risada juntos. A Mayara, que chama Gutão de "Butão" ou "Robusto" em vez de Augusto, brinca que ele é o neném dela. Ele, todo feliz, deixa que ela embale, faça carinho, uma coisa. Hoje passamos o dia na granja, e Gutão conheceu as primas gêmeas, Juju e Lulu. Não deu lá muita bola pra elas, é verdade. São menores, nem dois anos ainda. Pra não dizer que não rolou interação, ele não tirava o olho delas quando deixava a motoca um minutinho estacionada!
O feriado foi de correr no mato, fazer carinho no cavalo, guerrinha de esguichar água com a Mayara, muita fruta, um pouquinho de sorvete de chocolate, e muita, muita alegria. Gutão voltou no carro exausto. E eu feliz da vida pensando que ia ser brindada com um "ir dormir" tranquilo. Hã-hã.
Ah, gente, não tenho mais paciência pra esse perrengue na hora de dormir. Gutão sempre deu algum trabalho. Ele é forte, não se deixa vencer pelo cansaço, e raras vezes aceita deitar na hora que deveria. Mesmo em casa já estávamos revendo nossa rotina pra tentar fazê-lo adormecer mais cedo e com mais tranquilidade. Agora, aqui, pelamordedeus. O embate tá me tirando a paciência, o humor, o sono...Gutão, mesmo mooooorrendo de sono, não quer dormir. E aí basta eu começar os preparativos, calmamente sugerindo um carinho, trocar a fralda ou coisa parecida, e ele começa a me bater. Hein? Bater? Nem pensar! Não gosto, não permito, não vou admitir. Dou advertência, falo baixo, mas chega uma hora em que é preciso dar um limite firme. Hoje cheguei ao cúmulo de segurar os braços dele. E ele, esperto que só, chorando, me pedindo pra soltar porque "tava doendo". Não tava -- lógico que eu não tava apertando. Aí, eu falei que era assim que doía quando ele me batia, que eu não gosto disso, que é falta de respeito com a mamãe e que na nossa família a gente não bate. E ele nem ligou. Ficou mais um tempão de castigo, chorando, até me pedir desculpas e admitir o que tinha feito de errado. Só que, a essa altura do campeonato, já tava vermelho, irritado, estressado, e eu, idem. A mainha entrou na jogada, levou ele pra rede e tá lá, acalentando o pequeno guerreiro. Eu fiquei totalmente adrenalizada, com raiva mesmo, e meio culpada por não conseguir manter a paciência nesse momento que eu já sei que está sendo difícil pra ele. Mas sou gente, não sou planta, fazer o que, né?
Vamos ver se essa noite ele dorme sem sobressaltos. Porque tem isso, vai dormir nervoso, acorda no meio da noite chorando, nem ele nem eu conseguimos descansar...E vamos ver se amanhã eu consigo respirar mil vezes em vez de dez antes de perder minha serenidade. Preciso urgentemente reverter esse "mau hábito", se é que posso classificar esse momento assim. Certamente deve haver algum componente familiar nessa história que não está liberando filhote pra sonos tranquilos como deveria ser...Em Sampa, já mapeamos o "problema": meu horário de voltar pra casa. A partir do retorno ao trabalho, vou me organizar pra voltar mais cedo e, assim, brincar o tempo que Gutão precisa a tempo de colocá-lo na cama pelas nove da noite. Atualmente, tem dias que ele só deita às dez, um absurdo, eu sei, mas tem sido o possível...
Ai, desculpem aí o desabafo, mas vocês sabem que a maternidade já nos rouba o sono, artigo precioso na minha vida, e roubar o sono de forma estressante, ai, como maltrata...Fora esse "detalhe", que eu sou otimista e acredito que a gente sempre pode fazer diferente e pode aprender um jeito novo de recomeçar, as férias estão sendo ótimas!!!!!!
Volto assim que der. Torçam aí por nossas noites felizes, please!!!
posted by JULIANA DE MARI 9:34 PM
Quem sou eu?
A Mic me convocou e eu aceito o desafio de contar cinco coisas que ajudem vocês a me conhecer melhor. Não é fácil fazer essa "triagem", mas vamos lá, vou registrar as primeiras que vierem à cabeça:
1) Eu choro muito. Choro vendo televisão, choro de pensar na vida, choro de alegria ao ver Gutão tão grandão, choro de felicidade quando penso em todas as coisas boas que já me aconteceram. Choro ao ver criancinha na rua, choro ao ler um texto bem escrito, choro ao lembrar da minha terra, da minha "casa". Nem sempre é choro de tristeza, não. É choro pra limpar a alma, sabe assim? Dia desses até minhas amigas do trabalho se surpreenderam com esse lado emotivo. Fomos visitar uma amiga na maternidade e, diante do berçário cheio de nenezinhos recém-chegados, eu desatei a chorar. Nem a mãe do moleque acreditou!!
2) Eu sou viciada em coca light . Ok, ok, eu sei que faz mal, que dá celulite, que "derrete" o estômago (hahahahaaa), mas eu gosto. E não vale a coca normal. Tem que ser light (pelo sabor, nem tanto pela nóia das calorias). Tomo praticamente todo dia, bem geladinha. Adoraria contar pra vocês que sou viciada em suco de frutas, mas não rola. De laranja, desde a gravidez, não desce, me dá ânsia de vômito, acreditem se quiser. De melancia, me dá enxaqueca. De limão, nem sempre é fácil encontrar. De uva, esse, sim, eu gosto muito e tomo todo dia um copão no café da manhã. Mas é industrializado, deve fazer meio mal igual...Enfim, mais dia menos dia, eu faço uma dieta de desintoxicação e, quem sabe, reduzo o consumo de coca só ao final de semana. Olha aí, pode entrar na lista de resoluções de Ano Novo pra 2007!
3) Eu a-do-ro revistas . Sou jornalista de profissão, mas minha paixão por revistas é coisa que vem praticamente do berço. Tenho fotos bem pequena, com coisa de dois aninhos, sentada no piniquinho, e uma revista em quadrinhos nas mãos!!! Aliás, tenho várias fotos sentada no piniquinho. Pô, mãe, que invasão de privacidade, hein? :-) Fato é que adoro ver as páginas, a composição das fotos, cores e artimanhas dos editores transformando uma pauta em "movimento". Compro tudo o que me chama atenção na banca. O móvel da nossa sala, na real, parece, ele, a própria banca. Das brasileiras, a Vida Simples é uma das que mais me agrada aos olhos (e ao intelecto também). E a Nova, que particularmente não me toca quanto ao conteúdo, tem uma direção de arte de tirar o chapéu. Você olha e reconhece a revista de bate-pronto. Já a Esquire, americana, é outra que me faz babar. É sofisticada no conteúdo e na forma. Do trabalho em revista o que mais gosto é isso: a possibilidade de pensar no conjunto, de ampliar as fronteiras da edição além-texto.
4) Eu tenho tara por sapatos . Não chega a ser uma coisa, assim, Imelda Marcos, mas meu armário está abarrotado. Sapatilhas e sandalinhas baixas, em sua maioria. Adoro. Acho gracioso e chique. Não gosto muito de salto alto. Dependendo da ocasião faz parte, mas não me sinto "eu" pisando nas "alturas". Se a combinação for terninho e salto alto, então, vixe. Eu fujo disso como o diabo foge da cruz. Bom mesmo são aqueles chinelos tipo Birkenstorken, macios, macios, dedinhos livres ao vento! E já que o assunto é esse mesmo, eu revelo mais uma na carona: adoro moda. Não sou das mais ousadas, não sou fashionista, mas gosto de colocar um ponto contemporâneo, digamos assim, no visu diário. Em geral, tendo a ousar mais nos acessórios do que no guarda-roupa em si. Daí, a tara pelos sapatos.
5) Eu acredito em astrologia Não sei "ler" nem calcular mapa astral, não se trata disso. Mas já fiz vários mapas, em momentos diferentes da vida e por meio de serviços diferentes (virtuais e presenciais), e sempre fiquei impressionada com o tanto que essa leitura do céu na hora do nosso nascimento pode revelar de tendências pra nossa vida. O último mapa que fiz foi via Personare. Desse aí, virei fã de carteirinha. Fiz meu mapa, o do Rô e do Gutão. Fiz também a revolução solar, que é a tendência para o ano a partir do aniversário. Gente, impressionante como indicou coisas que, de fato, estão se apresentando!!!! Estava escrito lá, por exemplo, que este seria um ano de reconhecimento profissional e de confirmação da minha vocação. De fato, estou trabalhando que nem uma camela, mas estou realizada como poucas vezes na vida. O bacana é que o astrólogo, o Alexey, não é fatalista. Sempre ressalta que o céu indica tendências. Se elas vão se concretizar ou não, daí já tem a ver com as escolhas que cada um vai fazer. E como eu acredito no poder das escolhas, acredito que crio a minha sorte, eu super tenho "escutado" esses conselhos.
posted by JULIANA DE MARI 12:08 PM
Estréia
Confesso que tava sem saber muito bem por onde começar a transição da fralda pro pinico. O dito já habita o banheiro há uns bons meses, mas o incentivo para que seja usado não tem sido constante. Sei lá, eu tendo a achar que é melhor respeitar o tempo da criança, deixando-a dar sinais de que está pronta a assumir os novos aprendizados, do que ficarmos, nós pais, formatando um tempo e um aprendizado pelo qual ela não demonstrou o menor interesse. Enfim.
Hoje pela manhã, eu e filhote em casa, enquanto o papai foi surfar com um amigo, e na hora de trocar a fralda, ele pede pra ficar sem. Ok, no worries. Ficou. Deitado na cama dele, cantando "Capelinha de melão, é de São João...", minutos a fio. E não quis saber de colocar fralda sob hipótese alguma. Brincamos um monte, demos muitas risadas, e eu perguntei várias vezes se ele queria fazer xixi ou colocar a dita. Não, não e não. Passamos um bom tempo vendo a rua da janela do quarto. E filhote me perguntou, lindamente: "Mamãe, a gente voa?". Eu achei tão bonita a questão que não quis reduzir a um "sim, filho, a gente voa de avião". Falei pra ele que "sim, filho, nos sonhos, a gente pode voar. É só fechar os olhos pra ver". Ele ficou pensativo e depois perguntou se a borboleta morde, se a mariposa é braba e se o passarinho canta. Gostei, filho. Todos têm asas, todos sabem voar. Olhando a rua na janela, eu disse pra ele que ele é meu amigão. E ele disse que "gosta muito disso".
Voltando ao assunto do post, Gutão só deixou trocar a fralda na hora que bateu o sono da manhã. Logo depois, eu percebi que, em algum momento, ele tinha feito xixi no chão do quarto da TV. Tudo bem. Filhote dormiu gostoso no futon do quarto da TV e acordou falante e feliz, com a visita da Alê, que veio almoçar com a gente. Comeu relativamente bem, ganhou sorvete de sobremesa, recebeu o papai e o amigo Pirica cheio de sorrisos. Mas passou o dia chamegando comigo. Todo dengoso, agora, além de imitar um gatinho e vir pro meu colo ganhar carinho, deu de imitar um cachorrinho. O nome? Segundo ele, é a Luci!!! Sabe lá de onde tirou isso. E sabe que a Luci tem até voz própria? Igual eu mudo pra fazer a da Pig, Gutão faz a da Luci.
À tarde, Gutão foi levar o amigo do papai no aeroporto e quando voltou pra casa encontrou os amigos seus próprios amigos em casa, Miguel e Nina. Esses três ainda vão dar muito o que falar! Gutão adora fazer carinho na Nina. Até pega a fofucha no colo, e fica todo cuidadoso arrumando as mãozinhas dela, uma graça. Agora também, tudo o que um menino faz, o outro imita. Sentaram, Miguel e Gutão, na mesa da sala, cada um com seu pote de pipoca, e, a cada posição que um escolhia, o outro copiava. A Nina, querida, já começou a dar gargalhadas. É só eu puxar papo que ela se abre num sorriso banguela lindo, lindo. Que alegria!
A noite chegou com filhote zonzo de sono. Até olheiras tinha, tadinho. Nem aguentou ver o filme novo, que escolheu na Fnac: "A era do Gelo". Deu algumas risadas e foi ficando molinho, molinho. E lá vamos nós, pro quarto dele, trocar a fralda. Tirei, limpei o bumbum, passei pomadinha e ele não quis saber de colocar outra de volta. Disse que queria ficar sem. E pediu pra ir no banheiro fazer xixi. A gente foi, ele sentou no pinico uma, duas, três vezes. Sentava, mexia no pinto, fingia que tinha feito xixi, fechava a tampa do pinico, fingia dar descarga e começava tudo de novo. Até que, acho que na quarta simulação, o xixi veio de verdade!
ÊBA, filhote fez, espontaneamente, seu primeiro xixi no piniquinho!!! Que orgulho!!!!!!!! Depois do xixi, ainda pegou papel e limpou o bumbum e o pinto, figuraça. E seguiu pra cama dele, deixou colocar a fralda pra dormir, como se nada demais tivesse acontecido. E eu volto a pensar que é melhor assim, oferecendo as novidades no tempo dele. Daqui por diante, vamos começar a tirar a fralda gradativamente. Já disse que sempre que ele quiser fazer xixi no pinico é só avisar pra mamãe, pro papai ou pra bá que estiver por perto (sim, temos duas agora, coisa pra outro post).
Ah, meu filho, é isso: meu nenê tá crescendo, virando o meu menino grande. Que dia lindo a gente teve hoje. Dorme bem, voa bastante no teu sonho. Te amo.
posted by JULIANA DE MARI 9:51 PM
Fortes emoções
Gutão ontem foi na otorrino com o Rô. Graças aos santos, o ouvido melhorou e, de maneira geral, ele tem progredido no tratamento. Depois da médica, pausa pra brincar com o Miguel e pegar a Nina no colo, lá na casa dos dindos. Cheguei do trabalho e os moçoilos ainda estavam na rua. Deduzi que, quando chegasse, Gutão ia estar bem cansadinho, pronto pra tomar o leite e capotar. Hã-hã.
Gutão chegou todo feliz. Contou que pegou a Nina no colo, perguntou se ela tem "língua", e foi-se, falante e feliz, brincar com os carrinhos no quarto da televisão. A essa altura, eu tava morta, esgotada. Passei o dia morrendo de sono, cansadíssima, e realmente tudo o que queria era um beijo, um abraço e minha cama. Mas filhote resistiu e não quis saber de botar o pijama nem de se encaminhar pro seu quarto. Por volta das 22h, dei o ultimato: hora de trocar de roupa, tomar o leitinho, colocar o remedinho no nariz e dormir. Pra sorte minha, antes disso, Gutão tinha, voluntariamente, feito inalação. Fica encantado com a "fumacinha". Coloca no nariz, sozinho, liga e desliga, conta até dez antes de tirar a máscara, um figura.
Pois bem, no momento em que decretamos o fim do dia, Gutão surtou. Queria porque queria lavar a petita na pia do banheiro. O Rô explicou que não ia rolar. Que o papai tava com dor nas costas de carregá-lo no colo e que a água da torneira tava muito gelada. Pensa que ele engoliu a explicação? Berrou e berrou e berrou, e chorou lágrimas de crocodilo. E veio pra cama contrariado. E ficou de pé na dita cuja. E eu, calmamente, tentando colocar o pijama e trocar a fralda do meu pequeno guerreiro. Aí, ele cismou que queria ficar sem fralda. E eu explicando que não dava, que tava frio, que ele ia fazer xixi na cama, ia ficar molhado, não ia conseguir dormir direito. E ele chorando, chorando, gritando, se esgoelando, pra falar a verdade. E eu tentando manter a paciência e repetindo não, não vai dar, não vou deixar. Até que ele, possesso, vermelho, cheio de lágrimas, me olha e diz: "Qué matá a mamãe".
Putz, oscilei entre chorar e rir, juro a tu. Forte, né? Mas relativizei e perguntei se ele tava brabo. Disse que "matar a mamãe" não é uma coisa legal de dizer, que a mamãe fica triste, mas que ele tem outras coisas pra nos dizer sempre que se sentir chateado. Aí, ele disse, já quase caindo de sono, tadinho: "Tô irritado". E deixou que eu trocasse o pijama, a fralda, arrumasse a cama e o colocasse, abraçadinho, ao lado da Pig. E dormiu. A noite toda sem chamar.
E eu fui pra cama pensando no tanto de coisas que esses pequenos têm que processar, em como deve ser intensa a vidinha emocional deles, e em como é fundamental a gente estimulá-los a botar pra fora o que estão sentindo de bom -- e de ruim também. Tenho confiança no nosso amor e sei que Gutão "só queria me matar" momentaneamente, assim como tenho certeza que, em muitos outros momentos, ele vai querer que essa mãe aqui se exploda! Foi assim comigo e com a minha mãe muitas vezes e é assim que caminha a humanidade. Tomara Deus que a gente consiga saber se ouvir e se respeitar quando a raiva for mais forte que a vontade de dar ou ganhar um abraço.
Hoje filhote acordou falante e feliz, enchendo a casa de alegria. Pediu iogurte e requisitou minha presença a seu lado. Depois, olhou pra mim e perguntou: "Você me ajuda, mãe?" (a raspar o potinho de iogurte!). Sempre que precisar, meu filho. E com o maior prazer.
posted by JULIANA DE MARI 11:43 AM
A peleja nossa de cada noite
Noite de terça-feira, por volta das 21h30. Mamãe sentada na cama, tentando botar filhote pra dormir:
"Que balulho é esse?"
"A vizinha chegou?"
"Tô tô medo da vizinha"
"Qué leitinho"
"Mamãe, cê qué um pouquinho?"
"Não qué bota o pijama"
"Por baixo, mãe"
"Qué o coelhinho rosa"
"Ele come cenoula?"
"Qué botá o coelhinho pra domi no travesselo"
"Qué domi na cama da mamãe"
"Cadê o Rô?"
"Faz calinho na perna, mãe"
"Mosquito modeu o pé, faz calinho mãe"
"Qué pegá o palhacio"
"Tem medo dele"
"Qué escová o dente"
"Bota mais pasta, mãe"
"Vô escová beeem devagalinho"
"Devagalinho, mãe!"
"Qué domi na cama da mamãe"
"Essa cama não é confotável"
"Domi aí, mãe"
"Cada um não tem a sua cama"
"Deita aí, mãe"
"Que balulho é esse?"
"O elevador faz balulho?"
"Acende a luz, mãe"
"Qué a Pig"
"Cadê o Papai?"
"Domi aí com o eu, mãe"
"Não qué domi!"
"Qué a histolia da Ana"
"Ela uma vez..."
"A Ana tem pé, mãe?"
"Qué vê o livro da Ana"
"Deita aí, mãe"
"O mosquito modeu o pé, tira a meia, mãe"
"Faz calinho na pena, mãe"
"Qué a Pig"
"Papai já chegou?"
"Canta a música do Batman, mãe"
(HEIN??????)
Noite de terça-feira, 22h40. Enfim, Gutão dorme.
posted by JULIANA DE MARI 10:42 PM
Esperteza
Gutão é um figuraça. Foi dormir todo feliz agora há pouco, depois de um dia animadíssimo. Dia dos Pais teve direito à pracinha com o Rô pela manhã, almoço num lugar bem gostoso a três, visita ao Pedroca, do Julio e da Patty, muita brincadeira em casa, banho de chuveiro -- sozinho!, muita risada e muitos beijinhos. Filhote curte tanto a nossa companhia. Dá gosto brincar com ele. Ele corre, grita, fantasia, cria histórias e personagens, um barato. Teve uma hoje que foi muito engraçada. Gutão pegou um carrinho e disse que o papai da Pig ia trabalhar. Eu perguntei onde. E ele respondeu fazendo referência ao lugar onde o Rô trabalha. E a mamãe da Pig, eu quis saber. Ele respondeu que ela também ia trabalhar -- adivinhem onde? Onde eu trabalho, claro.
Engraçado ver como essas coisas ficam na cabecinha dos pequenos. O que a gente faz, o que a gente fala. Tudo isso vai criando referências sobre a família, o mundo, a dinâmica da vida. À tardinha também, Gutão saiu correndo pra janela. Subiu no Futon do quarto da TV sozinho. Pra quê? Pra dar tchau pro sol, coisa linda (moramos no último andar, em um terreno que não tem prédios na frente, e sempre curtimos esse privilégio em São Paulo: ver o pôr-do-sol da janela de casa). Um pouquinho depois, um vizinho resolveu soltar fogos. Já tava escuro, eram luzes lindas e eu chamei Gutão pra ver comigo. Filhote não só não se assustou com o barulho, como ficou pedindo mais. Aí, eu expliquei que o vizinho já tinha terminado e que não tinha outro "foguete". Ele me olhou, muito sério, e disse: "ah, acabou a pilha". :-)
Antes de dormir, levei Gutão pra lavar os pés no chuveirinho. Ele pediu pra tirar a roupa. Me perguntou se eu tinha pinto. Eu disse que só meninos têm pinto. Ele pediu pra tomar banho. Entrou sozinho no box, ficou em cima do tapete, segurou o chuveirinho e tomou. Molhou o pescoço, a barriga, as costas, bem bonitinho. Só não se ensaboou sozinho, ainda não aprendeu essa parte! Depois do banho, veio pro meu colo, e ficou imitando o choro do Pedroca. Olhou pra mim e perguntou: "O Pedro fala?". Eu disse que não, que ele choraminga porque ainda não sabe falar. Gutão respondeu: "Eu sabe".
posted by JULIANA DE MARI 9:54 PM
Vivendo e aprendendo a viver
Não tem outro jeito a não ser esse aí de cima, né? A gente aprende a viver, vivendo. A gente aprende a ser pai e mãe, sendo. Gutão tá naquela fase que os americanos apelidam de "terrible twos". A fase do não quero, do não vou, do gritar até doer nossos ouvidos, do jogar todos os brinquedos no chão quando é contrariado ou quando fica irritado, e por aí vai. Totalmente típico de quem está se descobrindo um ser autônomo. Pra lidar com isso, muita paciência, muito jogo de cintura, muito foco no que realmente queremos que ele aprenda nessa vida. Tem horas que a gente perde a estribeira, claro. Quando junta birra de um lado e cansaço do outro, pronto, explode, mas eu tou fazendo um esforço grandissíssimo pra manter o foco, pra respirar dez vezes, pra "mudar de assunto" e oferecer outra possibilidade ao meu filhote.
Li num artigo da revista Vida Simples outro dia, uma frase muito bacana do Jean Piaget: "Valores são investimentos afetivos". Achei uma definição preciosa. Fiquei com isso na cabeça e, agora, toda vez que tou prestes a perder a paciência com Gutão, ela volta. Eu quero ensinar ao meu filho que vale a pena ouvir, que vale a pena respeitar, que vale a pena conversar, que vale a pena aceitar a diferença. Se é assim, preciso me portar de acordo, certo? Com os outros e com ele, principalmente. Preciso estar aberta a respeitar o tempo dele, o jeito dele, a opinião dele. Estar atenta para incentivar o que ele faz de melhor, em vez de ficar com a lente voltada apenas para aquilo que ainda não conseguiu fazer -- como eu gostaria que fizesse.
Em vez de querer controlar o que meu pequeno faz, como faz, por quê faz, eu preciso é estar focada em ajudar meu filho a se controlar. A aprender a lidar com suas emoções, a deixá-las vir à tona, a manejar a frustração e a curtir a realização. Difícil missão, certamente. Mas é tão grandiosa, tão gratificante, tão bonita. E sou eu quem mais aprendo nessa trajetória. E que páro e penso, e reflito, e volto atrás, e quero mudar, e quero ser melhor, e quero investir em ser uma pessoa mais honesta e mais justa na vida. Não é fácil, não. Mas eu me animo em tentar.
Segunda passada, nasceu o Téo, filho da Anne e do Marcelo. Na terça, fui visitar. A mãe passa bem, o pai tá todo bobo, o guri é fofo, todo cabeludo. Eu fiquei ali, vendo aquele toco de gente pelo vidro do berçário, lembrando de como Gutão nasceu, da emoção que eu senti, da importância que a chegada dele teve --e tem-- na minha vida, enfim. E chorei. Chorei mesmo. De felicidade, de agradecimento a Deus por ter uma família, de ver aqueles serzinhos tão prontinhos e, ao mesmo tempo, tão dependentes do amor da gente. Ter um filho é uma benção. Que compensa toda e qualquer mudança, que compensa todas as horas em claro, que vale todo e qualquer esforço.
Gutão, definitivamente, não tem uma mãe superficial. Sou complexa, reflexiva. Intensa. Sensível e emotiva, muito. Sofro as dores do mundo. Sinto as dores dos outros. Meu campo "psíquico", digamos assim, capta o que muita gente nem imagina...E dá-lhe pensar, e repensar, e processar, e mastigar essas energias, pra conseguir me manter no meu eixo. Impressionante que eu sinto que Gutão sente um tantão também. Talvez por ser criança e ter todas as anteninhas ligadas. Fato é que, se a casa está nervosa, se papai e mamãe estão agitados, se algo está mal resolvido, Gutão reage. Com o corpo. Com raiva, com choro, com explosões. Bacana é que deixa vir. Bacana é a gente, eu e o Rô, estar ciente de que, muitas vezes, a irritação é um sinal. De que ele precisa de mais atenção, de mais presença, de mais abraço.
A gente tem tentado. E tem feito correções de rota toda vez que empaca em um "sintoma" que foge à fase que Gutão deve viver para justificar seu crescimento. Aos dois anos, por exemplo, é normal ter chilique, querer impor sua vontade, brigar contra os limites. Saudável que seja assim mesmo. Acho que lá em casa tá dando um samba bom. Sem juízo de valor, vai. Certo ou errado, existe isso no caminho de um pai e de uma mãe? Sei não. Acho que existe uma escolha, um convicção, uma vontade. De fazer o melhor pelo filho, sempre. Se o filho vai entender, vai reconhecer, vai isso ou aquilo, aí já são outros quinhentos. Mas encarar essa missão esperando aplausos de volta é tãooo mesquinho.
Eu vou ficar bem feliz se, daqui a alguns anos, vir meu filho crescendo sorrindo, saudável, pelo caminho do bem, e sabendo ouvir, a ele próprio e aos outros. Isso feito, o resto, que a gente plantou juntos desde pequenininho, há de germinar naturalmente.
(Tou no trabalho ainda. Coração apertadinho. Exceção à regra, hoje não vai dar pra colocar Gutão pra dormir. Fico triste, mas eu sei que ele sabe que, quando eu chegar, vou lá correndo dar um beijo de boa noite, bons sonhos).
posted by JULIANA DE MARI 9:20 PM
Causos
Ontem, depois da soneca da tarde, da qual filhote sempre acorda mal humorado, veio o queixume. Gutão chorou e chorou e chorou. E disse que tava com dor de garganta. E eu e o Rô nem hesitamos: demos um banho quentinho no guri, leitinho pra encher a pança e fomos pro Sabará, investigar as "dores". Gutão ainda tá fazendo tratamento pra conter a rinite e cuidar das sequelas das otites e, qualquer sinal de congestão e tal e coisa, já nos preocupa. Dessa vez, no entanto, graças a Deus, é só um resfriado mais forte. Eu e ele estamos assim, garganta coçando, tosse seca, nariz escorrendo, um saco. Ele olha pra mim e diz: "tou resfriado". E eu digo de volta: "eu também, filho". Aí, ele devolve: "eu também, mãe".
Conversar com Gutão é uma das coisas que mais me dá prazer na vida. Ele tem um jeitinho meigo de se expressar, tem entonações que acompanham cada expressão. Fala com as mãos, como eu. E conta os detalhes dos acontecidos, sabe? Solta umas frases mui engraçadas. E já coloca suas vontades com muita propriedade. Filhote ontem escolheu a camiseta que queria usar -- "a do JimHendrix". Eu peguei a marrom, de mangas compridas, afinal ainda parecia que o inverno ia vingar. Gutão retrucou: "Quero a outra, a azul". Escolha posta, eu improvisei outra por baixo e a do JimHendrix, como ele diz, por cima. Na hora de escolher o restaurante, já estávamos na porta de um italiano simpático perto de casa, quando ele, desconsolado, disse que queria almoçar "naqueeele" da Vila Madalena. Aliás, adoooora passear na Vila esse guri! E lá fomos nós, pro cantinho de sempre, onde as meninas conhecem Gutão desde a barriga, onde ele passeia de colo em colo, onde ganha beijos e o direito de fazer a bagunça que quiser no jardim. É um dos poucos lugares que eu e o Rô conseguimos ir a três e ter algum momento pra conversar só nós dois! Mas filhote tava com sono e, pra variar, não comeu quase nada do almoço (com a babá, come que é uma beleza...). Passou o almoço enchendo a caçamba dos carrinhos de pedrinhas. A certa altura, veio sentar ao meu lado no banco de madeira e disse: "Tô caindo de sono". Achei o máximo!
Gutão ontem se saiu com uma hilária. Estávamos brincando e eu perguntei como era o nome do papai de um bonequinho. Ele disse que era "papai Rodrigo". E o da mamãe dele, Gutão? E ele: "mamãe Rodriga". :) E no hospital, especializado em crianças, na área da brincadeira, uma enorme pista para os carrinhos. Gutão chega da consulta e os dois carros já estão ocupados. Aí, ele olha pra gente e diz, emburrado: "Qué ficá irritado". E eu explico que quando ele tá andando no carrinho, os amiguinhos esperam. Então, quando os amigos estão andando, ele precisa esperar também. Ele não gosta muito, não, mas fica ali, balançando as perninhas, esperando sua vez. Ah, filhote aprendeu a contar até 10!!!! Conta direitinho do 1 ao 10 e, quando chega lá, recomeça, todo orgulhoso. Só que do 5! haahahaaaaahaha
posted by JULIANA DE MARI 9:13 AM
Fantasias
Gutão anda numa fase linda. Brinca sozinho, cria suas histórias, imagina um monte de coisas. Transforma qualquer potinho em "comidinha" e oferece pra gente. Também faz "café quentinho", cheira e diz "que delícia". "Constrói" castelos e pontes e exclama: "ficou maravilhoso". Usa as almofadas pra brincar de garagem, abre e fecha, e encaixa os carrinhos de "ré", um do lado do outro, bem direitinho (ascendente em virgem se manifestando, será?!). E diz que o "Guru", aquele amigo do Pooh (que eu ganhei numa promoção do McDonalds antes dele nascer!), tá dentro de um dos carrinhos. E que o Tigrão tá dirigindo o outro. Ai de mim se invento de dizer que os bichinhos não cabem ali, não. Gutão fica brabo, insiste: "Tá aqui dentro, mamãe, bem pequenininho". E o sofá virou pista de corrida -- ou marginal em dia de engarrafamento! É só eu e o Rô sentarmos na hora em que ele está fazendo seu percurso e pronto, filhote pede pra gente sair do sofá: "sai da rua, mamãe". Eu e o Rô ficamos desalojados, assistindo TV no chão gelado, mas felizes, felizes.
Adora aventura, esse meu filhote. Skate, surf e tudo o que parecer beeeeem radical (tipo se jogar de cabeça do sofá pro colo da gente, por exemplo!) está entre suas preferências. Em casa, a fantasia da vez é a de motoqueiro. Gutão sobe em sua "motoca" (o velocípede azul!), põe o capacete (um que o Rô usa pra surfar) e acelera. Daí, desce da motoca, tira o capacete, pendura na "direção" e fica todo orgulhoso. E põe o dito de volta, e sobe na motoca, e olha pra mim e diz: "volto logo, mamãe". E eu me derreto toda, meu filho!!!
posted by JULIANA DE MARI 4:59 PM
E la nave vá
A vida vai indo bem, obrigada. Tanta coisa que eu queria deixar registrada aqui, mas cadê tempo? Tou atolada de trabalho. Essa época do ano é a mais intensa: tem dias que sequer consigo entrar na Internet, acredita? A minha "cenourinha" é que, além de estar me sentindo realizada com o resultado do "esforço concentrado", daqui a pouco, em setembro, vou tirar duas semaninhas de férias. Uma delas vou passar em Recife, visitando meus pais, a Lu e o barrigão da Bruna, êêêê! A outra vou ficar em Sampa mesmo, fazendo nada, curtindo meu Gutão, o Rô, nossa casa. Ai, que é bom ter um cantinho, uma família.
Bom, mas vamos aos últimos acontecimentos:
- Final de semana que passou fomos comemorar o aniver de 30 anos do Rô em Porto Alegre. Fez um dia lindo no sábado, céu azul, calor de verão em pleno inverno. O churrasco foi num clube bacana, na zona sul da cidade. Gutão adorou estar ao ar livre. Correu, correu e correu. Conheceu um monte de gente -- amigos, parentes, agregados. Interagiu um tantico com as priminhas Isadora e Maria Antonia, duas fofas, mui espertas. Monopolizou o "skate" da Dudinha, filha da dinda do Rô, e não quis saber de emprestar nem pra própria dona! Tá um moleque, esse menino. Curtiu um monte a companhia da vovó Lilica, do vô Zeca e do tio Bru. Já acordava perguntando pelos avós. Adorou brincar na varanda (como eu sinto falta de uma aqui em Sampa...), regar as plantinhas e "lavar" o vidro da porta. O divertido é que Gutão agora pede pra gente ensinar determinadas coisas. Foi assim com o borrifador de água. Queria usar o dito, mas não conseguia entender onde devia apertar. Daí, olhou pra mim e disse: "Ensina pro eu, mamãe". Resumindo, a viagem foi rápida, mas foi uma alegria. O mais importante, o Rô curtiu à beça a chegada dos 30. E, se ele fica feliz, nós também ficamos.
- Dois anos e tantas mudanças Não sei se outras mães têm a mesma sensação que eu, mas parece que, do segundo aniversário em diante, o desenvolvimento desses pitocos dá uma acelerada de assustar. É, sério. Eu tenho levado cada susto com Gutão! Ele tá muito esperto, muito falante, muito farrista. Entende tudo, reinvindica seus "direitos", faz birra e faz charme, e faz piadas também. E usa as palavras, e faz conexões, com tanta propriedade que me diverte e me comove. Estávamos no aeroporto de POA, prestes a embarcar, ele olha pra parede e vê um painel de mosaicos. E me pergunta:"Que bicho estranho é aquele, mamãe?". Era um avestruz!
E agora, quando quer me dizer alguma coisa, chega pertinho, pega meu rosto, e delicadamente vira pra ele, dizendo: "Olha pro Eu, mamãe". E sinaliza quando não gosta de alguma coisa também. Ontem, no quarto da TV, ele brincando com os carrinhos, eu vendo a novela, não muito entretida na brincadeira dele, e eu peço um carinho. Aí, ele olha pra mim e diz: "Não quero amar a mamãe". E sai engatinhando, como se fosse um gatinho (essa é uma brincadeira nossa: ele imita um gatinho, vem tomar "leite" na minha mão e deita no colo pra ganhar carinho), e vai contar pro Rô que "não queria amar a mamãe". E manda o Rô voltar no quarto e me "perguntar". "Pergunta pra mamãe, papai". O Rô pergunta, eu respondo, tristonha, e Gutão ri, faceiro, da minha cara!!!! Eu posso!!!!!!
Gutão continua feliz com a escola, o que nos deixa seguros de ter feito uma boa escolha. Tem dias que acorda tão animado que vai, ele mesmo, tentar abrir a porta de casa pra "chamar" o elevador. Dá um certo trabalho na hora de colocar o uniforme, é verdade. Tem dias que super colabora. Tem outros que cisma e aí é preciso muita paciência e alguma negociação. A última boa aconteceu no início da semana. Filhote tinha dormido com uma camiseta do Bob Marley. Tava "por baixo" do pijama, como ele pede. E, claro, ele quis deixar por baixo da camiseta da escola. Só que tava um calorão de quase 30 graus e eu fiquei com receio dele passar mal, né? Tentei argumentar, mas não teve jeito. Gutão insistiu no Bob e ainda lembrou do Hendrix, sim o Jimmie, que também alegra uma de suas camisetas. Só que a do Hendrix era uma opção pior: mangas compridas! Aí, lá se foi ele, Bob Marley por baixo do uniforme, um pequeno "transgressor", hahaahaaaaa.
- Fazendo planos Gutão cresce, enche a casa de alegria, já não cabe mais no nosso colo, e a vontade de dar um(a) irmãozinho(a) pra ele (e voltar a ter cheirinho de nenê em casa) vai aumentando! Até o final do ano, se Deus quiser, darei a boa nova por aqui. Acho que vamos estar, os três, em um bom momento, de união, de curtição e de alguma serenidade -- que sem ela, vamos combinar, a vida com um pequeno "rei" em casa pode ficar bastante tumultuada!!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:03 AM
Deu praia
Faz pouco que chegamos da praia. Fomos curtir um solzinho bom de inverno no Guarujá. Foi um domingo perfeito. Gutão acordou, brincou com o papai e deixou a mamãe dormir mais um pouquinho (amém!). Família saiu de casa perto do meio-dia, carro abarrotado de sacolas (e se der fome no caminho? e se esfriar? e se esquentar?). A idéia era almoçar já na beira-mar. Só que o trânsito, sim, havia trânsito na Marginal e na saída da Imigrantes em pleno domingo!, não deixou. A barriga roncou antes e acabamos almoçando na beira da estrada mesmo. Frango assado com polenta, delícia. Gutão comeu tudo, brincou muito, virou atração do restaurante. Depois, já no carro, não conseguiu ficar acordado pra ver os túneis da descida. Dormiu até chegar no Guarujá.
"Um dia lindo", como ele mesmo disse, de céu azul e sol gostoso. Enquanto o papai foi surfar, eu e filhote ficamos na areia fazendo estradas pros caminhõezinhos dele. Tava um ventinho frio, é verdade, e se o sol se escondia, até a areia ficava gelada. Gutão aceitou minhas explicações e, dessa vez, não quis se jogar e virar bife à milanesa na beira do mar, graças. Em compensação, tadinho, fez coco. E não quis me deixar trocar. Aceitei a negativa porque o Rô não ia demorar a sair do mar mesmo e eu imaginei que era o tempo suficiente de manter o coco na fralda sem assar o bumbum dele. Trocar no carro, com ajuda, me parecia uma alternativa bem mais razoável. Só que o dito, meio líquido, a certa altura, começou a escorrer pelas pernas do Gutão, sabe assim? Ainda bem que já era hora de ir embora e o Rô estava com a gente. Trocamos filhote na primeira grama que avistamos no calçadão. Cena linda, fralda cheia, bumbum fedido, pai e mãe sem saber onde jogar os "dejetos"! Ainda bem que tinha chuveiro num quiosque próximo e deu pra lavar o bumbum do figura. E trocar a roupa toda, e colocar moletom e calça comprida, porque, sem sol, veio um friozinho daqueles.
A volta pra Sampa foi de trânsito outra vez. Esquecemos que é férias de julho e todo paulista "desce" pra curtir a baixada. Mas tudo bem, não chegamos a ficar parados, isso é o que importa. Gutão veio conversando do Guarujá até aqui. Comeu biscoito, tomou suco e pediu pra ir na "padaria". "Vamo na padaria, mãe?". Agora é assim, fala qualquer coisa e enfia um pai ou mãe no final, uma graça! Nós atendemos o pedido e jantamos na padaria de sempre. Eu devorei um cheeseburguer, totalmente contra qualquer princípio saudável, eu sei. Gutão comeu carninha e tomou suco de laranja. E ganhou beijinhos e abraços da garçonete. Tá virando o galã das garçonetes, vou te contar. Chegamos em casa, filhote tomou banho ("não quelo lavar a cabeça", protestou!), botou pijama, fez uma certa farra na cama, tomou leitinho, abraçou a Pig e tá lá, ressonando, feliz. Eu também vou tomar meu banho agora. Boa semana pra gente!!
PS: Nasceu o Pedro, filho do Julio e da Patty, mais um moleque pra turma do Gutão! Viva Pedroca!!!
posted by JULIANA DE MARI 9:43 PM
Vou te contar uma coisa
Aos dois anos e quase 4 meses, Gutão anda mais falante que nunca. Elabora frases, dá opiniões, faz conexões -- e piadinhas -- impressionantes.
Hoje, sábado, o Rô foi cortar o cabelo logo cedo e levou filhote. Eu fiquei descansando em casa (este mês, tenho trabalhado demais e o cansaço físico está se sobrepondo a qualquer desejo de fazer qualquer coisa) e eles foram brincar na pracinha. Lá pelas 11h da manhã, chegam meus dois furacões. Fui abrir a porta e Gutão já estava berrando do lado de fora "Abre a porta, mamãe, abre". Chegou todo feliz, contando que tinha guardado areia no bolso, e foi direto pegar o violão pra fazer um "show" pra mim. No final do espetáculo, pediu "bate palma, mamãe". Bati, orgulhosa, claro. Aí, filhote, displicentemente deitado no sofá, olhou pra mim e disse: "Deixa eu te contar uma coisa, mamãe...". E contou que tinha brincando com a Aninha na pracinha e que ela tinha consertado o pneu do caminhão dele e blá e blá e blá. O máximo, meu tagarela. Outra boa é que filhote não nega mesmo sua origem. Pudera, nasceu no coração de São Paulo, na avenida Paulista! Foi assim: deitado no chão, dia desses, falou pro Rô: "Então, papai...". Começar a frase com "então" é muito paulista, meu! Hahhaahhahaa
Hoje foi dia de tomar a segunda dose da Hepatite A, atrasada em três meses. Levamos filhote no Fleury, que tem uma unidade infantil cheia de brinquedos legais pra entreter os pequenos antes dos exames. Gutão ficou encantado com os carrinhos, claro. Entrou em um azul, igual aos que tem na escola, e não queria sair por nada no mundo. Dizia assim pra gente: "Tchau, mamãe, vou trabalhar agora". Pode? Aí, voltava pra perto da gente e dizia que já tinha trabalhado bastante. A hora da vacina foi meio estressante. Mais porque ele não queria ter largado os brinquedos do que pela picada em si. Eu avisei antes que ia doer um pouquinho no bumbum, igual a mordidinha de um mosquito (sempre que alguma coisa dói, ele diz que o mosquito mordeu, é a associação que ele faz), mas que era importante pra afastar o dodói da hepatite. Ele ganhou bichinhos da enfermeira e se comportou direitinho. Deu uma chorada básica, que passou em um segundo, e foi correndo de novo pra sala dos brinquedos. E quem disse que queria ir embora? Rolou um estresse na saída, com filhote vermelho, berrando, no colo do Rô e eu, cansada que estou, estressada com aquela tempestade em copo dágua. Ah, às vezes, eu não tenho paciência mesmo. Mas nem encano com isso. Sou gente e meu filho precisa "conviver" com essa realidade desde cedo!
E tem sido assim nossos dias, cheios de palavras. Gosto tanto dessa troca. Gosto de abraçar, beijar, dar risada e brincar com meu Gutão, mas ouvi-lo "verbalizar" suas descobertas e seus sentimentos realmente é algo que me emociona. É que ele é tão pequeno ainda, e já entende tanta coisa...Ontem à noite, antes de dormir, já sentadinho em sua cama, ele soltou: "A Bá ficou braba com o Eu". Aí, eu perguntei o que tinha acontecido e ele continuou: "Jogou a comida no chão, depois subiu pra pegar a petita e a Bá ficou triste com o Eu". Eu expliquei que não era legal derrubar comida no chão e que subir no móvel pra pegar a petita era perigoso, por isso a Bá ficou triste e falou pra ele que não era pra fazer essas coisas. Aí, ele já mudou de assunto e começou a dizer que queria ouvir a música do aniversário. É que desde que ele é bem pequenininho, o ritual de dormir inclui uma musiquinha suave. Há tempos o predileto era o CD do Palavra Cantada, o de cantigas de dormir. Recentemente, Gutão fez outra escolha e tem preferido as músicas de um CD feito especialmente pra ele, presente da vovó Lilica.
A primeira música, a tal que na cabeça dele, sabe Deus porquê, é a música do aniversário, é bem linda e suave mesmo. Me emociono toda vez que ouço. Diz assim:
"Quando você chegou, o mundo se animou.
Uma estrela acendeu pra ver um sorriso seu.
Abre os olhos, Augusto, e olha ao seu redor.
É o milagre da vida, ter você entre nós.
Feche os olhos, Augusto, nina junta ao meu coração.
Amanhã eu te acordo, meu anjo de pés no chão"
Falando em família, hoje pela manhã, antes da pracinha, o Rô tentando trocar a fralda e Gutão, p...da vida, querendo assistir ao Caillou, rolou estresse entre os dois. Aí, filhote veio no nosso quarto, e disse pra mim, vermelho de raiva: "Qué ir embola pra Floripa". Eu posso com isso!!!!!! E tem lembrado dos avós, e nos emocionado por isso. Final de semana passado disse, mais de uma vez, que queria "visitar o vovô Zeca". E toda vez que está no carro, "dirigindo", diz que "chegou em Recife". E hoje disse que queria "passear no carro do tio Bru". Ah, não vejo a hora do final do ano chegar pra gente curtir essa nova fase dele, todos juntos. Aliás, final de semana que vem, tem churrasco e chimarrão em Porto Alegre pra comemorar o aniversário de 30 anos do Rô. Gutão vai se esbaldar, tenho certeza, e vai voltar ainda mais cheio de histórias pra contar.
posted by JULIANA DE MARI 8:16 PM
É tempo de férias
Julho é mês de férias e Gutão tem todo o direito de se esbaldar na dele. Verdade que tem ido pra escola durante a semana, mas não é pra "estudar", não. É que filhote tá participando do curso de férias. Vai no horário normal, pela manhã, mas nem uniforme usa. Leva brinquedos, bichinhos, e faz arte, muita arte. Cada dia a escola inventa uma coisa diferente pra estimular e divertir a garotada. Segunda é dia de circuito da bicicleta e, enquanto os maiorzinhos exibem suas proezas, os menores são convidados a entender as leis do trânsito e a "trabalhar" como guardas, orientando os bikers sobre o que pode e o que não pode na rua. Há o dia da fantasia, o do cineminha, o da maquiagem (Gutão voltou na quinta todo "pintado". A gente perguntava o que ele tinha feito e ele fechava os olhos e dizia: "maquiage, mamãe"), o da festa de aniversário (eles mesmos fazem o bolo e os brigadeiros, delícia) e por aí vai. Tudo muito lúdico e educativo.
Aliás, essa semana Gutão fez uma engraçadíssima que eu preciso registrar. Chegou da escola com uma mini-pizza de barro na mochila. Chegou na hora do almoço, pediu pra Bá sua comidinha e, enquanto ele brincava com os carrinhos, lá se foi ela pra cozinha arrumar o pratão. Quando deu a primeira colherada, Gutão falou: "Tá ruim, Bá". E ela achou estranho. Foi olhar na boca do figura e o que viu? Um pedação de barro lá dentro, haahhhaahahaa. Filhote tava com fome e não teve dúvida: tascou o mordidão na pizza de barro mesmo!
E férias que se preze têm que ter programa em família. Hoje foi dia de Zôo Safári, o antigo Simba, local mui frequentado por essa que vos escreve quando era criança e vinha de Recife passar as férias em Sampa. Chegamos no meio da manhã e a fila de carros já era longa. Gutão tava ansioso (acordou falando: "vamo no zoológico, papai") e, sentado na sua cadeirinha, não parou de balançar as perninhas um só minuto. Para quem não sabe, o passeio de 4 Km no Safari se faz de carro. Os bichos estão lá, soltos, e vêm nos saudar na janela, um barato. Claro que com os leões e os tigres a coisa é diferente. Esses aí se exibem dentro da "jaula", que não tem grades, mas telas de proteção e cerca elétrica. Assim mesmo, da janela do carro, dá pra observá-los muito bem.
Os primeiros bichos que nos saudaram foram os pavões, aqueles, lindos, de rabo azul. Eu e Gutão na janela, eu digo: "Vem aqui, pavãozinho" e não é que o bicho responde? Do jeito dele, mas responde, hahahahaaa. E Gutão leva um susto, mas morre de rir. E eu falo com ele de novo, e, de novo, o bicho responde, e Gutão adora. Daí por diante, foi uma farra. Como o trajeto tem velocidade controlada, 10 Km no máximo, Gutão foi na frente, no meu colo. A janela ia sempre aberta, menos na parte dos macacos. Aí, a gente deixava só dois dedinhos pra respirar. Eu achei que a hora dos macacos ia ser a mais divertida. De certa forma, foi. Eles ficavam fazendo acrobacias na nossa frente, chegavam a pular em alguns carros, mas não estavam muito animados pra ganhar amendoim, não. Compramos cinco saquinhos (que exagero, hein, Rô?!) e quem comeu boa parte deles foi Gutão!!!!! Pedia "mais, mamãe, mais" e devorava os amendoins. Os "bambis" comemoram na nossa mão, mas nem eles estavam, assim, tão empolgados com a oferta. Legal mesmo foi cruzar com as Lhamas. Uma delas, toda saidinha, enfiou a cabeça pra dentro do carro e nos deu um baita susto! Gutão adorou, claro. Fez carinho nela, deu tchau, uma graça. Também foi legal ver a zebra bem de pertinho. Que bicho lindo, incrível as listras. Gutão fez carinho nela também. Depois, vimos a girafa, outra maravilha da natureza, os patinhos, os cisnes, mais macacos, os leões, e, por fim, os incríveis tigres. O percurso levou uma hora e meia mais ou menos. No final, pausa pra fazer xixi (Gutão inaugurou nova modalidade na troca de fralda: em pé!) e comer pão de queijo pra dar uma segurada na fome.
Almoçamos com um casal de amigos num lugar lindo, uma antiga chácara que vendia plantas. Gutão viu mais bichos: tartarugas e peixinhos. Tava caindo de sono e, obviamente, não quis saber de comer. Ainda bem que tava com a barriga cheia de amendoim, meu macaquinho! Gostou mesmo é da colherada de doce de leite na sobremesa. Eu pegava um pouquinho só e ele dizia: "mais, mamãe, qué grande!", hahahaahahaa. Chegamos em casa na hora da final da Copa. Claro que torcemos pra Itália (que bonito ver a comemoração da equipe no final e que vacilo do francês Zidane, perder a cabeça justo no último jogo da carreira...). Bom, Gutão capotou logo que o jogo começou. Acordou agora, quase sete da noite, super mal humorado (sempre que acorda à tarde é assim). Pra quebrar o gelo, eu e o Rô começamos a falar do zoológico, do passeio, dos bichinhos e ele lembrou do pavão e dos macacos pulando em cima dos carros. E olhou pra gente e soltou essa: "E o pelicano, mãe?". (Pai e mãe que se preze sabe que pelicano só no desenho do Nemo). Eu posso com essas associações, hein?!
posted by JULIANA DE MARI 7:09 PM
Coletânea
Faz tempo que quero relatar os últimos acontecimentos e não acho brecha. Quer dizer, o computador de casa tava no conserto e isso também não facilitou as coisas. Mas, bom, agora que ele voltou e que eu tenho-tanto-pra-te-dizer, deixa logo eu começar. Pelo dia de hoje: a estréia do Gutão no cinema. Ah, foi tãooo legal! O filme não poderia ter sido outro: Carros, da Pixar. O cinema escolhido foi o de um shopping: tinha a comodidade do lugar marcado e da venda de ingressos pela internet (menos um estresse na empreitada!). Pra entrar no clima, na sexta-feira dei pra ele um álbum de figurinhas do filme e contei um pouquinho da história. Eu e o Rô contamos também que cinema tem uma tela grandona, praticamente uma TV gigante. Gutão chegou lá animadíssimo. Antes de entrar na sala, pipoca com miniatura dos carros de brinde. Gutão ganhou o "Mate" e a "Celi". Queria o carro vermelho, o McQueen, "protagonista" do filme, mas, é claro, esse esgotou em um instantinho.
Quando entramos na sala, Gutão ficou maravilhado com a telona. Sentou na cadeira e vidrou. Deu muita risada com os trailers, todos escolhidos pra uma matinée (a sessão começou às 11h30). Viu o filme propriamente dito com muita atenção. A sala tava cheia, mas não lotada. Muitas crianças, de idades variadas, acompanhadas de pais, mães e babás (eu não me acostumo com essa coisa de andar com babá fazendo sombra, não. Dá trabalho, mas acho bem possível um pai e uma mãe darem conta de seus dois filhos, especialmente em programas dito "família" como esse, vai. Mas deixa eu ter o segundo pra contar o que passa na vida real, né?). Filhote só começou a dar sinais de cansaço depois da primeira hora do filme. Eu que achava que ele só ia aguentar os primeiros 20 minutos, fiquei besta de vê-lo ficar até o final. É certo que, na última meia hora, ele já tava em pé, pulando do meu colo pro colo do Rô, tentando se aninhar, mas sem conseguir tirar os olhos do filme.
Valeu o programão de domingo. Valeu ver Gutão tão crescido, curtindo as novas experiências. Valeu estar lá, no meio daquelas famílias, emocionada por ter a minha.
Depois do filme, comprinhas na Zara e almoço no America. Gutão nos deu um drible mais uma vez. Parecia que ia estressar, mas ficou firme, comeu toda sua comidinha direitinho, brincou enquanto eu e o Rô comíamos, manteve o bom humor e não deu trabalho algum. Foi capotar só no carro, a caminho do supermercado. É que fiz uma mini-comemoração dos meus 33 em casa e precisava comprar o pão de cachorro-quente. Vieram cantar parabéns o Julius, a Alê, a Patty, com o barrigão do Pedro, e o Julio, e a Dani e o Duda, com o Miguel e a Nina. Gutão dormiu até depois das seis, tava esgotado, tadinho. Acordou mal humorado, como sempre acontece depois da soneca da tarde. Tava manhosinho também. Mas se animou na hora do bolo e pediu "estrelinhas" quando fui acender a vela. E ainda disse que "não são as estrelinhas que moram no céu". De onde ele tira essas coisas, hein?
Filhote tá muito sabido. Cortou o cabelo curtinho no sábado. Não deu o menor trabalho, como sempre. Saí do salão com um moleque. Parece que cresce quando apara os cachos, sei lá. Eu olho pra ele com esse cabelo joãozinho e me vejo nas fotos que tenho com essa idade (sim, eu tinha cabelo joãozinho), é tão emocionante, né? Depois do salão, fomos, eu e ele, comer brigadeiro na doceria da Vila Madá. Gutão adora brigadeiro. Fica tãooo feliz quando a gente anuncia o "docinho", precisa ver! Ainda passamos numa lojinha pra comprar aromas pra deixar a casa cheirosa, até que o papai, depois da natação, veio nos buscar. Fomos almoçar na casa dos dindos. Torcemos por Portugal e ficamos empolgados com o resultado. Vovô Beto foi lembrado a cada instante. Devia estar lá em Recife tomando vinho e fazendo suas rezinhas pros portugas se confirmarem na semi-final. Já o Brasil, bem, o Brasil...Gutão que fez certo: dormiu antes do jogo e continuou dormindo até depois que o segundo tempo terminou!!! Ah, fiquei com vergonha dessa seleção. Como diz a manchete do Estadão de hoje: é mesmo "Um time pra esquecer". Analiso da seguinte forma: faltou "gana" pros talentos individuais se apresentarem em jogo e faltou liderança pra fazer as estrelas renderem o seu melhor. Porque nem todo grupo é uma equipe. E quem conhece os conceitos da administração, sabe que esse "espírito" faz toda a diferença: equipe é um conjunto de pessoas que estão reunidas porque são talentosas e porque, juntas, podem alcançar um resultado superior. O que se viu no jogo do Brasil foi praticamente um descaso. Roberto Carlos arrumando as meias na hora do gol? E o Parreira lá, impassível???? Pelamordedeus!!!! Copa agora só daqui a quatro anos. E eu vou é torcer pro Felipão!!!!
Ai, tenho um montão mais pra contar, mas tou com um baita sono. Falando nisso, só um aparte, Gutão tem ido pra cama bem tarde ultimamente. E tem demorado um bocadinho pra se render ao sono. Agorinha há pouco, me chamou pra dizer que tava com medo do "morcego". Onde, filho? Aqui não tem morcego, não. Filhote pediu pra cobrir os "pés", abraçou a Pig, virou pro lado e tá lá, espero que dormindo o sono dos justos até amanhã de manhã.
posted by JULIANA DE MARI 11:26 PM
Olha pro céu, meu amor
Véspera de São João, dia de arraial na escola do Gutão. A apresentação da turminha dele começou pouco depois do meio-dia. Gutão foi vestido a caráter: chapéu de palha, camisa xadrez, calça de retalhos e bigodão, claro! Ah, faltou contar da gravata, um arraso. Filhote entrou na escola meio tímido, sem reconhecer direito aquele mulherio usando tranças e avental com motivos juninos. Mas foi com a tia que o convidou a se juntar com as crianças da "classe", a essa altura escondidas dos olhares dos pais babões no corredor atrás do local reservado pra festança. Havia uma fogueira no centro e dois círculos marcados no chão. Gutão me contou ontem: "A tia Velonica disse que tem ficar no X". Estavam lá, os "Xs", indicando a posição de cada cotoquinho na hora da dança.
Sentei no chão, enquanto o Rô ficou em pé, máquina a postos. O cordão de isolamento eram bandeirinhas coloridas que caiam no chão toda vez que um pequenino via o pai ou a mãe e saia correndo pra ficar com eles. Tão bonitinhos, os pequenos caipiras. E veio a hora esperada. Turminha entrou de mãos dadas e foi tomando posição no círculo, aleatoriamente. A Clarinha e a Kailani só choraram. O Bruno, um gordinho fofo, menorzinho da turma, também abriu o bocão. Gutão nem chorou nem sorriu. Ficou no X dele, boquiaberto, literalmente, diante das tias que puxavam a coreografia. Dessa vez, acho que estava com sono porque o máximo que fez foi dar uns pulinhos tímidos. Toda vez que olhava pra "multidão" e nos via, dava um sorriso gostoso. Lindo, meu filhote. Eu cantei, gritei, e dei muita risada diante do atordoamento e da satisfação daqueles pequeninos. As meninas, já percebi, em geral, são mais soltas. A noiva da "quadrilha" do Gutão era uma graça. Uma moreninha de vestido branco e véu que saracoteou um bocado na roda.
Bom, depois de duas músicas, a turma saiu direto pra pescaria e pra comilança. Tinha um monte de comida gostosa, mas eu comi quase nada (não deu tempo: ou eu me divertia com filhote ou comia, né?). Mas pipoca, eu comi. E Gutão também! Passou boa parte do tempo "colhendo" as pipocas que caíam no chão. E haja atenção pra evitar que ele as colocasse, todas, de volta na boca! Filhote ganhou várias prendas na pescaria: um jogo de cartas, um pente, um gira-pião e um daqueles acquaplays, sabe? Tava um dia lindo, de céu azul e sol, e ele não aguentou ficar muito tempo com o chapéu. Deu pra mim, disse que eu ia ficar "uma princesa". Hum-hum.
A escola tava toda enfeitada no tema da festa: "São João da Bicharada", muito legal. As crianças se divertiram um bocado e nós, os pais, idem. Acho bacana esses momentos de "integração". Embora a gente não tenha muito contato, por falta de oportunidade, com outros pais, um ou outro sempre vem trocar uma idéia e tal e coisa. Legal também foi conversar com a professora dele, a querida tia Karla. Ela nos contou que ele anda mais "calmo", menos sentido na hora de dividir os brinquedos, totalmente participativo nas atividades de cantar, dançar e pintar. E disse a Karla que ele fala cada uma que a deixa de queixo caído, igualzinho acontece aqui em casa. Quando a turminha vai lanchar, por exemplo, todos juntos, de mãozinhas dadas, Gutão, às vezes, escapa. E ela diz pra ele: "Gutão, é por aqui". Ao que ele devolve, nas palavras dela: "Eu quelo ir por lá"!!! (É muita independência, meu pai eterno!!!)
Depois do "Sanjão", tomamos um brunch na padaria, vimos um pedacinho do jogo que levou a Alemanha adiante na Copa e viemos pra casa. Gutão chegou capotado. Dormiu umas três horas seguidas. Despertou, me chamou, peguei no colo e trouxe pra ver TV com a gente. E não é que filhote dormiu de novo no meu colo? Ah, coisa bem boa. Fazia tempo que ele não se aquietava assim, deitadinho no meu "coração". Ficou assim uns 20 minutos, tempo suficiente pra eu constatar o quanto ele já cresceu e o quanto o meu amor foi junto. É um amor do tamanho do mundo meeesmo.
Eu amo meu Lolô, meu Tantão, meu Gatinho. Meu menino que gosta de palavras. De falar e de cantar. Pra quem eu canto, e de quem recebo aplauso nos olhos depois da cantoria. E a gente cantou junto, hoje pela manhã: "Olha pro céu, meu amor, vê como ele está lindooooooo". Viva São João! Pra quem tem fogueira na rua, muito milho e muita alegria. Pra quem fogueira é saudade, que essa lembrança aqueça o coração. Sempre. Que ter raízes é garantia de ter história pra contar!!!
PS: Há pouco, Gutão pegou sua cadeirinha de madeira, mandou o Rô sentar e disse que ia "examinar" o nariz dele "igual a dra. Renata" (a otorrino dele). Tá aqui, com barco na mão, fazendo o papel de estetoscópio ou coisa parecida, "examinando" o Rô detalhadamente. Já viu o nariz, os ouvidos, o "umbigo" (hahahahaaa) e o coração. Tá dizendo assim pro Rô: "Fica quietinho aqui", "Não estraga, ainda falta mais um pouquinho". E deu o barco-estetoscópio de presente pro Rô agora. E disse: "Não rasga o presente". E tá ali, pegando todos os brinquedos e dando a mesma "ordem": "Não é pra rasgar, papai", "É um brinquedinho pra você brincar". Na hora do jantar, soltou uma demais. Olhou a foto do calendário (uma igreja de Ouro Preto) e disse que era a casa da Bá. Eu disse que não era, não. Que era uma igreja, lugar de rezar, a casa de Deus e dos anjinhos. E ele devolveu: "Os anjinhos de boa-noite protegem o sono do Gutão". Tá lindo demais, esse menino!
posted by JULIANA DE MARI 10:26 PM
Eu sou nuvem passageira
A nuvenzinha negra parece que tá indo embora. E já não era sem tempo, hein? Gutão reagiu super bem ao antibiótico (depois dos primeiros dias de muita irritação, provável efeito colateral) e não apresenta mais aquele quadro "congestionado". Eu estou melhor da virose. Ainda sofro um tantinho é com a pseudo-sinusite, que ora faz doer o ouvido ora faz doer os dentes ora faz doer o rosto inteiro (vou pedir pro otorrino pra fazer Raio-X e tirar isso a limpo). O importante é que nosso humor está mais alegre.
Domingão vimos o jogo do Brasil na casa da Gica e do Villela, pais do querido Bizi, digo, Gustavo. Gutão não deu muita bola pra seleção, não. Certo ele, né? Que joguinho bem ruinzinho, fala sério. Filhote preferiu ficar indo e vindo no quarto do amigo pra catar os brinquedos que mais lhe apeteciam. Trouxe praticamente todos os carrinhos pro sofá da varanda e organizou um mega-estacionamento. Eu passei praticamente o primeiro tempo inteiro na função-Gutão: almoço, sobremesa, suquinho, troca fralda. Aliás, falando em troca fralda, preciso me preparar psicologicamente pra encarar essa mudança. Acho que está se avizinhando a hora de Gutão aprender a fazer xixi e coco no pinico. Já temos o dito lá em casa. Super bonitinho, tem até tampa. Gutão, às vezes, senta lá e finge fazer suas "necessidades". Pega até papel higiêncio pra limpar o bumbum! O lance é que, de uns tempos pra cá, na hora do coco, ele quer privacidade (certíssimo!). Manda a gente sair do recinto ou sai ele pra sala ou pro quarto da TV pra se "concentrar" sozinho. Bom, deixa rolar.
Outra mudança que temos que encarar em breve, brevíssimo, é o adeus à "petita". Gutão é dentucinho e, por causa da dita, tá ficando ainda mais. A dentista já tinha alertado que era pra dar fim nas chupetas por volta dos dois anos. Muita calma nessa hora. Estamos, primeiro, tentando fazê-lo compreender o porquê de só usar na hora de dormir (estraga o dentinho, a doutora explicou e tal e tal). Depois, vamos partir pro "lixo". Quero ver se negocio com filhote alguma coisa bacana. A dentista incentiva essa troca, sabe? Ele dá a petita para todo o sempre e ganha alguma coisa que valorize muito no lugar.
E valorizar mesmo, Gutão valoriza é a Pig. Como ama essa bichinha! Ela tava tão suja esses dias, mas filhote, doentinho, não queria saber de deixar a gente "dar banho" nela. Ficava andando abraçadinho com a Pig, que de amarela já está quase cinza!, todo querido. É verdade que agora o amor é compartilhado. O Rô trouxe um Tigrão, grandão, de Londres, e filhote anda pela casa com a Pig debaixo de um braço e o Tigrão do outro!
Quê mais? Vamos ter festa junina na escola no sábado, oba. E festa na escola do Theo, da Rê Quintela, no domingo, oba. E estamos, eu e Gutão, tomando geléia real por sugestão dela. Li a bula e fiquei maravilhada com os efeitos prometidos. Diz que é o segredo da longevidade dos chineses. Espero, ao menos, que dê um reforço na imunidade. A Rê diz que com o Theo tem funcionado.
posted by JULIANA DE MARI 1:41 PM
Eu não sou Madre Tereza!
Gutão melhorou um pouco com o antibiótico. A febre passou e ele tem dormido relativamente bem. Digo relativamente porque deu de acordar, de novo, no meio da noite, chorando. E lá vamos nós, acarinhar, cantarolar, colocar a coberta, procurar a "petita" e fazer o bichinho aceitar que tem que voltar a deitar e dormir. Não tá fácil, não. Por causa dos remédios, do dodói ou por causa da "idade", vai saber, Gutão anda terrivelmente manhoso. Fala choramingando e derrama grossas lágrimas por tudo e qualquer coisa. Só quer saber da "petita". A gente já explicou que é só pra dormir (embora nesses dias de doença braba, a dita tenha sido liberada em outros horários), mas o danado pede a todo instante e ainda tem a "cara de pau" de dizer: "Qué naná". Eu posso!
Filhote não tem comido direito na hora em que deveria. Tem aceitado, mais ou menos bem, frutas, iogurte (hoje já se foram 3!!) e o sagrado leitinho. O resto, olha e diz: "Não quelo". E se lamenta, e chora, e fica de bochechas vermelhas até. E fica brabo e joga tudo no chão e diz que "qué quebrá, qué destruí". E fica de castigo umas muitas vezes por dia, e pede desculpa, e diz o motivo, mas volta a fazer tudo igualzinho assim que levanta do pufe. Com a comida, tou insistindo um tanto, mas não tou fazendo grandes batalhas por isso, não. Na hora em que o apetite voltar, tenho certeza que ele volta a comer direito. Agora, de disciplina, não vou abrir mão. Em geral, tenho bastante paciência pra lidar com os ataques, tenho tranquilidade pra explicar o tá errado e o que é certo, tenho foco na tarefa de educar e entendimento pra lembrar que ele é criança, tá doente, tá irritado. Mas é que eu também não tou me sentindo 100%. Sei lá, tou meio fraca, com a barriga ainda doendo, essa dor maldita fazendo doer rosto e ouvidos, o humor oscilando, uma beleza. Faço uma força danada pra me manter serena e não descontar no meu bichinho essa minha agonia particular. Mas tá dose. Só com muita reza pra Santo Expedito.
Trabalhei ontem pra folgar hoje (e haja energia pra dar conta de uma equipe estressada). A babá folgou ontem e veio hoje, graças. Aliás, já começou nossa saga atrás de uma pessoa pra dormir. É que a Bá do Gutão vai ter nenê no final do ano e isso implica em mudanças significativas nos horários dela (a criança vai ter que ficar em uma creche, aqui perto de casa). Ela vai continuar com a gente (outra igual -- responsável, alegre, disposta -- tá difícil!!), mas, como eu e o Rô não temos flexibilidade de estar em casa até às 18h, temos que ter uma funcionária "reserva", né? Vamos ver se dá jeito trazer alguém da própria família da Márcia pra fazer dobradinha com ela. E dá-lhe reza.
Quê mais? Tá um frio do cão hoje. E nosso apê tá praticamente uma Sibéria. Geladíssimo. Detesto essas mudanças repentinas de temperatura. Uma bomba pra quem tem rinite...Amanhã vou cortar e hidratar os cabelos (brigada pela sugestão, Mic!). Quero deixar crescer um pouco, mas, de tanto que prendo, os fios estão todos marcados, sabem? Pois é. Vamos ver se cuidando do que vai fora dá uma melhorada no que passa aqui dentro. Pra vocês, um bom final de semana!!
posted by JULIANA DE MARI 6:44 PM
Jogo? Que jogo?
Se a segunda foi difícil, não queiram nem saber de como foi a terça. Gente, que sufoco!!! Depois de uma noite daquelas, com Gutão agoniadíssimo, todo congestionado, chorando a cada meia hora, levantei malzona. Na hora em que fui fazer o leitinho dele, achei que ia desmaiar na cozinha, que desespero!! Me deu um mal estar súbito, acho que a pressão caiu. Daí por diante, foi plantão das 7h às 15h no banheiro. Vômito e diarréia. E Gutão de olhos arregalados, tadinho, chorando do meu lado. Ai, que falta faz ter família (pai, mãe) por perto...Liguei pra mainha umas cinco vezes ao longo do dia, pra falar nada, pra dizer tudo, sabe assim? Pra pedir receita de soro caseiro, pra compartilhar minha agonia com Gutão assim tão agoniadinho...
Gutão chorou a manhã inteira e não desgrudou de mim. Tava todo vermelho, por causa da febre, com os olhos inchados, nariz entupido, reclamando de dor. E eu, verde, rezando pra ficar melhor pra conseguir levar meu bichinho no hospital. Foi isso que aconteceu, exatamente quando o primeiro tempo do jogo inaugural do Brasil na copa começou. Sai de casa às 16h10, com a cidade vazia, as ruas sem trânsito algum, pasmem. Aliás, eu acho essa devoção desmedida do brasileiro ao futebol uma coisa meio "pão e circo". O país afundando e o povo fazendo festa em vez de fazer passeata pra reinvindicar seus direitos...Mas, enfim, que, ao menos, essa seleção traga o hexa.
Fomos ao Sabará (que estava praticamente vazio!) e o diagnóstico foi o que eu esperava: ouvidos, os dois, super vermelhos e garganta bem irritada. Vamos continuar com o Zinnat, o tal remédio que, de tão ruim, precisa ser ingerido com leite condensado, e mais alguns outros pra dar uma melhorada no estado geral do bichinho. Na volta pra casa, depois de tomar um antitérmico por lá mesmo, ele já chegou com o astral um pouco melhor. Antes de dormir, brincou de estacionamento com seus carrinhos, ensaiou tocar violão, mas não quis comer nada. Eu também não comi nada. Não consegui. Tudo que ingeria colocava pra fora em dois minutos...A médica que consultou filhote disse que, possivelmente, é virose. Está dando a torto e a direito. Depois da sinusite, isso. Que "ótemo".
A babá dormiu em casa. Fiquei com medo de passar mal outra vez e não ter ninguém a quem recorrer. Gutão foi deitar cedo, já sem febre. Tive que acordá-lo à meia-noite pra dar remédio e trocar a blusa, ensopada de suor, do pijama. Um chororô, como vocês podem prever. Tadinho. E agora ele tá ficando meio ressabiado de tomar remédio por causa do gosto ruim do tal antibiótico. E como é ruim, putz. Eu provei pra saber o motivo do horror. Mas dormiu melhor, graças a Deus. Duas e pouco da manhã chorou e eu resolvi levá-lo pra nossa cama. Dormimos juntinhos e acordamos às 7h, com o astral mais ou menos renovado. E o Rô chegou em seguida. E a primeira coisa que Gutão disse foi: "Qué presente, papai". Haahahahahaa
O Rô ficou indignado! Mas não fui eu quem ensinou isso, não, eu juro!
Hoje vim trabalhar, com dor no estômago, mas sem sinal da virose. Gutão tava sem febre e mais alegrinho. Não tá indo na escola, óbvio. O Rô chegou todo feliz e encheu a casa com essa energia. E lá vamos nós, rumo ao feriadão. Trabalho amanhã pra folgar na sexta. Ai, que eu não vejo a hora de ficar sem fazer nada, só curtindo meus dois amores e renovando minha energia.
posted by JULIANA DE MARI 6:21 PM
De novo?
Eita segundinha difícil, viu? (será inferno astral?) Começou com Gutão chorando, chamando pelo pai, com febre, super entupido, babá atrasada (coitada, teve exame pra ver se tá tudo bem com o bebê), euzinha passada de tanta dor (a sinusite não foi embora, uma merda, desculpem o palavrão). Fui trabalhar com o coração na mão de ver meu bichinho tão agoniadinho. Eu bem sei como é ruim essa sensação de "entupimento geral"...No trabalho, o que já era acelerado, acelerou ainda mais. Uma reunião atrás da outra, mil coisas pra fazer, a equipe no limite, fazendo "fila" na frente da minha mesa pra despejar o problema da vez. É que nessa época do ano, além da revista, cuidamos de um projeto que elege as melhores empresas para trabalhar do país. Visitamos duas centenas de empresas de norte a sul e, ao final, produto editorial pronto, ficamos moídos. Este ano, como mudamos de parceiro e o prazo encurtou, o ritmo tá ainda mais puxado. E o estresse já se anuncia...
E meu rosto seguiu doendo durante o dia, e a febre do meu Gutão não cedeu, e eu tive que ficar pendurada ao telefone tentando encontrar a otorrino dele (como estamos tratando com ela, achei por bem não ligar pra dra.Ketty nesse momento). A dra.Renata, muito atenciosa, está em congresso, mas falou comigo numa boa e recomendou trocar o antibiótico e a dose do anti-histamínico. E meu celular deu tilte. Usei a hora do almoço pra ir na loja da operadora num shopping pra descobrir que a porcaria da assistência técnica do aparelho é em outro. Imagina a minha satisfação?
Falei com meu otorrino no final do dia (tem jeito, não, nós três, volta e meia, estamos em conexão com um!) e ele recomendou um antiflamatório por três dias. Deus é pai e essa dor terrível há de melhorar. Tou até preocupada com o tanto de medicação que ando tomando nos últimos dias...Quando essa crise aguda passar, tenho messssssssssmo de procurar um homeopata pra tratar as questões de "fundo". Ai, ai, ai.
Voltei pra casa mais de oito e meia da noite. Preocupadíssima em liberar a babá, coitada. Antes, passei na farmácia. Cheguei em casa, Gutão, caidinho, todo dengoso, me esperava deitado no sofá. Falei em xaropinho pra ele ficar melhor e ele se animou (será que tou criando um "adicto" em remédios, meu Deus? Ele gosta tanto de xarope!!). Tirou a petita e abriu bocão pra tomar a dose do primeiro. Sem reclamação. Já no segundo, a história foi outra. Não sei se misturei a suspensão de um jeito errado ou se o troço é ruim mesmo, mas Gutão fez uma cara horrenda. Pediu pra "limpar" a boca, chorou, odiou. Primeira vez que o vi tendo essa reação diante de um remédio, e olha que ele já tomou muitos nessa vidinha dele. Bom, provei. É horrível mesmo, horrível, horrível. Bateu a dúvida se misturei direito e amanhã vou na farmácia comprar o recomendado (eu trouxe o genérico) e pedir pro farmacêutico misturar, hahahaaa. E se ficar confirmado que o negócio tem esse gosto mesmo, vou ligar pra ver se a otorrino troca. Ah, tadinho, né? Tá todo entupido, com febre e ainda tem que engolir coisa ruim? Se não há jeito, ok, mas se há, vamos ajudar.
Tou em casa, são 22h45, não jantei ainda, é dia dos namorados e meu namorido tá longe (que bom que volta na quarta!). E filhote chamou agora, tremendo por causa da febre, tadinho. Já liguei o aquecedor (e olha que nem tá tão frio hoje...). Pressinto uma noite daquelas. Acabando a novela, vou deitar também. Amém.
posted by JULIANA DE MARI 10:50 PM
É tempo de festa
Adoro o mês de junho. Além de ser meu aniversário (dia 29, anotem aí!), é mês de São João, de quadrilha, de forró, de milho assado, de trancinha no cabelo. Adoro! Quando Gutão não existia, bastava esse período junino ir chegando pro banzo ir batendo. Saudade, muita, da minha terra, da minha família, da alegria ao redor da fogueira. Desde o ano passado, no entanto, posso dizer que estamos curtindo o "Sanjão" paulista. No primeiro aninho do filhote, fomos na festa da escola do João Gabriel, irmão da Lívia, filho da Tita. O ingresso dos convidados era levar uma comidinha gostosa. Foi lindo. Teve fogueira de verdade, ao redor da qual a criançada cantou e dançou depois da procissão. Eles caminharam e cantaram iluminados só pelas lanternas. Gutão, Téo e Miguel, os três toquinhos de bigode, chapéu de palha e camisa xadrez, observaram tudo, muito lindos.
Este ano, Gutão maiorzinho, aumentam os compromissos juninos, oba! Hoje foi dia de festa na escola do Miguel. O trecho de rua em frente fica fechado pras crianças dançarem à vontade. Teve um trio de sanfoneiros no melhor estilo pé-de-serra. Havia um "cordão de isolamento" feito de bandeirinhas coloridas e, claro, Gutão não quis ficar do lado de cá. Sentamos na rua pra acompanhar as turminhas dançando e, a certa altura, fiquei eu de um lado do cordão e Gutão do outro. Todo feliz porque havia catado uma fitinha cor-de-rosa pra ele. Usou a fitinha pra me enfeitar. Terminada a "obra", olhava pra mim e dizia, faceiro: "Mamãe ficou uma menina!". A festa na rua teve direito à quadrilha, samba de roda e até ciranda. Nem acreditei quando ouvi o "cirandeiro" puxar "Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracáaaaaaaaa". Me arrepiei, sai correndo com filhote pra entrar na grande roda. Gutão dançou a música toda. De um lado, segurava na minha mão. Do outro, na de um tio que se ofereceu pra seguir no passinho dele. Tão bonito que foi. Me emocionei de verdade. Parecia que estava em "casa". Brigada pelo convite Dani!!!! (Adorei ver minha afilhadinha, linda, de brinco na orelha e olhos bem abertos, curtindo um forrozinho na farra com os amigos!!!!!)
Na volta pra casa, contei pro meu Gutão que quadrilha e ciranda são danças típicas da terra da mamãe. Que em Recife, nessa época do ano, a festa é linda. As famílias se reúnem pra lembrar Santo Antonio, São João e São Pedro. E que a mamãe adora tudo isso. E que adora cantar e dançar. E que cantar e dançar são coisas que alegram o coração. Filhote parece que gostou. Dançou, bateu palmas, entrou na roda. Companheirão.
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O Rô tá viajando a trabalho. Foi sexta à tarde e volta na próxima quarta. Já saiu de casa cheio de saudade. Eu e Gutão também estamos aqui saudosos da alegria dele. Gutão acordou hoje chamando pelo pai. Eu expliquei que o papai só volta na quarta e ele desencanou. Mas chamou outras vezes ao longo do dia. E falou com o Rô ao telefone antes de dormir, deu boa noite e disse "Te amo, papai". Lindo. (A hora de dormir deixou de ser drama, assunto pra outro post, ufa!!!!!)
Gutão se expressa muito. E fala de um jeitinho que me comove mesmo. Adoro ver meu bichinho "verbalizando". Adoro as conexões e as piadinhas que ele já faz. Estava eu no quarto agora à noite, arrumando o pijama dele e os remedinhos da hora de dormir, e vem o danadinho, sem a pantufa, pés descalços no chão gelado, olha pra mim e manda: "Quê que eu te disse?". (A gente costuma dizer isso quando ele repete atos que a gente já explicou que não são legais -- ficar sem pantufa no chão gelado não é legal!!!).
E tem uma que me faz morrer de rir. Filhote deu de usar o "Eu". Só que usa o tal "Eu" de um jeito mui interessante. Diz assim: "Mamãe, vem brincar com o "Eu"". Ou então: "Mamãe, pega o leitinho pro "Eu"". Ensino o certo, digo que é o leitinho dele e que ele pode dizer "o meu leitinho". Mas não dou lição de moral, não. Gutão tem o tempo dele, é esperto, aprende observando e fazendo. E tem só dois aninhos, né?
Ah, tenho que registrar essa: quinta passada, véspera da viagem do papai, fomos numa pizzaria perto de casa. Gutão, todo felizão em passear, não deu trabalho algum. Tomou suco de frutas vermelhas, comeu uns pedaços de marguerita e ficou todo encantado com o ambiente (é um restaurante que tem artesanato por toda parte, muita coisa bonita). A certa altura, passa um garçom, com o cabelo meio crespo, usando rabo-de-cavalo. Gutão exclama (foi exclamação mesmo!): "Olha o caque". Eu e o Rô perguntamos, em uníssono: "Quem?". E ele devolve: "Ronaldinho gaúcho". Eu posso com isso???!!!!!!!!! Ele não só viu que era um homem, e não uma mulher com o cabelo preso, como associou com o craque -- sem que eu ou o Rô tivéssemos feito qualquer comentário. Fiquei pasma!!
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Quê mais? Filhote vai encarar um tratamento pro ouvido nas próximas três semanas. É que os últimos exames não deram um resultado muito legal e a médica está tentando mais uma vez com antibiótico antes de partir pra "drenar" o catarro/líquido acumulado. Ai, só de pensar nessa hipótese, eu tenho calafrios...Há de dar certo o remedinho.
posted by JULIANA DE MARI 10:09 PM
Vamos seguindo
Dessa vez, a gripe, a sinusite, ou seja lá o que for, me castigou. Sexta-feira passada terminei o dia no pronto-socorro. Tomei medicação na veia e recebi uma receita com indicação de antiflamatórios pra amenizar a crise. A médica acredita que é tudo causa da gripe forte: a sensação de pressão no rosto e nos ouvidos principalmente. De todo modo, tenho consulta no otorrino amanhã pra ver como encaminhar esse tratamento. Deus me livre sentir essa dor novamente. A sensação era a de que minha cabeça ia explodir. Era só baixar pra doer, latejar. Parecia que havia mil bolhinhas estourando dentro do rosto. Um horror. Aliás, que coisa horrível é sentir dor. E olha que sou uma pessoa tolerante. Reclamo um bocado, mas pra baquear mesmo o negócio tem que estar sério. Fiquei muito sentida no hospital, aliás, pensando na dor das pessoas internadas, com enfermidades mais graves que a minha...Rezei muito por elas, chorei até. Sou assim mesmo: sofro com o sofrimento dos outros, não sei ficar alheia...
Gutão continua com tosse e alguma coriza. Também já marcamos retorno na otorrino pra quinta-feira. A tosse incomoda mais ao amanhecer. Virou rotina pais zumbis acordarem tipo quatro da manhã pra dar uma colheradinha de melagrião na tentativa de aliviar a agonia dele (brigada por compartilhar comigo desses cuidados, meu amor!). Mas não posso reclamar, não. Filhote tá indo pra escola, tá cheio de energia, tá alegre que só ele. E falante. Muito falante. Tem saído com umas tiradas engraçadíssimas. Dia desses, eu e o Rô sentados na cama dele na hora de dormir, ele deitadinho, abraçado na Pig, olha pro pai e diz: "Sai daqui, papai. Vai pro "pocadoi" (computador!)". Olha o Édipo se manifestando!
Também tem manifestado uma capacidade incrível de imprimir "sentimento" às falas dele. Franze a sobrancelha, muda a entonação da voz, até o corpo ele movimenta de jeitos diferentes de acordo com o que pretende comunicar. Quando quer procurar alguma coisa, por exemplo, sai andando abaixadinho, sabe? Em posição de quem procura mesmo, um barato. E tá distribuindo ordem que é uma beleza. É um tal de "larga, mamãe", "solta, papai", "tá errado, mamãe", "não faz assim, papai". Percebe tudo, tudo esse meu menino. Muito observador, muito inteligente. Muito amado. Hoje pegou um pedaço de papel higiênico e "fez" um "laço" pra enfeitar meus cabelos. Disse que eu era pra eu ficar bonita igual uma princesa! Tem como eu não me emocionar com isso???
E Gutão vai ganhar uma priminha!!!!!! A titia Lulu descobriu hoje que tá esperando a Bruna, viva!!!! Com ela, serão cinco meninas e ele, o reizinho, nas férias em Recife, imaginem!
posted by JULIANA DE MARI 9:45 PM
Baqueados
Eita que esse esquenta-esfria tem causado estrago aqui em casa. Depois de ter sobrevivido à gripe (até febre eu tive!), estou agora sofrendo por causa da sinusite. Uma dor desgraçada no rosto, que irradia pros dentes e pros ouvidos. O Rô também tem reclamado pelo mesmo motivo. E Gutão, tadinho, tá entupidinho e com uma tosse horrorosa. Anteontem ele quase não conseguiu dormir de tanto que tossiu. Ontem não foi na escola. Estava caindo de cansaço, com os olhinhos murchinhos, tadinho. Hoje já está medicado e em acompanhamento com a otorrino, mas acho que vamos ter que levá-lo no consultório pra avaliar o tamanho do "estrago" mais uma vez.
A pedido da otorrino, ele fez nova impedanciometria sábado passado, aquele exame para saber a quantas anda a atividade do tímpano e a condição dos ouvidos. Pelo o que entendi do laudo, há alterações em ambos os lados. Também tentamos fazer uma audiometria, pra avaliar o tanto que ele consegue "captar" de sons, o quanto está ouvindo o ambiente. Não há dúvidas de que ele ouve bem, até porque fala que nem uma matraca, mas é sempre bom checar. Não tivemos muito sucesso nesse exame aí, não. Era preciso repetir uns comandos das fonoaudiólogas (cada vez que o apito soasse, filhote precisava apertar o nariz do palhaço) e Gutão, embora tenha se esforçado pra colaborar, só tem dois aninhos. As médicas disseram que, em geral, só a partir dos 3 anos a audiometria é realizada a contento.
Tem frente fria chegando, avisa o noticiário de hoje. E o aquecedor do quarto do Gutão pifou, putz. Eu gosto do frio, nada contra, muito pelo contrário. Mas não gosto mesmo é de perceber o quanto nosso corpo se fragiliza no inverno. Filhote deu azar de nascer de pai e mãe cujas vias aéreas não são lá 100% operantes. O histórico da família, pelo menos da minha, é de rinite, alergia, asma...Preciso retomar o plano de fazer um tratamento homeopático pra dar uma segurada na imunidade dele. E retomar os cuidados com a minha, na verdade.
posted by JULIANA DE MARI 1:05 PM
Mudanças
Coisa bem boa: estamos mudando a sala de casa. Trocando alguns móveis, mudando outros de lugar, mexendo na decoração. Certamente vai servir pra renovar o astral. Nós e a casa merecemos. Os últimos tempos têm sido de uma certa tensão. Gutão adoentado, papai e mamãe esgotados. Um dá ataque de um lado, o outro devolve do outro. Filhote se esgana de tanto gritar na hora da troca da fralda, eu conto até 100 antes de reagir, mas o cansaço embaça minha visão da cena, sabe assim?
Meu corpo gritou no final da semana. Tive febrão duas noites seguidas. Há tempos não ficava assim. E hoje amanheci mal do estômago. Isso que dá engolir contrariedade. Eu realmente preciso aprender a ser mais assertiva. Por outro lado, preciso aprender a lidar com o conflito sem partir pro confronto, eu sei disso. Falando nisso, como é difícil ensinar a arte da "paciência" pras crianças. O tempo delas é agora, o mundo é já. O que fazer diante de um menininho-irritadinho-porque-o-bonequinho-não-pára-quietinho-no-banquinho-do-carrinho-de-controle-remoto-que-o-tio-Ale-deu-pra-ele? Explicar que tem que arrumar o boneco, não basta. Gutão franze a testa, cerra os dentes, e joga o carrinho longe. Diz que "qué quebrá", vira uma fera, literalmente. Se duvidar, me empurra e me joga no chão também!!!
Mudei a tática pra lidar com esses ataques. Estou tentando gerar empatia. Primeiro, reconheço que ele ficou frustrado. Depois, pergunto se está com raiva. Sim, ele precisa saber que esse "vulcão" tem nome: chama-se raiva. Queima por dentro e, mesmo quando não partimos pra ação, nos mobiliza de um jeito impressionante. Depois, começo a dizer que entendo, que ele tem direito a se sentir assim, e que a gente pode tentar colocar o bendito boneco sentadinho outra vez. É só ter um pouquinho de paciência (como se eu fosse a pessoa mais paciente desse mundo e mais disposta a persistir seja lá no que for). Sou impaciente, sou birrenta, mudo de humor com uma facilidade assustadora até pra mim. Mas sou consciente disso. E quero ser melhor. Acho que isso, no final das contas, deve ajudar! :)
Desabafo posto, vamos às últimas: vovó Lilica e vovô Zeca estiveram com a gente no final de semana. Gutão amou (e nós também!). Fez tanta gracinha pros avós! Passeou de mãos dadas, mostrou todos os brinquedos, cantou todas as musiquinhas, fez todas as caras e bocas possíveis na hora de registrar esse amor em fotos. Aliás, como é expressivo esse meu filho, viu? Será que vai ser ator? Ele tem careta e entonação pra tudo, uma graça. Ou será que vai ser político (argh!)?? São dois palpites nesse sentido: um tio meu, meio bruxo, e o mapa astral que anuncia uma posição de poder no caminho dele. Tomara que Gutão seja feliz, isso, sim.
posted by JULIANA DE MARI 7:38 PM
Continuando
Então, final de semana passado fomos à praia. Aceitamos o convite da Kiki e do Jean-Phi, pais do Max, e ficamos na casa deles. Gutão ficou super excitado com a idéia de ver o mar. Acordou no sábado todo animado. Saímos de casa um pouco antes do almoço (pelamordedeus, cada viagem é um trabalhoooo pra arrumar as tralhas!) e filhote capotou no carro. Chegamos lá e paramos no primeiro restaurante decente pra comer um super PF. Gutão tava com uma baita fome. Comeu tudo e depois foi ver o mar com o Rô. Foi o tempo de descarregar as malas, dar oi pros anfitriões e correr pra areia. Gutão ficou tão feliz, mas tão feliz. Aliás, difícil dizer quem estava mais: o filho ou o pai!
O tempo ajudou, não fez frio e nós ficamos na praia até o sol começar a cair. Gutão virou bife à milanesa, de tanto que correu e se jogou na areia. Ficava completamente "sujo". Olhos, nariz, boca, tudo, tudo cheio de areia. Eu limpava e ele se jogava outra vez. E ria e saia correndo. O que eu corri atrás dele pra limpar olhos e nariz não tá no gibi. Voltei pra casa com as pernas doloridas, acreditem! A água do mar é que tava geladíssima. Não deu nem pra arriscar molhar do joelho pra baixo, sabe assim? Eu ficava com Gutão na beirinha, nós dois acocorados, esperando a onda bater. Cena linda, essa. Deu uma sensação de proximidade tão grande. Eu acocorava e Gutão vinha, na mesma posição, dando seus passinhos curtinhos pra pertinho de mim. Como eu amo esse menino!
Dormir na praia foi uma beleza. Gutão simplesmente capotou e não deu a menor bola pro barulhão que os adultos fizeram bem do ladinho do quarto dele. Aliás, foi bacana estar entre amigos, vê-los tomar um bom vinho (eu desisti de degustar; minha enxaqueca definitivamente não permite), comer um prato delicioso feito pelo maridão, dar boas risadas, curtir o barrigão da Patty, que espera o Pedro para daqui a dois meses. Não deu pra tomar um sol, isso não. O domingo amanheceu esquisito. Não fez frio, mas o céu azul não perdurou. Deu pro Rô surfar e pro Gutão correr bastante. Almoçamos na areia. Torta de frango e espigas de milho. Gutão adora milho. Coisa boa essa fase de despreocupação com a comida, poder oferecer a ele todas as delícias que a gente come. É bem restritivo ter que ficar levando papinha, cuidando de todos os ingredientes, esquentando e tal e coisa, né? Quando a criança ganha mais autonomia todos saem ganhando (mesmo).
posted by JULIANA DE MARI 6:07 PM
Quase 26 meses
Gutão, definitivamente, não é mais o meu nenê. Cresceu, meu filhote. Virou um menininho. Tagarela, curioso, tão alegre. Cada vez mais interessado na vida. Brinca sozinho, cria seu mundinho cheio de estacionamentos. Adora tudo o que tem rodas. Faz barulhos de motor com a boca. Vira a "motoca" de cabeça pra baixo pra colocar "gasoina". Simula "acidentes". Atropela os bonecos e diz, sério, que "ficá no meio da rua machuca".
Aprendeu a cantar, o meu gurizinho. A cada dia, chega da escola arranhando uma nova melodia. É a música do lanchinho, é a tal do foguete, é a do bom-dia, a da mamãe, a do lobo mau, a do boi da cara preta...Canta sorrindo, meu Gutão. E se a gente pede pra repetir, diz que não sabe, fica todo envergonhado. Tenho que gravar esses momentos porque são bonitos demais.
Acho mesmo que ele tem ritmo. Gosta de cantar e dançar. É fã do Jack Johnson. Pede pra colocar o CD e nos convida pra dançar. E sorri, e pula, e enche a casa de felicidade. Adora dar a mão pra dançar em roda. Faz isso todo dia na despedida da escola. E quer fazer de manhã quando acorda. E deu de acordar dizendo que quer ir pra escola e que botar o "uniforme". Só não tem cooperado muito pra trocar a fralda. Tem horas que troca numa boa. Tem outras que dá um verdadeiro chilique.
É tão engraçado com seus pequenos rituais (será o ascendente em virgem se manifestando?). Agora, no frio, fica em casa de meia e pantufa. E quer dormir com a bendita. Me ajuda a escolher o pijama e pede a "petita do boa noite", uma petita azul que tem uma carinha sonolenta desenhada. Pela manhã, ao acordar, pede a "petita do solzinho". E vamos seguindo com a petita, avisando que quem usa petita demais fica dentuço e que logo, logo a gente vai jogar a petita no lixo.
É carinhoso, meu Gutão. São breves os momentos, mas ele gosta de deitar no meu colo. E gosta de carinho no pé. Ah, como eu amo esses pezinhos! De tanto que eu dou beijo neles, filhote já aprendeu qual é da esquerda e qual é o da direita. Da pintinha, o direito. A única que filhote, meu potinho de leite, tem no corpo inteiro.
Passa o tempo, filhote cresce e meu amor vai junto.
Gutão continua com nariz entupido e tosse. Foi na otorrino com o Rô semana passada. Voltou a tomar remédios. Vai ter que fazer nova impedanciometria (afe, que palavrão!). Também vai ter que tomar a vacina de hepatite (atrasada) no sábado. Tem dormido melhor. Pede o pijama, a petita, o remédio do nariz, cumpre todo seu ritualzinho, e pumba. Passamos o final de semana na praia, mas isso é assunto pra outro post. Vale a pena contar da alegria do pequeno ao ver o mar. Amanhã escrevo mais.
posted by JULIANA DE MARI 9:52 PM
Mãe (babona) é uma só
Sábado foi dia de festinha das mães na escola do Gutão. Como o espaço para as apresentações não era dos maiores, só as mamães e seus respectivos filhotes foram convidados. As homenagens aconteceram em turnos a partir das 9h da manhã. O tema era "Qual a cor do amor?". Eu e Gutão chegamos às 11h, em cima do horário marcado. A platéia já estava lotada: um mulherio animado e orgulhoso, munido de máquina fotográfica e filmadora. Gutão foi com as tias para os "camarins" sem reclamar. E veio o primeiro grupo. Meninas com roupinha de bailarina, meninos de uniforme completo. E dançaram e cantaram. E deram risada e nos fizeram rir muito. Uma menininha se assutou com tantos olhares em cima dela. Saiu chorando nos braços da professora. E uma outra, da mesma idade, coisa de três aninhos, demonstrou exatamente o contrário: o maior prazer em ser observada. Ela dançava, e rodava, e sorria, e mandava beijo pra mamãe dela, uma graça.
A turminha do Gutão foi a segunda a se apresentar. Entraram todos de mãozinhas dadas, tão bonitinhos. A tia da "música" simulava a coreografia, as professoras ajudavam e eles cantavam e faziam todos os gestos, direitinho. Ai, nem preciso dizer que transbordei de tanta emoção, né? Que alegria, que orgulho, que imensa felicidade. Meu pequeno todo concentrado em seguir o "show", cantando a tal da música do foguete, aquela que ele ficou uma semana tentando me ensinar! Foram duas músicas pra cada turma. Gutão não se intimidou diante dos olhares e dos gritinhos das mamães. Fez a parte dele com muita exatidão. Quando a música terminou, chegou a bater palminha, orgulhoso da própria performance!
No final do espetáculo, todas as crianças, as menores e as maiorzinhas, entraram juntas e fizeram uma linda homenagem pras mamães. Gutão segurava um "pompom" verde e, enquanto se esforçava pra seguir a música, me procurava no auditório. Quando me avistava e eu mandava beijo, ele sorria, todo faceiro. E eu me enchia de mais felicidade. Se eu chorei? Ah, claro. Muito emocionante ver meu filhote ali se expressando. Muito bonito ver que a escola também está ensinando o valor do afeto. E eu não chorei só nas horas em que ele estava em cena, não. Achei tão lindo ver os maiorzinhos, mais preocupados com o "roteiro" do show, sabe? Lembrei do meu tempo de escola, do prazer e da ansiedade que eu sentia ao me preparar pra essas festinhas...
Depois dos shows, hora do chá e dos presentes. Uma mesa linda, cheia de guloseimas gostosas, nos aguardava no pátio. Foi ali o reencontro com nossos filhotes. Cada criança deu um cartãozinho em formato de coração e uma pulseirinha pra sua mamãe. Gutão me deu um beijinho e soltou um "te amo, mamãe". O detalhe da "jóia" é um pequeno pingente que leva um retratinho dentro. Coisa mais engraçada: pentearam o cabelo deles e Gutão, cabeludo que estava, ficou parecendo o Bozo!!!! :-)
O Rô veio nos buscar, brincamos mais um pouquinho no escorregador e recebemos os elogios da tia Carla (ela disse que fica impressionada com o desenvolvimento oral do Augusto, que ele fala muito e muito perfeitamente e que, quando chega na escola, ela sempre diz pra turma: chegou meu intelectual!!!!). Gutão nos acompanhou no almoço, feliz que só ele. Depois, papai e filhote foram cortar as madeixas. Gutão ficou sentadinho no meu colo, "lendo" um gibi do Chico Bento, nem aí pras tesouradas. Ganhou um corte novo, nem tão curto, mas perdeu alguns cachinhos. Ficou ainda mais lindo e com uma baita cara de moleque.
Terceiro dia das mães com filhote ao meu lado e eu tive a mesma sensação: a de que ele é o maior presente que a vida poderia ter me dado.
Te amo, Gutão, lindão! Sou a mãe mais feliz do mundoooooooooooo!
posted by JULIANA DE MARI 10:01 PM
E a família vai crescer
Calma, calma, que ainda não é o anúncio do(a) irmãozinho(a) do Gutão! A mãe, no caso, é outra: minha irmã Lu, aniversariante do dia. O presente é a barriguinha (linda!) de quatro meses de gestação. E eu que achava que não ia ter o prazer de ser titia tão cedo, viva!!!!!!! Gutão já sabe da novidade e, volta e meia, lembra e diz: "Tem piminho na barriga da titia Lulu". Na real, a gente acha que é uma menina, sei lá por quê. Se for, com ela, serão cinco priminhas pra babar meu Gutão, lindão quando ele passar férias em Recife, já pensou?!
Lu: saúde, serenidade, fé. Baita presentão aos trintão, hein? Ganhou "vida"! :-)
Te amo!
posted by JULIANA DE MARI 6:46 PM
A nossa melodia
Tou impressionada com o vocabulário do Augusto. Ele já falava bastante, mas, depois que entrou na escolinha, deu um salto e tanto na linguagem. Forma frases completas, estabelece verdadeiros diálogos com a gente. E aprendeu a cantar! É só eu dar o mote e ele completa as musiquinhas, uma graça. Aliás, ele adora música, cantar e dançar. É fã do Jack Johnson e, volta e meia, pede pra ouvir o CD dele. Há um tempinho o presenteamos com um violão, daqueles de madeira, feito especialmente pra crianças. Pequeno, mas com cordas de verdade. Gutão delirou. No início, não conseguia tirar nenhum acorde do dito cujo. Essa semana, no entanto, nos surpreendeu. Não só aprendeu a segurar o violão à la Jack Johnson como a tirar um baita som!
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E vamos aos "causos" recentes:
- Gutão brincando de "estacionamento" com seus vários carrinhos no sofá da sala. Chego perto e ele diz: "Vem brincá, mamãe". Eu me aproximo pra sentar no chão e ele manda: "De joelho, mamãe".
- Gutão colocando o casaco pra ir pra escola: "Que abotoá sozinho". Hã-hã.
- Papai e mamãe jantando e filhote, tomando leitinho no cadeirão, solta essa: "Cheiro booooom de comida; cheiro ruim de coco" :)
- Gutão pega o "gaúcho" (um bonequinho de cerâmica, íma de geladeira) e o Rô pergunta "Como é que o Gaúcho fala, filho?". Ele responde: "BáTê, que lôco" (Bah, Tchê, que louco!).
- Gutão abre a gaveta, pega um abridor de garrafa de formato parecido com um celular, põe na orelha e diz: "Alô, quem é? É o Gutão falando"!!!!
- Gutão colocando a Pig pra dormir, depois de "sufocar" a porquinha num abraço: "Boa noite e bons sonhos, Pig"
posted by JULIANA DE MARI 11:59 AM
Gostosura
Tem feito friozinho esses dias. Bom pra dormir, é verdade. Péssimo pra acordar no meio da noite quando aquela vozinha querida grita "mamãeeeeee". Gutão continua com o nariz entupido (eu idem) e continuo atribuindo a essa agonia os chamados noturnos. Já estamos com consulta marcada na otorrino e eu já tou preparada pra recomendação: inalação + remedinhos "desentupidores". Por conta própria, não me atrevo a receitar nada além do eterno sorine.
Falando nele, tá uma graça. Cabeludo (os cachos cresceram atrás, mas o visual geral é de um Oasis, com uma franja longa na frente, sabe assim?), falante, muito brincalhão. Tem temperamento alegre, meu Gutão. Deu de fazer algumas coisas e dizer "foi engraçado", soltando um risinho bem maroto pra acompanhar. Também anda muito carinhoso. Dia desses, cheguei em casa e ele quis me acarinhar com um "objeto" que criou na escola. É um palito de picolé com uma pena na ponta. Gutão me pediu pra sentar no chão, pegou meu rosto e disse: "olha pra mim, mamãe". E ficou passando a pena de cá pra lá, uma delícia! Acho que ele se deliciou mais do que eu; chegava a fechar os olhinhos de tanta felicidade. São momentos assim que fazem tudo e qualquer coisa valer a pena por um filho. Amor espontâneo não tem preço!
E domingo que vem é dia das Mães. E Gutão tá preparando surpresa na escola. Temos compromisso por lá no sábado pela manhã. Veio um convitinho me pedindo pra comparecer e levar meu filhote devidamente uniformizado. Detalhe: meninas devem ir de sapatilha de balé! Durante a semana, Gutão chegou a comentar que tá "fazendo um coração" pra mamãe. Também nos pediu pra cantar a música do Foguete, uma tal que não conhecemos. Juntei as coisas e acho que ele deve estar ensaiando a musiquinha pra apresentação do sábado. Fala sério, vou pagar mico de tanta emoção!!!!!
Não fizemos muita coisa fora de casa nesse final de semana. O programão do domingo foi visitar a Nina, o Miguel e os Dindos. Almoçamos com eles e foi lindo de ver o desabrochar do entrosamento entre meu Gutão e seu mais antigo amigo (gostei disso, Dani!!!). Ora era Miguel que falava: "que coisa, Auguto", dando uma bronca qualquer no amigo, ora era Gutão quem pedia: "olha pra mim, Miguel". Pela primeira vez, eu acho, eles realmente brincaram juntos. Lindo.
E linda tá a nossa afilhadinha querida, que engordou um bocadão em seus dois meses de vida e já tá toda exibida em seus modelitos cor-de-rosa. O pescoço começou a firmar e eu a peguei no colo completamente esquecida que, mesmo assim, é preciso oferecer apoio. A Nina reclamou e eu fiquei ali, levemente tensa (ahahhhaaaa), improvisando uma cançãozinha pra mostrar que a Dinda Ju é, sim, meio desastrada, mas é totalmente do bem. E saiu assim: "Canta, canta, menina Nina, canta, canta, menina linda". Parece que ela gostou porque acalmou, ficou observando o ambiente, aceitou a chupeta e, em segundos, capotou. Tão pequenininha, tão quentinha. Deu vontade de ter uma menina da próxima vez...
posted by JULIANA DE MARI 6:55 PM
Ah, se todo dia fosse assim
Na boa, a semana deveria ser sempre assim: três dias de folga versus quatro de labuta. Seria mais equilibrado, não seria? Ah, foi tão bom esse feriadão. Deu pra ficar em casa e curtir muito meu filhote, pra ir na pracinha com o Rô junto, pra tomar café com doce na Vila, pra encontrar uns amigos na rua e receber outros em casa. Gutão encontrou o Theo, da Rê, o Miguel, da Dani, o André, do Patury, o João e a Lívia, da Tita. Ficou todo feliz que "deu carona pro skate" na ladeira da praça. Babou comendo brigadeiro de colher no café da tarde. Viu e reviu a nova atração em DVD, Lilo e Stich (quanto mais barulhenta e trash a cena, mais ele dá risada!).
O feriadão só não deu pra dormir o tanto que EU precisava...Gutão tem dormido melhor, embora ainda acorde uma vezinha por noite (o que estou pondo na conta do nariz super-mega-entupido). Preciso marcar consulta na otorrino e na pediatra. E levar meu bichinho pra tomar a segunda dose da vacina da hepatite, atrasada já há um mês, ui! Eu é que voltei a brigar com o travesseiro. O ruim é que vou pra cama bem cansada, mas não estou conseguindo capotar como precisaria pra desligar, entende? Nem falo mais do número de horas que seriam realmente necessárias pr'eu acordar "bem". Tou falando é de qualidade do sono. Anyway, acho que tem a ver com a preocupação com Gutão, a estar atenta aos sinais noturnos dele, ao receio dele dar uma piorada à noite (ele tem tossido horrores)...Resumindo: piração de mãe.
Pode ser também que não tenha nada a ver com ele. Pode ser comigo, o babado. Tenho, sim, necessidade de mais horas, dias, tempo de folga. Quando a gente está em movimento nem sempre está conectado com a essência...E eu preciso me conectar com a minha essência o tempo todo; se não, dá tilte. Agorinha mesmo estou aqui, planejando minhas próximas férias: duas semanas em setembro, mais uma em novembro. Brecha pra uma pausa mais do que justificável: encomendar um(a) irmãozinho(a) pro Gutão, oba!
posted by JULIANA DE MARI 8:51 PM
De carinhos e coisas afins
Uma das coisas que eu mais gosto de fazer com meu Gutão, além de brincar, dançar e dar risada, é dormir. Como é gostoso deitar do ladinho dele nos finais-de-semana e curtir a sonequinha do dia sentindo aquele cheirinho bom, aquele pezinho pequenino se enroscando em mim. Gutão é tão carinhoso, viu? Antes de fechar os olhinhos pra dormir, qualquer que seja a hora, abraça a Pig e diz assim, repetindo meu refrão de toda noite: "Boa-noite, Pig. Bons sonhos". E abraça e beija e faz carinho na porquinha. Dá beijo até em figura de revista e em desenho de pijama! Hoje fez um montão de carinhos no cachorrinho que enfeita o meu. Quando pega alguma coisa pra comer, sempre me oferece um pedacinho. Se tá no meu colo, fica fazendo carinho nos meus cabelos. É espontâneo nas demonstrações de afeto. Se a gente pede um beijo ou um abraço forçados, quase nunca dá. Dá é risada, esse danado.
Aprendeu a dar "abraço de três". Eu, ele e o Rô bem juntinhos. Vira e mexe, pede um. E ri, feliz. E gosta de repeteco: "Última vez, mamãe". Também já sabe expressar seu amor à semelhança do meu. Sempre digo: "Te amo do tamanho do...mundooooooooo". E abro os braços pra demonstrar quão grande é o meu amor por ele. Filhote faz igualzinho e repete minhas palavras e meus gestos. Lindo. E como gosta de bichinhos esse menino. Cachorro, então, faz ele cerrar os dentes de tanta emoção. Se deixar, ele sai correndo atrás do bicho, quer fazer carinhos mil, quer até dar beijo nos dito cujos. Foi assim na pracinha hoje. Estavam lá o Theo e a Rê e mais uma amiguinha, a Isadora, dona do Mel, um cachorro de mesma cor, muito alegre. Gutão viu o bicho e soltou: "Ele tem um cinto". Não, filho, não é cinto, não. É coleira. Valeu a conexão! O bicho não entrou no tanque de areia, claro, mas ficou por ali, correndo ao redor, todo animadinho. A certa altura, cadê Gutão? Se foi, correr atrás do Mel. E o Rô atrás. E Gutão de cócoras fazendo carinho no cachorro. Quando vi, tava dando beijo nas "costas" dele, ai, ai. Bem legal que ele não tenha medo e que seja capaz de respeitar e curtir os animais assim, mas sempre fico de olho e digo que não é legal incomodar os bichinhos. Sabe lá quando uma demonstração de amor não vai resvalar num tapão, né? Comigo é assim, entre tapas e beijos. Se eu dou bola, encantos mil. Se eu desvio a atenção, lá vem tapão! De um jeito e de outro, te amo, seu Gutão!
posted by JULIANA DE MARI 8:37 PM
Vamos seguindo
Gutão melhorou. Tá com bastante catarro ainda e um pouco de tosse, mas não tem mais febre e nem está mais prostrado como antes. Recuperou o apetite e o gás. E já voltou pra escola. Nesses dias em que esteve longe, aliás, nos demonstrou que o vínculo está bem estabelecido. Acordava e pedia pra vestir a camiseta da escola, pra usar o tênis da escola, pra ver as tias da escola. Continua fazendo inalação e não dá mais chilique na hora da "tapotagem" (aqueles tapinhas nas costas, com a criança inclinada nos joelhos, pra liberar o catarro, sabe como é?). Até repete nosso cuidado querendo "tapotar" nossas costas a toda hora. Diz assim: "massagem, mamãe.".
Tá falando coisas que até Deus duvida. Inevitavelmente, tenho vontade de rir com as tiradas. É muito lindo ver o florescer da linguagem, as conexões que ele faz, as palavras que escolhe. Outra noite, nós três no quarto da TV, ele olha pra gente, vai se afastando e diz: "Vou embola". E eu pergunto, curiosa, o motivo. E ele diz: "Tô babo". Eu insisto e pergunto por quê. Ele olha, franzindo a testa: "Tá muito chato aqui". Hein?!
Tou mais tranquila com os "ataques" dele. Faz parte, é fase, toda criança passa por isso. É que, quando fico cansada, tendo a enxergar tudo com lente de aumento. Faz parte, é assim mesmo, toda mãe passa por isso! Aliás, que coisa boa ter "conforto" aqui no blog. Esse nosso contato virtual ajuda a relativizar. A perceber que na casa do vizinho acontece o mesmíssimo dramalhão. Obrigada!
posted by JULIANA DE MARI 5:46 PM
Dá-me luz, ó Deus do tempo
Tem dias em que o cansaço não perdoa. Ainda bem que é sexta-feira, feriado. Gutão melhorou um pouco. Não teve mais febre, mas continua muito encatarrado. Estamos fazendo inalação três vezes ao dia, limpando o nariz com Sorine outras tantas vezes e tirando "ranho" com a bombinha inúmeras outras. Durante o dia, ele tem passado bem. Anda um tantinho irritado e com mais sono do que o habitual (talvez efeito dos remédios). Nossas noites, no entanto, têm sido naquela base. Gutão dorme mal, acorda muito, funga muito, chama muito a mamãe. Tenho atendido na medida do possível. O Rô tem se revezado nessa missão. Mas filhote nem sempre aceita a presença do pai e chora, reclama mesmo, a minha presença...Aí, fico dividida, entre jogar a toalha de vez ou respirar fundo e ir lá acalentar meu menino. Resultado: acordo moída, nem descanso, nem desligo, nem coisa nenhuma. Sorte que hoje Gutão pediu pra tirar uma soneca por volta do meio-dia e me requisitou. Fui de bom grado com ele (Pig nos braços!) pra nossa queen size. Deitamos juntinhos, rodeados de carrinhos, e ali ficamos até às 4 da tarde!!!! Não posso dizer que dormi o tempo inteiro, pois ele mexe horrores, fala um bocadinho e me empurra constantemente! Mas que ajudou a descansar, isso ajudou.
Passamos o feriado reclusos. Eu e o Rô demos uma pequena geral na casa. Gutão viu o Cocoricó umas vinte vezes (viciou outra vez) e levou uns cinco castigos. Tá com essa mania horrorosa de jogar as coisas no chão deliberadamente ou de tascar tapões no meu rosto e no rosto do Rô. Ele já sabe que não pode, mas não deixa de fazer. Hoje pela manhã, assim que saí da cama, ele veio atrás de mim no banheiro. Falei qualquer coisa que ele não gostou e, na hora em que abaixei pra dar um abraço, levei um copo no alto do nariz. Foi tão de repente que não tive outra reação: comecei a chorar!!! Gutão ficou todo sentido. Pediu "depuca", disse "não chora, mamãe" e quase foi voluntariamente pro castigo.
Como é difícil lidar com essa agressividade e essa necessidade de limite o tempo todo, todo o tempo, ou seja lá o que for isso, viu? Confesso que tem horas que dá vontade de simplesmente fingir que não é comigo. Mas não dá, né? E aí, lá vamos nós pra ladainha do "isso não é legal". Gutão tá naquela fase afirmativa -- ou seria negativa? Pra tudo que a gente diz, ele devolve um "não". Só coopera quando eu peço ajuda ou quando digo que ele já aprendeu a fazer determinada coisa. Aí, acho que ele se enche de orgulho, não se sente "controlado", e faz o que peço direitinho. Será que o modus operandi dessas figuras, com tão pouca idade, já é assim tão complexo? Ou será que sou eu que tou dando significados complexos pras atitudes dele? Ai, meu pai eterno, acho que tou precisando voltar pra terapia!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:35 PM
Vai embora, dodói!
Dessa vez, filhote realmente ficou maus. Nunca o vi tão entregue, tão abatido. Na terça à tarde, quando o Rô o levou ao hospital, disse que ele estava tão prostrado que nem chorar chorou. Ficou sentadinho na cadeira do carro, chupetando, olhinhos inchados, todo congestionado. Vez por outra, escorria uma lágrima pra denunciar o sofrimento dele. Tadinho. A médica que o atendeu disse que os ouvidos estão vermelhos e as vias aéreas muito cheias de catarro, assim como os brônquios. Gutão tá mesmo com uma tosse e um chiado bem chatos. Também tava com febre, mais de 39. Fez raio-X (não deu pneumonia, graças!) e nebulização lá mesmo. Voltou pra casa com uma receita recheada de remédios, fazer o que? Pra nossa sorte, na hora em que o Rô tava preparando o Clavulin (amoxilina), eu cheguei em casa e vi. Gutão tem alergia à amoxilina, já pensou? Liguei na hora pra dra.Ketty pra conferir as recomendações da outra médica (ah, eu sempre faço essa checagem!) e pedir outro remédio equivalente. Filhote tava tão cansado, tão cansado que deitou por volta das 18h e só acordou no dia seguinte às 8h! Nem jantou, claro. E quem quer saber de comer quando está doente de verdade, né? Suou horrores, trocou o pijama e a fralda sonâmbulo e fez nova nebulização deitadinho, de olhos fechados. Não dormi, obviamente. Fiquei atenta a cada respirada, a cada choramingo dele.
Graças a Deus e aos remédios, Gutão acordou um pouco melhor ontem. E assim está até agora. Sem febre, mais animadinho. Não tem ido à escola, mas tem pedido pra ir, acreditem! O nariz continua escorrendo e ele continua dizendo que "tá muito entupido". Agora, com a experiência da nebulização no hospital, ele não tem mais criado caso nessa hora. Ao contrário. Segura, ele mesmo, a máscara e deixa o "ventinho" fazer o trabalho até o final. Com a máscara que trouxe do hospital, enquanto eu faço nele, ele faz na Pig. Eita que esse amor é coisa séria!!
Quê mais? Hoje pela manhã tive provas de que ele já está bem melhor. Foi preciso dar dois castigos no bichinho em menos de cinco minutos! Ah, não, Gutão tá com uma mania de jogar as coisas no chão, sabem como é? Tem horas que tudo bem, até passa. Mas tem momentos em que essa zona me irrita profundamente. Em especial quando ele escolhe coisas que podem quebrar quando vão ao chão. Aí, não tem jeito. Dou a primeira advertência e, se não obedece, castigo. Gutão é malandro, já senta no pufe pedindo desculpa. Agora, além do "depuca, mamãe", ele diz que quer dar "um beijo na mamãe". Eu aceito de bom grado, mas mantenho o castigo anyway. Uma hora ele vai entender que não pode fazer o que quer na hora que quer. Que há regras, que há o certo e o errado, sim, senhor. É bom que ele conteste. É bom que ele tente, é bom que ele ouse. Só não é nada bom que ele persista fazendo o que não deve. Eu sei que ele ainda não entende a relação causa e efeito em sua totalidade. Mas eu entendo -- e eu acredito que é importante continuar sinalizando e ajudando meu filhote a encontrar as conexões dele.
Falando em conexões, Gutão quer fazer tudo o que a gente faz. Se a gente escova os dentes, ele pede a escova dele. Se a gente pega uma taça de vinho, ele pede o suquinho. Se a gente folheia uma revista, ele chega junto e pega outra pra ver. Ontem, aniversário de três anos de casamento do papai e da mamãe!, acordamos com beijos e abraços. Gutão presenciou a cena. Mamãe explicou que era um dia festivo, que a gente estava comemorando o casamento. Gutão olhou bem sério, meio enciumado, e disse: "quer casar também"! Tem presente melhor do que esse?
posted by JULIANA DE MARI 12:47 PM
Chegou o inverno
E Gutão piorou. Continua com febre, nariz entupido, dificuldade pra respirar. Tem tossido bastante. A sorte é que tá botando catarro pra fora. Dormiu super mal essa noite. Choramingou um bocado, tadinho. Tou aqui toda torta de ficar ao lado dele na cama, vigilante. Ah, não lido muito bem com meu bichinho sofrendo, não. Fico arrasada. E cansada. E culpada. Queria estar lá com ele pra dar colo na hora em que ele precisa...Ainda bem que o Rô ficou trabalhando em casa hoje. É ele quem vai levar filhote no hospital agora à tarde. Achamos melhor assim, ir logo ver se é só gripe passageira ou se é preciso intervir de outra maneira. Já passei uma lista de perguntas a fazer pro médico. Já fiz mil e uma recomendações. Tá um frio do cão na rua, um dia horroroso. O frio chegou, ai.
Sei que eles vão estar bem na companhia um do outro. E eu sei que tou ausente, mas tou super presente, sabe assim? Espero ter notícias melhores na sequência.
posted by JULIANA DE MARI 3:51 PM
Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim?
Gutão descobriu o primeiro ovo por acaso. Estava lá, em cima do móvel da TV, aguardando um esconderijo melhor. Filhote, ainda meio sonado, bateu os olhos e não teve dúvidas: "Vamo abri?". Numa linda caixinha transparente, Gutão viu um coelhinho branco abraçado a um ovo de chocolate (arte da querida Fabíola Toschi, www.fabiolatoschi.com.br). Nem bem abri, ele já foi metendo as mãozinhas. Arrancou as pernas do coelho, coitadinho, e começou a fazer rolinhos, daqueles que a gente faz com a massinha da escola, sabe como é? Eu e o Rô dando risada e tentando explicar que, não, não era massinha. "É de comer, filho, é chocolate." A segunda delícia estava aguardando o menino na porta de casa. Do lado de dentro, obviamente. Vai que passa um vizinho desavisado e leva nosso "ninho" embora? Bom, instiguei Gutão a procurar o ninho que o coelhinho da Páscoa havia deixado pra ele. Correu no quarto, no banheiro, andando meio agachado, gritando "Coelhinho, cadê você?". Um barato. Aí, dei as coordenadas e ele, enfim, descobriu o baldinho cheio de ovinhos. De tão excitado que tava, tascou um no bocão sem nem tirar o papel alumínio!! Ah, Páscoa e chocolate fazem rima, né? E Gutão comeu uns três ovinhos pra começar o dia (daqueles pequeninhos que a gente come sem culpa, lembrança das minhas páscoas lá atrás!).
A pedidos, fiquei sem ovo. Preciso me livrar desses quilinhos que insistem em continuar por aqui e, digamos, férias na Bahia não foram a melhor opção no quesito "ficar em paz com a balança"...De todo modo, o Rô me deu uma caixinha linda, com quatro trufinhas de chocolate. Comi uma metade e ele se encarregou da outra. Ele, sim, ganhou ovão. Chocolate Alpino, irresistível. Sim, eu ataquei o dele!!! Mas foi um ataque breve. Só pra não dizer que minha Páscoa não foi doce. É que passamos o feriadão meio de repouso. Eu, pra começar. Peguei uma gripe daquelas e a sexta da Paixão foi à base de cama, chazinho e carinho. Ontem acordei um tantinho melhor, mas, aí, foi Gutão quem baqueou. Depois do aniversário do amiguinho Pedro, veio a febre. Gutão dormiu sem comer nadica. Nem leite aceitou. Continuou assim hoje. Almoçou três colheradas de ovo mexido e aceitou um tantinho de suco de goiaba. E só. Tá alegre, tá brincando, mas tá com o nariz entupido e a testa quente. Agora, dormiu. Soneca que começou a ensaiar às 11h e só concretizou às 14h30!!!! Tá lá na nossa cama, grudado no violão que ganhou da gente ontem. Pequeninho, de madeira, com cordas de verdade. Ele adora música. Deve ser o fã número um do Jack Johnson, viu? E, como o ídolo toca violão, Gutão também tinha que ensaiar seus acordes. Tomara que a gripe seja como a minha: passageira. Filhote tem escola amanhã. E tem semana curta outra vez, oba!
Feliz Páscoa! E que Jesus continue abençoando a família de vocês com muita saúde, muita harmonia e muito mais alegrias. Amém.
posted by JULIANA DE MARI 3:45 PM
Atualizando
O paraíso
Estamos de volta, depois de uma semana maravilhosa no "paraíso". Sim, descobrimos nosso "canto" no mundo. Aquele lugar especial pra renovar energia, sabe? Itacaré, mais precisamente a praia de São José. Praticamente privativa, emoldurada pela exuberante vegetação de Mata Atlântica, com mar de águas mornas, boas ondas pra surf (sim, o Rô se esbaldou!) e um riozinho na esquina, coisa linda de se ver. Voltaremos, com certeza.
Curtimos um bocado. Dessa vez, voltei bronzeada, como eu queria. Fiz rodízio com o Rô nos cuidados com o filhote, de forma que tanto eu quanto ele tivemos direito a nossos pequenos prazeres individuais. Gutão voltou "coradinho". Ia pro sol devidamente coberto com bloqueador solar, chapéu e camiseta. Aproveitou muito. Andou peladão pela praia; fez xixi e coco ao ar livre (e a gente querendo que ele use pinico em casa!!); fez vários amiguinhos, viu vários bichinhos; nadou bastante; tomou muito suco de manga e água de coco; encheu a pança com super PFs na hora do almoço e comeu pouquíssimo na hora do jantar. Pulou horrores na cama -- agora deu de imitar o desenho e morre de rir com o "super-hiper-mega pulo" do Tigrão! Revelou-se um grande leitor: além dos livrinhos de toda noite, "leu e releu" a National Geographic do papai com entusiasmo (ai, meu pai eterno, vem mais um apaixonado pelas letrinhas por aí?). Fez amizade com todos do hotel. Adorava a Lu, uma negra cheia de ginga, nossa guia turística. Perguntava por ela todo santo dia. Ela também adorou o menino. Fazia questão de carregar seus 13 quilos no colo nas piores caminhadas!!! E Gutão participou de todos os (poucos) passeios que conseguimos fazer. Fez uma baita caminhada com o Rô, pra ver o jacaré "Binho" comer pão e banana das mãos da moça que cuida dele. Encarou subir o morro (no colo da mamãe, diga-se) e depois caminhar por entre arrecifes pra desfrutar um delicioso banho na piscina natural. Queria nadar a todo custo. Chegou a mergulhar, enfiando o rosto completamente na água, sem se importar em tapar o nariz ou fechar a boca. Claro que engasgou algumas vezes e ficou com os olhos super vermelhos, mas adorou a experiência. Prova de que precisamos mesmo, urgentemente, pensar em natação pro danado.
A volta pra escola
Depois de uma semana ausente, Gutão voltou pra escola como se nada tivesse acontecido. Amém. No primeiro dia, pediu pra que eu o levasse até a salinha do lanche -- "mamãe, entra com Gutão". Fomos juntos dar um "susto" na tia Carla. Ela recebeu nosso filhote com um baita sorriso, deu um abraço super apertado e foi mesmo lindo ver aqueles cotoquinhos que são os amiguinhos de turma dele falando "oi, Gutão", "Gutão voltou". Bastaram dois minutos pra eles se entrosarem e Gutão me liberar pra trabalhar. Assim tem sido da segunda pra cá. Ontem e hoje, nem precisei entrar com filhote. Dei beijo no portão mesmo (do lado de dentro da escola, vai) e ele seguiu, todo feliz, pelas mãos das "tias".
Terça, aliás, foi dia de entrega do relatório psicopedagógico do bimestre. Fiquei tão orgulhosa do meu menino! Está lá registrado que o Augusto é um menino muito alegre, sempre sorrisos, muito comunicativo, que expõe suas vontades e necessidades com muita clareza, que explora muito bem o ambiente no qual está inserido e os materiais que a tia oferece para as atividades, que é bastante sociável, adora cantar e dançar e prefere brincar com carrinhos do que com qualquer outra coisa! Ela conta que ele costumava ficar com sono no meio da manhã (mas já se adaptou ao novo ritmo), que sempre fala sobre o papai e a mamãe com carinho, principalmente, sobre onde a gente trabalha, e que demonstra muita afinidade com a babá (ufa!).
Depois de ler o relatório, conversei um tantinho com a professora e com a coordenadora pedagógica pra tirar algumas dúvidas. Por exemplo, toda vez que pergunto como foi na escola, Gutão responde "Bateu nos amigos". Eu sabia que ele não é de fazer isso, mas não custava checar. De fato, ele não faz isso. Ao contrário. A tia Carla contou que ele é muito carinhoso e cooperativo. Teorizando, elas acham que ele pode falar em bater pra me causar espanto mesmo, porque sabe que não é uma coisa bem-vinda e que eu vou prestar atenção ao que ele está dizendo. Pode ser. Quando ele diz que bateu nos amigos, eu sempre digo de volta que sei que ele não faz isso, que a tia me contou que ele é muito carinhoso e tal e coisa. Ele sempre dá um sorrisinho maroto depois. Disse a tia também que Gutão tem muita energia, mas não é agressivo. Que não tem lá é muita paciência (isso é verdade). Eu repliquei que ele tem o que chamo de "atenção randômica": para o que o interessa, todo tempo do mundo. Para o que não o interessa, pernas apressadamente ansiosas o conduzem a outra direção. A professora sorriu e confirmou. Quando fazem a rodinha da despedida, na hora de voltar pra casa, todos os amiguinhos ali sentadinhos, cantando com as tias. Cadê Gutão? Senta um minuto, bate palmas, balança as perninhas, e pronto. Já se foi. Rodar ao redor da rodinha! Eu flagrei a cena na minha semana de férias antes da viagem. Dei risada sozinha. É isso aí, filho. Bom saber que você atende às "normas", mas preserva sua espontaneidade.
A tagarelice e a disciplina
Gutão disparou a falar. Até aí, nenhuma novidade. Ele já fala bastante há bastante tempo. Agora, no entanto, ele fala cada vez mais coisas que nos surpreendem. Exemplos? Vamos a eles. Toda noite, Gutão pede a escova de dentes. "Qué escova do elefantinho". E vamos lá no banheiro "dele". E ele diz: "bota pasta, mamãe". E eu boto e digo: "essa é a primeira vez". Sim, porque depois de morder bem muito a escova (na real, ele escova só os dentes de baixo e eu ajudo a escovar os dentões de cima), ele sempre pede: "última vez". E ri. E voltamos ao banheiro pra colocar a pasta mais uma vez. Nunca provei, mas deve ser mesmo gostosa porque Gutão tá viciadão na pasta da Welleda, aquela sem flúor. Fio dental, ele já não dá tanta bola. Acabou o que ele gostava, o de fita sabor menta. Pois bem, ontem coloquei a pasta, ele voltou ao quarto da TV, "escovou" os dentes outra vez e pediu de novo: "última vez agora, mamãe." E eu disse não e expliquei que já tinha colocado a pasta pela última vez. Aí, Gutão olhou pro Rô e mandou: "pega a outra escova agora, papai". Sim, porque, na cabecinha esperta dele, o ciclo acabou com a escova do elefantinho, mas ele ainda podia tentar com a do Leitão!!!! Claro que eu e o Rô morremos de rir -- mas não teve outra última vez coisa nenhuma.
Gutão me chama pra brincar, uma graça. "Vem brincar na sala, mamãe". Pede pro papai parar de incomodar. "Não faz isso, papai". Diz direitinho o que quer comer. "Qué iogurte do solzinho". Inventa mil e uma desculpas quando não quer fazer alguma coisa. Hoje pela manhã, eu toda agoniada, atrasada pra levá-lo na escola, chamando por ele na porta, e ele lá, brincando com os carrinhos, tranquilão, tranquilão. Eu quase berrando já e ele diz, sorriso a meia-boca: "Gutão tá doente (como quem diz, ai, hoje não quero ir pra escola, não!). Eu posso com isso!!!!
Estamos firmes nos castigos (ui, que dó). Até durante as férias foi preciso escolher a "cadeira do castigo" no hotel. Sim, Gutão gosta de desafiar, Gutão pede limite, Gutão quer atenção. Não sabe, ainda, lidar com a raiva, com a frustração. Perde a estribeira, fica nervoso, joga tudo no chão, grita, quer agredir papai e, principalmente, mamãe. Ah, não, não vem, não, violão. Entendo que é demais pedir prum guri de dois anos se comportar à mesa durante um jantar inteirinho. Mas é de menos permitir que ele seja absolutamente livre para ser mal criado quando quiser. Viver em sociedade é saber seguir determinadas regras. Claro que vale contestar uma coisa ou outra, mas educação é uma moeda que não perde valor ao longo do tempo. Pra educar, é preciso ser coerente, ser paciente. Eu e o Rô estamos firmes. Quando Gutão extrapola, vamos lá: olhamos nos olhos, falamos do comportamento que não aceitamos, levamos pro castigo, e o deixamos ali um tantinho. Pra sair do castigo, Gutão pede desculpa e nós pedimos que ele diga porque foi repreendido. Ele não gosta muito de admitir o que fez de errado, não. Mas só é liberado depois de fazer o registro oral da malcriação. Esperto que só ele, agora, deu de pedir desculpas, fazendo um baita bicão, antes mesmo de sentar no pufe, na cadeira, seja lá onde for. Derreto por dentro, aceito o beijinho, mas dou o castigo anyway. Coerência, lembram? Não acredito em bater pra ensinar. Então, tem que ser assim mesmo. Pacientemente, ensinando limite, disciplina, o que é certo, o que não é. Na nossa casa, do nosso jeito, de acordo com os nossos valores. Fácil, não é. Irrita, enche o saco, dá vontade de deixar de lado, mas cadê nosso compromisso? Quando me bate essa rebeldia, eu penso no futuro. Daqui a alguns anos, Gutão mais crescidinho, dando escândalo nos lugares, desrespeitando as pessoas, exagerando na expressão das suas vontades. Respeito, sim, o jeito dele de se auto-afirmar, respeito, sim, as escolhas que ele já faz, mas não é por isso que vou deixar de ajudá-lo, no que me for possível, a ser uma pessoa do bem, de bem com a vida.
E nossa aventura tá tão divertida. Gutão é uma criança que enche a casa de sons e de sorrisos. É tão meigo, meu menino. É tão explosivo, meu menino. É superlativo desde pequenininho. Gutão, lindão. Te amo. Sou tãooooo feliz por ser tua mãe.
posted by JULIANA DE MARI 12:18 PM
Mini-férias
Tirei duas semanas de férias. A primeira passei em Sampa mesmo, curtindo a casa, o filhote, o Rô, os pequenos prazeres de uma rotina sem compromissos profissionais. Fiz massagem; arrumei o armário dos sapatos (taí, uma coisa que adoro: sapatos!); levei e busquei Gutão na escola; até comecei a "malhar" na academia do prédio (tá, fui duas vezes só, andar na esteira e levantar uns pesinhos, mas fui). A segunda semana vai ser de férias com a família. Vamos conhecer o que as praias da Bahia têm de bom, oba!
A previsão do tempo indica pancadas de chuva, mas não é possível que o Senhor do Bonfim vá encharcar a nossa alegria com chuva a semana inteira. Tenho fé que vai sair um solzinho e que nós três vamos aproveitar um bocado a vida boa na beira do mar. O Rô certamente vai surfar; eu e Gutão vamos correr muito na areia (haja fôlego!). Tou levando uma bolsa cheia de brinquedos (se chover, vai ser a nossa salvação), entre eles, claro, um kit praia com baldinho. O melhor de tudo é que esse hotel, segundo a maravilhosa propaganda do site deles, além de mil e uma atrações ao ar livre, tem serviço de baby-sitter, tem noção? Isso significa que eu e o Rô vamos poder dar umas escapulidas sem culpa. Afinal, se mamãe e papai estão felizes, unidos e tranquilos com a relação, Gutão só tem a ganhar. Ganha um modelo bacana pros seus próprios relacionamentos futuros, ganha atenção genuína da gente, ganha valores que gostaríamos de transmitir, enfim. E lá vamos nós, rumo às boas coisas da vida: amor, sombra e água fresca. Até a volta!
posted by JULIANA DE MARI 12:27 PM
Dois anos de novidades
Gutão ganhou um penico ontem. Penicão, na verdade. Da Safety First, parece um verdadeiro troninho. Dá pra usar até como assento redutor na privada. Filhote já vinha falando nisso, em fazer xixi no peniquinho, e eu achei que esse era um bom sinal de que podemos começar a transição da fralda para o "trono". Hoje, pra minha surpresa, filhote acordou dizendo que queria usar o penico. Fomos ao banheiro dele correndo, mas só deu tempo de tirar a calça do pijama. Gutão sentou meio cambaleante no penico e mandou ver. Um pouquinho ficou lá dentro. Um montão inundou o chão! No problema. Falei pra ele que estava orgulhosa dele ter tentado e que, daqui pra frente, toda vez que ele quisesse fazer xixi era só avisar. Não aconteceu outra vez. Sendo assim, acho melhor esperar os sinais se alumiarem pra recomeçar o treinamento.
Gutão anda bem birrentinho, vou te contar. Pede atenção a toda hora e, se não consegue, haja paciência pra lidar com o "enfurecido". Quer bater, quer machucar, quer empurrar. Só hoje pela manhã tive que dar dois castigos. Funciona assim: pego na mãozinha dele, levo pro quarto, sento no pufe e digo o motivo do castigo. Deixo ele ali cerca de um minuto, no máximo. O suficiente pra ele soltar um "depuca" (desculpa). Na hora em que o libero, reforço o motivo do castigo e explico qual é o comportamento esperado. Gutão insiste em testar nossos limites. E eu insisto em ser firme em ensinar o que é o certo (ao menos, na nossa casa, de acordo com os nossos valores), embora, ás vezes, tenha a maior dó de ver meu pequeno ali, em lágrimas, reclamando da vida, da mamãe e da impossibilidade de fazer o que quer na hora que quer do jeito que quer. É isso, né? Frustrações muito maiores ainda virão...
Quê mais? Gutão teve festinha de aniversário na escola. Como é no horário do lanche e os pais não podem participar, as "tias" tiraram várias fotos pra gente. Festeiro do jeito que é, filhote se esbaldou. Chegou em casa podre de cansaço. Aliás, tirei duas semanas de férias e nessa agora tive o prazer de ir buscá-lo na escola. Ah, que coisa linda ver aqueles pirralhinhos de mãozinhas dadas, cantando em roda, felizes, felizes. E o sorrisão que eles dão quando avistam o papai ou a mamãe no portão? Não tem preço, viu? Quem me dera poder ter essa alegria no meu dia todos os dias. Vamos ver se, daqui pra frente, consigo pegá-lo ao menos duas vezes por semana.
Então, voltando ao cansaço, hoje filhote chegou com tanto sono que só deu tempo de tomar banho pra tirar a areia e pronto. Gutão capotou sem nem almoçar. Deu chilique porque eu tentei tirar a chupeta e oferecer uma colherada de carne moída com batata! Dormiu quase três horas seguidas. Acordou no meio tarde, não quis comida salgada. Tomou iogurte do "solzinho" (tá viciado naqueles ninho soleil) com banana e suco de goiaba. Agora, quase seis, disse que tá com fome e queria comidinha. Tá ali, na cozinha, comendo seu pratão com a Bá. Sentadinho no cadeirão novo. Quer dizer, uma cadeira desmontável, super prática, também da Safety First, acoplada à cadeira normal que a gente usa. Diz na embalagem que dura até os quatro anos. Queira Deus, porque como essas "facilidades" custam caro, viu? Bom, filhote levou junto todos os bichinhos que encontrou. Tá vidrado no Ursinho Pooh e no Tigrão! Ganhou das queridas Bellinha e Lulu, filhas da Amanda, o DVD do Tigrão. Vai e volta e quer o danado. E como é linda a historinha! Eu me divirto junto, observando as reações do pequeno. Impressionante como ele adoraaaaaaa barulho, bagunça. Tudo que remeta à folia e agitação, Gutão tá dentro. Morre de rir nas cenas em que o Tigrão, desajeitado, derruba os potes de mel do Pooh, coitado. Ou quando o Tigrão derruba uma baita pedra em cima da casa do Ió, uma dó! Uma alegria esse meu filhote.
posted by JULIANA DE MARI 5:53 PM
Um grande dia
Gutão completa hoje 730 dias de vida fora do barrigão. Dois anos de pura felicidade. Nem consigo mais lembrar como era acordar sem encontrar o sorriso dele e ir dormir sem sentir seu cheirinho. Como é grande esse amor! Como transforma a vida da gente. Ao ver meu menino crescer, eu me sinto renascendo. Feliz, realizada. E ele cresceu tanto! Tá falante, sapeca, cheio de graça. E tá um grude comigo, uma coisa. Não posso mudar de ambiente que ele começa "mamãe, mamãe, qué vê a mamãe!". E se eu não apareço logo, ai de mim. Lá vem a ladainha: "qué batê na mamãe, que machucá a mamãe, que empurrá a mamãe".
A tal da agressividade se manifestando. Em boa hora, diga-se. Gutão tá aprendendo a dar seus limites, fazer valer suas escolhas e defender seu espaço. Sim, estávamos alertas ao fato de que ele vinha recebendo uns tabefes dos amigos e nem pensava em revidar. Só sentia --muito!--, e chorava, e, magoado, falava no assunto depois. Pra alegria do pai (eu sabia que a reação, mais dia menos dia, viria!), preocupado com a possibilidade do filhote virar alvo fácil, Gutão começou a reagir. Ah, eu jamais ensinaria meu filho a bater, a ser violento, a machucar alguém. Da mesma forma em que procuro não extrapolar mesmo quando perco a paciência. Não acredito que castigo físico eduque alguém... Mas fico realmente tranquila em ver que ele, sozinho, se sentiu seguro pra experimentar a própria "força". Ninguém gosta de ver o filho apanhar, certo? Assim como, imagino, ninguém gosta de ver o filho bater...Tenho procurado não valorizar nem um comportamento nem outro, pra não criar modelos que vão se cristalizando, coisa do tipo "fulaninho é brigão", "cicraninho é bobão". Entendo que essa fase é de disputa mesmo. Por atenção, por um brinquedo, por um espaço. Assim, entre tapas e beijos, os pequenos vão se entendendo. E tantas outras fases e tantos outros motivos pra "sair na briga" virão, né? Meninos, ah, meninos.
Deixa eu contar do aniversário. A festinha do aniversário foi sábado, no salão do prédio mesmo. Contratei brinquedos, bufê e animação. A decoração ficou por minha conta. Com a ajuda da super Alê, fizemos a mesa em referência ao tema da festa: carrinhos. O grande tchans eram os caminhões carregados de docinhos. A Alê deu a idéia de "montar" a decoração como se os brigadeiros estivessem caindo das caçambas, sabe? Depois soltamos os balões, azuis e amarelos, cheios de gás hélio e o teto ficou todo colorido. Gutão desceu às 16h30 e, pra nossa sorte, boa parte dos convidados chegou já no primeiro horário. Um dia lindo de sol e Gutão recepcionando os amiguinhos na cama elástica, pulando e sorrindo!! Teve ajuda da Mandioquinha, uma palhaça baixinha e divertida, que recebeu nossos convidados com malabares e esculturas de balão. Depois, virou o centro das atenções quando abriu sua caixa-mágica e ofereceu pra criançada as tatuagens. (Como esses pequenos gostam de tatuagem, né? Vi uns meninos saírem se exibindo com o braço coberto de tattoos. Será que vão ser da turma do piercing e do corpitcho tatuado quando crescer? Ai, que medo.)
Tudo ia lindamente bem na festa, até que a chuva chegou. Eu sabia que ela viria, mas não tinha previsto esse dilúvio. Foi um temporal de fazer o dia escurecer. Ainda bem que a piscina de bolinhas ficou dentro do salão. Mas dá pra imaginar o resultado da equação criançada num local fechado mais fumaça do crepe na cozinha mais barulho dos adultos, né? Estresse. Eu, ao menos, fiquei estressadíssima com aquele mini-caos. E resolvi antecipar a hora do parabéns. Foi o jeito que encontrei pra mudar o foco da festa e voltar a atenção dos convidados ao que realmente interessava: meu Gutão! Na hora do parabéns, filhote, meio tímido, mas sorridente, veio pro colo pra soprar as velinhas. Praticamente não desceu até o último convidado ir embora (nem preciso dizer que acordei no domingo como se tivesse sido atropelada por um caminhão!). O bolo foi um acontecimento à parte. Era um fusca verde, com prancha de surf amarela no bagageiro. As crianças ficaram rodeando a mesa pra ver se era um fusca de verdade. E eu fiquei sem saber por onde começar a cortar depois do parabéns! Foi mais uma "obra de arte" da minha querida Fabíola Toschi (www.fabiolatoschi.com.br), um delicioso bolo esculpido de chocolate com recheio de brigadeiro.
Gutão brincou a valer. Nós (e ele, certamente) ficamos muito felizes em ver o tanto de amiguinhos que já fazem parte da vidinha dele. Fiquei encantada com a fofíssima Bellinha, irmã da Lulu, filhas da Amanda. Amizade virtual com direito a poucos, mas muito bons!, encontros reais. De amigos de blog, tivemos também a presença do Theo, da minha amada Rê Quintella, que veio acompanhado da vovó. Engraçado mesmo foi ver as grávidas do ano passado --Tita, Julieta e Márcia-- com seus respectivos rebentos --Lívia, e a dupla de Sofias. Eram as princesinhas de uma festa dominada pelos meninos. Sorte dessa geração de mulheres, que vai poder escolher o pretê!!! E eu tou dizendo que atraio barriga: este ano, eram quatro desfilando no salão!! A Patty, que vai ter o Pedro; a Anne, barriguda do Téo; a Ieda, mãe do João e do Eric, a caminho do terceiro, e a Bá, sim, a Márcia, babá do Augusto, que espera pra dezembro o segundo filho. Só sentimos falta, por motivos óbvios!, da pequenina Nina, minha afilhadinha, que hoje completa 20 dias de vida. Pois é, pois é, logo, logo essa tchurma aumenta. Gutão merece um(a) irmãozinho(a) e eu já tou mais do que animada pra nova encomenda!!!
Dois anos de vida, filho. (E eu às vésperas dos meus 33, me sentindo cada vez mais leve).
Gutão, lindão, muita saúde, muita serenidade, muitas alegrias no teu caminho. Que teu sorriso se mantenha assim como é, encantador, e que teus olhinhos brilhem sempre diante das tuas paixões.
Mamãe te ama do tamanho do mundo, hoje, sempre e muito. Feliz aniversário e que teu Anjo da Guarda sempre te acompanhe. Te amo.
posted by JULIANA DE MARI 10:39 PM
Fertilidade
Só pra atualizar: minhas queridas Rachel, mãe da Lara, e Andrea, mãe da Celina, estão grávidas!!!, Sintam-se virtualmente abraçadas e felicitadas!!! Desconheço outro estado de graça tão intenso quanto à gravidez.
Aliás, li um texto muito bonito hoje cedo. Sobre encantamento. É do Fabrício Carpinejar, poeta gaúcho, colunista da Superinteressante e autor do blog www.carpinejar.blogger.com.br. Pra falar do arrebatamento que nos acomete no início do relacionamento amoroso, ele usa a imagem do que acontece quando recém tivemos filhos. Sabe aquela coisa de contar, orgulhosamente, os dias, as horas e os minutos de vida da criaturinha?
Leiam aí um trecho. Que sirva pra reflexão.
"Com o início de namoro ou com filho pequeno, contamos os meses. Comemora-se a convivência a prestações. Não deixamos de nos surpreender e festejar a permanência de alguém novo em nossa vida. É complicado localizar quando esfriamos o encantamento. Por preguiça no raciocínio matemático ou por acatar o senso comum, desistimos de aniversariar o amor diariamente.
Até os dois anos da criança, conta-se a idade dela desse jeito. Quando ela junta os dedos, a data se dilata para a distância dos anos e nunca mais os números quebrados, longos e definitivos. Eu fico emocionado ao ouvir uma mãe e um pai, neste período, a soletrar a idade inacabada do filho. O cuidado em ser preciso, exato, a preocupação ligeira em mostrar o quanto o nascimento não é esquecido, nem por 24 horas. Posso descobrir o mês do aniversário e, com sorte, o signo da criança. Nenhum dia parece em vão, nenhum dia é descartado..."
posted by JULIANA DE MARI 5:20 PM
E o mundo gira...
Obrigada pelos recadinhos carinhosos em relação ao post anterior. De fato, eu estava exausta e o desabafo valeu. E sabe que Gutão começou a dormir melhor depois daquele ataque? Nossas três últimas noites até que foram bem razoáveis. Introduzi o ritual de contar histórias e parece que ele gostou. Pede pra repetir milhares de vezes, claro. Mas é divertido. A cada vez, eu mostro uma coisa diferente da história. E ele sempre pede a "histolia da Ana". É a de um livro chamado "Ana, Guto e o Gato Dançarino", que a Dinda deu. Uma graça.
Pois bem, estamos nessa etapa, de construir um novo ritual pra hora de dormir. Já temos nosso "momento" com direito a luz baixa, música do Palavra Cantada rolando, muitas risadas, muitos beijinhos. Agora, além disso tudo, temos as histórias. E Gutão veio com uma nova: "qué domi na cama da mamãe". E eu tenho explicado que cada um tem a sua cama e que estamos pertinho um do outro. São apenas dez passos até o quarto da mamãe! Ele tem ficado tranquilo depois da explicação. E tem adormecido mais rapidamente e chamado apenas uma ou duas vezes na madrugada (culpa da chupeta caída, na maior parte das vezes). Enfim, seguimos em frente. Tenho certeza que, mais cedo ou mais tarde, filhote aprende que dormir é bom, que sonhar é estar perto dos anjos e que mamãe e papai estão sempre atentos às necessidades dele (mesmo quando ele está de olhinhos fechados).
Não adianta estressar, né? Aliás, estressar só gera mau humor geral. Difícil pensar nisso às 4h da madruga, depois de um chilique daqueles. Mas, depois que passa, a gente racionaliza o acontecido e pode escolher fazer diferente das próximas vezes. Estou focada nisso. Tem um livro muito bacana que descobri recentemente que tem me ajudado a manter o foco no que vale a pena: o bem estar do meu filho. Chama-se O Dom da Maternidade, da ed.Rocco. Gostei porque não é mais uma daqueles livros de auto-ajuda rasos. É uma análise interessante do que acontece na vida da mulher depois que o filho nasce, e só depois. Porque, enquanto ele está na barriga, vamos combinar, é tudo abstrato e a gente ainda acredita que detém algum controle. Que bobagem. O legal de ser mãe é justamente esse novo aprendizado, essa nova possibilidade de fazer melhor, escolher melhor, sentir melhor. Eu acredito nisso. E estou encantada com essa leitura. Recomendo a todas as que estiverem afins de um papo profundo sobre o sentido -- e as dificuldades -- da maternidade. Em certa medida, é tão reconfortante saber que, em maior ou menor grau, a impressionante transformação que a maternidade traz acontece na nossa casa e na casa da vizinha também. Taí, esse é o primeiro livro que me "falou ao útero" de verdade, como dizem.
Falando em útero, o meu tá super preparado pra receber um novo bebê. Fiz uma série de exames de rotina pra checar se está tudo em cima e a gineco já me deu o Ok pras novas tentativas. Ela, aliás, está barriguda do segundo filho (outro menino!). Eu pretendo me entregar a essa missão no segundo semestre mesmo. Quero respeitar esse meu tempo. De me cuidar um pouco antes da nova barrigada, de ver meu Gutão adaptado à escola, de realizar as metas profissionais que me propus pra este ano. É que olhando pra minha afilhadinha linda, a pequenina Nina, me bateu um flash-back dos primeiros dias do Gutão, uma saudade tão boa...(Avó deve sentir isso ao quadrado na hora em que pega um neto no colo). Eu fiquei ali, com aquele pacotinho rosado, vendo a dificuldade dela pra mamar, pegando em sua mãozinha petetica, observando os sorrisos involuntários, ah, como é lindo viver esse milagre!! A Nina nasceu menorzinha que o Miguel, com 2,8kg e 49 cm. De todo modo, foi maior que o Augusto, que chegou com 100 gramas e 3 centímetros a menos, vocês lembram?! Ela é toda doce, tem cabelinho preto, e, à primeira vista, me pareceu parecida com o Duda, o pai. Também não engatou de primeira nos peitões da mamãe, assim como aconteceu com Gutão. A Dani está usando de técnicas que eu usava, como deixar a bichinha pelada, pra ver se ela reage. Vai reagir, tenho certeza. É um baita aprendizado pra quem estava acostumado ao bem-bom do barrigão. Estamos aguardando pra essa semana também a chegada do Enrico, filho do Ale e da Evelyn. Esse aí parece que não quer deixar a vida boa, não. Mas hoje é mudança de lua, se não me engano, e a gente tá torcendo pra receber notícias da chegada dele!!
Gutão fica todo animado quando fala dos "amigos". Já decorou o nome de todos os da turma da escola: "Aninha, Gabiel, Buno, Gabiela, Kailani, Equile (Eric!), Clara". São oito, com ele. E já estão super entrosados. Filhote está um tanto mais seguro. Ontem chegou na escola carregando a lancheirinha e foi em direção ao pátio assim que a tia ofereceu a mão. Dei tchau praticamente no portão de entrada. Fiquei tão orgulhosa de ver meu pequeno "indo"! Hoje já não foi, assim, tão de primeira. Gutão pediu preu ir junto até o carrossel. Eu me despedi e ele quis colo. Mas, aí, a tia Verônica lembrou que era dia de aula de música e ele foi pro colo dela na hora. Seguiram juntos pra procurar o violão do "Jack Johnson". Gutão a-do-ra as músicas do surfista! Nós também adoramos e dançamos muito, os três, juntos. Gutão balança o corpinho e morre de dar risada. Ouvir música é sempre um momento de diversão garantida.
Hoje é quarta, dia 15. Dez dias pra festinha do segundo aninho do filhote. Praticamente tudo pronto. Os convites, feitos pela Malu, do Matheus, já foram impressos (ficaram lindos, em papel reciclado!). As lembrancinhas já estão devidamente arrumadas nas sacolas. Os doces e os salgados, encomendados. Os palhaços-recreadores, contratados, e os brinquedos, idem. Só falta agora descobrir como vamos fazer pra encher os balões com gás hélio (quero enfeitar o teto do salão, sabe?). A loja onde compramos tem o compressor, mas minha dúvida é: como é que vamos transportar 50 balões cheios num carro só??? Se alguém tiver uma dica, será bem-vinda. Já pensei até em ver se tem loja que aluga o compressor pra gente fazer tudo no salão de festas mesmo...E viva o Gutão, lindão!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:07 AM
Testando os limites?
Foi só eu elogiar que a coisa desandou. Gutão dormiu pessimamente ontem, sexta pra sábado. E quando eu digo péssimo é péssimo mesmo...Não me lembro de uma madrugada tão difícil, nem nos piores dodóis dele...Embora tenha ido deitar com certa facilidade e tenha adormecido logo, duas horas depois, exatamente no momento em que eu e o Rô estávamos começando a pegar no sono, Gutão despertou e o drama começou. Filhote já chamou chorando. Queria minha presença na cama. Fui lá, tentei relaxá-lo e ele quis o pai. Eu expliquei que o papai estava dormindo no quarto ao lado e coisa e tal. Não bastou. Gutão queria "ver" o papai. Depois de uma meia hora tentando convencê-lo a adormecer outra vez, o Rô apareceu. E quem disse que filhote se acalmou? Tá, voltou a dormir, mas, pouco tempo depois, acordou e começou a chorar novamente. E lá vamos nós: chororô digno do pior dramalhão mexicano como trilha sonora, pai e mãe zumbis, criaturinha que não sabia o que queria. Ora era leitinho, ora era ver a lua, ora era ficar no colo. Foram tantas as idas e vindas do nosso quarto pro quarto dele que, a certa altura, eu joguei a toalha. Perdi a paciência. Falei grosso, coloquei o menino de volta no travesseiro e esperei a "rebordosa".
E ela veio. Gutão chorou ainda mais alto, insistiu ainda mais que queria colo (e dessa vez só servia o do papai!). E lá se foram mais uns quarenta minutos sentados, eu e o Rô, porque filhote só queria saber de ficar em pé na cama, chorando aos berros, nervoso, contrariado, irritado. Enquanto ele queria sair da cama a todo custo, eu repetia meu mantra: "não vai sair, é de noite, é hora de dormir". E ele berrava, e dizia "qué colo do papai". E se agarrava no Rô. E eu repetia tudo outra vez. Não faço nem idéia de que horas eram, certamente pra lá de três da madrugada. Por volta das 5h, nova solicitação. O Rô foi atender. Gutão queria leitinho (embora não tenha tocado no copo todas as vezes que assim solicitou). Gutão queria ver desenho. Gutão queria ver a noite. Fomos, os três, pra sala. Sentamos no sofá, e, depois do chilique, Gutão se aninhou no meu colo. Não achava posição, obviamente. Voltamos pro quarto da televisão. Deitamos juntos no Futon. Ele virado pra janela, porque queria-porque-queria adormecer olhando a noite (eu posso com isso!!!!!!). Até que dormiu. E eu fiquei ali, completamente torta e espremida, agradecendo aos céus o fato dele ter se rendido. O Rô dormia no nosso quarto. Eu voltei pra nossa cama por volta das 6h, eu acho.
Gutão acordou, dessa vez pra valer, às 7h30. O pai acudiu até a babá chegar (graças ao bom Deus, havíamos combinado que ela viria hoje pra nos liberar para o programão "compras de lembrancinha de aniversário na 25"). Gutão acordou com olheiras, irritado, choramingão. O Rô voltou pra cama por volta das 9h. Combinamos de dormir só meia hora pra não sairmos às compras na hora do almoço. Hã-hã. Capotamos até às 11h30. Fomos voando pro Centro. Gutão ficou dormindo, completamente exausto, no Futon. As compras? Foram ótimas. Tudo baratinho, lindo, exatamente do jeito que eu imaginei. Até já arrumei as sacolinhas. Tem pra menina e pra menino. As delas vão recheadas de pulseirinhas, ferrinho de passar roupa, jujubas e carrinhos delicados (já que o tema da festa é esse). As deles têm...adivinhem? Carrinhos de todos os tipos, adesivos, bonequinhos, apitos e coisas do gênero. O mais legal de organizar a festa em casa é essa parte: fazer as coisas do jeitinho da gente, imaginando o que vai agradar, o que vai ser útil, o que vai ser apenas pra "ver" e deixar de canto. Curto muito esses preparativos; é meu jeito de celebrar a chegada do meu Gutão. Falando nele, passou o dia otimamente bem com a babá e com a filha dela, a Renata. Deu risada vendo o Nemo, dançou, passeou no prédio. Elas voltaram pra casa no final da tarde e Gutão foi com o papai na pracinha, enquanto eu tentei descansar um pouquinho. Não deu. Quando fico muuuito cansada, não consigo dormir assim, de bate-pronto. O Rô foi cortar o cabelo, Gutão foi junto (e, segundo o papai, ficou super comportado, observando as tesouradas na cadeira ao lado!) e eu fiz calda de chocolate prum bolo simples que a Marcia deixou no forno.
Veio a noitinha, Gutão tomou banho e a ladainha recomeçou. Deu de, a todo instante, dizer que quebrar alguma coisa. E eu explico que, se quebrar, vai ficar sem o brinquedo ou a coisa em questão. Aí, ele diz que quer jogar o objeto no meio da rua (sim, ele sabe que, no meio da rua, o carro vem e machuca!). E emenda que quer sair de casa (hein, fugir aos dois anos não vale!!). E pede, chorandoooooo, pra comer o iogurte do solzinho (Ninho Soleil, descoberta recente). E choraminga, e grita, e enche o saco. Jantou parcas colheradas, quis suco de manga, pediu bolo de sobremesa. Depois quis leitinho. Tomou tudo, pelo menos. E pediu iogurte outra vez. Eu disse "acabou, amanhã a gente vai no supermercado comprar mais". Pronto. Senha pra novo chilique. "Qué quebrá, que se jogá", qué não sei o quê. Eu e o Rô ficamos no quarto da televisão, passados, e ele foi perambular pela casa resmungando, chorando, dramatizando. Voltou e eu já tava aqui, escrevendo no blog, pra ver se, botando no papel, tudo isso faz algum sentido. Haja paciência pra lidar com um ariano birrento, vou te contar. Será essa a temida fase do teste dos limites? Será dente nascendo? (aliás, quem souber responder: aos dois anos tem algum dente previsto?). Será insegurança? Será que ele tá sentindo muito a nossa falta? Será que a disputa com os colegas na escola tá gerando medo? Será que ele tem pesadelos????????? (sim, porque doença não é. Ele passa o dia bem e só se revolta na hora de dormir, certo?) Ou será que é assim mesmo, que toda criança e toda família passam por isso até encontrar a sua normalidade?????????
Só sei que são dez da noite e Gutão já capotou, literalmente. Quase não aguentou colocar o pijama. Dormir foi fácil. Deus permita, de verdade, que essa madrugada seja só um pouquinho mais tranquila pra nós três. Amém.
posted by JULIANA DE MARI 10:36 PM
O tempo de cada um
Gutão tá um figuraça. Fala que nem uma matraca. Repete absolutamente tudo que a gente diz. Capta fragmentos de frases nossas e repete na versão dele. Completa as músicas, imita os bichinhos e dança rebolando, na ponta dos pés. Tá tentando pular, na verdade. Acho que logo, logo vai conseguir. Mais adaptado na escola, já fala em ir depois do leitinho da manhã e, pasme, em voltar depois que já voltou pra casa! Ainda solta um "mamãe vai junto" quando o portão se abre e a tia o convida a entrar. E eu vou, claro. Fico meus dez minutinhos de praxe, falo o bordão "mamãe vai trabalhar", ele devolve dizendo onde, eu dou beijo e abraço, e, aí, sim, me vou. Mas, hoje, uma grata surpresa: Gutão não só entrou carregando a própria lancheirinha como andou metade do caminho até a turminha dele. Foi que foi. Até que lembrou que eu tinha ficado pra trás. Virou, me chamou, "mamãe vai junto", e voltou pra me buscar. E eu fui, segurando na mãozinha dele, tão feliz de ver que o tempo dele tá chegando, sabe? Que é melhor fazer assim, respeitando o processo dele sem atrapalhar o dos outros, claro. É tão melhor passar a mensagem de que ele pode, sim, sentir o terreno antes de se atirar, que é legítimo querer segurança e que tentar e tentar e tentar é mais do que necessário. Porque pra quem arrisca dar mais um passinho, como Gutão deu hoje, chega uma hora que o caminho já se foi todinho. Ruim é só empacar...
Pois bem, a vida com Gutão anda muito divertida. Ele continua soltando cada uma que eu realmente não sei de onde tira. Ontem, hora do nosso jantar, Gutão sentadinho no cadeirão, pertinho da gente, começa: "mamãe é mainha", "vovó é mainha" e pára, e pensa, e continua: "vovô é mainho!". Perfeito! Hoje, me pedindo pra cantar a música do "irmãozinho", pega o guarda-chuva dele, começa a bater no chão (pra quem conhece, imitando o que a dupla do Palavra Cantada faz no DVD) e aí o papai é quem começa a cantar: "mamãe vai me dar um irmãozinhoooo..." e Gutão continua: "que booom!". Hilário!!!!! Quê mais? Já sabe enrolar a gente, esse menino. Despertou hoje às 6h da matina e não houve cristão que o convencesse a ficar mais 15 minutinhos na cama. Entre um e outro argumento, diante da insistência dele em assitir o Cocoricó (hein?), eu digo: "filho, tá todo mundo dormindo ainda. O Julio, o Nemo, o Caillou...". E ele, abismado, olha pra janela, fechada, diga-se, e manda: "O sol já chegou" (como quem diz, não me enrola que eu não sou bobo!). Tá, aí, a gente não teve outra opção: vamos lá fazer leitinho e comer melancia antes das sete da matina.
Falando nisso, hoje resolvi adotar uma nova tática pra ver se Gutão ganha mais confiança pra adormecer sozinho. Ele tá numas de ter uns chiliques de vez em quando e eu sempre converso dizendo que, enquanto ele chora, eu não consigo entender o que ele quer. Hoje comecei a dizer que é nenezinho que choraminga. Contei que a Nina choraminga porque é pequenininha, mas que ele já cresceu, já vai fazer dois anos e não precisa mais choramingar pra conseguir atenção. Ele já sabe pedir. Ele já sabe falar. Claro que, no meio do escândalo, dificilmente, ele me atende. Mas sei que tá ouvindo. Claro também que criança fazendo manha enche a paciência de qualquer um e claro que eu também não sou de ferro e deixo claro o limite da minha boa vontade. Antes, explico, converso, pergunto. Depois, é chega e pronto. Se quiser, que fique chorando sozinho no chão do quarto. Ah, eu preferia pegar no colo, dar mil beijinhos, acalentar, mas não iria resolver absolutamente nada. Quando Gutão fica, assim, brabo e descontrolado, o melhor a fazer é deixar rolar. E tentar não se importar. Aí, ele mesmo se percebe, se manca.
Bom, retomando o assunto, Gutão teve um chilique antes de dormir hoje, ainda no quarto da televisão. Não queria deixar trocar a fralda e colocar o pijama de jeito nenhum. Já tinha tomado o leitinho, tava ali brincando, mas, sei lá porque cargas dágua, se irritou com a Girafa e pronto, começou a ladainha. Tava cansado, meu bichinho, visivelmente cansado. Muita calma nessa hora, com a ajuda do Rô, consegui trocar o menino e levar pro quarto e já fui, eu, engatando na minha ladainha. Com voz de historinha, bem tranquila, comecei: é que Gutão já vai fazer dois aninhos e, nessa idade, as crianças estão aprendendo a dormir sozinhas. Porque dormir é uma coisa boa. E é só fechar os olhos e deixar o sono vir. E o papai e a mamãe vão estar sempre pertinho, no quarto ao lado, se ele precisar. (e ele, fofo, diz papai e mamãe mola no colação, ai!). E eu conto que ele era pequenininho e não sabia mamar, mas aprendeu. Que não sabia sentar, mas aprendeu. Que não sabia engatinhar, mas aprendeu. Que não sabia andar, mas aprendeu. Que não sabia vestir o pijama sozinho e (quase) aprendeu. Que não sabia comer sozinho, e tá aprendendo. E que não sabia dormir sozinho mas vai aprender.
E sabe que, por hoje, deu certo? Ele relaxou, chamou um tantinho, eu respondi dizendo que ia estar ali, no quarto ao lado, e ele arrumou a posição e dormiu em dez minutos???? Ai, meu Santo Expedito, permita que eu tenha achado a chave pra mobilizar meu Gutãozinho. Parece que é isso: reconhecer o tempo e o aprendizado dele. E deixar claro, muito claro, que estou (estamos) ali, disponíveis, atentos, pra sempre que ele precisar.
Boa noite, "mi" amor. Mamãe te ama do tamanho do mundo.
posted by JULIANA DE MARI 11:10 PM
Boa hora!
Acordamos com uma notícia maravilhosa hoje: a Nina está chegando! A Dani começou a sentir contrações na madrugada e me ligou por volta das 7h pra avisar da novidade. Parecia tranquila, aquela serenidade que bate quando a gente "realiza" o milagre que se avizinha. Não tive mais notícias, mas imagino que, a essa altura, a pequena já nasceu (sim, nasceu, terça-feira, dia 07, por volta das 11h). Que minha afilhadinha venha com muita saúde, muita alegria, preparada pros paparicos dos dindos babões!! Sim, porque o Rô tá numa ansiedade de dar orgulho!!!!!
Gutão acordou mais tarde que o habitual (mais uma vez, perdemos a hora da escola!) e a gente contou da novidade. Ele ficou feliz do jeito dele, repetindo: "a Nina nasceu". Vai ser bonito ver meu pequeno interagindo (se é que é possível) com a nenê. Já explicamos que a Nina vai chegar bem pequenininha e que vai merecer muitos carinhos. E eu não vejo a hora do final de semana chegar pra gente pegar o "pacotinho" no colo!!!!!! Vai ser bom reviver esse momento da chegada, essa alegria tão intensa, esse encontro tão especial. É bom pra ir atiçando a nossa vontade.
Por falar nisso, antes de pensar em "embarrigar" outra vez, preciso me cuidar. Fisicamente, digo. Psicologicamente, me sinto bem, à vontade com a maternidade, feliz com as minhas escolhas, inteira com o Rô, enfim. Retomo a terapia esse mês, só pra não deixar os parafusos "enferrujarem"! Mas preciso mesmo é ficar mais à vontade com o corpitcho pós-Gutão. Ah, muda, né? Tá, pra algumas felizardas não muda tanto assim...Não foi meu caso. Além de estar uns três quilinhos acima do desejado, me sinto, digamos, diferente. Minha barriga, então, putz. Olho e, definitivamente, não gosto do que vejo. Sei que não é pra tanto, mas é como me sinto, não me reconheço -- e é isso o que interessa. Bom, já me matriculei na academia e amanhã, sem falta, começo na esteira. Tenho que fazer o teste ergométrico pra começar a natação também. E entre uma coisa e outra, quero (e vou!) fazer uns abdominais, dar uma malhada, e tudo o mais a que me animar. Todo mundo me diz que é só começar que vira hábito. Vamos ver. Como vou levar Gutão na escola cedinho, estou chegando cedo no trabalho também. É esse tempo novo na agenda que vou aproveitar pra me cuidar. E vou retomar a drenagem também, uma vez por semana. Alguma transformação boa há de ocorrer!!!!
A escola vai bem, obrigada. Gutão ainda chega inseguro, mas logo se solta e vai com as "tias" numa boa. E é só eu dar a despedida (mamãe vai trabalhar) que ele desencana. Hoje a turminha tava brincando de "casinha". As meninas ninando suas bonecas e os meninos empurrando carrinhos de feira, uma graça.
Estou com preguiça. Amanhã falo mais.
posted by JULIANA DE MARI 11:09 AM
Estamos de volta
O feriadão foi uma delícia. Floripa nos recebeu com dias ensolarados, pouco vento e nenhuma chuvarada. O que significa que Gutão curtiu um monte a praia. Tomou banho de mar e até levou sua primeira "vaca". Tá pensando que vida de surfista-mirim é fácil? Foi assim: filhote tava no colo do papai, rodeado pela vovó Lilica e pela mamãe. Tava adorando bater perna naquele mar de águas clarinhas, clarinhas. Aí, veio uma onda maior que as outras e pumba. Só vejo o Rô levantando o pequeno e a espuma estourando na cabecinha dele. Tadinho. Ficou assustado, choramingou, mas não quis sair do mar, não! O mais engraçado foi rever a cena depois, no estilo pegadinha do Faustão, no filminho que o tio Bru fez.
O carnaval teve direito a muita animação no desfile de homem vestido de mulher, uma coisa! Vimos tudo de "camarote", no "deck" da edícula. Gutão usou colar havaiano e a camiseta do Eu Acho é Pouco, diretamente de Olinda, enviada pela querida Rapha, mãe do Igor. Se deu saudade do legítimo carnaval pernambucano? Ah, sempre dá. Especialmente quando eu vejo a folia na televisão. E esse ano, que teve Caetano e Ariano Suassuna cantando maracatu juntos, bateu um banzo danado. Mas vida de "expatriado" é isso aí, né? A vida segue aqui, mas as raízes estão lá.
A farra do filhote com os cachorros merece um comentário à parte. São dois cachorrões com cara de Pitbull (a raça é outra, mas eu não sei a grafia correta) e coração de Poodle. Mãe e filho; ela, preta, ele, branco. Gutão correu o tempo inteiro atrás dos dois, e não o contrário. Queria apertar, fazer carinho, dar "comidinha" (as pedrinhas do jardim da vovó Lilica!), mostrar seus carrinhos e bonequinhos. De tanta euforia, chegava junto e berrava na orelha dos dogs, coitados. Padang, o branco, é do Gutão. É maior, mais forte, mais "molecão". Nuza, a mãe, conquistou o direito de ficar dentro de casa, é mais tranquilona, toda amorosa -- parecida com o dono, o tio Bru. Os dois são super bem educados, respeitam um monte o pessoal da casa e souberam respeitar a euforia do pequeno visitante. Em uma ocasião apenas a Nuza estressou com os gritos agudos do Gutão. Deu uma rosnada mais feia, o suficiente pra gente redobrar, triplicar, os cuidados. Gutão adora cachorro, mas eu não o deixo sem supervisão de jeito nenhum. Eu também adoro cachorro, mas sei muito bem o quanto dói uma dentada...Acho saudável ver meu pequeno interagindo com os animais e espero mesmo que esse carinho e respeito o acompanhe pela vida. Bicho alegra a casa, levanta o astral, ensina a cuidar. Como Gutão é destemido, eu o incentivo, sempre por perto, sempre de olho. Pra que botar nele um medo que ele não tem? Eu prefiro ensinar o limite.
Falando em limite, Gutão tá uma pecinha. Muito falante, muito animado, muito lindo. Mas meio "insubordinado" com a mamãe. Não acontece a toda hora, mas quando acontece, haja paciência. Vez por outra, na hora de comer, se sou eu quem oferece a comida, partimos pra guerra. Ele trava a boca, diz não, pede isso, pede aquilo, e não come. Eu tento mudar de assunto, peço pra ele escolher entre duas opções nutritivas (comidinha salgada ou mingau, por exemplo), levo um brinquedinho e tal e coisa. Em geral, desencano e explico que ele vai ficar com fome até a hora da próxima refeição. Foi assim hoje no almoço (delicioso) na casa da Dinda (barrigudíssima da Nina, que deve chegar muito em breve, oba!). Miguel comeu tudo, sozinho. Gutão rejeitou tudo, só aceitou suco de uva e meia pêra. Tava fascinado com os brinquedos alheios e com sono. Ok, nada melhor que não insistir.
Tem vezes, no entanto, em que vamos num crescendo até o momento em que Gutão definitivamente se irrita e joga tudo no chão. Aí, castigo. Sim, castigo. Agora à noitinha, hora do jantar, aconteceu duas vezes. Levei filhote pro quarto, aos prantos, pedindo colo. Ficou de castigo porque se comportou mal na hora de jantar. Eu sempre explico: ele precisa saber o que fez de errado pra poder assimilar o certo. Ele pediu mingau, e não quis. Pediu comidinha, e não quis. Pediu leitinho, e não quis. Tá aqui, sem comer. O Rô ofereceu um potinho de banana com aveia e ele comeu um tanto, a contragosto. Deus queira que seja só falta de apetite mesmo. Toda vez que ele não come assim, com tanta resistência, eu tenho arrepios lembrando da maldita estomatite...ui.
Também continuamos na "luta" na hora de dormir. É fato que ele tem dormido melhor, desde que a escola engatou. Chama praticamente uma vez só durante a noite, estica até às 7h sem grandes alterações, uma grande conquista! A questão não é mais o "dormir": é aceitar deitar sozinho. Por causa da estomatite, passamos algumas noites deitando com ele. Nunca na nossa cama, muitas vezes na cama dele. E isso é mau hábito, eu sei. Aconteceu o previsto: Gutão agora só quer deitar, se eu deito junto. Chega a empurrar minha cabeça e pedir pra deitar no "travesselo do Gutão". Eu faço a rezinha, dou beijo e abraço, faço carinho no pé e não deito, não. Dou boa noite, e fico ali, sentada, sem olhar pra ele (tática que eu vi no super Super Nanny!). Ele reclama um pouquinho, mas acaba se arrumando e aceitando a condição. Quando ele fecha os olhos, eu saio do quarto. Dá cinco minutos, ele chama. Eu não vou. Ele chora e chora e chora. Eu volto e a gente começa tudo outra vez. Só que isso se repete, por baixo, umas três vezes antes dele capotar de uma vez. E eu tou tão cansadaaaaaaaaaa. Mas hei de continuar firme no propósito de ensinar meu filhote que dormir é bom, que a cama dele é dele e que a mamãe e o papai estão sempre no coração, e no quarto ao lado!!!
Quê mais?
Gutão tá falando tudo. Nos surpreende com frases inteiras, tiradas bem humoradas, lembrança de coisas que até Deus duvida! Vejamos:
- Outra dia, manhãzinha, ele no meu colo pedindo a "petita" e eu repito, pela enésima vez, "petita só na hora de dormir". Ele olha pra mim e diz: "qué domi".
- Gutão senta na motoca, olha pra trás, sorri e grita: "Não vai embola, mi amô!". (É que eu sempre falo isso quando ele assume o papel de motoqueiro da casa!)
- Papai trocando a fralda do menino e ele manda: "Gutão não tem pepeca". Papai sorri. Gutão emenda: "Gutão tem pintão".
- Gutão chegando em Floripa, entra na casa da vovó e diz: "A Bivó não veio, qué ligá pra Bivó". E a gente liga e ele escuta tudo. Fica todo feliz e diz: "Bivó Vandeca tá na casa dela".
- Almoço, hoje, na casa dos dindos. Gutão no carro, todo faceiro, solta: "A Nina tá na barriga da Dinda, a Nina é irmãzinha do Miguel".
Fora que o menino deu de falar as palavras terminadas em "o" de um jeito muito, muito engraçado. Parece sotaque de americano! Fala assim: "juntouuu", "certouuu", "querouuu". Vai saber de onde veio isso.
posted by JULIANA DE MARI 8:07 PM
Feriadão
Gutão teve baile de carnaval na escola hoje. Como não tive tempo de providenciar uma fantasia, ele foi vestido de "surfista". Roupinha de passear na praia e colares havaianos no pescoço! Também quis usar um óculos azul, que ganhou no aniversário do Theo, e uma estrelinha pisca-pisca que ora pendurava ora queria tirar a todo custo. Chegou na escola meio cabrero, como foi nessa semana inteira, mas atendeu o chamado das "tias" pra se juntar às crianças no tanque de areia azul. Ai, os pequeninhos estavam tão lindos de fantasia: tinha pequena sereia, branca de neve, batman, homem-aranha...Até as professoras entraram na folia.
A do Augusto, tia Carla, estava vestida de "princesa", com um baita vestidão de cetim cor-de-rosa e...tênis nos pés! Só assim pra dar conta de correr de cá pra lá atrás dos seus baixinhos!!! E como ela corre, meu Deus! É admirável o trabalho dessas professoras, viu? A toda hora, um figurinha se rebela e "foge" do grupo. Ou chora porque quer a mamãe e só se contenta se a tia o pega no colo. Ou insiste em lavar a mão, depois que todo mundo já está sentadinho na salinha do lanche. Haja paciência e fôlego!
Gutão tá reagindo melhor à ida pra escola. Quando estou por perto (esses dias eu fiquei mais disponível...chegava com ele, brincava um pouquinho, ia pro esconderijo dos pais e aparecia pra dar tchau por volta das 9h30, horário do lanche deles), ele esboça beicinho. Mas, quando vou dar tchau e digo que estou indo trabalhar, a tia me contou que ele fica numa boa. Não chama mais, não chora mais. Brinca e aguarda a hora da Bá aparecer pra levá-lo pra casa.
Eu entendo que ele reage assim, positivamente, porque foi acostumado assim. Nunca saímos de casa "fugindo" dele. Nunca deixamos de dizer que estamos indo aqui ou ali. Nunca deixei de sair para trabalhar sem antes pedir um beijo, dar um abraço e dizer que amo muito o meu Gutão. E ele nunca chorou nesses momentos, acreditem. Ao contrário. Em geral, ele corre, grita e empurra a porta na minha cara, morrendo de rir!!!! Melhor assim.
Na real, acho que tenho ficado tão (ou mais) sensível e carente do que ele...Sei lá, eu também estou me adaptando à escola, a essa novidade de deixar meu filho "ir". E tem que ser assim, eu sei, mas isso não exclui o sentimento de perda de ambas as partes. Eu queria estar mais lá, com ele, em casa, sabe? Acho que é o dilema da mãe moderna, não tem jeito. Tento não encanar demais com isso, tento fazer meu possível quando é possível, tento não deixar essa "ausência" ser mais importante do que todas as presenças, tento não deixar que nossa relação seja contaminada pela culpa...Eu quero ser e estar leve com meu Gutão. Algumas vezes, o cansaço, a irritação, o mau humor, meu lado "sombra", vão pesar, mas, aí, faz parte. Sou humana, não pretendo e nem quero ser "a mãe perfeita". Enfim, papo pra uma boa sessão de análise na retomada em março!!!
Chegou o carnaval. Minha pernambucanidade sempre fala alto nesses eventos festivos...Queria, de verdade, estar em Olinda, pintando a cara, pulando no Eu Acho é Pouco (aliás, Rapha, Gutão recebeu a camiseta. Amamos, é linda, linda!!!), com as pernas doendo de tanto dançar e subir ladeira! Tem nada, não. Quem sabe, ano que vem, a gente consegue apresentar o carnaval mais democrático, alegre, vibrante do Brasil pro nosso filhote amado?! Esse ano vamos curtir a vovó Lilica e o vovô Zeca, o tio Bru e a Raquel, a Nusa e o Padang, fazer churrasco, dar risada, dançar e cantar em outras paragens.
PS: em breve, conto notícias do aniver do Gutão. Tou "pelejando" pra dar conta de organizar tudo sozinha!!! Mas vai ser muuuuito legal! O convite, aliás, eu já tenho. A querida Malu, do Matheus, fez. Ficou demais. Beijos, divirtam-se!
posted by JULIANA DE MARI 7:14 PM
Recomeço
Gutão voltou pra escola na segunda. Foi difícil. A escola estava um caos, um monte de criança choramingando, várias voltando do recesso pós-estomatite como ele. Filhote chegou desconfiado, entrou de mãozinha dada comigo. Reconheceu a tia Carla, os amiguinhos, a Fifi, mas não quis saber de muito papo, não. Só topou desgrudar pra ir brincar no tanque de areia azul. Aí, eu e o Rô demos tchauzinho e ficamos espiando de longe. E aí, ele chorou quando percebeu a nossa ausência. E foi pro colo da tia Carla, todo sentido. Entre uma lágrima e outra, seguiu brincando. Na hora do lanche, criançada reunida, amiguinha Clara chorando horrores, Gutão abre o berreiro também. E chora de soluçar. Tive que entrar em cena pra acalmá-lo. Conversei um pouquinho, ofereci melão, ele tomou suquinho e ficou bem. Deu a hora de trabalhar, a babá foi nos render. Gutão passou o resto do dia sem chorar.
Terça já foi um pouquinho melhor. Gutão chegou acanhado, mas logo aceitou o convite da tia Carla pra brincar. Levou o calhambeque junto e acabou esquecendo por lá. Comeu o lanche, até fez boca de jacaré pra tia Verônica, a assistente. Chorou só um tantinho, na hora em que fui me despedir. O Rô ficou mais um pouco e a Bá o aguardou até o final da manhã.
Hoje, quarta, fui levar ele sozinha, pois o Rô tinha reunião logo cedo. Ele foi animadinho. Já acordou falando na escola, nas músicas da tia Carla (é ótimo: ele pede a da "dona aranha" e eu só sei uma frase!!). Na hora da entrada, quis empacar, mas logo veio uma tia, fez festa e ele foi adiante. Fiquei olhando um pouquinho, ao lado da areia azul, e, na hora em que ele engatou na brincadeira, fui pro lugar dos "pais em adaptação". Na hora do lanche, voltei lá, ele tava comendo tudo, felizinho, felizinho. Expliquei que a mamãe ia no banheiro e sumi outra vez. Quando a Bá foi me render, por volta das 10h, fui me despedir do meu lindo e ele tava lá, empurrando um mini-carrinho de feira, comprando "manga" no supermercado imaginário. Nem me deu bola. E, diz a Bá, que não chorou, não chamou, não fez beicinho. Na hora da despedida do dia, aliás, dançou, cantou, correu, adorou. Que coisa boa!!!!
Vamos ver como vai ser a quinta-feira.
Só pra não deixar passar: Gutão tem dormido melhor (chama ainda pelo menos uma vez na madruga) e acordado mais cedo, 6h30. Hoje, foi direto na minha cama, me dar bom-dia e pedir pra ir junto na cozinha. Deitou de bruços, balançando os pezinhos, cruzou as mãos e ficou me olhando. Eu perguntei:"O que você quer, filho? Quer leitinho? Quer fruta? Quer bolo?". Ele me olhou de volta, mui concentrado e disse: "Qué viajá de avião". Adorei!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:24 AM
Agenda cheia
Sábado foi aniversário do vovô Beto. Gutão ligou pra desejar "feliz anisálio" e o vovô ficou todo contente. A vontade mesmo era estar lá, em Recife, pra dar um abraço gostoso e fazer muita festa pro painho. Fiz em pensamento. Desejei muito mais saúde. E que o tempo passe e ele continue "menino" no jeito de olhar, de sorrir, de levar a vida. Te amo, pai.
Sábado também foi dia de comemorar os dois aninhos do querido Theo, da Rê. Fomos à festa num bufê aqui perto de casa. Gutão curtiu um bocado (e eu e o Rô também). A Rê distribuiu acessórios divertidos pra enfeitar a galera. Gutão ficou todo, todo com um óculos amarelo. Eu coloquei uma tiara com penduricalhos prateados e me achei em pleno carnaval! O Rô usou nariz de palhaço e ficou passeando com um daqueles troços que piscam a quilômetros pendurado no pescoço, sabem qual é? Bom, teve pula-pula, piscina de bolinhas e todos aqueles brinquedos que enfeitiçam a criançada. Teve também um show de música com um grupo de palhaços muito divertidos. Até roda Gutão dançou! E haja comilança, vou te contar. (Rê, obrigada pelo convite. Adoramos!!!!)
Hoje, domingão, o primeiro compromisso do dia foi almoçar na casa da "Bá". Ela já havia nos convidado há tempos e nós resolvemos ir antes que algum outro imprevisto adiasse mais uma vez o grande encontro. Só posso dizer que foi muito especial conhecer a casa da Marcia, a família, ver fotos do Gutão alegrando os ambientes, perceber o carinho com que até os vizinhos se referem ao menino. É mesmo uma sorte ter encontrado uma pessoa tão boa pra cuidar e acompanhar nosso filhote em seus primeiros anos (e eu espero que além deles também!). Gutão correu a valer, ficou encantado com o barulho da chuva, passeou de colo em colo, ganhou a amizade da Gabi, a sobrinha da Marcia de três aninhos, que a toda hora fazia carinho na cabeleira dele. Quer dizer, Gutão cortou o cabelo no sábado. Restaram alguns cachinhos, claro, mas ele ganhou aquela cara inconfundível pós-tesouradas: de moleque sapeca. Também aproveitamos pra visitar a Isaura, nossa faxineira, que mora perto da Marcia e que está sem trabalhar há três meses por causa de um problema de saúde. Ela estava tão ansiosa por nos receber! Gutão ficou feliz ao ver a "Zaula", dançou um pouco no colo dela, comeu pêra e ameixa, tomou suco de goiaba e virou sensação mais uma vez.
Fim de tarde chegando, filhote cansadinho, mas resolvemos esticar. Fomos direto pro aniversário do amigo Max, da Kiki e do Jean-Phi. Era festa à fantasia, mas Gutão foi fantasiado dele mesmo. Foi uma delícia de festa em casa. Balões grudados no teto, muitos brinquedos espalhados por todos os lugares, um monte de criança linda e um show maravilhoso com a turma do Furunfunfun (alguém conhece? Eu super recomendo!). Teve música, marchinha de carnaval, e teatrinho de fantoche. Precisava ver a cara da criançada na hora em que o Lobo Mau apareceu pra acabar com a alegria dos Três Porquinhos! Gutão, no começo, não teve paciência pra ficar sentado, não. Depois, quando os porquinhos começaram a fazer bagunça e o Lobo apareceu, adorou! Riu e gritou tanto!!! Tentou até desvendar o que havia por trás da cortina do teatro. Ficou intrigadíssimo, querendo descobrir de onde vinham os porquinhos e o lobinho. E se atracou nos balões. Trouxemos uns cinco pra casa. Estão ali, enfeitando a sala! A melhor da festa foi o fora que eu dei. Uma menina morena, cheia de trancinhas e com um par de asas verdes nas costas, senta ao meu lado. Eu, querendo puxar assunto, digo: "Que borboleta linda!". Ela me olha, p...da vida: "Não sou borboleta". Eu, ciente que tinha falado besteira, pergunto: "É o que, então?". Ela me olha, espantada: "Sou a Sininho, né?". Dã!!!!! E olha que a pequena devia ter quatro anos no máximo!!!
Gutão, companheirão, adorou os compromissos. Na volta pra casa, segurando seus balões, olhinhos pequeninhos de tanto cansaço, ele solta, espontaneamente: "Foi muito legal". Ah, eu e o Rô ficamos tão felizes!!!!! Já estamos imaginando a alegria que vai ser comemorar os dois aninhos do nosso Pirata.
Filhote já capotou. Espero que tenha uma noite boa. Amanhã é outro dia especial, de recomeço. Vamos à escola, oba!
PS: Só nasce moleque na nossa turma mais "íntima" (sem contar a Nina, da Dani, que vai ser alvo de muita disputa, hahahahaaa). O rebento da Patty e do Julio é menino, mais um. Que venha o Pedro, pois!!! Cheio de saúde e de energia pra fazer surf-trip com Gutão, Miguel e Enrico!!! Já pensou?
posted by JULIANA DE MARI 9:51 PM
Crescendo juntos
Gutão melhorou da estomatite. E eu descobri que está havendo um surto da doença em São Paulo. Primeiro, a diretora da escola me conta que pelo menos outras seis crianças das turmas da manhã apresentaram os sintomas no mesmo período que Gutão e que algumas da tarde também foram infectadas. Depois, na consulta à pediatra ontem, ela confirma que é mesmo um surto e que a estomatite está no primeiro lugar do que mais incomoda os pequenos, à frente até de otites, pneumonias e rotavírus. Sim, essa última virose, tão temida, judia bastante da criança, lógico, mas não causa tanta dor quanto as malditas "aftas" na garganta e na boca. Mas, enfim, foi-se.
Gutão foi à médica ontem acompanhado apenas do papai e da babá. Eu tive um curso pela manhã que terminou pra lá da uma da tarde, horário agendado no consultório. Diz o Rô que filhote se comportou muito bem. Resmungou um tiquinho pra abrir o bocão, mas acabou colaborando e só ganhou elogios da dra.Ketty. Por causa da estomatite, emagreceu 50 gramas. Apenas. Um fato heróico diante da agonia dele na hora da comida...Se despediu com beijinhos nela e na secretária. Um fofo.
Eu fico mesmo muito orgulhosa do meu menino. Ele é uma criança doce, alegre, vibrante. Continua tagarelando um bocado, adora uma bagunça, ama dançar e cantar, morre de dar risada quando a gente dança junto. É festeiro mesmo, companheiraço. Tá crescendo a olhos vistos. Cheio de cachos cheirosos (vai cortar o cabelo amanhã) e dentinhos branquinhos. Tá viciado no fio dental. Basta avistar a caixinha do dito cujo que pede: "qué fio dental". É assim umas cinco vezes por dia. E ele vai lá pra frente do espelho do meu quarto e "limpa" os dentinhos que é uma beleza.
Continua dando um certo trabalho durante a madrugada. Acorda pelo menos uma vez, chora, pede minha "mãozinha". Dodói descartado, acho que é carência mesmo. Talvez efeito das novidades dos últimos dias: a escola, a ausência real do papai e da mamãe, a perspectiva de encarar o mundo sozinho, a dor que veio com a estomatite, o medo de que ela apareça outra vez...Tudo isso assusta, né? É ter paciência, ficar junto, passar segurança, ajudar a enfrentar mais essa etapa. Não há receita, não há milagre. A vida vai se fazendo diariamente.
Quando Gutão me chama na madrugada, em geral, chama também o pai. Pra não ficarmos os dois, zumbis, pela casa, eu digo pro menino que o papai tá dormindo, mas que ele tá com Gutão no coração. E ele repete, baixinho, "papai no coração". É um amor tão lindo esse, né?
posted by JULIANA DE MARI 12:37 PM
Lá vem a noitinha...
...e eu tou torcendo, do fundo do meu coração, pra hoje nós termos uma noite de sono. Nem precisa ser inteira, não. Me contento em levantar uma vezinha que seja pra acudir meu filhote. Se o motivo for chupeta perdida ou pé enroscado no lençol, levanto com o maior prazer. Só não quero é mais uma noite em claro por um motivo que eu não sei bem qual é...Sim, ontem Gutão dormiu mal outra vez. Chorou horrores. Me solicitou a todo instante. Quando acordou, perguntei onde tinha dodói e ele falou que era na boca. E abriu um bocão bem grandão, como se quisesse me mostrar lá no fundo, sabe? Liguei pra dra.Ketty na hora, claro. Ela me falou que a estomatite pode durar até uns 10 dias mesmo e que é possível que o "estrago" maior seja mesmo interno. Externamente não há mais sinal das malditas aftas...Conclusão: marcamos consulta pra quinta, Gutão não foi pra escola (e nem vai até passar na médica) e eu estou no pó, um lixo, podre, morta de cansaço.
Passei o dia meio zonza, com uma sensação de aperto no peito, uma angústia, sei lá. Não sei se é preocupação, se é premonição, se é "abuso", como dizem na minha terra, ou se é sono ao quadrado mesmo. Tem horas em que o corpo pede trégua, né? Fato é que voltei mais cedo pra casa, tomei um banho quentinho demorado, pensei muitas coisas boas, e me entreguei ao que mais gosto de fazer: brincar com meu Gutão. Ele tá bem. Sorrindo, gritando, correndo, comendo. Só as noites têm sido difíceis. Muito difíceis. E eu duvido muito que seja apenas manha...Por mais carente que ele esteja, passar a madrugada acordando de hora em hora só por manha é dureza, hein? Algo me diz que é dodói ainda. A gente não vê, mas ele sabe que tá lá. Estamos provando que aquela crença de que "toda dor piora à noite" é mesmo verdade, infelizmente. Será que é a posição, horizontal, que incomoda, hein? Me deu esse estalo agora. Vou colocar um travesseiro um pouco mais alto pra ver se tem jeito...
São oito da noite agora. Gutão foi jogar futebol com o papai e dar tchau pro sol. O sol foi embora e a lua vai chegar. Que chegue trazendo bons sonhos. Que meu filhote durma bem. Que essa agonia no meu peito vá embora. É lua cheia e eu, canceriana que sou, sempre oscilo na maré alta. Mas vai passar.
Pra terminar em alto astral, duas pérolas recentes do Pirata:
- Gutão volta lá debaixo, abre a porta e grita: "Filhoooo"
- Gutão se contorce todo, mamãe pergunta se é cocozão e ele diz: "Não, é punzão"
posted by JULIANA DE MARI 8:08 PM
Março já tá chegando
Acho que descobrimos de onde veio a estomatite. A diretora da escola me ligou na sexta pra dizer que uma amiguinha da classe do Gutão também apareceu febril e com a boquinha estourada. Taí. Era exatamente a menininha que estava sentada na frente do meu filhote em seu último lanche na escola. Lembro bem dela, a Clarinha, branquinha, cabeluda, descabelada, sempre com cara de quem acabou de acordar. Acontece, fazer o quê? Daqui pra frente, o negócio é reforçar a alimentação em casa, conversar com a pediatra pra ver o que podemos fazer pra reforçar a imunidade do pequeno e rezar muito pra ele não ter recaídas tão feias quanto essa...Já tratei de trocar todos os copos e as chupetas que Gutão usou nos últimos dias. Ele gosta desses copos com canudo, super práticos, anti-vazamento -- mas é tão difícil mantê-los 100% limpos, né? De tempos em tempos, eu sempre troco, quando percebo que os canudos estão ficando com "cheiro". Fui ontem na Ecobaby e aproveitei pra comprar pratinhos e colheres novas também. Estamos com um kit-alimentação novinho em folha pro Pirata espantar o vírus e comemorar a volta à escola!
Quê mais? Ontem foi o aniver de primeiro aninho do querido Gustavo, da Gica e do Villela. Uma festa linda, em homenagem ao pequeno e ao Flamengo. A Gica se revelou uma "festeira" de mão cheia: a mesa, enfeitada por ela, tinha direito a campo de futebol e até arquibancadas cheias de docinhos (deliciosos)! Reencontrei uma porção de gente que não via há tempos. Gente que, como eu, há cerca de quatro anos nem pensava em filhos, fraldas e afins. Foi bacana ver todo mundo "crescido". Fora a diversão que foi ver as crianças convidadas usando a camisa de seu time do coração. Tinha de tudo: Vasco, Atlético Mineiro, Internacional, Grêmio. O tricolor gaúcho estava muito bem representado pelo meu Gutão, lindão de azul. Tudo bem que pra conseguir colocar a camisa tivemos que fazer uma verdadeira encenação. Nem com o pai vestindo a dele, Gutão se animou. No último minuto do segundo tempo, sabe lá como, consegui enfiar a dita cuja pescoço abaixo (!!) e ele não pediu pra tirar. Ufa.
Falando em festa, estou às voltas com os preparativos pro segundo aniversário do filhote. É só no final de março, mas não quero deixar nada pra última hora. Ontem fiz a lista de convidados (e como Gutão tem amigos!) e bati o martelo no tema: carrinhos. Fomos ao ateliê da Fabi, amiga doceira, da Sugar, sweet, sugar. Uma coisa mais gostosa que a outra, um bolo mais bonito que o outro. Aos curiosos, recomendo uma visita ao site www.fabiolatoschi.com.br. Pois bem, também já encomendei as lembrancinhas no tema da festa (dessa vez, um presente pras crianças usarem a criatividade!). Estou à espera agora da chegada do kit pra mesa -- toalha, pratos e copinhos, guardanapos e etc. Encomendei na Rica Festa (www.ricafesta.com.br), uma loja bacana que vende tudo pra organização de eventos. A opção 25 de Março existia, mas este ano não estou no pique de ficar batendo perna por lá, não. Claro que vamos gastar um pouco mais, mas meu tempo e minha saúde merecem o investimento!! Ontem também fiquei muito bem impressionada com o serviço do bufê que a Gica contratou: barraquinhas com crepe, mini-hamburguer e mini-pizza. Prático e delicioso. Acho que vou no mesmo caminho. Falta fazer contato com alguma empresa de animação. Quero pula-pula e piscina de bolinhas. Quem sabe, um daqueles animadores que fazem figuras com balão? Vamos ver o que cabe no orçamento. A festa vai ser caseira, mas com "detalhes" profissionais! Gutão merece!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:36 AM
Melhorias
Gutão parece que tá reagindo, graças a Deus! Ontem dormiu melhor (nos chamou "apenas" duas vezes, sendo que, da última, me fez deitar ao seu lado e acordar às 6h da matina pra brincar na sala!). Hoje foi deitar sem chorar. Deu "tchau, dodói", como se, assim, pudesse, de fato, espantar o que incomoda. Deitou com a barriga cheia de leite e a chupeta na boca. Nunca pensei que eu fosse comemorar tanto o fato dele aceitar, e não rejeitar!, a bendita. Segundo contou a Bá, passou o dia bem. Aceitou uma frutinha aqui, outra ali, tomou vitamina, comeu mais um pouquinho do purê de mandioquinha. Desceu pra brincar; lembrou da escola, da professora, da tartaruga. Dançou um bocado, riu outro bocado, e até ajudou o papai a limpar a geladeira nova. Sim, compramos uma daquelas frost free, com direito a congelamento rápido e essas frescuras todas que facilitam a vida da gente. Cheguei do trabalho e estavam os dois com paninho na mão limpando a geladeira antes de colocar as comidas e as bebidas lá dentro. Cena linda de companheirismo dos meus "meninos". Gutão todo empenhado em fazer a parte dele, imitando, orgulhoso, o papai, e, vez por outra, soltando um "tá difícil".
Gutão enche a casa, sabe? Não tem outra definição pro tanto que a vida da gente ficou mais alegre, mais completa, mais "viva", desde que ele chegou. E ele diz e faz cada uma que não tem como a gente não babar. Agora, todo empolgado porque escrevemos o nome dele nos copos, pratos e afins que ele leva pra escola, ele olha e diz: "o nome é...Auguto". E quando a gente pergunta a cor de determinado objeto, ele sempre diz: "azul". E quando fica em dúvida, manda sua própria definição: "amalazul". Um barato! Também já aprendeu que cresceu bastante, virou mocinho e, por isso, ganhou uma cama só pra ele. E como ele gosta de espaço! Dorme todo esparramado. Às vezes, acorda atravessado. Em outras, deita, inteirinho, em cima do travesseiro. Tem horas que enrosca o pé na grade e fica aflito e diz que dói e pede ajuda pra se arrumar outra vez. O berço? A mamãe já explicou que é pro irmãozinho (a) que, um dia, vai chegar. Gutão gostou da explicação. Olha pra lá, fala com os bichinhos e repete: "é pro irmãozinho". Fico só imaginando quando for pro irmãozinho de verdade, o que será que vai se passar na cabecinha do meu filhote?
Vou lá. Que o sol foi embora, a lua chegou (historinha que Gutão repete todo santo dia antes de se entregar a Morfeu) e amanhã é outro dia. Um dia ainda melhor: sexta-feira!
posted by JULIANA DE MARI 11:11 PM
Um dia depois do outro
Essa é a receita pra não sucumbir ao cansaço: viver o dia, sem pensar no que foi ontem e sem projetar o que vai ser amanhã. A pediatra já tinha alertado que, na escala de dor/incômodo, a estomatite ganha disparado. É uma das doenças que mais incomodam as crianças. E o fato é que estamos comprovando cada palavra, infelizmente. Gutão tá super incomodado. Chora, grita, pede pra tirar "dodói da boca", diz que "machucou", continua sem querer comer, só aceita iogurte e suco de manga (que combinação estranha!), não dorme mais que uma hora seguido e acorda aos berros. Tá carente, carente, carente. Me chama a todo instante. E se eu tou junto, quer o papai também. Tadinho.
A pediatra recomendou uma mistura de remédios, que leva xilocaína, pra ver se dá uma amenizada na dor. É o que ela usa no hospital onde trabalha com crianças em estado bem mais grave (é, existem situações beem mais graves e é preciso relativizar pra não fazer de um dodói "que faz parte" um problemão, né? Continuo agradecendo a Deus por ser "só" uma estomatite que vai passar). Mas eu tou tendo dificuldade até pra passar a tal misturinha na boca do meu bichinho. Tá tudo bem enquanto é só nos lábios. Quando peço pra ele abrir o bocão, quem disse que ele abre??
É preciso mesmo muita calma nessa hora. Eu e o Rô estamos esgotados com as noites mal dormidas. Ele tem me dado uma super ajuda. Estamos em esquema de revezamento nos cuidados com Gutão. Se bem que, quando o menino desata a chamar pela mamãe na madruga, não há boa vontade do pai que dê jeito...Mas é isso, né? Relações duradouras são construídas com uma boa dose de paciência. É assim com amigos, com colegas de trabalho, com quem escolhemos pra casar, porque haveria de ser diferente com um filho? O vínculo maior de amor que alguém pode gerar?
Como Deus é pai, não é padrasto, e como pra qualquer mãe que se preze um "peido" do filho é motivo de alegria, aí vai a boa nova da tarde: a "Bá" ligou pra dizer que Gutão aceitou um pouquinho de purê de cenoura e tomou dois copos de leite! Viva! Ela teve que recorrer à estratégia de adoçar um pouco (uma colher de chá apenas), mas acho que só de quebrar a acidez e motivá-lo a encher a pancinha, já tá valendo.
Pois bem, sigo cansada, sonhando com uma noite inteira de sono (desde que Gutão nasceu, eu esqueci o que é isso...) e risadas alegres do meu filhote pra embalar meus sonhos. Vou renovar meu estoque de paciência com a fé de que, tudo e qualquer coisa ruim, vai passar.
Ah, obrigada pelos recadinhos carinhosos! Gutão nem faz idéia deles, mas certamente ele (e eu!) aproveita muito dessa energia positiva.
posted by JULIANA DE MARI 5:35 PM
E veio o baque
Gutão baqueou mesmo. Começou com febre alta no domingo à noite, boca avermelhada, nenê sem querer comer nada. Ontem, língua estourada. Suspendi a escola e pedi pra babá observá-lo durante o dia. Ele tava tão carentinho, tadinho. Pediu pra ligar pra mamãe várias vezes. Eu falava e ele ficava ali, ouvindo, se confortando só com a minha voz...À noitinha, veio o estresse. Eu voltei mais cedo pra casa e fomos direto pro Sabará. Só pra confirmar o que eu já sabia. Estomatite outra vez. Os lábios não chegaram a estourar, mas estão meio esbranquiçados. Dentro da boca há algumas aftas e é provável que haja também na garganta. Gutão não quis saber de comer ou tomar absolutamente nada, a não ser água gelada. O médico explicou que a estomatite pode ter sido desencadeada pelo excesso de sol, sim, mas que não foi provocada por isso. É preciso ter contato com alguém infectado. Ou seja, muito provavelmente, é a primeira baixa provocada (já) pela escola.
Tivemos uma noite do cão. Gutão não conseguiu dormir uma hora seguida. Foi dormir com apenas um iogurte de mel na barriga. Acordava chorando muito, dizendo que tava "dodói" e "machucado", e me pedindo pra tirar o dodói da "boca". Esfregava a mãozinha nos lábios, como se, assim, conseguisse "limpar" o dodói, sabe? Que agonia. Eu tenho herpes (embora nunca mais tenha se manifestado) e, se eu pudesse, eu trocava de lugar com ele mil vezes...Sei o quanto dói, incomoda, machuca. Tadinho do meu bichinho. Eu e o Rô nos revezamos na ajuda ao pequeno, mas eu fiquei mais tempo na cama dele. Era só assim, com palavras tranquilas e massagem, que ele conseguia relaxar. Pra dar idéia do tamanho da agonia dele, nem a chupeta ele queria. Colocava na boca e desatava a chorar. Tadinho.
Não fui trabalhar agora pela manhã. Quero estar por perto mais um pouquinho. Gutão amanheceu choramingando, mas parece que, ao menos, está conseguindo comer um pouco mais que ontem. Aceitou iogurte geladinho, pêra raspada e suco. Não foi pra escola. Falei com a dra.Ketty e ela recomendou uma semana em casa, até ele ficar totalmente bom. Vai ser assim, então. Torçam aí pra ele sarar antes disso...
posted by JULIANA DE MARI 10:27 AM
Terceiro dia
Uma notícia extraordinária: eu e o Rô tivemos "alta" da escola do Gutão!!! É que ele se mostrou tão confortável na nova situação, tão 'a vontade com a tia Karla e os amiguinhos que a diretora resolveu nos liberar da missão "Big Brother da primeira infância"!! Obviamente que eu não vou largar do meu menino assim, né? Ele pode ter se adaptado facilmente, mas eu ainda preciso de uns dias de espiadelas pra garantir que vai ficar (mesmo) tudo bem. Ah, nem é, assim, por falta de confiança nele ou na escola. Eu confesso: é por vontade de guardar mais um pouquinho dessa fase dele na memória. Cada vez que passeio pelos salinhas, que vejo as mesinhas cheias de lápis coloridos, que encontro um nenê sorrindo no Carrossel ou dançando à frente da "árvore encantada", eu me emociono, e dou risada por fora e por dentro. E agradeço à leveza do meu pequeno independente. Sim, porque eu não tenho tantas boas lembranças dos inícios na escola, não. No meu primeiro dia de aula, a mainha conta e eu recordo alguma coisa, voltei pra casa com uma lembrança nada agradável: uma mordidaça na barriga! Lembro também da passagem do quarta pra quinta série, da escola pequena pra grande, de estar longe de casa de verdade, das novas regras, das novas pessoas...me dava dor de barriga de medo (sintoma que, volta e meia, aparece até hoje!!) e eu sempre ia, fazia amigos, curtia o lugar, mas sofria horrores até me acostumar com a mudança. A maturidade vem me trazendo isso de bom: mais leveza, menos expectativas, mais confiança no meu taco e menos medo do improviso.
Mas deixa eu falar de quem interessa. Gutão voltou pra casa na sexta todo animado com as novidades da escola. Aprendeu uma música nova (Caranguejo peixe é) graças a tia Karla. E ele sabe que foi ela quem ensinou. Canta um tantinho, adora a parte do "roda, roda, roda", se balança e diz: "tia Kala". Lindo. Também já sabe o nome de alguns amiguinhos de sala. Fiquei surpresa quando estava vendo umas fotos no computador, ele no meu colo, e ouço um "Gabiel". Sim, era o Gabriel, um japonesinho fofo da turminha dele! Então, é isso. Acho que estamos bem nessa nova etapa das nossas vidas.
Quê mais? Gutão agora sente saudade e pede pra falar com a mamãe no telefone. Na sexta passada, pediu pra "Bá" ligar duas vezes no trabalho. Numa delas, eu estava em reunião. Na outra, me pus a conversar com meu pequeno tagarela e só ouvia as risadinhas de felicidade dele. Eu sei que ele sente a nossa falta durante a semana. E acho que essa carência se manifesta, principalmente, durante a noite. O sono dele continua instável. Não há uma noite sequer que ele não acorde, pelo menos uma vez, chorando e nos chamando assustado...Tem me requisitado mais na hora de deitar também. Eu vou. Faço cafuné, faço a rezinha, faço carinho. Mas não fico à noite toda, não. Acho que é improdutivo pra nós dois. Fico ali só enquanto ele tá semi-acordado, pra dar o conforto que ele pede, mas faço questão que ele entenda que tem que dormir sozinho. Tenho fé que, em algum momento, isso há de acontecer!!!
Hoje, domingão (comecei a escrever o texto na sexta e só consegui acabar agora!), fomos aproveitar o calorão na piscina da Dinda. E bota calorão nisso! Tava uma delícia, mas acho que o sol fez mal pro meu Pirato. Isso é pra gente respeitar de vez o fato de que ele é branquelinha, é criancinha, e que não pode mesmo tomar sol na cuca depois das 10h. É que, depois do almoço caseiro na casa da Dani e do Duda, de muita brincadeira e blablablá com o Miguel, e de um certo entrevero com direito a puxão de cabelo e muito chororô, Gutão capotou. Dormiu quase três horas. Acordou sem querer lanchar. Já achei estranho. E aí começou a ladainha, um chorinho sentido, um chamado insistente, só colo da mamãe. Dito e feito: meu bichinho tá com febre, quase 38.5. Dei tylenol, insisti no leitinho, não teve jeito. Gutão foi dormir com olhinhos marejados, corpo quente, barriga vazia. Tomara que amanhã ele acorde disposto. É dia de escola e ele não merece perder essa alegria.
posted by JULIANA DE MARI 11:19 PM
Segundas impressões
Felicidade transborda, mas, às vezes, assusta. Gutão teve uma madrugada agitada. Foi dormir pedindo minha companhia -- como tem acontecido quase toda noite. Ele me solicita, eu deito junto, faço cafuné, ele pega minha mão, vira pro lado e relaxa. E dorme. Gutão fica tranquilo, e eu saio do quarto com a certeza de que nosso ritual noturno é um dos momentos mais gostosos da minha rotina de mãe. Mas deixa eu voltar à madrugada de ontem. Lá pelas duas da manhã, Gutão acorda chorando. Muito. Senta na cama, chora, chora. Bate as perninhas, se joga pra trás. Eu e o Rô do lado, atônitos. Será dor de barriga? Mamãe faz massagem. Será dor de ouvido? Papai bate na madeira! Será calor? Neném pede pra ligar o "vrum" (apelido do ventilador). Meia hora de chororô, passeio pela casa, Gutão sem fôlego, rosto molhado, até que dorme outra vez. Eu fico ali, grudadinha nele, por mais meia hora. E volto pra cama pensando e pensando e pensando.
Acho mesmo que a alegria do primeiro dia na escola, a overdose de perguntas da mamãe, do papai, dos avós, a nossa insistência em celebrar, provocou pesadelo. Muita areia prum caminhãozinho só. E Gutão extravazou inconscientemente. Chorou no sono. Mas, graças a Deus, acordou tranquilo e sorrindo pra escola mais uma vez.
E lá fomos nós, de novo, os três. (Aliás, preciso registrar: não é de hoje que o Rô tem se revelado um paizão. Desde sempre trocou fralda, deu banho, enfrentou careta pra dar de comer, enfim. Nessa nova etapa, no entanto, tem se mostrado ainda mais presente, interessado. Inteiro. Obrigada, meu amor. Eu e Gutão precisamos muito do teu sorriso por perto!!!!!!) A escola hoje parecia menos tumultuada. Crianças brincando no pátio, alguns pais e mães ali por perto, outros mais escondidos.
Gutão foi, de novo, direto no tanque de areia azul. Eu e o Rô sentamos num banquinho próximo. E demos muita risada com a cena:
Eric, o amiguinho do prédio, todo empolgado com os baldinhos. Vem uma menina espoleta, de maria-chiquinha e cachos dourados, Thaís, e tenta roubar um brinquedo da mão dele. Os dois começam a gritar enlouquecidamente. A menina leva vantagem e sai correndo na direção do Gutão, que estava atrás dos dois, concentrando em catar um brinquedo pra ele. Quando vê aquele furacão e ouve os berros do amigo, Gutão não tem dúvida: joga o que tinha na mão dentro de um pneu ou coisa parecida que estava ali por perto! Foi tipo assim: "não tenho nada a ver com isso", sabe? A gente deu muita risada! A menina saiu rindo, o Eric logo mudou de assunto e meu Gutão, tranquilão, foi incomodar a tartaruga.
Hoje a hora do lanche foi mais organizada. Sem os pais pra bagunçar um momento que é só deles, os pequenos se saíram muito bem. Gutão até sentou com os amiguinhos, mas logo escapou da mesa coletiva, mais uma vez. E foi tomar suco sentado no pátio, fazendo carinho na Fifi, e recebendo melão na boca pelas mãos da tia Karla. Um amor, a professora. Morena, cabelos compridos, sempre sorridente, a paciência em pessoa. Pancinha cheia, nenéns foram brincar na salinha de brinquedo. É assim: as turminhas de crianças menores não têm sala própria. Vão fazendo rodízio pelas diversas salinhas da escola, de acordo com a brincadeira da vez. Quando uma turma está no pátio, outra está fazendo música, por exemplo. Enquanto uma turma está nos brinquedos, a outra vai pra salinha do lanche. E assim o dia passa. Depressa e cheio de novidades.
Gutão adorou a sala de brinquedos, cheia de carrinhos, motoquinhas, telefoninhos e coisinhas bonitinhas assim. Ficou de um carrinho pro outro, e eu e o Rô espiando, escondidos atrás da parede. Filhote foi no colo da tia, falou no telefone, brincou e brincou. Nós, os pais babões, passamos a maior parte do tempo longe dele. Num espaço na entrada da escola, onde é feita a despedida do dia. Estavam lá meia dúzia de pais babões como nós. E eu fiquei bem feliz em ver que os pais, sim, os homens, estão presentes também. Todos nós, ali, com o coração meio na mão, curiosos pra saber o que cada um dos filhotes estava fazendo, como estava se sentindo, se sentia nossa falta, se chamava nosso nome. Volta e meia, vinha um choro lá longe. E, em seguida, aparecia uma tia com um nenê no colo, mostrando a ele que o papai ou a mamãe, ou os dois, estavam ali, tá vendo? Trocamos impressões sobre o primeiro dia de escola e, para meu conforto, muitas contaram que a noite de ontem em casa também foi agitada.
Me despedi do meu Gutão às 10 e pouquinho. Compromisso no trabalho. Gutão abriu um sorrisão, me fez festa e foi tomar água com a tia Karla. O Rô ficou. Esperou filhote até a hora da saída, por volta do meio-dia. Contou que Gutão, a certa altura, o viu e acho que lembrou da mamãe, e chorou um tantinho. Mas logo passou e foi brincar de massinha com os amiguinhos.
Ai, fico assim dividida: feliz por essa separação saudável e agoniada por não poder ficar lá, o tempo todo, todo tempo. Mesmo escondidinha. No fundo, tou ausente só de corpo físico. Minha cabeça, meu coração, ficam sempre pertinho do meu Gutão. Espero mesmo que ele saiba disso.
posted by JULIANA DE MARI 11:13 PM
A primeira vez a gente nunca esquece
Vai ser difícil esquecer a felicidade que senti essa manhã. Por si só, Gutão em seu primeiro dia na escola, já seria um grande acontecimento. Do jeito que aconteceu, então, me fez grudar um sorriso no rosto e passar o dia agradecendo à vida viver.
Foi assim: acordamos às sete. Eu e o Rô, brigando com o relógio, ansiosos pra não chegar atrasados na escola. O Rô, preciso registrar, parecendo, ele, o iniciante. Eu tava ansiosa, claro, mas algo me dizia que ia ser legal, que Gutão, mais uma vez, ia nos dar lição. E deu.
Chegamos à escola festejando. Passamos a semana nesse clima, aliás. Preparando Gutão para o grande dia, falando da escola com alegria, contando todas as coisas boas que ele vai vivenciar daqui pra frente, os amigos, as brincadeiras, o aprendizado. Ele ganhou um livreto com desenhos pra colorir que mostram os ambientes da escola, a tartaruga Fifi, a Branca de Neve e os sete anões do pátio. E coloriu um bocado. Do jeito rabiscado dele, desenhando fuscas e gatinhos imaginários.
Não deu pra estrear o uniforme hoje. Deixamos pra comprar na última hora e não havia mais pra pronta-entrega. Encomendei a farda de verão e de inverno e também etiquetas adesivas com o nome dele. Mas Gutão foi à escola trajado nos tons corretos: camisa pólo manga longa azul clara e short azul escuro, meias brancas e tênis. Cabeleira encaracolada, carinha de sono, olhinhos curiosos. Adentramos o pátio pouco mais de oito e meia da manhã, atraso mais que permitido nessa estréia. Gutão chegou falante, gritando "êba, escola, êba, escola". Chegou mansinho, com aquele jeitinho calmo que só ele tem, observando tudo, olhando todos. E eram tantos os pequenos! Só na turminha dele serão 13, uma professora e duas assistentes pra dar conta de tanta demanda!
Gutão deu sorriso quando viu a areia azul. E largou da gente. E foi com a "tia Karla", a professora, brincar. Ficamos, eu e o Rô, máquina fotográfica a postos, registrando esse encantamento. Gutão brincou e brincou. E saiu do tanque de areia direto pro banheiro pequeninho. Foi com a assistente Verônica lavar a boca. Abriu bocão de jacaré, nem reclamou. Eu e o Rô, hilários, escondidos atrás da parede, tirando mil e uma fotos, com medo de estragar a espontaneidade dele com a luz estouradaça do flash.
Vez por outra, Gutão levantava o olhar e procurava o nosso. E sorria quando nos encontrava. E continuava brincando. Ficou doido com a tartaruga. Queria fazer carinho na cabeça dela a todo custo. A coitada, assustada, se escondia toda. E Gutão sacudia o casco. E eu dizia: "filho, faz devagar, faz com carinho". E ele repetia o que eu dizia. E até tentava -- mas a Fifi recuava. A certa altura, quando dei por mim, a bichinha tava lá, tentando se metamorfosear entre as plantas do jardim!! E Gutão, indignado: "cadê a tuluga?". :-)
Chegou a hora do lanche, aqueles cotocos curiosos se amontoando na salinha coletiva. E quem disse que queriam saber de comer? Gutão mesmo só tomou o suco de goiaba e priu. Nem tocou nos biscoitos, muito menos na pêra. Repetia, agoniado: "qué sai, qué sai". E saiu. E voltou pro pátio pra "girá" no carrossel. (Eu adoro carrossel. Tem cheiro de infância). Gutão girou e girou e sorriu e bateu tanto os pezinhos. Feliz.
E fez amigos. Amigas, na verdade. Mariana, uma pequena de cabelinho liso feito Aritana, e Maria Eliza, morenaça de praia, doida pra ficar só de calcinha, livre e sorridente. Não notou muito a presença do amiguinho do prédio, o Eric, que também não deu muita bola pra ele, verdade seja dita. E fomos ficando até às 10h e pouco. E bateu a hora de vir trabalhar. E, fato inédito, Gutão não queria ir embora da escola!!!!!! A gente explicava que tinha que ir embora (as professoras recomendam uma adaptação gradativa nesses primeiros dias), que o papai e a mamãe iam trabalhar e ele segurava firme no brinquedo e dizia: "qué ficá".
Foi assim, foi uma alegria. Pra nós e, acredito, pra ele. E amanhã tem mais. Gutão do jeitinho dele, tranquilinho, pelo visto, vai se adaptar antes do que a gente imaginava.
Eu fico mesmo aliviada. Sei que meu menino é carne minha, mas filho do mundo. E fico feliz quando percebo que ele, cuidadoso e no tempo dele, se sente suficientemente seguro pra se soltar. E aí ganho fôlego pra me soltar também. Gutão nem desconfia, mas me faz renascer a cada descoberta dele.
Chorei de felicidade a caminho do trabalho. Me sinto realmente feliz por ser mãe. Dele.
E o mundo gira e meu Gutão cresce.
Te amo, do tamanho do mundoooooooooooooooooooo!
posted by JULIANA DE MARI 7:40 PM
Ano fértil
Se eu levar em conta as barrigudas virtuais, já são mais de dez amigas com bebê chegando este ano!!
Do nosso círculo "real", tem a Nina, da Dani; tem o Enrico, da Evelyn; tem a Lara, de Beta; tem a Laura, do Patury; tem o baby da Anne; tem o baby da Patty; tem o baby do João; tem o baby da minha prima Marcia. Do mundo "virtual", tem o baby da Pri, do Rafa; tem o baby da Flavinha, do JH; tem o baby da Ly; tem a Mariana, da Gisele, mãe da Giovanna.
Tou pasma com tamanha fertilidade! E confesso que tou ficando animada pra fazer a minha encomenda também!
Que vai ser este ano, isso já está definido. A dúvida agora é "quando". Quero ter tempo pra finalizar um projeto importante no trabalho (que termina em setembro) e não gostaria que o(a) baby nascesse em dezembro. Fazer aniver perto do Natal é roubar o direito dele(a) a uma festinha exclusiva, né? :-)
Quem sabe engravido em maio, mês das noivas? Aí, o(a) nenê nasce em fevereiro.
Vamos ver o que acontece. E podem começar a fazer suas aposta. Será que vem outro moleque ou uma princesinha por aí?
posted by JULIANA DE MARI 11:37 AM
Faltam dois meses pros dois anos
Pois é, Gutão completou ontem um ano e dez meses de vida. O que significa que faltam apenas dois meses pro segundo aniversário do meu filhote. Quero organizar uma festa bem divertida, com direito a muitas brincadeiras e muitos convidados, pra Gutão correr, dançar, pular, gritar e esbanjar aquele sorriso de felicidade que só ele sabe dar. Ainda não vai ser dessa vez que vamos recorrer a um bufett. Quero ter o prazer de decorar o salão de festas, de encher balões, de arrumar a mesa das lembrancinhas. Mas esse ano vou recorrer a alguns serviços especializados, pois minha parceira do ano passado, a dinda Dani, na época do aniver dos meninos (Miguel faz aniversário três dias antes do Gutão), provavelmente vai estar na maternidade, recebendo minha afilhadinha Nina!!!
Ah, a gente precisa comemorar muito o tanto de novidades que esses quase dois anos juntos já nos trouxeram!!! Coisa tão boa quanto a primeira vez na escola. É, as aulas do Gutão começam na próxima quarta, dia 01 de fevereiro. Preciso providenciar uniforme, lancheirinha, escova de dente. E como eu gosto de "organizar" esses momentos! Tenho certeza que nosso Pirato tá indo pra escolinha na hora certa, no tempo dele. Tenho certeza que escolhemos a escola seguindo os melhores critérios pedagógicos - e a nossa intuição. Tenho quase certeza que a adaptação vai ser natural, causando alguma estranheza no princípio, mas sem causar grandes estresses nem pra ele nem pra nós.
Sim, porque se tem uma coisa que eu posso afirmar é que nosso filhote é um serzinho muito sociável. Tem demonstrado certa timidez nos primeiros contatos, coisa mais parecida com charminho do que com vergonha propriamente dita. É isso: Gutão é muito charmoso. Tem um olhar meigo, um sorriso franco, um jeitinho doce. Ele é mesmo um garoto encantador. Deixa eu "objetivar" essa impressão, pra não ficar parecendo coisa de mãe cancerianamente coruja: Gutão é curioso, e gosta de papo, e faz carinho, e pede e dá atenção, e é alegre, e gosta de participar, e é companheiraço, e sabe fazer piada, e não poupa risadas. Como diria o mapa astral dele (recomendo muitíssimo: www.personare.com.br), eu percebo que Gutão é um serzinho que gera empatia. E que sabe ser "político" até na hora de brigar pelo que deseja. Na pracinha, não é dado a chiliques, não. Em geral, empresta os brinquedos na boa; aceita trocas justas; vai e volta e vai e volta, tranquilinho, até tomar da mão do outro o objeto de desejo da vez. Mas quando fica nervoso, sai debaixo! O menino resmunga, fica vermelho, fala feito uma matraca e só pára quando o "inimigo" desiste. Que ninguém provoque a sua fúria, pois!!!
Um ano e dez meses de vida e estamos assim:
- Gutão adora música: cantar e dançar são verbos muito conjugados aqui em casa. E dançamos a três agora, um barato! O som predileto? Jack Johson, por favor!!!
- Gutão já surfa sem saber surfar: fica equilibrado nos joelhos da gente e mexe, remexe, e diz que tá "sufando". Papai e titio vão ter companhia antes do que imaginavam!
- Gutão tem paladar de gente grande: come de tudo (parece o menininho da propaganda do "Compra brócolis, mãe!", sabe?). Não recusa nem o primeiro gole do chimarrão!!!
- Gutão tem as pernas pequeninas mais fortes que eu já vi: e deu de "escalar" a gente agora. Se duvidar, escala até as paredes! E gosta de carregar coisas maiores e mais pesadas que ele. E diz, faceiro: "Tá difícil"!!!
- Gutão tem memória de elefante: não passa nada que esse moleque deixe de registrar, é impressionante. Hoje, ele com um carrinho pequeninho na mão, eu pergunto: quem deu o carrinho pro Gutão? E ele responde: "titia Lulu". E completa: "presente de Natal". O Natal já passou há tempos, fala sério, como é que ele ainda lembra disso???
Parabéns, meu Gutão, lindão. Te amo. Do tamanho do mundooooooooooooooo.
posted by JULIANA DE MARI 12:12 AM
Cada dia, uma novidade
- Papai diz: "Vamos chamar o elevador, Gutão" e ele manda, sem titubear: "Elevadooooooooor"!!!!!
-
- Mamãe diz: "Gutão te amo do tamanho do..." e Gutão responde: "do tamanho do mundo"!!!!!
- Mamãe troca fralda do nenê e ele surpreende: "Pinto tá duro"!!!!!!
- Gutão faz carinho no papai e diz: "Papai macio"!!!!!!! E deita no meu colo e pede: "Mamãe faz nenê macio" e eu fico lá, alisando o barrigão do Gutão.
- Gutão entra no carro e pede: "Ligar luzinhaxx, ligar farol"!!!!!! E diz: "Mamãe trabalhá de carro".
- E pede pro papai "Ligá lificadô (liquidificador)" pra fazer "suco de banana". E pede pra esquentar "leitinho" no "microondaxxxx". E nesse calorão vem inovando: toma leitinho a temperatura ambiente. Ontem, dia mais quente do ano em Sampa, chegou a tomar leitinho gelado mesmo.
- E pede pra tomar "banho de chuveiro". E pede pra lavar as "mãozinhaxxxx" (ele prolonga o "s" e faz um som tão bonitinho!).
- E não gosta de ficar molhado. A fralda vaza e Gutão reclama: "Xixi na cama, trocá fralda".
- E faz coco e diz: "Fazendo cocozão, trocá fralda".
E a cada dia o nosso amor cresce. E a casa fica mais alegre. E, a três, a gente vai descobrindo que felicidade tem cheiro, tem som, tem cor. E que estar junto é estar em paz.
posted by JULIANA DE MARI 11:10 PM
E o ano começou
Estamos de volta à paulicéia. Mais leves, mais unidos, certamente mais felizes, depois de férias tão ensolaradas. Minha apreensão em relação ao vôo de Recife pra cá, cheia de tralhas pra carregar, mostrou-se uma bobagem. Alguém já disse que, é só confiar, os bebês fazem sempre a parte deles. Gutão, tecnicamente, não é mais um bebê, mas ajudou um bocado. Dormiu três horas seguidas, do momento em que o avião decolou até a aterrissagem! O ruim da história é que chegamos mortos de fome, pois o vôo era bem no horário de almoço e nem água consegui tomar!!!
O reencontro com o Rô foi tocante. Gutão ficou tão feliz, mas tão feliz de reencontrar o paizão que inaugurou mais uma: desandou a dizer "te amo, papai". Lindo, lindo. Agora, começou a dizer "te amo, mamãe" também, mas o alvo predileto das declarações do mocinho é mesmo o pai. Declarações, aliás, sobram na boca do figura. Gutão, um ano e nove meses, fala tudo. Dá pra conversar mesmo, verdadeiros "diálogos". Ele constrói frases, usa o tempo verbal certo, repete meus diminutivos (mãozinhas, leitinho, descansar um pouquinho e por aí vai) e sabe usar as palavras direitinho (olha meus diminutivos aí outra vez!). Diz quantos anos vai fazer ("doix"), diz quem chega depois que o sol vai embora ("a lua"), diz o nome dos amiguinhos ("Cidinho", de Recife, "Miguel", "Afa (Rafa)", "Equile (o Eric!!!!)", "João"), diz onde o papai trabalha e onde a mamãe trabalha também.
De tanta vontade de se comunicar, às vezes, atropela as palavras e a gente tem que fazer um esforço maior pra entendê-lo. Mas ele sempre dá um jeito de dizer o que quer, o que está sentindo, o que está pensando. Também tem demonstrado um interesse crescente por tudo o que se move sobre rodas. E aprendeu a fazer suas próprias brincadeiras. Passa um bom tempo na sala com seus carrinhos e caminhões, sozinho, falando, viajando...Deu de chamar um mini-ônibus de "bombi (kombi)", depois que viu uma ao vivo e em cores em Recife. Quando quer companhia, me chama pra "brincar". E eu brinco com tanto gosto!!!
Voltou das férias quase 800 gramas mais gorducho. Pudera. Comeu tanta fruta, mas tanta fruta (eram cerca de três fatias só no café da manhã!), que seria impossível o barrigão não ter crescido! Tá na marca dos 12,6 quilos. Cresceu um centímetro: mede 87 cm agora. Tá na curva proporcional. A dra Ketty ficou bem impressionada! E bateu o martelo no diagnóstico: ele teve mesmo urticária alérgica. Ainda não sabemos exatamente ao quê. Ela levantou duas hipóteses: ou alergia a alguma roupa nova, usada sem lavar, ou overdose de papinha Nestlé. Parece estranho, mas não é. É que as papinhas, por mais saudáveis que sejam, levam conservante, né? E, em Floripa, o Augusto comeu bem mais papinhas do que está acostumado em casa. Em Recife, retomamos a comidinha caseira, mas em Porto de Galinhas, apelei mais uma vez pras papinhas. Daí, diz a doutora, o segundo contato mais intenso com os conservantes, pode ter resultado em alergia. Agora é continuar com o anti-histamínico por mais uns dias e torcer pra essa alergia não se manifestar mais. O mais importante é que a pele dele já está 99% melhor.
Quê mais? Gutão agora dorme mesmo na cama. E desce sozinho quando acorda. Vai, pé ante pé, tagarelando, chupeta entre os dentes, nos acordar no nosso quarto. Uma graça. Eu continuo fazendo "barricada" pra evitar que ele role e bata a cabeça no chão durante um sonho mais agitado, mas sinto que logo, logo nem isso vou precisar fazer. Gutão também avisa toda vez que faz coco. Diz assim: "fazendo coco, trocar cocozão!!!". Por falar em fralda, a noturna tem vazado bastante e olha que já estamos na XG. Gutão detesta acordar molhado na madrugada. Reclama, reclama, pede pra trocar a fralda, choraminga, uma agonia só. Eu entendo, deve mesmo incomodar. Por essas e outras, sinto que o segundo aniversário vai trazer a novidade do pinico entre nós. E o adeus à chupeta, claro. Ele só tem usado pra dormir. Diz assim: "precisa agora". Quando acorda: "não precisa". E pede a caixinha pra guardar a dita cuja. Durante o dia, não tem lembrado da "petita". E tem noites que só lembra no último minuto do segundo tempo, sabe assim?
Legal ver que ele vai no tempo dele, avançando aqui e ali, demonstrando segurança e curiosidade pra avançar de fase, sem deixar nada pra trás. Fico orgulhosa também; de alguma maneira, significa que eu e o Rô estamos sendo cúmplices do filhote em suas descobertas, sem querer acelerar ou reprimir qualquer coisa. Só reprimo "piti", isso não dá pra aguentar. Mas até esses momentos de "histeria" têm sido mais raros. Gutão presta muito atenção ao que é explicado, justificado. Não adianta vir com "não e pronto". Ariano forte que é, ele teima, sorri e faz de novo pra testar nosso limite. O negócio é olhar no olho, manter a calma e conversar. Aí, o bichinho baixa guarda e respeita. Tá certo ele. Merece mesmo todo respeito do mundo.
posted by JULIANA DE MARI 6:49 PM
Tá acabando...
Amanhã é dia de chororô: voltamos pra Sampa na hora do almoço. O bom é que ainda temos um monte de coisas legais pra fazer hoje! Daqui a pouco vamos conhecer pessoalmente a Rapha e o Igor. Lini, minha amiga de colégio, vai ao encontro também, com Iana junto, uma menininha linda de um ano e quatro meses. Vamos a um espaço de brincadeiras pra criança. Imagina se eles não vão se esbaldar? Depois do programa "kids", pizza com a família. Gutão vai dormir bem cansadinho, espero. E eu vou ter que encarar a arrumação das malas. Tem menos coisas do que quando viemos, pois o Rô levou algumas tralhas que estavam sem uso. Ainda bem!
Gutão tá uma figuraça. Fala pelos cotovelos, da hora em que acorda a hora em que vai dormir. Constrói frases inteiras, tem um vocabulário realmente impressionante. Agora, pediu banana e me mandou tirar o "saquinho" antes (a casca!). Que associação, adorei! Continua com a urticária. Mas tá bem melhor, depois da medicação receitada pela pediatra dele. Sim, porque a fulana do pronto-atendimento daqui errou feio...Queria dar Label, remédio pra tratar refluxo e úlcera, pra curar problema de pele, socorro!!!!
Eu tou tranquila. Animada com a retomada do trabalho, reenergizada pela praia e pela proximidade da família. Curti demais ver meus primos com seus filhotes. Lembrei de tanta coisa boa da nossa infância...Curti muito meu Gutão curtindo os avós, a titia Lulu, a Maria...
Depois escrevo mais. Agora é hora de sair pra passear mais um tantinho.
posted by JULIANA DE MARI 5:25 PM
Gutãoooooo
Dá pra acreditar: filhote agora imita as pessoas!! Ele já imitava a "voz" da Pig (a minha, no caso), fazendo igualzinho, num tom diferente do dele, o "obrigada, Augusto". Agora, começou imitando o jeito como o vovô Beto o chama: "Au-gusto", forçando a segunda parte do nome. E deu de reproduzir o jeito como eu o chamo: "Gutãooooo". Figuraça esse menino.
Continua com a pele irritada. Antes, parecia brotoeja e eu achava mesmo que era por causa do calor. De uns dois dias pra cá, piorou e ficou esquisito...As bordas são vermelhas e é como se a pele dos braços e pernas estivesse desenhada. Não há relevo, nem bolhinhas, não é nada como catapora. Mas coça, principalmente à noite. Já liguei pra dra.Ketty três vezes, mas à distância é difícil dar um diagnóstico de lesão na pele, claro. Por isso, hoje pela manhã, levei meu menino num pronto-atendimento. A médica diagnosticou urticária alérgica. Não sabemos a causa, no entanto. Pode ser alimentícia, por uso de algum produto químico ou por vírus. Aposto na última opção. Ela recomendou fazer hemograma, exame de urina e de coco, mas honestamente não estou afins de submeter meu filhote a esse estresse longe da médica dele...Principalmente porque Gutão está bem, correndo, pulando, gritando, cheio de energia, sem febre.
Ele não tem comido nada de muito diferente. Provou suco e frutas variados, é verdade, mas boa parte foi colhida na hora (acelora e jambo tirados do pé, delícia), nada industrializado. Não comeu peixe, não comeu ovo, não comeu doces, não fez exageros. Então, tou tranquila. Também não exageramos no sol, muito pelo contrário. Ele tem ido à praia sempre até às 10h, com protetor fator 30 da Episol, camiseta e bonezinho. Continua um branquelo e eu, idem. Ganhamos marquinhas, é verdade, mas estamos longe do bronze do papai Rô!!! Falando nele, já voltou pra Sampa. Trabalho não espera, né? Eu e Gutão já sentimos saudade. Filhote acordou hoje perguntando pelo pai. Disse: "papai pegou avião pra São Paulo". Lindo.
É isso, Gutão com essa "pereba" na pele, sem poder tomar sol, mamãe meio preocupada, mas as férias seguindo cheias de coisas boas pra contar. Filhote segue brincando muito, fascinado pelos caminhões e por tudo o que tem rodas. Ontem, churrasco de aniversário da minha tia na granja, todos comendo e ele lá, boquiaberto, olhando cada detalhe da Kombi que meu primo usa no trabalho. Sabe que até se deitou no chão pra olhar o que tem embaixo, coisa que faz com seus carrinhos de brinquedo??? E como caminhou, meu Deus! Ao final do dia, meu pai se entrega: "tou moído"!!!! Gutão viu pé de acerola, jambeiro, bananeira, mangueira, subiu no cavalo, brincou com os cachorros, enfiou a mão nas folhas, tomou suco de acerola feito na hora, deu muitos abraços na priminha Mayara e voltou pra casa pra lá de cansado. Mas quem disse que dormiu cedo? Foi pra cama no horário de sempre, tagarelando horrores, todo excitado. Acordou durante a madrugada várias vezes, se coçando. Passei caladryl todas as vezes. Besteira. Caladryl não é recomendado pra esse tipo de urticária, pois tem um componente que aumenta a irritação. Agora, só pasta dágua e dois antihistamínicos pra ver se ele melhora a tempo de pegar uma prainha antes de voltarmos pra Sampa. Tomara!
Essa semana vou tentar encontrar os queridos Igor, Rapha e Gustavo (vamos nos ver, né, Rapha?). Mundo pequeno mesmo. Eu e ele fomos contemporâneos de boas farras na época da faculdade!! Vai ser divertido o reencontro!
posted by JULIANA DE MARI 8:04 PM
Sabe tudo
Passamos três dias em Porto de Galinhas. Gutão aprendeu a dizer o nome da praia. Fala acentuando o "s" no final: Porto de Galinhassssss. Parece até nativo, uma graça! Se foi bom? Parafraseando meu sogro, foi um espetáculo!!!! Do cenário, nem preciso falar, né? Céu de azul sem nuvens, areia branquinha, coqueiros verdinhos, marzão idem. O hotel, de frente para o mar, com piscina pra criança, gramado, um baita café da manhã regional, tudo de bom. Gutão se fartou com as frutas. Pela manhã, além de tomar leitinho, comia umas quatro fatias diversas: melancia, melão, abacaxi, mamão...E pedia água de coco a toda hora. Bem geladinha. Também provou --e aprovou-- tapioca com queijo e coco e bolo de rolo.
Andou acordando meia hora mais tarde esses dias. Sim, porque, desde que chegamos, ele ainda não entendeu que aqui não tem horário de verão e continua despertando no horário de Sampa, ou seja, seis e meia da manhã. Em Porto, graças ao cansaço, a hora de despertar migrou pro horário local. De todo modo, sete e meia da matina já estávamos melecados de filtro solar, prontíssimos pra curtir o solão. Quer dizer, curtir numas, até às 10h do máximo. É que Gutão teve reação alérgica ao sol. E eu, pernambucana branquela que só, também. A minha veio nos primeiros dias, pontuou o rosto e os braços com pintinhas vermelhas, e foi-se embora. A do filhote ficou. E piorou muito. As bochechas dele já estavam bem vermelhas desde Floripa. Chegando aqui, com tanta umidade e sol a pino, não teve jeito. Gutão tá parecendo palhacinho: rostinho todo vermelho e o corpo judiado, como pintinhas que parecem brotoeja, mas não são. Claro que liguei pra dra.Ketty e claro que o diagnóstico foi o que eu previa: alergia ao calor mais irritação por causa do filtro solar e da areia da praia. Tratamento: pasta dágua e caladryl pra refrescar. Também troquei o filtro; em vez de Sundown, estamos, eu e ele, usando o caríssimo, mas eficiente, Episol.
Fora esse detalhe, a estada em Porto foi nota dez. Gutão tá super esperto, ainda mais falante, nos surpreendendo e alegrando mais e mais. Simplesmente a-do-rou tomar banho de piscina. Pedia pra "nadar" a toda hora. E queria ficar sozinho, tentando mergulhar -- mesmo quando engolia um montão de água. Também curtiu ficar embaixo da cascata da piscina dos adultos. Pedia "chuveiro" e ia lá, todo faceiro, no colo do papai. Aliás, duas novidades das férias:
1ª) Gutão agora toma banho de chuveiro --e gosta!
2ª) E começou a cantarolar.
Tem feito lindas tentativas de acompanhar a musiquinha do Leão (da qual a mamãe só sabe uma única estrofe: Leão, leão, leão, és o rei da criação!) e do Pintinho Amarelinho (aquela que a gente bate as asas, faz piu-piu e tem muito medo do gavião, sabem qual é?). Também cantarola a música do Caillou, companheiro inseparável das férias.
Além dessas faceirices, tivemos outras tantas passagens dignas de registro. Entre elas, destaco essa aqui: Gutão fez coco no jardim do hotel, peladão, acocorado, feito cachorrinho. Aconteceu assim: ele já havia feito um tanto na fralda-sunga (pra quem não conhece, é da marca Huggies e é ótima). Resolvemos trocá-lo ao ar livre mesmo. Peguei as tralhas no quarto, o Rô deu um banho no menino com a mangueira que ficava a disposição dos hóspedes pra limpar os pés na volta da praia e deixamos filhote peladinho pra secar "ao vento". Voltei pro meu banho de sol e os dois ficaram ali, brincando com a água. A certa altura, o Rô vê um turista italiano passar e fazer cara de nojo. Olha pra baixo e vê "a cena": Gutão acocorado, fazendo coco no jardim, nem aí!!!!! Me senti limpando coco de cachorro mesmo, com saquinho numa mão e mangueira na outra. Hilário!
O Pirata destravou a língua de vez. Diz frases completas e nos faz ficar de queixo caído. Coisa do tipo: "mamãe vai tomar banho de chuveiro" ou "o carro tá estacionado na garagem" . Assim, com todas as letras. A fixação por carros cresce. Ele pede pra "dirigir o carro do papai" a toda hora. Em Porto de Galinhas, pediu pra "dirigir" e nós deixamos. Chave fora da ignação, claro, e portas abertas. Mamãe babando na janela e filhote diz, dono da situação: "fecha a porta". Bom, fechei. A do passageiro, no entanto, ficou aberta. Ele olhou pra mim outra vez e mandou: "fecha a outra". Pasma, obedeci. Aí, ele colocou uma mão no volante, outra na marcha (!!!!!) e seguiu em seu passeio imaginário.
Outra boa aconteceu na varanda do hotel. Estávamos ali, os três, de bobeira, e eu comecei a puxar papo. Perguntei o que o papai estava fazendo e Gutão respondeu. Perguntei o que a mamãe estava fazendo e ele não hesitou. Perguntei o que ele tava fazendo e ele, um olho na conversa outro em seus brinquedos, soltou: "brincando". Em seguida, pediu: "bainha de cereal, bainha de cereal". Sim, dei pra ele provar no vôo da Gol até Floripa e ele adorou. Agora, quando não há nada mais saudável a mão, adotei barrinha de fruta, de coco e de iogurte como complemento. Gutão, como se lê, aprovou. (Tou pra descobrir do que é que esse moleque não gosta. Até agora, só não gostou de chá!! Também, pudera!!)
Ah, não sei se eu sou uma mãe cancerianamente orgulhosa demais, mas sinto mesmo que meu filhote é mais desenrolado que a média das crianças na idade dele. Não tem nem dois anos e já "conversa" com a gente. E não digo isso porque ele sabe muitas palavras, não. É que, além de falar muito, ele "pensa" muito. Faz as conexões certas, faz piada até, como essa história de dizer os nomes dos avós trocados, por exemplo. E tá aprendendo a dizer o meu, finalmente. Diz algo como "iana" e depois, gracioso, emenda o "janota". E ri, morre de rir. E lá no hotel, nós dois prontos pra tirar a soneca da manhã, papai surfando, Gutão vem vindo em minha direção na kingsize, todo querido, e diz "mamãe, bonita". Quem ensinou????? Como ele entende esses conceitos??? De grande, pequeno, leve, pesado, vá lá. Mas o que é bonito e o que não é, o que é triste e o que não é, o que é gostoso e o que não é, como se ensina algo assim?????
Sei que não se deve fazer isso, mas fiz. Fiquei ainda mais surpresa com o desenvolvimento "mental" do pequeno ao compará-lo com um "amiguinho" de um ano e sete meses também hóspede no hotel de Porto. Chamava Bernardo, gauchinho lindo, lourinho de olhos azuis. Super elétrico, não parava quieto um minuto sequer. Mas não dava uma palavra. Só papai e mamãe, mesmo assim, meia-boca. E não comia nada. Passava os dias na base de mamadeira com leite e nescau. Hein, como assim? Gutão come comida feito gente grande, na quantidade e no paladar. Adora frutas, pede pelo nome. Agora mesmo, abriu a geladeira da casa da vó Ju e pediu "abacate". Fiz, incrédula. Ele comeu tudo e pediu "suco de nananja"!!!!
Babo, babo, sim. Falo que amo, dou abraço, dou risada, bato palmas. Gutão cresce faceiro. E parece feliz. E aprendeu uma nova: quando consegue alguma coisa, diz "sabe tudo". E olha pra